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A data consagrada à memória do grande bombeiro português Guilherme Gomes Fernandes (1) – 20 de Agosto – foi, como nos anos anteriores, aproveitada pelos briosos bombeiros municipais de Macau para assinalar o «Dia do Bombeiro». Constantes dum programa cuidadosamente elaborado, os festejos deste ano tiveram brilhantismo especial, dada a presença honrosa de mais de 30 bombeiros de Hong Kong que se deslocaram a Macau, propositadamente, para assistirem às comemorações. Agrupados em duas deputações, os bombeiros visitantes pertenciam à «Hong Kong Fire Brigade» e ao «Auxiliary Fire Service», os primeiros sob o comando de Lee Pin Cheng e os últimos comandados por Henry Cheng, totalizando as duas deputações 34 homens.

Durante a romagem ao monumento-ossário dos bombeiros

De manhã foi hasteada, no mastro do quartel dos bombeiros municipais, a bandeira da corporação. Pelas 8.30 horas, o Revdo. Cónego Fernando Maciel celebrou, na capela do Cemitério de S. Miguel, uma missa em sufrágio das almas dos bombeiros falecidos, após o qual, houve uma romagem ao monumento-ossário dos bombeiros, onde várias individualidades depuseram coroas de flores naturais e onde foi observado um minuto de silêncio. Pelas 13 horas, no quartel, perante a formatura dos bombeiros, o comandante do Corpo, Sr. Manuel Dimas Pina, leu um trecho sobre a vida e personalidade de Guilherme Gomes Fernandes, cujo valor foi enaltecido com justiça.

O Bispo de Macau, benzeno, no Largo do Senado, a nova autobomba

Pelas 17 horas, no Largo do Senado e imediações, juntou-se uma enorme multidão que ali assistiu à bênção duma nova autobomba «Dennis», adquirida pelo Município de Macau para o serviço dos bombeiros. A bênção da nova viatura foi dada pelo Ver. Bispo de Macau, D. Policarpo da Costa Vaz, tendo a Da. Laurinda Marques Esparteiro servido de madrinha que pronunciou na ocasião as seguintes palavras: «Que a Divina Proveniência acompanhe sempre esta autobomba e todos os que a manejarem na sua nobre e humanitária missão». Em seguida, as viaturas do Corpo de Bombeiros Municipais desfilaram ao longo da Avenida Almeida Ribeiro, vindo prestar continência ao Governador e principais autoridades da Província, próximo do edifício do Leal Senado, em cuja varanda se encontravam.

Milhares de pessoas assistiram, no Largo do Senado, à demonstração do potencial de água

No Largo do Senado e circundando o monumento de Mesquita, houve, seguidamente, uma demonstração do potencial de água, com 12 agulhetas habilmente manejadas pelos bombeiros, demonstração que entusiasmou grandemente a enorme assistência.

No campo desportivo da Praia Grande (antigo campo dos operários; hoje ocupado pelo Hotel Grand Lisboa), realizou-se um encontro de bolinha entre o Grupo Desportivo «Negro- Rubro» e a equipa da «Hong Kong Fire Brigade», o qual terminou pela vitória do primeiro, que ganhou por 6-2. À noite, no quartel da corporação, foi servido um jantar a que assistiram os bombeiros de Hong Kong e de Macau, representantes da Imprensa e outros convidados. A festa terminou com uma animado sarau musical, levado a efeito pelo grupo «Negro-Rubro».” (2)

(1) Guilherme Gomes Fernandes (1850- 1902). Fundador, em Portugal, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (1874-75) e do Corpo de Salvação Pública, foi nomeado Comandante do Corpo de Bombeiros em 1877 e Inspector de Incêndios do Porto em 1885. De seguida, transferiu-se para a Companhia de Incêndios (designada Corpo de Salvação Pública a partir de 1889 e Batalhão de Sapadores Bombeiros de 1946 em diante), assumindo o cargo de comandante. Biografia mais completa em: https://ahbvvc.com/pt/guilherme-gomes-fernandes

(2) Retirado de «MBI», III-50 de 31 de Agosto de 1955, pp. 5-6 https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/30/leitura-corpo-de-bombeiros-municipais-de-macau-em-1955/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/18/noticia-de-18-de-agosto-de-1953-dia-do-bombeiro/

Findo o torneio para a disputa da Taça «Sarmento Rodrigues» que foi, merecidamente, ganho pelo Grupo Desportivo da Polícia, começou a disputar-se o campeonato da 1.ª divisão, com o concurso dos seis seguintes grupos: Polícia, Sporting, Benfica, Negro-Rubro, Lusitano e Atlético.
Os primeiros jogos desta prova oficial da época realizaram-se no dia 9 de Janeiro, com os seguintes resultados:
Negro – Rubro venceu Lusitano por 4 a 2;
Polícia venceu o Atlético por 2 a 1.
O Atlético protestou o jogo, alegando erros técnicos do árbitro, estando, por conseguinte, o resultado do seu encontro com o Grupo Desportivo da Polícia ainda dependente da homologação da Associação de Futebol de Macau.
No dia 15 de Janeiro, a equipa da Polícia venceu a do Sporting por 4 a 1.

Notícia retirada de MACAU, B. I., 1955.

Hoje é dia da Taça de Portugal. Frente a frente, o Sporting Clube de Portugal e a Associação Académica de Coimbra. A Académica venceu o Benfica em 1939 por 4-3 conquistando a 1.ª Taça de Portugal. Foi finalista vencido em 1951 (derrota com o Benfica por 5-1), em 1967 (derrota com o Setúbal por 3-2) e 1969 (derrota com o Benfica 2-1, na célebre final em plena crise académica) (1) (2).
E por falar da Académica, presto a devida homenagem ao extraordinário/genial  jogador  macaense,  Augusto Rocha. Retiro esta notícia da sua partida para a Metrópole, em 1955.
A fim de ingressar no Sporting Clube de Portugal, partiu recentemente para a Metrópole o jovem futebolista macaense Augusto Rocha que é, sem dúvida, uma das maiores revelações de futebol nesta Província.  No cais de desembarque, a despedir-se do jovem futebolista, compareceram, além de sua mãe, alguns amigos meus, antigos professores e dirigentes do Sporting Clube de Macau, e o Dr. António Maria da Conceição que foi quem tratou da sua ida para o Sporting” (3)
Augusto Rocha (Macau, 7-02-1935), representou O Negro Rubro (1952/53) e Sporting Clube de Macau (1953/54). Chamavam-lhe Lou Fu Chai, o Pequeno Tigre, porque tigre era a alcunha do seu pai, que partiu de Alcobaça à aventura, casando-se com uma chinesa de origem. Augusto cresceu e depressa se afamou como jogador de bolinha, um jogo de futebol de sete com uma bola mais pequena que a do andebol. O seu ídolo era, com naturalidade, Joaquim Pacheco, o polícia macaense que jogava a defesa no Sporting. (4)
Vimos Augusto no desafio Negro Rubro – «Sete tigres» com a vitória dos macaenses por 4-1. Dois golos de Augusto e dois de João Rocha. O último golo foi uma maravilha de execução. Augusto, depois de fintar e de driblar todos os adversários, apareceu isolado em frente do famoso I Iu Tak – este, pensando que  a bola seria atirada para o lado esquerdo, lançando-se mal, vê a bola tocada para o direito” (5)
Noutro encontro Negro Rubro contra o South China com a vitória dos macaenses por 3-1; “recordamos o últi o golo marcado por Augusto. Após receber a bola vira-se para a esquerda e dribla sucessivamente dois adversários e prepara-se para cruzar. Não o faz e leva a bola para a grande área fingindo querer ceder a bola a João Rocha e, de repente atira e a bola entra sem possibilidade de defesa. Foi o delírio no campo” (5)
No confronto com a “fortíssima” seleção de Hong Kong … “no último golo quando recebeu a bola do João Rocha correu uns metros e atirou a 15 metros da baliza. A bola foi embater no poste direito e entrou sem possibilidade de defesa para o guarda-redes inglês. Após esse sucesso é convidado a jogar no St. Joseph e no Eastern”. (5).
Representou o Sporting (1954/55 e 1955/56) e a Académica (1956/57 a 1970/1971) Foi o melhor jogador de futebol de origem macaense de todos os tempos e é considerado o mais carismático futebolista de toda a história da Académica. Depois de se ter notabilizado ao serviço do Sporting de Macau, foram vários os clubes interessados em contratá-lo. O Sporting acabou por ganhar essa corrida. A passagem por Alvalade não foi brilhante, jogou um ano pelas reservas e só em 1955/56 conseguiu chegar à equipa principal. No ano seguinte, seguiu para Coimbra onde iria demonstrar todo o seu valor. Trouxe à Académica um perfume e uma criatividade que marcaram o futebol dos estudantes. Sob o seu comando, a Académica conseguiu excelentes resultados no campeonato onde se destacam a sua melhor classificação de sempre (segundo posto, em 1966/67 ). Realizou quase quatro centenas de partidas de negro vestido, tendo marca, do mais de meia centena de golos. Alcançou sete internacionalizações. Pela selecção, estreou-se a 13 de Abril de 1958, em Madrid, contra a Espanha (derrota por 1-0) e despediu-se a 21 de Abril de 1963, com o Brasil, em Lisboa (vitória por l-0). (6)
(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Ta%C3%A7a_de_Portugal  
(2) A Crise estudantil de 1969 e a final da Taça
     http://www.zerozero.pt/text.php?id=1345
(3) Notícias da Revista quinzenal “MACAU”, n.º 35, JAN 1955
(4) http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Rocha#ixzz1vPz4hTlZ 
(5) RÊGO, José de Carvalho e – Figuras Desportivas. Instituto Cultural de Macau, Instituto dos Desportos de Macau, Fundação Oriente, 1996, 366 p., 972-35-0152-X ICM
(6) http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Francisco_Rocha
NOTA :  A Académica homenageou Augusto Rocha  no dia 20 de Abril de 2012
http://www.academica-oaf.pt/noticias/aacoaf/2422-academica-homenageia-portugal-e-augusto-rocha/    e
http://www.academica-oaf.pt/noticias/aacoaf/2434-briosa-homenageou-portugal-e-augusto-rocha/