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Extraído de «BGC XXVI-302-303,1950»
12-07-1910 – O Governador Eduardo Marques ordenou por portaria, a suspensão de garantias constitucionais, em todos os territórios do Concelho de Taipa e Coloane, sendo enviadas, pelas 4.00 horas de madrugada, duas forças uma de 45 praças de infantaria, comandada pelo Tenente Aguiar e outra do destacamento da Taipa e Coloane, sob o comando do tenente Albino Ribas da Silva, para desalojarem os piratas da quadrilha de Leong Tai Tchan e Leong Ngi Uá, que tinham o seu covil, nas furnas da ilha de Coloane. Devido à resistência oferecida pelos piratas foi enviada uma força de artilharia e, pelas 11.30 horas, a lancha canhoneira Macau, chefiada pelo primeiro-tenente Joaquim Anselmo Mata e Oliveira À tarde, seguiu novo reforço de 105 homens do Corpo da Polícia e infantaria, sob o comando do Capitão de infantaria Eduardo Azambuja Martins, indo assumir o comando geral das forças o major Alfredo Artur de Magalhães, comandante da Polícia de Macau O combate iniciou-se no dia seguinte e a rendição dos piratas foi no dia 14 embora as operações “de limpeza” tenham prolongado até 29 do mesmo mês.Desta acção resultou o completo extermínio dos piratas que tinham o seu quartel-general nessa ilha de Coloane, com a libertação de 18 crianças, mulheres e velhos e aprisionados 21 piratas reconhecidos, 39 indivíduos suspeitos, 11 mulheres de piratas num total de 89 pessoas. (1) Morreram 3 portugueses, segundo algumas fontes (2) mas somente é referido nos relatórios oficiosos, a morte do cabo António Maria d´Oliveira Leite, no dia 12 de Julho.

Militares portugueses, durante os combates em Coloane contra os piratas, em 1910

NOVEMBRO de 1910 – Julgamento dos piratas sequestradores de Coloane no Quartel de S. Francisco. Condenados 8 piratas a 28 anos de prisão, com degredo em Moçambique. Sete piratas foram absolvidos por faltas de provas dos crimes imputados.
O Júri do Conselho de Guerra: (1)
Presidente: Major António Joaquim Garcia
Vogais: Capitão Manuel das Neves e Alferes Mendes
Auditor: Camilo de Almeida Pessanha
Promotor: Tenente Rosa
Defensor oficioso: Alferes Rebelo
04-02-1911 – É escolhido o feriado municipal – 13 de Julho – do Concelho das Ilhas, e apresentada a justificação no B. O. n.º 5, desta data. Trata-se de sublinhar na memória de todos, em cada ano, a data do «combate de Coloane», contra os piratas, no ano anterior. (3)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954; TEIXEIRA, Pe. Manuel – Os piratas em Coloane em 1920, 1960
(2)  «MBI, III-71, 1956.»
(3) SILVA , Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.

O semanário “O Domingo Ilustrado” (1) publicado em Portugal, datado de Fevereiro de 1925, apresentava na sua primeira página um desenho (2) para ilustrar os acontecimentos que tiveram lugar em Macau, no dia 13 de Dezembro de 1924, (3), intitulando-o:

A grande chacina de Macau

“Em pleno areal de Cka – Hó, (Ká-Hó) um posto numa ilha (Coloane) de um kilómetro quadrado, os presos insubordinaram-se, assassinando com as ferramentas do trabalho os soldados portugueses (duas praças africanas).  Depois correram ao quartel e mataram o sargento comandante, ferindo mais praças. Por fim, no meio da carnificina ficaram abatidos cinco dos revoltados e todos os soldados feridos e mortos”

(1) “O DOMINGO ILUSTRADO semanário editado regularmente, em Lisboa, entre Janeiro de 1925 e Dezembro de 1927. A sua curta existência coincide com um período de grande perturbação política e social, que muitos autores consideram mesmo de guerra civil latente, e que conduzirá à Ditadura Militar, instaurada pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926.
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/FichasHistoricas/DomingoI.pdf
(2) “Reconstituição sobre documentos e fotos fornecidos na Sociedade de Geografia, por um oficial que já comandou este posto
(3) Já relatado em anterior postagem:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/13/noticia-de-13-de-dezembro-de-1924/
Seis prisioneiros chineses que estavam trabalhando na construção duma estrada na Ilha de Coloane, tentaram evadir, agredindo de surpresa e barbaramente duas praças africanas que os estavam vigiando e, depois de as terem desarmado, dirigiram-se ao quartel, onde mataram o 1.º Sargento Manuel Ferreira da Silva que comandava o posto militar da povoação de Ká-Hó, sendo depois mortos cinco e capturado um.” (GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.)

O Hospício para Lázaros, em Ka Hó, depois de muita resistência e de alterações várias (1) quanto à escolha do local, quer em Macau (D. Maria, Porta do Cerco) quer na Taipa e depois em Coloane, foi entregue pronto no dia 20 de Janeiro de 1885, com guarda e zona circundante delimitada. O apetrechamento só ficaria completo em Maio desse ano. (2)
mapa-de-ka-hoPor portaria Provincial n.º 327 de 13 de Setembro de 1929 foi nomeada uma comissão, a qual cumpriu o seu mandato, fazendo construir no Hospício Ka Hó, cinco pavilhões e uma capela, com dependências anexas para constituírem a residência das Religiosas que venham ali a instalar. Em Ká Hó, com a preparação do terreno, construções dos cinco pavilhões, capela, poço, tanque e valsa de protecção, canalização de água potável e de esgoto e conservação de todas as obras despendeu-se a bela soma de $ 21.478, 19. A capela foi inaugurada e benzida por D. José da Costa Nunes no dia 21 de Outubro de 1934.

pe-teixeira-macau-e-a-sua-diocesse-i-pavilhoes-das-lazaras-de-ka-hoPAVILHÕES DOS LÁZAROS EM KA-HÓ, 1940

A Leprosaria fica na Baía de Ka Hó, construída num promontório na ponta leste de Coloane, perto da chamada aldeia ou povoação de Ká Hó (é um pequeno vale entre montanhas e era o mais cultivado antigamente). Tem uma bela igreja contemporânea dedicada a N.ª Sr.ª das Dores, ostentando um grande crucifixo de bronze sobre a porta norte.
coloane-igreja-de-nossa-senhora-das-dores-ka-ho(1) Os leprosos que durante três séculos estiveram no Hospital S. Rafael, em 1878 são transferidos para a Ilha de D. João na altura sob a administração portuguesa, em Pac Sá Lan. Em 25-11-1896 é extinto o Hospício de S. Lázaro junto à Igreja de S. Lázaro.
“1878 – Os leprosos, recebidos na primeira instituição congénere no Extremo-Oriente – O Hospital de S. Rafael – durante três séculos, são transferidos neste ano para a Ilha de D. João (para homens) sob a administração portuguesa”. (2)
17-03-1894 – O Administrador das Ilhas, Capitão João de Sousa Canavarro, oficia à Secretaria do Governo fazendo uma breve mas expressiva panorâmica da situação dos leprosos. É estudada a construção de novas barracas para o alojamento dos Lázaros em Pac-Sá-Lan e Ká-Hó.” (2)
Mas os constantes assaltos dos piratas (maus tratos e roubos) ao longo da década de 10 a 30 (século XX), (3) (4) à gafaria de Pac Sa Lan instalada na Ilha de D. João, foram transferidos aos poucos para a Gafaria de Ká Hó que com o tempo foi-se ampliando. Em 1933, o director da leprosaria Fernando Dias Costa informava estarem construídos oito pavilhões para o tratamento da lepra. As instalações da leprosaria de Pac Sá Lan foram destruídas pelos militares comunistas em 1953. (5)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(3) 19-06-1912 – Pedido dos leprosos instalados no Hospício de D. João para serem dali retirados a fim de não estarem sujeitos aos constantes assaltos de piratas.(GOMES, Luís G. – Catálogo do M.M., n.º 254)
(4) “24-01-1927 – Queixa apresentada pelos asilados da gafaria de Pac-Sa-Lan, na Ilha de D. João, contra os maus tratos e roubos de que eram vítimas às mãos dos piratas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
(5) “1953 – Destruídas pelos comunistas a leprosaria de Pak-Sa-Lan. Aventou-se a hipótese dos doentes terem sido transferidos para outra ilha, perto de Hong Kong. Mas não se conseguiu confirmar tal notícia, sendo provável que os últimos leprosos tivessem perecido, porque já em 1949 tinham sido ameaçados de morte por Ng Seng, comandante da guarnição chinesa de Man Lei Wai, se não pagassem $500 em notas portuguesas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).

Mapa que muitos ainda se recordarão, pendurado  no “quadro preto” ou na parede da Escola Primária (na sala da 4.ª classe).

Mapa de Portugal Insular e Imperio Colonial Português - 1934MAPA DE PORTUGAL INSULAR E IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS

Este mapa é de 1934; edição da LIVRARIA ESCOLAR “PROGREDIOR”  (Rua Passos Manuel – Porto); coordenado por Manuel Pinto de Sousa.

Mapa de Macau 1934Assinalados na cidade de Macau:  os Fortes de D. Maria II, da Guia, de S. Francisco, de S. Tiago da Barra; as  Portas do Cerco, a Ilha Verde já com istmo de ligação à cidade, a Baía da Praia, e Macau Siac.
Na Taipa: o Forte da Taipa, a Ponta Cabrita e  a Ponta Maria.
Em Coloane: o Forte Coloane, a Ponta de Cahó (Ka Hó) , a Baía de Hac-Sá, as povoações de Cahó (Ka Hó),  de Lai Chi Van, de Coloane, de Hac Sá e de Tai Van;
e as pequenas ilhas : da Pedra, de Kai Kiong e a Pedra da Areca.

PANFLETO Rede de Trilhos COLOANEUm panfleto (em português, chinês e inglês) da rede de trilhos do nordeste da ilha de Coloane, emitido pela Câmara Municipal das Ilhas, em Março de 1993, data em que foi aberto ao público o trilho, com a extensão de 3084 metros e à cota média de 55 metros O panfleto de 38,5 cm x 25,6 cm é dobrável em quatro partes (9.7 cm x 25, 6 cm cada).
PANFLETO frente Rede de Trilhos COLOANEA diversidade da flora e a riqueza das panorâmicas que a zona Nordeste da ilha de Coloane proporcionava, levou a que a Câmara Municipal das Ilhas criasse  uma rede de trilhos que servisse esta região, disponibilizando, nessa data, (1993) as seguintes variantes:
PLANFLETO - Mirante Panorâmico

1 – Trilho do Nordeste de Coloane com a extensão de 2680 metros, e com panorâmicas da Taipa, Macau e o delta do rio.

PANFLETO - Serra Central Coloane2 – Percurso interpretativo, com uma extensão de 855 metros que se desenvolviam na parte inicial do trilho, e que era composto por 10 estações de observação com introduções botânicas, agrológicas, ambientes e geográficas. O seu traçado era práticamente plano e tinha saída directa para a Estrada do Altinho de Ká-Hó, para quem não queria ir mais além.PLANFLETO - Toxicodendron3 – Circuito das Acácias, com uma extensão de 810 metros contornando um maciço de Acácias de flôr amarela, e com panorâmicas sobre o delta do rio, Taipa, Macau e barragem de Ká-Hó.

PLANFLETO - Campo de golfe4 – Circuito do Golfe, com uma extensão de 800 metros e com panorâmicas do então novo campo de golfe, baía de Hac-Sá, povoação de Ká-Hó e barragem de Ká-Hó.
PANFLETO MAPA Rede de Trilhos COLOANEComo sugestão de Itinerários, estavam disponíveis 8 itinerários variando desde 810 metros a 4290 metros, num tempo de 15 minutos e 90 minutos sendo os de maior duração com algum grau de dificuldade.

PLANFLETO - Percurso interpretativoO percurso interpretativo de Coloane, apresentava 10 tópicos:
PANFLETO I Rede de Trilhos COLOANE1 – Perfil do Solo
2 – Combate à erosão
3 – Bambus
PANFLETO II Rede de Trilhos COLOANE4 – Planta carnívora – Nepentes
5 – Algas
6 – Árvore de folhagem vermelha
7 – Habitat Natural
PANFLETO III Rede de Trilhos COLOANE8 – Panorâmica
9 – Planta parasita
10 – Formigas Brancas

“Seis prisioneiros chineses que estavam trabalhando na construção duma estrada na Ilha de Coloane, tentaram evadir, agredindo de surpresa e barbaramente duas praças africanas que os estavam vigiando e, depois de as terem desarmado, dirigiram-se ao quartel, onde mataram o 1.º Sargento Manuel Ferreira da Silva que comandava o posto militar da povoação de Ká-Hó, sendo depois mortos cinco e capturado um.” (1)

NOTA: a Colónia Penal na ilha de Coloane foi estabelecida 1924.
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.

COLOANE Mapa Turístico 1991COLOANE (路環), MAPA TURÍSTICO 旅遊地圖, (1)

A capa do folheto de 19 cm por 11 cm, editado pela Câmara Municipal das Ilhas, sem indicação de data (provavelmente de 1991).

COLOANE Mapa Turístico 1991 versoA contra-capa, com um mapa “miniatura” da ilha.

 No interior, desdobrável, um mapa da ilha com 45 cm x 35,5 cm de dimensões e pequenas fotografias dos locais a visitar.

COLOANE Mapa Turístico 1991Planta da ilhaEncontram-se sinalizados, os seis templos chineses, as Igrejas de S. Francisco Xavier e de Nossa Senhora das Dores (Ká Hó), as praias de Cheoc Van  e Hac Sá  e as respectivas piscinas e o Parque de Seac Pai Van.
Não sinalizados, mas já aparecem no mapa, os aterros de Seak Pai Van (junto ao reservatório) e de Tai Van e os aterros onde estão construídos as instalações da Central Térmica da Companhia de Electricidade de Macau (CEM).

COLOANE Mapa Turístico 1991 Resenha históricaE no verso do desdobrável, em português e chinês, um resumo histórico e indicações dos lugares turísticos. Do resumo, retiro:
Longe vão os tempos em que a ligação entre Macau e as suas ilhas se fazia de barco, travessia que tinha os seus encantos, constituindo as duas etapas do percurso (de Macau à Taipa e daí a Coloane) por si só, um excelente e repousante passeio nas águas tranquilas do rio das Pérolas. Hoje é possível, saindo de Macau, fazer-se um percurso de automóvel nas duas ilhas; em 1968 foi inaugurado o istmo que passou a fazer a ligação da Taipa com Coloane; em 1974 inaugurou-se a primeira ponte entre Macau e a Taipa e, mais recentemente em 1994, abriu ao tráfego uma nova ponte que liga a península à ilha da Taipa.”
A 23 de Dezembro de 1864, O Governador de Macau, José Rodrigues Coelho de Amaral, escrevia ao Comandante Militar da Taipa nos seguintes termos:
Tendo sido solicitado os habitantes de Coloane uma força militar para sua protecção e sendo de reconhecida necessidade este pedido, marchou hoje um destacamento de dez praças da polícia para aquela povoação, tendo ordem de se apresentar primeiro a V. Ex.ª, debaixo de cuja inspeção ficam”.
Foi assim que, em 1864, os portugueses ocuparam a ilha de Coloane.

(1) 路環mandarim pinyin: lù huàn; cantonense jyuping:  lou6 waan4.
旅遊地mandarim pinyin: lu yóu di tú; cantonense jyuping:  leoi5 jau4 dei6 tou4