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Extraído do «Diário Illustrado», III Ano, nº  535. 1873

Nesse mesmo dia 18 de Dezembro de 1873, o Governador, Visconde de S. Januário, oficiou ao Vice Rei dos dois Kuangs, protestando contra a proibição da vinda do arroz da China para Macau e nesse mês deu-se por concluída a obra da construção do Hospital Militar de S. Januário.

SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 207

Notícia da noite de 25 para 26 de Outubro de 1872, publicada na «Gazeta de Macau e Timor» (1)

“PIRATAS – Na noite de 25 para 26, foi assaltada pelos piratas uma botica de opo cozido na ilha da Lapa; roubaram opio e outros objectos no valor aproximadamente de $400. Accudiu aos gritos de socorro, uma força de escuna Príncipe D. Carlos, commandada pelo zeloso guarda marinha Fonseca Regala, a qual não conseguiu prender os piratas, pois que, como é costume entre os chinas, os gritos de socorro são dados, sempre depois da retirada d´aquelles.”

(1) «Gazeta de Macau e Timor», I-6 de 29 de Outubro de 1872, p. 3

No dia 25 de Agosto de 1985, os «Correios e Telecomunicações de Macau / CTT MACAU» emitiram e puseram em circulação,” os segundos selos postais alusivos ao tema “Meios de Transportes”, com a emissão de “Barcos de Carga”, (1) (na sequência da anterior “Barcos de Pesca”) (2). A pagela desta emissão já foi publicada na postagem de 25-10-2017. (3) Foram emitidos também, nesse dia, 4 postais ao preço de 60 avos cada (3)

Os desenhos são de Ng Wai Kin.

Os quatros selos (3 cm x 4 cm) desta emissão são nos valores de 50 avos (Tou de Kau-Kong ou – T´au); 70 avos (Junco a motor “Veng Seng Lei”); 1 pataca (Junco a motor “Tong Heng Long n.º 2; e 6 patacas (Cargueiro “Fong Vong San”).

Os selos apresentam o logotipo da exibição mundial filatélica que decorreu em Roma (Itália) de 25 de Outubro a 3 de Novembro de 1985: “Esposizione Mondiale di Filatelia

 

TOU de KAU-KONG ou SA-T´AU

Conhecido antigamente pelo Tou das sedas. Tinham uma grande vela e serviam o distrito da seda do delta do rio Oeste. Sobre a cobertura permanente encontrava-se montada uma importante bateria de peças de artilharia para defesa da sua valiosa carga e protecção dos ricos negociantes que a acompanhavam. Actualmente ainda existem alguns TOUS, embora desarmados, que se dedicam ao transporte de materiais para a construção civil.

JUNCO A MOTOR “VENG SENG LEI”

Junco de madeira construído em Macau, utilizado no transporte de carga geral, cujo modelo foi introduzido na Província de Kuangtung há cerca de 40 anos, tendo-lhe sido introduzidas algumas alterações na forma de casco e no castelo de proa, que foi elevado, dando-lhe assim possibilidade de enfrentar ondulação mais alterosa. Desloca 229 toneladas brutas com um comprimento fora a fora de 109 pés, 22,6 pés de boca máxima e 11 pés de calado máximo, e uma tripulação que oscila entre 7 e 10 homens.

JUNCO A MOTOR “TONG HENG LONG N. º 2”

Junco de madeira construído em Macau, utilizado no transporte de carga geral, do mesmo modelo que o “VENG SENG LEI”, mas com dimensões ligeiramente superiores. Desloca 306 toneladas brutas, com um comprimento fora a fora de 115 pés, 25,6 pés de boca máxima e 9 pés de calado máximo, tendo uma tripulação entre 7 e 10 homens.

CARGUEIRO “FONG VONG SAN”

Pequeno cargueiro de casco de ferro, destinado ao transporte de carga geral e também de contentores. Com um deslocamento de 337 toneladas brutas, 129 pés de boca máxima e 8 pés de calado máximo, dispõe de um motor principal de 425HP, sendo a tripulação e 13 homens.

Comandante João Manuel Nobre de Carvalho (3) – Director dos Serviços de Marinha de Macau in pagela n.º 18 de «CTT» de 25 de Outubro de 1985

(1) “Meios de Transporte Tradicionais – Barcos de carga” (emissão extraordinária) (B.O. n.º 42 de 19 de Outubro, p. 3078; Portaria n.º 205/85/M

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/22/noticia-de-22-de-outubro-de-1984-filatelia-barcos-de-pesca/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/25/noticia-de-25-de-outubro-de-1985-filatelia-barcos-de-carga/  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/22/postais-barcos-de-carga-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/26/postais-barcos-de-carga-ii/

Artigo do jornal “ Notícias de Macau” de 9 de Outubro de 1968, reproduzido no «Boletim Geral do Ultramar» (1)

(1) «BGU» ANO XLIV, 521/522, NOV/DEZ de 1968, pp. 222-224
Extraído de «TSYK» III ano, n.º 1, de 5 de Outubro de 1865 p. 2
Extraído de «TSYK» III ano, n.º 2, de 12 de Outubro de 1865 p.6

NOTA – o termo “garrar” utilizado na marinha significa:  ir a embarcação à mercê da água por ter rebentado a amarra ou por a âncora não ficar presa.

Ver a mesma notícia e outras referências deste farol em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/24/noticia-24-de-setembro-de-1865-farol-da-guia/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/farol-da-guia/

Sobrescrito de 1.º dia -11,4 cm x 16,2 cm (C6). Preço: 1, 5 pataca

No dia 28 de Agosto de 1986, os «Correios e Telecomunicações de Macau / CTT MACAU» emitiram e puseram em circulação selos postais alusivos à emissão “ Meios de Transportes”. (1) Trata-se de uma continuação da emissão de selos sob o tema “Meios de Transporte “ iniciado em 1984 com os “Barcos de Pesca” e terminado com os “Hidroaviões” (já publicados em anteriores postagens) (2)

As embarcações tradicionais chinesas utilizadas no transporte de passageiros entre Macau e os portos vizinhos, designavam-se genericamente por “TOU”, como qualquer embarcação de carreira, e eram construídas em madeira e de propulsão à vela. Algumas  dispunham também de uma roda da pás à popa , accionada pelos tripulantes por meio  de pedais. Os barcos de passageiros que demandam actualmente (1986) Macau são todos de propulsão a motor, e na sua maior parte fazem uso das mais modernas técnicas de sustentação dinâmica, que lhes permite reduzir do casco na água, e alcançar velocidades de cruzeiro muito elevada, com economia de combustível.” (3)

Os quatros selos desta emissão são nos valores de 10 avos (hidrofoil), 40 avos (hovermarine), 3,00 patacas (jetfoil) e 7,50 patacas (high speed ferry). Os desenhos são de  Ng Wai Kin

HYDROFOIL – é uma embarcação rápida propulsionada poe hélice, que utiliza uma técnica moderna de sustentação dinâmica. Navega à velocidade de cruzeiro de 33 nós, apoiando-se em estruturas rígidas, de formas finas, que mantêm o casco numa posição elevada em relação à superfície da água, quando em movimento rápido. O modelo em uso nas carreiras de Macau tem 30,4 m de comprimento, 5,8 m de boca e um calado que varia entre 4 m, quando parado, e 1,96m, quando em cruzeiro, e tem uma lotação de 126 passageiros, fazendo o percurso entre as duas cidades em aproximadamente 1 hora e 15 minutos. (3)

HOVERMARINE – é uma embarcação rápida, propulsionada por hélice, que navega sobre uma almofada de ar gerada pela moderna técnica de insuflação de ar no casco, especialmente adaptado, elevando-o acima da superfície da água. O modelo em uso nas carreiras de Macau é constituído em fibra de vidro reforçada, tem uma lotação de 200 passageiros e dispõe de dois motores diesel propulsores que lhe dão velocidade de cruzeiro de 36 nós, com autonomia para 200 milhas. Tem 27,2 m de comprimento, 10,2 m de boca e 1,4 m de calado quando em elevação. Faz o mesmo percurso em cerca de 1 hora. (3)

JETFOIL – é uma embarcação muito rápida que utiliza as modernas técnicas de propulsão por jacto de água e de sustentação dinâmica. Navega à velocidade de cruzeiro de42 nós, apoiando-se em estruturas rígidas, de formas finas que, quando em deslocamento rápido, mantém o casco numa posição elevada acima da superfície da água, a uma altura regulável, come estabilização automática. Tem uma lotação de 260 passageiros, cobrindo a distância entre Macau e Hong Kong em cerca de 50 minutos. As suas dimensões são: 27, 4 m de comprimento, 9,14 m de boca e 5,18 m de calado imobilizado que se reduz a 1,52 m à velocidade de cruzeiro. (3)

HIGH SPEED FERRY – é um navio convencional que atinge altas velocidades de cruzeiro para o seu tipo, devido à grande potência instalada: 12000BHP para uma tonelagem bruta de 1136 ton, atingindo uma velocidade de cruzeiro de 27 nós., fazendo o percurso entre Macau e Hong Kong em cerca 1 hora e 30 minutos. Tem uma lotação de 660 passageiros e as suas dimensões são: 57,79 m de comprimento, 10,20 m de boca e 2,66 m de calado (3)

Da folha lembrança n.º 22, sobrescrito do 1.º dia de circulação, com o seu motivo e a reprodução dos selos e da obliteração de 1.º dia.
Dados Técnicos

(1) Foram emitidos nesse dia, 4 postais com o mesmo motivo, ao preço de 60 avos.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/09/noticia-de-9-de-outubro-de-1989-1-o-dia-de-circulacao-meios-de-transpor-tes-tradiconais-hidroavioes-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/10/09/noticia-de-9-de-outubro-de-1989-1-o-dia-de-circulacao-meios-de-transpor-tes-tradiconais-hidroavioes/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/07/15/noticia-de-15-de-julho-de-1988-filatelia-meios-de-transportes-tradicionais-2o-grupo/

(3) SOARES, Comandante António Martins  ( Director dos Serviços da Marinha) in folha lembrança n.º 22 do C.T.T.

Extraído de «Aurora Macaense», Vol. I, n.º32 de 19 de Agosto de 1843

Extraído de «BGPMTS», I-41 de 28 de Julho de 1855, p. 162

NOTA 1 – “Côxam” – verbo: cochar – em náutica torcer cabos

NOTA 2 – Este episódio está datado em 28-08-1855 em GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995 e Vol II, 2015)

NOTA 3: “Formou-se provavelmente no Pacífico e atingiu Macau vindo de E. Os chineses classificaram-no como «Tufão Pequeno» por ter produzido pouco estragos. O vento soprou de N e NE rondando mais tarde para E e SE ao mesmo tempo que diminuía de intensidade. (NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que assolaram Macau, 1957

No dia 8 de Julho de 1985, comemorou-se em Macau, o Dia da Marinha, com um programa recheado de actividades, onde os marinheiros que prestavam serviço no Território puderam comemorar a data de exaltação do seu ramo.

Jardim Vasco da Gama – monumento a Vasco da Gama Revista «Nam Van», n.º 15, 198

Até 1998, o Dia da Marinha Portuguesa era celebrado a 8 de julho, data da partida da armada de Vasco da Gama de Lisboa, em 1497. Desde 1998, este dia passou a ser celebrado a 20 de Maio, em homenagem ao grande feito de Vasco da Gama (c.1469-1524). Trata-se do dia em que a sua pioneira armada, que pela primeira vez na história ligou, por via marítima, a Europa ao Oriente, chegou a Calecute, na Índia, em 1498. Com esta alteração, pretendeu-se dar enfâse ao cumprimento do objetivo perseguido durante décadas, o descobrimento do caminho marítimo para a Índia. https://www.marinha.pt/pt/a-marinha/simbolos-tradicoes/Paginas/dia-da-marinha.aspx

Em Portugal foi emitido nesse ano, uma Medalha comemorativa “DIA DA MARINHA 1985”, com as seguintes indicações: medidas – Diâmetro – 8 cm; Espessura 4 mm; Medalha Assinada – Esc. Eduardo Leitão / Gr. Adolfo CUNHARTE; Peso – 184 gramas

Anverso – DIA DA MARINHA 1985 – Nau Portuguesa Séc XV (Gravura da Época) (1)
Reverso – Pedro Reinel – 1485 , autor da mais antiga  carta portuguesa que se conhece

(1) Imagem retirada do sítio de vendas on line «coisas» https://www.coisas.com/Medalha-Dia-da-Marinha-1985,name,222534565,auction_id,auction_details

Relato sumário das acções realizadas pela Canhoneira “Tejo” desde a saída de Macau no dia 21 de Maio até voltar a 27 de Maio de 1876, período em que esteve, no dia 24 de Maio, em Hong Kong, nos festejos do aniversário natalício da Majestade Britânica (1)

Extraído de «BPMT», XXII – 23 de 3 de Junho de 1876

O primeiro tenente Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (2) foi nomeado comandante da Canhoneira “Tejo” (3) em despacho de El-Rei de 4 de Março de 1876, em substituição do primeiro tenente da armada Fernando Augusto da Costa Cabral (4)

Extraído de «BPMT», XXII – 24 de 10 de Junho de 1876,

(1) Rainha Vitória (24 de Maio de 1819 – 22 de Janeiro de 1901) do Reino Unido de 1837 até à sua morte

(2) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (1844 -1923) (reformado com o posto de Almirante), filho do Governador João Maria Ferreira do Amaral, Tinha 5 anos quando o pai foi assassinado, assentou praça na marinha aos 12 anos de idade; em 1855 era aspirante; e em 1861 completou o curso sendo promovido a guarda marinha em Agosto de 1866 e a primeiro-tenente em 1874. Nesse meio tempo, comandou os seguintes navios: «Penha Firme», o couraçado «Vasco da Gama, em que foi à inauguração do canal de Kiel na Alemanha; imediato da corveta «Mindelo», da fragata «D. Fernando» e comandante da corveta «Duque da Palmela». Como comandante do vapor «Tete» participou na expedição à África Oriental, tomando parte em três combates. Governou S. Tomé e Moçâmedes em 1878 e 1879. Em 1882 nomeado governador de Angola e em 1886 governador da Índia. Ministro da Marinha em 1892 e ministro interino dos Negócios estrangeiros em 1898.

Foi comandante da Estação Naval de Macau de 1876 a 1878. Em 1878 levou a Bangkok na canhoneira «Tejo», o Governador de Macau Carlos Eugénio Correia da Silva, que lá foi em missão diplomática. Esta missão regressou a Macau a 20 de Março de 1878. Ferreira do Amaral que não se dava bem com o governador Correia da Silva, (episódio que relatarei em próxima postagem) recusou receber o mandarim da Província de Cantão que vinha a Macau, em Julho de 1878, pois não podia suportar a afronta à memória do pai. Na véspera entregou o Comando da canhoneira ao oficial imediato e foi para o Hong Kong. O governador vingou-se, pedindo a sua exoneração a El Rei, e Ferreira do Amaral foi exonerado do comando com regresso imediato ao reino. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988, pp. 117-118.)

(3) Ver anteriores referências à Canhoneira «Tejo» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-tejo/

Na Revista “O Occidente”, XIII- n.º 418 de 1 de Agosto de 1890, na página 171 aparece um apontamento quanto à duração da estadia em Macau da canhoneira, na nota de rodapé do artigo “Apontamentos sobre a Marinha de Guerra dos Diversos Países – Marinha de Guerra Portuguesa”::

(4) Fernando Augusto de Costa Cabral (1839-1901), filho de António Bernardo da Costa Cabral, 1.º conde de Tomar e 1.º marquês de Tomar, instaurou o “Cabralismo” em Portugal) )   irmão de António Bernardo da Costa Cabral, 2.º conde de Tomar, foi oficial na marinha, contra-almirante, condecorado com a medalha da Crimeia e cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, e foi ajudante de campo do rei D. Carlos. O pai adoeceu gravemente em Nápoles, , em princípios de Setembro de 1885, sendo trzido para Portugal a bordo da corveta Estefânia, então sob o comando do seu filho Fernando Augusto da Costa Cabral. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Bernardo_da_Costa_Cabrall