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Convite à População do Governador da Província de Macau, Manuel Firmino de Almeida Maia Gonçalves, de 3 de Abril de 1926,  (1) para a comemoração militar do oitavo aniversário da Batalha do Lys “data fixada para a comemoração do esforço de Portugal na Grande Guerra e para a prestação de homenagem àqueles que, ao serviço da Pátria, perderam as vidas”.
A cerimónia militar realizou-se de tarde pelas 15H00 no Campo Desportivo de Tap Seac com a presença das Unidades da Guarnição em parada (700 homens) e um minuto de silêncio, marcado por dois tiros que foram dados pela Fortaleza do Monte, além das alocações proferidas pelo Governador e o Bispo de Macau, D. José da Costa Nunes. Terminou o acto com uma salva de 21 tiros.
De manhã houve missa cantada na Sé Catedral. Sobre este mesmo acontecimento, ver ainda relato do Padre Teixeira, postado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/09/historia-9-de-abril-de-1926/
Manuel Firmino de Almeida Maia Gonçalves, (2) oficial do estado maior, governador de 18-10-1925 a 22-07-1926, demitido do cargo pela ditadura militar Foi o último Governador da 1.ª república. Devido à revolução militar de 28 de Maio de 1926, com implantação da ditadura de Marechal Gomes da Costa, ficou o governo interino de 1-08-1926 a 8-12-1926 a cargo do Vice-Almirante e engenheiro hidrógrafo  Hugo Carvalho de Lacerda Castelo Branco, (3) até à nomeação do governador Artur Tamagnini de Sousa Barbosa (apoiante entusiasta do golpe), pela 2.ª vez,  em 8-12.1926.
Maia Magalhães era um democrata, esteve contra a “Monarquia do Norte”, tendo-se distinguido na defesa de Chaves contra as tropas de Paiva Couceiro e mais tarde esteve no “Corpo Expedicionário Português” que combateu em França na “Primeira Grande Guerra Mundial”. Participou, em 1931, na fracassada “revolta da Madeira” contra a ditadura, sendo então preso. Morreria no ano seguinte. (4)
(1) Publicado no «BOGPM» n.º 14 de 3 de Abril de 1926.
(2) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-maia-magalhaes/
(3) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hugo-lacerda-castelo-branco/
(4) Sobre essa época, aconselho leitura do artigo de João Guedes, no seu blogue «Tempos do Oriente» em:
https://temposdoriente.wordpress.com/2010/07/

Em anterior “post” de 07/11/2013, referi a esta Exposição  (1), que foi inaugurada a 7 de Novembro de 1926, num terreno entre as Avenidas Coronel Mesquita, Horta e Costa e Ferreira d´Almeida.
Volto a esta notícia com mais elementos.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 MAPAMapa da localização da Exposição Industrial e Feira de Macau

 De 7 de Novembro a 12 de Dezembro de 1926, Macau assiste à “Exposição Industrial e Feira de Macau”, ideia do Dr. Rodrigo Rodrigues, (2) já de 1923, mas que por vicissitudes várias só permitiram a sua concretização nessa data.
Estava nessa altura como Governador interino o Almirante Hugo de Lacerda. (3) Em 26 de Junho de 1926 foi nomeada a comissão especificamente encarregada da organização da Exposição industrial (4).

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 C.O.Foto dos Membros da Comissão Organizadora.
No medalhão desta foto, o Almirante Hugo de Lacerda (Ver actualização no final)

Para a atribuição dos prémios (5) e diplomas constitui-se um júri que integrou: almirante Hugo de Lacerda (Governador interino), o eng. João Carlos Alves (Presidente da Comissão da Exposição e Director das Obras dos Portos), Manuel Monteiro Lopes (gerente do B. N.U.), o capitão de fragata Gregório Fernandes, o Pe. Manuel Pita, o dr. Manuel da Silva Mendes e o Dr. Telo de Azevedo Gomes.
A comissão organizadora iniciou os trabalhos com uma intensa actividade de propaganda de Macau e da Feira, tendo sido distribuídos 10 000 prospectos fora de Macau e 15 000 em Macau.
Em Setembro desse mesmo ano, um forte tufão destruiu parte das construções até aí realizadas.
Os artigos que foram apresentados nesta Exposição Industrial, eram da maior diversidade conforme os expositores constante do quadro seguinte.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 TABELA COMERCIANTES

Além da feira, muitas outras actividades foram realizadas nesse período: jogos desportivos, gincanas de automóveis, batuques e danças guerreiras das tropas africanas e de Timor, serenata pelos estudantes do Liceu, etc.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 RODA ELECTRICAFotografia do lago natural (iluminado de noite)
onde se “vê” a «roda eléctrica – Ferry-Weel»

Com uma estimativa da despesa entre 30 000 e 50 000 patacas, a Comissão organizadora teve a contribuição de 15 000 patacas (o Governo contribuiu directamente com 3 000 e o restante 12 000 saiu da verba das Obras dos Portos- verba de Propaganda que estava a seu cargo).
A receita total atingiu a importância de 26 612, 66 patacas e a despesa feita foi de 25 865,96 patacas, havendo um saldo positivo de 746,70 patacas que a Comissão da Exposição resolveu destinar ao “Museu Etnográfico Luís de Camões” (criada logo depois de exposição para albergar muito do material desta organização.(6)

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IPavilhão de Portugal-Oriente Ltda.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IIPavilhão da China «Merchants Tobacco Co. Ltd.»

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IIIPavilhão da «The Goat & Copasses»

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IVPavilhão da Livraria Portugália

(1) Ver “Notícia de 7 de Novembro de 1926 – Exposição Industrial e Feira de Macau em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/exposicao-industrial-e-feira-de-macau/ 
(2) Rodrigo José Rodrigues, capitão-médico, governador de Macau de 5 de Janeiro de 1923 a 16 de Julho de 1924.
(3) Em 22-07-1926, foi exonerado o Governador Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães e nomeado, em seu lugar, Artur Tamagnini de Sousa Barbosa. Nessa data, nomeação, a título interino, do Almirante Hugo de Lacerda Castelo Branco, para o cargo, até chegar o proprietário. (GOMES, L.G. – Efemérides da História de Macau). A exoneração do governador terá sido em consequência da mudança política em Portugal com a Revolução Militar de 28-05-1926 e posterior ditadura do Marechal Gomes da Costa.
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.
(5) “«Choi Heng», a principal firma de Macau a trabalhar em cobre obteve o diploma de ouro na Exposição Industrial e Feira de Macau. Os seus artigos vão principalmente para a América.” (4)
(6) O Museu Comercial e Etnográfico «Luís de Camões» foi criado em 1926 (Portaria n.º 221 de 5 de Novembro de 1926), pelo Governador interino, Almirante Hugo de Lacerda. Ver referência a este Museu em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/12/noticia-de-12-de-dezembro-de-1936-museu-luis-de-camoes/

Informações e fotografias recolhidas de ALVES, João Carlos; PIRES, João Barbosa – Macau e a sua Primeira Exposição Industrial e Feira. Com uma breve notícia do Porto. Macau, 1927. Tip. Mercantil da N. T. Fernandes e Filhos, 39 pp., 23 cm.

ACTUALIZAÇÃO em 24-12-2015: a COMISSÃO Promotora da Exposição Industrial e Feira de Macau era constituída por:
Presidente Honorário – Exa. o Governador, Almirante Hugo Carvalho de Lacerda Castel Branco
Presidente –
Engenheiro João Carlos Alves – Director das Obras dos Portos (Interino)
Vogais –
Manuel Monteiro Lopes – Gerente da Agência do Banco Nacional Ultramarino
Comendador Lou-Lim-Ioc
João Gregório Fernandes – Capitão de Fragata (reformado)
Major Victor de Lacerda – Chefe da 2.ª Secção das Obras dos Portos
José Maria Lopes – Capitão-Tenente
Henrique Nolasco da Silva – Advogado
Frederic G. Gellion – Gerente de “Macao Electric Lighting Co. Ltd.”
Fong-Choc-Lam – Capitalista
José Vicente Jorge – Chefe da Repartição do Expediente Sínico (aposentado)
António Maria da  Silva – Sub-Chefe da Repartição do Expediente Sínico (interino)
Artur António Tristão Borges – Escrivão da Capitania dos Portos
P.e Manuel José Pitta – Missionário do Padroado do Oriente
Hu-Cheong – Capitalista
Cap. Afonso da Veiga Cardoso – Administrador do Concelho
Ten. Gaudêncio da Conceição – Comandante do Corpo de Salvação Pública
Secretário –
João Barbosa Pires – Chefe de Propaganda das Obras dos Portos

e a composição do COMISSARIADO da Exposição Industrial e Feira de Macau, era:
Presidente – Rev. P.e Manuel José Pitta
Vogais –
Henrique Nolasco da Silva – Advogado e proprietário
Artur A. Tristão Borges – Escrivão da Capitania dos Portos
Major Victor de Lacerda – Chefe da 2.ª Secção das Obras dos Portos
Afonso de Veiga Cardoso – Administrador do Concelho e Comissário de Polícia
Gaudêncio da Conceição – Comandante do Corpo de Salvação Pública da Polícia  de Segurança
Secretário – João Barbosa Pires – Chefe da Propaganda das Obras dos Portos

Neste dia de 1926 aconteceu em Macau,  a apreensão e destruição do livro « Historic Macao » da autoria de Montalto de Jesus.
Historic Macao
C. A. Montalto de Jesus (Hong Kong 1863- Hong Kong 1927) publicou o livro «Historic Macao», em Hong Kong no ano de 1902, tornando-se desde logo num livro de leitura obrigatória para quem quisesse estudar e compreender a História de Macau.  (1)
A apreensão e destruição do livro, em Macau, em 1926, por decisão judicial foi devido à publicação da 2.ª edição, publicada em Macau (2) em que o autor incluiu três capítulos finais sobre a situação de Macau (muito crítico à governação do Território), (3) advogando uma “autodeterminação de Macau”, sob a tutela da Liga das Nações.
No prefácio da edição de 1926, o autor referia:
Fica a esperança de que esta obra venha a provar-se útil e não seja simplesmente olhada como uma enfant terrible por, ao divulgar a verdade como tal, pretender estar de acordo com o verdadeiro propósito da História: salvar de uma depreciação injusta e do esquecimento grandes feitos que possam servir de vir de aviso para s. incentivo às gerações actuais e demonstrar os erros desastrosos cujas profundas consequência hão-de servir de aviso para que a posteridade evite maiores castigos. Só assim a história poderá realizar o propósito último de mostrar os deveres e os direitos cívicos de cada um e de invocar a causa da justiça na reparação de erros gritantes….”
NOTA: O livro teve  uma edição publicada em Hong Kong em 1984, um «fac-simile» do livro.
Em Macau, a primeira tradução para português da versão apreendida em 1926 “Macau Histórico“, foi publicada pelo “Livros do Oriente”, Setembro de 1990, com prefácio (“Em Jeito de Introdução” ) do Dr. Carlos Estorninho.

Macau Histórico

(1) Até essa data somente dois ensaios com uma síntese da história de Macau era conhecida,  do sueco Andrew LjungstedtContribution to an Historical Sketch  of the Portuguese Settlements in China, Principally of Macao; of the Portuguese Envoys  and Embassadors to China; of the Catholic Missions in China; and of the Papal Legates to China“, de 1832 (publicado em Macau)  e ” Portuguese in China: Contribution to an Historical Sketch of the Roman Catholic Church of Macao; and the Domestic and Foreign Relations of Macao” de 1834 (editado em Cantão). Estes dois ensaios foram posteriormente publicados (corrigidos e desenvolvidos) em ” An Historical Sketch of the Portugueses Settlements in China; and of rhe Roman Catolich Church and Mission in China”, 1936.
Um outro livro da história de Macau (também em síntese) , de Eudore de Colomban (pseudónimo do P.e francês Régis Gervais) foi elaborado em 1923 mas sómente publicado no ano de 1927 “Resumo da História de Macau, refundido e aumentado pelo editor Jacinto José do Nascimento Moura
Referências a estes dois livros em anteriores posts:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/10/leitura-resumo-da-historia-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/
(2) JESUS, C. A. Montalto de – Historic Macau. International Traits in China old and New. Second Edition, revised and enlarged, nineteen illustrations. Macao, Salesian Printing Press and Tipografia Mercantil, 1926.
(3) O Governador nessa data era Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães (eleito a 18 de Outubro de 1925)  e exonerado a 22-07-1926 quando Artur Tamagnini de Sousa Barbosa toma posse de Governador (2.º mandato) embora o auto de posse só aconteça a 8 de Dezembro desse ano. Ficou como interino durante esse período, o Almirante Hugo de Lacerda.

Referências a Montalto de Jesus em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/c-montalto-de-jesus/

Recorda Pe. Teixeira (1):
Há 60 anos, vibração, fogo e patriotismo; hoje, a chama amorteceu. Comemoravam-se todos os soldados portugueses mortos desde o começo até ao fim da I Grande Guerra, em África, em França, na terra e no mar e, sobretudo, na Batalha do Liz de 9 de Abril de 1917. Eu assisti às imponentes comemorações de 9 de Abril de 1926, durante o Governo de Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães, que era alcunhado de “Má-Má” (Maia Magalhães) como seu antecessor Rodrigo Rodrigues era conhecido por “Ró-Ró”.
Nesse ano, houve missa cantada de Requiem na Sé por D. José da Costa Nunes, bispo de Macau, em que tomou parte o coro polifónico do Seminário e a que assistirem o Governador e o Juiz, nos seus lugares de honra, oficiais de Terra e mar, Leal Senado, o Governo e os Chefes das Repartições, muitas praças das várias unidades e muito povo. Pregou o Vigário Geral, Dr. António José Gomes, autor do poema heróico Cristíada. Seguiu-se a encomendação do “Libera me”. Às 15 h., parada militar no Campo Desportivo da Caixa Escolar, no Tap Seac, com a formatura de 700 homens – Marinha, Infantaria, Artilharia, Companhia Expedicionária, polícia de Terra e Mar e Corpo de Voluntários. O Governador passou revista às tropas, pronunciando um patriótico discurso, a que se seguiu uma vibrante alocação do Prelado. Guardou-se um minuto de silêncio, em que se curvavam as bandeiras. Terminou o acto com uma salva de 21 tiros”

Recorda-se que o Campo Desportivo da Caixa Escolar, mais tarde Campo da Caixa Escolar,  ficava no Tap Seac, onde hoje está a Praça Tap Seac. O edifício denominado Caixa Escolar, foi construída em 1925 na  parte sul  do campo.
“Em 1924, o Liceu foi para o Asilo das Inválidas do Tap-Seac…(…). ..O local era péssimo. nas traseiras, o cemitério de S. Miguel, à vista do qual os asilados deviam meditar na morte; em frente, o campo de jogos da Caixa Escolar, a convidar os alunos a trocar os livros pelos espectáculos de futebol” (p. 120) (2)
O Campo do Tap Seac, fronteiro ao Liceu, foi cedido pelo Estado, à Caixa Escolar ( instituição criada em 1919 para auxiliar os alunos mais desfavoráveis) …” (p. 69) (3)

NOTA: A foto da Caixa Escolar estava guardada há muito no meu computador e foi retirada de uma página electrónica. Infelizmente não conservei o endereço de origem. Caso haja crédito de autoria e não deseje mantê-lo publicado, agradecia que me informassem.

Sobre a caixa Escolar e um pouco da história de Tap Seac, aconselho:
http://macauantigo.blogspot.pt/2009/04/caixa-escolar.html.
http://macauantigo.blogspot.pt/2011/06/tap-seac-um-pouco-de-historia.html.

(1) Gazeta Macaense, 08-04-1987 citado por ARESTA, António – Monsenhor Manuel Teixeira e a história da educação in A Educação Portuguesa no Extremo Oriente. Lello Editores, 1999, 254 pp. + |1|, ISBN 972-48-1768
(2)  TEIXEIRA, P. Manuel – Liceu Nacional Infante D. Henrique, Jubileu de diamante (1894-1969), Macau, Imprensa Nacional, 1969, 291 pp. + |VI|, 23 x 16 cm
(3) BOTAS, João F. O. – Liceu de Macau 1890-1999. Edição do autor, 2007, 197 + |1|, 26,5 x 18 cm