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Na sequência da notícia publicada ontem, sobre o falecimento da menina Camila de Melo, no mesmo Boletim foi publicado uma “Elegia” de Manuel de Castro Sampaio (1) datada de 28 de Agosto de 1864.

Extraído de «BGM», X 35 de 29 de Agosto de 1864, p. 138

(1) Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-de-castro-sampaio/

Em 24 de Fevereiro de 1868, o aterro do rio, para o lado da Barra, achava-se já unido ao aterro do Pagode chinês, de modo que as povoações da Barra e Patane ficaram em comunicação pela estrada marginal (1)

Manuel de Castro Sampaio, no seu livro “Os Chins de Macau” (1867) informa (2): “Uma das primeiras povoações fica próxima da fortaleza da Barra e é por isso chamada Povoação da Barra. A outra acha-se na encosta outeiro da Penha, onde está a fortaleza do Bom Parto, e onde se encontram as mais lindas chácaras de Macau. Esta é conhecida pelo nome de Tanque-Mainato, nome derivado de um tanque de lavadeiros ou mainatos, como lhes chamam no paiz. As outras três povoações são denominadas de Patane, de Mong-ha e de S. Lázaro. Patane é de todas as cinco a mais importante, pela sua industria fabril e pelo seu comercio, principalmente, em madeiras de construção. Esta fica no litoral do porto interior, tendo Mong-ha do lado oposto, onde existe a maior parte dos agricultores e onde há alguma industria e comercio, como em todas as outras povoações, excepto a do Tanque-Mainato, onde pouca industria e nenhuma comercio há, por ser um povoado insignificante. A Povoação de S. Lázaro, que está em continuação  da cidade cristã, é onde principalmente habitam os chins que não tem abraçado o christianismo. Nesta povoação há além da Igreja de S. Lázaro que é o mais antigo templo de Macau, uma pequena capella a cargo de um sacerdote catholico, que se dedica a catechese”. (3)

Miguel Aires da Silva (4) concessionário das obras do cais e aterro, foi o homem que se abalançou à terragem da marginal do Porto Interior, ficando as obras concluídas em 4 de Março de 1881. (3)

Em 17 de Janeiro de 1873, o Governador Januário de Almeida, Visconde de S. Januário, ordenou a execução da primeira fase do alargamento do aterro marginal do Porto Interior e simultânea regularização do regime da corrente do rio, numa extensão de 160 metros, desde a Fortaleza da Barra até à Doca de Uóng-Tch´oi. (5)

NOTA: José Maria de Ponte e Horta governou Macau de 26-10-1866 a 16-05-1868. O Vice almirante Sérgio de Sousa chegou a Macau a 1-8-1868, tomou posse do governo a 3 de Agosto de 1868 e governou até 23 de Março de 1872, sucedendo o Visconde de S. Januário Correia de Almeida que governou de 23 de Março de 1872 a 7 de Dezembro de 1874. Na toponímia de Macau a Rua do Almirante Sérgio começa na Rua das Lorchas, a par da rua do  Dr Lourenço Pereira Marques e ao lado da Praça de Ponte e Horta e termina no Largo do Pagode da Barra

(1)

«Boletim da Província de Macau e Timor» , XIV-8 de 24-02-1868, p.45

(2) Sobre Manuel de Castro Sampaio, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-de-castro-sampaio/

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997,p 403

(4) Sobre Miguel Aires da Silva, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/miguel-aires-da-silva/

(5) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954

Extraído de «BGM»,  IX – 40 de 7 de Setembro de 1863, p. 16

NOTA: A Galera «Deslumbrante» trouxe um contingente de tropas, sob o comando do Alferes António Baptista Tassara, tendo saído de Lisboa, em 10 de Maio.

Ver anterior referência à galera «Deslumbrante» em https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/25/noticia-de-25-de-outubro-de-1863-promessa-da-tripulacao-e-passageiros-da-galera-deslumbrante/

Em 11 de Setembro de 1851, foi regulamentada a prostituição em Macau,  limitando-se as residências das prostitutas às seguintes ruas:
A) Rua do Bazarinho, (1) Rua do Desfiladeiro, Travessa da Maria Lucinda, (2) Rua da Aleluia (3) e Rua de Mata-Tigre, todas no Bazarinho;
B) O sítio chamado Prainha ou Feitoria; (4)
C) O sítio do Chunambeiro; (5) e
D) Os sítios denominados Beco do Estaleiro, Travessa do Beco do Estaleiro, Beco da Praia pequena (6) e Beco do Armazém Velho.  (7)
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

(1) Rua do Bazarinho que os chineses chamam de Soi-Sau-Sai-Kai (水手西街) isto é, Rua dos Marinheiros, a oeste, para distinguir doutra Rua dos Marinheiros, que ficava a sul. Chamava-se Bazarinho para o distinguir do Bazar Grande em S. Domingos. Começa na Travessa do Mata-Tigre, ao lado do Pátio da Ilusão, e termina na Calçada de Eugénio Gonçalves , quase em frente a Rua das Alabardas (hoje Rua da Alabarda)
(2) Viela de Maria Lucinda – “No princípio desta viela estava escrito «Desfiladeiro». – E, umas três portas depois, estava escrito – «Travessa de Maria Lucinda.». Era preciso suprimir um dos nomes, e por isso fundi-os ambos em Viela de Maria Lucinda porque em verdade é mais uma viela do que uma travessa este caminho Relatório elaborado por Manuel de Castro Sampaio, chefe da Repartição de Estatística , sobre as ruas de Macau em 1866-67 e prédios nelas existentes.  NOTA do Padre Manuel Teixeira: “Ignoramos quem tenha sido esta ilustre desconhecida
(3) “Desde a Rua do chale de Simão até outra vezinha d´escada de pedra chama-se -Rua d´Alleluia – Cadastro das ruas elaborado pelo Leal Senado em 1847.
Pateo do Sal – entre a travessa da Alleluia e a rua do Manduco, na Calçada dos Remédios” –  notícia no jornal “A Voz do Crente” de 6-04-1889.
(4) Rua da Prainha – começa na Calçada de Francisco António, do lado da numeração ímpar e no Pátio de Francisco António, do lado da numeração par, e termina na Calçada da Feitoria, junto da Travessa do Cais. A Calçada da Feitoria começa na Rua de S. José junto da Rua do Barão, e termina na Travessa do Cais, junto do Pátio de Chan Loc, de um lado e junto da Rua da Prainha, do outro.
(5) Rua de Chunambeiro começa na Praça de Lobo de Ávila e termina na Calçada do Bom Parto. Em chinês chama-se Siu Fui Lou Kai (燒灰爐街) que significa Rua do Forno de Cal. Chunambo  era a cal obtida pela calcinação de concha de mariscos.
(6) A Praia Pequena ficava no Pátio da Mina da Freguesia de S. António.
(7) Travessa do Armazém Velho começa na Rua da Tercena, entre os prédios n.ºs 32 e 36, e termina na Rua das Estalagens, em frente da Travessa do Pagode. Em Chinês tem o nome de Lán Kuai Lau Hong (爛鬼樓巷)  também conhecida por Lán Kuai Lau  (ruínas da casa de estilo estrangeiro, segundo Luís G. Gomes).
TEIXEIRA; P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997

As chins nunca põem as crianças no solo: põem-nas sobre as costas, de modo que fiquem escarranchadas, e seguram-nas com um pano quadrado e quasi sempre bordado a cores, que prendem com fitas  aos ombros e à cintura… (…) ” (1)

Mulher com MÉ TAIManuel de Castro Sampaio – jornalista (fundou em Elvas a «Voz do Alentejo»), oficial do exército, nasceu no Porto, em 1827 e faleceu em Lisboa, em 1875. Prestou serviço como Capitão da guarnição em Macau, fundou (e foi também redactor) com António Feliciano  Marques Pereira, o semanário «Ta-Ssi-Yang-Kuo».(2).  Foi sócio-correspondente da Real Sociedade Asiática de Londres (“Royal Asiatic Society“).
Outras publicações além das citadas em (1) e (2), do mesmo autor:

    • Pobreza envergonhada (Valença, 1852);
    • Compendio de hygiene popular – tradução livre do texto de D. FranciscoTamires Vaz, (Elvas, 1860);
    • Victimas de uma paixão (Lisboa, 1863);
    • Memorias dos festejos realizados em Macau no fausto nascimento de S. A. o sr. D. Carlos Fernando (Macau, 1864);
    • Compendio de ortographia (Macau, 1864).

Tem outros dois poemas publicados no Boletim do Governo de Macau: “Elegia á prematura morte da Exma. Sra. D. Camilla de Mello…” e “Nenia á infausta e sentida morte do Illmo. Sr. José Bernardo Goularte…”.(3)
NOTA: (mandarim pinyin: mié zi; cantonense jyutping: me1 zi2) é um termo cantonense que significa “levar o filho às costas”
A faixa quadrada de pano com que as mulheres chinesas levam os bebés às costas, denomina-se “mé tái” ( mandarim pinyin: mié dài; cantonense jyutping; me1 daai2)

(1) SAMPAIO, Manuel de Castro – Os Chins de Macau. Hong Kong, Typographia de Noronha e filhos, 1867, 149 p.; 20 cm
(2) No 1.º «Ta-Ssi-Yang-Kuo», editado em Macau, de Manuel de Castro Sampaio temos duas quadras sem título, a “Poesia aos annos da Exma. Sra. Guilhermina da Rocha Assumpção”, uma “Elegia”, um “Epicedio á prematura morte do Illmo. Sr. Major José Roberto” e os versos “Uma lagrima”.(3)
(3) GARMES, Hélder – A Cultura Sino-Portuguesa no Século XIX e   o Ta-Ssi-Yang- Kuo  in http://www.fflch.usp.br/dlcv/posgraduacao/ecl/pdf/via06/via06_06.pdf
Foto retirada de “Nam Vam”  n.º 5, 1984