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atlas-historico-de-portugal-capaPequeno livro escolar de Hernâni S. Dias da Silva, “Atlas Histórico de Portugal (1), este referente ao «I Volume», que apresenta a história (resumida) de Portugal desde “Das origens a Meados do XVI Século”.

atlas-historico-de-portugal-mapaMAPA “Pelo Índico e mais além” (pág. 35) com os limites do Tratado de Tordesilhas (1493-1494)

No mapa vereis apontadas algumas viagens: João de Brito, Francisco de Xavier, José Anchieta, Manuel da Nóbrega. Homens que, obedientes à regra de Inácio de Loyola, vão enfrentar o inimigo das almas cristãs: o paganismo. Vão ser os construtores de novas civilizações: vão ser os homens que, introduzindo o Ocidente no oriente, vão trazer o Oriente ao Ocidente, isto é, vão permitir que cada um dos tipos de civilização aproveite o que o outro tem de melhor.”
Assinalado nas costas da China, LAMPACAU 1554
atlas-historico-de-portugal-pagina-36“… Os Portugueses estão no Japão, a quem ensinam os modos ocidentais, estabelecem-se nas costas da China, em Liampó, marcam com nomes portugueses as terras do oriente, como símbolo da omnipresença portuguesa no hemisfério que nos tocou pelo Pacto de Tordesilhas…”
(1) SILVA, Hernâni S. Dias da – Atlas Histórico de Portugal, I Volume – Das Origens a Meados do XVI Século. Edições ASA de Américo Areal, Porto, Sem data, 40 p., 21 cm x 15 cm.
O livro foi editado na década de 50 (século XX) pois embora não contenha a data, a Editora «Edições ASA» foi criada em 1951.

Carta do irmão Fernão Mendes ao padre Baltasar Dias, reitor da Companhia de Jesus em Goa , datada de 20 de Novembro de 1555.

“…E aos 20 de Julho chegámos a Sanchão, (1) onde o padre saiu em terra e foi dizer missa sobre a cova onde  o  nosso padre bem-aventurado mestre Francisco Xavier fora enterrado, a qual já achámos coberta de muitas ervas, que arrancámos com as mãos, e alguns com muito sentimento e devoção, porque ali parece que dava Nosso Senhor muito a sentir que para que era mais senão acabar ali um homem sua vida e ali ser enterrado. E dali nos embarcámos e viemos ter a 3 dias de Agosto a Lampacau, onde os navios fazem fazenda, donde o padre  mestre Melchior (2) foi duas vezes a Cantão, como lhe lá escreverá…” (3)

MAPA - China Regio Asiae 1589CHINA REGIO ASAE, mapa anónimo possivelmente de origem portuguesa, de meados do  século 16 (4)

“Partidos nós desta ilha de Champeiló, fomos demandar as ilhas de Cantão, e aos cinco dias de nossa viagem, prouve a Nosso Senhor que chegássemos a Sanchão, que era a ilha onde fora enterrado o padre mestre Francisco, como atrás tenho dito. Ao outro dia pela manhã, toda a gente da frota desembarcou em terra e nos fomos todos em procissão ao lugar do jazigo do santo padre, o qual achámos já todo coberto de ervas e de mato, sem aparecer dele mais que só as pontas das cruzes de que estava cercado; porém logo por todos foi limpo e preparado com muita devoção, e após isso fechado com umas grades de pau  fortes, e por fora se fez mais outra estacada, e todo o chão ao redor foi muito limpo e aplainado, e toda esta obra em roda estava cercada de muito bons valos, `enetrada dos quais estava uma cruz muito alta e muito formosa… (…)
Ao outro dia pela manhã nos partimos desta ilha de Sanchão, e ao sol-posto chegámos a outra ilha que está mais adiante seis léguas para o norte, chamada Lampacau, onde naquele tempo os portugueses faziam sua veniaga com os chins, e aí se fez sempre até ao ano de 1557, em que os mandarins de Cantão, a requerimento dos mercadores da terra nos deram este porto de Macau, onde agora se dfaz, no qual sendo antes ilha deserta, fizeram os nossos uma nobre povoação de casas de três a quatro mil cruzados, e com igreja matriz em que há vigário e beneficiados, e tem capitão e ouvidor e oficiais de justiça, e tão confinados e seguros estão nela, com cuidarem que énossa, como se ela estivera situada na mais segura parte de Portugal.” (5)
(1) Ilha de Sanchoão – 上川 (mandarim pinyin: shàng chuān ; dǎo; cantonense jyutping: soeng5 cyun1 dou2). Também denominada Chang-Chuang, Sancian, San-choão
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(2) Padre jesuíta Belchior Nunes Barreto, que esteve nas costas da China, de Agosto de 1555 a 7 de Junho de 1556 e exerceu o seu apostolado entre os 300 portugueses que se encontravam, então em Macau, Fundou uma missão de Cantão.
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(3) CATZ, Rebecca D. – Cartas de Fernão Mendes Pinto e outros documentos. Editorial Presença, 1983
Alguns trabalhos desta investigadora norte-americana (Universidade de Califórnia, Los Angeles) relacionados com Fernão Mendes Pinto:
CATZ, Rebecca D. – Fernão Mendes Pinto, The Travels of Mendes Pinto. ed. & tr. Chicago and London (The University of Chicago Press) 1989, 663 pp., ISBN 0-226-66951-3.
CATZ, Rebecca D.  – A Sátira Social de Fernão Mendes Pinto: análise crítica da Peregrinação. Lisboa, prelo Editora, 1978, 358 p. (tradução de:  Iconoclasm as Literary Technique: A Study of the Satiric Devices used in the Peregrinação de Fernão Mendes Pinto (1972).
CATZ, Rebecca D.  – Fernão Mendes Pinto and His Peregrinação in Hispania. Volume 74, Number 3, September 1991.
http://www.cervantesvirtual.com/obra-visor/hispania–11/html/p0000002.htm
(4) Retiraoa de “Mapas e Iconografias dos Sécs. XVI e XVII” –  Mapa da China in Epitome theatri orteliani, praecipuarum regionum delineationes, minoribus tabulis expressas...; cópia equivalente à da ed. de Antuérpia, Christophorus, 1589, fl. 85r.
http://www.tdx.cat/bitstream/handle/10803/4951/fmpnro4de4.pdf;jsessionid=6E1775B5EBE59AF37C63E385C6F3658A.tdx1?sequence=4
(5) Retirado  das pp. 33-34: Fernão Mendes Pinto  – Peregrinação in SANTOS, Carlos Pinto; NEVES, Orlando – De Longe à China, Tomo I Instituto Cultural de Macau, 1988, p. 383.

…………. Faz hoje, 457 anos.

Em 20 de Novembro de 1555, Fernão Mendes Pinto, então noviço da Companhia de Jesus, escreveu de Lampacau, uma carta, na qual descreveu a sua chegada a Sanchoão, neste ano, e a sua viagem a Lampacau, na companhia do Pe. Belchior Nunes.(1)  Esta carta dirigida ao Pe. Baltasar Dias, Reitor do Colégio de Goa, é o primeiro documento conhecido em que aparece o nome de Macau, sob a designação de Amaquao ou Ama Cuao.” (2) (3)

(1) “Em 23-11-1555, o padre jesuíta Belchior Nunes Barreto, que esteve nas costas da China, de Agosto de 1555 a 7 de Junho de 1556 e exerceu o seu apostolado entre os 300 portugueses que se encontravam, então em Macau, escreveu para o Colégio de Goa,
                               “Deste Machoam porto da China….”
dando conta dos usos, costumes, governo etc, da China, particularmente de Cantão, para onde teve de efectuar duas viagens, a fim de negociar a libertação de Mateus Brito, que ali se encontrava preso, há seis anos, com mais dois portugueses e três nativos cristãos, mediante o resgate de 1.000 taes, por cabeça. Tanto esta sua carta como a de Fernão Mendes Pinto, de 20 de Novembro de 1955 são datadas de Macau, sendo nestes dois documentos que se menciona pela primeira vez o nome de Macau.” (3)
(2) Embora alguns críticos afirmam ser engano do copista, Amaquao deveria ser Lampacao (4), Fernão Mendes Pinto na carta é claro quando diz «Amaquao, distante seis  léguas de Lampacau que é o porto onde estamos…»
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(4) Segundo Albert Kamerer (citado por Beatriz Basto da Silva ) (5), ” …mas a crítica afirma ser engano do copista, por Lampacao”
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Séculos XVI-XVII, Volume 1, Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997,198 p (ISBN 972-8091-08-7)

NOTA:  AMAQUAO – um dos possíveis nomes de Macau: Diz a lenda que a Deusa Neang Ma, patrona dos marinheiros de Fukien, (*) salvou a tripulação de um junco. Em sinal de gratidão, eles construíram um altar na praia em honra da Deusa, dando-lhe o diminutivo de A-Ma(**); o lugar passou a ser chamado de A- Ma-Kao (porto de A-Ma). Os portugueses, a partir de 1557 passaram a chamar-lhe Povoação do Nome de Deus de Amacao na China (5).
Até meados da dinastia Ming (***) , não existia o nome de Macau (****). A parte norte da península chamava-se Wangxia (MongHa) (*****)  e a parte sul tinha o nome de Haojing. O mar era rico  de ostras (ostras em chinês pronuncia-se “hao”) . Tinha duas baías nesta parte do sul que eram redondas como espelhos ( em chinês “jing”) Daí o nome de Haojing (******) (espelho de ostras)  (6)

Theodor de Bry (1528-1598) – circa 1598
Observa-se estrangeiros sendo transportados in palaquins acompanhados de criados com chapéus.
O porto Interior concorrido com navios estrangeiros. (7)

 (*) Fujian ( 福建) romanizado como Fukien ou Foukien é uma província do sudeste da China, a norte da província de Guangdong.
(**) Templo de Á-Má – 媽閣廟 mandarin Pinyin: Māgé miào; cantonense Jyutping: maa1 Gok3 Miu6
(***) Dinastia  Ming (1368-1644):  明朝 mandarin Pinyin; Ming cháo; cantonense Jyutping:  ming4 ziu1
(****) Macau  澳門 mandarin Pinyin: Àomén; cantonense Jyutping: Ou3 Mun4
(*****) Mong Ha 望廈 mandarim Pinyin wàng xià; cantonense jyutping mong6 haa6. (olhar/avistar a mansão)
(******) Haojing 濠鏡  cantonense jyutping hou4 geng3 (espelho de ostras)  ou Jinghai 鏡海cantonense jyutping geng3 hoi2 (espelho de mar)
(6) FEI Chengkang – Macao 400 Years. The Publishing House of Shanghai Academy of Social Sciences, 1996, 360 p. ISBN 7-80618-266-7
(7) http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/gallery_places/pages/cwM_1598_AH8121_Amacao_sc.htm
Segundo Beatriz Basto da Silva (5), trata-se de Macau no final do século XVI, segundo gravura em cobre (c. 1598) do artista Teodore de Bry. Foi copiado por Meinsner c. 1625 (Dervent Collection)
VER: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tufoes