Archives for posts with tag: Macau Boletim Informativo (R.C.S.E.)

Nesse terreno firme – a colina da Guia – argamassado com o suor de tantos valentes guerreiros e, por isso, mais consistentes, calcado com as rodas pesadas que deslocavam as grossas peças de artilharia, ajoelham anualmente novas fardas e novos cidadãos, envolvidos no sentimento patriótico e de devota homenagem da alma portuguesa, no dia 5 de Agosto, aos pés da Senhora das Neves. Vestida de seu gracioso manto azul, tapetado de estrelas doiradas, a todos recebe com o mesmo carinho de outrora, quando os marinheiros, singrando os mares para trazerem novas do reino distante, iam à sua capelinha cumprir os votos feitos em horas de tormenta e de aflição.

Foto de 1955

Cenário rico de natureza, mas também cenário abundante de recordações históricas e de terna devoção patriótica. Muitos calcorrearam os caminhos que conduziam ao cima da Guia; mas cremos que foi a Fé dos que subiram essas encostas em peregrinação que manteve desfraldada a bandeira lusa a flutuar ao vento mesmo ao lado da capelinha branca da Senhora.

No dia 5, logo pela manhãzinha, o sino velhinho, religiosamente conservado na pequena torre, fez ouvir a sua voz pela encosta e pela cidade, a despertar a população e a relembrar a data que mais uma vez se repetia.” (1)

Foto de 2005

A capela apresenta uma fachada simples, com um frontão triangular assente sobre pilastras pintadas de amarelo sobre um fundo branco. A nave mede 16 por 4,7 m e as suas grossas paredes suportam a abóbada interior. As paredes da capela estão ainda reforçadas por contrafortes ao longo do perímetro do edifício. Os frescos que hoje se vêm nas paredes e que estavam escondidos pelo caiado, foram recuperados em 1996. A sacristia situa-se do lado esquerdo e existe um pequeno coro-alto por cima da zona de entrada. O telhado está coberto com telhas cerâmicas tradicionais vermelhas. (2)

(1) Sem indicação de autor, MBI, III-41 de 15 de Agosto de 1955, pp. 8-10.

(2) http://www.wh.mo/pt/site/detail/25

Ver anteriores referências à Capela da Guia/Capela de Nossa Senhora das Neves, em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/01/10/1898-os-postais-do-jornal-unico-iv-pharol-da-guia/

A Comissão Administrativa da Associação de Futebol de Macau (1) organizou e fez disputar em Campeonato Escolar de Futebol de Macau, no ano de 1956, com a participação de sete escolas de território.
No dia 26 de Fevereiro (domingo) no Campo Desportivo «28 de Maio», após o desfile de apresentação das sete equipas perante as Autoridades e o público, realizou-se o primeiro encontro em que intervieram a equipa da Escola Comercial «Pedro Nolasco» e a equipa do Liceu nacional Infante D. Henrique. (2)

As equipas das sete escolas saúdam as Autoridades e o público após o desfile de apresentação (foto pouco nítida)

(1) Na época de 1956/57 a Associação de Futebol de Macau, fundada em 1 de Junho de 1939, foi dirigida por uma Comissão Administrativa, nomeada pela Portaria do Governo da Província, de 14 de Dezembro de 1956, publicada no Boletim Oficial n.º 50, do mesmo ano, e assim constituída:
Presidente – Dr. Carlos Augusto Correia Pais de Assunção
Vogal-secretário – José Silveira Machado
Vogal-tesoureiro – Manuel de Magalhães
(2) «MBI», III-62 de 29 de Fevereiro de 1956, p.14

“O encontro do 16.º «Interport» de hóquei em campo, disputado em Hong Kong, no dia 18 de Fevereiro de 1956, pelas equipas representativas de Macau e Hong Kong, terminou com o resultado de 3 a 2 a favor da equipa macaense.
Souberam os hoquistas de Macau, uma vez mais , honrar a classe do hóquei macaense em terra estranha, comprovando , deste modo, a superioridade que têm vindo a exercer, desde há uns anos, sobre os seus leais adversários da vizinha colónia britânica.
Uma grande assistência teve ocasião de apreciar a excelente exibição das duas equipas em campo, principalmente parte do jogo, em que a selecção de Macau, no dizer da Imprensa, «trabalhou como uma máquina afinada, untada com óleo».
Fernando Marques, interior- direito de Macau e autor das três bolas que deram a vitória ao seu grupo, foi justamente apontado como o melhor elemento em campo.
Após este encontro, Macau passou a contar nos anis dos «Interports» com Hong Kong, 7 vitórias a seu favor, com 5 empates e 4 derrotas.
Na presente época desportiva de 1955/1956, a equipa de honra do Hóquei Clube de Macau efectuou já 14 jogos, dos quais ganhou 13 e consentiu um empate, este último registado no jogo realizado contra a forte selecção indiana da Malaia”
Artigo não assinado em «MBI», III-62 de 29 de Fevereiro de 1956.

No dia 28 de Janeiro de 1956, foi lançado à água a lancha «28 de Janeiro», (1) totalmente construída nos estaleiros das Oficinas Navais de Macau e destinada ao serviço da Comissão do Plano de Fomento.
“Escolhendo o dia 28 de Janeiro para a sua inauguração e baptizando a lancha com essa data, quis a Comissão prestar uma singela mas significativa homenagem ao Primeiro Magistrado desta Província e grande impulsionador do seu Fomento.
À cerimónia assistiram o Governador e Esposa acompanhados do chefe de gabinete oficial às ordens, a Comissão da Plano de Fomento, o Capitão dos Portos, o Director das Oficinas Navais, o Comandante da Polícia Marítima e Fiscal, o Chefe de Secção da Administração e Contabilidade da Marinha Privativa, o Comandante da P. S. P., o representante da casa fornecedora do motor da lancha, jornalistas portugueses e chineses e outras individualidades.
Todos os convidados foram recebidos pelo Director das Oficinas Navais, Primeiro-tenente eng-maq-naval Fernando da Silva Nunes e esposa.
A Senhora Dra. D. Laurinda Marques Esparteiro lançou sobre a quilha da lancha uma taça de espumoso português, deslizando a lancha na rampa, em direcção à água.
Na primeira viagem, sobre as águas do porto, a lancha, conduzida pelo maquinista naval Luís Nunes, levou como passageiros o Governador e sua Esposa, algumas senhoras e individualidades presentes.
Foi servida a todos os presentes, o gabinete do Director das Oficinas Navais, uma taça de espumante, acompanhada de aperitivos.
O capitão dos Portos, Comandante Coutinho Garrido, na qualidade de superintendente daqueles serviços , em breve palavras, agradeceu a Sua Ex.ª o Governador e Sua Esposa a honra que davam, assistindo àquela cerimónia, e ao Presidente da Comissão do Plano de Fomento, Dr. Pedro Lobo, a confiança que a comissão depositava nas Oficina Navais, confiando-lhes a construção da embarcação… (…)
O Governador, Almirante Marques Esparteiro, afirmou que todos estavam, por certo, , de acordo, em felicitar as Oficina Navais por aquela obra… (…)”
Extraído de «MBI», III-60 de 31 de Janeiro de 1956, p. 11.
(1) Lancha «28 de Janeiro», completamente construída nas Oficinas Navais, em 32 dias, tinha de comprimento 16,5 pés de boca máxima, e o calado de 2 pés e duas polegadas, sendo a velocidade de cruzeiro de 16 nós.
Deslocava 2 437 toneladas e tinha uma lotação para 12 pessoas com bom tempo e 8 com mau tempo. Era toda em teca com uma espessura de 12 milímetros, forrada a plástico, a cabina com estofos de plástico de cor verde claro, almofadada, e os cortinados da mesma cor. A propulsão era feita por motor «Diesel», da marca «Perking», com a força de 100 B.H.P a 2000 rotações p. m. A construção foi superiormente dirigida pelo Primeiro-tenente engenheiro naval Fernando da Silva Nunes, coadjuvado por Luís Nunes, construtor naval , diplomado pelo «British Institute of Engineering Technology» de Londres, com sede em Hong Kong.

Comemorando o 3.º aniversário da sua fundação e homenagem os seus jogadores de futebol, muitos sócios do Sport Macau e Benfica reuniram-se, no dia 12 de Outubro de 1953, no restaurante da Piscina Municipal, num jantar de confraternização que decorreu num ambiente de camaradagem. Usaram da palavra várias entidades ligadas à vida do clube, entre elas o Major José Domingos Lampreia, Presidente da Assembleia Geral e Mário Vieira da Costa, Presidente da Direcção.
Extraído de «MBI» I-6 31OUT1953.

Após 35 meses de estadia nesta Província Ultramarina o aviso de 2,ª classe «Gonçalo Velho» (1) partiu de Macau no dia 29 de Setembro de 1954. No dia 27, o Comandante José Aguiar Bastos e os oficiais convidaram o Governador, sua esposa e filha e o pessoal do seu Gabinete, assim como muitos amigos, para um Porto de despedida.
Na noite desse dia, o navio apresentava um magnífico aspecto pela brilhante iluminação e bandeiras multicolores de que se ornamentou. Já no dia 23, O Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, havia convidado o comandante do «Gonçalo Velho» e os seus oficiais para um almoço no Palácio de Santa Sancha, a que assistiram também os oficiais da marinha privativa e o Chefe do Gabinete.
Os sargentos da Guarnição Militar de Macau e os seus camaradas do Aviso «Gonçalo Velho» já se tinham reunidos num almoço de confraternização em Março de 1954.
O navio de guerra seguiu viagem primeiro para a Índia Portuguesa e depois regresso a Portugal. (2)

O aviso «Gonçalo Velho» em final da década de 40 (século XX).

(1) O aviso de 2.ª classe «Gonçalo Velho», (3) sob comando do capitão-de-fragata José Coutinho Garrido (4) esteve em Hong Kong em Agosto de  1953 para receber beneficiações e já sob o comando do capitão de fragata José Aguiar Basto, na mesma doca da colónia de Hong Kong,  em Julho de 1954 esteve em reparações. Regressou a Macau em 23-07-1954 («M. B. I.». I – 2, 1953).
(2) «M. B. I.»  I-16 ; II-28 e 29, 1954.
(3) O aviso colonial de 2.ª classe «Gonçalo Velho» lançado em 1933 esteve em serviço desde esta data até 1961, quando foi abatido ao serviço.
Deslocamento de 1500t (1959) com uma velocidade de 16,5 nós. Tinha um comprimento de 81,5 m, boca de 10,8 m e calado de 3,5 m. Possuía um armamento composto de 3 peças de 120 mm e 5 peças de 20 mm, 4 morteiros, 2 calhas para cargas de profundidade (1959). Tripulação/Equipagem: 142.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Gon%C3%A7alo_Velho
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviso-goncalo-velho/
(4) Capitão-de-fragata (desde 1951) José Coutinho Garrido foi comandante do aviso «Gonçalo Velho» de Janeiro de 1952 a Março de 1954; fez depois nova comissão em Macau como Capitão dos Portos e comandante da Defesa Marítima de Macau de Setembro de 1955 a Setembro de 1959. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988).

A família Zenkovich, de ascendência russa, expulsa da China, chegou no dia 27 de Setembro de 1954, à fronteira da Porta do Cerco, onde solicitou entrada. Dada a aflitiva situação dessa família, que não trazia os necessários documentos de identificação e que não havia possibilidades de ir para parte alguma, o Governo entendeu por bem permitir a sua entrada em Macau, onde o casal Zenkovich e seus dois filhos estiveram a tratar da documentação necessária para seguirem para a América.
Entrevistados pelos jornalistas, os Zenkovich tiveram palavras de profundo reconhecimento para com o Governador, que tão humanitariamente lhes havia facilitado meio de recomeçarem a vida.
Extraído de «MBI», II- 28 de 30 de Setembro de 1954-

Durante o mês de Setembro de 1955, num lugar aprazível ao Jardim de S. Francisco, a Banda da Polícia sob a batuta do seu mestre Hyndman, deu regularmente, aos domingos, concertos de música variada, atraindo ao local numerosas pessoas amantes da música. A foto mostra os componentes da Banda rodeados de ouvintes (1)
O mestre Hyndman referido na notícia, será Luís Schellas Hyndman (1891-1956), da família Hyndman cujo primeiro nome referenciado por Jorge Forjaz (2) é Henry Hyndman, natural da Escócia, general do exército britânico e que viveu algum tempo em Macau cerca de 1787.
Luís Schellas Hyndman foi oficial da Marinha Mercante Portuguesa e terá sido o 1.º instrutor da Banda da Polícia de Segurança Pública de Macau. O seu único filho, António Maria José Hyndman (1926- ?) nascido em Shanghai foi funcionário da « Jardine, Matheson & Co», em Hong Kong e depois guarda da P. S. P. em Macau (2)
(1) Extraído de «MBI» III-51, 15SET1955, p. 16
(2) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol. II, 1996, p. 229 – 240

Artigo escrito pelo Dr. Manuel Ferreira Cabrita, Chefe do Serviço Meteorológico de Macau, publicado no jornal «Diário de Notícias» e republicado no «M.B. I.». (1) O tufão KATE foi pela primeira vez assinalado na carta sinóptica do dia 19 de Setembro às 00.00 horas do tempo médio de Greenwich sob a forma de uma depressão tropical, portanto, com ventos que não excediam 33 nós. Estava então na fase de desenvolvimento sendo de prever que se transformasse rapidamente num tufão o que de facto se veio a verificar 24 horas depois.
Apesar a falta de informações que normalmente se verifica na região em que o tufão foi pela primeira vez assinalado, 450 milhas a sudoeste de Guam, foi fácil prever com relativa segurança que passaria perto de Macau.
Era essa a trajectória normal nesta época do ano, e os campos da pressão atmosférica quer à superfície quer em altitude, indicavam WNW como a direcção mais provável do seu deslocamento. Com efeito assim se verificou até que o tufão alcançou a costa de Luzon, na manhã de 23. Então começou a desenvolver-se e a deslocar-se para sul uma célula do anticiclone siberiano que originou uma pequena mudança de direcção no deslocamento do tufão que passou a fazer-se para W. esta mudança de direcção teve a vantagem de fazer com que o tufão se não aproximasse de Macau como sucederia se mantivesse a primitiva direcção de deslocamento; por outro lado teve o inconveniente de originar gradientes muito apertados ao longo da costa sul da China que foram os responsáveis pelos ventos relativamente fortes que foram observados.
Logo que o tufão entrou no círculo com centro em Macau e com 300 milhas de raio, foi mandado içar o sinal n.º 1 de tufão indicador de que um tufão poderia vir a afectar o estado do tempo na Província. Isto deu-se na manhã do dia 24 às 8.45.
A carta desenhada depois levou-nos à conclusão de que a trajectória do tufão teria muito provavelmente a direcção este-oeste e nessas condições osv entos não excederiam 61 Km/há não ser em rajadas isoladas e pouco frequentes. Nestas condições manamos substituir o sinal n.º 1 de tufão pelo de ventos fortes (velocidades entre 41 e 61 km/h e com chuva) convencidos de que não teríamos que o modificar até  que todo o perigo passasse. De facto assim sucedeu, tenho o sinal estado içado até às 09.40 do dia 26, altura em que o tufão estava já entrando na costa da Indochina.
O tufão esteve mais próximo de Macau às 00.00 horas do dia 25 quando se encontrava a cerca de 250 milhas a sul desta Província.
(1) «MACAU Boletim Informativo» ANO III, n.º 52 de 30/09/1955, p. 13.

“Slide”digitalizado da colecção “MACAU COLOR SLIDES  KODAK EASTMAN COLOR” comprado em finais da década de 60 ou princípio de 70 (séculoXX), se não me engano, na Foto Princesa (1) Foi inaugurada a 16 de Setembro de 1954, em Macau, no então recente aterro da Praia Grande, em frente do antigo Palácio das Repartições Públicas o pedestal e a estátua que foi feita em pedra liós, da autoria do escultor Euclides Vaz, ao primeiro português que veio à China, Jorge Álvares. (2) (3)
O Engenheiro José dos Santos Baptista, Chefe da Repartição Técnica da Obras Públicas discursou, tendo salientado:
“ … após abertura do concurso promulgado pelo Ministro do Ultramar , o júri do concurso classificou , em primeiro lugar, o trabalho do escultor Euclides Vaz, a quem, em Setembro de 1953 , foi feita a adjudicação da obra. Em Maio deste ano (1954) chegaram a Macau, no paquete «Índia», todas as peças do monumento.
Elaborado o projecto da sua localização e montagem pela Repartição Técnica das Obras Públicas, é a respectiva execução posta a concurso e, depois, adjudicada ao empreiteiro Vá San. A montagem foi iniciada em fins de Julho e ficou concluída em fins de Agosto…. (…)
Falou de seguida, o Presidente do Leal Senado, António de Magalhães Coutinho, que traçou resumidamente a biografia de Jorge Àlvares.
Finalmente o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro usou da palavra, enaltecendo profundamente o acto. Saliento uma pequena passagem:
“A viagem de Jorge Álvares e a documentação que lhe confirma o lugar de pioneiro nos contactos do Ocidente com o Imperio Celeste não foram completamente esclarecidos senão há cerca de 20 anos, conservando-se o seu nome injustamente esquecido durante mais de quatro séculos. Diversas causas para tal contribuíram, salientando-se dentre elas os terramotos de Janeiro de 1531 e de Novembro de 1755 que destruíram boa parte dos arquivos de Lisboa sobre os nossos feitos na ìndia e terras do Oriente e que dificultaram consequentemente trabalho de estudiosos e investigadores.
Por sua vez, o autor Ljungstedt, que escreveu o «Esboço histórico dos Estabelecimentos Portugueses na China» – obra editada em Boston em 1836 – prestou-nos muito mau serviço pelos erros e incorrecções que deixou escrito a nosso respeito que infelizmente fizeram escola por esse mundo fora. Segundo Ljungstedt fora o português Rafael Perestrelo quem primeiramente tinha chegado à China embora se saiba que só aqui esteve pelo menos um ano mais tarde… (…)”
Findo os discursos, a esposa do Governador, D. Laurinda Marques Esparteiro puxou o laço que prendia a Bandeira Nacional descerrando assim a estátua de Jorge Álvares.
Numa das faces de pedestal estão gravadas a profecia que sobre Jorge Álvares nos deixou o cronista João de Barros:
«E peró que aquela região de idolatria coma o seu corpo, pois por honra de sua pátria em os fins da terra pôs aquele padrão e seu descobrimento, não comerá a memória da sua sepultura, enquanto esta nossa escritura durara»
Recorda-se que em 1513, Jorge Álvares que largara algum tempo antes de Malaca num junco tendo a bordo o seu filho, aportava ao largo da barra do Rio cantão e lançava ferro no ancoradouro da Ilha de Tamão (Jack Braga identificou-a como a Ilha de Lintin) que nessa época era o centro de todo o comércio da China com o exterior.
Faleceu na Ilha de Tamão na sua quarta viagem para estas paragens, tendo desembarcado em Cantão onde ficou pouco tempo, no regresso à Ilha de Tamão faleceu, a 8 de Julho de m 1521, oito anos depois de ali ter aportado, ficando ali sepultado junto do padrão que ele havia levantado e ao lado do filho que aí falecera em 1513.
NOTA: A cerimónia da inauguração da estátua Jorge Álvares foi filmada por uma equipa técnica da empresa cinematográfica «Eurásia Filmes, Limitada» (4) sob a direcção de Eurico Ferreira para um documentário, que não sei se foi exibido mas que se perdeu a cópia.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/foto-princesa/
(2) «MACAU Boletim Informativo», Ano II, n.º 28 de 30-09-1954.
(3) Ver referências anteriores a este navegador, nomeadamente à inauguração da estátua:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-de-jorge-alvares/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/22/leitura-caminhos-do-futuro-dos-horizontes-da-nacao-ii/
(4) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/23/noticias-23-11-1955-caminhos-longos-uma-iniciativa-arrojada-da-eurasia-filmes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/03/filme-caminhos-longos-de-1955-artistas-chineses-de-cinema/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/07/noticia-filme-caminhos-longos/