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No dia 9 de Dezembro de 1970, foi inaugurada e aberta ao público, uma exposição dede trabalhos de ergoterapia executados pelos doentes do Hospital Conde de S. Januário, presidindo a este acto D. Julieta Nobre de Carvalho esposa do governador e presidente da Direcção da Obra das Mães pela Educação Nacional.

Um aspecto dos artigos expostos

“Desde há anos (1) que no Hospital Central Conde de S. Januário se vem praticando este processo de recuperação. Aos doentes é entregue a execução de determinados trabalhos, compatíveis coma sua situação sanitária e de acordo com as suas habilidades que se procura conhecer antecipadamente.
Os objectos manufacturados figuram numa exposição que se realiza anualmente e para a qual se procura chamar a atenção do público.
Os artigos expostos compreendiam toalhas, cestinhos, roupas de crianças, ornamentos domésticos e presépios, apresentados com extremo bom-gosto, a revelar a intervenção feminina das Madres Franciscanas Missionárias de Maria, dedicadas enfermeiras do referido Hospital.
(1) Há uma referência de Beatriz Basto da Silva na sua cronologia de 1972:
“4-12-1972 – Inaugurada no Hospital Central Conde S. Januário uma exposição de trabalhos de ergoterapia executados pelos doentes carinhosamente orientados pelas Franciscanas Missionárias de Maria” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol.5, 1998)
(2) Extraído de «Macau Boletim de Informação e Turismo», Vol.  VI, n.º 10 Dezembro de 1970.

A Congregação Salesiana de Macau para comemorar a beatificação do Padre Miguel Rua (1) – primeiro sucessor de D. Bosco – (2) celebrou na Sé Catedral, no dia 30 de Novembro de 1972 uma Missa de Acção de Graças.
A concelebração foi presidida pelo Bispo D. Paulo Tavares, ladeado pelo Chantre Ngan e o Provincial da Inspectoria Chinesa. Tomaram parte 22 sacerdotes.
A cerimónia teve início com uma procissão desde a porta da entrada até ao altar da concelebração. À frente, duas longas filas do Pequeno Clero dos Três Colégios salesianos, Imaculada Conceição, Yuet Wah e D. Bosco, seguidos dos sacerdotes concelebrantes.
A cerimónia apesar de comprida, como não podia deixar de ser, visto que era para as comunidades de língua portuguesa e chinesa, e apesar de, quase ao princípio, a energia eléctrica ter deixado a ponto de nos deixar quase às escuras impedindo assim que os altifalantes pudessem levar à assistência o que se dizia no altar, apesar de tudo, dizíamos, não houve em toda aquela grande assembleia o mínimo sinal de cansaço ou aborrecimento.
Deram brilho à cerimónia os pequenos cantores do Colégio D. Bosco.(3)

Os «Pequenos Cantores do Colégio D. Bosco», actuando na missa de acção de graças

Estiveram presentes a Sra. D. Julieta Nobre de Carvalho, e muitas outras autoridades e numerosos amigos: representantes dos Colégios Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora, cooperadores, antigos alunos (chineses e portugueses) e representantes de todas as comunidades religiosas de Macau.

Extraído do «M.B.I.T.», Vol VIII, 9-10 de 1972.

(1) S. João Bosco morreu no ano de 1888, deixando já em pleno funcionamento meia centena de escolas para rapazes pobres e abandonados. O seu sucessor, o Pade Miguel Rua, dois anos depois escreveu ao Bispo de Macau, D. Joaquim António Medeiros, agradecendo a confiança que mostrara para com a humilde Congregação Salesiana e o grande desejo de ver essa obra na cidade do Santo Nome de Deus de Macau, para o bem da juventude mais necessitada.
A primeira obra salesiana em Macau foi o «Orfanato da Imaculada Conceição» depois conhecido por «Instituto Salesiano», onde funcionava uma pequena escola de Artes e Ofícios, embrião do que seria mais tarde o Colégio D. Bosco.
Miguel Rua, S.D.B. (em italiano: Michele Rua) (1837 – 1910) após a sua profissão de fé em 1885, foi pelos 36 anos seguintes o colaborador de D. Bosco no desenvolvimento da congregação e um companheiro constante de D. Bosco em suas viagens. Tornou-se vigário da Sociedade de S. Francisco de Sales (fundada por D. Bosco) em 1865. A pedido de D.  Bosco, em 1884, o papa Leão XIII designou-o como seu sucessor e o confirmou como Reitor-Mor da Congregação Salesiana em 1888, após a morte do fundador. Foi beatificado em 29 de Outubro de 1975 pelo papa Paulo VI.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Rua
(2) Quatro anos antes da sua morte, S. João Bosco, fundador da Congregação dos Padres Salesianos, escrevia ao seu primeiro sucessor, P. Miguel Rua:
«Em tempo oportuno as nossas missões estabelecer-se-ão na China e mais precisamente em Pequim, mas não te esqueças que vamos para ali para o meio de povos desconhecidos e que ignoram o verdadeiro Deus; ver-se-ão maravilhas até agora inacreditáveis que Deus Todo Poderoso tornará patentes ao mundo …»
Mas as grande obras necessitam sempre de grande alicerces e foi só ao cabo de 16 longos anos de espera , que os filhos de D. Bosco chegaram às portas da China. Era o dia 13 de Fevereiro de 1906. Eram seis os primeiros pioneiros, chefiado pelo Padre Luís Versiglia (mais tarde bispo de Shuichow na China; viria a morrer mártir) e o Padre Caravário.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pequenos-cantores-do-c-d-b/

Durante o mês de Setembro de 1955, num lugar aprazível ao Jardim de S. Francisco, a Banda da Polícia sob a batuta do seu mestre Hyndman, deu regularmente, aos domingos, concertos de música variada, atraindo ao local numerosas pessoas amantes da música. A foto mostra os componentes da Banda rodeados de ouvintes (1)
O mestre Hyndman referido na notícia, será Luís Schellas Hyndman (1891-1956), da família Hyndman cujo primeiro nome referenciado por Jorge Forjaz (2) é Henry Hyndman, natural da Escócia, general do exército britânico e que viveu algum tempo em Macau cerca de 1787.
Luís Schellas Hyndman foi oficial da Marinha Mercante Portuguesa e terá sido o 1.º instrutor da Banda da Polícia de Segurança Pública de Macau. O seu único filho, António Maria José Hyndman (1926- ?) nascido em Shanghai foi funcionário da « Jardine, Matheson & Co», em Hong Kong e depois guarda da P. S. P. em Macau (2)
(1) Extraído de «MBI» III-51, 15SET1955, p. 16
(2) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol. II, 1996, p. 229 – 240

No dia 14 de Abril de 1979, foi inaugurado no átrio da Escola Comercial «Pedro Nolasco», a primeira galeria de pintura dos artistas macaenses António José Júlio César Guerreiro, José Armando Lau do Rosário, Luís Ribeiro Coutinho, Rafael Augusto César Guerreiro e Gaspar dos Remédios.

No acto da inauguração

A exposição que reuniu ceca de uma centena de óleos e aguarelas, foi inaugurada pelo Director do Centro de Informação e Turismo, substituto, A. Mendes Liz.
Foi muito concorrida e esteve patente ao público até às 22 horas do dia 17 de Abril.

Pormenor da visita à galeria

Extraído de «M. B. I. T.»  XIV-3-4, 1979..

Em digressão de estudo, partiram, no dia 8 de Abril de 1976, os finalistas do Liceu Infante D. Henrique, com uma demora de 6 dias. Uma iniciativa que se realiza pela segunda vez e acredita-se que os resultados compensem os esforços despendidos para a sua concretização e as despesas que estas deslocações envolvem. Naturalmente que se deseja que idênticos benefícios se estendam aos finalistas das outras escolas secundárias, designadamente à Escola Comercial «Pedro Nolasco» e Escola Industrial «Colégio d. Bosco».
Os meios de comunicação, facilitados pelo incremento da aviação e tornados cada vez mais acessíveis, reduziram imensamente as distâncias terrestres, permitindo estreitos contactos entre os povos deste nosso mundo. Este facto deu a conhecer os problemas mútuos enfrentados pelas diversas populações que se espalham por todas as latitudes, tantas vezes identificadas pelas semelhanças que as aproximam umas das outras, a reclamarem iguais soluções… (…)
Temos de ver dentro deste contexto a digressão dos estudantes liceais de Macau a terras das Filipinas. Ao agradável de conhecer novas áreas geográficas, diferentes tipos de população, com todos os costumes que as distinguem, junta-se a utilidade de contactar com jovens estudantes que, certamente, se não recusarão a comunicar-lhes os seus problemas, as suas conquistas, as suas preocupações sobre o futuro, as suas aspirações, toda a largura da sua mundividência… (…)
Extraído do artigo não assinado da revista «MBIT», XI-1/2, Março/Abril de 1976.

O entusiasmo da queima de panchões, nos dias festivos do Ano Novo Lunar, atinge todas as idades, e nem o estampido abranda a tarefa, embora por vezes se sintam atemorizados com o estralejar contínuo dos petardos.
Sacodem-se, assim, todos os azares da vida e o mau agoiro que venha prejudicar a felicidade pelo ano fora.
São crenças ainda conservadas no rol das superstições que influenciam este povo milenário, conservador das suas tradições que lhe apontam normas de vida, para que tudo se oriente para a felicidade, tal como ele a concebe.” (1)
(1) Extraído de p.9, «Macau Boletim de Informação e Turismo», Vol XII, n.ºs 1 e 2,  1977.

No dia 4 de Maio, dia de descanso dos desportistas macaenses, foi o dia do jantar de honra oferecido pela Associação Japonesa de Hóquei. O jantar realizou-se num dos mais luxuosos restaurantes de Tóquio, reservado exclusivamente à alta sociedade.
Entre os presentes contava-se o sr. Kizo Kavai, gerente-geral da Hitachi que visitara Macau em 1936 por ocasião da digressão a Macau da equipa universitária de Waseda.
No momento dos brindes, o sr. Sakae Kubota, secretário-geral da Associação Japonesa de Hóquei, saudou os hóspedes, congratulando-se com os bons resultados já obtidos pelos hoquistas macaenses nesta primeira visita ao Japão e agradecendo a honra da nossa presença.
Falou a seguir, o sr. Engenheiro Humberto Rodrigues que por seu lado agradeceu o magnífico jantar com que se dignaram distinguir os visitantes, esperando, poder retribuir, da mesma maneira num futuro próximo, todas as amabilidades de que fora alvo a caravana de Macau.
NOTA: Informações do diário de Henrique José Manhão Jr. que relatou esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
Anteriores referências deste diário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hockey-club-de-macau-hoquei-clube-de-macau/

Continuação da digressão do Hóquei Clube de Macau por terras nipónicas (1)
Dia 3 de Maio de 1972 – feriado nacional – dia da nova constituição japonesa.
Terceiro encontro – Selecção de Tóquio contra a Selecção de Macau.

Selecção de Tóquio

Pelas 15.oo horas, começou o encontro a que assistiram muitas e altas individualidades ligadas ao hóquei japonês. Entre os portugueses, encontravam-se o Sr. Amílcar Peres, gerente do B. N. U. de Macau, o Sr. Capitão Raposo e respectivas esposas.
A partida foi renhidamente disputada de princípio ao fim. Embora os japoneses tivessem marcado em primeiro lugar, os macaenses dominaram completamente a situação, vindo a ganhar por 2-1.

As duas selecções, de Tóquio e a de Macau, com os árbitros

(1) Informações do diário de Henrique José Manhão Jr. que relatou esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
Anteriores referências deste diário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hockey-club-de-macau-hoquei-clube-de-macau/

A comitiva do H. C.M. acompanhada do Sr. Kotara Miyamoto, secretário da Associação Japonesa de Hóquei, deslocou-se ao município de Tóquio para apresentar cumprimentos ao «Mayor» da cidade e entregar a mensagem do presidente do Leal Senado da Câmara de Macau. A representação macaense foi recebida pelo chefe do protocolo do município, Sr. Tsugio Fominaga que agradeceu a gentileza da visita em nome do «Mayor» Dr. Ryokichi Minobe, que se encontrava ausente na Europa.
Às 14.00 horas realizou-se no campo universitário de Keio, o segundo encontro da digressão. O campo, também de terra batida, como o de Osaka, estava lamacento, porquanto chovera copiosamente na noite anterior.
O resultado final foi de um empate a 1-1 (golo de Eduardo de Jesus)
Assistiram a este encontro, em representação da reitoria da universidade de Keio, Toshichica Totoki, Professor do Departamento de Sociologia Industrial de Ciências Políticas, Kentaro Hiro, membro executivo do «Comité Olípico Japonês» e a Senhorita Yukiko Iwakawa, guia-intérprete (1)
À noite, pelas 19,00 horas, a delegação de Macau foi obsequiada com um típico jantar japonês, oferecido pelos jogadores da Universidade de Keio que estiveram em Macau em 1961 e 1964, por muitos dos seus antigos hoquistas e os jogadores que participaram no encontro da tarde.
Durante o jantar usaram da palavra , o árbitro internacional de hóquei e antigo aluno da Universidade de Keio e o Engenheiro Humberto Rodrigues.
A festa terminou com a famosa canção «Sakura» (2)  cantada por Yukiko acompanhada por dois colegas de Keio.

Convívio social com a Senhorita Yukiko Iwakawa, guia-intérprete

NOTA: Informações do diário de Henrique José Manhão Jr. que relatou esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
Anteriores referências deste diário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/06/noticia-de-6-de-maio-de-1972-o-primeiro-portugal-japao-em-hoquei-em-campo/ 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/04/29/noticias-de-26-de-abril-a-9-de-maio-de-1972-diario-do-hoquei-clube-de-macau-por-terras-do-japao-ii-chegada-ao-japao-e-primeiro-jogo-no-dia-29-de-abril/ 
(1) Senhorita Yukiko Iwakawa, aluna do «Junior College» de Keio, escolhida para servir de elo de ligação entre os portugueses e japoneses pois dominava perfeitamente a língua inglesa.
(2) «Sakura» é o nome dado em japonês à cerejeira em flor, considerada a flor nacional do Japão. Também o nome de canção tradicional japonesa “Sakura, Sakura” (hoje considerada a canção representativa do Japão)  de origem no período Edo e  que descreve a primavera , a estação das cerejeiras em flor.
https://en.wikipedia.org/wiki/Sakura_Sakura
Poderá ouvi-la em
http://mattluxmusic.com/tracklist/id/163060

A comitiva macaense de hóquei em campo teve no dia 29 de Abril de 1972, uma recepção singela mas amistosa no aeroporto internacional de Haneda, estando presente o sr. Sakae Kubota (secretário-geral da Associação Japonesa de Hóquei em Campo – A. J. H. C.) que apresentou cumprimentos à nossa embaixada desportiva, em nome o presidente daquela Federação. Além do secretário-geral da A.J.H.C. estiveram no aeroporto: Kotara Miyamoto, secretário da A.J.H.C.; Kughiwara, treinador da equipa nacional japonesa; Shigeki Motoyama e Toshikazu Takei, (1) representantes da Universidade de Keio.
Os jogadores de hóquei em campo da Universidade de Keio também se deslocaram ao aeroporto para receber a equipa macaense.

Jogadores da equipa da Universidade de Keio num jantar que estes ofereceram à caravana macaense no restaurante «Suehiro» de Ginza.

Do aeroporto a comitiva seguiu de autocarro (posto à disposição por conta da A. J. H.C.) para o hotel «Takanawa». No dia 28 de Abril realizou-se o primeiro treino, às 8,30 horas constituído de ginástica e corridas e à tarde fez-se mais um pequeno treino. No dia 29 de Abril (feriado nacional no Japão por ser dia o dia de aniversário do então Imperador), efectuou-se o primeiro encontro em terra nipónica. Saída às 6.30 horas para apanhar o comboio expresso para Osaka e daí de autocarro para o campo de Hagaromo (tudo cerca de 5 horas)..
O jogo começou às 14,05 horas, no campo de terra batida debaixo de um sol escaldante.
A constituição das equipas foi a seguinte:
MACAU: Ribeiro, Jorge Silva, Sousa, Assis Silva, Santos Ferreira, F. Cordeiro, Badaraco, Jeremias, Jesus, Ritchie e A. Fernandes.
OSAKA: T. Shirai, T. Kobayashi, F. Moricava, T. Moricava, S. Kaoku, H. Ebicai, K. Takizawa (capitão), H. Ushinohama, J. Sekia, Io H. Watanabe e Y. Takiushi.
A selecção de Macau ganhou por 4-3 à selecção de Osaka. Golos de José dos Santos Ferreira Jr. (de penalti), Eduardo de Jesus e Badaraco na primeira parte (3-1) e Eduardo de Jesus no início da segunda parte (4-3).
NOTA: Informações do diário de Henrique José Manhão Jr. que relatou esta digressão para o bissemanário católico «O Clarim», reproduzido depois no Boletim de Informação e Turismo.
Anteriores referências deste diário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/06/noticia-de-6-de-maio-de-1972-o-primeiro-portugal-japao-em-hoquei-em-campo/
(1) Toshikazu Takei esteve em Macau em 1961, aquando da visita da equipa de hóquei em campo da Universidade de Keio. Uma outra equipa da mesma Universidade esteve em Macau em 1964.