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O Governador de Hong Kong, Sir Murray MacLehose (1) deslocou-se a Macau em visita não oficial de um dia (15 de Março de 1982) acompanhado da esposa.

Sir Murray que no cais de desembarque era aguardado pelo Governador de Macau e Senhora de Almeida e Costa, veio acompanhado do Cônsul de Portugal em Hong Kong, Dr. Pedro Catarino e esposa, de Sir S. Y. Chung do Conselho Executivo de Hong Kong e do seu conselheiro político e ajudante de campo, McLaren e Corrick.

No cais de desembarque, o Governador de Hong Kong recebeu ainda os cumprimentos do Presidente da Assembleia Legislativa, do Comandante d Forças de Segurança, do Presidente substituto do Leal Senado e de dirigente da Associação Comercial Chinesa.

Durante a sua breve visita a Macau, Sir Murray assistiu a um «briefing», precedido de declarações introdutórias do Governador Almeida e Costa, sobre os aspectos mais relevantes do desenvolvimento do Território nos sectores do ordenamento e infraestruturas, do turismo, economia e finanças.

O Governador e Senhora de Almeida e Costa ofereceram um almoço aos visitantes, no Palacete de Santa Sancha, após o qual Sir Murray visitou alguns pontos de interesse em Macau e nas Ilhas, acompanhado do contra-almirante Almeida e Costa. (2)

(1) Crawford Murray MacLehose, 麥理浩 (1917 – 2000), barão MacLehose de Beoch, politico britânico, diplomata e o 25.º Governador de Hong Kong, de 19 de Novembro de 1971 a 8 de Maio de 1982.

(2) Fotos e reportagem extraídos de «Macau82 jornal do ano», GCS, 1982, pp. 61-62.

No dia 16 de Março de 1982, a Senhora de Almeida e Costa procede ao lançamento da primeira pedra da futura Casa Internacional da Universidade da Ásia Oriental. (1)

No dia seguinte a 17 de Março de 1982, o Cônsul Geral de Portugal em Hong Kong, Dr. Pedro Catarino veio a Macau proferir uma palestra no Leal Senado. A comunicação, feita a convite da Universidade da Ásia Oriental, tratou da acção diplomática e consular de Portugal no Extremo Oriente e o papel de Macau, bem como daquela instituição de ensino nesse contexto. Depois de descrever a evolução histórica da acção diplomática portuguesa nesta área geográfica, desde o início da expansão até hoje, Pedro Catarino deteve-se nas perspectivas que se levantavam Portugal na Ásia.

Pedro Catarino acrescentou que não só Macau podia constituir uma plataforma para a penetração de Portugal no Extremo Oriente, como servia à China para alcançar Portugal, a Europa, o Brasil e as antigas colónias africanas portuguesas. Permanecia, assim a vocação de Macau como ponto de encontro de povos e países. (2)

NOTA I – Em 1981, foi inaugurado o primeiro edifício da Universidade da Ásia-Oriental, em Macau, na sequência da concessão de um terreno à «Ricci Island West Ltd.», em 1979. A recém criada Universidade, na Ilha da Taipa, é uma federação de 5 colégios à maneira anglo-saxónica: Pré-universitário (Junior College); Instituto Aberto (Open College); Universitário ; Politécnico; Pós-graduação (Graduate College). Acrescenta-se ainda ao sistema o Centro de Investigação Económica da China e o Instituto de Estudos Portugueses; com tal estrutura a UAO mantém-se até 1988, data em que o Governo de Macau adquirirá o estabelecimento transformando-o na actual Universidade de Macau. (3)

NOTA II – Anterior a essa Universidade da Ásia-Oriental, em 1980, o Governo de Macau criou a UNIM – Universidade Internacional de Macau – “um primeiro gesto tradutor da necessidade desse nível de ensino, mas com estrutura demasiado flutuante, que veio a comprometer a sua existência efémera”. (3) Foi seu fundador e reitor o Professor Dr. Almerindo Lessa. A sua extinção foi dada na Assembleia Geral da Universidade Internacional de Macau, em 15 de Janeiro de 1982, em que se decidiu a sua extinção para dar lugar a um novo organismo. Segundo o curador da UNIM, Secretário-Adjunto para a Educação, Cultura e Turismo, Dr. Jorge Rangel, a nova instituição terá como principais objectivos, o apoio às comunidades de cultura portuguesa do Oriente e ainda a realização de encontros, conferências, cursos e trabalhos de investigação. (4)

(1) «Macau82 jornal do ano», 1.º semestre, GCS, 1982, pp. 11, 65 e 66. 

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, pp. 415 e 421