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Neste dia pario a Mulher de António de Albuquerque (Maria de Moura) hum filho, e no dia 23 mandou faser comedia á sua porta. Em 26 se correrão Alcansias a Cavallo com outros divertimentos. A 27 se baptisou a creança na Freguesia de St.º António, sendo seus padrinhos Manoel Favacho e Catharina Soares a cujo acto assistio o Governador António Sequeira de Noronha com duas Companhias de Soldados mandando salvar o Monte com sette tiros na entrada à igreja e onze na saída, rematando todo este pomposo, com outro Lugubre, com a morte da parida, que no dia 31 do dito mez passou para a eternidade sendo o seu cadáver enterrado em S. Francisco com grande acompanhamento mas diferente daquele com que o filho foi Baptizado porque aquelle acabou com praser, e este com tristeza e lagrimas como quasi sempre soccede nos praseres desta vida (1)

Igreja de S. Francisco
George Chinnery
1825
Lápis sobre papel

Com grande pompa de acompanhamento, ofícios e dobre de sinos em todas as Igrejas, ficou sepultada na Igreja de S. Francisco, na mesma cova onde já estavam a filha (Inês, enterrada a 6 de Março de 1712, que vivera só 7 dias). Entretanto chegavam a termo as muitas desavenças e queixas contra António de Albuquerque Coelho, tanto para o Vice-Rei, como para El-Rei, e com o parecer do Conselheiro António Ruiz da Costa, concordaram não só os do Conselho Ultramarino, como El-Rei, no sentido de mandarem inquirir, em especial, das suas responsabilidades, por abuso de autoridade, com tal ordem se cruzou a comunicação do Vice-Rei D. Vasco de Meneses ao dar parte que o fizera recolher a Goa – «para não prejudicar a inquirição das sua culpas» (2)
António de Albuquerque Coelho viria a ser nomeado em Goa. Governador de Macau, em 05 de Agosto de 1717. Chegou a Macau a 29 de Maio de 1718. Ocuparia o lugar até à chegada de António da Silva Telo de Meneses, irmão do Conde de Aveiras) a 9 de Setembro de 1719 que havia sido provido naquela capitania de Macau em data anterior à da nomeação em Goa de Albuquerque Coelho.

Escadas que conduzem ao antigo Convento de Santo Agostinho
George Chinnery
1829
Lápis sobre papel

A igreja de S. Francisco quando foi demolido, a urna com a lápide foram transferidas para a Igreja de Santo Agostinho onde ainda hoje se encontra encaixada na parede da capela-maior
A lápide constava o seguinte:

“Nesta urna estão os ossos de D. Maria
De Moura e Vasconcelos e sua filha
Ignez e os do braço direito de seu
marido António de Albuquerque Coelho
que aqui a fez depositar vindo de Governador
e Capitão Geral das Ilhas de Solor e
Timor no ano de 1725»

(1) BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987.
(2) SOARES, José Caetano – Macau e a Assistência, 1950.
Ver anteriores referências a António de Albuquerque Coelho:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-albuquerque-coelho/

O Conde Dom Luís de Meneses, Vice-Rei da Índia, (1) perante a falta de moradores na cidade, providenciou, proibindo o convento de receber mulheres para religiosas e ordenando às mesmas que casassem com os portugueses que se achavam na cidade.(2)(3)
Outra notícia de 26 de Dezembro de 1718 : “O Senado regozija-se ao fazer o balanço do ano: «… com os rendimentos se ve esta Cidadde dezempenhada das maiores dividas, como são a da Caza da Misericordia em maioria de dez mil taeis, e a do rei de Siam em três, e a de hum Armenio, o Cabbido, e alguns Moradores
Manuel Favacho (4) faleceu, deixando dote de casamento para 20 órfãs. Deixou ainda 400 pardaus para se  celebrar na Igreja da Madre de Deus a novena e festa do Espírito Santo; e legou  aos jesuítas a administração da viagem à Cochinchina durante alguns anos. É provável que a doação às meninas órfãs levasse o Senado a fundar o Recolhimento da Santa Casa, de que nos fala Frei José de Jesus Maria. De facto, a 26-12-1718, o Senado determinou que se destinasse meio por cento para a sustentação das «meninas órfãs, filhas de Portugueses, que com o beneplacito  do Procurador, e mais Irmãos da santa casa, se fara nela um recolhimento  com mais uma Senhora  grave para Mestra das ditas Órfãs e duas servideiras, dando a cada uma três pardaus para seu subsídio , do dito por cento, e o que restar ficasse em um cofre depositado na mesma Casa da Misericordia para dote das órfãs.»
As vocações religiosas femininas eram numerosas; em 1678 , o V.R.D. Rodrigo da Costa (1686-1690) ordenara ao Senado que  proibisse, sob pena de 500 pardaus, que qualquer rapariga ingressasse no  Mosteiro de St.ª Clara.
A 7 de Maio de 1718, o Conde de Ericeira D. Luís de Meneses V. R. da Índia (1717-1720), dá as seguintes providências sobre as freiras de St.ª Clara: «Porque sou informado que uma das causas da decadencia da Cidade de Macau é a falta de moradores portugueses, e que esta procede da quantidade de mulheres que, tendo dotes com que poder  casar, se meteram a maior parte freiras; e , para evitar este prejuizo, ordeno e mando que, estando completo o numero de Religiosos do Convento daquela Cidade, se não recebam mais mulheres para religiosas, e se casem com os dotes que tiverem com os portugueses que se acharem na dita Cidade, para assim  se remediar a falta que esta experimenta de moradores e se frequente o comercio e se aumente a terra; e o Governador da Cidade de Macau  e o Senado da Camara dela darão inviolavel desta minha ordem».
É claro que esta ordem ficou letra morta; e o número máximo de freiras, que era de 33, foi elevado para 40 pelo bispo D. João do Casal em 17 de Janeiro de 1713.(3)
Luís Carlos Meneses 5.º Conde Ericeira(1) Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses, 5º conde da Ericeira, 1º marquês do Louriçal, (1689 — Goa, 1742), homem com grandes conhecimentos literários e artísticos e um bom estratega militar, foi vice-rei e capitão-general da índia portuguesa entre 1717 e 1720 e entre 1740 e 1742. Considerado como um dos bons governantes do Oriente na primeira metade do Setecentos.
(2) GOMES, Luís Gonzaga. Efemérides da História de Macau, Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.
(4) Manuel Favacho foi vereador, grande mercador (proprietário de barcos de mercadorias) de Macau, no século XVIII.
25-10-1713 – O Senado precisava de mais de 6 000 taíes para as despesas dum ano, mas nada possuía, antes devia dinheiro. Os religiosos e o clero declararam que só podiam emprestar pouco mais de 1 000 taíes; ora o povo não podia dar as restantes 5 000. Resolveu que a vereação do ano seguinte pagasse primeiro as dívidas: 300 e tantos taéis a Manuel Favacho, 700 e tantos à Ouvidoria; 1 000 a Misericórdia. Para isso, aumentava-se um e meio por cento dos direitos.
1713 -Manuel Favacho deixa à Santa Casa 2 000 pardaus; um quarto para viúvas e órfãos; um quarto para missas por sua alma; e o resto para desempenhar a prata da Santa Casa e da Igreja de S. Lázaro. Deixa mais 1000 pardaus para dote anual de casamento duma órfã , filha de portugueses e ou de irmão de St.ª Casa.
(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol.2, 1997)