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MBI III-71 1956 Monumento ColoaneMonumento erigido em Coloane à memória dos que tomaram parte nos combates contra os piratas, vendo-se ao fundo a capela de S. Francisco Xavier, orago daquela ilha

MBI III-70 1956 Monumento da VitóriaMonumento comemorativo da vitória sobre os holandeses, em 24 de Junho de 1622 

No dia 14 de Dezembro de 1902, com 91 anos, faleceu em Macau o Comendador Lourenço Marques. (1) Um dos traços perene da sua passagem pela vida é o Monumento da Vitória (contra os holandeses, 1622), que mandou erguer. Quando Procurador dos Negócios Sínicos e membro do Conselho do Governo, mandou colocar letreiros com os nomes das ruas e os números das casas (já o Governador Ferreira do Amaral, em 23-II-1847, havia mandado dar o nome às ruas e números das casas; propôs que criassem as fontes de rendimentos nas ilhas da Taipa e Coloane que não o tinham). A ele se deve a indicação, por meio de sinais o incêndio e a aproximação de tufões, por sinais públicos, de tufão próximo. A 1.ª iluminação pública de Macau foi da sua iniciativa, fazendo colocar à sua custa – lanternas à frente do Leal Senado e do Palácio do Governo – foi da sua iniciativa e à sua custa. Foi também Procurador do Senado e seu Presidente (1871-72). Foi ele ainda que, igualmente à sua custa, mandou fundir em bronze, no Arsenal de Lisboa, o busto do poeta português Luiz de Camões 1866, para depois o colocar na gruta onde hoje o vemos.
SILVA, Beatriz Basto e – Cronologia da História de Macau, 4.º Volume.

Jardim de Camões AGU c.1950

Jardim de Camões c. 1950

Outros cargos exercidos e contribuições para o benefício da cidade realizadas pelo Comendador:
1839 – Juiz almotacel do Leal Senado da Câmara.
1846 – Juiz substituto de paz das freguesias da Sé e de S.º António; 13 de Dezembro – procurador da Câmara. Cooperou neste ano na formação do Batalhão Provisório de Macau oferecendo ele a bandeira a esse corpo. Em 1847 era Tenente da segunda Companhia; Capitão da mesma companhia em 1850 e mandou construir uma barraca para o aquartelamento da 2.ª companhia de que era capitão das tropas.
1847 – Como membro do Conselho do Governo e Procurador dos Negócios Sínicos, mandou iluminar a cidade e numerar as casas e por nomes às ruas.
Fez parte de uma comissão (2) com o fim de promover uma subscrição voluntaria para levar a efeito um plano de educação, fundo com que se organizou a Escola Principal de Instrução Primária inaugurada em 16 de Junho de 1847. Ofereceu a esta Escola o mobiliário.
1851-1856 e de 1859-a 1861 – Procurador do Leal Senado.
No desastroso incêndio do Bazar em 1856 vendo que na cidade não havia bombas nem bombeiros em estado de poderem funcionar, solicitou-as ao almirante Guerin, e este prontamente mandou três acompanhadas de uma força de 300 homens desembarcados dos vasos de guerra «Glorie», «Ergon» e «Constantine» e devido a tão valioso auxílio é que se conseguiu extinguir esse pavoroso incêndio.
Foi sua iniciativa mandar retirar do fundo do porto da Taipa o casco da fragata «D. Maria II» e algum tesouro, tendo sido o casco vendido por algumas mil patacas em benefício do erário público
1864 – Propôs que se erigisse o Monumento da Vitória e inaugurou-a como Presidente do Leal Senado em 26 de Março de 1871.
1862 – Comendador da Ordem de Cristo a 30 de Janeiro.
1865 – Vice-presidente do Leal Senado.
1869 – Procurador substituto interino dos Negócios Sínicos.

Há um Pátio Lourenço Marques na Toponímia de Macau que fica junto à antiga casa do ópio, indo desembocar na Avenida Almirante Sérgio.

(1) Nasceu a 7 de Agosto de 1811 (baptizado a 14 de Agosto do mesmo ano, na Igreja de Lourenço), Lourenço Caetano (nasceu no dia de S. Caetano) Cortela Marques.
Casou a 7 de Agosto de 1838 (precisamente no dia em que completava 27 anos) com a sua prima Maria Ana Josefa Pereira (nascida a 21 de Abril de 1825, portanto contava apenas 13 anos de idade. Consta-se até que, quando ela teve o primeiro filho (nascido a 27 de Setembro de 1852) fazia-se mister andar a chamá-la constantemente para dar o peito à criança, pois ela – pouco menos que criança- se entretinha a brincar no jardim com outras meninas de idade… (TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942)
(2) Composta por Cónego António José Vítor Dias de Lima, Alexandrino António de Melo, Vicente Paulo Salatwichy Pitter e João Joaquim dos Remédios.

Carlos José Caldeira no Boletim do Governo, 28 de Junho de 1851, p.102, explica que a Missa de Acção de Graças é a mais antiga cerimónia histórica ligada ao local, porque tem a sua 1.ª edição no próprio ano da invasão, 1622, por voto tomado em Sessão e Termo na casa da Câmara. Cerca de 1844, a Missa passou a ser celebrada na Capela da Guia mas o Senado, mesmo assim, usava dar cinco patacas de esmolas e as crianças levavam flores e bandeiras ao local, também conhecido por Campo dos Arrependidos.

 Monumento da Vitória 1907 Man Fook MACAU PASSADO E PRESENTEMonumento da Vitória ao fundo da Avenida Vasco da Gama
(Foto de Man Fook de 1907)

 Do Boletim da Província de Macau e Timor, Vol. XVI.N.º 26 de 27/7/1870:
“Collocou-se, no dia 23 do corrente às 6 horas da manhã, a primeira pedra do alicerce sobre que hade alevantar-se um padrão de gloria, que recorde à posteridade um dos mais brilhantes feitos dos nossos maiores.
Foi S. Ex.a o Governador (1) celebrar esta cerimonia e vio à roda de si quasi todos os funcionarios civis e militares, que anuiram solicitos ao convite de S. Exa.; patenteando assim a sua veneração por tudo que signifique gloria das armas portuguezas, desde tanto acostumadas a vencer.
Teve lugar a solemnidade na Praça da Victoria, (2) junto da Flora Macaense, na estrada quepor S. Lazaro,conduz à porta do Cêrco.
Depois de leitura do auto que foi assignado por todos os funcionários presentes foi elle encerrado num cofre com as moedas nacionaes como é d´uso praticar-se nestes actos.
Em seguida S. Ex.a o Governador deitou a primeira colher de cal para segurar ao solo a pedra fundamental de todo o alicerce – e apoz elle algumas outras autoridades praticaram egual cerimonia.
Foi uma festa toda patriótica e que assignalou um dia nunca esquecido pelo povo de Macau.
No sitio destinado a receber o monumento já existia uma pilastra de pedra, que commemorava o feliz resultado da brava peleja, travada ali pelos moradores de Macau no dia 21 de junho do anno de 1622 contra uma expedição hollandeza, que tentava assenhorar-se desta cidade, como que desconhecendo quanto valor e brio usam os portuguezes mostrar sempre que o amor da patria os incita as mais arrojadas empresas para defesa da sua nacionalidade, e revindicação de seus sagrados direitos.
O monumento foi mandado construir em Lisboa por iniciativa do leal senado, e ouvimos que se espera no primeiro transporte vino d´aquella cidade. (3)

 Monumento da Vitória 1939 IO MONUMENTO DA VITÓRIA
Festividades no dia 24 de Junho de 1939

 O texto do auto depois de assinado, foi depositado num cofre assim como moedas nacionais, sendo posteriormente soldado e depositado na cavidade da pedra fundamental do monumento. Uma cópia do auto foi guardada no arquivo do Leal Senado.
O monumento da Vitória foi construído com um fundo originalmente destinado a um monumento a S. João Baptista mas “por escrúpulos, receio de melindres e divergências de alguns vogais”, por proposta do Presidente do Leal Senado da Camara e concordância do Governador, “as $ 400 e seus juros foram entregues ao Cidadão Lourenço Marques, que ficou encarregado de mandar vir o Monumento.
O monumento foi inaugurado no dia 26 de Março de 1871. (4)

Monumento da Vitória 1939 II O MONUMENTO DA VITÓRIA
Festividades no dia 24 de Junho de 1939

 (1) Sobre António Sérgio de Sousa (1809-1878), governador de Macau de 1868 a 1872, ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-sergio-de-sousa/
(2) Local onde antes estivera uma cruz (de que provavelmente já só restava a pilastra vertical, o braço caiu por um tufão) em memória dos acontecimentos de Junho de 1622, com os holandeses.
Carlos José Caldeira in Boletim do Governo, 28 de Junho de 1851, p.102, explica que a Missa de Acção de Graças (esta missa chamava-se de Vitória) é a mais antiga cerimónia histórica ligada ao local, porque tem a sua 1.ª edição no próprio ano da invasão, 1622, por voto tomado em Sessão e Termo na casa da Câmara. Cerca de 1844, a Missa passou a ser celebrada na Capela da Guia mas o Senado, mesmo assim, usava dar cinco patacas de esmolas e as crianças levavam flores e bandeiras ao local, também conhecido por Campo dos Arrependidos.
Campo dos Arrependidos, “pois era ali que noutros tempos, os condenados iam expiar no patíbulo, os seus crimes (Luís Gonzaga Gomes) (3) ou segundo Beatriz Basto da Silva “A zona chamava-se, por ter sido o recuo dos holandeses, o «Campo dos Arrependidos»”(5)
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 357 p., ISBN: 978-99937-45-38-9.
(4) Sobre o Monumento ver:
http://nenotavaiconta.wordpre HYPERLINK “https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/”ss.com/tag/monumento-da-vitoria/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)

No dia 26 de Março de 1871, foi inaugurada a Praça da Victoria (hoje, Jardim da Vitória) com o Monumento da Victória,” junto da Flora Macaense, na estrada que por S. Lázaro conduz à porta do Cerco (hoje situado entre a Avenida Sidónio Pais e a Estrada da Vitória)”  (1) pelo Governador, Conselheiro Vice-Almirante graduado, António Sérgio de Sousa. (2)

O monumento comemora a vitória alcançada pelos macaenses contra o ataque dos holandeses, em 24 de Junho de 1622, no Campo de Victória, sendo anteriormente conhecido como Campo dos Arrependidos (3) , pois era ali que noutros tempos, os condenados iam expiar no patíbulo, os seus crimes.

A pedra fundamental para o monumento que Carlos José Caldeira, por incumbência do Leal Senado, encomendara a Manuel Maria Bordalo Pinheiro, (4) pai do tenente coronel de artilharia Feliciano Henrique Bordalo Proste Pinheiro, que prestou notáveis serviços na Direcção das Obras Públicas de Macau, quando da reconstrução dos edifícios e reparações dos estragos causados pelo desastroso tufão de 1874, foi solenemente lançada em 23 de Junho de 1870. (1)

Concluído o monumento foi o mesmo expedido para Macau, pelo governo da Metrópole, livre de frete, no vapor Saida, que em Junho de 1870, transportou um contingente militar para esta cidade.” (1)

Monumento da Vitória Sem data P. TX LEAL SENADO

Foto do livro: «O Leal Senado», do Padre Manuel Teixeira , sem data (década de 60)

O Monumento da Vitória é composto por um soco octogonal sobre o qual se assenta um fuste canelado, tendo nele aplicado as duas cartelas, no estilo do século XVII, e encimado por dois escudos, um com as armas de Portugal e outro com as da Cidade, ornados de carvalho e loiro. É rematado, no topo, pela coroa real portuguesa. (1)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 358 p., ISBN: 978-99937-45-38-9.
(2) Sobre o Governador António Sérgio de Sousa (1809-1878), governador de Macau de 1868 a 1872 ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/02/noticia-2-de-julho-de-1871/
(3) Beatriz Basto da Silva refere outra explicação para o nome:  “
“A zona chamava-se, por ter sido o recuo dos holandeses, o «Campo dos Arrependidos»”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9).
(4) Manuel Maria Bordalo Pinheiro é também autor do busto em bronze de Camões, que se encontra colocado na Gruta de Camões, em Macau.

“O jornalista inglês Stephen Kelen (1) escreveu na revista «Eastern World» (1953), um bem elaborado artigo sobre Macau.
“Depois de apontar alguns passos mais importantes da História de Macau – «agitada por vezes» – desde a sua fundação em 1557 até aos nossos dias, o sr. Kelen escreve: «Nos séculos XVII e XVIII Macau era o principal empório comercial do Extremo Oriente, o único porto de comércio com a China.»
Refere-se depois à indústria desta província que emprega milhares de pessoas de ambos os sexos.
Ao contemplar as belezas naturais, o jornalista expressa-se da seguinte forma: «Não é exagero afirmar que Macau é uma das mais lindas e aliciantes terras do mundo. No seu próprio nome existe qualquer coisa de fantasia».
E mais adiante: «Macau é um dos raros lugares do mundo onde se pode entrar livremente. Não interessa a raça ou o credo político, e não são feitas ao turista quaisquer perguntas
O que mais impressionou, porém, o sr. Kelen foi a paz, a ordem e o sossego que aqui se observam. «É inacreditável o ambiente de tranquilidade que nos é dado admirar, à medida que o barco vai subindo as águas do Porto Interior
Percorreu Macau de ponta a ponta, demorando-se nos sítios mais pitorescos e junto dos muitos monumentos que falam do nosso passado histórico e dos feitos gloriosos daqueles portugueses que até aqui trouxeram os nomes de Deus e de Portugal.
Ao falar do Monumento da Vitória, o jornalista diz que ele faz lembrar aos portugueses aqui residentes as vitórias dos seus avós contra os invasores. «Olham com orgulho para esse monumento, e para outros que lembram o passado, e procuram aí inspiração e confiança para enfrentar o futuro.” (2)

(1) Stephen “Istvan” Kelen, (1912-2003), escritor, dramaturgo e jornalista, nasceu em Budapeste (Hungria) e naturalizou-se australiano em 1939. Foi ex-campeão mundial pela Hungria em ténis de mesa e conquistou 15 medalhas nos campeonatos do mundo nessa modalidade. Quando se naturalizou, mudou o seu nome “Istvan” para Stephen. É pai de dois poetas australianos: Stephen Kenneth Kelen  e Christopher Kelen
http://sv.wikipedia.org/wiki/Istv%C3%A1n_Kelen
(2) Macau Boletim Informativo, 1953

Actuando conforme as ordens recebidas do Governador António Sérgio de Sousa,(1) o intérprete-sinólogo Pedro Nolasco da Silva,(2)  acompanhado de Augusto Ludgero Vichi, ajudante do capitão do Porto, foi a bordo duma embarcação de guerra chinesa, surta no porto de Macau, comunicar ao mandarim dos portos fiscais, Paum Ioc, que o Governador lhe mandava dizer que não havia de tratar de negócio algum com ele enquanto não fizesse sair do porto de Macau todas as canhoneiras chinesas, menos uma, ao que o mandarim respondeu que ia mandar retirar as ditas canhoneiras, assegurando que elas não tinham vindo com fim hostil mas para serem empregadas no cruzeiro de repressão de contrabando de ópio” (3)
(1) António Sérgio de Sousa (1809-1878), primeiro e único visconde de Sérgio de Sousa,  vice-almirante, foi governador interino de Angola (1851-1853) e depois governador de  Macau (1868-1872) (tomou posse do cargo em 3 de Agosto de 1868 – havia sido nomeado em 13 de Maio). Após saída de Macau, foi  governador da Índia Portuguesa (1877-1878). Durante o seu mandato. foi lançada a primeira pedra para a construção do Monumento da Vitória (1870) e depois inaugurado o jardim com o monumento (26-03-1871);  inaugurado o arco das Portas do Cerco (1871); fundada a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) (1871) e  publicado novos regulamentos sobre a emigração dos Cules. É substituído pelo Governador Januário Corrêa de Almeida, Visconde de S. Januário (nomeado em 23-03-1872)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p, ISBN-972-8091-10-9
(2) Pedro Nolasco da Silva foi nomeado nesse ano, no dia 25 de Abril para o lugar de primeiro interprete da língua sínica da Procuradoria dos Negócios Sínicos de Macau.

B. P. M. T. XVII-27

Sobre Pedro Nolasco da Silva, ver anteriores posts:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/06/personalidade-pedro-nolasco-da-silva/
                    https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/e-p-o/
(3) Mosaico, Vol II, n.º 11, 1951