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08-07-1859 – Os vapores “Fernandes“(“Shamrock” ?) (1) e “Invejado”, sob o comando do Comandante do Quartel de Força de Polícia (2) major Bernardino Sena Fernandes, (3) largaram para Colan, para resgatarem um junco mercante, o que conseguiram, após grande resistência, por parte dos piratas, travando-se vivo tiroteio, no sítio defronte de Coulan, chamado Ho-Pan” (4 )
(1) “PIRATES – From Macao we hear that the Portuguese steamers Shamrock and Invejado, destroyed four piratical junki. It is reported by the Portuguese, that a British ship, supposed to be the Jeremiah Garntlt, has been taken outside of Macao by pirates.” (Daily Alta Califórnia, Vol. XI, n.º 217, 7 August 1859)
https://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=DAC18590807.2.7

SHAMROCK

“The steamship, the “Shamrock,” 294 gross tons, 201 net. Lbd: 147’5″ x 19’4″ x 11’9″was iron paddle steamer, 3 masts, schooner rigged. Built 1841 by Bush and Beddoe at Bristol, England. Arriving Sydney 15 October 1841 under Captain George Gilmore and commenced regular coastal services from October 28th 1841. As a passenger-cargo vessel, she worked the Sydney – Morpeth trade, and in February 1842 she opened the trade to the fledgling ‘Moreton Bay’ area. 1943 saw her moved to the Sydney – Melbourne where she became most familiar. She also completed runs to Launceston and smaller ports along the New South Wales coast as Twofold Bay and Eden. In December 1857 sent to Shanghai and sold to Chinese interests. Lost in the China Sea, 23rd March 1860.”
https://www.flotilla-australia.com/hrsn.htm
(2) Por Portaria Régia de 3 de Março de 1841, foi aprovado o Regulamento Policial da Cidade e Porto de Macau. A partir daí, criou-se um departamento da polícia, composta por cidadãos que foram dispensados do “Batalhão Provisório”. O negociante chinês Aiong-Pong no intuito de proteger as suas propriedades que tinha no mercado, particularmente recrutou em 1857 europeus, formando uma pequena guarda com 50 homens.
Bernardino de Senna Fernandes e alguns chineses principais uniram-se para aumentar essa guarda, para um efectivo de 100 homens de maneira a poder vigiar e guardar também os seus bens, guarda esta, intitulada Guarda de Polícia do Bazar, que foi reconhecida pelo governo com a publicação da Portaria de 14 de Outubro de 1857. Bernardino Senna Fernandes, negociante rico da praça de Macau que armou a Guarda da Polícia à sua custa, com o armamento mandado vir propositadamente da Inglaterra, foi nomeado Comandante desta guarda, com honras de Capitão. E mais tarde, foi-lhe concedido honras de Major, por ministérios da Marinha e Ultramar e Major honorário em 18-07-1861.
Também havia uma Polícia do Bazar, criado a 29 de Setembro de 1857, um grupo civil sustentado por subscrição dos chineses interessados (4)
(3) Bernardino de Senna Fernandes nascido a 20 de Maio de 1815 e falecido em 2 de Maio de 1893, foi comandante da Guarda da Polícia, (1857- 1865) superintendente da Emigração Chinesa, inspector de Incêndios (1866-1872) presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia e sócio fundador da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses) (APIM). Foi distinguido com os títulos de Barão em 31-01-1889, de Visconde (18-04-1890) e de conde, em duas vidas (31-03-1893). Negociante da praça de Macau rico, um dos 40 maiores contribuintes de Macau durante vários anos.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/
(4) GOMES, L.G.- Efemérides da História de Macau, 1954.

Auto de notícia de 26 de Maio de 1877 da Polícia do Porto de Macau enviado à Procuratura dos Negócios Sínicos para resolução acerca de uma queixa, no dia 24 de Maio, de falta de pagamento (175 taeis) pelo transporte após salvamento de 33 homens, tripulação duma embarcação que se afundou perto da Ilha do Ladrão.
Extraído de «B.P,M.T.» , 1877, Vol XXIII – 21.
Jin Guo Ping no seu trabalho “O valor documental da Peregrinação — Contributo para a história da presença portuguesa na China e da fundação de Macau”, (recomendo a leitura), a propósito da passagem de Fernão Mendes Pinto por Macau, p. 781/782 (1), localiza assim a Ilha dos Ladrões.
O episódio de “Como nos perdemos na Ilha dos Ladrões (Capítulo LIII)” confirma as andanças do autor em Macau nos primórdios do seu estabelecimento. Na geografia marítima, a “Ilha dos Ladrões” é um nome bem conhecido. No entanto, neste caso, seria identificável com Laowanshan (Ilha do Velho Wan). Wan foi um pirata famoso no mar e no delta do Rio das Pérolas. Era em Laowanshan que o pirata procurava refúgio. Em português, a ilha é ainda hoje conhecida pelo nome de “Ilha dos Ladrões”. Fica a sudeste de Macau. “Saindo pelo Canal da Taipa, chega-se a Laowanshan, que é o ponto de referência para os barcos oceânicos e os barcos bárbaros”. Sabe-se, através dos roteiros chineses, que era um lugar de passagem para os barcos que circulavam entre o litoral chinês a leste de Hong Kong e a Cidade de Cantão. Para os barcos que vinham de Malaca pela “rota de fora”, era o primeiro ponto de chegada.
Até ao século XVII, os barcos que saiam de Macau ainda o usavam como ponto de partida.
(1) Jin Guo Ping – O valor documental da Peregrinação — Contributo para a história da presença portuguesa na China e da fundação de Macau”, in Administração n.º 72, vol. XIX, 2006-2.º, 771-783, disponível em:
http://www.safp.gov.mo/safppt/download/WCM_004481