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Pequeno extracto dum artigo de 1940, (pp.127-134) escrito pelo 1.º tenente A. Gomes Namorado, comandante do Centro de Aviação Naval (1)  para a publicação “ U N de Macau”,  (137 p.) da União Nacional de Macau no ano XIV da Revolução, 1940.
“… Interessante seria registar nestas páginas as milhares de toneladas, em especial correio, e as centenas de milhares de passageiros hoje transportados por aviões. Aqui mesmo, Macau, é um exemplo, talvez quási despercebido. Efectivamente, saber-se-á que em 1938 e 1939 o número de cartas enviadas por correio ordinário e aéreo foi respectivamente de 1.829.662, 4.032.945 e 39.434 e 92.577. A consideração destes números mereceria talvez a atenção de capitais da Colónia, adiantando-se a iniciativas estranhas que à Colónia veem buscar rendimentos que nela deveriam ficar.
Macau precedeu êste movimento pro-aviação. Data de 1921 a criação da sua primeira escola de aviação, criada pelo Governador Paço d´Arcos. A sua vida foi efémera; 6 alunos pilotos a frequentaram e destes apenas 2 concluíram as provas.
Em 1939, por proposta do actual Governador, o Governador que primeiro e melhor viu as possibilidades da aviação, Sua Exa. o Ministro das Colónias, a quem a aviação nas Colónias tudo deve, criou a Escola de Aviação de Macau para formação de pilotos, mecânicos, artífices e radiotelegrafistas. Dotada, desta vez, com os meios necessários, a Escola poderá desempenhar cabalmente da sua missão, desta forma contribuindo para o desenvolvimento da Colónia.” (2)

(1) Recorda-se que nesse ano, o Serviço de Aviação de Macau tinha aparelhos velhos e dos quatro aparelhos apenas um conseguia voar e, mesmo assim não muito bem. Em 1939, a aviação tinha três pilotos em Macau, o primeiro-tenente José de Freitas Ribeiro (2.º comandante do Centro de Aviação Naval) o 1.º tenente aviador Pedro Correia de Barros e o 2.º tenente aviador Rodrigo Henriques Silveirinha (morreria no acidente aéreo em 26 de Junho de 1942, queda do Osprey n.º 6 no Bairro do Tap Seac) auxiliados pelo 1. º Sargento mecânico aviação, Joaquim Macedo Girão e os 2.ºs sargentos artífices de aviação, Rafael Afonso de Sousa e João dos Santos Louceiro.
O 1.º Comandante, capitão-tenente António Gomes Namorado júnior, encontrava-se em Lisboa a frequentar o curso naval de guerra e o Governo decidia-se pela construção de um novo hangar no Porto Exterior, onde coubessem, em condições razoáveis, os aparelhos. Namorado Júnior regressa a Macau e ao comando do Centro em 1940 até Maio de 1941, sendo substituído por Freitas Ribeiro que , por doença de sua mulher – tuberculose- pediu demissão do cargo e regressaria à metrópole, em 1941. O comando passou para o primeiro tenente Pedro Correia de Barros, então com 30 anos de idade.

A construção do hangar no Porto Exterior, cerca de 1941

Informações de Anuário de Macau 1940-1941 e SÁ, Luís Andrade de – Aviação em Macau, Um Século de Aventuras, 1990 p.79
Anteriores referências ao Centro de Aviação Naval em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-aviacao-naval/

https://www.marinha.pt/conteudos_externos/RevistaArmada/423/HTML/files/ra_423_sut08.pdf

(2) António Gomes Namorado Júnior (1901-?) foi um oficial de Marinha que serviu na Aviação Naval desde 1926 como piloto-aviadGomes or e deixando-a em 1948 como cap.-frag. RF
É autor de vários artigos e textos aeronáuticos (“Crónicas de Aviação”) publicados nos “Anais do Clube Militar Naval” entre 1927 e 1933 (22 dos 26 textos publicados neste período),
Participou na “Lisboa-Madeira-Açores-Lisboa”,  a primeira viagem com aviões em grupo realizada pela aviação da Armada entre 30 de junho e 31 de julho de 1935.  Tinha como objetivo o treino de manobras e navegação. Os três aviões eram tripulados por Namorado Júnior, Ferreira da Silva, Aires de Sousa, Carlos Sanches, Bernardino Nogueira, Correia Matoso, Brandão, Falcoeira e Nascimento.
Quanto às crónicas de Namorado Júnior, no seu primeiro texto de 1928 (janeiro e fevereiro) de 1928 (assinado N.J.) inserido, tal como o anterior e os restantes, na “Crónica Naval”/”Crónica Marítima” o autor defende a importância de os governos comparticiparem as viagens aéreas (raids) como forma de conhecerem melhor as suas potencialidades a nível económico e militar. Também é defendido que o desenvolvimento e apoio da aviação civil é importante no sentido em que esta pode servir os fins militares em caso de guerra”
https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/25055/1/ASPOF%20Faria%20Pinheiro%20-%20A%20Avia%C3%A7%C3%A3o%20Naval%20nos%20Anais%20do%20Clube%20Militar%20Naval.pdf

Encontrei num alfarrabista esta fotografia colada a um pequeno papelão com a seguinte inscrição

N, R. P. GONÇALVES ZARCO
HONG KONG
20-12-1959

Pelo posicionamento da tripulação e enquadramento da fotografia, lembrei-me de uma outra foto publicada na revista “MacaU” (1) que foi tirada no mesmo barco em Junho de 1963, também na altura estacionada em Hong Kong.

Ao centro (na foto) vemos o comandante, capitão-de-fragata Malheiro do Vale, tendo à sua esquerda o imediato, capitão-tenente Rosa Coutinho, e, à sua direita, o 1.º tenente Cristóvão Moreira, o oficial mais antigo do aviso português na altura. (1)

O N. R. P. Gonçalves Zarco (2) foi o primeiro aviso a entrar em Macau em 1935, e o último navio da Armada Portuguesa que esteve em comissão de soberania em Macau e Timor.
A última missão de nove anos em Macau foi de 14 de Outubro de 1956 (3) a 28 de Março de 1964. A sua partida após ter cumprido a sua gloriosa missão de nove anos consecutivos, no Oriente, teve honras de fogo de artifício (4) e “na véspera, em jeito de despedida, os marinheiros organizaram um cortejo em riquexós, pelas ruas da cidade, cantando e queimando panchões”. (1) A chegada a Lisboa foi a 16 de Maio de 1964, “a aguardar a tripulação no cais estavam apenas os familiares, nada de entidades oficiais, nem mesmo da marinha, tão pouco a imprensa. Restava-lhes a consolação do dever cumprido e o feito de terem conseguido trazer para Portugal aquela relíquia naval, que, com galhardia, desempenhou durante nove anos consecutivos a última missão de soberania de um navio da Armada Portuguesa, nas águas de Macau e Timor“(1)

https://arquivohistorico.marinha.pt/viewer?id=14925&FileID=4116

(1) TOMÉ, EDUARDO – A Última Missão Naval de Soberania no Oriente. MacaU, II série, n.º 58, Fevereiro de 97, pp.6-22.
(2) O aviso «Gonçalves Zarco» (igual ao aviso «Gonçalo Velho») foi uma classe de avisos coloniais de 2ª classe ao serviço de Marinha de Guerra Portuguesa. Os dois navios da classe, foram construídos nos estaleiros Hawthom-Leslie (Inglaterra) em 1933, encomendados ao abrigo do Programa Naval Português da década de 1930. Como avisos coloniais, os navios foram projetados com o objetivo reforçar e manter a capacidade de presença naval nos vários territórios do Império Colonial Português, assegurando aí, a soberania de Portugal.
Os navios da classe foram baptizados com os nomes de dois dos navegadores portugueses envolvidos na descoberta das ilhas do Atlântico: Gonçalo Velho Cabral e João Gonçalves Zarco.
Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1946, os navios foram equiparados a fragatas, recebendo o prefixo F nos seus números de amura, pintado no costado.

Aviso de 2ª classe «Gonçalves Zarco» – por volta de 1940

Classe GONÇALO VELHO:
GONÇALO VELHO – F 475 (1933 – 1961) – efectuou quatro comissões de serviço em Macau entre 1937 e 1954
GONÇALVES ZARCO – F 476 (1933 – 1964) – efectuou três comissões de serviço em Macau, em 1935, 1939 e a última de 1955 a 1964, (durante os quais passou 17 meses na Índuia Portuguesa, 20 meses em Timor)
Os avisos foram alvo de grandes modificações durante os anos cinquenta. Em 1959 foram substancialmente modernizados, sendo equipados com armamento e sensores para guerra anti-submarina.
Ambos os navios deixaram de ser empregues como unidades combatentes em 1961. O Gonçalo Velho foi, imediatamente, abatido ao serviço, mas o Gonçalves Zarco foi transformado em navio hidrográfico, alterando a referência da amura para A 5200 e mantendo-se em serviço até 1964, ano em que foi activo (seria então o navio de guerra mais velho em serviço, em todo o mundo).
Apanhou, em Macau, dois violentos tufões, o «Glória», em 1957 e em 1962 quando estava em Hong Kong o «Wanda»

O NRP Gonçalves Zarco em Macau, 1950
http://jcsnavy.weebly.com/marine-naval-and-military-posts/nrp-goncalves-zarco-1950

Aviso de 2ª classe «Gonçalves Zarco»
Deslocamento: 1 784 tons (outras fontes: 1174 tons) (1933); 1 500 tons (1959)
Comprimento: 81,5 m; Boca: 10,8 m; Calado: 3,5 m; Sensores: radar de navegação e ASDIC (1959); Propulsão: 2 turbinas a vapor de 2 000 SHP, servidas por dois eixos permitiam atingir os 16,5 nós, de velocidade máxima.
Armamento: 3 peças de 120 mm e 2 peças de 40 mm (1933); 3 peças de 120 mm, 5 peças de 40 mm, 4 morteiros lança bombas, 2 calhas lança-bombas de profundidade (1959)
Tripulação/Equipagem: 142 homens
Informações e referências de:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Gon%C3%A7alo_Velho#/media/File:Portuguese_sloop_Gon%C3%A7alves_Zarco_in_the_1940s.jpg
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/goncalves-zarco/
(3) “ 14-10-1956 – Vindo do estado da Índia Portuguesa chegou ontem dia 14 o Aviso de 2.ª classe «Gonçalves Zarco» da nossa Marinha de Guerra.” (MBI IV-77, 1956)
“20-10-1956 – A fim de receber beneficiações, partiu para Hong Kong no passado dia 20 o Aviso «Gonçalves Zarco» do comando do capitão-tenente António Garcia Braga.”  (MBI IV-78, 1956)
Regressaria a Macau no dia 8 de Março de 1957 trazendo a bordo para o Porto Interior o novo governador, Capitão-tenente Pedro Correia de Barros.
“15-07-1963 – Após reparações seguiu para Timor. Chegados a Timor, não havia condições de reabastecer o navio de combustível pelo que a 9 de Setembro deram um pulo atè Darwin. O governador de Timor era Alberty Correia. O Gonçalves Zarco saiu de Timor a 2 de Janeiro de 1964. Chegou a Hong Kong a 12 de janeiro de 1964 – atracou ao cais da Royal Navy onde estiveram 4 dias.
Partida 10 de Março de 1964, para Hong Kong com objectivo de efectuar  uma inspecção geral, rasparem e pintarem o fundo” (1)
(4) “Its departure was heralded with fireworks and a large turnout odf the people of Macau who saw it as the end of an  era.”
GARRETT, Richard J. – The Defences of Macau, Forts, Ships and Weapons over 450 Years!.Hong Kong University Press, 2010.

Actividades realizadas pelo governador de Macau Pedro Correia de Barros (governador de 8 de Março de 1957 a 17 de Setembro de 1959), durante o mês de Maio de 1957, cujas fotos foram publicadas no Boletim Geral do Ultramar (1)

Visita do governador à oficina de bordados do Colégio de Santa Rosa de Lima (presença do bispo, D. Policarpo da Costa Vaz)
Aspecto da chegada do governador de Hong Kong, Sir Alexander Grantham, em visita particular ao governador de Macau
O governador Pedro Correia Barros discursando no jantar em sua homenagem oferecido pela comunidade chinesa
Visita do governador com inauguração de vários melhoramentos no edifício da Enfermaria Militar, na Flora

(1) «BGU»,  XXXIII- 304, Junho de 1957.

Assinalando o 1.º aniversário de seu governo (1) a Comunidade Chinesa de Macau homenageou o governador da província, comandante Pedro Correia de Barros, e sua esposa, no dia 8 de Março de 1958, com um lauto banquete chinês no restaurante “Golden City” («Cidade de Oiro»), no Hotel Central (2)
Retribuindo os cumprimentos do comandante militar interino, tenente-coronel Leonídio Marques de Carvalho, o governador comandante Pedro Correia de Barros esteve no quartel-general, onde lhe foram prestadas as honras de ordenança militar.
Esteve em Macau, despendindo do governador comandante Pedro Correia de Barros, o novo embaixador dos Estados Unidos em Taipé Sr. Everet F. Drumright, (3) antigo cônsul geral em Macau e Hong Kong, acompanhado do adido naval, comandante M. C.Walley
Procedeu-se, no Porto Exterior, à destruição de grande quantidade de estupefacientes e artigos de fumatório e de laboratório apreendidos nos últimos 6 meses e avaliados em cerca de um milhão de patacas. Na foto vê-se o governador Pedro Correia de Barros assistindo.
Informações e fotos de «BGU» XXXIV-393, Março de 1958.
(1) Pedro Correia de Barros, tomou posse a 8 de Março de 1957 e governou a Província de Macau até 17 de Setembro de 1959 (sucedeu-o Jaime Silvério Marques)
Anteriores referências a este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-correia-de-barros/
(2) O restaurante “Golden City” («Cidade de Oiro») ficava no 5.º andar do Hotel Central
Anteriores referências a este Hotel em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-centralpresident-hotelgrand-central-hotel/
(3) Everrett F. Drumright (1906-1993), diplomata de carreira desde 1930, foi embaixador dos Estados Unidos em Taipé de 1958 a 1962. Foi um defensor das pretensões chinesas de Taipé (nacionalista), nas Nações Unidas (nomeadamente no assento no Conselho de Segurança). Reformado em 1963, manteve-se como académico em universidades americanas. Era um estudioso da língua chinesa pelo que a maior parte da sua carreira diplomática esteve sempre ligado à China (Hankow, Beijing, Shanghai, Shantou, Nanjing, Chongqing). Cônsul geral em Hong Kong e Macau de 1954 a 1958. (“The New York Times”, 27 de Abril de 1993)

O Almirante Joaquim Marques Esparteiro (1895-1976) foi nomeado Governador de Macau a 12 de Setembro de 1951 tendo tomado de posse no Ministério do Ultramar no 8 de Outubro do mesmo ano. Toma posse efectiva do cargo em Macau em 23 de Novembro de 1951. (1)

O Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro passando revista à guarda de honra
O Governador e o Encarregado do Governo assistem ao desfile da guarda de honra

Em 16-06-1956 foi nomeado encarregado de Governo na ausência do Governador Marques Esparteiro, o brigadeiro João Carlos Guedes Quinhones de Portugal Silveira (B. O. N.º 24 de 16 de Junho). Tomou posse no dia 22 de Junho de 1956.
O novo Governador Pedro Correia de Barros chegou no dia 7 de Março de 1957 no aeroporto «Kai Tak», em Hong Kong e seguiu para Macau no dia seguinte a bordo do «Gonçalves Zarco» e tomou posse a 8 de Março de 1957. (2)

O Governador e Esposa despediram-se, uma a uma, de todas as pessoas que enchiam a ponte-cais.
O Governador dá o abraço de despedida ao Dr. Pedro José Lobo.
O Governador e esposa recebem da amarada os cumprimentos de despedida.
(1) Informações e fotos retirados de  «MACAU B. I. III-70, 1956.
(2) BGU XXXIII-381, Março de 1957.

Integrado nas Comemorações Henriquinas de Macau, abre ao público o Museu Luís de Camões instalado no Palacete que pertenceu a Manuel Pereira, no Jardim de Camões. (1)

Palacet Manuel Pereira IO palacete de Manuel Pereira, rodeado pelo parque e vendo-se ao fundo, no alto dum montículo, a Gruta de Camões. (Do Archivo Pitoresco, Vol VII, 1864, pg. 57) (2)

 “Quando o Comandante Pedro Correia de Barros veio chefiar esta província, incumbiu este Governador o então Reitor do Liceu Nacional Infante D. Henrique, Dr. Pedro de Guimarães Lobato, do planeamento das obras de adaptação do edifício, da selecção das peças que nele deveriam figurar. Para este efeito, confiou o sr. Dr. Lobato ao falecido antiquário T´ou Kim Tchâu, devidamente remunerado pelo Leal Senado, o arrolamento, classificação e selecção das peças que julgasse dignas de ser expostas ao público.

Palacet Manuel Pereira IIO palacete de Manuel Pereira, quando serviu de depósito de Material de Guerra (Da revista Ta-Ssi-Yang-Kuo, 2. Vol, pg 387) (2)

 Pelo Diploma Legislativo n.º 1 429 de 4 de Outubro de 1958, publicado no mesmo Boletim Oficial n.º 40 da mesma data, foi o Museu Comercial e Etnográfico Luís de Camões entregue ao Leal Senado, da Câmara de Macau, ficando a propriedade do imóvel registada em nome da mesma entidade e, para auxiliar a manutenção do pessoal do museu, o Estado passou a conceder um subsídio anual de $ 15.000,00 ao Leal Senado da Câmara de Macau, que nomeou uma comissão para estudar as beneficiações que carecesse o edifício do museu e 32 quadros de relativo valor histórico e artístico foram enviados para o Museu de Arte Antiga de Lisboa para serem restaurados.

 Museu Luís de Camões

Em 10 de Agosto de 1960, a Comissão Administrativa Municipal da presidência do Dr. Pedro José Lobo, reconhecendo ser de toda a vantagem abrir o museu ao público, o mais depressa possível, e a achando inexequíveis o plano e as sugestões apresentadas, mandou efectuar, urgentemente, várias obras de reparação e adaptação no edifício, determinando que a sua abertura fosse efectuada, em 25 de Setembro de 1960, como parte integrante das Comemorações Henriquinas, sendo, sob proposta do Vice-presidente Capitão de Engenharia José Arede Bastos, convidado para desempenhar as funções de Conservador do Museu, o então Professor do Liceu Nacional Infante D. Henrique, sr. Luís Gonzaga Gomes.

 Após novo trabalho de selecção, classificação, distribuição e arrumação, efectuado pelo actual Conservador, o Museu Luís de Camões, como ficou definitivamente a chamar-se, foi, finalmente, aberto ao público, na referida data,, e, desde então, todos os dias, com a exclusão das quartas feiras, ao princípio, das 10.00 às 16.00 horas e actualmente, das 11.00 às 17.00 horas, está franqueado aos visitantes, sendo o custo do bilhete de entrada $ 0,50, em qualquer dia de semana, excepto, às sextas feiras em que a entrada é gratuita, conforme ficou determinado pela Portaria n.º 577 de 1 de Outubro de 1960. (2)

(1)     25 de Agosto de 1960 – Completadas as novas instalações do Museu Luís de Camões, em Macau. A primeira sugestão de se fundar esse Museu partiu do Governador de Macau, em 1927. O resto do tempo foi utilizado a recolher peças e, talvez pelo espaço de que iam necessitando, o espólio mudou 5 vezes de lugar, até esta data em que foi inaugurado, na Casa do Jardim de camões. A abertura ao público, no entanto, ainda iria esperar mais um mês
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 5. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1998, 320 p (ISBN 972-8091-64-8)
(2)   GOMES, Luís G. – Museu Luís de Camões. Macau, Imprensa Nacional, 1973, 57 p.
Ver anteriores referências ao Museu em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/museu-luis-de-camoes/

Trecho referente a Macau, na p. 573 (CAP VII – Portugal Ultramarino), do livro de propaganda ao Estado Novo, de 1957 (1)
“A província portuguesa de Macau tem sido verdadeiro porto de abrigo de milhares e milhares de necessitados.
Fundada em 1557, a cidade de Macau encontra-se situada na China Meridional, em dois terços de uma pequena península da ilha chinesa de Heung- San, a que os portugueses chamam Anção. Compreende esta província além da cidade de Santo Nome de Deus de Macau, as ilhas de Taipa e de Coloane.


Macau é uma cidade florescente, limpa, airosa e pitoresca. os seus edifícios e tabuletas chineses dão-lhe uma nota de exotismo, que é tanto mais viva e impressionante, quanto é certo que a fisionomia da cidade é tipicamente europeia. Possui largas avenidas, como as de vasco de Gama e de Almeida  Ribeiro – a principal artéria da cidade – , bons edifícios públicos, como o Leal Senado, a Biblioteca Pública, a Escola Primária Oficial, o Hospital Conde de S. Januário, o Tribunal de Justiça, o Palácio do Governo e a Capitania dos Portos, Fortes, cheios de recordações, histórias, templos católitos e chineses, hospitais, escolas, etc. constituem um conjunto de grande beleza e grandiosidade.
Macau é um dos mais importantes centros comerciais do Extremo-Oriente. As suas indústrias são importantes, destacando-se a da pesca que emprega cerca de 20.000 pessoas, chegando a atingir um rendimento de 5 milhões de patacas anuais.
A indústria dos pauchões ou estalos da China, os pivetes, os fósforos, os tecidos, o vinho chinês e os artefactos de malha, constituem as principais indústrias de Macau. O movimento dos portos é intensíssimo.
As gravuras que ilustram estas páginas mostram, ao alto, um pormenor do bairro económico; ao centro, o Palácio das Repartições Públicas; e em baixo o Palácio do Governo” 

A referenciação às gravuras desta página, não estão correctas pois embora a 1.ª possa ser de um bairro económico (não consegui precisar qual?), a 2.ª, não é o Palácio das Repartições, mas o Hospital S. Rafael e a 3.ª, esta sim,  Palácio das Repartições  Públicas e não o Palácio do Governo.
Quando o livro foi publicado, o Governador de Macau era Comandante Pedro Correia de Barros que governou Macau de 1957 a 1958 (Loulé 1911-1968) (2)

Numa das páginas finais do livro, na secção “saudações das entidades governativas do continente e do ultramar”, encontra-se as fotos de diversos presidentes dos municípios das “províncias ultramarinas” e entre elas, a foto do Presidente do Município de Macau.

O Presidente do Leal Senado, nessa altura, era António de Magalhães Coutinho – presidente de 25-10-1950 a 15-05-1957, data em que pediu a exoneração.
(1) GOMES, F. Matos (dir. literária) – 30 Anos de Estado Novo 1926 – 1956.  Lisboa, 1957, 639 p. + 17  páginas de anúncios + 33 p. de saudações das entidades governativas do continente e do ultramar. 28 cm x 20 cm
(2) http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Correia_de_Barros