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Extraído de «A Voz de Macau» de 5 de Julho de 1937

Fernando Nolasco da Silva nasceu na freguesia da Sé (Macau) a 15-06-1907 e faleceu em Paço de Arcos (Portugal) a 1-10-1993. Licenciado em medicina pela Universidade de Lisboa, especialista em oftalmologia. Exerceu medicina em Macau até 1939, ano em que se fixou residência definitiva em Lisboa. Filho de Luís Gonzaga Nolasco da Silva (1881-1954) (neto de Pedro Nolasco da Silva) e de Beatriz Emília Bontein da Rosa (1885-1959) (1)
No «Anuário de Macau» de 1938, está registado a actividade privada do Dr. Fernando Nolasco, no Largo de S. Domingos n.º 4, o mesmo endereço do consultório do Dr. Pedro Joaquim Peregrino da Costa, major médico, Director interino dos Serviços de Saúde e Higiene. Este médico, Dr. Pedro Peregrino da Costa tinha o consultório na Avenida Almeida Ribeiro, n.º 27, 1.º andar no ano de 1934 (Anuário de Macau, 1934).
No «Anuário de 1940/41» já não constava o registo do Dr. Fernando Nolasco e nessa morada (Largo de S. Domingos n.º 4) estava o consultório do Dr. António Alberto de Barros Lopes, médico de 1.ª Classe, chefe interino da Repartição Técnica dos Serviços de Saúde e Higiene e Director do Laboratório Bacteriológico.
(1) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses , Volume II, 1996.

No dia 22 de Abril de 1773, o Senado, em face da fuga de muitos cafres,(1) resolve prendê-los dois a dois com correntes de ferro, e depois, sob a direcção de uma pessoa eleita pelo Senado, seriam forçados a trabalhar «alimpando as ruas desta cidade e suas Fortalezas» dando-se a cada um 25 cates de arroz por mês e 2 condorins de peixe por dia.(2)
(1) Cafre – Palavra que deriva do árabe Kafir, que significa gentio ou infiel. Relativo às populações bantos, não muçulmanas da África Meridional. Habitante da Cafraria, antiga colónia inglesa que abrangia a região da Cidade do Cabo, na República da África do Sul, e algumas regiões adjacentes. Moços de fretes ou criados eram também tratados por cafres ou bichos.(3)(4)
Designação que abrangia negros oriundos da África Oriental. Da costa ocidental do referido continente eram chamados simplesmente de negros.(6)
NOTA: Aconselho a leitura do trabalho académico “Macau: Uma sociedade Esclavagista (sec. XVI – XVIII)?” de Daniel Valenzuela Tavares (5), do qual retiro algumas informações sobre os cafres em Macau:
“ (…) Noutro quadro social, Peter Mundy relata o jogo espanhol de alcanzias que decorria na cidade na Praça de S. Domingos, afirmando que, entre a população, metade eram mouros e a outra metade cristãos, cada um com os seus negros ou cafres envoltos em damascos, e enquanto estes levavam lanças com pendões onde estavam pintadas as armas dos seus senhores, cabia a cada negra servir o seu senhor com uma bola” (p. 260).
“ (…) Destes (escravos) o autor destaca que os homens eram na sua maioria cafres de cabelo encaracolado e as mulheres eram na sua maioria chinesas.” (p. 265).
“ (…) É também possível observar aqui as diferentes etnias que formavam o quadro social escravo de Macau. As etnias presentes neste martírio (refere-se ao martírio da embaixada da cidade de Macau no Japão) eram das mais variadas origens, referindo-se o autor aos escravos “cafres, malavares, chinas, chingalas, malayos, bengallas, macaçares, jaos e d’outras nações“. (p. 264)
Outras referências aos cafres, também se encontram no trabalho académico de Anabela Nunes Monteiro (6) (sugiro a sua leitura)
Zheng-zhi-long com a fortuna herdada, comprou um barco e dedicou-se ao comércio, estabelecendo contactos com o Japão, Manila, Sião, Índia e com os próprios portugueses. Entre os seus homens encontravam.se inúmeros cafres que haviam escapado à escravatura, nas mãos de portugueses e castelhanos. (p.112)
diremos que é provável que os cafres que Bocarro indica sejam da costa oriental africana e que tivessem chegado a Macau, via Goa” (p.144)
Se os escravos chineses eram bem aceites entre a comunidade mercantil de Macau, o mesmo tratamento não devia existir em relação aos cafres, perpetuando-se, mesmo, um certo horror, devido à ferocidade destes em caso de ataque.” (p. 145)
Ver também anteriores referências aos escravos, neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/escravos/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 2,1997.
(3) CARMO, Maria Helena do – Os Interesses dos Portugueses em Macau, na Primeira Metade do Século XVIII. Centro de Publicações, Universidade de Macau, 2000, 92 p. + 24 p anexos documentais, ISBN: 972-97842-9-9.
(4) Dicionário Priberam da Língua Portuguesa: https://dicionario.priberam.org/cafre
(5) TAVARES, Daniel Valensuela — Macau: Uma sociedade esclavagista (séculos XVI-XVIII)?. Omni Tempore. Atas dos Encontros da Primavera 2017. Volume 3 (2018), pp.244-269.
https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/16250.pdf
(6) MONTEIRO. Anabela Nunes – Macau e a presença portuguesa seiscentista no Mar da China. Interesses e estratégias de sobrevivência. Dissertação de Doutoramento em História, 2011.
file:///C:/Users/ASUS/Documents/PARA%20ELIMINAR%20-%20DOWNLOADS/Tese%20de%20Doutoramento_Macau%20e%20a%20Presen%C3%A7a%20Portuguesa%20Seiscentista%20no%20Mar%20da%20China%20_Anabela%20Nunes%20Monteiro.pdf

Mais dois “slides” digitalizados da colecção  “MACAU COLOR SLIDES  – KODAK EASTMAN COLOR)”comprado em finais da década de 60 (século XX), se não me engano , na Foto PRINCESA (1)

O Largo do Senado já sem a estátua do Coronel Nicolau Mesquita (após 1966)

O Largo Senado começa na Avenida de Almeida Ribeiro, em frente do edifício do antigo Paços do Concelho (Leal Senado) e termina no Largo de S. Domingos, junto da Travessa de S. Domingos.

Avenida Almeida Ribeiro cruzamento com a Avenida da Praia Grande e um bocado da Avenida do Infante D. Henrique

“Of late years Macao after a period of stagnation has been much improved by new roads laid out over the Campo and about the hills. A grand new avenue to cost $ 300,000 and to lead in direct line from the Inner Harbour opposite the Steamboat Company’s wharf to the Praya Grande, was mooted some years since; but the money has been spent on other improvements.”
BALL, J. Dyer – Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, 1905.

Em 2 de Setembro de 1913 foi designada pelo nome de «Avenida Almeida Ribeiro», a nova Avenida do Bazar. A parte, a poente do Largo do Senado foi inaugurada em 1915. O último troço, a parte que ligou à Praia Grande, só teve o projecto aprovado em 16-10-1918, pelo que só posteriormente é que foi construída, após demolições do pavilhão que existia em frente ao Leal Senado e da casa do rico comerciante Lin Lian (então situada no cruzamento da Av. de Almeida Ribeiro com a Rua da Praia) e expropriações de vários prédios (por 77. 360 patacas; P. P. 82) do Largo de Senado, Travessa do Roquete, Rua da Sé e Pátio da Sé (aprovado por P.P.18 de 23-01-1919).
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
TEIXEIRA, Pe M. – Toponímia de Macau, 1997
(1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/

A notícia de 7 de Janeiro de 1918 era a venda de um cavalo, julgando incapaz para o serviço de incêndios (1)

Nesse ano, os serviços de extinção de incêndios estavam a cargo da Inspecção de Incêndios (reorganizada pela P.P. n.º 93, de 10-VIII-1883) e eram executados por um corpo de bombeiros comandados pelo Inspector dos Incêndios (2) nomeado pelo Governador. O Corpo de Bombeiros de Macau como uma força militarizada, institucionalizada, só viria a ser concretizada em 26 de Abril de 1919 (Portaria n.º 80 – aprovação da publicação do regulamento orgânico).
Em relação à utilização dos cavalos na Inspecção de Incêndios, duas notícias em anos anteriores são conhecidas.
Uma, notícia de 21 de Janeiro de 1916, sobre um  pedido do seu inspector, Major João Carlos Craveiro Lopes (3) para a aquisição de mais cavalos para o Serviço de Inspecção dos Incêndios.
E outra, de Outubro de 1915 quando foi aprovada a construção de manjedouras nas estações de S. Domingos, Bazar e Horta e Costa, para o Serviço de Incêndios e publicação de um edital do Leal Senado com vista ao ensino de parelhas de cavalos de tracção das viaturas de incêndio.

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.
(2) O comandante da Inspeção de Incêndios tinha para habitação, o «Chalet da Flora», junto ao quartel do mesmo nome e pertença do Estado desde 14 de Junho de 1917, data da sua cedência e adaptação para residência. A residência foi destruída na sequência da explosão do Paiol da Flora em 13 de Agosto de 1931.
João Carlos Craveiro Lopes(3) João Carlos Craveiro Lopes (1871-1945) militar que atingiu o posto de general-de-divisão do Exército Português, foi quando era major,  na sequência do incidente que ficou conhecido como “Movimento das Espadas” (ocorrido a 22 de Janeiro de 1915), penalizado e transferido para Macau onde permaneceu de 1915 até ser exonerado a 13-03-1916, para regressar à Metrópole.Posteriormente foi comandante de brigada do Corpo Expedicionário Português na Primeira Guerra Mundial tendo ficado prisioneiro na batalha de La Lys (1918). Apoiante do Golpe de 28 de Maio de 1926, foi Governador –geral da Índia Portuguesa (1929-1936).
Pai de Francisco Higino Craveiro Lopes, décimo segundo Presidente da República (terceiro do Estado Novo)
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Carlos_Craveiro_Lopes

Sobre a “história” (resumida) do Corpo de Bombeiros de Macau, aconselho leitura em:
http://caderno-do-oriente.blogspot.pt/2011/02/o-corpo-de-bombeiros-de-macau.html

Na noite deste dia, 5 de Setembro de 1738, às onze horas para meia noite ouve hum Grande Temporal, o qual acabou pelas 10 horas do dia 6 – Este tufão fes hua grande destruição em Macau, não só em todas as Cazas mas ainda em os Navios, pois o Navio Bleck-boy foi-se quebrar na ponta da rede estando ainda a meia carga de Sandalo de Timor.
          O Navio Corsário se foi quebrar além de Outlém, e os mais todos apparecerão encalhados de manhã pelas praias grande e pequena, padecerão muito e se podia diser que tudo era mar, pois chegarão as agoas até S.m Domingos.
          Os Tancares Lorchas quebradas, e Chinas mortos forão sem numero. Muitos mezes estiverão sem se comerem peixe pelo nojo por que nos seus buxos se achavão dedos e pedaços de carne humana. Nenhum China e Christao se lembrarão se ter visto em algum outro tempo hum semilhante Tufão.
BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987
Um dos flagelos mais terríveis destas regiões do sul da China que por vezes arrasa tudo o que encontra, é, sem dúvida, o tufão.
          Em 5 de Setembro de 1738, um destes flagelos assolou Macau e, pelas descrições, que dele fazem os manuscritos da época, parece ter sido o maior que houve nestas paragens.
          Muitas casas foram destruídas, outras destelhadas totalmente, o litoral ficou inteiramente alagado, chegando o mar até o centro da cidade.“
           Muitos navios, bem como centenas de lorchas, foram a pique.”
COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau. 1927

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima I

Em 1954, o povo católico de Macau celebrou a habitual festa de Nossa Senhora de Fátima, comemorando nesse ano o jubileu de prata da introdução na cidade de Macau do culto a Nossa Senhora de Fátima e as celebrações do Ano Mariano (1)
Durante 9 dias que precederam o dia 13, foi grande a afluência dos fiéis à Igreja de S. Domingos.
Desde o dia 12, último dia da novena, ficou o Santíssimo exposto até ao dia seguinte às 19.00 horas estando as adorações nocturnas bem como as diurnas foram feitas por agremiações católicas.
Com o amplo templo totalmente cheio, rezaram-se missas no dia da Festa, desde as 4 horas da manhã. Às 8.30 horas foi celebrada missa de oferecimento com Comunhão e às 10.00, Missa de Pontifical.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima IIO Rev.mo Bispo D. João de Deus Ramalho celebrando o Pontifical, com a assistência de todo o clero

À tarde, depois de recitadas renovação da Consagração da Diocese de Macau ao Imaculado Coração de Maria e dada a Bênção do Santíssimo aos fiéis e aos doentes, este último assinalado com a recitação das jaculatórias proferidas do púlpito pelo Rev. Padre Benjamin Pires Videira S. J., lenta e impressionante começou a desfilar a procissão de peregrinação que tinha por término a Ermida da Penha.
À saída da Igreja, A Virgem foi saudada por um vibrante toque de clarins, e ao mesmo tempo duma das janelas do templo, foram soltas três pombas brancas.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima IIISaída da Igreja de S. Domingos

À saída da Igreja, A Virgem foi saudada por um vibrante toque de clarins, e ao mesmo tempo duma das janelas do templo, foram soltas três pombas brancas.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima IVA branca Imagem da Senhora de Fátima sai de S. Domingos
aos ombros das Congregadas de Nossa Senhora de Fátima

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima VNo Largo de S. Domingos começou a organizar-se a imponente Procissão que se dirigiu à Colina da Penha

A grandiosa peregrinação uma das maiores dos últimos anos, levou cerca duas horas a percorrer o itinerário marcado.
Chegada à Ermida da Penha, a Senhora entrou na Ermida acompanhada pelos fiéis que encheram, num curto espaço de tempo a pequena mas graciosa ermida.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima VINa Ermida da Penha

Pregou em português, o Revdo Cónego Juvenal Alberto Garcia, reitor do Seminário de S. José enquanto que o Revdo Padre Roque Lui, pároco da Igreja de S. Lázaro, pregou em chinês junto da Gruta de Nossa Senhora de Lurdes.
Em seguida foi entoado o solene Te-Deum por Sua Ex.ª Revma o Sr. D. João de Deus Ramalho, que deu a bênção aios fiéis, e da balaustrada da Penha à cidade inteira tendo um turno de clarins do nosso exército assinalado este acto.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima VII

A Benção do Santíssimo

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima VIIIO adeus final à Virgem
(vendo-se entre a assistência, o Governador da Província)

Informação e fotos (má qualidade devido à impressão em papel) de “Macau, Boletim Informativo”, 1954.
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 5. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1998, 320 p. (ISBN 972-8091-64-8)