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Informações da Imprensa estrangeira «France Presse» e «Reuter» acerca dos acontecimentos na China (guerra civil) e seu reflexo em Macau que o «Boletim Geral das Colónias» publicou em duas notícias semelhantes em Dezembro de 1949 (1) e em Janeiro de 1950 (2)

Foi a 9 de Novembro de 1949 que o general Wang Zhu, máximo responsável militar na área, declarou taxativamente que «a posição da vizinha Macau será absolutamente respeitada» Garantias nesse sentido foram secretamente transmitidas às autoridades portuguesas dois dias depois. (PEREIRA, Bernardo Futscher – Crepúsculo do Colonialismo. A Diplomacia do Estado Novo (1949-1961), 2017)

NOTA: A República Popular da China, na sequência da vitória de Mao Zedong (Mao Tse Tung – 1893 – 1976- 毛澤東) sobre o Kuomitang de Chiang Kai-Shek (Jiang Jieshi – 蔣介石1887-1975) que se retira para a Ilha Formosa (Taiwan) foi fundada a 1 de Outubro de 1949. Zhou Enlai (Chu En Lai – 周恩来 – 1898-1976), Primeiro Ministro entre 1949 e 1976, também Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1949 e 1958, publicou um comunicado expressando a intenção de abrir relações diplomáticas entre o seu Governo e os Governos de todas as nações, com base na igualdade e no mútuo respeito (excepto com Taipei).

Zhou Enlai – 周恩来 em 1946
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zhou_Enlai

Zhou Enlai  enviou um ofício ao ministro de Portugal na China a exprimir a vontade do novo regime chinês. Mas António Salazar rejeitou tal opção.
Sobre Macau, Zhou Enlai reconheceu ser inútil tomar Macau pela força, como exigiam na altura alguns radicais maoístas e os soviéticos, pois seria pernicioso para os interesses da China. Em 1952 aquando do conflito militar às Portas do Cerco, José Estaline (Josef Stalin – líder da União Soviética) ao querer inteirar-se sobre Macau, Zhou Enlai respondeu-lhe “Macau continua, como anteriormente, nas mãos de Portugal”.
Apesar de oficialmente não haver relações diplomáticas entre Portugal e a RPC,  em Macau, a diplomacia paralela ia funcionando com os intermediários:  O Lon (director clínico do Hospital Kiang Wu; 1.º secretário da cédula do Partido Comunista em Macau transferido para Cantão em 1951 , o seu irmão O Cheng Peng (Ke Zhengping) que em Agosto de 1949 funda a Sociedade Comercial Nam Kwong (no fundo o governo sombra da RPC em Macau até 1999); e Ho Yin, o líder da comunidade chinesa até à sua morte em 1983.  (dados recolhidos de SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997 e FERNANDES, Moisés Silva – Macau nas Relações Sino-Portuguesas, 1949-1979. Administração XII-46, 1999.
(1) «BGC» XXV  – 294, Dezembro de 1949.
(2)  «BGC» XXVI – 295 , Janeiro de 1950.

No dia 1 de Novembro de 1955 deveria ter dado início às Comemorações do IV Centenário de Macau 1555 -1955, programadas para serem realizadas durante o mês de Novembro de 1966.
Sobre este cancelamento, comenta o investigador Moisés Silva Fernandes (1):
“Graças a pressões públicas e particularidades exercidas por círculos nacionalistas macaenses, a administração portuguesa de Macau, foi persuadida a comemorar o 4.º centenário de Macau, em Novembro de 1955. A China não reagiu bem às comemorações e fez saber a nível particular e em público o seu desagrado. Zhou En Lai interviu pessoalmente na matéria e a administração portuguesa viu-se na necessidade (2) de cancelar as comemorações para evitar a deterioração da situação política”
programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-capaO programa estabelecido pela Comissão (submetido em 2 de Março de 1955, mas sujeito a alterações) (3) iniciava essas Comemorações no dia 1 de Novembro de 1955 (Terça-feira), às 6.00 horas, com alvorada e hasteamento da bandeira nacional nas fortalezas, navios de guerra e edifícios públicos e terminava no dia 30 de Novembro (Quarta-feira), as 21.00 horas com a sessão solene do encerramento das Comemorações, falando o Governador da Província, o Presidente da Comissão das Comemorações e o Representante da Comunidade Chinesa.

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A maioria das cerimónias programadas foi cancelada e mesmo a pequena cerimónia marcada para o dia 20 de Novembro em que se assinalava os quatro séculos da presença portuguesa em Macau e que constava de uma Procissão da Sé Catedral para as Ruínas e S. Paulo não se realizou.
Estava também prevista para o dia 1 de Novembro, o lançamento de 4 selos postais comemorativos do 4.º centenário. (4)
Estava também prevista a publicação de uma edição popular da História de Macau. (5)

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O Grande Prémio de Macau que estava integrado no programa, realizou-se no dia 5 de Novembro, com provas de automobilismo (prova para principiantes, prova para senhoras) às 10.00 horas e às 15.00 horas e no domingo, dia 6 com a realização do II Grande Prémio de Macau (6) pelas 12.00 horas. O circuito nesse ano foi alargado em diversos pontos e asfaltado nos troços que eram ainda de areia. Atraiu cerca de 30 mil espectadores. Entre os 12 concorrentes (de Singapura, Hong Kong e Macau) alinhados na grelha da partida, foi vencedor Robert Ritchie, ao volante de um «Austin-Healey», completando as 60 voltas do circuito em 3h, 55m e 55,7 s. Nessa noite pelas 20.00 horas realizou-se o Jantar e distribuição de Prémios das Provas de Automobilismo, no Clube de Macau.
programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-comissaoA Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, nomeada por Portaria de 8 de Janeiro de 1955 era composta pelas seguintes individualidades:
Presidente – Dr. Pedro José Lobo, chefe dos Serviços Económicos
Secretário – Luís Gonzaga Gomes, professor e sinólogo
Vogais – António Magalhães Coutinho, presidente do Leal Senado da Câmara e chefe dos Serviços dos C.T.T.
Engenheiro José dos Santos Baptista, chefe da Repartição Técnica das Obras Públicas
Intendente do distrito José Peile da Costa Pereira, chefe dos Serviços de Administração Civil
Capitão de artilharia João Vítor Teixeira Bragança
Padre Manuel Pinto Basaloco
Ho Yin, presidente da Associação Comercial de Macau
José Maria Braga, publicista e historiador
Primeiro-tenente da Administração Naval Manuel António Lourenço Pereira

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-posse-iO Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro proferindo o discurso no acto da posse da Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau

A posse da Comissão realizou-se no dia 14 de Janeiro numa cerimónia pública na Sala Verde do Palácio do Governo na Praia Grande e a que presidiu o Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro. A este acto, assistiram o Prelado da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, o Meritíssimo Juiz de Direito da Comarca, Dr. Alberto Rafael Marques Mano, o Comandante Militar, Coronel Rui Pereira da Cunha, membros do Conselho do Governo e do Corpo Diplomático, chefes de serviço e outros funcionários superiores, elementos da Comunidade Chinesa, representantes da Imprensa e numerosas pessoas. (7)

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-posse-iiO Sr. Pedro José Lobo, Presidente da Comissão, pronunciando o seu discurso.

(1) FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas, 1945-1995: Cronologia e Documentos. Fundação Oriente, Lisboa, 2000, 849 p. + |Documentos LIX|
(2) Zhou Enlai – 周恩來 (Chu En Lai) (1898- 1976) vice-presidente do partido Comunista Chinês de 1956 a 1966, primeiro-ministro de 1949 até à sua morte e de 1949 a 1958 também ministro dos Negócios Estrangeiros.
(3) Programa das Comemorações do IV Centenário de Macau 1555-1955. Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, Macau-Ásia, 1955, 9 p., 26,5 cm x 19,5cm.
(4) Macau Boletim Informativo, Ano III, 1955.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/02/selos-postais-comemorativos-da-fundacao-de-macau-1955/
(5) “8-01-1955 – Comemorações do IV Centenário do estabelecimento português em Macau (B. O. n.º 2) Entre os eventos e acções previstos conta-se com a publicação de uma edição popular da História de Macau… A Comissão nomeada dá uma ideia das «eminentes» personalidades de então (B. O. n.º 25, de 18 de Junho)” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).
(6) Ver anteriores referências a este Grande Prémio em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/05/noticia-de-5-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/06/noticia-de-6-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/
(7) Macau Boletim Informativo, Ano II, 1955.

MOSAICO IV 21-22 1952 Director Gral do Ensino INo dia 23 de Maio de 1952, o Governador de Macau, Comandante Joaquim Marques Esparteiro, homenageou o Director Geral do Ensino do Ultramar, Dr. Vítor Manuel Braga Paixão com um jantar no Palácio de Santa Sancha, para o qual foram convidadas as mais altas individualidades civis e militares da Província

MOSAICO IV 21-22 1952 Director Gral do Ensino IIO Dr. Braga Paixão agradecendo o convite

 O Director Geral do Ensino do Ultramar que veio a Macau, em serviço de inspecção, visitou durante a sua estadia em Macau, numerosas escolas, a fim de tomar contacto directo com a forma como estão funcionando os serviços de instrução em Macau.

Na Escola Primária Oficial:

MOSAICO IV 21-22 1952 Director Gral do Ensino IIIO Inspetor do Ensino Primário de Macau Dr. Adelino da Conceição, apresentando as boas vindas ao Director Geral do Ensino do Ultramar, na Escola Primária Oficial
MOSAICO IV 21-22 1952 Director Gral do Ensino IVO Sr. Dr. Braga Paixão agradecendo a recepção que lhe foi feita pelos professores e alunos das Escolas Oficiais Primárias.

Na Escola Primária Oficial Luso Chinesa Sir Robert Ho Tung:

MOSAICO IV 21-22 1952 Director Gral do Ensino VO Inspector Geral do Ensino do Ultramar entre os professores daEscola Primária Luso- Chinesa Sir Robert Hó Tung

Na Escola Infantil “D. José da Costa Nunes”:

MOSAICO IV 21-22 1952 Director Gral do Ensino VIO Sr. Dr. Braga Paixão no meio de professores e criancinhas da Escola Infantil “D. José da Costa Nunes”.

Na escola da Casa da Beneficência:

MOSAICO IV 21-22 1952 Director Gral do Ensino VIIO Sr. Dr. Braga Paixão falando aos pequenos estudantes da Casa de Beneficência

No Colégio do Sagrado Coração de Jesus:

MOSAICO IV 21-22 1952 Director Gral do Ensino VIIIO Director Geral do Ensino do Ultramar dirigindo-se às alunas do Colégio do Sagrado Coração de Jesus.

NOTA: Foi durante a visita do Director Geral a Macau, mais precisamente a “21 de Maio de 1952 que se registaram os confrontos armados junto à Porta do Cerco envolvendo, por erro, uma canhoneira do Exército Popular de Libertação da China comunista e uma lancha da Polícia Marítima e Fiscal de Macau. O Incidente teve inicio quando soldados chineses, situados junto à Porta do Cerco, abriram fogo sobre um barco de pesca que, alegadamente, tinha entrado em águas territoriais chinesas. Por outro lado, a tripulação de uma canhoneira chinesa, que se deslocou rapidamente para perto do incidente, pensou que estava a ser atacada por uma lancha da Polícia Marítima e Fiscal de Macau, que navegava nas imediações. A situação confusa resulta na troca de fogo entre ambas as partes” (FERNANDES, M. S. – Sinopse….p. 106) (1)

Reportagem e fotos de “MOSAICO”, VOL IV, n.º 21/22, 1952.
(1) FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas, 1945-1995: cronologia e documentos. Lisboa: Fundação Oriente, 2000, 850 p.

Saco de compras de plástico de cor verde da Companhia Nam Kwong (1) (59 cm x 30,5 cm) publicitando

NAM KWONG TRADING COMPANY
EXHIBITION HALL
  貿     (2)

Nam Kwong Trading Co. I

Esta “sala de exibição/exposição” ficava no 2.º andar do Banco “Nam Tung”

NAN TUNG BANG BUILDING (3)
Rua da Praia Grande, 65-A, 2.º andar, MACAU (4)

Nam Kwong Trading Co. IIDo outro lado, sem impressão.

Nam Kwong Trading Co. III(1) “Em 1949, o Ministério do Comércio Externo da China continental cria, em Macau, a sociedade comercial Nanguang (南光Luz do Sul) para controlar o comércio entre Macau e a China continental e os comerciantes locais, na sua maioria sinófonos.”
FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas relações luso-chinesas 1945-1995. Fundação Oriente, LIsboa, 2000, 850 p. , IISBN – 972-785-015-4
  mandarim pinyin: nán guang; cantonense jyutping: naam4 gwong1.
Nam Kwong (Group) Co. Ltd. is an enterprise directly under the central government based in Macao. Founded on August 28, 1949 as Nam Kwong Trading Company by Mr. O Cheng Peng on the commission of China, the Group is the first Chinese-funded institution in Macao with its 60 odd years of history. In the course of development, the older generation of pioneers represented by Mr. O Cheng Peng devoted themselves to the painstaking endeavors for the inception, development and growth of Nam Kwong and made remarkable contributions to the prosperity and stability of Macao.
Ler “History of Nam Kwong” em
http://www.namkwong.com.mo/en/aboutnamkwong/History.html
(2) 南 光 貿 陳 列 mandarim pinyin: nán guang mào yi gong si chén lié  shi; cantonense jyutping: naam4 gwong1 mau6 ji6 gung1 si1 can4 laat6 sat1.
(3) O banco “Nam Tung Lda.”, fundada em 1950, no ano de 1987 foi autorizado a mudar de nome para “Banco da China – Filial Macau” (Bank of China Macau Branch) sendo na altura a 9.ª filial do Banco da China, no estrangeiro.
A propósito do Banco “Nam Tung” na Rua de Praia Grande, relembro que o prédio ocupou o espaço que era do Hotel Riviera, à frente do Banco Nacional Ultramarino.
Não resisto a passar parte do poema “Macau Ontem e Hoje (1960-1984)” no tom humorístico de J. J. Monteiro: (5)


O progresso, sempre forte
Vencedor de velharias,
Destruiu o Riviera
Como bom hotel que era,
Só porque não teve a sorte
De David contra Golias

Sumiu-se p´ra dar lugar
Àquele não pequenino
Mas gigantesco edifício,
Com um lato frontispício,
Bem trabalhado, a brilhar,
Frente ao Banco Nacional Ultramarino

«Nam Tung» é o nome dado
Ao edifício em questão,
com seu rico Banco China
Que em frente ao nosso empina
Pomposamente instalado
Logo ali no rés-do-chão

(4) 地 址: 澳門南灣街 65號A南通银行大廈 二樓 電話 84255 (10) 84252
mandarim pinyin: di zhi: Ào mén  nán wan jié     65 hào A     nán tòng yin hàng dà xià èr lóu    diàn huà: 84255 (10) 84252; cantonense jyutping: dei6 zi2: Ou3 mun4 naam4 waan1 gaai1 65 hou4 A naam4 tung1 ngan2 hong4 daai6 haa6 ji6 lau4 din6 waa2: 84255 (10) 84252.
(5) MONTEIRO, J. J. – Macau vista por dentro. Edição da Direcção dos Serviços de Turismo, 1983, 385 p.

Os quatro selos postais aqui reproduzidos, comemorativos do 4.º centenário do estabelecimento dos portugueses em Macau deveriam ter sido postos a circular a 1 de Novembro de 1955. Impressos com um mínimo de cinco cores cada um, os selos apresentam quatro figuras dos mais proeminentes da história de Macau: Jorge Álvares, o primeiro português que aportou à China, em 1513; Tomé Pires, o primeiro embaixador de Portugal à China, que entrou em Pequim em 1521; Miguel de Arriaga Brum da Silveira, o destemido português a quem, em 1810, se entregou, com toda a sua esquadra, o célebre pirata Cam Pau Sai; e D Belchior Carneiro, o primeiro prelado que governou a diocese de Macau, erecta por bula de Gregório XIII, de 1575, e piedoso fundador da Santa Casa da Misericórdia de Macau. Os selos da emissão comemorativa seriam das taxas de 20, 24, 40 e 90 avos. Juntamente com os selos, seriam vendidos, no primeiro dia de circulação, um envelope especial, com desenhos coloridos, reproduzindo a chegada dos portugueses a Amagao.
Estavam programados para todo o mês de Novembro desse ano, os C.T.T. de Macau fariam apor em todas as cartas que passassem pela Estação Postal, carimbos com os seguintes dizeres:
No dia 1 – «1.º Dia  – 4.º Centenário de Macau 1555-1955»
De 2 a 8 -«Macau, testemunho da secular amizade luso-chinesa – 1555-1955»
De 9 a 17 – «Macau, símbolo de paz e trabalho -1555 – 1955»
De 18 a 25 – «Macau, exemplo de patriotismo e de solidariedade humana – 1555 – 1955»
De 26 a 30 -«Macau, espelho da civilização cristã – 1555 – 1955». (1)

No entanto estes selos (autorização da emissão e circulação, em Macau publicada no B. O. n.º 43 de 22 de Outubro de 1955) nunca entraram em circulação.
A razão, segundo informações de Beatriz Basto da Silva (2):
Os 4 selos não entram em circulação em Macau por motivos óbvios que transparecem  na contra ordem de 4 de Outubro de 1955 , publicada no B. O.  n.º 50 de 10 de Dezembro do mesmo ano. Algumas colecções foram enviadas como oferta a personalidades  importantes, pela «Agência Geral do Ultramar». É cancelada, em 20 de Novembro de 1955, por receio a melindres, a pequena cerimónia para assinalar  os quatro séculos da presença portuguesa em Macau.” (3)
Sobre este cancelamento,  comenta o investigador Moisés Silva Fernandes (4):
Graças a pressões públicas e particularidades exercidas por círculos nacionalistas macaenses, a administração portuguesa de Macau, foi persuadida a comemorar o 4.º centenário de Macau, em Novembro de 1955. A China não reagiu bem às comemorações  e fez saber a nível particular e em público o seu desagrado. Zhou En Lai interviu pessoalmente na matéria e a administração portuguesa viu-se na necessidade de cancelar as comemorações para evitar a deterioração da situação política”
(1) Macau Boletim Informativo, n.º 51, 1955
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Século XX, Volume 5. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1998, 320 p., ISBN 972-8091-64-8
(3) NOTA: o Leal Senado, em sessão camarária, tinha resolvido convidar os cidadãos honorários de Macau para assistir a essas comemorações do IV Centenário do estabelecimento dos portugueses em Macau, encarregando-se o mesmo Leal Senado das despesas de hospedagem durante a estadia daquelas individualidades: comandante Manuel Maria Sarmento Rodrigues, antigo ministro do ultramar, Comandante Gabriel Teixeira e Albano Rodrigues de Oliveira, antigos Governadores de Macau, Dr. José Caetano Soares, antigo médico municipal de Macau e Jorge Grave Leite, antigo Presidente do Leal Senado de Macau.
(4) FERNANDES,  Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas, 1945-1995: Cronologia e Documentos.  Fundação Oriente, Lisboa, 2000, 849 p. + |Documentos LIX|