Archives for posts with tag: José Rodrigues Coelho do Amaral

Com a presença do governador de Hong Kong, Reginald Stubbs, no dia 7 de Dezembro de 1920, foi lançada, em Hong Kong, pelo Governador de Macau, Capitão-Tenente Henrique Monteiro Correia da Silva  (governador de 23-VIII-1919 a 20-V-1922) a pedra fundamental, para a construção do novo Clube Lusitano (desenhada por A. G. Hewlitt) em Shelley  Street.  (1) (2)

CLUBE LUSITANO HK 1866-1920Club Lusitano em Shelley Street 1866 – 1920
http://oceandeeop3000.blogspot.pt/2013/07/1.html

O Clube Lusitano foi fundado em 26-12-1865 por portugueses que estavam radicados em Hong Kong, e por iniciativa de dois macaenses  J. A. Barretto (de origem goesa) e Delfino Noronha, que foram trabalhar para Hong Kong e foram   bem sucedidos nos negócios aí realizados. O Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (governador de 22-VI-1863 a 1866) que sugeriu o nome «Lusitano», correspondendo à moda de então (por exemplo o clube dos alemães chamava-se «Germania Club ») (2)  presidiu, em Hong Kong, à festa solene da colocação da primeira pedra do edifício do Clube Lusitano. (1) (3)
O primeira edifício/ sede do Clube, em Hong Kong, foi  inaugurado a 17 de Dezembro de 1866, com a presença do Governador José Maria da Ponte e Horta (26-X-1866 – 1868). (1) (4)
O Clube Lusitano desempenhou um papel primordial com a invasão japonesa no natal de 1941.
Foi sede/quartel de duas companhias de voluntários perante a ameaça japonesa e centro de refugiados dos portugueses aquando da invasão e antes da sua retirada para Macau e centro de acolhimento aos que continuaram em Hong Kong durante a guerra.
Embora muitos vieram com a sua família para Macau, alguns permaneceram em Hong Kong na Resistência. Caso de Carlos Henrique “Henry” Basto que foi preso quando estava a jogar bridge no Clube Lusitano. Acusado de espionagem usando a terminologia do jogo do bridge para passar informação, foi decapitado pelos japoneses. (5)
Recorda-se que o Corpo de Defesa Voluntários de Hong Kong que estiveram na defesa da Colónia (queda de Hong Kong em 25 de Dezembro de 1941) estavam cerca de 300 portugueses. Morreram 26 na defesa da Colónia e os restantes foram para o Campo de Prisioneiros de guerra de Shumshuipo e alguns deles, depois transferidos para os campos de trabalhos de Sendai, no Nordeste do Japão.
CLUBE LUSITANO HK 1966Futuramente, nova sede, seria iniciada em 17 de Dezembro de 1966 (cem anos após o lançamento da primeira pedra da sede de Shelley Street) em Ice House Street, Central de Hong Kong, com o projecto de Alfredo Álvares. O Clube Lusitano ocupa cinco andares do edifício.
(1) A informação desta notícia aponta o novo Clube Lusitano situado em Dudell Street.
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954; SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995
(2) O Clube Lusitano, em 1920, mudou-se para Ice Street, Central. As instalações de Shelley Street foram vendidas a bom preço mas a gerência socorreu-se ainda de um empréstimo de 160 mil dólares de HK ao governo de Macau (, Luís Andrade de – The Boys From Macau, Portugueses em Hong Kong, 1999)
(3) Boletim do Governo de Macau, de 1 de Janeiro de 1866 : “No dia 26 de Dezembro último, foi S.Exª. o Governador a Hong Kong presidir à festa solene da colocação da primeira pedra do edifício que ali se vai erigir para um clube português, com o título de Clube Lusitano. Sua Exª o governador foi de Macau, acompanhado pelo seu estado maior, e foi recebido em Hong Kong pelos cavalheiros da comissão directora do referido club, estando no cais, para o mesmo fim, o general das forças britânicas em Hong Kong, e uma guarda de honra de infantaria 9, salvando-se ao desembarque de S.Exª. com a salva que lhe competia. A festa, a que assistiram todos os principais funcionários ingleses, e a maioria dos portugueses residentes na colónia, correu sumptuosa e brilhante. S.Exª. o governador partiu de Hongkong penhorado por tantas atenções de consideração como as que recebeu na curta demora que teve naquela cidade. Depois da cerimónia que correu com as devidas formalidades, serviu-se um esplêndido ‘lunch’, no qual se fizeram vários brindes, todos com entusiasmo recebidos. Os primeiros foram a S.M. a Raínha Vitória e a S.M. El-Rei o sr. D. Luiz. Damos sinceros parabéns aos sócios do novo club pelo bem que correu esta festa, de muito alcance, e pela dignidade com que se houveram em acto tão solene”.
Retirado de ARESTA, António: http://jtm.com.mo/opiniao/curiosidades-da-historia-de-macau-seculo-xix-2/
(4) Segundo Luís de Sá, o Clube Lusitano foi fundado no dia  17 de Dezembro de 1866, com um magnifico baile na sua sede de Shelley Street, em Hong Kong. Com a inauguração do clube, numa cerimónia  que contou  com a presença do governador de Macau, Coelho do Amaral, (erro, o governador era José Ponte e Horta)  e do representante do governador de Hong Kong, W. T. Menger, os portugueses passaram a ter o seu primeiro teatro, no interior da sede….  (SÁ, Luís Andrade de – The Boys From Macau, Portugueses em Hong Kong, 1999 pp. 86-87).
(5) SILVA, António M. Pacheco Jorge da – The Portuguese Community in Hong Kong. Instituto internacional de Macau, 23 p.  2011.

31 de Julho de 1918 —A Repartição dos Serviços de Saúde reclama contra a utilização, pelo público, da água da Fonte da Solidão” (1)

Fonte da Solidão década de 50FONTE DA SOLIDÃO – década de 50 – já nessa altura a fonte estava seca

O abastecimento regular da água potável à cidade de Macau foi sempre, no passado, um problema  de difícil resolução especialmente nos anos de maior seca, sendo a cidade muito pobre em águas potáveis e os veios que forneciam o caudal necessário para os poços, estavam quase todos ao nível do mar. (2)
Nessa data, a canalização existente para a cidade era de água salgada implementada pela primeira rede em 1912  (3)

Fonte da Solidão 2015 - IA fonte actualmente, 2015

Desde cedo,  a fonte de solidão está referenciada como de “água cristalina e boa”.
“Verificou-se em 1882, em grande parte, este importante melhoramento higiénico, devido à determinação do governo da província e à execução pronta e inteligente do actual director das obras públicas. Assim, uma poça lamacenta, que tinha por baixo a dois metros e meio uma veia de água, e de que se tirava em mais de um quarto de hora uma dada 283 porção de um líquido turvo, transformou-se numa fonte que fornece hoje em dois minutos a mesma quantidade de água cristalina e boa. Foi também aproveitada na estrada de Cacilhas outra nascente de água, que havia sido explorada no tempo do governo do conselheiro Coelho do Amaral e depois abandonada, a qual fica do lado oposto àquele em que brota a primeira fonte e a denominada da Flora que também foi melhorada.” (4)

Toponímia Estrada de CacilhasCom os trabalhos de aterro do Porto Exterior iniciados em 1921 (a Estrada da Solidão, hoje Estrada de Cacilhas era banhada pelo mar) e terminados em 1926, as águas que brotavam da Fonte da Solidão foram-se extinguindo (5) e depois com o traçado e as obras para o circuito da Grande Prémio de Macau iniciados em 1954, a fonte foi em parte enterrada e hoje, a parte superior da fonte está parcialmente escondida (permanentemente) pelas “barreiras de pneus” colocadas no circuito.

Fonte da Solidão 2015 - IIAs «barreiras», a fonte e o paiol antigo («de cima»)

Na verdade ,com a “construção” do paiol (princípios de 50) denominado «de baixo» (junto à Estrada, para diferenciar do Paiol «de cima» que estava num piso superior à fonte), descobriu-se outro veio no seu interior, de água límpida e bebível e que, nos anos de maior chuvas, corria abundantemente para fora sendo local de paragem de muita gente que com os garrafões iam aí buscar a água para beberem (décadas de 50 a 70).
Como a Estrada de Cacilhas até à década de 60 não tinha água canalizada, desde o meu nascimento até à minha saída de Macau, cresci bebendo  a água do Paiol.

Paiol de CimaO Paiol «de Cima»,  com a escada de acesso (infelizmente mal conservada) e a rampa feita muito mais tarde para acesso da carga e descarga de armas, munições e explosivos (por força de lei, as empresas que lidavam com  explosivos empregues em trabalhos particulares eram obrigadas a terem esse material depositados no Paiol). À direita, a Fonte da Solidão.
Paiol de baixoO Paiol «de baixo», actualmente em utilização, com o posto de vigia em cima do pequeno muro /forte de protecção da entrada (construído na década de 60)

(1) Arquivo Histórico de Macau, F.A.C. P. n.º 42 — S-A in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol.4, 1997.
(2) 1883 — “É Macau excepcionalmente pobre em águas, sobretudo em águas potáveis, porque os numerosos poços que abastecem a população vão procurar uma veia quase ao nível do mar formada por águas de infiltração sempre mais ou menos salobras, carregadas de matérias orgânicas, e portanto impróprias para beber, vindo assim a pouca pureza da água juntar mais um elemento de insalubridade a tantas outras que são inevitáveis nas grandes aglomerações de indivíduos.” (4)
“O fornecimento de água às populações era feito através de inúmeros poços públicos e privados, cisternas e depósitos nas casas para recolha da água das chuvas, fontes e, em especial, durante a estiagem, por meio de barcaças portadoras de água proveniente da ilha da Lapa mas a falta de higiene nesses poços e cisternas  e as veias que fornecia llevava muitas vezes á perigosidade para a saúde pública(MACHADO, Álvaro de Melo – Coisas de Macau, 1913.

Fonte da Solidão 2015 - III

Os poços, numa cidade como Macau, onde o problema da água se põe, sempre com grande acuidade, eram um dos índices de estatuto social dos seus habitantes. A fonte que servia Macau era a Bica do Nilau ou Lilau, situada na colina da Barra (S. Lourenço) onde também havia, no século passado, um grande poço público fronteiro à Igreja (que Chinnery registou num belo desenho). Extramuros havia boas nascentes, na Flora, outra na Guia (Fonte da Solidão). Mais tarde foi construído um chafariz na Rua do Campo, próximo dum antigo veio de água, de que só alguns velhos documentos falam e que veio a desaparecer. (AMARO, Ana Maria — Das Cabanas de Palha às Torres de Betão, 1998, pág. 85.)
1908 — A partir do processo n.º 29 da Secretaria Geral do Governo da Província de Macau, de 1 de Outubro de 1908, relativo à análise das águas de Macau e Ilha da Taipa, elabora-se o seguinte quadro das fontes, poços particulares, poços públicos e de exploração, então existentes. Dada a dificuldade pela falta de nascentes, de abertura de fontes e poços, é provável que esta lista datada de 1908, coincidisse ou quase com os existentes nos finais do século XIX. Os valores quantificados quanto ao número de fontes e poços da presente lista de 1908, ficam muito aquém dos apontados no extracto anterior, só para as freguesias de Santo António, Sé e S. Lourenço, relativo ao ano de 1905; tal poderá ser talvez explicado pelo facto de, quase todas as casas possuírem “poço” embora quase todos, não sendo de nascente, se limitassem à simples recolha da água das chuvas e por isso mesmo, a sua designação mais precisa deveria ser a de cisternas. Fontes: Fonte da Avenida Vasco da Gama, Fonte da Inveja, Fonte da Flora Fonte das duas caras — chafariz da Flora, Fonte do Lilau, Fonte da Solidão e Fonte da Guia” (4)
Fonte da Solidão 2015 - IV(3) “1912 — (VII-30) — Termina o prazo de entrega das propostas para fornecimento e instalação de máquinas elevatórias de água, e canalização desde a praia da Vila Leitão aos reservatórios da Guia. A água era salgada e servia para rega das estradas e combate a incêndios. Foi a primeira rede de águas de Macau” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4, 1997)
Como política de higienização urbana, foi considerado na altura como solução radical a limpeza da cidade a partir duma rede de água salgada prevista desde 1909, mas só concretizada depois de 1912; diga-se que foram notáveis os efeitos desta solução na desratização urbana e no combate à peste.” (4)
(4) AFONSO, José da Conceição – Macau, contributos para a história do abastecimento de água potável. Administração, 75, vol XX, 2007, 1.º, 281-199.
http://www.safp.gov.mo/safppt/download/WCM_004505
(5) “Logo de começo ainda antes de elaborar o anteprojecto de Obras do Porto Exterior, foi, planeado por esta Direcção uma captação vulgar de aguas pluviais, na Colina Este da Guia, que na parte considerada podia produzir cêrca de 20.000 m3 por ano para o porto e bem assim o aproveitamento da Fonte da Solidão que tem sido praticamente desaproveitada, ficando a agua com bastante carga para ser distribuída em elevação e podendo a obra ser feita a expensas do Conselho de Administração das Obras dos Portos; mas com a resolução atraz dita, cabia esse trabalho á Direcção de Obras Publicas e esta intendeu por melhor estender ali o sistema que estava empregando na face Oeste da Guia, isto é de provocar maior infiltração por meio de canais horizontais permeáveis, e quanto ás aguas da Fonte de Solidão decidiu canalizá-las para a cidade pelo túnel que foi aberto; tendo então sido prometido que o volume de 20.000 m3 seria fornecido pelo grande manancial que fôra descoberto em camada profunda do subsolo na baixa de Monghá; mas vê-se agora que as esperanças neste manancial não eram tão bem fundadas pelo menos quanto ao processo de captação propriamente dito e o abastecimento de agua ao terreno do porto ficou assim de alguma forma prejudicado.” LACERDA, Hugo C. de –  Obras dos Portos de Macau/Memorias e Principais documentos desde 1924.
Outras referências anteriores  ao abastecimento de águas em Macau.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/06/12/noticia-de-12-de-junho-de-1915/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/s-a-a-m/
NOTA : Todas as fotografias coloridas, do arquivo pessoal, de Maio de 2015.

Continuação da publicação das fotografias deste pequeno álbum (1)

“SOUVENIR DE MACAU”

Souvenir de Macau 1910 Guia e o Farol“A MONTANHA DA GUIA E O FAROL” (à esquerda, em primeiro plano, a casa “Silva Mendes”)

“THE GUIA FORT

The Guia Fort is one of the most conspicuous objects in a landscape whore nearly very thing seeins conspicuous. lt crowns the Guia Hill and is approached by a zig-zag path from the Gap. Within its enclosures is an old chapel, containing old graves and opened once a year when a proces sion ascends to it. The lighthouse is also within the walls of this fort, The light is a revolving one going by clock- work, the works being wound up by two convicts, who have a cell for their incarceraton within the fort. The Guia Fort was built in A. D. 1637 and the lighthouse in 1865.There is a small chapel in the Guia Fort the ermida da nossa senhora da Guia, or Neves.”(2)

 O Farol da Guia foi custeada pela comunidade estrangeira de Macau tendo à testa o comerciante H. D. Margesson que tinha a sua firma na Rua Central n.º 17. Construído sob a direcção do governador José Rodrigues Coelho do Amaral, sendo o hábil macaense, Carlos Vicente da Rocha, o autor do engenhoso maquinismo que funcionava com um candeeiro de petróleo e acendeu-se pela primeira vez a 24 de Setembro de 1865. (3)

Souvenir de Macau 1910 Praia da Guia“PRAIA DA GUIA” (em primeiro plano, a rua empedrada que dava acesso ao Hospital Militar Sam Januário)

Ampliação Mapa 1921 -Tellurologie et ClimatologieAmpliação do mapa de 1921, anteriormente publicado (4)
Localização da Praia da Guia (C)
Outros pontos de referência no mapa: n.º 19 – Fortaleza de S. Paulo do Monte; n.º 20 – Jardim de S. Francisco; n.º 21 – Grémio Militar; n.º 22- Quartel de S. Francisco;
n.º 23: Observatório Meteorológico; n.º 24 – Farol/Fortaleza da Guia;
n.º 25: reservatório de água n.º 26: Jardim da Flora;
n.º 27: Quartel e Monumento da Vitória;
n.º 29 – Monumento e Avenida de Vasco da Gama; n.º 30 – Cemitério de S. Miguel;
n.º 31 – Cemitério dos Parses.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(2) BALL, J. Dyer – Macao the Holy City: the gem of the Orient Earth.1905.
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol I, 1997.
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/06/01/leitura-tellurolo-gie-et-climatolo-gie-medicales-de-macao/

No dia 10 de Março de 1865, o Comendador Lourenço Marques, em nome dos cidadãos portugueses residentes em Xangai (Shanghai), ofereceu ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (1) um bastão feito na Inglaterra, para comemorar a sua passagem por esta cidade em Junho de 1864. (2)

Foi um governador com grande iniciativa e de extraordinário dinamismo.
“ … Foi Isidoro Francisco Guimarães que pela sua grande obra que em Macau realizou (agraciado com o título de visconde de Praia Grande) vertebrando a economia de Macau com sólidas e oportunas medidas, que proporcionou ao seu sucessor, o conselheiro José Rodrigues Coelho do Amaral os meios necessários para as notáveis obras de fomento que este realizou em Macau, pelo que o seu nome se encontra perpetuado na estrada que mandou abrir, distinguindo-o a edilidade com o título de Cidadão Benemérito.
…. Aproveitando bem o numerário que o seu antecessor lhe havia deixado nos cofres públicos, e os rendimentos já superiores que então recebia a fazenda, fez desapparecer as portas da cidade; ligou por bons caminhos o bairro christão com o china e os diferentes bairros entre si; alargou os limites da cidade; alterou todo o systema de viação; construiu pontes; abriu novas ruas; e, começando a rua «Marginal», que deixou adiantada, estabeleceu uma das principais artérias de circulação da cidade.” (3)

Em 24 de Junho de 1866, seria o corpo de Voluntários de Hong Kong a oferecer em Macau uma espada ao mesmo governador Coelho do Amaral como sinal de reconhecimento, pela cordial recepção que teve nesta cidade, na sua visita, em 19 de Novembro de 1864. (4)
Em vésperas de regresso à Metrópole, foi alvo duma imponente manifestação de despedida, oferecendo-lhe a província de Macau um brilhante baile nas salas do Teatro D. Pedro V, em 15 de Outubro de 1866, ao qual assistiu o enérgico e insigne Governador de Hong Kong, sir Richard Graves Macdonell (e esposa) que no seu extenso e eloquente brinde, se referiu à «amizade de bom irmão» vindo assistir (4)
Tem uma Estrada, uma Rua e uma Travessa com o seu nome: Coelho do Amaral.
A Estrada de Coelho do Amaral começa na Estrada do Repouso, em frente da Rua Coelho do Amaral, e termina na Av. do Coronel Mesquita, entre os prédios n.ºs 73 e 75.O troço desta estrada que vai desde a Avenida de Horta e Costa até à Avenida do Coronel Mesquita teve, primitivamente a designação de Estrada de Mong Há.

José Coelho do AmaralO Governador José Rodrigues Coelho do Amaral com o bastão
(Galeria dos Retratos do Leal Senado)

(1) José Rodrigues Coelho do Amaral (1808-1878) assentou praça na Armada com 17 anos de idade e passou depois para o exército (Corpo de Engenharia) em 1834. Foi um dos primeiros professores da Escola do Exército em 1837. Governador de Macau, nomeado a 7 de Abril de 1863, tomou posse a 22 de Junho; era simultaneamente ministro plenipotenciário de Portugal nos reinos de China, Japão e Sião. Governou Macau até 26 de Outubro de 1866). Em 17 de Julho de 1865, o coronel de engenharia José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau foi promovido ao posto de general de brigada. (4)
Foi posteriormente, ministro da Marinha (1868), Governador de Angola, Moçambique (1870) onde faleceu em 1878 estando sepultado na ilha de Moçambique.
(2) Revista «Mosaico». n.º 7,  indica a data de 09-03-1865,  mas o próprio Luís G. Gomes na sua “ Efemérides da História de Macau” corrige e refere 10 de Março de 1865.
(3) GOMES, Luís G. – Notícias de Macau, em 19-09-1965.
(4)(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).

O Leal Senado reunido em sessão no dia 5 de Fevereiro de 1842, pronunciou-se contra a ideia de demolir o Convento e Igreja de S. Francisco, que tinha contígua a ela o «Campo Santo de Pública Devoção». A ideia partiu do Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, (1) que já andava desde 1839 a diligenciar nesse sentido, para edificar aí o palacete residencial. (2)

No entanto, tal veio a acontecer,   com a autorização do Ministério da Marinha e Ultramar, a 30 de Março de 1861, iniciou-se a demolição do Convento, para no seu lugar, construir-se o quartel para o Batalhão de Macau (Forte de S. Francisco) finalizado só em 1866 (3)

Macau Cidade do Nome de Deus na China Franciscan Church MacaoFranciscan Church Macao” (4)

 (O convento/mosteiro de S. Francisco à esquerda e no fundo, os degraus para a igreja de S. Francisco)

Comparar com uma pintura (lápis sobre papel, sem data) de George Chinnery (1774 – 1852) que chegou a Macau em 1825.

IMAGENS DE CHINNERY - Igreja de S. Francisco

(1) O Major de Infantaria Adrião Acácio da Silveira Pinto foi Governador e Capitão Geral de Macau de 23-02-1837 a 02-10-1843. Em 10-10-1843 (já como conselheiro) foi nomeado Embaixador de Portugal, para tratar com os Plenipotenciários Chineses sobre a existência política de Macau. Partiu de Macau para Cantão a 27-10-1843 para negociar com os comissários chineses (Vice-Rei Ki-Yin). Faleceu em Lisboa, no posto de Marechal em Campo, aos 23 de Março de 1868.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9).
(3) Embora esteja referenciada por Luís Gonzaga Gomes no seu «Efemérides da História de Macau», a data de 30-03-1851 para a autorização da demolição do convento, Beatriz Basto da Silva na sua «Cronologia da História de Macau, 3.º Volume» tem duas entradas para a mesma notícia: 30-03-1851 e 30-03-1861. Esta última data será a mais correcta, pois é mencionado que o desenho do quartel e do forte de S. Francisco, no lugar do antigo edifício, é da autoria de José Rodrigues Coelho do Amaral (militar do ramo da engenharia – 1808-1873) e que também dirigiu as obras. O mesmo tinha sido Governador de Angola de 1854 a 1860 e foi depois Governador de Macau de 22-06-1863 a 25-10-1866.
Mais informações sobre o Convento/Igreja e o governador Coelho do Amaral em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-m-coelho-de-amaral/
(4) Publiquei este mesmo desenho, retirado do livro do Padre Teixeira em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/03/noticia-de-3-de-janeiro-de-1864-festejos-em-macau/
Esta retirei-a do livro de Eduardo Brazão; está referenciada como de 1831, da colecçção de Duarte de Sousa (ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/24/leitura-macau-cidade-do-nome-de-deus-na-china-nao-ha-outra-mais-leal/
A colecção do bibliófilo e livreiro António Alberto Marinho Duarte de Sousa (1896-1950) foi adquirida pelo Estado Português em 1951 e depositada, como património nacional, na antiga Biblioteca do Secretariado Nacional de Informação, no Palácio Foz (actualmente inactiva). Foi posteriormente transferida para a Biblioteca Nacional. É constituída por 2500 obras dos séculos XVI a XX.
(http://www.gmcs.pt/palaciofoz/pt/biblioteca).

Realizou-se um baile, no Teatro D. Pedro V, dedicado pelos seus habitantes de Macau ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral, (1) tendo o Governador de Hong Kong, sir Richard Graves Macdonell (2) e esposa vindo assistir, em agradecimento pelos actos de Coelho do Amaral para com a Colónia Inglesa. (3)

(1)   José Rodrigues Coelho do Amaral (1808-1873) foi governador de Macau de 22-06-1863 a 25-10-1866. A 26-10-1866, tomou posse do cargo de Governador o Conselheiro José Maria da Ponte e Horta.
O Conselheiro José Rodrigues Coelho do Amaral partiu no dia 30-10-1866, na canhoneira a vapor «Camões», tendo recebido dos habitantes as mais calorosas demonstrações de espontâneo agradecimento pelo bom governo que fez. (4)
(2)   Sir Richard Graves Macdonell (1814-1881), foi governador de Hong Kong de 19-10-1865 (segundo wikipédia) a 1972.
Beatriz Basto da Silva aponta a data da chegada do governador a Hong Kong (4)
“11-03-1866 – Desembarca em Hong Kong o Governador daquela colónia , Sir Richard Graves MacDonell, que granjeou as maiores simpatias da comunidade portuguesa ali residente.”
(3)   GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(4)   SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p. (ISBN 972-8091-10-9)

FOTO RETIRADA DE (1)

Foi em 24 de Setembro de 1865 que se acendeu, pela primeira vez, o Farol da Guia, oferecido pelo Governador José Rodrigues Coelho do Amaral pela comunidade estrangeira de Macau chefiada por H. D. Margesson. Foi o primeiro farol, na costa da China.
O farol foi construído pelo macaense Carlos Vicente da Rocha, sob a direcção pessoal do Governador. Hoje e segundo (1) a torre, de alvenaria de pedra, em forma de tronco de cone, tem 13,5 metros da base à cúpula. A base do farol tem um diâmetro de 7 m que se estreita até aos 5 m  no topo. A torre tem três andares e tem uma escada em espiral no interior que permite o acesso à lanterna. No início era alimentado a petróleo, depois, a óleo de coco e desde 1909, energia eléctrica.
O Aviso aos navegantes, datado de 2 de Outubro de 1865, está assinado pelo Capitão do Porto de Macau, João Eduardo Scarnichia e tem o seguinte teor:
«Desde a noute de 24 do mez passado se começou a acender na fortaleza de Nossa Senhora da Guia, da cidade de Macau. O pharol está na latitude de 22 11´ N e na longitude de 113  33´ de Greenwich. A elevação da luz é de 101,5 metros acima do nível do mar, nas mais altas marés de tempo calmo. A torre do pharol mede 13,5 metros da base à cúpula, tem forma octogonal e é pintada de branco. A lanterna é vermelha. A luz é branca e rotatória, fazendo um giro completo em 64´´ de tempo. Pode ser vista a 20 milhas, em tempo claro….»

POSTAL DE 1996 “Vista nocturna da Fortaleza da Guia(2)

ESTE POST É DEDICADO – UMA SINGELA HOMENAGEM – A UM FAROLEIRO QUE DURANTE MUITOS ANOS SE DEDICOU AO FAROL DA GUIA- CABO GUILHERME.

Dados colhidos de
(1)  http://pt.wikipedia.org/wiki/Farol_da_Guia_(Macau),
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9) e
FERNANDES, Diogo – Farol da Guia: uma luz no Oriente in NAM VAN, n.º 16, 1985, pp. 23-26
(2) Emitido pela Direcção dos Serviços de Turismo, impresso na Tipografia Seng Si 12.96- 10.000 ex.

“…Mas prosigamos, que a via dolorosa das nossas relações  com o Império do meio tem ainda outros marcos milliarios a attestarem o inqualificável desleixo e o abastardamento da passada energia dos governos portuguezes.
               Mais tarde um outro governador de Macau, Izidoro Guimarães, tambem official superior da marinha, conseguiu negociar um tratado com a China, em que era reconhecida a nacionalidade portugueza de Macau. N´um dos artigos dizia-se expressamente: Macau antigamente (jadis) na província de Cantão.
               Dois annos depois, ao fazer-se a troca dos exemplares do tratado para a sua ratificação, o novo governador de Macau e ministro penipotenciario de Portugal, o coronel de engenharia José Maria Coelho do Amaral passou por novo desaire.
               Salvo erro, as ratificações trocavam-se em Pekim; era secretário da  missão o fallecido publicista Marques Pereira, a quem já me referi, e de memoria cito o que a tal respeito se encontra na sua obra.
               Ao confrontarem-se as copias, notou Coelho do Amaral que no documento assignado pelo imperador da China faltava, na versão franceza authenticada pelos sinologos a palavra jadis.
               Reclamou immediata e energicamente, e após os rodeios, as hesitações, as condolencias suaves, em que a diplomacia celeste é mestra, o plenipotenciario china acabou por declarar que Macau, não podia ser considerado portuguez.
               Coelho do Amaral, erguendo-se arrebatadamente, exclamou indignado:
               – Pois se não é portuguez, vão lá conquista-lo!
               E abandonou o pavilhão em que se achavam.” (1)
 
(1) D´AVILA, Arthur  Lobo – MACAU. Revista Serões, n.º 60, Junho, 1916, pp.458-464

Artur Eugénio Lobo d´Ávila (Lisboa 1855-Lisboa 1945) (ou Arthur Lobo d’Ávila, como assinava) é filho de José Maria Lobo d´Ávila (1817-1889) que foi governador de Macau e ministro plenipotenciário na China de 7 de Dezembro de 1874 a 30 de Dezembro de 1876,  tendo acompanhado o pai  em Macau. Regressando a Portugal, matriculou-se no curso superior de Letras, sendo classificado com distinção nas cadeiras de história, literatura e filosofia. Trabalhou como primeiro escriturário da Caixa Económica Portuguesa, aposentando-se em Maio de 1896. Foi romancista, ensaísta e dramaturgo. Ocupou cargos diplomáticos até 1877.
Foi um intenso colaborador em diversos periódicos.  A sua actividade como dramaturgo e romancista intensificou-se na primeira década do século XX. Obras:
1898 – A Descoberta e Conquista da Índia pelos Portugueses
1902 – O Reinado Venturoso
1902 – Os Caramurús
1904 – Os Amores do Príncipe Perfeito (inicialmente saiu em folhetins no Diário de Noticias em 1901 e 1902
1911  – As Loucuras de D. João V, publicado originalmente em folhetins no Diário de Notícias no início de 1920 com o título «O Rei Magnífico»
1926 – A Verdadeira Paixão de Bocage, em parceria com Fernando Mendes
Esta biografia foi compilada dos apontamentos  de
http://pedroalmeidavieira.com/?p/785/1089//A/1670/
Sobre o valor literário de Lobo d´Àvila , sugiro leitura de “Arthur Eugénio Lobo de Ávila ou o romance ao serviço da história” por José Adriano de Freitas Carvalho (Univ. do Porto) em
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6793.pdf