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Esta notícia do «Boletim Geral do Ultramar» terá sido a fonte original (1) para uma posterior reportagem inserida no «Diário da Manhã, “40 anos na vida de uma nação”, 1966 que foi publicada neste blogue em 24 de Agosto de 2017. (2)
(1) Extraído de «BGU»  XXXVII, 436-438.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/24/noticia-de-24-de-agosto-de-1961-d-paulo-tavares-bispo-de-macau/
Anteriores referências a este bispo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/24/noticia-de-24-de-agosto-de-1961-d-paulo-tavares-bispo-de-macau/

Uma lembrança do 130.º Aniversário do Centro Hospitalar Conde de São Januário (1874-2004)
Um “pisa-papeis” em forma de cubo (4,8 cm x 4,8 cm x4,8 cm) de vidro.
Do Boletim Oficial de 10 de Janeiro de 1874:
«Teve logar no dia 6 do corrente, como estava anunciado, a inauguração solemne do hospital militar de S. Januário segundo o programma que foi publicado n´esta folha. Sua Ex.ª o Governador da província de Macau e Timor, Visconde de S. Januário às 2 horas precisas deu entrada no edifício do hospital, dirigindo-se à sala destinada à inauguração.
A sala achava-se decorada com trophéos artisticamente dispostos, no centro do trophéo principal achava-se o retrato de S. Ex.ª. Na balaustrada que circunda o perímetro onde se acha edificado o hospital e no mesmo edifício tremulavam nas suas hastes, numerosas bandeiras, distinguindo-se nos dois torreos extremos as que são privativas dos hospitaes… (…).
O primitivo Hospital Militar inaugurado a 6-01-1874 começou a ser demolido em Novembro de 1952, para em três fases ser substituído por outro – Hospital Conde de S. Januário.
O primeiro centenário do Hospital de S. Januário foi comemorado no dia 6 de Janeiro de 1974, com uma exposição no salão nobre do Leal Senado intitulada «O Hospital e a Saúde Pública» seguida de uma sessão solene presidida pelo Nobre de Carvalho.
Ver anteriores referências do Centro Hospitalar:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-hospitalar-conde-s-januario/

Foi a 13 de Setembro de 1903 que o Padre José António Gomes, então Pároco de Santo António, (1) fundou nesta igreja a benemérita «Obra do Pão dos Pobres», (2) cujo jubileu se celebrou no dia 13 de Setembro de 1953, com toda a solenidade. O 50.º aniversário da fundação do Pão dos Pobres em Macau foi um dia de duplo agradecimento: a Sto. António pelos inumeráveis favores dispensados a todos os benfeitores dos seus pobres; e a todos os benfeitores desta simpática obra de caridade. Socorreu milhares de lares indigentes, continuando no ano de 1953 a minorar a fome a 200 famílias com os dez picos de arroz que lhes distribui mensalmente, além de outras esmolas particulares em dinheiro. (3) Em 1955, a acção benéfica alargava-se para 250 pobres, na sua maioria chineses e concedia esmolas, no valor de $150,00 a pobres a quem o arroz não era distribuído.

O altar do Pão dos Pobres na igreja de Santo António (1953)

Durante os 50 anos (1903 – 1953), o Pão dos Pobres de Santo António distribuiu o elevado número de 17.790 picos de arroz, estendendo também por vezes a sua caridade aos pobres das suas missões da China.
O cofre colocado na Igreja Paroquial representava a maior fonte de receitas da Ora. Tinha um letreiro com uma indicação: “pão dos pobres”. O cofre rendia, em média, mensalmente a quantia de $300,00, pelo que com as ofertas generosas de algumas pessoas, não era preciso recorrer-se a peditórios. Outra fonte da receita provinha da Comissão Central de Assistência Pública que contribuía para esta Obra a soma de $166,66 mensais. Também o soldo de Santo António, (4) como Capitão da Cidade, concedido pelo Leal Senado das Câmara de Macau, na importância de $1.200,00anuais, revertia integralmente a favor desta Obra.
(1) O aparecimento da «Obra do Pão dos Pobres» deveu-se ao Reverendo Dr. António José Gomes, sacerdote ligado às iniciativas no campo do apostolado missionário e caritativo, pois a Santa Infância e as leprosarias muito ficaram a dever a este homem. Em 1953 era pároco o padre José António Monteiro. Após o seu falecimento ficou o Cónego Manuel Pinto Basaloco.
(2) A Obra Pão dos Pobres nasceu e cresceu em Toulon (França), sob os auspícios de Santo António e rapidamente se estabeleceu em um grande número de cidades da França, depois em Itália, Espanha, Portugal e outras nações da Europa. e depois em todos os continentes. Esta obra, em Macau, encontrava-se agregada à Paróquia de Sto. António e a sua administração estava a cargo do respectivo pároco.
(3) Recebeu dos seus generosos amigos e benfeitores, durante o mesmo período, a avultada soma de $ 187.421,43, contribuição sobretudo dos católicos macaenses e chineses.
(4) É muito remota a origem da concessão deste soldo, talvez se remonte às origens desta cidade. É curioso notar que este soldo esteve interrompido durante três anos, pelos meados do último quartel do século XVIII. Por esta altura pesadas tribulações caíram sobre Macau, o que levou o povo a considerar a crise como castigo pelo corte do soldo a Santo António. O que é certo é que o Senado se viu na contingência de lhe mandar «assentar a sua praça com o vencimento de Capitão da Cidade».
Informações e fotos retiradas de «Macau B. I.»,  1953 e 1955.

183912-09-1839- Em consequência da guerra entre a China e a Inglaterra, um navio mercante espanhol, o brigue mercante espanhol Bilbaino foi queimado pelos chineses no porto da Taipa por mandado do comissário imperial chinês Lin, que julgava ser esse navio inglês. O segundo piloto, encontrado a bordo, foi dali levado pelos chinas para Cantão, onde o expuseram de canga ao pescoço. O Senado de Macau publicou por essa ocasião um edital, ordenando uma ronda armada no Porto Exterior e na Taipa, e ao mesmo tempo proibindo a aproximação de navios com ópio. (TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane, pp 1-2.)

PEREIRA, A. Marques – Ephemerides Commemorativas da história de Macau e das relações com a China, 1865.

Um dos últimos actos oficiais do Governador Albano de Oliveira (1) em Macau que embarcou para Lisboa em 18 de Abril de 1951, foi a inauguração da Escola Primária Luso-Chinesa Sir Robert Ho Tung. (2)

O Governador cortando a fita simbólica
O novo edifício da Escola Luso-chinesa «Sir Robert Ho Tung»

Extraído de «BGC» XXVI-310, 1951,
Já em anterior notícia de Março de 1950, o mesmo Boletim Geral da Colónias (3) assinalava o seguinte:
(1) Albano Rodrigues de Oliveira tomou posse a 1 de Setembro de 1947. Ficou como encarregado do Governo Aires Pinto Ribeiro até tomada de posse a 23 de Novembro de 1951 de Joaquim Marques Esparteiro. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albano-rodrigues-de-oliveira/
(2) Sobre este filantropo Robert Ho Tung ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sir-robert-ho-tung/
(3) «BGC» XXVI -297, 1950.

Artigo publicado na “Voz De Macau”, de 1936 e republicado no “Boletim Geral das Colónias”, Ano XII, Novembro de 1936, n.º 137,   pp.127-129.

No dia 9 de Agosto de 1698, tomou posse da capitania e governo de Macau, Pedro Vaz de Siqueira, (1) filho do embaixador ao Japão Gonçalo de Siqueira e Sousa. (2) Participou na reconquista de Ceilão e na defesa de Cochim, em 1659-1663. Seu filho António Siqueira Noronha (3) foi também Governador de Macau (durante o seu governo houve o episódio da morte de um chinês por um timorense, criado de João Soares Lisboa).  (4) (5)
(1) Pedro Vaz de Siqueira foi governador até 4 de Agosto de 1700. Viria a ser novamente governador de 22 de Julho de 1702 a 14 de Agosto de 1703.
(2) Gonçalo de Siqueira de Sousa, Capitão de Mar-e Guerra dos Galeões de Portugal primeiro embaixador enviado por D. João IV ao Japão, embaixada feita por sugestão do Padre António Cardim, S. J.. Gonçalo de Sousa reuniu.se, em 3 de Junho de 1645, em conferência com o Senado de Macau, com o Capitão-Geral Luiz Carvalho de Sousa, com o Governador do Bispado e Juízes, para tomar conhecimento das instruções sobre a embaixada ao Japão. Siqueira fora designado por decisão de D. Joaõ IV, em Lisboa a 29 de Dezembro de 1643. Para as despesas da embaixada, o Capitão Geral Luiz de Carvalho e Sousa convocou o povo do Senado no dia 6 de Junho desse ano, para o informar da necessidade de o mesmo concorrer com 40 mil patacas, pedido este que foi aceite unanimemente. (4) (6)
Em 9 de Agosto de 1645, o Senado resolveu não se arriscar a enviar a embaixada de Gonçalo de Siqueira de Sousa ao Japão sem advertir, primeiramente, a  El-Rei, que o embaixador não podia garantir consentimento para a pregação do Evangelho no Japão e que o rei deste país, após a malograda embaixada anterior de 1640, proibira a entrada dos portugueses por qualquer via. (4) (6)
(3) António Siqueira Noronha fidalgo-Cavaleiro, natural de Macau Tomou posse do Governo de Macau a 11 de Julho de 1711, segundo Charles R. Boxer. Outros autores propõem outras datas: 18 de Julho ou 22 de Julho. (4) (6) (7) Governou até 13-07-1714, data da posse de Dom Francisco Alarcão Sotto-Maior, que foi também Governador de Moçambique e Rios de Sena e Capitão-Mór da Armada do Canará e Costa do Sul. (4)
(4) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(5) “23-03-1712 – Neste dia mandou o Governador mattar hum moço de João Soares Lisboa na boca de huma pessa na Fortaleza do Monte pela morte que fes a hum China que se achava no matto cortando palha, e aos oito companheiros que não tiverão tanto culpa os mandou açoitar pelas ruas publicas da Cidade e depois vendidos em Manila para se pagarem os gastos que se fiserão com os Mandarins que os agarrarão, e com os parentes do defunto.”.(7)
Ver o mesmo episódio relatado em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/21/noticia-de-1743/
(6) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1, 1997
(7) BRAGA, Jack  M. – A Voz do Passado, 1987.