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Poema “Jóia do Oriente” de autoria do então jovem 2.º tenente Leonel Cardoso, de Setembro de 1950, inserido num artigo intitulado “Recordação de Macau”, publicado na «Revista da Armada» de 1986 (1)

Lorchas, tancar, tancareira – imagens de Macau (foto do sargento-ajudante L. Manuel Horta)

N. R.: Glossário: «cabaia» – vestido usado pelas chinesas; «coolie» – assalariado chinês; «fan-tan» -jogo de azaar; «lorcha» – embarcação chinesa, à vela ligeira e pequena, usada especialmente em Macau; «pataca» – moeda de Macau; «pei-pa-chai» – versão chinesa da gueixa que actualmente já não existe; «sapeca» – dinheiro; «tancar» ou «tancá» – pequeno barco chinês a remos; «tancareira» – mulher que tripula o tancá ou tancar; «tin-tin» – ferro velho

(1) «Revista da Armada» n.º 179, Agosto de 1986, ANO XVI, pp. 16-17, pp. 270-271
https://www.marinha.pt/Conteudos_Externos/Revista_Armada/1986/index.html#p=270

Artigo (e desenhos) do Tenente Leonel Cardoso, com o título “Natal em Macau, Apontamentos e Imagens Recolhidos”, publicado na revista “Ver e Crer”, de 1949 (1), “
“ … Temos saudades dos que estão longe pensando em nós – rezando por nós – mas, é tal o ambiente de amizade e de elevação espiritual destas pequenas festas, que a distância deixa de existir e sentimos bem perto de nós aqueles que nos são queridos e que materialmente tão longe estão. Quando à sobremesa, o Comandante ergue o seu cálice e brinda com palavras singelas pelas felicidades dos presentes e das suas famílias, vejo lágrimas rolando por caras curtidas pelos sois e ventos dos dois hemisférios…(…)
… Terminado o jantar, cada homem vai para o local do navio seu predilecto e ali sonha os seus sonhos, recorda outras noites de Natal – a missa do galo na capelinha da sua aldeia, o sapatinho do seu filho mais novo sobre a chaminé (quase desaparecendo entre os sapatos grandes dos dois mais velhos), o pinheiro que lhe ia custando um tiro do guarda florestal, a santa velhinha que já tantas natais passou… (…)
… Estamos tão longe de Portugal! … Mas não! Portugal Também está ali! – Lá estão os sinos das igrejas repicando festivamente, elevando ao Céu um hino de Fé e de Amor. A alma Lusa está presente naquele cantinho do mundo e nem a fisionomia chinesa nem os costumes diferentes conseguem fazer-nos esquecer que ali também, é Portugal! É um Portugal misterioso, falando chinês, jogador, com vícios e misérias, mas encantador. Apesar dos seus defeitos, eu gosto da nossa longínqua colónia como de um filho pequenino em que só vemos a beleza e as boas qualidades.
Estão talvez a pensar que eu conheço Macau?!.
Não! Não conheço! Lá vivi os mais belos e estranhos meses da minha vida errante de marinheiro e, no entanto, nada conheço dessa velha e misteriosa cidade do Santo Nome de Deus de Macau… (…)”
………………………………………………………………………continua
(1) Revista “Ver e Crer”, n.º 54. Dezembro de 1949 (preço 5 escudos) das pp. 91 a 121.
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