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Faleceu a 14 de Julho de 1870, dum ataque repentino que o privou dos sentidos, o padre Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de presbítero. Na volta a Macau, regeu a cadeira de Português, no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola, donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. Foi depois convidado, pela Câmara Municipal para exercer a cadeira de professor de liceu, que fora então aberto, em Macau (1)
Não foi professor de liceu pois não havia ainda liceu em Macau. O Senado de Macau convidou a 14 de Abril de 1847 o Padre Jorge António Lopes da Silva para ser um dos primeiros mestres da futura Escola Principal de Instrução Primária. (2) O Padre respondeu a 27 do mesmo mês que aceitava ser um dos mestres das primeiras letras com o ordenado de 350 patacas anuais, pondo no entanto as seguintes condições: 1) levar consigo os meninos que estudavam em sua casa; 2) os requerimentos para admissão deveriam ser dirigidos não a ele, mas ao Senado; 3) que se alterasse o horário de inverno, pois o tempo do meio-dia às 2 horas lhe parecia curto para descanso de professores e alunos”, O Senado concordou e o Padre Jorge foi nomeado director e mestre da Escola Principal de Instrução Primária que foi inaugurada a 16 de Junho de 1847. A Escola ficou instalada em metade das casas do Recolhimento de S. Rosa de Lima. (3) (4)
A 14 de Junho de 1847, dois pretendentes oficiaram ao Senado: José Vicente Pereira oferecendo-se para mestre de inglês e francês dessa escola e John Hamilton pedindo-lhe um lugar de professor; a 22 de Novembro de 1847, o Senado comunicou ao Padre Jorge a nomeação de José Pereira e perguntando-lhe se carecia de mais outro professor. A Escola compreendia 3 cadeiras: uma de ensino primário, a cargo de Joaquim Gil Pereira, outra de português a cargo do Padre Jorge Lopes da Silva e outra de inglês e francês a cargo de José Vicente Pereira (3)
Apesar do seu limitado pessoal chegou a ter mais de 300 alunos.
Em fim de 1853, o Padre Jorge António Lopes da Silva pediu a demissão de director e mestre da escola. (5) Para a direcção da Escola foi nomeado o Padre Vitorino José de Sousa Almeida (6) que ficou só um ano pois o Senado teve de o despedir, ou por ter achado nele inaptidão ou por sua severidade pois que no cabo de um ano, estava deserta a aula das línguas portuguesas e latina.

Planta da Colónia Portuguesa de Macau
1870
Desenhada  por M. Azevedo Coutinho (7)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A 27 de Janeiro de 1847, o Senado de Macau oficiou a José Vicente Jorge, Francisco António Pereira da Silveira, Francisco João Marques e Padre António José Victor, comunicando-lhes que haviam sido nomeados para fazer parte duma comissão a fim de elaborar um plano de educação para a mocidade deste estabelecimento. A Escola Principal de Instrução Primária foi fundada pelo Senado de Macau por meio de uma subscrição pública. O  Senado comunicou a João Maria Ferreira do Amaral, governador de Macau entre 1846 e 1849, a 17 de Fevereiro de 1847 que
deliberou com os eleitos das freguesias  solicitar dentre os moradores abastados desta Cidade
Huma subscrição, cujo produto incorporado ao Capital agora existente de $ 5 000 (doado pelo inglês james Matheson feita a Adrião Acácio da Silveira Pinto, governador de Macau de 1837 a 1843), constitua hum fundo capaz de produzir hum rendimento, que junto  ao que este Senado agora despende com a sua escola de primeiras letras seja sufficiente para cubrir as despezas de huma Escola Principal de Instrução Primária: e na qual … se ensine também as línguas Ingleza e Franceza, cujo conhecimento he hoje reconhecidamente de suma utilidade, senão indispensável neste pais”. (3)
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(4) Em Abril de 1849, a escola foi transferida para o Convento de S. Francisco; mas a 28 do mesmo ano, o Conselho de Governo comunicou ao Senado que, tendo de aquartelar nesse convento a força auxiliar vinda de Goa, a escola devia ser mudada para outro lugar; regressou então ao Recolhimento. (3)
(5) Segundo artigo publicado no «Echo do Povo» n.º 68 de 15-07-1960, o Padre Jorge Lopes da Silva rdeixou a direcção que ocupava porque obrigaram-no a aceitar o vicariato de S. Lourenço. Foi portanto, nomeado pároco de S. Lourenço e a 5 de Fevereiro de 1866, foi nomeado Governador do Bispado. O Padre Jorge Lopes da Silva foi nomeado em 1867 presidente duma comissão encarregada de estudar as necessidades da Santa Casa de Misericórdia, nomeadamente do recolhimento das raparigas abandonas à porta da Santa Casa, que levou posteriormente ao decreto do Governador José Maria da Ponte e Horta à abolição da Roda dos Expostos da Santa Casa, a 2 de Fevereiro de 1867.
(6) Padre Vitorino José de Sousa Almeida chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 no Novo Paquete. Foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852. (3)
(7) Ver referência a este Capitão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/22/noticia-de-agosto-de-1952-clube-militar/

A «Gazeta das Colónias, semanário de propaganda e defeza das colónias» publicou no dia 10 de Julho de 1924, (1) na sua primeira página (era habitual em cada número do jornal, publicar um “Monumento Colonial”) uma fotografia intitulada:

«MACAU – A FACHADA DO ANTIGO CONVENTO DE S. PAULO»

Comparando esta foto com uma outra tirada cerca 1875, ainda se vê no lado direito as casas danificadas não pelo violento tufão de 1874, considerado na altura tufão mais violento de que há memória, mas sim pelo fogo que apareceu no dia seguinte, propagado pelo abatimento dos tectos sobre as fornalhas das fábricas de chá e as labaredas sopradas pelo vento. (2)

Ruínas de S. Paulo
1875
Fotografo desconhecido

“… As labaredas sopradas fogosamente pelo vento, que corria sem rumo certo e em desencontradas direcções, ganhavam as casas vizinhas e, dentro em pouco, eram bairros inteiros que ardiam. O clarão, que era enorme, espelhava-se num mar revolto e acendia as nuvens. Era belo e espantoso o espectáculo que os olhos viam, presos de horror e de maldição. Sôbre o fundo vermelho avultavam as paredes tisnadas das casas e as árvores sem copa e sem ramos. A formosa egreja de S. Paulo, edificada pelos jesuítas em louvor da Mãe Deus, numa pequena eminência, logo abaixo da fortaleza do mesmo nome, dominando uma grande parte da cidade, antes de ser tomada pelas chamas, estava deslumbrante, iluminada pelo clarão vivíssimo que a cercava. Parecia que a sua opulenta fachada, de boa fábrica arquitectónica, se afogueava num vermelho translúcido, como que engastada no anel de fogo que a rodeava. Nuvens de fumo e de poeira das derrocadas vizinhas toldavam-na de quando em quando, realçando assim, por contraste, o seu deslumbramento aos olhos de alguns de maior força de ânimo….”
A descrição do tufão e seus efeitos em Macau, baseados nos relatórios oficias de então, relatados pelo Eng. Carlos Alves (ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.)
(1) «GAZETA DAS COLÓNIAS», ANO I, N.º 2, Lisboa, 10 de Julho de 1924.
(2) Foi nos dias 22 e 23 de Setembro de 1874. Causou cerca de 4 000 mortos, (enterrados ou queimados para evitar epidemia), prejuízos da ordem de 1 milhão de patacas, as povoações da Taipa e Coloane quase que desapareceram. Destruiu grande parte do edifício do Leal Senado. A escuna Príncipe Carlos encalhou dentro da Ilha da Lapa; a canhoneira Camões encalhou numa várzea de arroz, a canhoneira Tejo aguentou-se apesar dos encontrões dos barcos desgarrados e foi parar à fortaleza da Barra; as vagas arrasaram a costa desde o forte de S. Francisco até à Barra arrombando das casas da Praia Grande, inundando os andares térreos. Dos estragos do tufão acrescenta-se aos do incêndio. As ruas do bazar só a nado se podia passar e graças às águas da inundação, ajudaram a extinguir os incêndios, tarefa que começou logo que o vento permitiu que as pessoas se aguentassem de pé.
Anteriores referências a este tufão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1953-te-deum-em-cumprimen-to-do-voto-macau-e-o-tremendo-tufao-de-1874/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/

Extraído de BGU XLV- 528, 1969.
NOTA 1 :  A Casa de Macau em Lisboa foi fundada a 11 de Junho de 1966, tendo a sede num edifício arrendado. Em 1969 foi inaugurada a sede na Praça do Principie Real. Após a invasão da sede no período revolucionário de 25 de Abril, em 1974 e fecho das instalações, seria reaberto em 1979. Em 1988, foi declarada com o estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública. (2) Em 1999 foi inaugurada a actual sede-social na Av. Almirante Gago Coutinho n.º 142 em Lisboa.
A propriedade da antiga sede da Casa de Macau, na Praça do Príncipe Real (1) é actualmente da Fundação Casa de Macau (sede e Centro de Documentação), nascida a 26 de Julho de 1996.
NOTA 2: O presidente do Leal Senado era Joaquim Morais Alves (e não como consta no texto, erradamente, “Dr. Moura Alves”.
(1) Praça do Príncipe Real, 25 1º  1250-184  LISBOA
(2) Diário da República –II Série n.º 22 – 27-1-1988, p. 761 

Aspecto da procissão de S. João (1)
O andor de S. João entrando na Sé Catedral

Todos os anos, em cumprimento da promessa de proclamar S. João Baptista como Patrono de Macau, o dia de 24 de Junho, dia de S. João Baptista era condignamente festejado, com cerimónias religiosas. Assim foi, também no dia 23 de Junho de 1954. Pelas 18.00 horas, Iniciaram-se na Sé Catedral as festividades religiosas em honra de S. João Baptista, Padroeiro da cidade.
O Administrador Apostólico de Diocese presidiu às cerimónias que constaram de Vésperas solenes e de sermão proferido pelo Chantre Morais Sarmento, aludindo ao significado histórico e religioso da data. Foi também lembrada a vitória que os portugueses alcançaram sobre os holandeses nesse inolvidável dia 24 de Junho de 1622.
A procissão saiu cerca das 19.00 horas percorrendo o itinerário do costume. Os rapazes do Orfanato de Imaculada Conceição e do Colégio D. Bosco abriram alas à frente destacando-se os guiões e estandartes dos Padres Salesianos.
O andor do santo Padroeiro completa e artisticamente enfeitado com flores naturais, era conduzido pelos fiscais municipais, ladeado por uma deputação de bombeiros municipais, vendo-se à frente algumas crianças vestidas de anjos. Seguia após o elemento eclesiástico, onde se viam os alunos do Seminário de S. José, membro do clero secular e regular e o Cabido Diocesano. O Prelado da Diocese levava, sob o pálio, o Santo Lenho seguindo atrás as entidades oficiais. Um grande acompanhamento de fiéis fechava o cortejo sendo de notar, a par da grande multidão de civis, uma larga representação  elemento militar.  Banda dos Salesianos tocou durante o percurso.
No dia 24, às 10.30 horas foi celebrada Missa Solene na Sé Catedral com a presença da Vereação Municipal e de entidades civis e militares.
Na noite do mesmo dia, em continuação dos festejos em honra dos Santos Populares, promovidos pelo Leal Senado e patrocinados pela Esposa do Governador, D. Laurinda Marques Esparteiro, houve arraial à portuguesa no amplo terraço do mercado de S. Domingos. A festa dessa noite, como nos anteriores iniciadas pelo Santo António e as dedicadas depois a S. Pedro teve carácter beneficente, sendo as receitas inteiramente destinadas às obras de assistência.
Além da música de «pick up», o recinto foi abrilhantado por música de «jazz», pelos Grupos «Esperança» e «Negro-Rubro», música instrumental pela banda da Polícia e por fados, guitarradas e canções portuguesas em que alguns elementos dos soldados expedicionários se revelaram amadores competentes. (2)
(1) Foto de BGU XXX- 35, 1954.
2) Reportagem e fotos (infelizmente mal impressas) retirados de «MACAU B. I.» I-22, 1954.

O Almirante Joaquim Marques Esparteiro (1895-1976) foi nomeado Governador de Macau a 12 de Setembro de 1951 tendo tomado de posse no Ministério do Ultramar no 8 de Outubro do mesmo ano. Toma posse efectiva do cargo em Macau em 23 de Novembro de 1951. (1)

O Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro passando revista à guarda de honra
O Governador e o Encarregado do Governo assistem ao desfile da guarda de honra

Em 16-06-1956 foi nomeado encarregado de Governo na ausência do Governador Marques Esparteiro, o brigadeiro João Carlos Guedes Quinhones de Portugal Silveira (B. O. N.º 24 de 16 de Junho). Tomou posse no dia 22 de Junho de 1956.
O novo Governador Pedro Correia de Barros chegou no dia 7 de Março de 1957 no aeroporto «Kai Tak», em Hong Kong e seguiu para Macau no dia seguinte a bordo do «Gonçalves Zarco» e tomou posse a 8 de Março de 1957. (2)

O Governador e Esposa despediram-se, uma a uma, de todas as pessoas que enchiam a ponte-cais.
O Governador dá o abraço de despedida ao Dr. Pedro José Lobo.
O Governador e esposa recebem da amarada os cumprimentos de despedida.
(1) Informações e fotos retirados de  «MACAU B. I. III-70, 1956.
(2) BGU XXXIII-381, Março de 1957.

Anúncio da Quinzena de Macau, retirada da revista ARTIS, editada pelo Leal Senado.
NOTA 1: Com edição da “Quinzena de Macau” foi lançada em Outubro de 1979, em Lisboa, uma das edições do livro “Macau Factos e Lendas” de Luís Gonzaga Gomes.
GOMES, Luís Gonzaga – Macau, Factos e Lendas (páginas escolhidas). Edição da Quinzena de Macau, 1979, 152 p., 19,5 cm x 14,5 cm.
NOTA 2: A propósito da “Quinzena de Macau”, realizada em Lisboa no ano de 1979, consultar artigo de António Conceição Júnior em
http://www.arscives.com/25anos/quinzenamacau.htm

Faleceu no dia 31 de Março de 1856, (1) com 53 anos de idade, o acreditado comerciante desta praça José Vicente Jorge, que ocupou por várias vezes o cargo de Procurador do Senado, tendo sido agraciado pelos relevantes serviços prestados ao governo, com várias condecorações (2)
Trata-se de José Vicente Caetano Jorge nascido em S. Lourenço a 17-03-1803 e falecido a 31.03.1857. Terceiro filho de Emídio Jorge e Ana Maria Baptista Suriano. Estudou ciência náutica no Colégio do Seminário de S. José, após o que enveredou por uma bem sucedida carreira de negociante e exportador, em navios próprios, granjeando uma sólida fortuna. Esteve também ligado ao negócio da emigração de trabalhadores chineses para as colónias espanholas da América Central e do Sul. Foi almotacé da Câmara em 1831, procurador do concelho em 1840 e 1845 e provedor da Santa Casa da Misericórdia.(1)
O primeiro filho do seu 2.º casamento chamava-se Francisco José Vicente Jorge (nascido em Macau a 1-11-1847 e falecido em Hong Kong a 2-04-1920). E é avô de José Vicente Jorge (nascido a 27-12-1872 e falecido em Lisboa a 22-11-1948) que foi chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico (autor de “San-Tok-Pun – Novo Método de Leitura”) (3), professor de inglês no Liceu e coleccionador de arte chinesa (autor do livro: “Notas sobre a Arte Chinesa”, 1940). (4)
(1) Jorge Forjaz na sua “Famílias Macaenses”, Vol. II (1996) refere a data do falecimento no dia 31 de Março de 1857.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
A mesma data encontra-se registada por Luís G. Gomes na Revista «MOSAICO» (n.º 7, 1951) e Beatriz Basto da Silva na sua “Cronologia da História de Macau”, Vol. 3, 1995.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/07/leitura-novo-methodo-de-leitura-ii/
(4) Anteriores referências “deste” José Vicente Jorge em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-vicente-jorge/