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TCH´OU KU LÂM䓍菰冧  (1)  –   Cogumelo

É um termo vulgar que se emprega para designar o órgão genital das criancinhas do sexo masculino

TCH´OU P´ENG醋瓶 (2) – Frasco de vinagre

É termo que se emprega para se referir a um indivíduo invejoso e ciumento, pois o seu corpo é comparado a um frasco de vinagre, supondo-se que nele circula este líquido ácido em vez de sangue.

TCH´OU TCHÜ 槽猪 (3) – Porco alimentado a farelo

Este termo é usado para se referir a um dorminhoco.

(1)    –  mandarim pīnyīn: hǎn gū lin ; cantonense jyutping:  ?   gu1 lam1

(2) 醋瓶 mandarim pīnyīn: cù píng; cantonense jyutping cou3 peng4

(3) 槽猪mandarim pīnyīn: cáo zhū; – cantonense jyutping: cou4 zyu1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

O numeroso público que se deslocou, nos dias 8 e 9 de Setembro de 1951, ao campo desportivo da Praia Grande, teve oportunidade de assistir a dois bons desafios de futebol em miniatura, que foram renhidamente disputados, empatando, no primeiro, as selecções de Macau e Hong Kong por 2 a 2 e saindo vencedora do segundo, a selecção militar de Mcau, que derrotou a selecção de Hong Kong, por 2 a 0.

As selecções de Hong Kong e de Macau com os seus dirigentes.
A selecção militar de Macau e a equipa de Hong Kong

Extraído de «Mosaico», III- 14 de OUT de 1951

Em benefício da Lutuosa dos Correios, Telégrafos e Telefones, realizou-se em 29 de Agosto, com grande êxito desportivo e financeiro, um interessante desafio de futebol em miniatura, entre o grupo Negro-Rubro  e uma forte selecção chinesa, que perdeu por 0 a 2. (1)

O Encarregado do Governo, Aires Pinto Ribeiro cumprimentando os jogadores
A tribuna de honra

(1) Extraído de «MOSAICO», VOL III -14 de Outubro de 1951

TÁN FÁ T´ÓNG – 蛋花湯 (1) – Calda de ovos

Pelo facto deste caldo não conter pedaços de carne, o termo tán fá t´ông é empregado para se referir a um indivíduo balofo que não tem cultura nem conhecimentos

TÁN TÁT – 蛋撻 (2) – Pasteis de nata

Os janotas que se vestem à europeia e no rigor da moda mas exageradamente são comparados aos pastéis de nata.

TÁN LIU T´ÔNG POU – 單料銅㷛 (3) – Caçarola de cobre de uma só chapa

As caçarolas feitas com uma chapa de cobre delgada embora fervam rapidamente a água são no entanto mais frágeis que as de chapa reforçada, isto é, as séong liu t´ông pou 雙料銅㷛. (4) Este termo é empregado para se referir ao indivíduo que facilmente se torna íntimo dos outros mas cuja amizade não é resistente, estalando logo que surja a mais pequena contrariedade.

(1) 蛋花湯 mandarim pīnyīn: dàn huā tāng  ;  cantonense jyutping: daan2 faa1 tong1 (2) 蛋撻 – mandarim pīnyīn: dàn tà;  cantonense jyutping: daan2 taat3 (3) 單料銅㷛mandarim pīnyīn: dān liào tóng bou ;  cantonense jyutping: daan1 liu2 tung4 bou1 (4) 雙料銅㷛 – mandarim pīnyīn: shuāng liào tóng bou ;  cantonense jyutping: soeng1liu2 tung4 bou1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 136

Na tarde de 21 de Julho de 1951, no campo dos operários (pelado) (1) defrontaram-se os primeiros classificados do campeonato militar e do campeonato civil de futebol em miniatura, (2) saindo vencedor o grupo civil Leng Yee, que derrotou o adversário por 2-0

O grupo Leng Yee com a taça que ganhou
O capitão do grupo Leng Yee recebendo a taçadas mãos do sr. Ung Tchek  Ii, representante da Associação dos Cambistas Chineses, doadora da taça

Extraído de “Mosaico”, II-1 de Agosto de 1951

(1) Lugar actualmente ocupado pelo Hotel Grand Lisboa.

“Associação de Futebol em Miniatura de Macau (AFMM) – grande regozijo a notícia do despacho do Governador cedência dum terreno nos aterros da Praia Grande para a construção dum campo para a prática de futebol em miniatura” (3)

(2) Os Estatutos do Futebol em Miniatura (vulgo Bolinha) foram aprovados em 06-11-1943 – Portaria n.º 3251 (posteriormente foram actualizados a 08-05-1963, Portaria n.º 7:245, data em que o nº de equipas inscritas eram mais de 25) (4)

A.F.M.M. inaugurou a sua nova sede bem como o campo de jogos na Praia Grande a 29-08-1953, e iniciou o Campeonato de Bolinha, no dia 1 de Setembro, de 1953, o qual foi precedido dum festival desportivo de inauguração do campo de jogos e abertura do Campeonato de Macau. Inscreveram 24 grupos, 12 portugueses e 12 chineses, os quais disputaram a prova divididos em três séries diferentes. Os três primeiros classificados de cada série disputaram entre si o título de campeão, numa «poule final». O magnífico troféu posto à disputa intitulava-se “Taça Governador Joaquim Marques Esparteiro.” (3)

(3) «Macau Boletim Informativo», Ano I, n.º 2, 31 de Agosto de 1953, p. 13)

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 277).

LOU KÔI T´ÓNG UN老舉湯丸 (1) – Massa em calda de prostitutas

São umas bolazinhas feitas com farinha de arroz glutinoso servidas em caldo doce, muito brancas, luzidias e escorregadias e de muito agrado das prostitutas. Por isso este termo é empregado para se referir a guapos moços, muito branquinhos e bonitinhos que servem de chulos às mulheres de má vida. (2 )

LOU FU HÁI老 虎 蟹 (3) – Caranguejo-tigre

Esta espécie de crustáceo não se encontra na fauna local.

Diz a lenda chinesa que é na Samatra que existe tal animal cujot amanho é igual ao duma larga cesta com a carapaça malhada, tendo boca e nariz, portanto, muito semelhante à cabeça de um tigre não sendo, porém um animal carnívoro. A carne deste animal é extremamente desagradável ao paladar, sendo  de cor verde, quando crua, e amarela, depois de cozida.

Quanto ao termo lou-fu-hái, na acepção com que é empregado na gíria teve a sua origem em Cantão, no tempo da dinastia Tch´eng, 淸 (4) quando as autoridades podiam exercer livre e impunemente o seu despotismo, extorquindo o que bem quisessem dos indefesos cidadãos, sendo, portanto, empregado para designar um indivíduo autoritário, déspota e de génio irrascível. (2)

(1) 老舉湯丸mandarim pīnyīn: lǎo jǔ tāng wán ;  cantonense jyutping: lou5 geoi2 tong1jyun2

(2) Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-21/22 de Maio e Junho de 1952, p. 170

(3) 老虎蟹mandarim pīnyīn: lǎo hǔ xiè;  cantonense jyutping: lou5 fu2 haai5

(4) mandarim pīnyīn: qīng; cantonense jyutping: cing1

Dinastia Qing (oficialmente 大清 – Grande Qing) (1636-1912) – última dinastia imperial chinesa depois da dinastia Ming e antes da Republica Chinesa.

NGÂU NÁI LÈONG KOU牛奶涼糕 (1) – Gelatina de elite

Expressão usada para se referir a uma rapariga branca e gorducha (2)

NGÂU TCH´Ó HÓ牛炒河 (3) – Vaca virada ao lume com massa de farinha

A hó-fan (4) é uma massa feita com farinha de arroz cortada às tiras. A expressão ngâu-tch´âu-hó traduzida literalmente significa “o boi virado ao lume com massa de farinha”. Portanto, nos restaurantes não convém pedir aos criados ngâu-tch`âu-hó, mas sim tch´ói-tch`âu-hó   菜炒河 (5) a fim de os mesmos não julgarem que os estão insultando, chamando-lhes bois. (2)

(1) 奶涼糕mandarim pīnyīn: niú nǎi liáng gāo ; cantonense jyutping: ngau4 naai1 loeng4 gou1

(2)Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 474-475

(3) 牛炒河mandarim pīnyīn: niú chǎo hé; cantonense jyutping: ngau4 caau2 ho4 

(4) 河粉mandarim pīnyīn: hé fěn; cantonense jyutping: ho4 fan2.

Também conhecida por sha he fan 沙河粉

(5) 菜炒河mandarim pīnyīn: cài chǎo hé;  cantonense jyutping: coi3 caau2 ho4

O pessoal dos Serviços de Saúde, ofereceu, no dia 31 de Maio de 1952, um jantar de despedida, no Hotel Boa Vista, ao Dr. Fernando Tomás Gonçalves, médico dos referidos serviços.

O Dr. Aires Pinto Ribeiro, Chefe dos Serviços de Saúde, no uso da palavra
O Dr. Aires dos Santos Brígido enaltecendo as qualidades do homenageado Fotos extraídos de «Mosaico», IV-21-22 de Maio e Junho, 1952

Dr. Fernando Tomás Gonçalves (1915 – ?) foi nomeado médico de 2.ª classe do quadro médico comum e colocado em Mcau por portaria ministerial de 24 de Novembro de 1947. Apresentou-se na Repartição Central dos Serviços de Saúde de Macau em 26 de Junho de 1948, onde tomou posse na mesma data. Por portaria de 7 de Julho de 1948 foi nomeado adjunto do Delegado de Saúde de Macau e Ilhas e por portaria de 22 de Junho de 1949 foi nomeado Delegado de Saúde, tendo sido exonerado deste cargo a 3 de Março de 1950, por se ter apresentado o médico de 1.ª classe Dr. João Albino Cabral. Nessa data, passou a ser adjunto do Delegado de Saúde, cargo que exerceu até acabar a comissão, embora com alguns períodos noutras funções como médico analista dos Serviços de Saúde (1951-1952) aquando da ausência do titular, o Dr. Reinaldo da Silva Sousa Vieira. Foi louvado por ter exercido pela competência, dedicação e probidade as funções de director substituto do Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Central Conde de S. Januário em 2 de Janeiro de 1952

Representou Macau (juntamente com os Drs. Aires Pinto Ribeiro e José Marcos Batalha) no Primeiro Congresso Nacional de Medicina Tropical, realizado em Lisboa, de 24 a 29 de Abril de 1952.

Embarcou em 5 de Junho de 1952 com destino a Moçambique, para onde foi transferido. (referências biográficas recolhidas de TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998, pp. 380-381).

Macau e o milagre das sete colinas», conferência dada por Manuel Pimentel Bastos (1), no dia 30 de Abril de 1952, no Instituto Superior do Ultramar, sob a presidência do seu Director, o Professor António Mendes Correia, e posteriormente publicada na revista «Mosaico» (2)

Um dos trechos desta conferência (p. 449) :

“Qualquer observador que se proponha estudar os chineses, mesmo que procure andar com os olhos abertos o mais possível e os sentidos todos no máximo de acuidade pode, facilmente cair nos erros mais grosseiros, quando julgue estar na pista de uma brilhante descoberta. Assim, um dia em que eu entrei numa associação chinesa de Macau, onde se realizava um comício público, vi um chinês, arengando do alto do tablado um discurso, certamente empolgante, mas de que nada percebi. Notei, porém que, ao contrário do que geralmente se observava, ele gesticulava exuberantemente enquanto dava largas à sua verbosidade. Tendo feito notar o facto a um amigo chinês que me acompanhava, insinuei que, afinal, não eram só os ocidentais que tinham o hábito de falar com as mãos, como se dizia. Obtive, porém, a explicação do fenómeno, não sem ter visto deslisar pelos lábios do meu companheiro um sorriso malicioso.

É que o orador era do Norte da China (talvez Pequim) e o seu dialecto era (suponho que o “mandarim”) totalmente diferente do dialecto do chinês de Macau, que é o “cantonense”. Assim, ele, que falava com dificuldade o dialecto local, quando não sabia dizer uma palavra em cantonense, não se detinha, e “escrevia-a” no ar, desenhando o símbolo gráfico que a representava, posta que a grafia é igual para todos os dialectos da China. Era que se pode dizer, um discurso mais para ser visto do que para ser ouvido. …”

(2) «Mosaico», IV-21 e 22 de Maio e Junho de 1952, pp.443-462

LÓK SÔI TCHU LÔNG落水猪籠GAIOLA DE PORCOS POR ONDE ENTRA A ÁGUA DA CHUVA

“Na China antiga, os porcos eram enviados dum sítio para outro em gaiolas tecidas com fibras de bambu e do tamanho aproximadamente exacto dos porcos que ficam dentro delas e quase sem podem fazer nenhum movimento. Quando chove os porcos ficam completamente encharcados porque a chuva enta por todas as malhas que são bastantes grandes.

Ora este termo emprega-se par se referir aos felizardos que exercem vários empregos e que por terem várias entradas recebem dinheiro por todos os lados.”(1)

Macao, Pig Market”, postal da série “MACAU POST CARD” (2)

落水猪籠mandarim pīnyīn: luò shuǐ zhū lóng; cantonense jyutping: lok6 seoi2 zyu1 lung4

(1) GOMES, Luís Gonzaga in «Mosaico», IV- 21/22,MAI/JUN p. 470, 1952.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/19/postal-antigo-macau-do-seculo-xix-iii-mercado-do-porco/