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No dia 6 de Janeiro de 1952, efectuou-se na Igreja de Sto António, o baptismo de 41 praças indígenas do Batalhão de Caçadores N.º 1, sendo a função litúrgica presidida por S. Exa. Revdma. o Prelado Diocesano, D. João de Deus Ramalho, S. J., com a assistência de S. Exa. o Comandante Militar, Brigadeiro Paulo Benard Guedes e esposa e  outros oficiais da guarnição. (1)

MOSAICO III-17-18 1952 -Baptismo dos Praças Africanos IS. Exa. Revma. o Bispo de Macau, com as suas vestes pontificais, à porta do templo onde se realizou a cerimónia do baptismo”

O Batalhão de Moçambique desembarcou no dia 27 de Junho de 1951, à noite, passando a pertencer-lhe o Asilo de Mong Há e a enfermaria temporária do Hipódromo. Chegaram 7 oficiais, 4 sargentos, 7 cabos e 671 praças indígenas. Passou a ser comandado pelo Tenente Coronel Júlio César da Costa Chaby. Passou a Batalhão de Caçadores n.º 1 em 22 de Setembro de 1951. (2)
Pertencia à 2.ª Companhia deste Batalhão o soldado Jacinto Mundau (3) que foi ferido (e viria a falecer) no dia 25 de Julho de 1952 na disputa de uma barricada, nos confrontos fronteiriços entre a guarnição portuguesa e o Exercito Popular de Libertação da China, junto à Porta do Cerco.
A título póstumo foi condecorado com a Medalha de cobre de Valor Militar – Portaria de 6 de Maio de 1953 (Ordem do Exército nº 9 / II Série / 1953)
Condecorado com a Medalha de cobre de Valor Militar, a título póstumo, nos termos do § 2° do artigo 8° do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por satisfazer às condições expressas no § 1° do artigo 7° do mesmo regulamento, o Soldado Indí­gena de Moçambique, Jacinto Mundau, nº 50/A/335, da 2ª Companhia do Batalhão de Caçadores nº 1, da guarnição militar da Província de Macau, porque, quando se procedia ao encerramento da fronteira na tarde de 25 de Julho do ano findo, foi atingido grave­mente com tiros, disparados por militares chineses, que lhe causaram a morte, quando, desarmado, lutava corpo a corpo, a fim de libertar e trazer para território na­cional um seu camarada, que, apanhado de surpresa, era arrastado para território chinês, demonstrando valentia, coragem e dedicação patriótica.”  (4)

MOSAICO III-17-18 1952 -Baptismo dos Praças Africanos IIAs praças em formatura recebendo o sacramento do baptismo

(1) Fotos e reportagem retirados de «MOSAICO», 1952.
(2) CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999, p. 35
(3) Muito possivelmente terá sido baptizado neste dia 6 de Janeiro de 1952 , já que o seu funeral foi católico.
(4) http://www.acd-faleristica.com/archives/308

Nos dias 2, 3 e 4 de 1954 no Campo da Caixa Escolar houve arraial à portuguesa promovido pela Delegação de Macau da Cruz Vermelha Portuguesa cuja receita se destinou a obras de beneficência. No recinto foram colocadas barracas típicas alusivas às várias províncias portuguesas.

MACAU Bol.INf. Ano II n.º29 1954 Arraial à portuguesaHouve, tombolas, rifas, danças regionais e descantes. Os indígenas deliciaram a assistência com as suas danças características.
Foto e reportagem de “MACAU Bol. Inf., 1954″.

Na madrugada do dia 19 de Agosto de 1943, soldados japoneses (e chineses colaboracionistas)  carecendo de navios e de ferro,  (1) atacaram e apoderaram-se do ferry «S.S. Sai On» (2 ) de bandeira inglesa que antes da guerra efectuava diariamente a carreira Macau-Hong Kong e que estava atracado no Porto Interior, em Macau, servindo de recolhimento de refugiados (cerca de 70)  na maioria mulheres e crianças filipinos. Mataram no ataque um policia (3) – João António José –  e levaram o barco para Hong Kong. (4) (5)
Foi logo dado o alerta nessa madrugada na Companhia de Artilharia, (6) no Quartel da Guia e quando alvoreceu, já os soldados estavam todos prontos e preparados com os canhões na bataria de artilharia virada para o lado do mar.  Ainda se avistava o “S.S. Sai-On” a ser puxado por um rebocador ao longo do Porto Exterior, bem perto à costa , por causa da maré.
Ouviam-se os gritos das mulheres e crianças que estavam ao bordo do Sai On.
Os militares recebem ordens para parar o navio e o quarteleiro da bataria da Guia (e nomeado observador da área do Porto Exterior durante a guerra), soldado 4371 Pereira ( terminara a sua comissão em 23 de Março de 1939,  mas “não havia barcos para me levar e o pré era de 13 avos por dia”  pelo que recebia 3.90 patacas por mês “) prepara e aponta o canhão. Então recebe ordens do tenente Graça para acertar no cabo de ligação do rebocador para o barco. (7)
Exclama o soldado:
Mas, meu tenente,  a esta distância é como acertar a agulha num palheiro.
– Então o que é quer que se faça, responde o tenente.
– Meu tenente, é apontar para o rebocador e metê-lo já  a pique.
– Mas isto não tenho ordens para o fazê-lo, responde o tenente desalentado.
Perante a estupefacção dos que estavam e uma certa revolta dos soldados, nada se vez, a não ser verem o rebocador a puxar o barco para as águas internacionais, persistindo nos ouvidos dos presentes o gritos das mulheres e o choro das crianças , até desaparecerem no horizonte.
(1) Terá sido mais a necessidade de ferro (desmantelamento do navio) ou de barcos de transporte, a razão deste assalto, contrariando o que está muito divulgado na imprensa estrangeira: o  barco transportava contrabando para o Nacionalistas Chineses “Perhaps it was carrying contraband war supplies for Nationalist Chinese Forces.“(5)
(2) O «SS Sai On» (também conhecido como «Xi An») estava em Macau desde 7 de Dezembro de 1941 (dia do ataque ao porto de Pearl Habor) e deveria partir para Hong Kong nesse dia às oito horas. Recebeu ordens do cônsul Britânico em Macau, John Reeves para não partir. Era um vapor com dois convés, 225 pés de comprimento e 45 pés de boca, construído na Doca de Taikoo em 1924.
REEVES, John Pownall – The Lone Flag . Hong Kong University Press, 2014.
(3) O número dos mortos também não é consensual: a imprensa portuguesa sempre referiu um morto  e alguns guardas do posto da Polícia Marítima e Fiscal (que ficava a escassos metros onde estava ancorado o «Sai On») feridos, ao contrário da estrangeira que refere 20 mortos (5). A Polícia Marítima era chefiada pelo adjunto da Capitania dos Portos, 1. º Tenente Augusto Botelho de Sousa.
(4) Afinal os japoneses não desmantelaram o navio e sob o nome de «Tak Shing» e «Tung Shan», operou na carreira Hong Kong – Macau até  Janeiro de 1974 (TEIXEIRA, P. Manuel – Macau Durante a Guerra, 1976.). Os refugiados foram nos dias seguintes, devolvidos a Macau.
(5) Sobre este mesmo episódio, ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/1943/
(7) Segundo John Reeves “Orders had been given not to fire on the ship as she went out very slowly past the Barra Fort where artillerymen are said to have wept because they were not allowed to fire. I can understand orders not to fire on the ship itself for fear of hurting the refugees aboard but she had a tug ahead of her and one alongside  and she passed less thart a hundred yards from the fort. The tug ahead could well have been immobilized”.  Engano de John Reeves  (o livro contém alguns), a artilharia preparada para o disparo não estava na Barra mas no Forte da Guia;  mas tem razão quanto à possibilidade de se poder atingir o rebocador e a decepção dos soldados.
Pode ler online este  livro em: https://books.google.pt/books?isbn=9888208322
(6) A Guarnição Militar portuguesa em Macau durante a guerra (1941-1945), sob o comando do Governador Capitão de Fragata Gabriel Maurício Teixeira era constituída por:
Quartel General das Forças do  Exército:
1.ª Repartição:
Chefe de Estado Maior: interino, Capitão de infantaria, Carlos da Silva Carvalho
Adjunto – Tenente de artilharia, João Vitor Teixeira Bragança
2.ª Repartição:
Chefe – capitão miliciano do Q. E. do Serviço de Administração Militar, José Martins dos Santos Loureiro
Adjuntos –  Capitão de artilharia, António Pedro da Costa e
Tenente do Serviço de Administração Militar, João Francisco Calado.
Companhia de Metralhadoras (143 europeus); Comandante interino: Tenente Fernando Homem da Costa; em Novembro de 1942, Tenente Álvaro Marques de Andrade Salgado.
1.ª Companhia Indígena de Caçadores (153 militares) sediada em Coloane, com diligência na Taipa (7-07-1941); Comandante: Capitão de infantaria, José Teodoro da Silva Santos.
2.ª Companhia Indígena de Metralhadoras sediada no quartel da Porta do Cerco;   Comandante: Capitão de infantaria, José António da Silva que acumulava com o cargo de comandante militar da Porta do Cerco. A Companhia foi extinta em 31-12-1941 passando o pessoal para a 2.º Companhia Indígena de Caçadores (152 militares) criada a 1-01-1942 com o mesmo comandante até Outubro de 1944, Tenente Joaquim Afonso Pinto. Tinha um destacamento na Ilha Verde.
Companhia de Artilharia (195 europeus); Comandante: Capitão de artilharia, Rogério de Paiva Cardoso (de 29-11-1939 a 16-01-1941;) Interinamente o Capitão António Pedro da Costa (nomeação em 07-02-1943) e depois o Tenente, João da Costa Lage (nomeação em 01-10-1943)
Subalternos – Tenentes, João da Costa Lage (em 30-11-1939 funções de director do Depósito de Material de Guerra) , Mário Machado da Graça e Manuel Gomes Madeira Guedes de Andrade  e os alferes Augusto Bagôrra e Eduardo J. T. Barbosa de Abreu
1 sargento, sete 2.º s sargentos, dois furriéis.
Na dependência Quartel General estavam uma Secção de Reformados e de Depósitos na Fortaleza do Monte (onde os Serviços de Recrutamento foram integrados a partir de 14-04-1937): Comandante: Tenente reformado Augusto Teixeira e depois António Lopes da Silva (a partir de 23-12-1941 ?);  o  Depósito de Material de Guerra e o Presídio Militar na Fortaleza de S. Paulo do Monte (O director do Depósito era o comandante do Presídio) Comandante: Tenente de artilharia João da Costa Lage), e o Tribunal Militar Territorial.
Na Taipa, o destacamento militar era chefiado pelo Tenente de artilharia, João Vieira Branco e em Coloane, o comandante era o Capitão de infantaria, José Teodoro da Silva Santos.
(Dados recolhidos de CAÇÃO, Armando A-.A. – Unidades Militares de Macau, 1999 e ANUÁRIO DE MACAU 1940/41)

“A pequenina mas pitoresca e aprazível Vila da Taipa registou este ano a maior enchente de excursionistas de que há memória nos anais da sua vida, ao receber no dia 22 de Julho de 1956, (1) milhares de pessoas que ali se deslocaram para assistir à festividade de Nossa Senhora do Carmo e atraídas por um cartaz recreativo-desportivo realmente prometedor” (2)
O Festival foi organizado pela Junta Local das Ilhas (Presidente: Administrador Alberto Maria da Conceição), com o contributo dos Serviços Militares, dos Serviços de Marinha, do Clube Náutico de Macau e da Mocidade Portuguesa e reverteu o lucro aos pobres do Concelho das Ilhas.
O programa das festas estava dividida em três partes: religiosa, desportiva e recreativa.
Parte religiosa:
Presidiu a todas as cerimónias litúrgicas o Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz que celebrou a missa e administrou o Sacramento da Confirmação, tendo assistido a Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos Guedes Quinhones de Portugal e Silveira, acompanhado de todas as altas individualidades civis e militares. A parte musical esteve a cargo da capela de Santa Cecília do Seminário de S. José.

MBI III-72 22JUL1956 Procissão N. S. Carmo ISaiu a procissão que percorreu o itinerário do costume com alunos e professores de Colégios Católicos e um grupo de Catequistas à frente.
MBI III-72 22JUL1956 Procissão N. S. Carmo IINa Igreja de Nossa do Carmo, em lugar de honra, o Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos G. Q. de Portugal da Silveira.
MBI III-72 22JUL1956 Procissão N. S. Carmo IIIOs professores dos Colégios Católicos que concluíram o curso de catequistas (3) com os seus diplomas. A direita da foto, o pároco da Taipa, o cónego António André Ngan

Parte desportiva:
O Festival desportivo efectuou-se na Praia da Aviação e na Avenida da Praia, que estava engalanada e iluminada, à guisa de arraial.
O programa consistia em:
prova de regatas disputadas entre os velejadores do Clube Náutico de Macau e os da Mocidade Portuguesa nas classes «Redwing» e «Moths». Venceu na classe «Redwings» o Clube Náutico e na de «Moths», a Mocidade Portuguesa.
natação
corrida de barcos-dragão que foi disputada por duas equipas de 24 homens do mar representando uma os marítimos da Ilha da Taipa e a  outra os da Ilha de Coloane. Esta prova desenrolou-se ao largo da baía que se estendia  em frente ao antigo Hangar dos Aviões. Venceu a equipa representativa da Taipa.
prova de ciclismo dividida em duas categorias: bicicletas de passeio e bicicletas de corrida. As provas puderam ser seguidas pela multidão, nas várias etapas, pelos relatos dum «Posto de Rádio» cedido pelos Serviços Militares e montado e dirigido por praças da Companhia de Engenharia estacionadas na Ilha.
corrida da «maratona» com um elevado número de concorrentes que percorreram as ruelas e carreiros da Vila da Taipa.
Após a maratona foram distribuídos os prémios (taças e medalhas) aos vencedores pelo Presidente do Concelho dos Desportos, Major Barata da Cruz e D. Celestina da Conceição (esposa do Administrador das Ilhas).
Organizou e dirigiu o certame de natação, as provas de ciclismo e a corrida da «maratona» , o conhecido desportista e jornalista Leonel dos Passos Borralho.(4)
Parte recreativa:
Principiou com uma secção de ginástica com arma, na praia da aviação executada por um «pelotão eléctrico» da 2.ª Companhia do B. C. 1 orientado pelo capitão Abel de Almeida, coadjugado pelo furriel Rodrigues.
Orfeão Indígena: constituído por praças da B. A. A. L. 8,8, dirigido pelo alferes Morgadinho. Presenteou os ouvintes com alguns cantos em português e landim.
Grupo musical «Negro-Rubro» este agrupamento musical actuou durante meia hora números do seu vasto reportório.
Batuque (19h30) : Oa praças do B. C. 1 levaram a efeito na Avenida da Praia curiosas exibições desta singular dança africana.
Dança do leão e ginástica chinesa (22h00) no adro da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, os grupos do «Leão Acordado, Cheng Nin», de Macau e «Chin I Sé»  da Ilha da Taipa travaram entre si uma interessante luta simbólica que só terminou quando ambos caíram exaustos, frente a frente, fitando-se de juba erguida à espera cada qual que o seu inimigo fosse o primeiro a propor as tréguas.
Fogo de artifício  chinês (22h30) – na praia da Aviação sessão de fogo de artifício chinês gratuitamente fornecido e queimado pelas conhecidas fábricas de panchões «Kuong Heng Tai» e Kuong Un», estabelecidas na Ilha da Taipa.
(1) De acordo com o calendário litúrgico, a festa de Nossa Senhora do Carmo ocorre no dia 16 de Julho, no entanto, a sua realização tem lugar no domingo mais próximo dessa data.
(2) Informações e fotos de MACAU Bol Inf, 1956.
(3) Curso de catequista patrocinado pelo Dr. Pedro José Lobo que ofereceu à escola paroquial «D. João Paulino», um gravador eléctrico «Brunding».
(4) Sobre Leonel Borralho ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/02/27/noticia-de-27-de-fevereiro-de-1954-a-proposito-da-liberdade-de-imprensa/

“Seis prisioneiros chineses que estavam trabalhando na construção duma estrada na Ilha de Coloane, tentaram evadir, agredindo de surpresa e barbaramente duas praças africanas que os estavam vigiando e, depois de as terem desarmado, dirigiram-se ao quartel, onde mataram o 1.º Sargento Manuel Ferreira da Silva que comandava o posto militar da povoação de Ká-Hó, sendo depois mortos cinco e capturado um.” (1)

NOTA: a Colónia Penal na ilha de Coloane foi estabelecida 1924.
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.

O Campo Desportivo «28 de Maio» foi na manhã do dia 4 de Dezembro de 1955, teatro dum festival desportivo-militar, a que assistiram milhares de pessoas.
Naquele recinto realizou-se a cerimónia do Juramento de Bandeira de novos soldados macaenses,  recrutados em Setembro de 1955.
Por toda a extensão do campo, viam-se dispostas armas militares e aos cantos, bivaques de acampamento e viaturas. Bandeiras portuguesas decoravam a bancada e a tribuna de honra.

MBI III-57 1955 Festa Militar IÀs 10.00 horas, aquando da chegada do Governador Joaquim Marques Esparteiro, prestou guarda de honra, uma força militar, postada à entrada do recinto.

O festival constou de três partes distintas.
Na primeira parte, as forças em parada prestaram continência a Sua Ex.ª o Governador seguindo-se a recepção da Bandeira Nacional.
Antes da cerimónia do Juramento pelos novos soldados macaenses, o Tenente José Mendonça procedeu à leitura dos deveres militares e o Comandante Militar, Coronel Rui Pereira da Cunha, dirigiu aos novos soldados uma patriótica e vibrante alocução alusiva ao acto que se ia realizar.

MBI III-57 1955 Festa Militar IIA segunda parte do programa constou da entrega a vários soldados e graduados de condecorações, prémios de aulas regimentais e de troféus de campeonatos desportivos militares. Fechou esta segunda parte o desfile das forças em parada.

A terceira e última parte foi apresentada pelo Capitão Silva Pereira: um programa de exibições de ginástica com arma, por praças europeias e macaenses e pelo tenente António Vinhas, e um programa de exibições de ginástica com traves, executadas por praças africanas.

MBI III-57 1955 Festa Militar IIIExibições de ginástica com traves, executadas por praças africanas.

No final o Tenente José de Mendonça dirigiu, orientou e comentou um conjunto de exercícios tácticos, pelos recrutas do Esquadrão de Cavalaria Motorizado, (1) tendo este último espectáculo constado do desenvolvimento gradual dum tema de combate, entre as forças azuis e as verdes, na terra de ninguém, em que entraram, no combate, armas pesadas, com estrondosos tiros e explosões de granadas, lançadas por hipotéticos aviões, na colina fronteira.
O festival terminou com nova guarda de honra e continência final ao Governador.
NOTA: deste festival militar, apesar dos meus 4 anos, tenho uma vaga ideia, principalmente da exibição das praças africanas.
Informações e fotos retiradas de MBI, 1955.

(1) “Em virtude do Decreto 39027 de 06Dez52 a designação passa a ser: Esquadrão de Cavalaria Motorizado. No 2.º Suplemento do BO 52/1952 o Dec-Lei 39.027 refere que a Companhia de Metralhadoras é transformada em Esquadrão de Cavalaria Motorizado. Até 1958, esteve sediado no Quartel S. Francisco. O comandante foi o Capitão de Cavalaria José Carlos Sirgado Maia, durante mais de 3 anos , até 11 de Janeiro de 1956.” (CAÇÃO, Armando – Unidades Militares de Macau, Gabinete das Forças de Segurança de Macau, 1999, 329 p.)

 

O dia 5 de Outubro de 1955, data da implantação da República em Portugal, foi festejado em Macau com um programa de festividades de que se destacou o desfile militar. (1)
Às 9.30 horas, o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, chegava ao Palácio do Governo, onde passou revista à guarda de honra que lhe foi prestada por filiados da Mocidade Portuguesa.
Sob o comando do major João Carlos de Sousa, desfilaram contingentes das unidades militares e militarizadas.

Desfile Militar 5OUT1955 IO pelotão da guarnição do aviso «Pedro Nunes»

 Abriu o desfile um pelotão da guarnição do aviso «Pedro Nunes» desfilando seguidamente três unidades de soldados africanos, uma unidade europeia, uma bataria de artilharia, o Esquadrão de Cavalaria Motorizado, um pelotão da Polícia Marítima e Fiscal, uma companhia da Polícia de Segurança Pública, uma secção motorizada da mesma Polícia, e, finalmente, um piquete de viaturas dos Bombeiros Municipais.

Desfile Militar 5OUT1955 IIO pelotão de uma das unidades militares

 Fechou o cortejo a milícia da Mocidade Portuguesa que prestara a guarda de honra.

Desfile Militar 5OUT1955 IIIA milícia da Mocidade Portuguesa

A acentuar o feriado nacional atroaram os ares as salvas disparadas, ao meio-dia, da Fortaleza do Monte e de bordo do «Pedro Nunes» (2)

 (1) Como era habitual, nesse dia havia, pelas 12.30 horas, a “cerimónia” de cumprimentos no Palácio, onde o Governador recebia os cumprimentos das autoridades e dos funcionários, e da população em geral que quisessem participar. Pelas 18.30 horas havia também uma recepção nos salões do Palácio do Governo.
(2) Informações de MACAU, Boletim Informativo, n.º 53, 1955.

Continuação da leitura do Relatório do “ESTUDO DA ACTUALIZAÇÃO E AMPLIAÇÃO DO HOSPITAL CENTRAL CONDE DE SÃO JANUÁRIO DE MACAU”, de 1951. (1) (2)

… I Parte – ESTADO ACTUAL:
LOCALIZAÇÂO: O recinto do Hospital Central Conde de São Januário, ocupa parte da Colina de S. Januário e a sua vertente S.W., medindo aproximadamente 15.000 m2, e é limitado a S.E. pela Estrada de S. Francisco, a N.E. pela estrada de acesso ao Observatório Metereológico, e a N.W. pela Calçada do Visconde de S. Januário e S. E. pela Rua Nova.
A Colina de S. Januário continua a Colina da Guia que corre paralela ao mar, na direcção N.E. – S. W.
A entrada principal do Hospital faz-se pela Estrada Visconde de S. Januário (Vide plantas) (2)
DESCRIÇÃO: Os vários serviços do Hospital, ampliações ao traçado original que foram feitas à medida que as necessidades iam aparecendo, estão instalados em pavilhões dispersos pela área do recinto hospitalar em três planos situados e cotas diferentes.

1 – CASA MORTUÁRIA

Relatório Hospital S. Januário Casa Mortuária I

Este edifício com um piso, em mau estado de conservação, construído em 1918, consta de 4 compartimentos, um destinado a autópsias, dois a câmaras ardentes e um a guarda de uma carrete funerária.

Relatório Hospital S. Januário Casa Mortuária II

Impróprio para o fim a que se destina por falta de condições higiénicas sa sala de autópsias, e de um mínimo de decoro das câmaras ardentes.

Relatório Hospital S. Januário Casa Mortuária III

Acresce ainda a sua infeliz localização pois é o primeiro espectáculo que o Hospital oferece aos doentes e às visitas…(…).

Relatório Hospital S. Januário Casa Mortuária IV

NOTA 1 – As mesas de autópsias, de mármore, foram transferidas para a sala de autópsias da nova Casa Mortuária do Hospital Central Conde de S. Januário que ficava na Estrada Visconde de S. Januário.
Aquando da destruição desta casa mortuária para construir o Centro Hospitalar Conde S. Januário (1988), destruíram as mesas, em nome do “progresso”, pois o novo Serviço de Medicina Legal foi totalmente equipado com material mais actualizado e práctico.

NOTA 2 – Confirmo a descrição da Casa Mortuária feita neste Relatório  já que em criança tinha muito medo de passar por este edifício, à direita de quem subia pela Calçada do Visconde de S. Januário para chegar ao Hospital.  Além de decrépito, a casa mortuária estava associada a histórias de fantasmas (tão populares nos contos, lendas  e filmes chineses).

Mas o episódio verídico que vou contar, relatado pelo meu pai, passou-se nessa casa mortuária:
Faleceu um soldado, militar português. Confirmado o óbito pelo médico de serviço hospitalar, iniciaram-se os preparativos para o enterro a realizar no dia seguinte. O corpo já vestido com a farda, foi colocado na casa mortuária numa “cama” de uma das cãmaras ardentes, aguardando  a chegada do caixão (no dia seguinte) e para vigília da noite foram nomeados quatro soldados africanos (landins).
A meio da noite, o “morto” acordou e levantou-se, pondo em pânico os quatros soldados africanos que fugiram para o quartel. Constou-se que um dos landins fugiu descalço, deixando as botas para trás e que o “morto” foi a pé para o quartel. Estava vivo, aparentemente de boa saúde e radicou-se em Macau como polícia, mas não se livrou nunca mais do nome porque era conhecido: o “Morto-Vivo”.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/19/hospital-central-conde-s-januario-i/
(2) Conforme planta do edifício, apresentado neste “post”, a entrada principal seria Calçada do Visconde S. Januário já que (embora não tenha a certeza) a Estrada do Visconde S. Januário é a estrada atrás do edifício e aquela que vem da Calçada do Gaio.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/09/leitura-hospital-central-conde-de-sao-januario-ii/

 “Seis prisioneiros chineses que estavam trabalhando na construção duma estrada na Ilha de Coloane, tentaram evadir, agredindo de surpresa e barbaramente duas praças africanas que os estavam vigiando e, depois de as terem desarmado, dirigiram-se ao quartel, onde mataram o 1.º Sargento Manuel Ferreira da Silva que comandava o posto militar da povoação de Ká-Hó, sendo depois mortos cinco e capturado um.” (1)

NOTA: A Colónia Penal na ilha de Coloane foi estabelecida em 1924.
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.

Nesta data, domingo, realizou-se pelas 11 horas, na Avenida Rodrigo Rodrigues, próximo do Quartel de S. Francisco, a cerimónia do Juramento de bandeira dos mancebos macaenses.

MBI 6DEZ1953 Juramento Bandeira I“Juro ser fiel à minha Pátria e estar pronto a lutar e a dar a vida por ela. Juro defender a bandeira até à última gota de sangue, respeitar, obedecer cegamente aos meus chefes e honrar as tradições gloriosas do exército português

(NOTA: reparar nesta fotografia, os aterros do Porto Exterior (à frente da Fortaleza de S. Francisco), o molhe e ao fundo, a Ilha da Taipa. Em primeiro plano, a  futura Avenida Rodrigo Rodrigues.)

A festa militar decorreu com grande brilhantismo, imponência e solenidade, e os recrutas há poucos meses incorporados souberam corresponder à espectativa, demonstrando ao público assistente que são possuidores da indispensável preparação pela perfectibilidade que evidenciaram através dos vários exercícios executados.

MBI 6DEZ1953 Juramento Bandeira IIDa tribuna de honra, as Exmas. Autoridades assistiram ao desfile de todas as forças em parada.

 (NOTA: a tribuna estava encostada à muralha da Estrada de S. Francisco)

Além dos assistentes de honra, presidida pelo Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, a brilhante Festa Militar foi presenciada por um numeroso público constituído na maioria por funcionários civis e militares de todas as categorias, que enchia literalmente as imediações apesar da temperatura agreste e pouco convidativa do dia.

 MBI 6DEZ1953 Juramento Bandeira IIISua Exa. o Governador da Província passa revista à guarda de honra constituída pelo Esquadrão Motorizado

 Feita a leitura dos Deveres Militares, número três da 1.ª parte do Programa, o Comandante Militar, Exmo. Sr. Coronel António de Cirne Pacheco, proferiu um entusiástico e patriótico discurso com palavras alusivas à Cerimónia.
A 2.ª parte do programa consistiu na distribuição de Medalhas de Comportamento Exemplar, distribuição de prémios das Aulas Regimentais e distribuição de Prémios dos Campeonatos Desportivos.

 MBI 6DEZ1953 Juramento Bandeira IVO Comandante do B. C. 2 recebe a Taça atribuída à Unidade que somou maior número de pontos.

Foram distribuídas Medalhas de Comportamento Exemplar a 441 praças da Guarnição desta Província por terem, pelo menos, três anos de serviço com a chamada «Folha Limpa» – isenção completa de faltas e castigos.

MBI 6DEZ1953 Juramento Bandeira VSua Ex.ª o Governador condecorou assim 28 praças europeias, 344 soldados do Batalhão de Caçadores 2, e 8 soldados africanos do Batalhão de Caçadores 1. Foram também distribuídas condecorações a 61 soldados que seguiram, há dias no vapor «Lúrio» de regresso a Moçambique.

MBI 6DEZ1953 Juramento Bandeira VIA escola de ginástica educativa dos novos Soldados de Portugal impressionou pelo aprumo e precisão de movimentos

A terceira parte foi iniciada pela apresentação do pelotão de recrutas. Para toda a assistência foi este um dos melhores números do programa. Nos vários exercícios que executaram os novos soldados demonstraram óptima e cuidada preparação evidenciando precisão e perícia, especialmente no manejo de armas e evoluções sem comando.

A assistência aplaudiu com verdadeiro entusiasmo os exercícios executados nos números de ginástica educativa e saltos ao plinto. A finalizar tão brilhante festa realizou-se, imponentemente, o desfile de todas as forças em parada, participando no desfile destacamentos de todas as unidades da guarnição, nomeadamente pelotões dos Batalhões de Caçadores 2 e 2, das Unidades de Artilharia e Engenharia das batarias Anti-Aéreas e o Esquadrão Motorizado em meios-auto.
Terminado o desfile, os convidados com as melhores impressões recebidas, dirigiram-se para o Clube Militar, onde lhes foi servido um delicado copo de água.
Informação e fotografias de “Macau, Boletim Informativo“, 1953