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TCHÔNG UÀN KÂI春瘟鷄 (1) – Galinha empestada

As galinhas que se encontram neste estado andam sem tino, tropeçando e indo de encontro aos objectos como se não pudessem ver. Este termo aplica-se, geralmente, às pessoas que fazem as coisas com hesitação ou que tentam vários expedientes para poderem conseguir o seu fim

TCH`UN AP全鴨 (2) – Pato inteiro

É um prato que se serve nos grandes banquetes chineses, em que este palmípede é apresentado inteirinho, sendo recheado com cevada, ginçó e sementes de loto. Este termo é empregado para dizer que não há negócio.

TENG TCHI HÁI頂趾鞋 (3) – Calçado que aperta os dedos do pé

Os chineses comparam a desgraça de terem de aturar um mau filho ou uma má mulher a um calçado que magoa os pés, pois, assim como um indivíduo se vai acostumando a um calçado apertado também vai habituando a aturar um mau filho ou uma má mulher

(1) 春瘟鷄mandarim pīnyīn: chūn wēn jī ; cantonense jyutping: ceon1 wan1  gai1

(2) 全鴨mandarim pīnyīn: quán yā; cantonense jyutping: cyun4 aap3,

(3) 頂趾鞋mandarim pīnyīn: dǐng  zhǐ  xié; cantonense jyutping: deng2  zi2   haai4

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 144-145.

TCHÜ IÀU PÁU猪 油 飽 (1) – Bolos de banha de porco

São os bolos feitos com uma massa de farinha branca recheados com carne e passados com banha de porco, sendo por este motivo muito lustrosos Esses bolos são servidos nos tch´á lâu 茶樓   (2) (casas de chá) constituindo uma verdadeira tentação para os glutões nativos. É por este motivo que tal termo é empregado para se referir às exageradas saliências do peito das raparigas que, no verão, andam pelas ruas , envergando apenas uma fina e lustrosa cabaia preta.

TCHÜ NÁ MEI猪 乸 尾 (3) – Rabo de porco

Existe na cozinha chinesa um petisco feito com rabo de porco e amendoim. Este termo é, porém, empregado para se referir a um indivíduo que anda sempre apegado à mulher.

TCHÜ T´AU KUÂT猪 頭 頭 (4) – Ossos da cabeça de porco

Roer os ossos duma cabeça de porco é frase que os chineses empregam para dizer que um indivíduo, não obstante o pequeno salário que recebe, é obrigado a trabalhar que nem um escravo.

TCHÜ TCHÔI猪 咀 (5) – Focinho de porco

Este termo é empregado para se referir, depreciativamente, aos lábios mal conformados e afilados de um indivíduo.

(1) 猪油飽 mandarim pīnyīn: zhū yóu bǎo; cantonense jyutping: zyu1 jau4 baau2

(2) mandarim pīnyīn: chá lóu; cantonense jyutping: caa4 lau4

(3) 猪乸尾 mandarim pīnyīn: zhū nǎ wěi; cantonense jyutping: zyu1 naa2 mei5

(4) 猪頭頭 mandarim pīnyīn: zhū tóu gǔ,; cantonense jyutping: zyu1 tau4 gwat1

(5) 猪咀 – mandarim pīnyīn: zhū jǔ; cantonense jyutping: zyu1 zeoi2

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

TCH´OU KU LÂM䓍菰冧  (1)  –   Cogumelo

É um termo vulgar que se emprega para designar o órgão genital das criancinhas do sexo masculino

TCH´OU P´ENG醋瓶 (2) – Frasco de vinagre

É termo que se emprega para se referir a um indivíduo invejoso e ciumento, pois o seu corpo é comparado a um frasco de vinagre, supondo-se que nele circula este líquido ácido em vez de sangue.

TCH´OU TCHÜ 槽猪 (3) – Porco alimentado a farelo

Este termo é usado para se referir a um dorminhoco.

(1)    –  mandarim pīnyīn: hǎn gū lin ; cantonense jyutping:  ?   gu1 lam1

(2) 醋瓶 mandarim pīnyīn: cù píng; cantonense jyutping cou3 peng4

(3) 槽猪mandarim pīnyīn: cáo zhū; – cantonense jyutping: cou4 zyu1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 145

O numeroso público que se deslocou, nos dias 8 e 9 de Setembro de 1951, ao campo desportivo da Praia Grande, teve oportunidade de assistir a dois bons desafios de futebol em miniatura, que foram renhidamente disputados, empatando, no primeiro, as selecções de Macau e Hong Kong por 2 a 2 e saindo vencedora do segundo, a selecção militar de Mcau, que derrotou a selecção de Hong Kong, por 2 a 0.

As selecções de Hong Kong e de Macau com os seus dirigentes.
A selecção militar de Macau e a equipa de Hong Kong

Extraído de «Mosaico», III- 14 de OUT de 1951

Em benefício da Lutuosa dos Correios, Telégrafos e Telefones, realizou-se em 29 de Agosto, com grande êxito desportivo e financeiro, um interessante desafio de futebol em miniatura, entre o grupo Negro-Rubro  e uma forte selecção chinesa, que perdeu por 0 a 2. (1)

O Encarregado do Governo, Aires Pinto Ribeiro cumprimentando os jogadores
A tribuna de honra

(1) Extraído de «MOSAICO», VOL III -14 de Outubro de 1951

TÁN FÁ T´ÓNG – 蛋花湯 (1) – Calda de ovos

Pelo facto deste caldo não conter pedaços de carne, o termo tán fá t´ông é empregado para se referir a um indivíduo balofo que não tem cultura nem conhecimentos

TÁN TÁT – 蛋撻 (2) – Pasteis de nata

Os janotas que se vestem à europeia e no rigor da moda mas exageradamente são comparados aos pastéis de nata.

TÁN LIU T´ÔNG POU – 單料銅㷛 (3) – Caçarola de cobre de uma só chapa

As caçarolas feitas com uma chapa de cobre delgada embora fervam rapidamente a água são no entanto mais frágeis que as de chapa reforçada, isto é, as séong liu t´ông pou 雙料銅㷛. (4) Este termo é empregado para se referir ao indivíduo que facilmente se torna íntimo dos outros mas cuja amizade não é resistente, estalando logo que surja a mais pequena contrariedade.

(1) 蛋花湯 mandarim pīnyīn: dàn huā tāng  ;  cantonense jyutping: daan2 faa1 tong1 (2) 蛋撻 – mandarim pīnyīn: dàn tà;  cantonense jyutping: daan2 taat3 (3) 單料銅㷛mandarim pīnyīn: dān liào tóng bou ;  cantonense jyutping: daan1 liu2 tung4 bou1 (4) 雙料銅㷛 – mandarim pīnyīn: shuāng liào tóng bou ;  cantonense jyutping: soeng1liu2 tung4 bou1

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro/Dezembro de 1952, p. 136

Na tarde de 21 de Julho de 1951, no campo dos operários (pelado) (1) defrontaram-se os primeiros classificados do campeonato militar e do campeonato civil de futebol em miniatura, (2) saindo vencedor o grupo civil Leng Yee, que derrotou o adversário por 2-0

O grupo Leng Yee com a taça que ganhou
O capitão do grupo Leng Yee recebendo a taçadas mãos do sr. Ung Tchek  Ii, representante da Associação dos Cambistas Chineses, doadora da taça

Extraído de “Mosaico”, II-1 de Agosto de 1951

(1) Lugar actualmente ocupado pelo Hotel Grand Lisboa.

“Associação de Futebol em Miniatura de Macau (AFMM) – grande regozijo a notícia do despacho do Governador cedência dum terreno nos aterros da Praia Grande para a construção dum campo para a prática de futebol em miniatura” (3)

(2) Os Estatutos do Futebol em Miniatura (vulgo Bolinha) foram aprovados em 06-11-1943 – Portaria n.º 3251 (posteriormente foram actualizados a 08-05-1963, Portaria n.º 7:245, data em que o nº de equipas inscritas eram mais de 25) (4)

A.F.M.M. inaugurou a sua nova sede bem como o campo de jogos na Praia Grande a 29-08-1953, e iniciou o Campeonato de Bolinha, no dia 1 de Setembro, de 1953, o qual foi precedido dum festival desportivo de inauguração do campo de jogos e abertura do Campeonato de Macau. Inscreveram 24 grupos, 12 portugueses e 12 chineses, os quais disputaram a prova divididos em três séries diferentes. Os três primeiros classificados de cada série disputaram entre si o título de campeão, numa «poule final». O magnífico troféu posto à disputa intitulava-se “Taça Governador Joaquim Marques Esparteiro.” (3)

(3) «Macau Boletim Informativo», Ano I, n.º 2, 31 de Agosto de 1953, p. 13)

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 277).

LOU KÔI T´ÓNG UN老舉湯丸 (1) – Massa em calda de prostitutas

São umas bolazinhas feitas com farinha de arroz glutinoso servidas em caldo doce, muito brancas, luzidias e escorregadias e de muito agrado das prostitutas. Por isso este termo é empregado para se referir a guapos moços, muito branquinhos e bonitinhos que servem de chulos às mulheres de má vida. (2 )

LOU FU HÁI老 虎 蟹 (3) – Caranguejo-tigre

Esta espécie de crustáceo não se encontra na fauna local.

Diz a lenda chinesa que é na Samatra que existe tal animal cujot amanho é igual ao duma larga cesta com a carapaça malhada, tendo boca e nariz, portanto, muito semelhante à cabeça de um tigre não sendo, porém um animal carnívoro. A carne deste animal é extremamente desagradável ao paladar, sendo  de cor verde, quando crua, e amarela, depois de cozida.

Quanto ao termo lou-fu-hái, na acepção com que é empregado na gíria teve a sua origem em Cantão, no tempo da dinastia Tch´eng, 淸 (4) quando as autoridades podiam exercer livre e impunemente o seu despotismo, extorquindo o que bem quisessem dos indefesos cidadãos, sendo, portanto, empregado para designar um indivíduo autoritário, déspota e de génio irrascível. (2)

(1) 老舉湯丸mandarim pīnyīn: lǎo jǔ tāng wán ;  cantonense jyutping: lou5 geoi2 tong1jyun2

(2) Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-21/22 de Maio e Junho de 1952, p. 170

(3) 老虎蟹mandarim pīnyīn: lǎo hǔ xiè;  cantonense jyutping: lou5 fu2 haai5

(4) mandarim pīnyīn: qīng; cantonense jyutping: cing1

Dinastia Qing (oficialmente 大清 – Grande Qing) (1636-1912) – última dinastia imperial chinesa depois da dinastia Ming e antes da Republica Chinesa.

NGÂU NÁI LÈONG KOU牛奶涼糕 (1) – Gelatina de elite

Expressão usada para se referir a uma rapariga branca e gorducha (2)

NGÂU TCH´Ó HÓ牛炒河 (3) – Vaca virada ao lume com massa de farinha

A hó-fan (4) é uma massa feita com farinha de arroz cortada às tiras. A expressão ngâu-tch´âu-hó traduzida literalmente significa “o boi virado ao lume com massa de farinha”. Portanto, nos restaurantes não convém pedir aos criados ngâu-tch`âu-hó, mas sim tch´ói-tch`âu-hó   菜炒河 (5) a fim de os mesmos não julgarem que os estão insultando, chamando-lhes bois. (2)

(1) 奶涼糕mandarim pīnyīn: niú nǎi liáng gāo ; cantonense jyutping: ngau4 naai1 loeng4 gou1

(2)Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 474-475

(3) 牛炒河mandarim pīnyīn: niú chǎo hé; cantonense jyutping: ngau4 caau2 ho4 

(4) 河粉mandarim pīnyīn: hé fěn; cantonense jyutping: ho4 fan2.

Também conhecida por sha he fan 沙河粉

(5) 菜炒河mandarim pīnyīn: cài chǎo hé;  cantonense jyutping: coi3 caau2 ho4

O pessoal dos Serviços de Saúde, ofereceu, no dia 31 de Maio de 1952, um jantar de despedida, no Hotel Boa Vista, ao Dr. Fernando Tomás Gonçalves, médico dos referidos serviços.

O Dr. Aires Pinto Ribeiro, Chefe dos Serviços de Saúde, no uso da palavra
O Dr. Aires dos Santos Brígido enaltecendo as qualidades do homenageado Fotos extraídos de «Mosaico», IV-21-22 de Maio e Junho, 1952

Dr. Fernando Tomás Gonçalves (1915 – ?) foi nomeado médico de 2.ª classe do quadro médico comum e colocado em Mcau por portaria ministerial de 24 de Novembro de 1947. Apresentou-se na Repartição Central dos Serviços de Saúde de Macau em 26 de Junho de 1948, onde tomou posse na mesma data. Por portaria de 7 de Julho de 1948 foi nomeado adjunto do Delegado de Saúde de Macau e Ilhas e por portaria de 22 de Junho de 1949 foi nomeado Delegado de Saúde, tendo sido exonerado deste cargo a 3 de Março de 1950, por se ter apresentado o médico de 1.ª classe Dr. João Albino Cabral. Nessa data, passou a ser adjunto do Delegado de Saúde, cargo que exerceu até acabar a comissão, embora com alguns períodos noutras funções como médico analista dos Serviços de Saúde (1951-1952) aquando da ausência do titular, o Dr. Reinaldo da Silva Sousa Vieira. Foi louvado por ter exercido pela competência, dedicação e probidade as funções de director substituto do Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Central Conde de S. Januário em 2 de Janeiro de 1952

Representou Macau (juntamente com os Drs. Aires Pinto Ribeiro e José Marcos Batalha) no Primeiro Congresso Nacional de Medicina Tropical, realizado em Lisboa, de 24 a 29 de Abril de 1952.

Embarcou em 5 de Junho de 1952 com destino a Moçambique, para onde foi transferido. (referências biográficas recolhidas de TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998, pp. 380-381).