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Jules Alphonse Eugéne Itier (1802-77), (1) francês, inspector de alfândegas, diplomata e amador fotográfico “daguerreotipista” (2) acompanhou Joseph Théodose Marie Melchior de Lagrené, (1800-1862, diplomata francês) na sua jornada para a China, em Dezembro de 1843, para concluir um tratado comercial com a China.(3) Itier documentou a conclusão do Tratado de Whampoa e viajou pela China de 1943 a 1846, escrevendo e tirando daguerreótipos do dia-a-dia do povo chinês, paisagens e monumentos chineses. Entre estes constam os da região de Guangdong nomeadamente Macau onde realizou vários “daguerreótipos” em 1844. Ao retornar à França, Itier escreveu um extenso diário da sua viagem à China“. (4).

Templo de Á Má, Outubro de 1844
Templo de Á Má, Outubro de 1844
Águas de Macau, Outubro de 1844
Águas da Ilha da Taipa, Outubro de 1844
Praia Grande com o Fortim de S. Pedro, Outubro de 1844

Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jules-itier/
(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Jules_Itier
(2) Daguerreótipo foi o primeiro processo comercial fotográfico (sem imagem negativa) com sucesso inventado por volta de 1837 por Louis Jacques Mandé Daguerre.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Daguerre%C3%B3tipo
(3) Tratado de Huangpu ou Whampoa, 1.º tratado franco-chinês em 1844. As negociações decorreram entre 13 de Outubro e 24 de Outubro de 1844
(4)Journal d´un Voyage en Chine 1843-1846 Vol 1
Por M Jules Itier, 1848
Journal d´un Voyage en Chine 1843-1846 Vol 2
Por M Jules Itier, 1848

L´Indo Chine et la Chine J THOMSON capa

Livro (1) escrito em francês, por Hippolyte Vattemare (na 1.ª folha traz a indicação de “ABRÉGÉS PAR H. VATTEMARE“) sobre os 10 anos de viagens efectuadas por J. Thomson (2) à Indochina e China.
L´Indo Chine et la Chine J THOMSON 1.ªs páginasJohn Thomson é recordado em Macau por ter sido um dos primeiros fotógrafos a registar as viagens que fez e é dele, as primeiras películas do Território no ano de 1870. (3)
L´Indo Chine et la Chine J THOMSON mapa

John Thomson partiu de Inglaterra no ano de 1861. Como nessa época o canal de Suez não estava ainda terminado (4) , fez o trajecto por terra até Suez, onde embarcou a caminho da Indochina. Depois da estadia na  Indochina,  vai para a China, passando por  Hong Kong  (Capítulo IV), Cantão e Macau ( Capítulo V). Daqui seguiu para Amoy e Ilha Formosa com destino a Pequim via Shanghai.
Ce batelet, don´t l´equipage se composait de trois jeunes filles, le conduisit à une jonque en partance pour Macao (5).
Macao est durant l´été l´un des endroits les plus fréquentés, par les résidents anglais de Hong Kong.
Dans cette jolie ville on peut jouir des fraîches brises de mer et se figurer presque, en se promenant sur la Praya Grande (Grande Place), qui entourne à demi une baie vraiment pittoresque, qu´on a été soudainement transporté sur le quai de quelque ancienne cité maritime de l´Europe.
On ne voit, pour ainsi dire, personne dans les principales rues de Macao. Les maisons sont peintes de toutes sortes de couleurs, et quelques-unes des fenètres sont bordées de rouge, ce qui les fait ressembler à des yeux enflammés sur  des visages peints. En revanche, les portes demaisons sont larges, les escaliers magnifiques, les salles vastes, trop vastes peut-être pour la race diminutive qui les habite. Cette race est, dit-on, portugaise; mais, s´il faut tout dire, la comparaison  entre ces gens-là et les Portugais récemment arrivés n´est pas à l´avantage des premiers. Ils ont le teint plus foncé que celui des Portugais d´Europe, voire que celui des Chinois. (1)

Macau 1870 FotoPraia  Grande 1870  (John Thomson)  http://images.wellcome.ac.uk/indexplus/image/L0055552.html

 (1) THOMSON, J. (Abréges par H. VATTEMARE) L´Indo-Chine et la Chine, récits de voyages. Bibliothèque des Écoles et des Familles. Paris, Librairie Hachette et C.ie, 1879, 190 p. + |1|, 22. 5 cm x 12, 5 cm
Exemplar em estado satisfatório embora com algumas páginas parcialmente rasgadas (mas completas), capa cartonada. Com ilustrações a preto e branco e um mapa da China e Indochina.
(2) John Thomson (1837-1921), aprendiz de aparelhos ópticos e científicos (1851 a 1857 ), estudou no Wytt Institution and School of Arts (hoje,  Edinburg School of Arts) de 1856 a 1858. Em 29 de Abril de 1862 (no livro citado refere o ano de 1861) foi para Singapura onde um seu irmão trabalhava como relojoeiro e fotógrafo. A partir daí viajou por toda  Ásia, desenhando e fazendo as primeiras fotografias dessa região.
http://academic.reed.edu/formosa/texts/thomsonbio.html
(3) Pode-se ver fotos deste autor em
http://images.wellcome.ac.uk/indexplus/image/L0018761.html
É uma coleção de negativos de vidro originais, feitos por J. Thomson entre 1868 e 1872
As fotos referentes a Macau num total de 16 fotos de 1870 estão em:
http://encore.wellcome.ac.uk/iii/encore/search/C__SJ%20Thomson%20Macao__Orightresult__U1?lang=eng&suite=cobalt
Duas destas fotos, foram publicadas por mim em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/john-thomson/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/18/igreja-de-s-paulo/
(4) As obras para a abertura do canal de Suez iniciaram-se em 1856 e foi inaugurado a 20 de Novembro de 1869. Projecto de M. Ferdinand de Lesseps de 1854. Parte de Port-Said e termina em Suez, no mar Vermelho. Tinha no início, 160 Km de comprimento e 75 metros de largura.
(5) Macao, en chinois Ngao-men, est une ville très commerçante de la Chine propre, située dans une presqu´île de la baie de Canton, à 120 Kilomètres de cette capitale. Elle fut donnée aus Portugais, en 1580, par l´empereur Tchi-Tsong, pour avoir délivré le pays d´un redoutable chef de pirates. De nom, elle leur appartient; mais un mandarin chinois y exerce une surveillance génerale. Elle renferme une population de 35 000 hommes, dont environ 5 000 portugais.” (1)

ITIER Praia Grande 1844NOTA : Recorda-se aqui outro “fotógrafo”, anterior a J. Thomson, chamado Jules Itier.
Jules Alphonse Eugéne Itier (1802-77),francês, inspector de alfândegas e amador “daguerreotipista“. Viajou pela China (incluindo Macau onde realizou este  “daguerrótipo” em  1844) de 1843 a 1845
http://en.wikipedia.org/wiki/Jules_Itier
Daguerreótipo foi o primeiro processo comercial fotográfico (sem imagem negativa) com sucesso inventado por volta de 1837 por Louis Jacques Mandé Daguerre.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Daguerre%C3%B3tipo

Sobre Jules Etier e as primeiras fotografias de Macau, aconselho
http://caderno-do-oriente.blogspot.pt/2010/03/jules-etier-e-as-primeiras-fotografias.html

Pelo Dec. de 10 de Dezembro de 1862, o Governador de Macau, Conselheiro Isidoro Francisco Guimarães, foi agraciado com o título de Visconde da Praia Grande, pelos relevantes serviços prestados à província durante o seu longo governo. (1)
Isidoro Guimarães Isidoro Francisco Guimarães (1808-1883), primeiro e único Visconde da Praia Grande de Macau, foi Par do Reino (Carta Régia de 28 de Dezembro de 18719), Presidente Suplementar da Câmara dos Dignos Pares (em 1878 e 1879), do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima, Deputado da Nação (na legislatura de 1864 a 1868), Ministro de Estado Honorário, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha (1865 a 1868). Foi Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário no Reino de Sião e nos Impérios da China e do Japão. (2)
Esteve como Governador de Macau durante doze anos (reconduzido três vezes) (Dec.de 13 de setembro de 1851- 1863). Foi durante o seu mandato como governador que o jogo, hoje a actividade económica mais importante de Macau, foi legalizado.
Desempenhou ainda muitos outros cargos (3)  e foi agraciado com os graus de várias ordens nacionais e estrangeiras.
Oficial da Marinha, foi reformado no posto de Vice-Almirante.

Genoveva LoureiroCasou em Macau, no ano de 1860, com D. Genoveva Rosa Inocência do Espírito Santo de Almeida Loureiro.

Chinnery Fortim S. Pedro 1825Praia Grande e Fortim de S. Pedro no desenho e aguarela em papel de George Chinnery (1825-52) (4)

À frente do fortim de S. Pedro, na Praia Grande, Isidoro Francisco Guimarães construiu um grandioso palácio adquirido pelo artista Visconde do Cercal, após o regresso do Visconde de Praia Grande  à metrópole.
É um dos principais edifícios públicos das nossas Colónias. Situado proximamente no centro da Praia Grande de Macau foi mandado construir pelo governador fallecido visconde da Praia Grande , se bem nos recorda de empreitada por 35 mil pesos” (5)

Antigo Palácio Praia GrandeO antigo Palácio da Praia Grande (6)

Em 1851, o governador Isidoro Francisco Guimarães, visconde da Praia Grande, mandou construir um palácio na avenida da Praia Grande, em frente do fortim de S. Pedro, para nele instalar o Palácio do Governo e diversos serviços. Em 1884, a sede do governo passou para o palácio do visconde do Cercal, ficando no anterior palácio apenas os serviços públicos. Em 1951, o Palácio das Repartições (demolido em 1946) foi substituído pelo Edifício das Repartições Públicas, que a partir da década de 80 albergou o Tribunal de Macau.”(7)

ITIER Praia Grande 1844FOTO de Jules Alphonse Eugène ITIER (1802-1877) – Praia Grande com o fortim de S. Pedro em Outubro de 1844 (8)

Os Viscondes da Praia GrandeOs dados biográficos foram recolhidos do opúsculo CAMPOS E SOUSA, José de – Os Viscondes da Praia Grande de Macau. Separata dos N.º 24/25 do Boletim da Junta de Província da Estremadura. Lisboa, 1953, 13 p.
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2) Como ministro plenipotenciário, esteve à frente da delegação portuguesa no Tratado Luso-Chinês de Tien-Tsin. Localizada a cerca de 100 quilómetros de Pequim, na China, a cidade de Tien-Tsin (ou Tientsin) foi palco da assinatura, a 13 de agosto de 1862, de um acordo diplomático entre o império chinês e o reino de Portugal, no sentido daquele reconhecer a plena soberania e posse do território de Macau pelos Portugueses. Este acordo legitimou assim a plena posse por parte de Portugal, perante a China e a comunidade internacional, de Macau, que teve em Tien-Tsin a formulação de uma base legal legitimadora da presença lusa naquela cidade no estuário do Rio da Pérola. Recorde-se que este acordo diplomático era imperativo e urgente, pois, na mesma cidade, quatro anos antes, em 26-27 de junho de 1858, os chineses tinham acordado com Ingleses, Franceses (depois destes terem ocupado a cidade um mês antes) e também com Norte-Americanos e Russos, facilidades de navegação nos mares da China por estas potências e a possibilidade de abrirem representações diplomáticas em Pequim. Assim, era de todo necessário a Portugal regularizar legalmente a sua posição em Macau, na China Meridional, de forma a manter os seus interesses na região e a posse do território.
http://www.infopedia.pt/$tratado-luso-chines-de-tien-tsin
(3) Como Capitão-Tenente (promovido a 15 de Fevereiro de 1844), foi incumbido da missão, com o seu cunhado, o 1.º Tenente José Maria da Fonseca, de pedir aos chineses a entrega da cabeça e da mão do malogrado Governador de Macau, Conselheiro João Maria Ferreira do Amaral.
(4) http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html
(5) Revista “As Colónias Portuguesas” (Lisboa, 1880, p. 115 ) in (6)
(6) TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau. Direcção dos Serviços de Turismo e Comunicação Social, 53 p.
(7) COSTA, Maria de Lourdes Rodrigues- História da Arquitectura em Macau. Instituto Cultural de Macau, 1997, 137 p.
(8)  http://collections.photographie.essonne.fr/board.php?PAGE=1&DISPLAYSIZE=small&razQuery=y&facet:location