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Extraído de «BGC» XIV – 180, 1938.

Apresento o livro: “O Jardim do Encanto Perdido – Aventura Maravilhosa de Wenceslau de Moraes no Japão”, que começou a ser escrito por Armando Martins Janeiro (1), em Tokushima , em 1 de Julho de 1954,  dia da inauguração do monumento a Wenceslau de Moraes, e acabado de escrever em Tóquio, em Novembro do mesmo.

A edição original foi de 300 exemplares, “em papel arroz japonês, ilustrada com estampas a cores gravadas, por meio de blocos de madeira, em papel especial japonês, na Adachi Hanga Kenkyujo, de Tóquio, e impressa na tipografia Yoshikawa-do, de Tokushima, e na tipografia da Livraria Simões Lopes, do Porto. Foram publicados vários capítulos no jornal «O Comércio do Porto», onde Wenceslau de Moraes deu a conhecer, também em folhetim, a mais importante parte da sua obra” (extraído última página do livro)
Da parte interior da contra-capa retiro o seguinte:
SOBRE ESTE LIVRO: O Jardim do Encanto Perdido
Até hoje houve apenas um ocidental que se passou para o modo de vida oriental e que nos deixou o relato da sua invulgar experiência – foi o português Wenceslau de Moraes. Moraes foi viver para o Oriente, para o Japão, com o simples propósito de encontrar a felicidade, depois de se convencer que o sistema europeu perdeu o sentido fundamental da vida, se afastou do espírito essencial da obra da criação. Desiludido dos ideais do Ocidente, abandonou a sua carreira de oficial de Marinha e de cônsul ´, a família, a sua terra, por outro ambiente social e outros ideais, que lhe pareceram mais sãos e mais conformes à natureza humana. Moraes foi a primeira vítima da atmosfera de frustração e descrença em si mesma que invadiu a Europa já antes da primeira guerra mundial.. (…)
A pedido dum japonês, o próprio Wenceslau de Moraes traça a um ano antes de morrer a sua biografia, e em relação a Macau refere (in pp. 43-44)
De Macau visita repetidas vezes a China e o Japão. Com o lugar de imediato acumula outros cargos: é inspector da importação e exportação do ópio por um ano; é professor de língua portuguesa no Seminário de São José. Aluga uma casa que mobila, cuidadosamente, «descendo às minuciosidades». Gosta de observar os vizinhos chineses na sua lida diária, o formigueiro humano que passa na rua, dos garotos, das mulheres, dos vendilhões, dos mendigos. Com a sua predilecção pelas ciências naturais, vai plantando o seu jardim, madrugador, «passando as manhâs num cómico afã de jardinagem». Tem um companheiro, um cão chinês, Kowloon.
Começa Já a escrever impressões da vida de Macau, do que vê nas curtas visitas à China, pequenas histórias extraídas do que, no espectáculo que o cerca, lhe encanta os olhos ou lhe comove o coração sensível. Tem um grande amigo em Macau, o poeta Camilo Pessanha, a quem dedica as «Paisagens da China e do Japão».
Nas suas viagens ao interior da China, que nunca levou muito longe, poor terra, ou no seu barco, vai conhecendo o povo e a sociedade, que o repelem pela promiscuidade e mau cheiro das imundícies…(…)
Em 1898 teve um enorme desgosto na sua carreira – foi preterido no preenchimento da vaga de Capitão do porto de Macau por um oficial de patente inferior à sua. Orgulhoso e sensitivo como era, nºão quis ficar, como imediato, debaixo da autoridade do coelga menos qualificado. Surgiu-lhe a ideia do Japão, que desde há muito o atría. Pede ao Governo que o nomeie Cônsul no Japão. O pedido é atendido.Em 1899 vem instalar-se em Kobe.

Wenceslau de Moraes ajoelhado sobre as esteiras de palha de arroz (tatami), ao lado do braseiro (hibachi), como um japonês. Em frente, a caixa de fumar (tabako-bon) , onde se põe o tabaco, o lume sempre aceso e o delgado cachimbo japonês (kiseru)

(1) Armando Martins Janeiro viveu três anos no Japão, (como Primeiro Secretário de Legação em Tóquio, de 1952 a 1955; viria posteriormente a exercer funções de Embaixador de Portugal em Tóquio, de 1964 a 1971), visitou lugares e conversou co pessoas que conviveram  com Moraes, na pequena cidade de Tokushima, e reuniu grande número de documentos e escritos inéditos, de fontes japonesa e portuguesa.
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/armando-martins-janeiro/
JANEIRO, Armando Martins – O Jardim do Encanto Perdido – Aventura Maravilhosa de Wenceslau de Moraes no Japão, Manuel Barreira-Editor, Porto, 1956, 245 p. + XCIX anexos “101 Bilhetes Postais Ilustrados de Wenceslau de Moraes”
Traduzida para japonês uma versão resumida – Yoake no Shirabe (Em Busca da Madrugada) – a que se juntaram os estudos Lafcadio Hearn e Wenceslau de Moraes – Dois Intérpretes do Japão e Bases Ocidentais e Orientais para um Humanismo Universal; tradução de Minako Nonoyama, Katsura Shobo, 1969.

“…Paremos, agora, em frente dum nebuloso aspecto da China: o fumo do ópio!
O ópio é um polvo imenso, cujas raízes se estendem por todo o Mundo. A êle andam ligados interesses que representam milhões; o ópio é um dos grandes mistérios da China. Não tentemos devassa-lo, mesmo que seria inútil; basta que dêle observemos um aspecto e tenhamos uma idéia, tal como nós é transmitida através da tela impressionante e trágica – podemos dizer – que representa o interior dum fumatório de baixa classe. Na tela, do lado esquerdo, vê-se a entrada para um fumatório de classe superior.
Nunca fumei ópio; as primeiras tentativas são desagradáveis, causam um malestar parecido como o enjôo do mar.

Fausto Sampaio “Fumatório de Ópio”, Macau, 1937

O mal do ópio, que tão bem se revela nos fácies das vítimas representadas nesta tela, não pode ser debelado duma forma radical e imediata, – o assunto tem sido regulado por conferências e acordos internacionais – mas o governo da China tem-se mostrado incansável na repressão dêste terrível vício, e a Colónia de Macau , vítima escolhida para permanentes quão injustos ataques, sempre que se trate de campanhas contra êste estupefaciente – como se todo o ópio que se consome na Terra fosse produzido e exportado da minúscula Macau ! – a Colónia tem cumprido escrupulosamente o estipulado naqueles acordos internacionais.
O ópio fabricado em Macau, é muito apreciado no Oriente, e, tal como sucede com o vinho do Pôrto, sofre da fraude das imitações, havendo uma marca – a marca Leão, que se vende em pequenas caixas – que é a mais usada pela gente do mar, que tem tido muitas imitações, andando muito espalhada, e êste é um motivo a juntar a muitos outros, porque se atribuem a Macau culpas no negócio do ópio que não lhe cabem.
Excerto de uma conferência de Jaime do Inso denominada “Quadros de Macau” in Fausto Sampaio, Pintor do Ultramar Português. Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1942, 182 p.
Anteriores referências a Jaime do Inso, e ao pintor Fausto Sampaio, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jaime-do-inso/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fausto-sampaio/

O novo governador, José Maria da Ponte e Horta (1) que tomou posse a 26 de Outubro de 1866 substituindo o anterior, José Rodrigues Coelho do Amaral, visitou os estabelecimentos públicos do território, na semana de 5 a 9 de Novembro de 1866, conforme notícia publicada no Boletim do Governo de Macau (2)
Visitou no dia 5 de Novembro, o palácio episcopal e o “asylo” dos pobres; no dia 6, a Nova Escola Macaense, o Seminário Diocesano e o Colégio da Imaculada Conceição; no dia 8, a Repartição dos incêndios e os quartéis de polícia de mar e terra; e no dia 9, o Mosteiro de Santa Clara.
Em relação aos estabelecimentos visitados e durante o curto mandato deste governador foram emitidos os seguintes despachos: (3)
Nova Escola Macaense: o governador nomeou em 26 de Novembro de 1866, uma comissão composta por Francisco de Assis e Fernandes, presidente; cónego António Marai de Vasconcelos, secretário; João Eduardo Scarnichia, Gregório José Rodrigues e Francisco Joaquim Marques para elaborar um projecto de Regulamento para a Nova Escola Macaense. Infelizmente por falta de meios para a sustentar a Nova Escola Macaense foi encerrada a 21 de Outubro de 1867.
Seminário Diocesano: foi autorizada por Portaria Régia de 21 de Abril de 1868, a fundação duma escola de português para chineses, paga pelo cofre do Seminário Diocesano e superintendida pelo reitor do mesmo.
Colégio da Imaculada Conceição: pela Portaria Provincial n.º 1 de 7 de Janeiro de 1868, foi permitido ao Colégio da Imaculada Conceição continuar aberto enquanto os seus meios o viabilizarem, regendo-se, nesse caso, pelos estatutos que datava de 26 de Dezembro de 1863.
Repartição dos incêndios: em 18 de Março de 1867, foram aprovados provisoriamente, por Portaria Régia, algumas providências do governo de Macau sobre o serviço de incêndios.
Quartéis de polícia de mar e terra: o Batalhão de Macau tomou posse a 30 de Dezembro de 1866 do seu novo quartel construído no lugar do antigo Convento de S. Francisco (desenho e sob a direcção do antigo governador Coelho do Amaral); o Corpo de Polícia de Macau foi, por Portaria de 18 de Outubro de 1867, mandado instalar no Convento de S. Domingos.
(1) José Maria da Ponte e Horta (1824- 1892) foi nomeado governador de Macau em 17-07-1866 (Decreto Régio da mesma data em que é exonerado o governador Coelho do Amaral) e chega a Macau, vindo de Hong Kong a bordo da canhoneira «Camões» em 26 de Outubro de 1866. Acumulou o cargo de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário junto dos imperadores da China e Japão e rei do Sião sendo condecorado, a 16-12-1867, por este último com a insígnia do “Elefante Branco.” Por Decreto Régio de 16-05-1868, é exonerado, a seu pedido, e sido substituído pelo Vice-Almirante António Sérgio de Sousa que só chegou a Macau a 1-08-1868 e tomado posse a 3 de Agosto de 1868. Ponte e Horta partiu para Hong Kong a 6 de Agosto de 1868, no «White-Cloud» e dali para a Europa, a 7 no «Malaca».
Foi depois nomeado governador de Cabo Verde em Fevereiro de 1870 e governador de Angola entre 1870 e 1873.
(TEIXEIRA, Padre Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997)
Outras referências anteriores deste governador neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-maria-da-ponte-e-horta/
(2) Do «Boletim do Governo de Macau» XII-46 de 12/Novembro /1866 p. 188.
Por Decreto de 26 de Novembro de 1866, a cidade de Macau e o território português da  Ilha de Timor passaram a constituir uma só província denominada de «Província de Macau e Timor». Os Boletins no entanto, só passaram a serem designados: «Boletim da Província de Macau e Timor» a partir do ano XIII, n.º 7 de 18 de Fevereiro de 1967.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 1995.
NOTA: O «Diário Illustrado» de 17 de Março de 1892, aquando do falecimento deste governador, a 9 de Março, vítima de uma “paralysia”, referia o seguinte:
O finado era cavalheiro muito conhecido em Lisboa pela sua vasta erudição de que falam bem alto os muitos trabalhos literários e scientíficos que deixou.
“Matemático distincto, regia na escola polytecnica de Lisboa a quarta cadeira d´esta sciencia.
Desde 1880 que tinha assento na camara dos pares, onde a sua voz, por vezes, se fez ouvir. Era actualmente vice-presidente da academia real das sciencias, onde fez varias conferencias, sendo umas das mais notáveis a que teve por titulo ”Conferência acerca dos infinitamente pequenos (publicado em livro em 1884). Era general de divisão reformado e condecorado com várias ordens militares …”
Em Macau, ficou a recordá-lo na toponímia, a Praça de Ponte e Horta – 柯邦迪前地 (nome oficial) mas mais conhecido em Macau por 司打口 –.“Si Tá Hau”, (4) situada entre as Rua das Lorchas, do Bocage e do Tesouro, (data de 1867, os últimos aterros que iam das Portas do Cerco até à Barra, nomeadamente o aterro dos canais que existiam nessa zona) local onde havia um Porto-cais de Colecta de Impostos a todos os produtos importados, alguns exclusivos para a importação do ópio (e onde estava a “Fábrica do Ópio”)
(4) 柯邦迪前地 – mandarim pīnyīn: kē bāng dí qián dì; cantonense jyutping: o1 bong1 dik6 cin4 deng6.
司打口mandarim pīnyīn: sī dá kǒu; cantonense jyutping: si1 daa2 hau2 – tradução literal: entrada/porta de controle/colecta.

183912-09-1839- Em consequência da guerra entre a China e a Inglaterra, um navio mercante espanhol, o brigue mercante espanhol Bilbaino foi queimado pelos chineses no porto da Taipa por mandado do comissário imperial chinês Lin, que julgava ser esse navio inglês. O segundo piloto, encontrado a bordo, foi dali levado pelos chinas para Cantão, onde o expuseram de canga ao pescoço. O Senado de Macau publicou por essa ocasião um edital, ordenando uma ronda armada no Porto Exterior e na Taipa, e ao mesmo tempo proibindo a aproximação de navios com ópio. (TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane, pp 1-2.)

PEREIRA, A. Marques – Ephemerides Commemorativas da história de Macau e das relações com a China, 1865.

Conferência do Comandante Gabriel Teixeira ( governador de Macau de 5-10-1940 a 23-06-1947)  com os representantes da Imprensa em Lisboa,  realizada no dia 3 de Setembro de 1946, na antiga sala do Conselho do Império, do Ministério das Colónias. Primeira deslocação do Governador a Lisboa após os anos conturbados da Guerra do Pacífico.
Extraído de «BGC» XXII –, n.º 254/255, 1946.

Extraído do «Portugal Colonial», n.º 31 Setembro de 1933
O Governador era António José Bernardes de Miranda, de 21 de Junho de 1932 a 4 de Janeiro de 1936. (1) De 29 de Fevereiro de 1936 a 19 de Dezembro desse ano esteve como governador interino, João Pereira Barbosa. Embora nomeado governador a 19 de Dezembro de 1936, Artur Tamagnini Barbosa (pela 3.º vez) somente assumiu no território esse cargo a 11 de Abril de 1937. Assim, de 19 de Dezembro de 1936 a 10 de Abril de 1937, António Joaquim Ferreira da Silva Júnior e depois João Pinto Crisóstomo estiveram como encarregados do Governo.(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1977)
(1) Outras fontes para a data de exoneração: segundo informação na revista “Portugal Colonial ”n.º 55/56 de Setembro/Outubro de 1935 :
E na mesma revista, n.º 58 de Dezembro de 1935:

fumadores-de-opio-jornal-de-domingo-1881… Na China, o mais apetecido narcótico é o mais violento, o ópio, succo solidificado da papoula que se cultiva em Malva e outras províncias da Índia temperada, e que dá origem a um vastíssimo commercio com as províncias do sul do imperio chinez, avaliado na Índia Ingleza em somma não inferior a ₤ 50.000:000 – duzentos e vinte e cinco mil contos. Seria contudo erróneo supor que o uso de inalar o fumo do opio seja comum a toda a China. Este uso, que se tem localizado principalmente nas províncias marítimas meridionais, encontrou sempre a mais decidida oposição por parte das auctoridades do imperio.
Ultimamente, tentamos produzir o opio nas possessões africanas para fornecermos esse mercado com a preciosa droga. Insensata empresa!
É na possessão portugueza de Macau possessão esta que tem vivido da escravatura e vive hoje do jogo, em todo o resto do imperio ilícito, que há muita ocasião de observar a fundo a grande chaga chineza: o uso do opio.
Encontra-se frequentemente, nas ruas de Macau e Cantão, um homem lívido, definhado, magríssimo, de andar incerto e cambaleante. Nos seus olhos encovados, cercados por negras olheiras, habitualmente amortecidos, de vez em quando fuzila um relâmpago sinistro que logo se extingue. Este homem vaguia na cidade, impaciente pelo momento de entrar no colao, fatal palácio do demónio do opio que o espera e lhe arranca miseravelmente os restos de condemnada existência.
Quem seguir este homem, vel-o-há dirigir-se a um edifício, que, pelo aspecto exterior, faz lembrar uma casa de pasto. Do interior sai um cheiro particular; é o cheiro nauseabundo das emanações do opio, que dentro se está queimando, porque essa casa é um estabelecimento especialmente dedicado aos fumadores da droga indiana.
A vítima entrou.
As primeiras aspirações do narcotico excitaram-n´o com momentânea alegria. Sorveu mais, avidamente, mais e mais, até cahir desfalecido, ficando sem sentimento nem acordo, depois de ter dado mais esse passo para o sepulchro.
O fumador habitual do opio, quando dominado pelo terrível vicio, não tem mais de oito anos de vida, e esta, miserabilíssima.
As mulheres não fumam, e é para notar-se que, em toda a parte, os narcóticos são quasi exclusivamente uzados pelos homens” (1)
(1) Parte dum artigo e gravura retirados de Pedro Gastão Mesnier no «Jornal de Domingo», Anno I-20 de Fevereiro de 1881, n.º 1, p. 8.

O semanário «Gazeta das Colónias», n.º 13 do dia 6 de Novembro de 1924 (1) noticiava num artigo “Macau – O exclusivo do ópio” :
gazeta-das-colonias-i-13-6nov1924-o-exclusivo-do-opio-i“Do nosso presado colega «O Combate» recortamos o seguinte:
gazeta-das-colonias-i-13-6nov1924-o-exclusivo-do-opio-iiDas indegações que temos feito ácêrca do exclusivo do ópio em Macau, alguma coisa colhemos já, que muito hade interessar aos nossos leitores e que merece a mais série atenção do Governo da Metrópole.
Sabe-se por, exemplo, que segundo o contrato celebrado pouco antes da retirada do sr. Rodrigo Rodrigues, (2) e que até hoje se conserva oculto, esse obrigam o concessionário a pagar no governo a taxa de 8 7000 por cada caixa de opio crú importado da Índia, onde o preço de cada caixa é fixado em 8 3000, mas que, não sendo o opio importado da Índia, o concessionário pagaria a taxa na razão inversa do preço que cada caixa lhe viesse a custar … conforme a simples declaração por ele feita!
Assim pois, segundo nos consta, o concessionário, ainda antes da retirada do sr. Rodrigo Rodrigues, importou de fóra da Índia uns 13.000 taeis de opio crú, correspondentes a 7 caixas, e apenas pagou ao Governo a taxa de $ 2500 por caixa, simplesmente por ter declarado que cada caixa desse opio lhe custára $ 7500 !!
Mas o que se afigura muito extraordinario esse tem prestado a comentários pouco agradáveis, é que a esse mesmo tempo – antes da retirada do sr. Rodrigo Rodrigues -, conforme nos afirmam, importou o concessionário mais uns 4700 taeis de opio já preparado, correspondentes a 4 caixas e meia, ou pouco mais, e foi-lhe permitido pagar apenas a taxa equivalente ao conteúdo de uma só caixa !!!
Comentava  o mesmo semanário:
gazeta-das-colonias-i-13-6nov1924-o-exclusivo-do-opio-iii“A ser assim, é na verdade caso que merece toda a atenção do sr. Ministro das Colónias, pois não se compreende que, como refere o nosso colega, se deixe ao arbítrio do concessionário, a fixação da taxa a pagara ao Estado.
Tal regime, podendo conduzir a sérios prejuízos para a Província, presta-se pelo menos a graves suspeições que convem evitar.”
gazeta-das-colonias-i-13-6nov1924-obras-do-portoOutra informação, também referente ao território, visava as “Obras do Porto
“ Tivemos informação de que se pretender dar a quantias tiradas dos fundos das obras do Porto de Macau, aplicação diferente daquela a que estão destinadas.
Sem mesmo procurar indagar qual seja essa aplicação, opomos desde já o mais formal protesto a tal procedimento, por ser contrario á doutrina do decreto da organização do Conselho de Administração das Obras do Porto, o qual ao mesmo tempo que torna essa administração autonoma, proíbe expressamente que os seus fundos tenham qualquer utilização fora das obras para que foram votados.”
(1)  Ver anteriores referências a este semanário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/gazeta-das-colonias/
dr-rodrigo-jose-rodrigues-1879-1963(2) Dr. Rodrigo José Rodrigues (1879-1963), médico formado em 1902 iniciando neste ano, a sua carreira médica no exército (em Cabo-Verde e Goa) atingindo o posto de capitão-médico, político da Primeira República, Ministro do Interior do governo de Afonso Costa (1913-1914), governador civil do Distrito de Aveiro (1910) e do Distrito do Porto (1911), deputado (1913; 1918-1922), director da penitenciária de Lisboa e inspector de prisões (1919) vogal do Conselho Colonial, primeiro governador civil de Macau (de 5 de Janeiro de 1923 a 16 de Julho de 1924) e adido da legação de Portugal na Sociedade das Nações (1924-1927).
Anteriores referências a este governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rodrigo-jose-rodrigues/

Postal da série “Greetings From Macau”,  este numerado com: MB106 (Printed in Macau)

postal-mb106-residencia-santa-sancha澳 督 官 邸 (1)
RESIDÊNCTA  (sic) SANTA SANCHA
GOVERNOR´S RESIDENCE

Fotografia de 譚永強  / Tam Weng Keong (2)
O palacete de Santa Sancha, situado no antigo bairro do Tanque do Mainato, dentro da  chácara de Santa Sancha cujo  proprietário mais antigo que se tem conhecimento foi Manuel Duarte Bernardino,  foi comprada em 1831 por Alexandrino António de Melo (Barão do Cercal). Após o falecimento da Viscondessa do Cercal, em 16 de Dezembro de 1892, os herdeiros venderam o palacete tendo Herbert Fullartoon Dent (comerciante do ópio) adquirido-o em 1893. A 28 de Janeiro de 1923, Dent vendeu essa propriedade  ao Governo de Macau por $32.500. Foi o Governador Tamagnini Barbosa, em 1926 , que escolheu para sua residência permanente a ali faleceu a 19 de Julho de 1940, durante o terceiro mandato (1937-1940).
postal-mb106-residencia-santa-sancha-verso(1) 澳 督 官 邸 – mandarim pīnyīn: ào dū guān dǐ; cantonense jyutping: ou3 duk1 gun1 dai2
(2) 譚永強 / Tam Weng Keong mandarim pīnyīn: tán  yong qiáng cantonense jyutping: taam4 wing5 goeng6