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Extraído de «B.G.M», X-52 de 26 de Dezembro de 1864, p. 206
Extraído de «O Independente»,  XVII,  de 31 de Outubro de 1897 p. 4

No dia 28 de Janeiro de 1956, foi lançado à água a lancha «28 de Janeiro», (1) totalmente construída nos estaleiros das Oficinas Navais de Macau e destinada ao serviço da Comissão do Plano de Fomento.
“Escolhendo o dia 28 de Janeiro para a sua inauguração e baptizando a lancha com essa data, quis a Comissão prestar uma singela mas significativa homenagem ao Primeiro Magistrado desta Província e grande impulsionador do seu Fomento.
À cerimónia assistiram o Governador e Esposa acompanhados do chefe de gabinete oficial às ordens, a Comissão da Plano de Fomento, o Capitão dos Portos, o Director das Oficinas Navais, o Comandante da Polícia Marítima e Fiscal, o Chefe de Secção da Administração e Contabilidade da Marinha Privativa, o Comandante da P. S. P., o representante da casa fornecedora do motor da lancha, jornalistas portugueses e chineses e outras individualidades.
Todos os convidados foram recebidos pelo Director das Oficinas Navais, Primeiro-tenente eng-maq-naval Fernando da Silva Nunes e esposa.
A Senhora Dra. D. Laurinda Marques Esparteiro lançou sobre a quilha da lancha uma taça de espumoso português, deslizando a lancha na rampa, em direcção à água.
Na primeira viagem, sobre as águas do porto, a lancha, conduzida pelo maquinista naval Luís Nunes, levou como passageiros o Governador e sua Esposa, algumas senhoras e individualidades presentes.
Foi servida a todos os presentes, o gabinete do Director das Oficinas Navais, uma taça de espumante, acompanhada de aperitivos.
O capitão dos Portos, Comandante Coutinho Garrido, na qualidade de superintendente daqueles serviços , em breve palavras, agradeceu a Sua Ex.ª o Governador e Sua Esposa a honra que davam, assistindo àquela cerimónia, e ao Presidente da Comissão do Plano de Fomento, Dr. Pedro Lobo, a confiança que a comissão depositava nas Oficina Navais, confiando-lhes a construção da embarcação… (…)
O Governador, Almirante Marques Esparteiro, afirmou que todos estavam, por certo, , de acordo, em felicitar as Oficina Navais por aquela obra… (…)”
Extraído de «MBI», III-60 de 31 de Janeiro de 1956, p. 11.
(1) Lancha «28 de Janeiro», completamente construída nas Oficinas Navais, em 32 dias, tinha de comprimento 16,5 pés de boca máxima, e o calado de 2 pés e duas polegadas, sendo a velocidade de cruzeiro de 16 nós.
Deslocava 2 437 toneladas e tinha uma lotação para 12 pessoas com bom tempo e 8 com mau tempo. Era toda em teca com uma espessura de 12 milímetros, forrada a plástico, a cabina com estofos de plástico de cor verde claro, almofadada, e os cortinados da mesma cor. A propulsão era feita por motor «Diesel», da marca «Perking», com a força de 100 B.H.P a 2000 rotações p. m. A construção foi superiormente dirigida pelo Primeiro-tenente engenheiro naval Fernando da Silva Nunes, coadjuvado por Luís Nunes, construtor naval , diplomado pelo «British Institute of Engineering Technology» de Londres, com sede em Hong Kong.

Extraído de «BGC» XIV-153, Março de 1938.

Aviso publicado no «Boletim do Governo de Macau e Timor,» XVIII – n.º 20 de 11 de Maio de 1872
Escaler – Pequena embarcação de quilha ordinariamente de remos ou vela, para serviço de um navio ou de uma repartição ou estação marítima. pública.
João Eduardo Scarnichia (1832 – 1888) -斯卡尼西亚capitão-de-mar-e-guerra da Marinha
Aos treze anos, assentou praça na Armada, iniciando-se muito cedo na vida do mar. Após frequência da escola Politécnica, foi promovido a guarda marinha em 1841 e embarca neste posto no vapor Mindelo.

Annaes Maritimos e Coloniaes, 1846
http://library.umac.mo/ebooks/b31365243f.pdf

Em Fevereiro de 1848 completa o curso da Escola Naval sendo promovido a guarda-marinha efectivo. Envolve-se nas lutas liberais que deflagraram em 1846 sendo deportado. É integrado no Exército de operações em Janeiro até Agosto do mesmo ano, voltando a embarcar no Mindelo. E nesse mesmo ano é-lhe concedido o grau de cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada.
Em 3 de Setembro de 1853, passou à corveta D. João I que largou de Lisboa a 6-10-1853 chegando a Macau em 1854 sob o comando do capitão-de-fragata Carlos Craveiro Lopes, levando na viagem 6 meses e vinte e tantos dias (passando pelo cabo de Boa Esperança e Timor).
Em 1854 passou a comandar, no posto de 2.º tenente, a lorcha de guerra Amazona Promovido por distinção (várias expedições contra a pirataria nos mares da China) em 12-11-1854, a 1.º tenente.
Casou em Macau a 15-07-1856 na Sé Catedral com Maria Kikol Goularte (nascida em Macau)
Nomeado Capitão do Porto de 1861 a 1876, sendo nesse tempo promovido a capitão-tenente e capitão-de-fragata e
Comandante da Polícia Marítima de 1868 a 1876. Em 16-08-1876 foi promovido a Capitão-de-mar-e-guerra, Regressou a Portugal em 1877.
Em 1877, (1) foi eleito deputado pelo círculo de Macau cargo que exerceu até à sua morte, em 26 de Fevereiro de 1888 (no posto de contra-almirante) vítima de congestão cerebral.
Informações de TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com  Macau, 1988.
Anteriores referências a João Eduardo Scarnichia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-eduardo-scarnichia/
(1) Foi João Eduardo Scarnichia que, como deputado, teve uma intervenção no parlamento em 1880 chamando a atenção da decadência e incúria do jardim de Camões e da necessidade de aquisição do espaço por parte do Governo. Esta aquisição sé seria concretizada em 1885 com a intervenção do Governador Tomás Roa e do comendador Lourenço Marques
Ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/page/3/ 
卡尼西 mandarin pīnyī: sī qiǎ ní xī yà; cantonense jyutping: si1 kaa1 nei4 sai1 ngaa3
Do «Diário Illustrado» de 26 de Setembro de 1878 (n.º 1972) na coluna  “High Life” extraí esta nota social:

macau-b-i-i-15-15mar1954-jacob-jebsen-iDa esqª p/dta.:Governador, Joaquim Marques Esparteiro, Sr. G. R. Hansen, D. Maria de Lurdes Leitão Rodrigues, D. Laurinda Marques Esparteiro e Primeiro-tenente Horácio de Oliveira.

O Comandante do barco «Jacob Jebsen», Sr. G. R. Hansen, e o agente em Macau, Sr. Engenheiro Humberto Rodrigues e sua esposa, Sra. D. Maria de Lurdes Leitão Rodrigues, ofereceram a bordo daquele barco, um jantar ao Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, a sua Esposa, Sra. Dra. D. Laurinda Marques Esparteiro, à filha Sra. Maria Helena, ao seu secretário Tenente Lopes da Costa, ao Capitão dos Portos, Capitão-tenente José de Freitas Ribeiro e esposa, Sra. D. Vera de Sena Fernandes Freitas Ribeiro e ao Comandante da Polícia Marítima, Primeiro-tenente Horácio de Oliveira.

macau-b-i-i-15-15mar1954-jacob-jebsen-iiDa esqª p/dta.: Tenente Lopes da Costa, Sra. Maria Helena Marques Esparteiro, Eng.º Humberto Rodrigues, Capitão-tenente José de Freitas Ribeiro e D. Vera de Sena Fernandes Freitas Ribeiro.

macau-b-i-i-15-15mar1954-jacob-jebsen-iiiO «Jacob Jebsen», barco de carga, de nacionalidade dinamarquesa, construído em 1952, de 3674 toneladas, atracou na “moderna gare marítima” (1) e foi até à data o maior barco a entrar nas águas do Porto Interior de Macau.
Foi especialmente fretado para trazer, de Bangkok para esta Província, 33.346 sacos de arroz para abastecimento da sua população.

jacob-jebsen-1952JACOB JEBSEN – 1952 – IMO 5167255

jacob-jebsen-dados-tecnicos
jacob-jebsen-bangsbo-museumCopyright BANGSBO MUSEUM

(1) Notícias da imprensa escrita da época.

Várias fotografias do navio “atracado” em Hong Kong na década de 60/70, descarregando arroz de Bangkok em:
M/S “Jacob Jebsen”- China Trader from Aabenraa, Denmark –em>http://globalariner.com/index111JacobJebsen.html
Ver “história” deste barco em:
http://www.jjsea.com/doc/ourhistory
http://www.jebsenlogistics.com/pagedisplay.aspx?did=f2f7fdc1-8630-49ab-825a-587c77d99fbd

A data «28 de Maio» – 30.º Aniversário da Revolução Nacional,  foi assinalada em Macau com as seguintes comemorações:
1.º – Às 8.00 horas – Hastear da bandeira Nacional nos edifícios das Repartições Públicas, Quartéis e Fortalezas.
2.º – Às 9.00 horas – “Te-Deum” de acção de graças pela paz e benefícios concedidos pela providência à Nação Portuguesa, celebrado pelo Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, na Sé Catedral.
3.º – Às 10.00 horas – Parada Militar com desfile das forças diante da tribuna colocada em frente do palácio do Governo da Praia Grande, no qual tomaram parte contingentes das forças do Exército, da Polícia de Segurança, da Polícia Marítima e Fiscal, do Corpo de Bombeiros Municipais, sendo a guarda de honra o Governador prestada pela Milícia da Mocidade Portuguesa.

MBI III-68 31MAI56 COMEMORAÇÕES DE 28 DE MAIO (I)O Governador Almirante Marques Esparteiro passando revista à guarda de honra constituída por um grupo de castelos da Mocidade Portuguesa, com terno de clarins, banda e bandeira.

MBI III-68 31MAI56 COMEMORAÇÕES DE 28 DE MAIO (II)Às 10.00 precisas, o Comandante das Forças em Parada, major Mário Barata da Cruz dirigindo-se à tribuna pediu licença ao Governador para começar o desfile. Este foi   constituído apenas por forças apeadas que incluíram unidades europeias e indígenas em formatura de três, com banda de corneteiros e bandeira da guarnição da Província, um pelotão da Polícia Marítima e Fiscal, uma Companhia da Polícia de Segurança Pública e um pelotão do Corpo de Bombeiros Municipais. Desfilou por último a guarda de honra e a banda da P.S.P. que, diante da tribuna, tocara durante o desfile.
4.º – Às 10.45 horas – Lançamento da primeira pedra do novo edifício destinado ao Liceu Nacional Infante D. Henrique.

MBI III-68 31MAI56 COMEMORAÇÕES DE 28 DE MAIO (III)Lançamento da primeira pedra do novo Liceu de Macau

Na presença do Governador e principais autoridades civis, militares e eclesiástica foi colocada, cerca das 11.00 horas, a primeira pedra do novo edifício destinado ao Liceu Nacional Infante D. Henrique. assinalando o acto, discursou o Engenheiro José dos Santos Baptista, Chefe de Repartição Provincial dos Serviços de Obras Públicas.
O terreno para o novo Licei  ficava situado nos aterros da Praia Grande e compreendia os talhões limitados pela Rotunda Ferreira do Amaral, Avenida Dr. Oliveira Salazar (hoje Avenida Mário Soares) Avenida D. João IV e Avenida Infante D. Henrique . O talhão que confinava com a Rotunda Ferreira do Amaral foi destinado ao edifício (área coberta de 2 465.16 metros quadrados) e o outro , a campo de jogos dos alunos (uma superfície de 4 950.00 metros quadrados).
5.º – Às 11.45 horas – Inauguração de diversos melhoramentos públicos na Ilha da Taipa
6.º – Às 16.45 – Sessão solene promovida pela União Nacional no Salão Nobre do Leal Senado. Usou da palavra o Governador, o Dr. Henrique de Sena Fernandes e o Presidente da Comissão Provincial da União Nacional.
7.º – Às 18.15 – Final do Torneio Relâmpago Escolar no Campo Desportivo «28 de Maio», promovido pela Associação de Futebol de Macau com a colaboração da Mocidade Portuguesa.
8.º – Das 21- às 24.00 horas – Iluminação de gala nos edifícios públicos e quartéis que o puderam fazer.

Autocolante rectangular (10, 5 cm x 7,5 cm)  das

FORÇAS DE SEGURANÇA DE MACAU
澳門保安部隊
VOS VÃO SERVIR COM PASSO DILIGENTE

AUTOCOLANTE - FORÇAS DE SEGURANÇA DE MACAUAs Forças de Segurança de Macau foram criadas em 1975 (1) com extinção do comando-chefe das forças armadas, do comando territorial independente, do comando de defesa marítima e de outros órgãos de vigilância até então existentes. Desde essa data as forças militarizadas de Macau foram colocadas sob um comando único abrangendo a Polícia de Segurança Pública, Polícia Marítima e Fiscal , Polícia Municipal e o Corpo de Bombeiros.
Neste autocolante só estão os emblemas do Corpo de Bombeiro (em baixo à esquerda), da Polícia Marítima e Fiscal (em baixo, ao centro) e da Polícia de Segurança Pública (em baixo, à direita). Em cima o logótipo  das Forças de Segurança de Macau (Comando)(2)
(1) Decreto-lei 705/75, de 19 de Dezembro (Diário da República)  – Reorganiza as forças militares e militarizadas e outros órgãos de segurança de Macau.
Art. 7.º – 1. As Forças de Segurança abrangem as seguintes corporações:

    1. a) Polícia de Segurança Pública (PSP);
    2. b) Polícia Marítima e Fiscal (PMF);
    3. c) Polícia Municipal (PM);
    4. d) Corpo de Bombeiros (CB).

(2) Decreto-Lei n.º 6/91/M  – Extinção do Comando das Forças de Segurança de Macau  e criação da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau

Bernardino Senna FernandesFoi nesta data, 18 de Abril de 1890, agraciado por mercê honorífica com o título de Visconde de Sena Fernandes por duas vidas, o proprietário macaense Barão de Sena Fernandes.

Bernardino de Senna Fernandes nasceu em Macau a 20 de Maio de 1815 e também aqui faleceu a 2 de  Maio de 1893. Era filho de José Vicente Fernandes e de Ricarda Constantina Fernandes, naturais desta Província.
Bernardino Senna Fernandes Brasão IBernardino Senna Fernandes Brasão IIBernardino Senna Fernandes Brasão IIIFoi distinguido com os títulos de Barão em 25 de Outubro de 1888, de Visconde (17-04-1890) e de Conde, em duas vidas (31-03-1893).  Esta ultima mercê só chegou depois da sua morte pelo só pode ser gozada por seu filho que, a falar com rigor foi o 1.º Conde de Sena Fernandes. Enquanto que o nome de família seja referenciado em Macau como “Senna Fernandes“, os títulos foram outorgados como “Sena Fernandes
Bernardino Senna Fernandes Brasão IVBRASÃO DE ARMAS: Escudo de ouro carregado com uma águia bifronte de negro estendida, armada de vermelho e com um crescente de prata apontado para cima sobre o peito ; orla de vermelho carregado com quatro cruzetos de ouro entre quatros crescentes de prata sendo estes acantonados  e aqueles nos centros do chefe, contra-chefe e laterais – Timbre, uma águia de negro andante e armada de vermelho. Virol de ouro e vermelho e assim o paquife; elmo de prata lisa, decorado de oiro lavrado e o forro azul celeste.

Negociante rico, grande proprietário (um dos maiores contribuintes de Macau do século XIX), figura polémica (1) e controversa,  foi Major ordinário, (2) Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Cristo, Comendador da Ordem do Elefante de Sião, Cavaleiro de Torre e Espada, Condecorado com a Medalha de Prata de Mérito e Filantropia, Cônsul de Sião e da Itália em Macau, diplomata,  (3) Comandante da Guarda da Polícia, (2) organizador da Polícia do Mar,  (4) superintendente da Emigração Chinesa (isto é da emigração dos cules), inspector de Incêndios,  (5)  presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia e sócio fundador da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses) (APIM). (6)
Deixou numerosa descendência. Casou a 30 de Setembro de 1840 com Antónia Maria de Carvalho. Ficou viúvo, casou a 11 de Julho de 1862 com D. Ana Teresa Vieira Ribeiro e tiveram 9 filhos.

Bernardino Senna Fernandes Estátua IFoto: 2015

Esta estátua foi erecta, em Março de 1871, (no mesmo mês e ano em que foi inaugurado o monumento da Vitória) (7)  num terreno ajardinado do outro lado da rua oposto ao Monumento da Vitória; dali foi removida para o pequeno jardim do vivenda “Caravela”, (8) na Avenida da República, construída pela família Senna Fernandes. A família posteriormente alugou/vendeu (?)  a vivenda “Caravela” para servir de Hotel/Restaurante e nessa altura ofereceu a estátua ao Governo que a mandou colocar no recinto murado do então Museu de Luís de Camões (hoje  propriedade da Fundação Oriente) à direita de quem entra. (9)

Bernardino Senna Fernandes Estátua IIO pequeno jardim à frente da sede da Fundação Oriente com a estátua de Senna Fernandes (na foto: esquerda superior). Foto: 2015

O pedestal tem inscrições em chinês e português. (actualmente muito apagadas)

Bernardino Senna Fernandes Estátua IIIFoto: 2015
PARA PERPETUAR A MEMORIA DO BENEMERITO
CIDADÃO
BERNARDINO DE SENNA FERNANDES
MAJOR HONORARIO
COMMENDADOR DA ORDEM MILITAR DE
NOSSO SENHOR JESUS CHRISTO
COMMENDADOR DA ORDEM DO ELEPHANTE BRANCO
DE SIAM
CAVALEIRO DA ANTIGA E MUITO NOBRE ORDEM
DA TORRE E ESPADA, DO VALOR, LEALDADE E
MERITO FIDALGO CAVALEIRO DA CASA REAL
CONSUL DE SIAM E DA ITALIA
I BARÃO, VISCONDE E CONDE DE SENNA FERNANDES
AGRACIADO COM A MEDALHA DE PRATA
DE MERITO, PHILANTROPIA E GENEROSIDADE
CHEVALIER SAUVETEUR DES ALPES MARITIMES
SOCIO PROTTETORE DE ASSOCIAZIONE DEI
BENEMERITI ITALIANI
MUITO APRECIADO PELA COMUNIDADE CHINEZA
DE MACAU
PELO SEU AMIGO JUSTICEIRO E PROVADA
ESTIMA  E SYMPATHIA
AOS NEGOCIANTES CHINEZES
A QUEM SEMPRE DISPENSAVA PROTECÇÃO
E APOIO
Bernardino Senna Fernandes Estátua IVFoto: 2015
Esta Estátua foi mandada erigir por
Lu-Cheo-Chi, Cham Hau-in, Ho-Liu-Vong
e outros negociantes chinezes de Macau
Em Testemunho de Amizade e Gratidão

(1) “Figura poderosa e polémica, foi naturalmente alvo de invejas e acusações  de toda a ordem, sobre as quais se torna difícil, hoje em dia, tecer um juízo de valor. Seja como for, ele próprio entendeu defender-se e publicou o folheto Um apelo ao publico imparcial, Macau, Typ. Popular, 1869, 24 p., no qual apresenta uma série de documentos comprovativos dos altos serviços prestados à Província. Coincidência, ou não, pouco depois desse desafrontamento pessoal, um grupo de importantes comerciantes chineses, deliberou mandar erigir-lhe uma estátua de corpo inteiro. (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses)
(2) Senna Fernandes criou um corpo de polícia privado, em 1857, a «Polícia do Bazar», paga por um grupo de comerciantes chineses e depois esta Polícia extendeu-se a toda a cidade. Mas breve surgiram queixas de abuso de poderes. O governo hesitava, falho de meios para se lhe opor. Finalmente usando a velha regra que propõe que “se não os podes vencer junta-te a eles“,  Senna Fernandes foi nomeado Comandante da Guarda da Polícia a 14 de Outubro de 1857 e a 18 de Julho de 1861 foram-lhe concedidas as honras de major. Para demonstrar a sua riqueza, armou a Polícia à sua custa, com o armamento mandado vir propositadamente da Inglaterra.
SARAIVA, António M. P. – Jardins e a história de Macau in Macau, encontros de divulgação e debate  em estudos sociais, pp. 193-205.
Site das Forças de Segurança de Macau  indica como Comandante da Polícia: 14-10-1857 a 29-07-1863. (http://www.fsm.gov.mo/psp/por/psp_org_9.html)
(3) Conseguiu estabelecer com a China vários tratados de comércio, a fim de garantir à população os víveres necessários, depois de várias proibições ordenadas pelos mandarins em consequência da guerra entre a China e a Inglaterra, missão esta muito difícil que só o seu génio e alto prestígio conseguiu levar a bom termo. (Macau B. I., 1954)
(4) Criou também a Polícia do Mar, a quem se deve o salvamento de muitas vidas e propriedades, especialmente a quando do tufão de 27 de Julho de 1862. Reprimiu, à sua custa, com os seus navios e embarcações, o contrabando  e a pirataria nesta paragens, entregando sempre à Fazenda Pública o produto e os artigos das apreensões. Macau B. I., 1954)
(5) Reorganizou os serviços de incêndio da cidade exercendo gratuitamente o cargo de inspector (Macau B. I., 1954)
(6) Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) foi  fundada em 17 de Outubro de 1871, destinada à educação dos «filhos da terra». Em 1878 cria a «Escola Comercial»  (SILVA, Beatriz Basto da Cronologia da história de Macau, Vol.3).
(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/
(8) O edifício da Caravela, infelizmente demolido em princípios de 1979
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2011/12/31/caixa-de-fosforos-hotel-caravela-2/
(9) TEIXEIRA, P.  Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980.

Em honra do Senhor Ministro do Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues, na sua visita a Macau em Junho de 1952, realizou-se no dia 20 de Junho um grandioso desfile militar, na qual participaram todas as forças de terra e mar que desfilaram perante a tribuna de honra (colocada à frente do Palácio do Governo), com grande variedade de viaturas, material pesado e outros engenhos bélicos. (1)
À esquerda da tribuna ministerial estava formada a guarda de honra, uma companhia do Batalhão de Caçadores n.º 1, sob o comando do capitão Marques de Carvalho e a banda de música da Polícia de Segurança Pública.
DESFILE MILITAR 20JUN1952 IÀ chegada do Ministro do Ultramar, a um toque de clarim, a guarda de honra apresentou armas e a banda musical tocou “A Portuguesa”.
DESFILE MILITAR 20JUN1952 IIO Comandante Sarmento Rodrigues acompanhado pelo Comandante Militar , tenente-coronel António Cyrne Pacheco.
DESFILE MILITAR 20JUN1952 III                                              … passou revista à guarda de honra.
Às 9,30 horas começou o desfile.
DESFILE MILITAR 20JUN1952 IVA um toque de clarim começou a marcha pela Rua da Praia Grande, abrindo com dois castelos da Mocidade Portuguesa com os respectivos estandartes.
Seguia depois um carro militar com o comandante das forças em parada, que parrou em frente à tribuna.
DESFILE MILITAR 20JUN1952 XIO comandante das forças em parada, o tenente-coronel de artilharia, Acácio V. Neves e Castro e adjunto tenente-miliciano de artilharia, Francisco F. Novo, prestaram a continência pedindo autorização para o desfile, após o que se colocaram à esquerda da Tribuna Ministerial juntamente com o ordenança, clarim e estafeta.
DESFILE MILITAR 20JUN1952 XIIDesfilou então a parte apeada com uma companhia da Marinha de Guerra com bandeira, sob o comando do 2.º tenente Caldeira Saraiva.
Depois vinha a Banda de Corneteiros composta por pessoal indígena dos batalhões de Caçadores 1 e 2. Seguidamente a Bandeira Militar tendo como porta-bandeira o tenente de artilharia Álvaro Manuel V. Cepeda e a respectiva escolta constituída por um sargento, um furriel e um 1.º cabo; um Batalhão de Caçadores sob o comando do major de infantaria, Mário dos Santos Anino, tendo como adjunto um capitão, um sargento (como porta-guião do batalhão) e uma ordenança. Depois, a 1.ª Companhia de Atiradores sob o comando do capitão Carlos Eduardo Campelo de Andrade Bandeira de Lima; a 2.ª Companhia de Atiradores a quatro pelotões, sob o comando do capitão de infantaria, Pedro de Barcelos; a 3.ª Companhia de Atiradores, a quatro pelotões, sob o comando do capitão de infantaria, Miguel Ângelo Cambraia Duarte e a 4.ª Companhia de Atiradores a quatro pelotões, sob o comando do capitão de infantaria Carlos da Costa Campos de Oliveira.
Seguiu-se a Polícia Marítima, a um pelotão sob o comando do chefe Joaquim Baptista e a Polícia de Segurança Pública, a uma companhia a três pelotões , com bandeira sob o comando do tenente José da Conceição Miguel.
Seguiu-se depois a parte motorizada.
DESFILE MILITAR 20JUN1952 VIIUma coluna sob o comando do capitão de infantaria, Mário Gustavo de Araújo Barata da Cruz, tendo como adjunto um capitão de infantaria com ordenança-estafeta; Companhia Anti-Carro, do Batalhão de Caçadores sob o comando do capitão de infantaria João Melo de Oliveira, um corneteiro e um estafeta;
DESFILE MILITAR 20JUN1952 VIII1.º Pelotão Anti-Carro a quatro secções, sob o comando do tenente miliciano de infantaria Carlos Fernandes Camacho, o 2.º pelotão Anti-Carro, a quatro secções, sob o comando do alferes miliciano de infantaria, José F. Lino.
Seguia-se o Agrupamento de Baterias de Artilharia, sob o comando do capitão de artilharia Eduardo Afonso S. Salaviza, com um 1.º sargento, porta guião e um estafeta-moto;
Bateria de Artilharia Ligeira 8,8 n.º 1, sob o comando do capitão de artilharia Adriano Vítor Hugo Landercet Cadima, a duas divisões e quatro secções;
Bateria de Artilharia Ligeira 8,8 n.º 2, sob o comando do tenente de artilharia, Joaquim Humberto da Silva Porto Oneto, a duas divisões e quatro secções;
Bateria de Artilharia Anti-Aérea de 4 cm, sob o comando do tenente de artilharia, Domingos Sebastião Gama de Câmara Stone, a duas divisões e quatro sessões.
Bateria de Artilharia Anti-Aérea de 7,5 cm, sob o comando do capitão de artilharia, Maurício Martins Lopes, a duas divisões e quatro secções.
DESFILE MILITAR 20JUN1952 IXDesfilou a seguir o Esquadrão Motorizado sob o comando do capitão de cavalaria, José Carlos Sirgado Maia, com um 1.º sargento porta-guião, clarim e estafeta-miliciano.
Depois, o Pelotão de Auto-Metralhadoras, sob o comando do alferes miliciano de cavalaria, Mário António de P. Valente;
DESFILE MILITAR 20JUN1952 XIIIo Pelotão de Metralhadoras-Auto (Brens), sob o comando do alferes miliciano de cavalaria, Rui Ferreira, pelotão auto T. T., sob o comando do alferes miliciano de cavalaria, Jácome Saavedra de O. Bruges;
Desfilou depois a Companhia de Engenharia, sob o comando do capitão de engenharia, Henrique Pedro Daniel e Aranda, com um 1.º sargento porta-guião, clarim e um estafeta -moto; Pelotão de Sapadores sob o comando do tenente de engenharia Manuel Mesquita Borges e um Pelotão de Transmissões, sob o comando do alferes miliciano de engenharia, Fernando José Brochado de Miranda;
Um pelotão de Motociclistas da Polícia de Segurança Pública e seis “jeeps”, sob o comando do tenente Francisco Maria Candeias, e uma Companhia de Bombeiros Municipais sob o comando de chefe Manuel Dimas Pina, fecharam a parada.
Dirigiu a parada o capitão Alberty Correia, subchefe do Estado Maior.
(1) Segundo testemunhos dos militares radicados em Macau, terá sido o maior desfile militar até então e nunca mais repetido nessa grandeza, quer em termos humanos quer em meios utilizados. As tropas tinham a testa da formação, junto do antigo Palácio das Repartições (depois Tribunal); as forças motorizadas e corporações militarizadas estendiam-se até ao Porto Exterior, ao longo da Avenida então chamada Dr. Oliveira Salazar.
Informações de BARROTE, David (coordenação) – A Visita do Ministro do Ultramar a Macau em Junho de 1952. Editado pela Repartição Central dos Serviços Económicos, Secção de Propaganda, 328 p.
Referências anteriores ao comandante Sarmento Rodrigues e à sua visita a Macau em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-m-sarmento-rodrigues/