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Tông Kuá Tchông  – 冬瓜盅 (1)

É um prato de cozinha chinesa, entre nós conhecido por cabeça de bonzo. É uma corcubitácea (2) recheada com caldo, no qual se encontram misturados pedaços de carne, de pato fresco, de pato salgado, cogumelos, cevada, etc. Em chinês ao indivíduo que é traído pela sua mulher, se diz tái lôk môu (usa chapéu verde) (3).  Como a casca desta corcubitácia é verde este termo é também empregado para se referir a um marido que é traído pela sua mulher.
GOMES, Luís Gonzaga in «Mosaico», 1952.
(1) 冬瓜盅mandarim pīnyīn: dōng guā zhōng; cantonense jyutping: dung1  gwaa1 zung melão cucumber + inverno + tigela
A foto foi retirada de:
http://www.daydaycook.com/daydaycook/hk/website/recipe/details.do?id=25941
(2) Cucurbitaceae é uma família de plantas eudicotiledôneas fabídeas, de haste rastejante, rupícolas ou terrícolas, frequentemente com gavinhas de sustentação, que reúne cerca de mil espécies entre as quais várias domesticadas e de grande importância econômica tais como abóbora, melão, melancia, bucha, cabaça (cuia), abobrinha, pepino, etc. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cucurbitaceae)
(3) 戴  绿 帽  mandarim pīnyīn: dài lǜ mào; cantonense jyutping: daai3 luk6 mou6

Título e artigo retirado duma rubrica que Luís Gonzaga Gomes manteve durante alguns números da revista «Mosaico» de 1952.
Kuó-Ká-Máu – 過家 – Gatas que atravessam as ruas
É termo que se emprega para se referir às mulheres que não param em casa, e, por isso, vivem quase que exclusivamente na rua, passando o dia a visitar a casa desta e daquela, em constante prática de bisbilhotice, conhecendo assim a vida particular de toda a gente.

Lêong-Fân –涼粉 – Farinha fresca
É uma geleia feita com farinha de coquinhos (castanhas aquáticas) e apresenta-se com cor negra e com o formato do alguidar que lhe serviu de forma. Esta geleia, vendida só no Verão, é servida em malgas, aos bocados ou ralada, com calda de açúcar e, apesar de por este facto ser muito doce, deixa, no entanto, um travo especial na boca.
Ora, na China (antiga) as criadas de servir costumavam andar vestidas de tch´áu preto e, por isso, se lhe referiam geralmente como membros da hák-i-tui (grupo de trajos negros). E, assim, a situação embaraçosa criada pelos patrões que mantiveram relações ilícitas com as suas servas é comparada à geleia lêong-fân, tão agradável ao paladar na ocasião em que é saboreada, mas cujo travo fina, isto é, as consequências, se não pode escapar.
mandarim pīnyīn: guō jiā māo; cantonense jyutping : gwo1 gaa1 maau1
涼粉mandarim pīnyīn: liáng fěn; cantonense jyutping : loeng4 fan2

O conhecido pintor chinês, Pao Sio Lao, promoveu no Hotel Riviera , de 28 a 31 de Outubro de 1950, uma exposição dos seus quadros, cuja inauguração foi feita pelo governador, Comandante Albano de Oliveira.
O renome deste artista, fundador e director do Colégio das Belas Artes de Hong Kong, foi atractivo bastante para a exposição, que esteve largamente concorrida, sobretudo por nela se encontrarem trabalhos de arte chinesa e europeia. – H. A.” (1)
(1) Extraído do artigo de Hernâni Anjos e fotos de Chun Kwong publicados em «MOSAICO», I-3, 1950.

Realizou-se neste dia de 22 de Outubro de 1950, no Teatro D. Pedro V, um concerto de canto e piano, cuja receita se destinava a constituir fundos para a construção do Colégio D. Bosco.
Além do fim caritativo de espectáculo, atraiu o público o facto de se verem reunidos dois artistas bastante apreciados nesta cidade e em Hong Kong, a cantora Lígia Pinto Ribeiro e o Professor Harry Ore (1)
O programa compunha-se de 3 partes, sendo a primeira preenchida com canções em italiano, música de Mozart, Scarlati e Vivaldi, a segunda de “lieder” de Schubert e a terceira de canções portuguesas de Aires Ribeiro, Cláudio Carneiro, Armando José Fernandes e Artur Santos.
Cada parte era precedida de 2 solos pelo pianista, que interpretou Beethoven, Mozart (a transcrição para piano das “Variações em Ré Menor”, de Mozart constituiu uma bela peça de concerto),  dois arranjos Paganini-Schumann e Paganini-Liszt, Viana da Mota e Grainger.
Da parte de canto das peças cantadas em italiano, destacaram-se  um trecho das “Bodas de Fígaro”, entre os “lieder” de Schubert, a interpretação em “Erlkonig”e entre as canções portuguesas, as interpretações de “Canário lindo” de Cláudio Carneiro, “Senhora do Almurtão” de Artur Santos e as canções de Aires Pinto Ribeiro “Altos montes, verdes campos”, “Cantiga do amor sozinho” e “Cantiga de embalar”.
(1) Ver anteriores referências dste distinto pianista em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/harry-ore/
(2) Cláudio Carneyro foi um compositor português (1895 – 1963). Aluno de Paul Dukas, escreveu algumas das melhores obras do reportório vocal português do século XX. Foi também diretor do Conservatório de Música do Porto.
Biografia em:
http://www.mic.pt/dispatcher?where=0&what=2&show=0&pessoa_id=141&lang=PT&site=ic
(3) Armando José Fernandes 1906 — 1983) foi um compositor português, dos mais representativos da música do século XX português, no movimento modernista. Pianista e autor de música de câmara a partir de 1943 (data de uma sonata para violoncelo e piano, com dedicatória a Madalena de Sá e Costa), de um  concerto para violino e orquestra e de numerosas obras para piano. A sua obra, de carácter intimista, é pontuada esporadicamente por passagens que exigem grande virtuosismo.
Biografia em:
http://web.tecnico.ulisboa.pt/mcasquilho/acad/Portugal/AJFernandes_ClassicalComposersDatabase.pdf 
4) O compositor Artur Santos, (1914-1987)que foi também professor no Conservatório Nacional, em  Lisboa, desenvolveu várias pesquisas no âmbito da música tradicional portuguesa, tendo pautado toda a sua vida por uma absoluta discrição, que se adensou após a morte da mulher, em 1969, que era “o grande auxiliar dele” no trabalho.
Biografia em
http://www.mic.pt/dispatcher?where=0&what=2&site=ic&show=0&pessoa_id=383&lang=PT
Extraído do artigo de M. Pimentel Bastos e fotos de Chan Kuong de «MOSAICO», VOL I, n.º 3 de Novembro de 1950.

Na noite de 11 de Outubro de 1950, no Teatro D. Pedro V, incluído no Ciclo de Concertos da cantora macaense Maria Margarida Gomes, (1) o Círculo Cultural de Macau (C. C. M.) organizou o segundo recital, (2) este dedicado a Schubert. (3) Colaborou neste concerto a pianista Maria Amália de Carvalho e Rego (4) que, pela primeira vez tomou parte de um programa do Círculo Cultural de Macau.
O programa foi dividido em 4 grupos de 3 “lieder”, sendo estes escolhidos com a intenção de mostrar a evolução sentimental do Autor, desde a época das ingénuas composições de sabor lírico até ao tempo das obras dramáticas, revelando as suas desilusões e o seu sentido da proximidade do fim.
No intervalo de cada um dos grupos de “lieder”, Luís Gonzaga Gomes, chefe da secção musical do C. C. M. proferiu alguns comentários técnicos e biográficos sobre Schubert e a sua obra, que revelaram profundos conhecimentos de musicista e uma facilidade de expressão digna de relevo.” (5)
Este acontecimento cultural foi também noticiado no «Boletim Geral das Colónias» (6) acompanhado com duas fotos.
(1) Maria Margarida de Alacqoque Gomes, irmã de Luis Gonzaga Gomes, estudou canto e piano no «Trinity College» de Londres e é autora do livro «A Cozinha Macaense» (7)
(2) O primeiro recital foi realizado no dia 16 de Setembro de 1950 aquando da primeira apresentação pública do Circulo Cultural de Macau (após a tomada de posse no dia 1 de Setembro dos Corpos Gerentes dos fundadores do Círculo Cultural). Nesta apresentação também realizada no Teatro D. Pedro V, constava de uma conferência de Hernâni Anjos sob o tema: “Afinidades Transitórias: do simbolismo português – Camilo Pessanha – ao Romantismo alemão – Henrique Heine (estudo retrospectivo” e de um recital dedicado a “Schumann” cantada por Maria Gomes.
(3) Franz Schubert por Wilhelm August Rieder,
Óleo pintura, após aguarela em 1875.
Franz Peter Schuber (1797-1828) , compositor austríaco do fim da era clássica, escreveu cerca de seiscentas canções (o “lied” alemão) bem como óperas, sinfonias, e sonatas.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Schubert
(4)Maria Amália de Carvalho e Rego, “pianista sobejamente conhecida e apreciada pelo público de Macau e Hong Kong, onde tem actuado várias vezes, sempre com geral agrado “ (segundo a mesma revista) (5), é filha de Francisco Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego, já citado em anteriores postagens (8)
(5) Extraído de «Mosaico», I-3, 1950.
(6) Extraído de «BGC» XXVI–306, 1950.
(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/maria-margarida-gomes/
(8) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-de-carvalho-e-rego/

No dia 27 de Setembro de 1950, efectuou-se no Campo Desportivo 28 de Maio, um festival organizado pelas colectividades (recém criadas nessa data) Sporting Clube de Macau e Sport Benfica e Macau. A festa, que foi patrocinada por uma Comissão de Honra, composta das entidades mais representativas da Colónia e presidida pelo governador, Comandante Albano Rodrigues de Oliveira., compôs-se de três partes.
Na primeira jogou-se um desafio de futebol entre o Sporting e o Benfica que fizeram a primeira apresentação em público. O jogo terminou empatado a uma bola.

O obstáculo menos agradável: a prancha

A 2.ª parte foi constituída por uma prova de gincana – automóvel. Entre os 17 concorrentes foi vencedor o par Dr. Gustavo Nolasco da Silva e Maria Teresa Ribeiro, representando o Automóvel Clube de Portugal, o qual gastou na prova o tempo “record” de 4m09s.

Outro obstáculo: a cancela e o bode.

Por último, procedeu-se à distribuição de prémios aos capitães das equipas, jogadores e vencedores da gincana
Extraído de «Mosaico» I-2,  Outubro de 1950.

Este acontecimento foi também noticiado, em Portugal, no «BGC», de Novembro de 1950.

Quatro quadros fotografados por José Neves Catela (1) e publicados na revista «Mosaico» (2) São (eram?) aguarelas pintadas pelo 2.º sargento de Infantaria, Eduardo de Gouveia, que estavam expostas e a ornamentar uma das salas do Aquartelamento das Barracas Metálicas de Mong Há em 1950, na altura, comandado pelo major José Joaquim da Silva e Costa.
(1) Sobre este fotógrafo ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-neves-catela/
(2) Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/mosaico-circulo-cultural-de-macau/