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O Código de sinais indicativos de tufão do Observatório Meteorológico de Macau foi actualizado  em 6 de Agosto de 1920 (MO/AH/AC/SA/01/08094). Para o caso dos incêndios, a 1 de Fevereiro de 1923, deixou-se de ser dados  sinais com tiros de artilharia para aviso de incêndios (embora mais tarde, em 1926, fosse restabelecido este aviso)

Artigo escrito pelo Dr. Manuel Ferreira Cabrita, Chefe do Serviço Meteorológico de Macau, publicado no jornal «Diário de Notícias» e republicado no «M.B. I.». (1) O tufão KATE foi pela primeira vez assinalado na carta sinóptica do dia 19 de Setembro às 00.00 horas do tempo médio de Greenwich sob a forma de uma depressão tropical, portanto, com ventos que não excediam 33 nós. Estava então na fase de desenvolvimento sendo de prever que se transformasse rapidamente num tufão o que de facto se veio a verificar 24 horas depois.
Apesar a falta de informações que normalmente se verifica na região em que o tufão foi pela primeira vez assinalado, 450 milhas a sudoeste de Guam, foi fácil prever com relativa segurança que passaria perto de Macau.
Era essa a trajectória normal nesta época do ano, e os campos da pressão atmosférica quer à superfície quer em altitude, indicavam WNW como a direcção mais provável do seu deslocamento. Com efeito assim se verificou até que o tufão alcançou a costa de Luzon, na manhã de 23. Então começou a desenvolver-se e a deslocar-se para sul uma célula do anticiclone siberiano que originou uma pequena mudança de direcção no deslocamento do tufão que passou a fazer-se para W. esta mudança de direcção teve a vantagem de fazer com que o tufão se não aproximasse de Macau como sucederia se mantivesse a primitiva direcção de deslocamento; por outro lado teve o inconveniente de originar gradientes muito apertados ao longo da costa sul da China que foram os responsáveis pelos ventos relativamente fortes que foram observados.
Logo que o tufão entrou no círculo com centro em Macau e com 300 milhas de raio, foi mandado içar o sinal n.º 1 de tufão indicador de que um tufão poderia vir a afectar o estado do tempo na Província. Isto deu-se na manhã do dia 24 às 8.45.
A carta desenhada depois levou-nos à conclusão de que a trajectória do tufão teria muito provavelmente a direcção este-oeste e nessas condições osv entos não excederiam 61 Km/há não ser em rajadas isoladas e pouco frequentes. Nestas condições manamos substituir o sinal n.º 1 de tufão pelo de ventos fortes (velocidades entre 41 e 61 km/h e com chuva) convencidos de que não teríamos que o modificar até  que todo o perigo passasse. De facto assim sucedeu, tenho o sinal estado içado até às 09.40 do dia 26, altura em que o tufão estava já entrando na costa da Indochina.
O tufão esteve mais próximo de Macau às 00.00 horas do dia 25 quando se encontrava a cerca de 250 milhas a sul desta Província.
(1) «MACAU Boletim Informativo» ANO III, n.º 52 de 30/09/1955, p. 13.

História do Tufão Pamela relatado pelo Dr. Mário de Matos Silveira, meteorologista-adjunto do serviço Meteorológico de Macau (1)
“Este tufão foi pela primeira vez assinalado no observatório de Macau às 08 horas do dia 3 de Novembro, cerca de 500 milhas a E de Luzon.
Nas 24 horas seguintes, deslocou-se para WNW encontrando-se às 08 horas do dia 4, cerca de 200 milhas a E do estreito de Balintang.
Atá às 08 horas do dia 5, deslocou-se para W, com a velocidade média de 11 nós, ficando centrado 360 milhas a ESSE de Macau. Foi içado o sinal n.º 1 de tufão às 10.05 horas.
Nas 6 horas seguintes, deslocou-se para WNW com a velocidade média de 16 nós estando o centro do tufão, às 14 horas locais, situado 260 milhas a ESSE de Macau, Às 15.45 horas foi içado o sinal n.º 5 (tempestade provável do quadrante NW). Às 20 horas do mesmo dia o centro do tufão estava 50 milhas a E da Ilha das Pratas, cujo observatório registou nessa altura, vento N de 130 Km/h; o nosso observatório registava na mesma ocasião vento N de 18 Km/h.
Nas 12 horas seguintes o tufão continuou a deslocar-se para WNW com a velocidade média de 13 nós, estando às 08 horas do dia 6, situado cerca de 90 milhas a E de Macau. Às 09.25 horas foi içado o sinal n.º 9 ( a tempestade tende a aumentar).
Depois o tufão deslocou-se para W tendo o centro passado a cerca de 40 milhas a Sul de Macau.
A rajada máxima, 130 Km/h, direcção E, foi registada às 15.10 horas; a velocidade horária máxima foi de 99 Km/h, entre as 15 e as 16 horas, com a direcção predominantemente ESE
A pressão mínima registada, reduzida ao nível do mar, foi de 988,3 mb, às 15 horas. às 15.30 horas o sinal n.º 9 foi substituído pelo n.º 8 (tempestade provável  de SE) Entre as 15 e as 16 horas a pressão subiu 3, 5 mb, e o vento rodou para ESSE. Das 16 para as 17 horas a pressão subiu rapidamente 6,1 mb, e o vento continuou a rondar para SE, fixando-se nesta direcção; a velocidade diminuiu para 50Km/h. às 16.50 horas foi  arriado o sinal de tufão e substituído pelo sinal de ventos fortes.
O tufão continuou a deslocar-se para W, em direcção do Golfo de Tonquim e diminuir de intensidade às 12.25 horas do dia 7 foi arriado o sinal de Ventos Fortes, pois todo o perigo do tufão Pamela havia passado.
Valores observados
Velocidade horária máxima do vento: 99 km/h, direcção ESE.
Rajada máxima: 130 Km/h, direcção E.
Pressão mínima: 988,3 mb.
Precipitação: 41,5 mm.”
(1) Extraído do «M. B.I.» ANO II, n.º 31, 1954.

Outro livro sobre “Tufões” que passaram por Macau (dois anteriores já foram “postados”) (1) (2), este do engenheiro geógrafo Joaquim Baião Simões, director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau , «MACAU E OS TUFÕES», de 1985 (3), bilingue (português pp. 1-46 e chinês pp. 47-83).  Impresso 1000 exemplares, este exemplar adquirido em 21 de Novembro de 1986, na Livraria Portuguesa (então, do Instituto Cultural de Macau).

MACAU E OS TUFÕES - CAPACAPA

Na “Introdução”, o autor refere desta publicação (o 2.º volume da série de publicações da Direcção dos Serviços) o seguinte:
“… Tema de interesse permanente, constantemente renovado pela convivência anual com essas depressões tropicais (que sempre apresentam aspectos diferentes e algo desconcertantes) pretende este pequeno volume clarificar algumas ideias e, em termos simples, dar à população uma visão global de alguns aspectos relacionados com a sua formação e desenvolvimento…” (p. 4)
MACAU E OS TUFÕES - página 6 - Trajectórias dos tufõesTrajectórias normalmente observadas nos ciclones ou tufões que afectam as zonas do Pacífico e do Índico.
Conforme as regiões assim se utilizam designações diversas: «typhoon», «cyclone», «hurricane», etc” (p.6)

MACAU E OS TUFÕES - página 44 -Código dos sinaisCódigo dos Sinais de Tempestade (p. 44)

Nas “Considerações Finais” (p. 45:
“Não esqueçamos que «Tufão» é sinónimo de violência e existência de forças destruidoras de grandes proporções. A palavra de ordem poderá ser então englobada nesta simples frase: «Prudência, Vigilância e Consciência da Situação».
(1) ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/13/leitura-os-tufoes-do-mar-da-china/
(2) NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que Assolaram Macau. Serviço Meteorológico de Macau, Macau, Imprensa Nacional, 1957, 20 p + 26 p. (gráficos, mapas e fotografias), 32 cm. x 23 cm.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/07/06/leitura-tufoes-que-assolaram-macau-i/
(3) SIMÕES. Joaquim Baião – Macau e os Tufões. Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau,  Agosto de 1985, 83 pp., 29 cm x 21, 5 cm.

Aproveitando esta notícia datada de 6 de Agosto de 1970, presto a minha homenagem a este pintor macaense, Herculano Estorninho (1)
“06-08-1970 – Regressa de Timor Herculano Estorninho” (2)
Herculano Estorninho em 1968 seguiu para Timor a fim de dirigir a Sociedade de Turismo e Diversões de Timor e regressa em 1970. Durante a sua permanência em Timor pintou muito da paisagem, usos e costumes dessa terra.

Herculano Estorninho - Aspectos da sua vida e obra CAPACAPA do livro “Herculano Estorninho, Aspectos da sua vida e obra” (1)

(1) Herculano Hugo Gonçalves Estorninho nasceu em Macau, na freguesia da Sé, em 1 de Abril de 1921. Era o nono filho de José Gonçalves Estorninho (natural de Lagoa, Portugal) e de Palmira Maria Augusto Estorninho (natural de Macau).
Frequentou o Seminário S. José e mais tarde o Liceu Nacional Infante D. Henrique, onde foi aluno dos mestres que lhe deram os primeiros ensinamentos de desenho e composição, Fernando Lara Reis, Bordalo Borges e António de Santa Clara. Começou a pintar aguarelas em companhia de Luís Demée.(3). Prosseguiu os seus estudos com Brigite Reinhart, no então Colégio de Belas-Artes de Macau e depois em Belas-Artes Aplicadas com Frederic Joss, no Instituto de Arte Aplicada de Viena de Áustria.
Em 1962 com um grupo de artistas de Macau fundou o “Grupo Arco-Iris”.
Trabalhou durante 17 anos como observador meteorológico antes de ir para Timor e no regresso trabalha para a administração do Hotel Lisboa e em 1976 no Hotel Sintra até 1993. Faleceu a 30 de Abril de 1994.
A obra de Herculano Estorninho encontra-se na Europa, Ásia, América, África e Austrália nomeadamente em Portugal,  França, Itália Suécia, Áustria, Macau Hong Kong, China, Japão, Estados Unidos, Brasil, Angola e Moçambique. Em Portugal há trabalhos do pintor no Palácio de Belém, Palácio de S. Bento, Casa de Macau e Colecções Particulares (4)

Herculano Estorninho - Museu Luís de Camões 1963Herculano Estorninho  – Museu Luís de Camões (hoje, Casa Garden)
Aguarela sobre papel, 1963
Museu de Arte de Macau

“Nos óleos pintados em Macau também o espatulado ou a pincelada são vibrantes de cor fazendo lembrar um seu contemporâneo, Fausto Sampaio, embora muito mais velho, cuja pintura se apresenta com características semelhantes às do Estorninho. Em ambos, as texturas variadas conseguidas através de espessos empastamentos, a pincelada esperta na composição sólida, transmitem toda a emoção e a interpretação perceptivo – instintiva do lugar. Os contornos não são importantes e apagam-se para dar lugar à vibração e cintilação do movimento”.. (…)
Quanto à aguarela, a própria natureza do género conduziu-o a uma grande liberdade de expressão onde a rebeldia ” fauve” ficou presente, transmitindo a exaltação do pintor perante o assunto a tratar. O depuramento do tema e funcionalidade da cor, que passou a actuar como tradução da poesia contida no olhar, é sentida em muitas das suas aguarelas.”
Maria Margarida L. G. Marques Matias, na “Introdução” da exposição de 71 quadros de Herculano Estorninho em Dezembro de 1995, no Clube Militar (4)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998
(3) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-demee/

Herculano Estorninho - Junco1963Herculano Estorninho – Junco
Aguarela em papel (1963)
http://www.macauart.net/News/ContentE.asp?region=L&id=162038

(4) Dados biográficos recolhidos do livro: ” Herculano Estorninho, aspectos da sua vida e obra. Exposição realizada na Sala do Comendador Ho Yin do Clube MIlitar, 21 de Dezembro de 1995. Edição da Fundação Macau, ISBN 972-8147-55-4
Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/herculano-estorninho/

23OUT1936 China Clipper em Macau I23-10-1936 – Chegou o primeiro hidro avião da »Pan American Airways» (1) em viagem de experiência. Foi um «Philippine Clipper” (2) de quatro motores e vinte e cinco toneladas de peso que vindo de Manila, (rota S. Francisco – Manila – S. Francisco) sobrevoou por duas vezes a cidade e pousou nas águas do Porto Exterior. À tarde partia para Hong Kong.  (3)
23OUT1936 China Clipper em Macau II(1) O contrato foi celebrado em 21 de Outubro de 1936 entre o Governo Português e a «Pan-American Airways», pelo qual os aviões desta empresa aérea ficaram com o direito de utilizar o aeroporto de Macau, no Porto Exterior, o que fizeram com regularidade (desde 28 de Abril de 1937) até Março de 1939. No princípio desse ano (o Despacho n.º 21 de 18-01-1936, já anunciava a chegada, para breve, do 1.º hidroavião) a «Pan-American Airways Company» da carreira de S. Francisco, abria um escritório em Macau e preparava um posto meteorológico e de radar na Colina da Penha. Em 16 de Outubro constituía a “Sociedade Aeroportos Pan Americana de Macau, Limitada” com sede no Pavilhão de Abrigo do Porto Exterior (Hangar) (2)
“Manila was Pan Am’s first air terminus, not the British crown colony of Hong Kong, because His Majesty’s government refused Trippe landing rights. In fact, one of their own carriers, Imperial Airways, had plans to develop the territory, and the British were not about to let an impudent Yankee in.
But Juan Trippe was an old hand at overcoming obstacles. He simply entered into negotiations with the Portuguese for landing rights at nearby Macao. When Lisbon granted these rights in 1936, the British reluctantly allowed Pan Am to use Hong Kong as well. The first passenger flight to Hong Kong scheduled for 21 October 1936.
http://www.historynet.com/martin-m-130-flying-boat-china-clippers-trans-pacific-flights.htm
(2) A base da «Pan Am Philippine» estava em Cavite, na Baía de Manila. O avião era um “China Clipper“. Pode-se ver o seu voo inaugural em 21 de Outubro de 1936 no trajecto Honolulu -Manila em:
http://www.yourepeat.com/watch/?v=FBLP3VKnZcQ
CARTAZ China Clipper 1936Idêntico hidro-avião “China Clipper”, foi “protagonista” do filme do mesmo nome:  “China Clipper”, de 1936, realizado por Frank McDonald para a Warner Brothers e protagonizado por Pat O´Brien, Beverly Roberts e Humphrey Bogart.
O filme dramático tem por base, a vida de Juan Trippe, no tempo da fundação da «Pan American Airways», em 1927. Ver “trailers” do filme em:
https://www.youtube.com/watch?v=ILa3z3wdcoo
https://www.youtube.com/watch?v=KKq1WUmjSBw
Poster retirado de:
https://en.wikipedia.org/wiki/China_Clipper_(1936_film)#/media/File:ChinaClipper.jpg
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
“Mais de duas mil pessoas estiveram presentes na amarragem. Os passageiros saídos do avião prateado, pilotado pelo próprio fundador  patrão da companhia Juan Trippe, foram quase levados em ombros até aos sítios que Macau tinha para mostrar: a gruta de Camões, o farol da Guia, o templo da Barra… Depois às três e meia da tarde, após um banquete oferecido à tripulação e passageiros,  o «Phillippine Clipper» partiu para Hong Kong ” (, Luís Andrade de – Avião em Macau Um Século de Aventuras, 1990″)
Sobre este  tema, nas minhas anteriores postagens, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/transportes-aereos/

“Em 1880 um pedido feito pelo Director do Observatório Meteorológico de Zi-Ka-Kei, de Xangai, deixou o segundo-tenente Demétrio Cinatti, ao tempo Capitão dos Portos de Macau, um tanto embaraçado: – era solicitada uma cópia das observações meteorológicas registadas nesta Província e, na Capitania dos Portos, apenas existia um barómetro, onde se faziam leituras quando havia tufões nesta região. (1)
Este facto desagradável, porém, veio ressaltar a lacuna que se fazia sentir e que carecia de ser encarada devidamente.
No ano seguinte passou aquela Capitania a fazer observações regulares dos diversos elementos meteorológicos. Todavia, só em 1900 foi criado o 1.º posto meteorológico, com a designação de Observatório Meteorológico de Macau, na Ermida da Penha, (2) onde passou a funcionar até 1904, data em que foi transferido para parte das antigas dependências do Hospital Conde S. Januário.

Serviço Meteorológico S. Januário I“Três dos cinco pavilhões que constituem a sede do Serviço Meteorológico”nas antigas ruínas do fortim de S. Jerónimo

Desde aquela data intensificou-se o número de observações feitas com maior regularidade e os resultados eram publicados no Boletim Oficial da Província. Montou-se em 1918 um aparelho de importância capital numa zona onde os ventos tempestuosos são frequentes: – o anemógrafo de Dines (3) e, pouco depois, foi aquele Serviço apetrechado com dois sismógrafos. (4) Nesse mesmo ano foi estabelecido o serviço da hora.
Estes melhoramentos e muitos ali introduzidos bastante beneficiaram aquele Serviço e foram devidos ao então encarregado do Observatório, Almirante Artur Barbosa Carmona.(5)

Serviço Meteorológico S. Januário II“Desenhando a carta do tempo, o que se faz duas vezes ao dia, e mais vezes nas proximidades dos tufões”

O último e definitivo impulso que o funcionamento sofreu, foi o resultado da publicação da Lei n.º 2:042, (6) que criou os Serviços Meteorológicos de Ultramar e do Decreto n.º 38:021, que fixou os respectivos quadros do pessoal, em consequência do que foi designado um meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional, para Chefe do Serviço Meteorológico de Macau, então criado.” (7)

A 28 de Junho de 1966, o Observatório Meteorológico de Macau transfere-se para a Fortaleza do Monte.

Serviço Meteorológico TaipaHoje, a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos – 澳門地球物理暨氣象局 encontra-se na Rampa do Observatório na Taipa Grande desde 1995.
(1) 1880 – Fundação, por Demétrio Cinatti, do Observatório Astronómico, com edifício novo desde 1904 sobre as ruínas do Forte de S. Jerónimo. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3).
(2) No Morro do Bispo.
(3) Aquisição de um anemógrafo “Dines Baxendel” para o serviço do Observatório desta Província  1910/10/01-1911/07/13. (http://www.archives.gov.mo/)
Anemógrafo – aparelho destinado a registar  continuamente todas as variações de direcção (em graus), de velocidade dos ventos (em m/s)e  a distância total (em Km) percorrida pelo vento com relação ao instrumento a as rajadas (em m/s)
(4) 1918 – Instalado em Macau, para melhoria dos serviços meteorológicos, o anemógrafo de Dines Baxendell. Nesta mesma data se repararam vários registadores e se estabeleceram sismógrafos e um pluviómetro eléctrico.(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4).
(5) Anterior referência a este Almirante em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-l-barbosa-carmona/
(6) Lei n.º 2042 publicada a 22 de Junho de 1950, no B.O. de Macau, n.º 29 – cria em cada uma das colónias portuguesas um Serviço Meteorológico.
A Capitania dos Portos, instalada desde 1904 em edifício próprio sobre as ruínas do fortim de S. Jerónimo, na Guia, cessa responsabilidades no campo dos Serviços de Meteorologia. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5).
(7) MACAU, Boletim Informativo, 1955.

Mapa para Tufões  1980 I

Mapa (29 cm por 25 cm) do ano de 1980, do mar do sul da China com os territórios que o rodeia (entre 10º N – 25º N e 105º E – 125º E), destinado à marcação da trajectória do centro da depressão (Tropical Cyclone Tracking Chart). (1)

O anexo de 10 cm x 25 cm (à direita do mapa) tem as indicações sobre tempestades tropicais – classificação das tempestades (em português, chinês e inglês) dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos do Governo de Macau.

Mapa para Tufões  1980 II

No verso, o Código dos Sinais de Tempestades (em português, chinês e inglês), com as indicações do aspecto, significado dos sinais e as recomendações para cada um dos casos.

CODIGO DOS SINAIS DE TEMPESTADE
風暴訊號 (2) / LOCAL STORM WARNING SIGNALS 

Os sinais a que se refere este código eram içados nos seguintes locais: Capitania dos Portos, Fortaleza da Guia, Fortaleza do Monte, Fortaleza de Mong Há, Centro de Recuperação Social da Taipa e Posto da Polícia Marítima e Fiscal de Coloane.
Mapa para Tufões  1980 Código 1 e 3

Em comparação com os sinais já publicados (3), estes eram: n.º 1, n.º 3, o n.º 8 que subdividia-se em NW, SW, NE e SE,Mapa para Tufões  1980 Código 8

os  n.º 9 e n.º 10 e a indicação de Sinal de Ventos Fortes de Monção.

Mapa para Tufões  1980 Código 9 e4 10

(1) Retirado do Anuário de Macau de 1980.
Comparar com o mapa de 1950 em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/25/mapas-para-o-estudo-da-trajectoria-dos-tufoes-no-mar-da-china/
(2)暴訊號mandarim pinyin: fèng bào xùn hào; cantonense jyutping: fung1 bou6 seon3 hou6.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/18/sinais-indicativos-de-tufao-para-os-portos-da-colonia-de-macau-em-1931/.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/12/sinais-indicativos-de-tufao-no-ano-de-1927/.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/26/chuvas-chuvadas-e-tufoes/

Opúsculo do Engenheiro-Geógrafo Agostinho Pereira Natário (1) de 1957, com o título “Tufões que Assolaram Macau” (2), publicado pelo Serviço Meteorológico de Macau.

“O objectivo desta publicação consiste em trazer ao público a descrição dos tufões cujos centros compreendidos num raio não superior a 80 milhas de Macau afectaram o tempo na região.
Do exame de investigação feito a documentos existentes na Província, e a publicações da especialidade de Hong Kong, Filipinas e Xangai, apurou-se que 119 tufões, uns mais intensos que outros, modificaram o tempo na Província.

Tufões que Assolaram Macau CAPA

O tufão mais antigo que se conhece foi observado em Junho de 1348 ou 1347 por um viajante árabe – Ibn Batuta – que, por duas vezes, atravessou o Mar da China, entre as Filipinas e Amoy, num navio pertencente ao Rei de Sumatra do Norte. Este tufão é considerado pelo Rev. Pe. Miguel Selga (3) como um tufão histórico e outros que se não citam por não terem afectado o tempo na região.

Tufões que Assolaram Macau CONTRACAPAPor falta de elementos concernentes aos mais antigos, não foi possível identificá-los convenientemente, mas citam-se apenas como elemento informativo.
Os tufões que assolaram Macau deixaram bem vincada a marca da destruição, do terror e da miséria em virtude dos elevados prejuízos materiais associados, por vezes, a grandes perdas de vida. Ainda que todos ocasionassem prejuízos o certo é que alguns houve que passaram quase despercebidos; no entanto, a Província entre os muitos que o assolaram não esquecerá o de Setembro de 1874, (4) Maio de 1875, 18 de Agosto de 1923, (5) e Agosto /Setembro de 1937 dadas as circunstâncias especiais em que se observaram e a importância dos estragos e vítimas causados.”

(1) Chefe do Serviço Meteorológico de Macau.
(2) NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que Assolaram Macau. Serviço Meteorológico de Macau, Macau, Imprensa Nacional, 1957, 20 p + 26 p. (gráficos, mapas e fotografias), 32 cm. x 23 cm.
(3) Padre Jesuíta Miguel Selga (1879-1956), nascido perto de Barcelona, foi historiador, astrónomo e cientista. Chegou a Manila em 1915 para trabalhar no Observatório de Manila, tendo sido depois o seu director.. Trabalhou nas Filipinas até 1946. Publicou imensos trabalhos científicos em diferentes áreas tais como eclipses solares, estudos meteorológicos, terramotos, vulcões e tufões. O mais importante trabalho publicado é o Atlas dos Tufões de Filipinas de1902-1934.
file:///C:/Users/Jorge/Downloads/2306-7940-1-PB.pdf
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/08/18/noticia-de-18-de-agosto-de-1923-macau-assolado-por-um-tufao/
Ver também outro separata publicada sobre os tufões do mar da China, em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/13/leitura-os-tufoes-do-mar-da-china/

Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos I

CÓDIGO DE SINAIS
Os sinais indicativos de tempestades no mar da China foram unificados na década de 30, e posto em vigor em Macau com um código. Estes sinais seriam colocados no mastro do Observatório (1) logo que se recebiam quaisquer comunicações de movimentos ciclónicos entre os paralelos 10˚ e 26˚ de Lat. N e os Meridianos 108˚ – 126˚ de Long. E Gr.
Os sinais eram feitos por meio de várias figuras correspondendo cada, a um algarismo como no quadro seguinte:
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos II
Os símbolos indicativos da posição eram içados na 1.ª adriça da verga (visto o mastro do lado da terra) e correspondiam os dois de cima aos graus de latitude e os dois de baixo aos algaritmos das dezenas e unidades de longitude.
Para referir a direcção que tomava o centro do ciclone, as suas condições de formação, desenvolvimento ou extinção e ainda a sua área e a maior violência usavam-se a seguinte convenção:
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos III
Os sinais de direcção ou condição, raio e intensidade içavam-se na adriça da direita, ficando estes últimos por baixo.
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos IV
Para definir ainda a ocasião em que foi determinado o tufão ou simples depressão içavam-se no top do mastro um dos seguintes sinais:
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos V
Um exemplo da interpretação dos sinais colocados:
Os Tufões do Mar da China Sinais Indicativos VIEsta manhã o tufão estava com excepcional velocidade movendo-se para W na Lat. de 14˚ N e Long. 109˚ E.
NOTA: quando não se tratava dum verdadeiro tufão, mas simplesmente de uma depressão, o sinal só diferia do do tufão em ser usado na parte inferior da adriça da direita o símbolo representativo de depressão, isto é, a figura n.º 9.
Informações retirados do livro “Os Tufões do Mar de China” – ver em:
(1) “Em 1931, o Serviço de Observação Meteorológica fazia 30 anos. Foi instalado nos finais do século XIX, quando este ramo do saber se desenvolveu graças a Verrier, director do Observatório de Paris. Antes disso, as observações meteorológicas socorriam-se em Macau, apenas, de um barómetro da Capitania dos Portos.”
Desde 1905 que o Observatório Meteorológico funcionava no antigo Fortim de S. Jerónimo, desactivado para efeitos militares desde 1877 (destruído depois para a construção do Centro Hospitalar)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p. (ISBN 972-8091-11-7)
Informações retiradas do livro “Os Tufões do Mar de China”.
Sobre este livro e sobre tufões e sinais indicativo, ao longo dos anos, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sinais-de-tufao/ 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/tufoes/