Archives for posts with tag: José Tomás de Aquino

Continuação da publicação dos postais constantes da Colecção intitulada “澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”, emitida em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1) 
Este palácio denominado Palácio do Cercal, (2) mandado construir em 1849 pelo /Barão do Cercal /Visconde (a partir de 1865) ao arquitecto macaense José Tomás de Aquino, foi  arrendado em 1 de Junho de 1875 pelo Governo por um ano (renovado se não houvesse qualquer aviso) pela renda inicial: $2 400 patacas. Depois o palácio foi penhorado e posto em arrematação em 1881 sendo comprado pelo Governo (sendo governador Joaquim José da Graça) por $20. 080 patacas. A partir de 1884, foi residência dos governadores sendo o primeiro, Tomás de Sousa Rosa (1883 a 1886) até 1926, quando o governador Tamagnini Barbosa (2.º mandato) escolheu Santa Sancha para sua residência permanente. Desde esta data, o Palácio da Praia Grande ou o Palácio do Governo ficou a servir apenas de sede de governo (nele funcionava também a Assembleia Legislativa e o Conselho Consultivo do Governador), até 1999 e após essa data, sede oficial do Chefe do Executivo de Macau e do seu Governo.
(1) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/
(2) Era o prédio n.º 27 da Rua da Praia Grande
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/08/noticia-de-8-de-junho-de-1875-arrendamento-do-palacio-da-praia-grande-do-visconde-do-cercal/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/barao-do-cercal/

5 de Agosto de 1835, data do tufão (1) que fez tantos estragos na Sé Catedral que a catedral foi provisoriamente transferida para a Igreja de S. Domingos  em 3 de Agosto de 1836” (2).
A cerimónia de Sagração do novo Bispo,  D. Jerónimo José de Matta em 1846, já se realizou na Igreja de S. Domingos.(2)
A reconstrução da Sé Catedral, dedicada à Natividade de Nossa Senhora, foi iniciada pelo Bispo D. Nicolau Pereira da Borja (3) em 1844. Por sua morte, em 1845, o novo Bispo, D. Jerónimo da Mata (4) tratou de continuar e concluir a construção da catedral cuja consagração foi feita em 19 de Fevereiro de 1850.(5)

Sob o Olhar de Á MÁ - SÉ CATEDRAL Man Fook 1907Vista lateral da Igreja/ Sé Catedral
Atribuída a Man Fook, 1907

(1) “De acordo com os mapas de Piddington o tufão atravessou a ilha de Mindoro na direcção SE-NW e foi sentido pelo navio “Lady Hayes” que estava a Sul de Macau” (NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que Assolaram Macau, 1957.
O navio “Lady Hayes” está referenciado como um navio construído na Índia, em 1931, comprado  pela empresa  “Jardine Matheson & Co.” de Hong Kong em 1833 para  o transporte do ópio entre a Índia e a China.
(2) “03-08-1836 – Por a igreja da Sé ter ficado muito danificada com o tufão, a catedral foi provisoriamente transferida para a Igreja de S. Domingos” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
A autorização do cabido para a transferência provisória da Catedral para a Igreja de S. Domingos foi a 29 de Fevereiro de 1844. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995).

D. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja 1841-1845Bispo Nicolao Rodrigues Pereira de Borja.(5)

(3) D. Nicolao Rodrigues Pereira de Borja (1841-1845), sacerdote da Congregação de Missão, Mestre na Sagrada Theologia no Real Colégio de S. José da Cidade de Macau, foi eleito Bispo em 25 de Novembro de 1841, confirmado aos 19 de Junho de 1843 e tomou posse do Bispado aos 14 de Novembro do mesmo ano. Não chegou a ser sagrado  (marcado para 8 de Setembro de 1844) encontrando-se para esse fim já em Macau D. Fr. Tomás Badia mas este falece a 1 de Setembro de 1844 e o Bispo Borja falece a 29 de Março de 1845 (antes de ser sagrado), com 68 anos de idade. Foi sepultado no interior da Capela do cemitério de S. Paulo. (5) Transladado depois para debaixo do altar principal da Sé Catedral.

D. Jerónimo José da Mata 1804-1865Bispo D. Jerónimo José da Mata (5)
No pergaminho sustentado pelo Prelado lê-se:
Plano da Igreja Cathedral de Macau – J. Thomas d´Aquino – 1845 (6)

(4) D. Jerónimo José da Mata (1804 – 1865)  foi admitido no seminário aos 18 anos de idade e chegou a Macau em 24 de Outubro de 1826, tendo concluído os estudos no Real Colégio de S. José em 1827. Em 1829, recebeu o diaconado e presbiterado em Manila (não havia Bispo em Macau para essa ordenação). Voltou a Macau, continuando os seus estudos em Matemática e  astronomia com a fim de passar para o Tribunal das Matemáticas em Pequim, o que não se concretizou por ordem imperial de não admitir ali mais padres. De 1837 a 1843 esteve no reino  e foi nomeado coadjutor do Bispo de Macau (D. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja, com estado precário de saúde. Voltou a Macau em Maio de 1844,  confirmado pela Santa Sé em 17 de Junho de 1844, com o título de Altobosco. Com o falecimento do bispo Borja, foi sagrado Bispo de Macau, em 21 de Dezembro de 1846, na igreja de S. Domingos. Renunciou o cargo em 25 de Setembro de 1862 Faleceu em Campo Maior (Portugal) em 5 de Março de 1865.(5)
(5) TEIXEIRA, P. Manuel  Macau e Sua Diocese Vol II, 1940
(6) José Tomás de Aquino foi o arquitecto da reconstrução da Sé Catedral (incluída na lista dos monumentos históricos do “Centro Histórico de Macau”, por sua vez incluído na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO). Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-tomas-de-aquino/
Referências anteriores às  Igrejas de S. Domingos e Sé Catedral, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/se-catedral/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-domingos/

A 8 de Junho de 1875, (1) na Secretaria da Junta da Fazenda Pública compareceu o Barão do Cercal, como representante do Visconde do Cercal, proprietário do Palácio da Praia Grande, para lavrar o contrato do arrendamento ao Governo com as seguintes condições:

  1. É arrendado por um ano: 1-6-1875 a 31-5-1876.
  2. A renda é de $ 2 4000 patacas.
  3. Os concertos maiores – queda do muro ou do telhado – serão pagos pelo proprietário, os menores – janelas, portas, sobrado, tecto, caiação – pelo locatário.
  4. Ao terminar o contrato, o locatário não poderá desfazer os melhoramentos.
  5. Durante o contrato, o proprietário não poderá ordenar o despejo das casas.
  6. O locatário entregará tudo na mesma ordem e aceio em que o recebeu.
  7. Terminado o prazo, se não houver aviso algum de qualquer das partes, este é renovado.
  8. Antes de se proceder a concertos, deverá obter-se a permissão do proprietário (2)

Residência dos Governadores de Macau - Palácio da Praia GrandeFoto de 1981

A residência  dos Barões do Cercal (pai e filho) na Praia Grande foi construída em 1849 pelo arquitecto macaense José Agostinho Tomás de Aquino (talvez a obra-prima da arquitectura de raiz macaense)   para o 1.º Barão do Cercal (depois Visconde, a partir de 1865) Alexandrino António de Melo  que a mandou construir. O Palácio foi alugado ao Governo pelo filho António Alexandrino, (2.º Barão do Cercal) em representação Visconde do Cercal.
Com a morte do Visconde do Cercal, o Palácio passou para a sua viúva. A família do Barão do Cercal caída em decadência por dívida da viúva ao Chatered Bank, foi o Palácio à praça. A 18-03-1881, saiu o anúncio da “arrematação da casa n.º 27 da Praia Grande chamada Palácio do Cercal, e penhorada em execução que move Chartered Bank contra a Viscondessa do Cercal, e será de $ 25 068.66.” Foi então comprado pelo governador Joaquim José da Graça por $ 20 080.00, compra esta que foi aprovada pelo Governo de Lisboa a 17-05-1881.
Desde 1884 (o primeiro governador a residir aí, foi Tomás de Sousa Rosa que exerceu o seu mandato de 1883 a 1886) os Governadores de Macau passaram a viver neste Palácio, até 1926, quando o governador Tamagnini Barbosa (2.º mandato) escolheu Santa Sancha para sua residência permanente.
O Palácio da Praia Grande ficou a servir apenas de sede de governo (nele funcionava também a Assembleia Legislativa e o Conselho Consultivo do Governador) foi completamente restaurado em 1983.

Revista Casa e Jardim 1994 - Palácio da Praia Grande FotoFoto de 1994

(1) Os primeiros governadores viveram em casas alugadas pelo Leal Senado, até 1772, quando passaram a residir no edifício da Praia Grande em frente do fortim de S. Pedro. Nesse mesmo local o Visconde da Praia Grande,  Isidoro Francisco Guimarães (governador de Macau de 1851 a 1863) construiu em 1851, um grandioso palácio para nele instalar o Palácio do Governo.  Dois tufões, o de 1874 e o mais terrível de 1875, quase destruíram o Palácio construído pelo Governador Visconde Praia Grande, tornando-o  inabitável. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/31/noticia-de-31-de-maio-de-1875-tufao-de-1875/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-tomas-de-aquino/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palacio-do-governo-do-cercal/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau, 19 – -, p. 16.

No dia 8 de Março de 1828, faleceu na sua casa na Rua do Hospital, Marta da Silva Merop (Mierop) , (1) fazendo-lhe o enterro o Cura da Sé, Cónego António José Victor, que registou o seu assento de óbito no respectivo livro da Sé: «aos oito do mês de Março de 1828, nesta cidade, faleceu Martha da Silva Merop com todos os sacramentos, fez testamento e Codicilo »(2) (3) Foi sepultada na capela-mor da Igreja do Convento de S. Francisco.
“O seu marido era o inglês Tomas Merop, com quem casou religiosamente em Macau, (4) o qual no seu testamento declara: «A minha querida esposa, Marta da Silva , deixo a soma de dez mil libras e a minha casa da Rua do hospital e toda a mobília. Se ela mudar de ideias de passar toda a vida em Macau e vier para a Europa, deve receber mais três mil libras. É meu desejo que ela case após a minha morte, com uma condição: se ela casar com um português, receberá apenas cinco mil libras, quer venha para a Europa ou não. Se casar com um indivíduo doutra raça, receberá dez mil libras, e mais três mil libras se vier para Europa. Quer se conforme ou não com os meus desejos no respeitante ao casamento, deixo-lhes os meus livros e a mobília, a minha placa, relógio, anel, roupas, impressos, vinhos, instrumentos músicos e artigos curiosos, juntamente com a minha casa»
Marta não foi para Europa nem casou pela segunda vez; passou toda a vida em Macau” (1)
No  testamento que deixou, feito a 3 de Março de 1828, diz:
«Eu Martha da Silva Merop, viuva de Thomaz Merop, moradora n´esta cidade de Macau (…)  natural d´esta Cidade do santo Nome de Deus na China, filha de Pae e mai gentios (…) fui casada com Thomas Merop ora defundo in facie Ecclesiae segundo manda a  Santa Madre Igreja (…)  deste Matrimónio não tive filho algum (…) não tenho herdeiros descendentes nem ascendentes. (…) deixo por ora… (5)
Deixou o seguinte:
$ 1 000 para 1 000 missas por sua alma
$ 400 para ofícios solenes
$ 1 400 para pobres recolhidos
$ 400 para pobres de porta
$ 900 para fazer um depósito e com os juros celebrar festas anuais na Sé
$ 20 000 à Santa Casa de Misericórdia
$ 5 000 ao Mosteiro de Santa Clara
$ 5 000 ao Convento de S. Francisco
$ 20 000 às educandas do Recolhimento de S. Rosa de Lima devendo casa uma receber ainda $ 200 quando se casar
Deixou ainda várias somas às suas numerosas afilhadas e escravas que deveriam ficar livres após a sua morte. (1)
Marta MeropO seu retrato (6) em corpo inteiro pintado por volta de 1815, ocupa lugar de honra na galeria de benfeitores da Santa Casa de Misericórdia, na sala de Actos.
(1) Marta da Silva Van Mierop (1766 -1828), foi abandonada à nascença e recolhida pela Santa Casa da Misericórdia em meados do século XVIII. Casa com o inglês Thomas Kuyck Vam Mierop, sobrecarga da Companhia das Índias inglesa que lhe deixa em testamento parte da sua fortuna. Torna-se assim a mulher mais rica de Macau, famosa armadora e benfeitora da cidade.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Vultos Marcantes em Macau, 1982, pp. 103-104.
(3) Codicilo – alteração ou aditamento de um testamento (FIGUEIREDO, Cândido – Dicionário da Língua Portuguesa, Volume I, 1986.
(4) Afirmação do Padre Manuel Teixeira mas que não se encontra registo do casamento em Macau. Outros referem concubinato. (5)
(5) Para uma melhor compreensão da história de vida desta benfeitora , aconselho a leitura, disponível na net, de
PUGA, Rogério Miguel – A Vida e o Legado de Marta da Silva Van Mierop in Women, Marruiage and Family in Macao
http://www.academia.edu/3785773/A_Vida_e_o_Legado_de_Marta_da_Silva_Van_Mierop
(6) José Tomás de Aquino, (7) em carta endereçada à Santa Casa pedia desculpas «quanto à demora dos retratos de Francisco Xavier Roquete que legou $ 62 000 a essa Instituição e de Maria da Silva Merop; os quais foram executados pelo retratista china VÓ Qua, mas sob o meu contorno e direcção» (2)
(7) José Tomás de Aquino ( 1804-1852), educado no Real Colégio de S. José de Macau, partiu para Lisboa em 1819, por indicação do pai, para estudar  Medicina.  Estudou no Colégio Luso-Britânico e formou-se em »Matemática, Desenho e Comércio». Regressou a Macau em 1825. Além de proprietário de navios e negociante era também «arquitecto».  Dirigiu a construção de muitas residências e edifícios em Macau, reedificou, modificou, alterou muitos outro edifícios oficiais. Saliento a construção do Teatro Luso-Britânico (1839); reconstrução da Sé Catedral (concluída em 1850); reconstrução da igreja de S. Lourenço em 1847 (reedificada em 1898); construção do Palácio do Barão de Cercal na Praia Grande (posterior Palácio do Governo); construção do Palacete da Flora e a construção da casa do Barão de Cercal na Rua da  Prata n.º 4.
TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1952.
NOTA : também Patrícia Lemos abordou este assunto na «Revista Macau», em 2014 : “De Marta a macaense”, disponível em:
http://www.revistamacau.com/2014/03/05/de-marta-a-macaense/

No dia 14 de Dezembro de 1863 (1) o célebre pianista Rod Sipp e o baixo italiano Grossi, deram um recital, no Palácio dos Barões do Cercal (2). O noticiarista do Boletim do Governo considerou o pianista superior a Franz Liszt.(3)

Palácio Barão do Cercal-Palácio do Governo c. 1890Palácio do Barão do Cercal  /Palácio do Governador  a partir de 1883
c. 1890

(1) António Alexandre Bispo num trabalho publicado na Revista Brasil-Europa-Correspondência Euro-Brasileira aponta a data de 11 de Dezembro de 1863 (sexta feira, às 8.30 horas) para o concerto  histórico na residência do Barão de Cercal do pianista Rod Sipp em Macau. Pelo pormenor da descrição deste concerto, é de confiar ser esta data, a mais correcta.(4)
Mais refere que neste concerto terá sido apresentado também Emmarentia Anna Peter van der Hoeven (5) que executou com Rod Sipp, uma fantasia para piano da ópera Moisés, de Sigismund Thalberg (1812-1871), e obras a quatro mãos na abertura da primeira e da segunda parte do programa. Refere ainda este autor que no concerto tomou parte um tenor italiano que se encontrava de passagem em Macau de nome Grossi.
(2) Nessa data a residência  dos Barões do Cercal (pai e filho) na Praia Grande construída em 1849 pelo arquitecto macaense José Tomás de Aquino,  era pertença do 1.º Barão do Cercal (depois Visconde, a partir de 1865) Alexandrino António de Melo  que a mandou construir. O Palácio foi alugado ao Governo (contrato a 8 de Junho de 1875) pelo filho António Alexandrino, em representação Visconde do Cercal e vendido posteriormente pelo filho. Hoje o Palácio é sede do Governo da RAEM.
(3) GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954 ) e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Volume 3, 1995.
(4) Para melhor compreender a importância e a trajectória musical de Rod Sipp (“um dos primeiros nomes de pianistas de excelente formação e de renome internacional que actuaram na China”) bem como a sua biografia e as viagens que efectuou  aconselho a leitura do trabalho  de António Alexandre Bispo que contém o capítulo ” Apresentação em Macau na residência do Barão de Cercal
 Bispo, A. A. – “Judeus na internacionalização e profissionalização da vida musical em centros comerciais da Europa, das Américas e da China. O discípulo de Ignaz Moscheles (1794-1870) Rod Sipp, o D. Quixote do piano”. Revista Brasil – Europa: Correspondência Euro-Brasileira 137/13 (2012:3).
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Rod-Sipp.html
(5) Emmarentia Anna Peter, nascida em Batavia, em 1836, e falecida em Macau, em 1865. Filha de John Hendrik Peter e Maria Drost, recebeu em Batavia formação musical, alcançando elevado nível como pianista. Casou-se em 1836 em Batavia com Jan des Amorie van der Hoeven (1825-1877), que foi agente comercial da Sociedade de Comércio dos Países Baixos em Batavia, em 1826 e depois cônsul em Guangzhou, entre 1855 e 1866. O casal teve seis filhos, todos nascidos em Macau: Maria (1858), Jacoba (1860), Theodora Agatha (1861), Jan (1863), Henriette (1864), Herman (1865). Tendo Emmarentia falecido com apenas 29 anos, Jan des Amorie van der Hoeven casou-se em segundas núpcias, já em Leiden, com  Hermine Paulina Hubrecht (1843-1883).
Bispo, A. A. – “Emmarentia Anna Peter Van der Hoeven (1836-1865). O cultivo da música na tradição da burguesia de Rotterdam em Batavia e suas repercussões na China à época de revitalização do comércio das Índias Orientais Holandesas. Revista Brasil-Europa: Correspondência Euro-Brasileira 137/12 (2012:3).
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Emmarentia-Anna-Peter-Van-der Hoeven.html

NOTA POSTERIOR (11-12-2019): Ao folhear o semanário «Ta-Ssi-Yang-Kuo» de 1863, encontrei a notícia deste recital na casa do Barão do Cercal que afinal se realizou no dia 11 de Dezembro de 1863 (sexta-feira). Peço desculpas pelo engano e aqui fica a correcção.

Hoje é dia de S. Lourenço , comemorando a data da sua morte no dia 10 de Agosto de 258.  Complementando anteriores referências à Igreja de S. Lourenço, (1) recorro-me mais uma vez ao Padre Teixeira: (2)
Frei José de Jesus Maria diz que a Igreja de S. Lourenço foi erecta entre 1558 e 1560, isto é, logo após a fundação de Macau.: «Em o seguinte anno de 1558 até o de 60, achando-se já aqui alguns Padres da Sagrada Companhia de Jesus, como nos Memoriaes se acha escrito, com sua boa assistencia e idea entrarão a formar duas ou tres pequenas Igrejas de S. Lourenço e S. Antonio».

POSTAL J Victor Rosário 1983 Igreja S. LourençoPOSTAL – IGREJA DE S. LOURENÇO
Edição J. Victor do Rosário Jr. JV 014(1983)

A 18 de Novembro de 1576, o Padre Cristóvão da Costa, S. J. escrevia ao Padre Everardo Mercuriano, Geral das Companhia, acerca do ministério dos jesuítas em Macau: « três sacerdotes pregam na nossa igreja e na matriz, e tãbe hum dos irmãos a requerimento do Sôr bispo (D.Melchior Carneiro S. J.) vai declarar os artigos da fee a huma igreja curada aonde ha tãbem cõcurso aos domingos a tarde; chamão os nossos cõ cãpainha pola cidade, e faz a doutrina christãa, se fazem alguas exortações, isto assi na nossa igreja como na outra q. he de S. Lço. matir, cõcorre mta. gente principalmente da terra pera quem  se faz, temos tãbem huma escolha de ler, escrever de que hum irmão tem cuidado, de tudo polla bõdade de da (Deus) se tira fruito.» (2)
A Igreja foi reconstruída por quatro vezes: 1801 a 1803; 1844-1846 (sob a orientação do arquitecto macaense José Tomás d´Aquino); 1897-1898 (orientação do engenheiro Abreu Nunes, director das Obras Públicas) e em 1954.

Igreja S. Lourenço panfleto turístico DSTIGREJA DE S. LOURENÇO
Folheto Turístico da D. S. T. (princípios do século XXI)

A torre da igreja de S. Lourenço serviu nos primórdios do século XVII de prisão eclesiástica; ali esteve preso o subdiácono Paulo Teixeira, mas conseguiu evadir-se e refugiar-se no Colégio de S. Paulo. Frei Bento de Cristo (governador do bispado desde 4 de Agosto de 1640) a 2 de Janeiro de 1642, mandou o P. Gaspar Luís, S. J. que lho entregasse. Paulo Teixeira tentou evadir-se para Macáçar, mas foi apanhado e encarcerado numa cela do Convento de S. Francisco.” (2)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau. Volume I, 1997

Reuniram-se em assembleia vários moradores de Macau que elegeram uma comissão, composta de João Damasceno Coelho dos Santos, coronel João Ferreira Mendes, José Bernardo Goularte, José Maria da Fonseca, Francisco Justiniano de Sousa Alvim, Pedro Marques e José Joaquim Rodrigues Ferreira, para organizar uma sociedade de subscritores para a construção de um teatro. Até então todos os espectáculos de realizavam em «vistosos teatrinhos» (1) que se armavam na encosta de Mato-Mofino, que deita  sobre a Rua da Praínha; na porção do terreno da Praia do Manduco, depois ocupada pelo jardim do Barão de S. José de Portalegre; na Assembleia Filarmónica, (2)  que existia no largo de Santo António; no edifício do Hospital da Misericórdia; na residência do Juiz de Direito Sequeira Pinto; no «retiro campestre» de Santa Sancha, etc. teatrinhos esses que eram desarmados, uma vez dissolvidos os grupos de amadores que os animavam. Pensou-se, primeiramente, em instalar o teatro no edifício do Hospital S. Rafael. Tal ideia foi logo abandonada, pedindo a comissão ao governo o terreno do campo de S. Francisco, junto da rampa que conduz à entrada do quartel, pretensão esta que foi indeferida, sendo oferecida a cerca do extinto convento de S. Domingos. A Comissão, não gostando do local, requereu e obteve a 2 de Abril, o terreno do largo de S.º Agostinho (3). Correndo imediatamente a subscrição, em Macau e Hong Kong, o edifício do Clube e do Teatro D. Pedro V ficou quase concluído em Março de 1858, devido aos esforços do Cirurgião-Mor da Província, António Luís Pereira Crespo, Pedro Marques e Francisco Justiniano de Sousa Alvim. O risco e a direcção das obras foram da autoria do macaense Pedro Germano Marques (4) (5).

Teatro D. Pedro V 1907Fachada do Teatro D. Pedro V em 1907  (Foto de Man Fook)

Ao edifício delineado por Pedro Marques foi dado o nome de Teatro D. Pedro V, soberano então reinante; mas a actual fachada foi delineada pelo Barão de Cercal em 1873  (6) e restaurada em 1918 por José Francisco da Silva.
Situado no Largo de Santo Agostinho, em Macau, é um dos primeiros teatros de estilo ocidental na China.
Os Estatutos da Sociedade do Teatro D. Pedro V, foram aprovados a 20 de Abril de 1859 pelo Governador Isidoro Francisco Guimarães (o projecto de Estatuto apresentado pelo Secretário da Comissão Directora, Francisco Justiniano de Sousa Alvim tinha já sido publicado no Boletim Oficial de 6 de Novembro de 1858 ) (7) 
Em 2005, o teatro tornou-se um dos locais do Centro Histórico de Macau a figurar na Lista do Patrimônio da Humanidade da UNESCO.

Teatro D. Pedro V 1999Teatro D. Pedro V (伯多祿五世劇院) em 1999 (8)

(1) Em 1839, foi construído o teatro luso-britânico pelo arquitecto macaense José Tomás de Aquino.
(2) A 30 de Junho de 1853, deu-se uma récita nas casas da Filarmónica, em favor dos Expostos deste cidade.
(3) “26-11-1860 – Por Portaria Régia desta  data foi confirmada a concessão feita pelo governo provincial do terreno onde se edificou o Teatro D. Pedro  V. ” (7)
(4) Nasceu em 1799, exerceu o cargo de escrivão da Câmara (não era arquitecto nem engenheiro, mas tinha engenho e arte) e faleceu viúvo, a 15 de Dezembro de 1874, com 75 anos. Está  sepultado na Igreja de S. Agostinho (7)
(5) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(6) “17-03-1865 – Incendiou-se, pela madrugada, o Teatro D. Pedro V, mas o fogo foi rapidamente extinto, tendo apenas ardido parte duma janela. ” (5)
30-09-1873 – Reabriu, restaurado, o Teatro D. Pedro V, com Estatutos aprovados por Portaria de 10 de Fevereiro deste ano”  (7)
(7) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)
(8) http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Dom_Pedro_V_Theatre_in_Macau.jpg

Nesta data, foram abertas ao público as instalações do Museu Luís de Camões, no Palacete de Santa Sancha” (1).
Opinião do Padre M. Teixeira ” Tudo isto, improvisações de momento, sem um plano de conjunto, ao sabor do capricho governamental” (2).

E tinha razão o Padre Teixeira pois devido à falta de espaço no Leal Senado onde se encontrava a secção histórica do Museu, tornou-se necessário arranjar rapidamente outras instalações e como o Palacete de Santa Sancha tinha sido considerado impróprio e supérfluo para residência de verão da primeira autoridade da província, pelo Governador António José Bernardes Miranda (3) e  estava vaga, foi para aí que se transferiu o Museu.
Mas por pouco tempo pois o Governador seguinte, Tamagnini Barbosa, na 2.ª vez que governou Macau (1926-1930), escolheu Santa Sancha para sua residência permanente (4) e desde aí passou a ser residência dos Governadores.

Santa SanchaPostal (princípio da década de 60) (Foto de Chi-Woon Kong)

Pela Portaria n.º 221, datada de 5 de Novembro de 1926, era criado, pelo Governador interino e Director das Obras dos Portos, Almirante Hugo de Lacerda, um mostruário de produtos nacionais de Portugal Continental e Ultramarino, especialmente de Macau e Timor, com carácter comercial, abrangendo uma secção de museu da Colónia e a colecção de exemplares de Comissão de Pescarias, sob o nome de Museu Comercial e Etnográfico «Luís de Camões». Para este Museu vieram também os artigos da Exposição Industrial e Feira de Macau realizado nesse mesmo ano (7 a 12 de Novembro de 1926). O museu ao longo dos anos, esteve em vários locais: Palacete da Flora (secção comercial e etnológica até 1931),  Leal Senado (secção histórica até 1936), rés do chão da Santa Casa da Misericórdia (secção comercial e sacra), Inspecção dos Serviços Económicos (em 1933). Finalmente, em 1940,  o Museu passaria para a chamada Casa Garden, junto ao jardim de Camões (por sua vez vendida em 1989 à Fundação Oriente para sua sede), mas só reaberto ao público em 1960, com a denominação « Museu Luís de Camões»,  sendo seu conservador Luís Gonzaga Gomes (nomeado a 8 de Dezembro de 1938) (5). Foi depois renovado em 1980 (curador: António Conceição Júnior de 1978 a 1997)

Museu Luis de CamõesPostal (1960) (Foto de C.M, Kong) (6)

O Palacete de Santa Sancha foi edificado pelo arquitecto macaense José Tomás de Aquino no bairro de Santa Sancha (7), antigamente conhecida pelo Tanque do Mainato, no ano de 1846. O mesmo arquitecto abriu a estrada desde as portas de Santa Sancha até à praia. Foi arrendado em 1884, às Missões Estrangeiras de Paris, (MEP). Os Padres das M.E. de Paris tiveram em Macau a sua primeira casa de repouso que depois passou para Hong Kong , tomando no nome da «Casa de Nazaré».
No Boletim das Missões Estrangeiras, n.º de Novembro de 1924: “pensou-se em Macau, onde se achava, para alugar, uma propriedade ou vila portuguesa, chamada Santa Sancha. Situada à beira-mar, na extremidade oriental da Praia Grande e perto da Igreja de S. Lourenço, comportava o local necessário para uma instalação, ao menos provisório: capela, refeitório, quartos para padres, sala para a imprensa, então bem modesta quanto ao pessoal e quanto ao material. Os trabalhos da organização terminaram no mercado do mês de Dezembro (1884) e no dia 17, às 4h p. m. a recitação em comum do Ofício Divino, começava pelas primeiras Vésperas…(…). O trabalho da impressão começou logo, e o primeiro opúsculo saído dos prelos foi, segundo o desejo do superior, uma obra eminentemente sacerdotal: Mensis Eucaristicus do P. Lercari, S. J.” (2).

Palacete Santa SanchaPalacete de Santa Sancha em 1985 (Nam Van n.º 19, 1985)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau. Direcção dos Serviços de Turismo e Comunicação Social, S/ data, 53 p.
(3) O Governador António José Bernardes Miranda (1932-1935) destinou o Palacete a um hospício pediátrico, denominado Hospital Infantil de Santa Sancha que foi inaugurado a 13 de junho de 1934 mas foi encerrado a 15 de Março de 1936, por ordem do Governo Central, sendo os doentes removidos para a Enfermaria da «Vila Branca» (2)
(4) Artur Tamaginini de Sousa Barbosa faleceria neste mesmo Palacete no dia 19 de Julho de 1940, durante o seu terceiro mandato como Governador (1937-1940). Também faleceu neste Palacete a 4 de Junho de 1930, António Patrício, ministro de Portugal na China. Estava de passagem por Macau a caminho para Beijing, afim de assumir o seu cargo na Legação Portuguesa.
(5) GOMES, Luís G. – Museu Luís de Camões. Imprensa Nacional, 1973, 57 p.
(6) Embora no postal conste o nome de C. M. Kong, creio tratar-se de um lapso pois a foto é do fotógrafo Chi Woon Kong.
(7) O Bairro de Santa Sancha, outrora, do Tanque do Mainato abrangia a área situada a leste pela Colina da Penha, ou seja, a actual Rua do Comendador Kou Ho Neng, as Calçadas da Praia e das Chácaras (ambas, hoje já não são calçadas) e parte da Estrada de Santa Sancha. O chineses designaram essa área pelo nome de Chôk Chai Sat (Chácara dos Bambus Pequenos) porque nessa área das chácaras havia alguma com bambus pequenos. (2)