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Extraído de “Ephemerides da Semana” de AMP in «Boletim do Governo de Macau« XII-35, 1866.
Ver anteriores referências em:
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Com este título “Assassination of the Governor of Macao”, publicou o jornal “The Illustraded London News”, de 10 de Novembro de 1849, (1) a notícia do assassinato do governador João Maria Ferreira do Amaral no dia 22 de Agosto de 1849.

ASSASSINATION OF THE GOVERNOR OF MACAO
“Amaral was accompanied only by Lt. Leite, his aide-de-camp, not by three others, as shown here.”

No mesmo jornal, o jornalista  correspondente  na China, também noticiava o morte do governador
(1) «The Illustrated London News» Vol. XV, Jul to Dec, 1849.

Aquele que, deixando Hong Kong viesse a Macau pela primeira vez, gozava as delícias de uma curta viagem de quatro horas, rodeado do maior conforto e desfrutando uma paisagem admirável por entre ilhas e ilhotas cobertas de vegetação e semeadas a capricho, como se tal disposição obedecesse à finalidade de proporcionar o imprevisto.
Para trás ficava a imponente colónia inglesa, cheia de grandeza e majestade, lançada pela íngreme vertente, que parecia dirigir-se ao Céu… (…).
E quanto mais o pequeno e confortável navio se aproximasse de Macau, tanto mais mudava a feição de tudo, desde a brisa, que se tornava suave e branda, à cor das águas, que reflectiam na superfície o amarelado dos fundos que as correntes cobriam de lodo.

A Baía e a Praia Grande (final da década de 40, século XX)

Passadas as Nove Ilhas, semelhantes a nove irmãs imorredouras, que a lenda não deixa esquecer, avistava-se à distância a “Porta do Cerco”, a praia da “Areia Preta”, a “Chácara do Leitão”, mostrando-se no cimo da “Montanha da Guia” o célebre farol, o mais antigo da Costa da China.
Na outra elevação próxima, distinguia-se o “Hospital Conde de São Januário” , que dominava o grande casarão que outrora fora Convento de S. Francisco e que servia de Quartel de Infantaria.
É, então, à recortada costa de pequenas enseadas, seguia-se a “Baía da Praia Grande”, em curva caprichosamente feita, deixando antever as delícias de uma pequena cidade de paz e sossego…(…)
O casario caiado a cores garridas, as Igrejas, as Capelas, os Fortes, Fortins e Bastiões, as casas solarengas e a quietude dolente e embaladora, não deixavam dúvidas de que a China deveria estar longe desta terra, que tudo indicava ser portuguesa.
Ao dobrar a “Fortaleza do Bom Parto”, talhada no regaço do imponente “Hotel Bela Vista”, surgia o sinuoso caminho, que levava ao ”Tanque do Mainato”, com a colina despida de casario, à excepção da velha e abandonada vivenda de “Santa Sancha”.
Em cima, a velha Ermida da Penha, cheia de unção religiosa e graça na sua simplicidade.
Na última curva da ordenada beira-mar, via-se a “Fortaleza da Barra” e, mais adiante, em plano superior, a “Capitania dos Portos”, em estilo mourisco…
continua.
REGO, Francisco de Carvalho e – Macau … há quarenta anos in «Macau». Imprensa Nacional, 1950, 112 p.
Deste autor, anteriores referências em
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No Quartel das Portas do Cerco existia uma lápide de bronze com esta inscrição:

BATALHÃO DE CAÇADORES N.º 1
2.ª COMPANHIA
SOLDADO INDÍGENA AFRICANO
N.º 50 –A – 335
JACINTO MUNDAU
NATURAL DE MAGUDE – DISTRITO
DE GAZA (MOÇAMBIQUE)
MORTO DO CUMPRIMENTO DO
SEU DEVER EM 25 DE JULHO
DE 1952
PRESENTE

Esta lápide foi desterrada a 25 de Outubro de 1952 pelo Governador de Macau, Joaquim Marques Esparteiro, na face exterior duma das quatro paredes que no Quartel das Portas do Cerco formam a caserna que em vida ocupou esse soldado, morto durante os incidentes na fronteira em Julho de 1952. O tiroteio entre as tropas chinesas de Chin-Sán e as nossas forças das Portas do Cerco e da Ilha Verde prolongou-se durante 1’0 dias, não havendo da nossa parte senão uma vítima, a do africano Jacinto, morto no primeiro dia à falsa fé pela sentinela chinesa que disparou sem provocação alguma. A calma voltou após dez dias de injustificadas agressões chinesas. (1)
Foi condecorado, a título póstumo, com a medalha de Cobre de Valor Militar – Portaria de 6 de Maio de 1953 (Ordem do Exército nº 9 / II Série / 1953)
Ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/06/noticia-de-6-de-janeiro-de-1952-baptismo-de-pracas-africanos/
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980, p. 160

Retirado (disponível na net) em:
The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits … , 1904, p. 492

Outro artigo publicado no Boletim Geral das Colónias de 1950, (1) referente à acção da Repartição de Obras Públicas no ano de 1949, com inclusão de três imagens.

A nova Avenida Ouvidor Arriaga
Outro aspecto da Avenida Ouvidor Arriaga
O novo troço da Rua da Praia Grande

(1) Disponível na net
http://memoria-africa.ua.pt/Library/BGC.aspx

Mais dois ”slides” digitalizados da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR)”comprados na década de 60 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA (1)

Palácio do Governo
Porta do Cerco

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/decada-de-60-seculo-xx/