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No dia 7 de Outubro de 1954, em substituição do Sr. Coronel António Cirne Rodrigues Pacheco, (1) assumiu, o Comando Militar da Guarnição de Macau, o Coronel Rui Pereira da Cunha (2) que desembarcou nesta Província no dia 5 de Outubro de 1954. Exerceu o cargo até 16 de Maio de 1956 (3)
O Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro esteve no dia 8 de Outubro, no Quartel General, a fim de retribuir os cumprimentos da véspera (o novo comandante militar esteve no Palácio do Governo, acompanhado do seu ajudante, tenente Mendonça, onde apresentou cumprimentos ao governador) tendo ali sido recebido com todas as honras militares. Passou revista à guarda de honra, +restada pelo Esquadrão Motorizado.
(1) O Coronel António Cirne Rodrigues Pacheco, que exerceu o cargo de Comandante Militar desde 14 de Maio de  1952,  regressou a Portugal no dia 7 de Outubro para frequentar o curso de Altos Comandos. Os oficiais da guarnição militar ofereceram no dia 2 de Outubro, ao Comandante cessante, no Clube Militar um almoço de despedida. No dia 4 de Outubro, o Coronel Cirne Pacheco despediu-se de todos os oficiais do Quartel General.
Ver anteriores referências  em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-cirne-pacheco/
(2) Ver anteriores referências  em
https//nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rui-pereira-da-cunha/
(3) «M. B. I.» II-29, 1954.

Mais uma vez se comemorou a passagem duma data inesquecível que revive um dos acontecimentos mais marcantes da história de Macau. (1) No dia 13 de Julho de 1955, na Ilha de Coloane, reuniram—se dezenas de portugueses para relembrarem a façanha daqueles portugueses que, em 1920. Haviam exercido heroica acção contra atrevidos piratas.
A cerimónia nesse dia, feriado no Concelho das Ilhas, foi presidido, em representação do governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, o Administrador do Concelho das Ilhas e Presidente da Junta Local, Alberto Maria da Conceição.
Pelas 10.30 horas foi celebrada na capela de S. Francisco Xavier uma missa em sufrágio das almas dos heróis que tombaram no campo das operações contra os piratas.
Finda a missa, o Administrador perante as forças vivas ali representadas, depôs um ramalhete de flores junto ao obelisco erigido frente à referida capela, comemorativo das operações de 1910.A guarda de honra ao obelisco foi prestada por uma pequena força policial.
Terminadas as cerimónias oficiais, o Administrador de Concelho das Ilhas obsequiou as individualidades presentes com um delicado «copo de água».
Notícia extraída do artigo, não assinado « Comemoração duma data inesquecível » no «MBI»II-47,1955.
(1) Ver anteriores referências deste acontecimento em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/07/leitura-os-piratas-em-coloane-em-1910/ 

No dia 14 de Fevereiro de 1954, o Clube Náutico de Macau levou a efeito duas interessantes regatas,  a que não faltou o valioso concurso da Secção Náutica da Mocidade Portuguesa. Duas taças foram postas à disputa, a primeira denominada «Improviso» oferta do velejador Gustavo Nolasco da Silva e a segunda denominada «Carochinha», oferta do velejador Tenente Lopes da Costa.

Aspecto das regatas «red-wing», vendo-se ao fundo as ilhas da Taipa e Coloane.

Disputaram a primeira taça as embarcações da classe «moth» do Clube Náutico e da Mocidade Portuguesa, vindo a ganhá-la a embarcação conduzida pelo «às» da vela da Mocidade, António Maneiras.
A seguir à largada dos «moths», fez-se a dos «redwings», para a disputa da taça «Carochinha» , a qual foi ganha por Lopes da Costa.
Estas regatas serviram também como preparação dos velejadores de Macau para o «Interport» com Hong-Kong , que nesse ano se realizaram no dia 28 de Fevereiro, nas águas de Macau.

O velejador tenente Lopes da Costa recebendo das mãos da esposa do governador a taça conquistada numa regata à Taipa e Coloane

(1) Ver anteriores referências ao Clube Náutico de Macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/clube-nautico-de-macau/
NOTA: informações retiradas de «MBI» I- 14, 1954. As Imagens foram extraídas de «BGU» XXIX-346, 1954.

O infantário de “Nossa Senhora do Carmo”, na Ilha da Taipa, a cargo do Pároco o Concelho das Ilhas era uma das mais interessantes obras de assistência social de Macau.
O Infantário foi uma obra missionária criada pelo reverendo Pároco das Ilhas (na altura), cónego António André Ngan. (1) Abrigava os filhos da população operária da Vila da Taipa que vivia na grande maioria do fruto do seu trabalho nas fábricas de panchões. Estas empregavam frequentemente, em diferentes misteres, toda uma família: pai, mãe e filhos maiores de 14 anos, ficando então os mais pequenos entregues aos cuidados do pessoal do Infantário, desde as sete horas e meia da manhã às oito da noite.
Inaugurado oficialmente em 8 de Junho de 1952 recolhia diariamente umas 120 crianças divididas em duas secções: infantil e dos bebés. Na primeira eram recebidas as crianças de 2 a 6 anos, mediante a quantia de dez avos que lhes dava direito a uma merenda de tarde, e na segunda os bebés com menos de 2 anos de idade, pagando os pais uma diária de vinte avos para ajudar a despesa feita com o leite que lhes eram administrados durante o dia.
Outra obra do mesmo Pároco – Asilo dos Velhinhos – tinha por fins auxiliar as pessoas mais idosas que, por terem ninguém de família, se veriam na contingência de estender as mãos à caridade, quando despedidas ou impossibilitadas de trabalhar.
De facto, as fábricas de panchões estabelecidas na Ilha da Taipa, uma vez paralisadas ou obrigadas a reduzirem o seu pessoal, despediam, como era óbvio, em primeiro lugar, os velhinhos que, nesta conjectura, iriam recorrer ao Asilo onde receberiam gratuitamente alimentação e alojamento por tempo indeterminado. Aqueles que veriam a conseguir depois, novamente o trabalho, podiam continuar internados, pagando, nesse caso, uma pequena quantia estabelecida de acordo com as suas possibilidades.
O Infantário e o Asilo recebiam os benefícios e o auxílio da Comissão Central de Assistência Pública de Macau, (2) nomeadamente um subsídio anual de $675,00 e $ 1.200,00 respectivamente.

Edifício onde estava instalada a então nova Maternidade da Ilha da Taipa

(1) Cónego (depois Monsenhor) António André Ngan Im Ieoc (1907-1982) foi governador do bispado em 1966 e vigário-geral em 1966-1975 sendo o primeiro padre chinês a ocupar estes cargos na Diocese de Macau. Foi também professor de Música no Seminário S. José (foi professor do Padre Áureo Castro) e publicou dois manuais para ensino do português: “Método de Português para uso nas escolas estrangeiras” (1944) e “Método de Português para uso das escolas Chinesas” (1945), usados durante 50.
Anos, na escola primária, principalmente para as crianças chinesas e na década de 70 n no Instituto D. Melchior Carneiro.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-antonio-andre-ngan-im-ieoc/

A sala de partos da Maternidade da Ilha da Taipa

(2) A Comissão Central de Assistência Pública de Macau apoiava (anualmente tinha inscrita anualmente no seu orçamento uma verba) além destas duas instituições, outras na Ilha da Taipa nomeadamente a Maternidade da Junta Local das Ilhas, (prestava assistência gratuita às parturientes declaradamente pobres da Vila da Taipa); as Leprosarias de Ká-Hó e Seac Pai Van (a de Ká-Hó para mulheres albergava cerca 30 leprosas; a de Seac Pai Van, para homens , albergava cerca de 28 doentes e nesse ano (1956) nela estavam também  os que vieram da China transferidos de um prédio isolado na Ilha Verde); O Lar dos Pobrezinhos (instalado num prédio da Vila de Coloane, na Rua dos Cordoeiros), destinada a recolher as criancinhas pobres e desvalidas do Concelho das Ilhas; e um bloco com 6 casas económicas edificadas em 1952 que foram distribuídas, para habitação a pobres mais necessitados da mesma ilha.
Extraído de «Macau Boletim Informativo», IV-78,1956.

Um dos empreendimentos de grande envergadura a que o Exmo. Sr. Director dos Correios e Telégrafos, António de Magalhães Coutinho, dedicou todo o seu interesse, foi a construção dum bairro económico para os empregados inferiores da sua repartição, sendo neste mês de Junho de 1951, iniciada a segunda fase da construção dos novos blocos deste bairro.
O encarregado do Governo Dr. Aires Pinto Ribeiro tendo à direita a Esposa e à esquerda a Esposa do Capitão Almor Baptista, Chefe do Gabinete e António de Magalhães Coutinho, Director dos CTT, na visita que fizeram ao Bairro Económico dos Correios.
A Sra. D. Lígia Pinto Ribeiro, esposa do Encarregado do Governo, no acto de lançamento da primeira colherada de argamassa para a construção dos novos blocos do Bairro Económico dos Correios.
Fotos e artigo retirados de «MOSAICO» VOL II – 10, 1951.

BAIRRO ECONÓMICO DOS CORREIOS – FOTO DE 1955

O Bairro Económico dos C.T.T. representou, em Macau, uma obra de vincado sentido corporativo, e marcou uma orientação firme alicerçada nos princípios orientadores do estado Novo
De: MBI III-56, 1956.

Havia na década de 50 (século XX) entre os militares de Macau e Hong Kong um intercâmbio anual desportivo militar (futebol) que era realizado no Campo Desportivo «28 de Maio», sempre com assistência de numeroso público e também das entidades oficiais civis e militares.
Foi assim que no dia 5 de Junho de 1954, se realizou mais um encontro de futebol o qual terminou por 2 a 1 a favor dos visitantes (1)
Assistiram além do público o Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro, o Comandante Militar, Coronel António Cirne Pacheco, o Deputado pelo Círculo de Macau, Dr. Alberto Pacheco Jorge, o Juiz de Direito da Comarca, Dr. Alberto Rafael Marques Mano.
A primeira parte terminou com o marcador em 1 a 0, a favor dos militares de Hong Kong, tendo essa bola sido obtida por intermédio de Luckton.
Na segunda parte, Reeves marcou o segundo tento de Hong Kong, marcando Carlos Paulo, pouco depois o único golo da equipa local.
Alinharam os seguintes jogadores:
HONG KONG: – Granger; Ripley e O´Donnell; Wingfield, Frazer e Higgins; Reeves, Luckton, Palmer, Middleton e Thomas.
MACAU: – Manteigas; Germano e Marques; Oliveira Marques, Vítor Rodrigues e Manuel Melo; Pedro, Carlos Paulo, Octávio Baptista, Gonçalves e Correia.
Na noite desse mesmo dia, os Serviços Militares de Macau ofereceram, no Restaurante da Piscina Municipal, um jantar em honra dos desportistas militares de Hong Kong, ao qual assistiram, além dos dirigentes e jogadores de ambas as selecções, vários convidados, entre os quais representantes da Imprensa local.
Usaram da palavra os Srs. Capitão Melo de Oliveira, que no fim do seu discurso, brindou por S. M. a Rainha da Inglaterra e o Capitão George que, por sua vez, brindou pelo Presidente da República Portuguesa.
O Capitão Melo de Oliveira em nome do Comandante Militar de Macau entregou ao capitão da equipa visitante uma linda taça de prata, tenho o capitão George, feito a entrega ao capitão da equipa militar local duma outra artística taça, oferta do Exército britânico.
(1) M.B.I. I-21 , 1954.

A Procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos realiza-se no primeiro Domingo da Quaresma. A imagem do Senhor de Passos carregando a cruz, está guardada, durante o ano, na Igreja de Santo Agostinho e é levada em procissão solene desta Igreja para a Sé, onde fica para vigília durante uma noite. A procissão do Nosso Senhor começa na Sé Catedral, passando pelas ruas do centro histórico, parando nas  estações da Via Sacra, para o canto da Verónica,  e termina na Igreja de Santo Agostinho. Um dos principais objectivos desta procissão é relembrar o sofrimento, crucifixação e morte de Jesus.
 
Relato do jornalista (não identificado) no Boletim Informativo da Repartição Central dos Serviços Económicos, em 1955 (1):
“A Festividade do Senhor Bom Jesus dos Passos – a mais arreigada tradição entre a gente portuguesa – ocupa lugar de proeminência entre as devoções  do povo de Macau. É concorridíssima a Novena que precede a festa, realizada sempre no primeiro Domingo da Quaresma. A Igreja de Santo Agostinho enche-se de oração e de cumprimento de promessas feitas, sendo numerosas as Comunhões diárias.                
 
A  Procissão da Cruz, ao anoitecer de sábado, em que a venerável Imagem do Senhor  dos Passos é conduzida para a Sé Catedral, é  o mais recolhido cortejo litúrgico da cidade. A túnica roxa do Senhor e os cortinados, da mesma cor, que envolvem o andor, de mistura com a luz misteriosa dos archotes, infundem respeito e põem na alma uma tristeza grande, recomposição impressionante da cena pérfida do bosque das Oliveiras…(…)
O Primeiro Domingo da Quaresma representa, na vida católica de Macau, um dia de penitência e oração – é o dia da Procissão do Bom Jesus dos Passos. Todos os pensamentos e todas as acções gravitam nesse dia à volta do grande acontecimento. O povo de Macau enche, desde o alvorecer da manhã até à hora de saída da Procissão, a vasta Sé Catedral…”
Este postal (2), comprado em Macau, do fotógrafo Wong Wai Hong, (1972 ?) tem a seguinte legenda: Procession of Our Lord: Procession of our Lord originates from Europe and has been practiced by Macao´s catholic for several hundred years. a status of Christ is taken in solemn procession from St. Augustine´s Church to the Cathedral for an overnight vigil. It is then returned through the city via the Stations of the Cross. The procession attracts thousands of devotee, making the streets crowded with people. many devotees from Hong Kong take a special trip to Macao”

NOTA Sobre a “história” desta procissão, aconselho leitura de
http://macauantigo.blogspot.pt/2012/03/procissao-senhor-dos-passos.html

(1) Boletim Informativo da Repartição Central dos Serviços Económicos – Secção de Propaganda e Turismo, n.º 38 ,  28 de Fevereiro de 1955.
(2) Ming Shun Dim Published in Macau, Printed in Hong Kong, 2008 ( MO-72)