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Para os festejos que se realizaram em Macau, nos dias 17 a 20 de Maio de 1898, (1) em comemoração do 4.º centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia, criou-se uma sub-comissão encarregada de organizar um cortejo cívico para depor uma coroa de bronze junto ao busto de Luís de Camões, a realizar do dia 18 de Maio.

Assim, surgiu esta circular – convite que foi publicado no jornal «Echo Macaense» de 28 de Abril de 1898.

Extraído de «Echo Macaense», V-95 de 8 de Maio de 1898 in http://purl.pt/33024/3/html/index.

(1) O Programa dos festejos de gala para a celebração do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia foi publicado no Boletim Oficial n-º 20, desse ano. O programa formulado em 1897 foi autorizado pelo governo. Os festejos começaram a 17 de Maio sendo o ponto alto das comemorações no dia 20 de Maio que foi de completo feriado. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)

Parada junto da Sé de Macau

É celebrado um Te-Deum na Sé Catedral, aberta solenemente a Avenida Vasco da Gama, lançamento da 1.ª pedra para o seu monumento no jardim do mesmo nome e publicação do jornal «Jornal Único». https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/

Albert Einstein (1879-1955) em 1921
https://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein

Na sessão do Conselho Escolar do Liceu de 14 de Novembro de 1922, o Dr. Humberto Severino de Avelar (1) comunicou o seguinte:
«No desempenho da honrosa missão que a ele e aos seus colegas Dres. Adelino dos Santos Diniz e Telo de Azevedo Gomes fora incumbida pelo Conselho Escolar, se avistaram com o Professor Einstein a bordo do paquete «Kitano Maru» (2) no dia 9 do corrente, (3) a quem apresentaram as homenagens do mesmo Conselho, tendo-se aquele eminente sábio mostrado profundamente sensibilizado e reconhecido por tal facto, pedindo-lhes para apresentarem os seus agradecimentos ao Conselho e prometendo vir a Macau agradecer pessoalmente, desde que isso lhe fosse possível, no seu regresso do Japão» (4)

Albert Einstein e a esposa Elsa a bordo do «Kitano Maru», em 1922
https://www.scmp.com/magazines/post-magazine/travel/article/2140114/why-was-einstein-hong-kong-day-he-won-nobel-prize.

Afinal, Einstein não chegou a vir a Macau. Após uma permanência de 6 semanas no Japão, o retorno à Europa fez-se através de Shanghai, Hong Kong (6 de Janeiro de 1923), Singapura e Colombo.
(1) Os professores Humberto Severino de Avelar, Adelino dos Santos Diniz e Telo de Azevedo Gomes foram designados, na sessão do Conselho Escolar do Liceu (5) de 8 de Novembro de 1922, para irem a Hong Kong prestar homenagem ao Professor Einstein que por ali passava no dia 9; o reitor comunicou esta resolução ao Encarregado do Governo, o qual, compreendendo o alto significado deste démarche, deu a essa missão um carácter oficial enviando para esse fim ao Dr. Avelar, chefe da deputação, um ofício credencial. (2)
O Dr. Humberto de Avelar, bacharel em direito, além de professor no Liceu (latim e português)  exercia a sua profissão em consultório de advocacia na Rua de Praia Grande n.º 13.
(2) O paquete «Kitano Maru» vinha de França, via Singapura e partiu no dia seguinte, 10 de Novembro para o Japão.
(3) Precisamente a data, 9 de Novembro de 1922, em que foi anunciado em Oslo a atribuição do Prémio Nobel da Física de 1921 a Albert Einstein, “pelos serviços na física teórica e especialmente pela sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico” No entanto, Einstein somente recebeu a notícia por telegrama na sua chegada a Shanghai, três dias depois. A cerimónia da atribuição foi realizada a 10 de Dezembro, em Estocolmo, mas o físico não esteve presente pois encontrava-se em Kyoto.
NEBBS, ADAM – Why was Einstein in Hong Kong the day he won the Nobel Prize? in
https://www.scmp.com/magazines/post-magazine/travel/article/2140114/why-was-einstein-hong-kong-day-he-won-nobel-prize.
(4) Informações de TEIXEIRA, P. Manuel – Liceu Nacional Infante D. Henrique, 1969.
(5) O quadro de pessoal /professores) do Liceu Central de Macau, em 1922 era constituído por:

Pedido do Conservador do Registo Predial, Bacharel Camilo d´Almeida Pessanha, no dia 13 de Agosto de 1915, para que seu filho, João Manuel d´Almeida Pessanha, fosse admitido a exame de admissão à terceira classe do Liceu Nacional desta Província.” (1)
João Manuel d´Almeida Pessanha é filho de Camilo Pessanha e da sua companheira, Lei Ngoi Long (2) e  nasceu a 21 de Novembro de 1896.
A 13 de Dezembro de 1897, João Manuel de Almeida Pessanha é baptizado como filho de pais incógnitos, na igreja paroquial de Santo António. Foi seu padrinho Alfredo Augusto Ferreira de Almeida, funcionário público, natural de Lamego, e «madrinha, por devoção, Nossa Senhora da Conceição». (3)
A 24 de Agosto de 1900,  João Manuel de Almeida Pessanha é perfilhado, de acordo com escritura notarial feita na residência de Camilo Pessanha, no Largo de Santo Agostinho, n.º 1, em Macau. Foram testemunhas os seus colegas do Liceu, João Pereira Vasco e Mateus António de Lima. (4) No respectivo registo, afirma-se que «a criança está a ser criada em casa do china Kuoc-va-vai, casado, que vive nesta cidade dos seus rendimentos». (3)
A 17 de Janeiro de 1929, João Manuel de Almeida Pessanha requer o pagamento dos vencimentos de seu pai. (4)
João Manuel de Almeida Pessanha faleceu a 30 de Julho de 1941 de tuberculose pulmonar.  Teve de Francisca Xavier de Sousa do Espírito Santo Rosário (Aquita) uma filha, chamada Maria Rosa dos Remédios do Espírito Santo, (Manhão)  nascida em 1915 (ainda em vida do poeta, portanto) (5) e um filho “Nasce Camilo João de Almeida Pessanha, neto do poeta, no n.º 75 da Rua da Praia Grande. Era filho de João Manuel de Almeida Pessanha, «oficial da marinha mercante, e de mãe gentia», segundo a sua certidão de nascimento” (4)

Camilo Pessanha Campa S. Miguel IFoto tirada em 1988

Camilo Pessanha Campa S. Miguel IIA campa do poeta e da sua companheira (depois também aí enterrado o filho, João Manuel) foi construída a mando de João Manuel de Almeida Pessanha. A laje tumular tem gravada “as armas” da família “Pessanhas”  de que Camilo Pessanha, pelo lado paterno, pertencia. (6)

Camilo Pessanha Campa S. Miguel III

Que razões terão influído na escolha de João Manuel? Para responder, talvez seja necessário voltar um pouco atrás, até ao enquadramento familiar do sepultado…(…)
A relação existente entre pai e filho estava longe de ser boa. Alguns biógrafos dão a entender que Camilo não confiava no comportamento da mãe de João Manuel e que nutria sérias dúvidas acerca da paternidade deste…(…)
A presença das armas na campa de Camilo Pessanha, mantém-se contudo uma questão subjacente: qual terá sido a relação do poeta com a heráldica? João Manuel recorreu para a figuração destas armas. A resposta é fácil: as armas da campa são diretamente copiadas da capa ou folha de rosto da Noticia Historica dos Almirantes Pessanhas e Sua Descendencia Dada no Anno de 1900, da autoria de José Benedito de Almeida Pessanha, primo coirmão de Camilo… ” (7)
(1) Arquivo histórico de Macau – F. A. C. P. n.º 141 – S- E in SILVA,  Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4,1997.
(2) Segundo Danilo Barreiros, em 1895, Camilo Pessanha  compra uma concubina a um corrector, de quem vem a ter, um ano mais tarde, o filho João Manuel. http://purl.pt/14369/1/cronologia1894.html
(3) http://purl.pt/14369/1/cronologia1894.html
(4) O poeta Camilo Pessanha apresentou-se, em Agosto de 1893,  ao concurso para provimento dos cargos de docentes no recém-criado Liceu de Macau. Aprovado na Metrópole, juntamente com Horácio Poiares, Mateus de Lima e João Pereira Vasco.
Camilo Pessanha, morre em Macau, a 1 de Março de 1926, após prolongado sofrimento, na sua residência na Rua da Praia Grande n.º 75, às oito horas da manhã, vítima de tuberculose pulmonar. (SILVA,  Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4,1997.)
(5) http://www.geni.com/people/Jo%C3%A3o-Manuel-de-Almeida-Pessanha/6000000002371365132
(6) Camilo de Almeida Pessanha nasceu como filho ilegítimo de Francisco António de Almeida Pessanha, um estudante de direito de aristocracia, e Maria Espírito Santo Duarte Nunes Pereira, sua empregada, em 7 de Setembro de 1867, às 11.00 horas, na Sé Nova de Coimbra. O casal teria mais quatro filhos.
(7) SEIXAS, Miguel Metelo de – Intersecções Analógicas: Poesia e Heráldica em Camilo Pessanha
http://www.insightinteligencia.com.br/65/PDFs/pdf10.pdf