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Dois acontecimentos tiveram notícias neste dia de 12 de Agosto de 1900.
José Maria de Sousa Horta e Costa, (1) nomeado pelo Partido Regenerador, toma posse do cargo de Governador (segundo mandato) e de Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário de Sua Majestade Fidelíssima nas Cortes da China, Japão e Siam (2)
E nesse mesmo dia, em 12 de Agosto de 1900, chega a Macau um Corpo Expedicionário para proteger a cidade da situação que se vive na China, (3) na força de 14 oficiais e 368 praças de pré, constituído por uma companhia de caçadores 3, uma bataria de artilharia, 2 elementos do serviço de saúde e administrativos. (4)
NAM VAN 25 1986 - JOSÉ HORTA E COSTA(1) José Maria de Sousa Horta e Costa (1858-1927), assentou praça na arma de Engenharia em 1878, cursou a Escola do Exército, e esteve já antes em Macau (em 1886) como Director das Obras Públicas (era então tenente de Engenharia, com 28 anos de idade) e onde casou, na Sé  desta cidade a 2 de Abril de 1886 com Carolina Adelaide Pinheiro Silvano, de 16 anos de idade).
Em 1888, foi deputado por Macau na Câmara em Lisboa. Foi depois nomeado governador de Macau tomando posse a 24 de Março de 1894 mas  demitiu-se, em 1896, devido a mudança ministerial em Portugal. (5) Nomeado em 1900 cumpriu o mandato até 17-12-1902, tendo-lhe sucedido o Conselheiro Arnaldo Nogueira de Novais Guedes Rebelo  (coronel de engenharia). Foi nomeado em 1907, governador da Índia.
Foi proclamado cidadão benemérito de Macau na sessão do Leal Senado de 8 de Junho de 1896.
«A ele se deve o grande impulso havido para o saneamento da cidade, tendo sido para esse fim expropriados dois bairros inteiros, como o de Volong e o de Tap Seac, que eram antes verdadeiros poços de infecção.»
Muitas outras decisões importantes para o progresso de Macau «medidas preventivas em 1894 face a peste bubónica; instituição do Lyceu Nacional de Macau; reconhecimento oficial da Escola Central do sexo masculino; a criação da Escola Central do sexo feminino, remoção das campas de Sakong para construção de um bairro de operários; saneamento e reconstrução do bairro de S. Paulo; expropriações nas várzeas de Mong Há  para construção de avenidas e largos; melhoramentos e saneamentos de muitas ruas da cidade». (Acta do Leal Senado)
Muitas das ruas ainda estavam construídas de terra batida , raras vezes misturada com um apequena quantidade de cal d´ostra. Esta terra com as chuvas é arrastada às valetas, tapa muitas vezes as sargetas, e vai entupir os canos, e mais tarde assoriar o porto e a Praia Grande. (relatório de 1-07-1886 da Direcção das Obras Públicas” (6)
TOPONÍMIA - Avenida de Horta e CostaMacau tem com o nome deste Governador, uma Avenida de Horta e Costa (começa na Avenida de Sidónio Pais , entre os prédios n.º 29 e 31 e termina na Avenida do Almirante Lacerda, ao lado do mercado «Almirante Lacerda», uma Rua e um Pátio. (5)
Anteriores referências a este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-maria-horta-e-costa/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/avenida-horta-e-costa/
(2)SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Vol. 4, 1997.
(3) “13-06-1900 – A Revolta dos Boxers, apoiada numa sociedade secreta, rebenta no Norte da China. Dirige-se contra os estrangeiros e influências estrangeiras, sobretudo contra os missionários e chineses convertidos. Os revoltosos deixaram rasto de destruição de casas e igrejas e mataram centenas de pessoas antes de serem detidos em Pequim por tropas de oito países que se conjugaram para o efeito A criação dos bandos armados das sociedades secretas a mais conhecida a dos «Punhos da Justa Concórdia» mais conhecida como boxers  pelos estrangeiros (os seus adeptos costumavam aparecer nas feiras como lutadores e acrobatas). Da revolta dos Boxers resultou o massacre de 5 bispos, 40 missionários (sendo 12 católicos e os restantes protestantes) e 18 000 fiéis (sendo 53 crianças)”. (2)
(4) “Na sequência das guerras do ópio e da ocupação dos principais portos, os  chineses revoltam-se contra os estrangeiros, com o apoio aberto da imperatriz Viúva (conhecida como a «Buda Velha») na primavera de 1900 (revolta dos Boxers – Yi Ho Tuen). (7) Em junho, o governo chinês declarou guerra e cercou o bairro das embaixada , em Pequim, o qual resistiu (os 55 dias de Pequim) e foi libertado por reforços enviados.  A cidade foi saqueada  e passou a ficar na completa dependência das potências “imperalistas”. Quando foram conhecidos os primeiros ataques a europeus, o governo português determinou a organização de um Corpo Expedicionário.”
CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999.
(5) “Lá se vae o Horta e Costa, esse homem nefasto para o clero de Macau.É verdade que quasi sempre tratou bem o clero de Seminário, mas ainda n´isso havia manhas infernais (carta do Bispo D. António Joaquim de Medeiros dirigida ao Padre José Joaquim Baptista, datada de 30 de Abril de 1896. (6)
(6) TEIXEIRA, P. Manuel  –  Toponímia de Macau Vol II, 1997.
(7) Revolta dos Boxers –  義和團運動
義和團運動 – mandarim pīnyīn: yì  hé tuán yùn dòng; cantonense jyutping: ji6 wo4 tyun4 wan6 dung6

A 1.ª Exposição Colonial Portuguesa foi inaugurada em 16 de Junho de 1934, na cidade do Porto, no Palácio de Cristal (transformado em Palácio das Colónias)  entre os dias 16 Junho a 30 de Setembro de 1934. (1).
Hoje apresento o livro:

O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa (Album-Catalogo) CaoaO.IMPÉRIO.PORTUGUÊS NA. 1.ª EXPOSIÇÂO.COLONIAL.PORTUGUESA
ALBUM-CATÁLOGO (2)

No Pavilhão de Macau apresentava-se uma mostra de paisagens e curiosos aspectos da vida em Macau; uma constituição da música, actos religiosos e tradicionais, um pavilhão de chá, uma mostra de indústrias e outras de artes e literatura.
O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa - Pavilhão de cháNa secção Instrução nas colónias  (quarta secção à direita da nave central do Palácio de Cristal,  por baixo da galeria), havia  fotografias da sede e dos alunos do Liceu Nacional de Macau.
Também ficou em exposição, maquetas de embarcações usadas na navegação nos mares da China feitos na Capitania dos Portos e enviados pela Inspecção dos Serviços Económicos de Macau.
O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa - Palácio de CristalNa exposição industrial (galeria da direita da nave central do Palácio), na secção Pesca e conservas, estavam representadas de Macau, as seguintes empresas:

Kwong Me Chun & Co. –  conservas de peixe;
Hip Cheong –  conservas de peixe e frutas;
Sun Tack Loong C.ª Ld. – conservas de frutas
Sun Tack Loong Yuen Kee Co – conservas de frutas
Sun Tak Loong Canned Co. – conservas de frutas
Fook Tai Hing – molhos
Wing Sang – molhos
Une Xane – molhos
Tsu Chan – calda de tomate
Hin Kee – pastelaria; dôces

Na secção Óleos e sabões:

Hov King – sabões

Na secção Tabacos:

Sing Ping & Co – tabaco manipulado
James Tobaco Mig. Co – tabaco manipulado
Chan Sau Lan  (Rua 5 d e Outubro) – manocas de tabaco, mostruário de tabaco manipulado
Soi Fong – tabacos
Tat Cheong – charutos
Chan Ian Lan . cigarros
Tam Mon Lau (embora erradamente atribuída a Timor, neste Catalogo) (sede estava na Avenida Almeida Ribeiro) – aparelho de cortar tabaco.

Na secção Produtos Químicos:

Leung Wing Hing – (Rua 5 de Outubro) Mostruário de pivetes
Chun Lun Hing  (Rua Almirante Sérgio) – Mostruário de pivetes
Kuong Hing Tai – Mostruário de panchões
Kuong Yeen (Largo do Pagode do Bazar) – mostruário de panchões
Chan Tin Que – mostruário de fogos de artifício
Kwang Long Yuen – mostruário de fogos de artifício
Tai Cong (Avenida Almirante Lacerda) -mostruário de fósforos
Tung Hing ((Estrada Coelho do Amaral) – Mostruário de fósforos
Jorge & C.ª L.ª (Farmácia Moderna) – produtos farmacêuticos.

Na secção Metalurgia:

Metal Manufacturing  Co. L.ª – Lanternas electricas

Na secção Artes gráficas:

Imprensa Nacional de Macau – livros

Na secção Indústria textil e de vestuário

The Tung Wearing & Dyéong Factory – Mostruário de tecidos de fabrico regional (riscados)
Tack Son & Co. (Rua dos Mercadores) -chapéus
Pou Joc Lau – tera chinês
Li Chen Tong  (Rua da Erva) – rêdes

Na secção Peles e derivados:

Yan Yan – calçado
Dun Dun (Avenida Almeida Ribeiro – calçado
Si San (Beco dos Colaus) – calçado

Na secção Ceramica e vidros:

Chan Tin Quel – vidros; modelo de forno para derreter vidro

Na secção Produtos alimentares e de consumo

On Tai – farinhas
Cha Ian Lau – mostruário de chá
Xiao Sane – mostruário de chá
Yee Mow Tai – mostruário de chá
Hig Cheong – vinho chinez

Na secção Ourivesaria e Bijuteria

Veng Hap (Rua Camilo Pessanha) – objectos de cobre
Cong Cheong Seng (Rua da Terceira)- objectos de cobre

Na secção de Arte indígena (secção privativa, ao fundo da nave principal do Palácio)
Trabalhos artísticos em madeira, prata, tecidos e papel, confeccionados por naturais da colónia. Fotografias.
Na secção Etnografia (usos e costumes)
Documento Etnográfico do Governo da Colónia de Macau.
“A 1.ª Exposição Colonial Portuguesa dividia-se em duas grandes secções: A secção oficial e a outra dedicada as iniciativas privadas. A secção oficial dispunha de quinze sub-secções: A secção da História, de forma a referir a história colonial desde 1415; outra destinava-se a apresentar os empreendimentos coloniais portugueses dos últimos quarenta anos; representação etnográfica; a demonstração do exército; os monumentos; o parque zoológico; outra mostrava o teatro e cinema oficiais; outra a livraria colonial; uma secção destinada a provas de produtos coloniais; um salão de conferências e congressos; uma outra de assistência médica e sanitária aos nativos. …(…) …O edifício principal do Palácio de Cristal estava transformado no Palácio das Colónias. Na zona central, encontrava-se a exposição oficial, que incluía referências aos portos marítimos, caminhos-de-ferro, missões religiosas, aspectos relacionados as colónias, entre outros, e que pretendia dar uma maior visão sobre todos os benefícios que a colonização tinha levado aos territórios de além-mar. Na ala direita, estavam expostos os participantes privados vindos das colónias e, na ala esquerda, foram colocados os participantes privados vindos da metrópole. …(…) … O final da exposição marcou-se com o Cortejo Colonial que percorreu algumas ruas da cidade… (3)
(1) Referências anteriores a este tema:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/30/30-de-agosto-de-1934-dia-de-macau-e-a-1-a-exposicao-colonial-portuguesa/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1934-dia-de-macau-na-exposicao-colonial/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/22/22-de-agosto-de-1849-assassinato-do-governador-ferreira-do-amaral/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/04/leitura-a-represen-tacao-de-macau-na-i-exposicao-colonial/
(2) O Império Português na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa – Album-Catálogo Oficial. Direcção Literária de do Dr. Alberto Pinheiro Torres e Organização e Direcção Técnica de Mário Antunes Leitão. Tipografia Leitão (Porto), 457 p.
(3) Partes do trecho (recomendo a sua leitura integral) retirado do blog: Cromos da História: 1.ª Exposição Colonial Portuguesa em
http://1exposcaocolonial-porto1934.blogspot.pt/2009/03/1-exposicao-colonial-portuguesa-porto.html

Cabelos que se tornam sempre escuros,
Olhos chineses e nariz ariano,
Costas orientais, e peito lusitano,
Braços e pernas finos mas seguros.

Mentalidade mista. Tem dextreza
No manejo de objectos não pesados,
Tem gosto por Pop Songs mas ouve fados;
Coração chinês e alma portuguesa.

Casa com a chinesa por instinto,
Vive de arroz e come bacalhau,
Bebe café, não chá e vinho tinto.

É muito bondoso quando não é mau,
Por interesse escolhe o seu recinto
Eis o autêntico filho de Macau

Leonel Alves
in ” Por Caminhos Solidários”  (1)

(1) in  p. 153 de REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992.
João Reis refere na biografia do poeta: “Deixa a ideia de ter chegado à poesia tarde na vida – havendo nos seus trabalhos passagens de saudosa evocação,  e de expressiva inspiração
NOTA: “Nasceu em Macau a 27 de Janeiro de 1921 e aqui faleceu a 10 de Outubro de 1982. Funcionário dos Serviços de Saúde. Colaborou em vários jornais de Macau com poesia e charadas. Frequentou o Liceu, tendo ganho o 1.º prémio de poesia num dos muitos concursos literários promovidos pelo professor Lara Reis. Em edição póstuma foi dado à estampa um livro que reuniu a sua poesia intitulado “Por Caminhos Solitários” (Macau, edição de autor, 1983, 113 p.) in Antologia de Poeta de Macau – sel. e org. Jorge Arrimar e Yao Jingming, 1999.
Aconselho leitura do artigo de António Aresta “Leonel Alves (pai)” no Jornal Tribuna de Macau de 2015:
http://jtm.com.mo/opiniao/leonel-alves-pai/

O “semanário de propaganda e defeza das colonias” a «Gazeta das Colonias», N.º 19, 12 de Fevereiro de 1925 apresentava no frontispício como “FOMENTO COLONIAL“, uma fotografia de Macau.

GAZETA COLÓNIAS I-19 12-02-1925 - Fomento ColonialMACAU – Vista parcial das oficinas do arsenal (lado sul)

As oficinas do arsenal ou da Capitania dos Portos de Macau existiam pelo menos desde 1902 e com a designação de «Officinas Navaes» desde 1907.
Nesse número apresentava um artigo do Comandante Henrique Valdêz, (1) que no Senado representou Macau, com o título ” O Problema da Instrução: Liceu Central ou Nacional“. Em números anteriores e um posterior, a mesma revista apresentou opiniões de individualidades sobre a questão, então muito premente, da necessidade dum Liceu Central ou Nacional, em Macau.
“O Liceu foi Nacional de 1894 a 1898 com o curso completo; continuou com a designação de Nacional, mas sem a 6.ª e a 7.ª classes, de 1898 a 1918; foi Central, readquirindo essas classes, de 1918 a 1933; foi Nacional de 1933 a 1936, em que foi classificado com Provincial; voltou a ser Nacional em 1937.” (2)
GAZETA COLÓNIAS I-19 12-02-1925 - Liceu Central ou Nacional… Macau não pode deixar de ter um Liceu e um Liceu completo sob o ponto de vista pedagógico, abundante em material didáctico, bem provido de professores competentes e capaz de ministrar aos alunos toda a instrução secundaria que é lei do país A sua reduzida frequência resulta apenas de não se ter feiro em volta dele a necessária propaganda e ainda de não se ter dado ao curso um aspecto pratico e útil que atraísse ou obrigasse á matricula os filhos da Colónia
(1) Henrique Maria Travassos Valdez (1884-1953), bisneto do conde de Bonfim, oficial de marinha, foi eleito Senador pelo Círculo de Macau a 25-07-1919, pelo Partido Reconstituinte (Partido Republicano da Reconstituição Nacional). Fundou em Macau, em 1919, com os seus correlegionários, o Centro Republicano Eleitoral. Saiu de Macau em 1925. Foi destituído da Marinha, no tempo do Estado Novo. Readmitido ao serviço da armada, como 1.° tenente reformado, depois do 25 de Abril, à sua filha Maria Luísa Lapa Travassos Valdez foi concedida uma pensão (Decreto do Governo 27/85 : concede pensões a 19 cidadãos portugueses que se distinguiram por méritos excepcionais na defesa da liberdade e da democracia)
Foto do então 1.º tenente da Marinha, h«Henrique Valdez  em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/07/noticia-sarau-dos-marinheiros-do-patria/
(2) TEIXEIRA, Monsenhor Manuel – Liceu de Macau, 1986

Tendo sido transferido para o Convento de Sta. Clara a escola de meninas que funcionava no convento de Sto. Agostinho, desde 10-08-1846 (1), em 6 de Julho de 1857, foi este transformado em Hospital Militar até 1874, (2) ano em que foi construído o Hospital Conde de S. Januário (inaugurado a 6 de Janeiro de 1874). Depois “velho e desactivado“, o convento é convertido em Liceu Nacional de Macau (inaugurado em 18-09-1894) (3) e depois comprado por Artur Basto que o transformou em sua residência. Com a morte foi adquirido pela Companhia de Jesus e, sob o nome de Residência de Nossa Senhora de Fátima dos jesuítas ou “Vila Flor” (serve de casa de repouso aos jesuítas), junto à Igreja de Sto. Agostinho. (GOMES, Luís Gonzaga- Efemérides da História de Macau, 1954).

Chinnery Escadas de Sto Agostinho 1829Escadas que conduziam ao antigo Convento de Santo Agostinho
George Chinnery – 1829 (4)

(1) “O convento de Santo Agostinho foi fundado em fins de 1586 ou princípios de 1587, pelo agostinho espanhol Fr. Francisco Manrique, (os padres espanhóis pertenciam à Província Filipina) e foi entregue aos agostinhos portugueses em 22 de Agosto de 1589. (5) Encadeados nas múltiplas hipóteses da sua transferência, total ou parcial, para o sítio onde hoje existe, há manuscritos que nos afirmam ter-se mudado o local do convento para a Colina do Mato Mofino (onde hoje se encontra a residência de Nossa Senhora de Fátima dos jesuítas) em 1591. Outros dizem que só foram mudadas algumas portas e não todo o corpo do convento, por não se encontrar notícia nem vestígios do que se pretende dar por mais antigo.
Esta transferência, e até à fundação dos agostinhos em Macau, atribui-a Casimiro Cristóvão de Nazaré em «Mitras Lusitanas no Oriente», ao agostinho português Fr. Miguel dos Santos.
Em 1711, o Convento de s. Agostinho foi retirado aos seus frades por ordem do Vice – Rei D. Rodrigo da Costa, sob a acusação de serem afectos ao Cardeal de Tournon. Mas foi-lhes restituído em 1721.
Em 1834, com a expulsão e extinção de todas as ordens religiosas no Império Português, esta igreja foi confiscada pelo Governo de Macau e serviu-se de quartel militar (Batalhão de Primeira LInha), escola de meninas desde 10-08-1846   e hospital. No final do séc. XIX,, em 1873, o Governador de Macau devolveu a administração desta igreja à Confraria de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos.
O engenheiro Jerónimo Luna no relatório «Hospital Militar – no extinto convento de Santo Agostinho» refere as obras realizadas neste edifício:
«Neste hospital se fizeram primeiramente diferentes obras, de consertos, reparos e pinturas, e, ultimamente, fizeram-se as obras necessárias para o isolamento completo dos doentes, em relação à parte do edifício arruinado, pelo desmoronamento de parte da igreja. …» (6)
«…Este edifício, por ser velho e ter geralmente má construção, precisa constantemente de reparos.»” (7)
(2) A instalação do Hospital Militar que foi autorizada por portaria de 21 de Novembro de 1855, implicou alterações/adulterações da estrutura do edifício. O Hospital Militar ocupou as alas que conformavam o claustro e dispunha de sessenta e oito camas. Mesmo após 1874 após a transferência dos doentes para o Hospital Sam Januário, a tropa continuou no convento até 1893 (aquando da instalação do Liceu de Macau).( GOMES, L.G.- Efemérides da História de Macau, 1954).
3) “28-09-1894 – Foi inaugurado o Liceu Nacional de Macau, instalado no velho e desactivado Convento de Santo Agostinho (que acabou de ruir, sem causar danos pessoais) com uma simples visita do Governador Horta e Costa. Não se realizou nenhuma solenidade por a família real se encontrar de luto. .(GOMES, L.G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

SMIRNOFF Igreja Sto Agostinho 1944Fachada principal da Igreja de Santo Agostinho
George Smirnoff, 1944
O Convento ficava à direita (na foto) da Igreja

(4) Este desenho de Chinnery vem mencionado com este título nos catálogos das exposições, ambas em 1995 “Macau Uma Viagem Sentimental” e “Imagens de Macau Oitocentista“. Mas tem uma referência ao “Convento de S. Francisco”, embora interrogado, no catálogo da exposição em 1985 “George Chinnery – Macau“.
(5) “22-08-1589 – Tomarão posse os Religiosos de Stº Agostinho desta Cidade do Convento de N. S. da Graça que hoje possuem o qual foi fundado pelos Religiosos desta Ordem vindos de Filipinas …” (BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1964).
(6) “Isto escrevia-se depois do grande incêndio de 1872, que destruiu a capela‐mor, a sacristia e várias outras dependências e que nos faz crer que essa parte do convento, já não alinhava com o bloco da igreja, pois era considerada dependência militar, e , posteriormente, passou a pertencer a particulares.” (7)
(7) ” A Colina de Santo Agostinho e o seu Convento”, sem indicação de autor in . MACAU, Boletim Informativo, 1956.
Anteriores referências ao Convento de Santo Agostinho:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-s-agostinho/
Ver ainda «NOTÍCIAS – QUEDA DO TECTO DA IGREJA DE SANTO AGOSTINHO» em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/27/noticias-queda-do-tecto-da-igreja-de-santo-agostinho/

Liceu Centreal de Macau 1927LICEU CENTRAL DE MACAU (1)

 Por Portaria Provincial n.º 5 538, de 3-3-1954, o governador Joaquim Marques Esparteiro, instituiu o prémio «Luís de Camões», de $ 500,00 (quinhentas patacas) a ser concedido ao aluno do Liceu Nacional Infante D. Henrique que prova «ter obtido nota não inferior a 15, sem arredondamentos, na média aritmética das classificações finais de todas as disciplinas da respectiva Secção e ter tido nota de Bom comportamento durante a frequência do 3.º ciclo». (2)

O 1.º prémio – Patacas $500,00 – foi entregue logo nesse ano e pela primeira vez ao aluno Ângelo B. Galdino Dias, que terminou o 7.º ano com 16 valores, sendo reitor do Liceu o Dr. Pedro de Guimarães Lobato. (3)

Liceu Central de Macau 1927 EntradaLICEU CENTRAL DE MACAU (1927) – ENTRADA

 O prémio manteve-se com este nome, havendo no entanto uma alteração em 1984 (deixou de haver contribuição pecuniária) com a publicação do Decreto-Lei n.º 72/84/M de 7 de Julho:
“Art. 5.º O prémio LUÍS DE CAMÕES, sob a forma de diploma e medalha alusiva, será atribuído aos estudantes dos anos finais dos ensinos preparatório e secundário, ou equivalente, de cada um dos estabelecimentos de ensino oficiais e particulares do Território, que, na disciplina de Português, melhor aproveitamento tenham obtido no decurso do ano lectivo.” (4)
Actualmente, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude da RAEM mantém o prémio:
PRÉMIO LUÍS DE CAMÕES – O prémio Luís de Camões é atribuído ao aluno finalista dos ensinos primário, secundário geral e secundário complementar, ou equivalente, de cada uma das escolas, que tenha obtido, no decurso do ano letivo, melhor aproveitamento na disciplina de Português. O prémio consta de diploma e placa alusiva. (5)

(1) O Liceu Central de Macau (até 3 de Outubro de 1917 era Liceu Nacional) esteve localizado durante 42 anos (1924-1956) no prédio n.º 89 da Rua Conselheiro Ferreira de Almeida.
Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/liceu-nacional-infante-d-henrique/
(2)Anteriormente, antes da II Guerra Mundial, já havia o prémio «Luís de Camões» de $ 100,00, ao aluno melhor classificado em português no 7.º ano ou em português –Latim do 6.º ano”.
TEIXEIRA, P. Manuel – Liceu de Macau, 1986.
(3) A Dra. Beatriz Basto da Silva atribuiu a instituição do prémio em 1953 (Fevereiro).
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5.
(4) http://bo.io.gov.mo/bo/i/84/28/declei72.asp?mobile=1
(5) http://www.epmacau.edu.mo/_assets/_pdf/_regulamentos/premios_escolares.pdf

Encontrei este pequeno livro (incompleto) numa feira, as páginas espalhadas entre outros papeis. Trata-se de um pequeno livro com 64 páginas (está incompleta pois cada volume teria 60 lições e esta, a p. 64 corresponde sómente à 50.ª lição) de ensino (II Volume) intitulado

國文教科書 (1)
LIVRO PARA ENSINO
DA
LITTERATURA NACIONAL
Kuok Man Kau Fo Shu
Traduzido em portuguez
por
P. Nolasco da Silva
II VOLUME

Livro para Ensino -P. Nolasco da Silva CAPA

Foi impresso em Macau, na Typografia Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos, em 1912.O autor do livro é Pedro Nolasco da Silva (1842-1912), sinólogo, intérprete da Procuratura dos Negócios Sínicos (depois, 1.º chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico), professor de chinês, tanto de mandarim como de cantonense, no Seminário de S. José, na Escola Comercial, no Instituto Comercial e no Liceu Nacional de Macau, já por mim referenciado em (2). O livro foi publicado no ano da sua morte.

No prólogo, traz uma ADVERTENCIA:
É este o segundo volume do compendio chinez de leitura intitulado:

國 文 教 科 書 (3)
(ch´on-tang-siu-hoc-kwok-man-kau-fo-shu),

a saber, Livro para ensino da litteratura nacional nas escolas de instrucção primaria.

Livro para Ensino -P. Nolasco da Silva 1.ª PáginaO compendio consta de uma serie de 10 volumes, abrangendo cada volume sessenta lições, todas aproximadamente da mesma extensão, contendo noções uteis e contos moraes. Foi methodicamente preprarado por uma sociedade de literatos chinezes que teem a sua sede em Shanghae. É destinado para as escolas primarias de toda a China, e tem conquistado grande popularuidade, tanto assim que é hoje adoptado nas escola de Shanghae, Hong Kong, Cantão, Macau, etc.
Foi aprovado pelo ministério da instrucção publica de Peking.
Depois da publicação do primeiro volume, no qual indicamos o numero de caracteres chinezes diferentes que contem os 6 primeiros volumes, pudemos apurar os caracteres differentes  que contem os quatro últimos volumes de modo que o total dos characteres chinezes diferentes que existem nos 10 volumes da serie sobe a 3559… (…)
Vê-se, pois, que para descrever a imensidade de assumptos diversos que os 10 volumes d´este compendio contem, não foi necessário em pregar mais que 3559 caracteres chinezes diferentes, que equivale a 3559 palavras.
É esta mais uma demonstração que prova que o numero de caracteres chinezes que são de uso comum e que é preciso conhecer não é tão grande como se tem ditto com grande exageração.”

Um exemplo destas lições:

第五十課   LIÇÃO 50.ª
方位  fong-wai   Os PONTOS CARDEAES

Livro para Ensino -P. Nolasco da Silva Lição 50.ª(1) 國文教科書: mandarim pinyin: guó; cantonense jyutping: gwok3 – nacional; mandarim pinyin: wén; cantonense jyutping: man4 – literatura; mandarim pinyin: jiào; cantonense jyutping: gaau1 – ensino; mandarim pinyin: kè; cantonense jyutping: fo1 – lição; mandarim pinyin: shu; cantonense jyutping: syu1 – livro.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/06/personalidade-pedro-nolasco-da-silva/
(3) mandarim pinyin: chu deng xiao xué; cantonense jyutping: co1 dang2 siu2 hok6.

FILATELIA -LXXV Aniversário LNIDH 1969

Em 1969, esta data foi dia de lançamento do envelope (16,5 cm x 10,5cm) e carimbo comemorativos do 75.º Aniversário do Liceu Nacional Infante D. Henrique /Exposição Biográfica, Bibliográfica e Filatélica.

Os selos de 10 avos (tambor 1548) e 15 avos (soldado com montante 1548) são de uma colecção anterior a esta data: Uniformes Militares do Exército (8 selos com motivos uniformes utilizados pelo exército português em missão de serviço em Macau, nos anos de 1548 a 1904), emitidos em 1966 (Portaria 22141 de 31 de Julho).

Nesse ano de 1969, em que se celebrava o Jubileu de Diamante do Liceu (1), além da cerimónia oficial, realizaram-se várias actividades ao longo do ano nomeadamente as exposições biográfica, bibliográfica e filatélica.

O Liceu Nacional de Macau aprovado pelo Governo da metrópole a 30 de Junho de 1893, foi inaugurado com 31 alunos (30 alunos, segundo o mesmo autor na reedição do livro, em 1986) (2) a 28 de Setembro de 1894 ficando instalado no convento de Sto. Agostinho, antigo quartel da extinta Guarda Policial, ficando reitor o Dr. José Gomes da Silva.

Nos dias 10 e 11 de Setembro, fizeram-se os exames de admissão ao liceu, a que concorreram os alunos de várias escolas de Macau.

Tomaram posse das respectivas cadeiras, em 16 do mesmo mês, os seguintes professores:

  • O bacharel Horácio Afonso da Silva Poiares
  • O engenheiro civil Mateus António de Lima,
  • O bacharel Camilo de Almeida Pessanha
  • O cónego Baltasar Estrócio Faleiro
  • O tesoureiro-geral João Albino Ribeiro Cabral
  • O imediato da Capitania do porto, capitão-de-fragata Wenceslau de José de Sousa Morais
  • O chefe do Serviço de Saúde, Dr. José Gomes da Silva
  • O director das Obras Públicas, major de engenharia Augusto César de Abreu Nunes. (2)

Certo dia ruiu o Convento, passando o liceu para um casarão entre a Praia Grande e o Leal Senado; dali passou para o hotel Bela Vista, depois para o edifício da Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, donde foi transferido para o edifício próprio construído no Porto Exterior (Liceu Nacional Infante D. Henrique) entre a antiga Avenida Dr. Oliveira Salazar e a de Infante D. Henrique (1) (demolido posteriormente, após construção do novo edifício, nos aterros do Z.A.P.E.) O novo complexo escolar, denominado Liceu de Macau,  foi inaugurado em 4 de Janeiro de 1986.

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Liceu Nacional Infante D. Henrique, Jubileu de Diamante (1894-1969). Macau, 1969, 291 p.
(2) TEIXEIRA, Monsenhor Manuel – Liceu de Macau. Direcção dos Serviços de Educação, 1986, 377 p. +|10|