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D. Lígia Pinto Ribeiro cantando no Teatro D. Pedro V

Realizou-se na noite de 14 de Abril de 1952, um concerto, no Teatro D. Pedro V, em benefício do Colégio D. Bosco de Artes e Ofícios, promovido pela senhora Lígia Pinto Ribeiro, (1) esposa do Dr. Aires Pinto Ribeiro, ilustre Chefe de Serviços de Saúde. (2) Acompanhou-a ao piano, o professor Harry Ore. (3)

O professor Harry Ore, na execução de um dos números do seu programa

A Sra. D. Lígia Pinto Ribeiro recebendo cestos e ramalhetes de flores das mãos dos alunos do Colégio D. Bosco

Os lugares de honra, no Teatro D. Pedro V, ocupados pelas altas individualidades da província

Fotos extraídos de «MOSAICO», IV-21/22 de Maio e Junho de 1952

(1) Lígia Edmunda de Morais Correia de Sá Pinto Ribeiro – ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ligia-pinto-ribeiro/

(2) Dr. Aires Pinto Ribeiro (1899) – Formado em Medicina pela Universidade do Porto, praticou nos hospitais do Porto, nomeado em 1925 médico do Quadro de Saúde Moçambique, onde esteve em diversas funções médicas até 1948, quando foi transferido para Macau para exercer o lugar de Chefe da Repartição Central dos Serviços de Saúde (4 de Maio de 1948). Em 1950 nomeado vice-presidente do Conselho do Governo e em 1951, tomou posse do cargo de Encarregado do Governo (18 de Abril até 23 de Novembro de 1951, data da chegada do Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro (1951-1957). Em 15 de Abril de 1955, nomeado Inspector Superior da Saúde do Ultramar pelo que deixou a chefia da Repartição Provincial dos Serviços de Saúde e Higiene de Macau, em 31 de Julho, seguindo para Portugal a 1 de Agosto. Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aires-pinto-ribeiro/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/harry-ore/

Para encerramento da época, realizaram-se, no dia 4 de Abril de 1952, no campo de Tap Seac, dois encontros de hóquei em campo entre as equipas A e B do Hockey Club de Macau e duas selecções da vizinha colónia de Hong Kong. A equipa B derrotou a selecção paquistanesa de Hong Kong por 5 a 3 e a equipa A de Macau perdeu, por 0 a 2, contra a Selecção de Kowloon (1)

As equipas paquistanesa de Hong Kong (camisola ás riscas horizontais) e a do Hockey Club de Macau B. (camisola escura). Ao fundo, a Escola Primária Ofcial Pedro Nolasco da Silva

Reconheço alguns dos jogadores macaenses: Amadeu Cordeiro, Fernando Nascimento, Dr. João dos Santos Ferreira, Eng. Humberto Rodrigues, (Rogério?) Lopes e (Mário Aureliano ?) Robarts,

A selecção de Kowloon que derrotou a equipa A do Hockey Club de Macau

O Hockey Club de Macau manteve nesta época desportiva (1951/52), vários encontros com equipas de Hong Kong (04-11-1951 com os Argonautas de HK; 6 e 7 -10-1951 com o Clube Recreio de HK; 16-12-1951 com o grupo Thunderbolts de HK; 06-01-1952 oficiais do exército britânico de HK; 14-01-1952 com “British Army” de HK. Em 28-01-1952, realizou-se o Interport (intercidades) do qual saíram vencedores as equipas de Macau. quer a equipa A que ganhou por 3 a 1 quer a equipa B que ganhou por 2 a 1. O treinador era o Dr. João dos Santos Ferreira

A Direcção do Hóckey (Oquei) Club de Macau em 1951/52: Presidente – António Emílio Rodrigues da Silva; Secretário – Engenheiro Humberto Rodrigues; Tesoureiro- Herculano Silvânio da Rocha; Vogais- FrPero Hydederico Nolasco da Silva e Pedro Hyndman Lobo

(1) Texto e fotos extraídos de «Mosaico», IV-21/22 de Maio e Junho de 1952,

TCHÔI MÁU醉貓 (1) – Gato embriagado

É o termo comunmente empregado para designar um ébrio

TCHÔI TCHÜ災豬 (2) – Porco calamitoso

É o nome dum petisco feito com toucinho de porco sendo este termo empregado para se referir aos dorminhocos.

TCH´ÔI SIU吹簫 (3) Soprar a flauta

É o termo que, na gíria, se empregar se referir a um indivíduo que está entretido a mastigar uma vara da cana de açúcar.

(1) 醉貓mandarim pīnyīn: zuì māo; cantonense jyutping: zeoi3 maau1

(2)災豬 mandarim pīnyīn: zāi zhū ; cantonense jyutping: zoi1 zyu1

(3) 吹簫 mandarim pīnyīn: chuī xiāo; cantonense jyutping: ceoi1 siu1 – Flauta de bambu vertical

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 144.

Conferência de Hernâni Anjos, (1) intitulada “Grandeza e Servidões de Macau Moderna”, na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 17 de Março de 1952, cujo texto foi posteriormente publicado na revista «Mosaico» (2)

Esta conferência teve a participação, a convite do autor, do poeta Álvaro Leitão (também regressado de Macau) que aceitou ilustrar o trabalho com a recitação dalguns poemas seus sobre Macau e a leitura doutros poemas sobre o mesmo assunto, mas não da sua autoria. E assim ouvido, pela boca de Álvaro Leitão, (3) a declamação dos seus poemas “Romance de ver chegar” que é afinal o “próprio romance da chegada a Macau de todos os refugiados que já por tradição conhecem o seu ilimitado altruísmo” (pp. 91-92), o soneto “Seio da Paz” (p. 93), e “Romance do contrabandista morto” (p. 103).

Álvaro Leitão leu “Visão de Macau, de Sebastião Marques Pinto (p. 97) (3) e “Noite Cadente” de Pimentel Bastos (p. 98) (4)

Um pequeno extracto da conferência: “… É certo que eles (chineses) ainda hoje nos chamam “sai-ièong-quai” (diabos estrangeiros), mas esses pequenos “mimos” não são mais do que inofensivos e ingénuas résteas duma tradição secular, hoje já sem sentido e significado algum. Assim mo garantiu, em termos cuja sinceridade não deixava dúvidas, uma senhora da melhor sociedade chinesa que um dia convidei para dançar. A orquestra tina ensaiado os primeiros acordes do Danúbio Azul. E eu, que muito aprecio a dança e s dançarinas chinesas, que o sabem ser como as melhores, logo convidei a aludida senhora para dançar comigo. Ou por usar a saia da cabaia muito travadinha ou porque não morresse pela valsa, a gentil senhora sorriu, ergueu-se da cadeira onde estava sentada mas, ao encaminhar-se para mim, não pode deixar de virar a cabeça para o lado onde estava uma sua amiga e fazer o seguinte comentário, em chinês é claro, mas sem lhe passar pela cabecinha que eu a estava percebendo: – Estes “sai-ièong-quai” (diabos do ocidente) muito gostam de dançar a valsa! Eu cá não gosto disto!

Eu fiz de conta que não percebera. A senhora tinha-me sido apresentada, momentos antes e, pobre dela, nem sonhara tão pouco como havia sido inconveniente. Começámos então a dançar, mudos, até que ela, cujo forte não era precisamente a valsa me preguntou em inglês: – Então, gosta de viver em Macau? E eu, logo a seguir, mas em chinês: – Muito! Macau é uma terra muito bonita!

Não posso descrever a reacção da senhora, por duas razões: em primeiro lugar porque não estava olhando bem para ela; e em segundo lugar porque, ainda que a estivesse vendo bem de frente, o resultado devia ser o mesmo porque ela, como boa chinesa que era, devia ter ficado fisionomicamente imperturbável. Não responde nada e parecia ter amuado. Mão não. No fundo era uma sentimental, uma criaturinha muito simpática e muito alegre. E no meio de mútua risota e alegria, daí a segundos logo eu declarava que tinha perfeitamente percebido o seu aparte para a sua amiga, com que ela muito riu, mas que só não percebia – acrescentei eu porque é que os chineses ainda nos haviam de chamar “sai-ièong-quai” e “fá-quai” . Foi então que ela me assegurou, o mais seriamente possível, que esse tratamento não passava já modernamente duma simples tradição, um hábito disparatado, sem qualquer significado especial. (…)  (pp. 95-96)

O autor terminou a conferência com a declamação do seu soneto “Gota de Água” que o mesmo escreveu ainda em Macau e com que dela publicamente se despediu aos microfones da Rádio Clube de Macau (p. 107).

NOTA: os autores citados (tenente Hernâni Anjos, alferes Sebastião Marques Pinto, tenente Álvaro Leitão e capitão Manuel Maria Pimentel Bastos)  foram militares oficiais (expedicionários) que estiveram em Macau nos princípios da década de 50 e sócios fundadores da revista «Mosaico» (6),

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hernani-anjos/

(2) «Mosaico», V-27/28, Novembro/Dezembro de 1952, pp.85-107

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alvaro-leitao/

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sebastiao-marques-pinto/

(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-m-pimentel-bastos/

(6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/29/leitura-revista-mosaico-primeiro-numero-em-setembro-de-1950/

TCHÉONG AP醬 鴨  (1) – Pato feito com uma pasta de feijão

Este termo é empregado para se referir ao indivíduo que apanhou um trambolhão e ficou todo enlameado

TCH´EONG  SÁM長 杉 (2) Cabaia comprida

A cabaia comprida é o traje de cerimónia dos chineses que vestem por cima dela um colete chamado má-kuá, 馬褂 (3) quando pretendem apresentar-se a rigor.

(1)    mandarim pīnyīn: jiàng yā; cantonense jyutping: zoeng3aap3

(2) mandarim pīnyīn: cháng shān, ; cantonense jyutping: coeng4 caam3

(3) mandarim pīnyīn: mǎ guà ; cantonense jyutping: maa5gwaa3

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141.

Tcheng Tch´ói – 正菜 (1) – Brassica campestris, hortaliça genuína

É uma espécie de hortaliça salmourada e seca que entra frequentemente na preparação de caldos e na confeção de picados e recheios de bolos salgados. A palavra tcheng 正significa direito ou recto, portanto, este termo é aplicado a um indivíduo sério, isto é, que não é brejeiro. (2)

Mais conhecida como repolho chinês (brassica rapa, subespécie: pekinensis) muito utilizado na cozinha chinesa. (3)

Tcheng  Uân T´ân – 淨雲吞- (4) – Raviois simples

Os uân-t`ân 雲吞são picados de camarões envolvidos em delgada folha de massa, sendo geralmente servidos com o min 麵 (Macarrão), para se fazerem conhecidas e afamadas sopas de fitas. Dizem que o segredo da confecção dos uân-t´ân e do min foram revelados aos europeus, por Marco Polo, quando regressou da sua afamada viagem à China, transformando-se os min nos célebres macarrone e os uân-t´ân nos saborosos ravioli.(2)

淨雲吞 (5)

(1) – mandarim pīnyīn: zhēng  cài; cantonense jyutping: zeng3 coi3

(2)Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141.

(3) https://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_cabbage

(4) 淨雲吞 mandarim pīnyīn: jìng yún tūn;  cantonense jyutping: zeng6 wan4 tan1

(5) Retirado de:  https://learning.hku.hk/ccch9051/group-21/items/show/25

Tcheng Leng U蒸鯪鱼 (1) – Sável cozido a banho-maria

O sável é um dos peixes mais apreciados que se encontram nas águas dos rios chineses. Embora a sua carne seja saborosíssima, quando se come este peixe, é preciso ter o máximo cuidado coma extrema abundância das suas espinhas. Por este motivo, tal termo é empregado, para dizer que as criadas de servir, que se tornaram amantes dos seus patrões, dão-lhes tantos trabalhos como as espinhas do peixe sável, sendo, portanto, necessário o máximo cuidado para evitar as complicações que elas lhes poderão causar. (2)

Tcheng Pèang蒸餅 (3) – Bolinho Cozido

É uma espécie de bolinho que servem nas casas de chá, sendo feito com arroz glutinoso. Este termo é empregado para se referir aos parasitas, pois o arroz glutinoso é extremamente aderente. (2)

(1) 蒸鯪mandarim pīnyīn: zhēng líng yú : cantonense jyutping: zing1 leng4 jyu4

(2) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141

(3) 蒸餅 mandarim pīnyīn: zhēng bǐng: cantonense jyutping: zing1 bing2

Extraído da p. 8 do semanário “A Província“ de Montijo I-3 de de 17 de Março de 1955 (1)

Álvaro Borges Leitão”, autor de dois livros publicados em Macau: “Se Até o Fumo Sobe”, e “Passagem”, expedicionário (tenente) adaptou-se bem à vida de Macau, tornando-se um animador do movimento literário da geração de 50. “ (2)

Sócio fundador do «Círculo Cultural de Macau», e membro vogal do Conselho Fiscal, participou no dia 16 de Setembro de 1950, no Teatro D. Pedro V, numa conferência-recital, integrada no plano de conferências para a 1.ª temporada. (3) Colaborador da revista «Mosaico»

Uma das “Três Canções” da sua autoria, publicada no «Mosaico» Vol I – n.º 5 Janeiro de 1951 pp.562 e no «O Clarim» em 1951.

(1)

(2) REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992, pp. 269 e 276

(3) nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alvaro-leitao/    

TCH´ÁU FU TCH´I   炒扶翅 (1) – Rins ou moelas viradas ao lume

É termo empregado pelos ratoneiros para se referirem aos relógios e cadeias de ouro roubados. A palavra tch´áu é aqui empregada em substituição da que significa “roubo” e fu- tch´i, para substituir as palavras “relógio” e “cadeia de ouro”

TCH´ÁU NGÂU TCHÁP炒牛雜 (2) – Carne de vaca misturada e voltada ao tacho.

É um prato feito com pedacinhos de carne de vaca misturados com variados condutos. Por ser um prato reles feito com misturas, este termo é empregado para se referir às prostitutas ordinárias.

TCH´ÁU PÁK KÁP NGÂN炒白鴿眼 (3) – Olhos de pombos virados ao tacho

Termo que se emprega para significar que se olha com desprezo, para as pessoas humildes.

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 140.

(1) 炒扶mandarim pīnyīn: chǎo fú chì; cantonense jyutping: caau2 fu4 ci3

(2) 炒牛雜mandarim pīnyīn: chǎo niú zá  ; cantonense jyutping: caau2 ngau4 zaap6

(3) 炒白鴿眼mandarim pīnyīn: chǎo bái gē yǎn; cantonense jyutping: caau2 baak6 gaap3 ngaan5

TCH´ÁU HÁ炒 蝦 (2) – Camarão grelhado

É termo insultuosamente pornográfico mas de uso comum entre os chineses. (1)

TCH´ÁU KUÂI TÁN炒龜蛋 (3) Ovos de tartaruga virados ao tacho

Termo que se emprega paras e referir a pessoas velhacas e que recorre a expedientes ilícitos e imorais para conseguirem os seus fins. (1)

TCH´ÁU LÓNG SÂM炒狼心  (4) – Virar ao lume o coração dum lobo

Este termo significa a prática de qualquer acção feita com requintes de crueldade, ou um indivíduo de maus instintos. (1)

(1) Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 139

(2) mandarim pīnyīn: chǎo xiā; cantonense jyutping: caau2 haa1

(3) mandarim pīnyīn: chǎo  guī dàn; cantonense jyutping: caau2 gwai1 daan6

(4) mandarim pīnyīn: chǎo láng xīn; cantonense jyutping: caau2 long4 sam1