Archives for posts with tag: Manuel Vicente Roza

Continuação da publicação das fotografias deste pequeno álbum (1)

“SOUVENIR DE MACAU” 

Souvenir de Macau 1910 Praia GrandePRAIA GRANDE

“One of the most enchanting scenes in Macao is that of this beautiful bay, quiet and graceful sweep of sea wall and rows of houses rising up the gentle slopes and the ancient forts and modern public buildings dotted here and there, while behind all rise the Mountains of Lappa and to the right those beyond the Barrier. All descriptions are imperfect; some fail from an attempt to liken this beautiful little gem with another world-renowned spot, the Bay of Naples.” (2)

Souvenir de Macau 1910 Palácio das RepartiçõesO PALÁCIO DAS REPARTIÇÕES

“About the centre of the Praya Grande is situated the building now occupied as Government Offices. It is one of the finest and largest buildings on the Praya Grande; and was for many years the residence of the Governors. Sr. Roza transferred his gubernatorial dwelling to the fine Cercal Palace, further along, which is now the Government House of Macao; and the Judicial Department and that of the Junta de Tazenda were moved into the former head-quarters of the Governor. As sufficient space room for the department of the Procurator of Chinese Affairs was found in this same building, it was moved from its old office, a house belonging to the old convent of Santa Clara.” (2)

 Souvenir de Macau 1910 Palácio do GovernoO PALÁCIO DO GOVERNO

“The Governor’s town residence is on the Praya Grande and is a fine building. One of the most striking features about the public buildings in Macao is the clean state in which they are kept, affording often a striking contrast to those in Hongkong: it is a pleasure to the eye to rest on the former. The Chinese even note the difference and animadvert on those in Hongkong. This building was bought from the Baron do Cercal” (2)
(1)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/29/macau-de-1910-souvenir-de-macau-i/ 
(2) BALL, J. Dyer – Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, 1905.

A 9 de Novembro de 1766, o marinheiro Eugénio, natural de Macau, matou um china com uma pedrada na Praia da Feitoria; os mandarins exigiram a sua morte imediata. O Senado, com os moradores, pediu-lhes o prazo de 3 dias para, segundo as nossas leis, se preparar para a morte; eles deram só um dia, Simão Vicente da Rosa (1) e Miranda de Sousa ofereceram dinheiro aos mandarins, mas estes recusaram adiar; e assim foi executado o marinheiro Eugénio.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3.
 
(1) Sobrinho de Manuel Vicente Roza (Rosa) referido em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-vicente-roza/

O livro “Mercadores do Ópio – Macau no tempo de Quianlong”,(1) de Maria Helena do Carmo, retrata, de forma romanceada, a História de Macau na segunda metade do século XVIII, marcada pela intensificação do comércio do ópio, acompanhando a vivência de uma família macaense, (2) poderosa e rica que vivia do comércio e de outros mercadores que para sobreviverem recorrem ao comércio do ópio.
Lançada em 2012 em Portugal e apresentado em Macau no dia 2 de Maio de 2013 no Instituto Internacional de Macau.

Mercadores do Ópio CAPA

Maria Helena do Carmo, licenciada em História, (3) que deixou Macau para regressar a Portugal em 1999, explicou que a sua obra “tende a retratar Macau na segunda metade do século XVIII, mais propriamente a partir de 1735/36, acompanhando o reinado de Quianlong, que governou durante 60 anos na China…” (4)
“… Quando o ópio passou a ser clandestino, tornou-se também rentável e os barcos começaram a direccionar-se para a Índia para irem buscar [essa droga] para venderem na China e o seu comércio intensificou-se na segunda metade do século XVIII”, explicou a investigadora. (4)

Mercadores do Ópio CAPA +CONTACAPANa contra-capa:
… A obra retrata a saga de quatro gerações conterrâneas de Quianlong, dando relevo ao aldo humano das personagens, que enfrentaram, em constante reação às leis imperiais, difíceis situações económicas e políticas.
Os Vicente Rosa, enriquecidos com o comércio e o contrabando do ópio na China, então proibido no Império do Meio, viram-se aprisionados na gaiola dourada de Macau para deterem recursos financeiros e uma frota mercantil que sustentava a cidade em épocas de crise. A sua permanência no território assegurou a continuidade da presença portuguesa…

Imperador QianlongNOTA: O Imperador Qianlong (乾隆) (1711 – 1799) foi o sexto imperador manchu da Dinastia Qing, e o quarto imperador Qing da China. Quarto filho do imperador Yongzheng, (雍正) que faleceu em 1735. Reinou oficialmente a partir de 18 de Outubro de 1735 até 9 de Fevereiro de 1796, quando abdicou em favor de seu filho, Jiaqing.(嘉慶) http://en.wikipedia.org/wiki/Qianlong_Emperor 
(1) CARMO, Maria Helena do – Mercadores do Ópio, Macau no tempo do Ópio” Editorial Tágide, 2012, 285 p.
(2) Família Vicente Rosa: iniciando com Manuel Vicente Roza (Rosa), natural de Tancos (Santarém) que chega a Macau em 1708 e se torna um grande capitalista, muito rico com o comércio e contrabando do ópio. Faleceu em 1751. Casado com Isabel da Cruz (falecida em 1738), não teve descendência, pelo que mandou vir da sua terra natal os dois sobrinhos Simão Vicente da Rosa que enriqueceu (adquiriu a ilha Verde) continuando os negócios do tio e António Vicente Rosa que chegaram a Macau em 1738.
14-08-1765 – Na monção deste ano vem a ordem do V. R. de Goa para entregar a Ilha Verde a Simão Vicente Rosa, em satisfação de 6 147 taeis e 346 caixas que lhe deviam os Colégios de S. Paulo e de S. José; nessa ordem dizia-se que o Senado a quisesse, fosse a leilão e a tomasse pelo último lanço; na vereação de 14-08-1765, assentou-se «que não convinha a este Senado o haver a dita Ilha Verde» (SILVA, Beatriz Basto da –  Cronologia da História de Macau, 3.º Vol.)
Referências a esta família em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-vicente-roza/
(3) Fez o mestrado em Língua e Cultura Portuguesa, variante História, na Universidade de Macau, na década de 90, com uma dissertação sobre os interesses portugueses em Macau na primeira metade do século XVIII.
(4) Entrevista dada ao jornal “Ponto Final” de 23 de Maio de 2013.

Ana d´Araújo e Barros, Irmãs da mulher de Simão Vicente Roza, Thia destes Rozas e também Irmãs da May de Diogo de Carvalho alias o gago que morreo em Bom Porto de quem ainda heide fallar, quando casou com Vicente da Matta, Manoel Vicente Roza lhe deo em dotte o Navio St.ª Anna, e como ficasse Viuva em 12 de Septembro do anno passado ficou com o Navio, e fosse ainda menina se enamorou de Vicente Ferreira de Carvalho e com elle se casou.
Manoel Vicente Roza não agradando deste casamento pertendeo tirar-lhe o Navio disendo que elle o tinha dado tão somente em q.º Vicente da Matta fosse vivo e logo que elle morreo lhe pertencia. O Carvalho desia que não porque elle Rosa o tinha dado em dotte, e como elle tinha casado com a Viuva lhe pertencia pelo mesmo previlégio do dotte pois que sua mulher fora dotada, e como o dito Roza não quis estar por estas razões pôs a cauza em Juíso contra o referido Carvalho o que correndo os seus termos, o Juís Ordinário José Coelho, cunhado de João Ribeiro dêo sentença a favor do reo.
Indignado Manoel Vicente de ter sahido contra si, não só ameaçou o Juís mas lhe dêo 17 paes d´ouro para que revogasse a Sentença a qual já elle Roza tinha posto embargos. O Juís não só pelo medo, mas movido pelo interesse recebeo os Embargos e revogou a Sentença, isto nos fins de Novembro. O Carvalho vendo-se desapossado do seu Navio se valeo do Governador, contando-lhe todo o facto e a injustiça do Juís pelo interesse de 17 paes d´ouro.
O Governador emediatamente mandou pôr huma Guarda a bordo do navio com ordem para que Manoel Vicente da Roza não tivesse authoridade alguma nelle, e que visto a Justiça ser suspeita se fosse descidir a cauza em Goa e assim ficou elle Carvalho desembaraçado para consertar o Navio.
BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado. Instituto Cultural de Macau, 1987, 78 p.

Manuel Vicente Rosa nasceu em Tancos (Santarém). Chegou a Macau por volta de 1708 e casou com Isabel da Cruz que faleceu sem deixar descendência em 1738 (sepultada no adro da Igreja de S. Domingo) e deixando um legado à confraria de N. Sr.ª dos Remédios. (1)
Como nunca teve filhos e era muito rico, mandou vir da sua terra natal dois sobrinhos, Simão Vicente Rosa, que chegou a Macau a 3 de Outubro de 1738 e António Vicente Rosa, que deve ter chegado na mesma altura.
Faleceu em 1751.
Em 28-06-1719 – Manuel Vicente Rosa, Pascoal da Rosa e Manuel Leite Pereira foram recebidos em Siu-Heng pelo Prefeito, que lhes entregou os presentes do Imperador destinados ao Senado. Não receberam chapa, como esperavam, limitando-se o Prefeito a informar que o Imperador mandava dizer que vivessem os portugueses de Macau quietos e sossegados.
Em 1726; Manuel Vicente Rosa deu 726 taeis para as despesas da embaixada de Alexandre Metelo de Sousa Meneses ao Imperador da China.
Possuía uma chalupa, chamada S. José, que naufragou entre os anos de 1735 e 1745, tendo-se perdido toda a gente a bordo, com excepção de 4 pessoas (2)
O Ouvidor Manuel Vicente Rosa é também conhecido pelo episódios que teve com o futuro Governador (nomeado em 1717), António Albuquerque Coelho (este afirmara, em 1714, «ser inimigo declarado seu já de cinco anos a esta parte») que o mandou prender em 1712. Por sua vez Manuel Vicente Rosa mandou encarcerá-lo na Fortaleza da Guia em 22 de Setembro de 1714.

(1) 15-12-1821 – Foram introduzidas na administração da Fazenda $ 10.000 provenientes do resto dos legados deixados por Maria Marim e Isabel da Cruz, por ordem do juiz das capelas, Conselheiro Miguel de Arriaga Brum da Silveira, a juros de 7% ao ano
Deixou ainda, um legado de mil taeis n para dotar as órfãs pobres a fim de se poderem casar. (2)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XVIII, Volume 2. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 216 p. (ISBN 972-8091-09-5).