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A sagração episcopal de D. Arquimínio da Costa realizou-se a 25 de Março de 1976.
A nomeação do novo bispo de Macau, na pessoa do Padre Arquimínio Rodrigues da Costa (1) pelo Papa Pauli VI, veio preencher a vaga deixada pelo falecimento de D. Paulo José Tavares. A notícia do acontecimento, foi transmitida em 21 de Janeiro de 1976, pela Rádio Vaticano e foi recebida pela população católica de Macau com manifesto regozijo, dada a simpatia que o nomeado desfrutava em Macau.

O novo prelado dá entrada na Sé Catedral

A Sé Catedral vestiu as suas melhores galas pera receber o seu novo Antístite, e os Revs. Prelados que vieram presidir à cerimónia litúrgica da sagração. Dísticos em português e chinês engalanavam o frontispício do templo e saudavam o novo prelado com o dizer evangélico: «BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR».

Arquimínio da Costa dirige, pela primeira vez, como Bispo de Diocese, a palavra aos fiéis

A assistência à cerimónia da sagração episcopal, vendo-se no primeiro plano o Governador, coronel Garcia Leandro e Sua esposa.

Nas primeiras bancadas destacava-se a presença do Governador, Coronel Garcia Leandro e esposa, Madre Maria Clemência da Costa (irmã de D. Arquimínio), os Secretários-adjuntos, o Meritíssimo Juiz da Comarca, o Cônsul-Geral da França e muitos Chefes de Serviços e suas esposas. Em lugar especial da capela-mor, via-se o Bispo Anglicano de Hong Kong, Dr. John Gilbert Baker, o Rev. Frank Lin, pastor anglicano da Igreja de S. Marcos, em Macau e esposa.

Outro aspecto da assistência, estando na primeira bancada, destacadas autoridades oficiais.

D. Arquimínio da Costa entrou na Catedral na companhia do Bispo Sagrante, D. João Baptista Wu, de Hong Kong e dos Bispos consagrantes, D Carlos Lemaire, Bispo titular de Otrus, e D. Júlio X. Labayen, Bispo da Prelatura de Infanta, Filipinas.

O Governador de Macau apresenta os seus cumprimentos de felicitações a D. Arquimínio Rodrigues da Costa

(1) D. Arquimínio Rodrigues da Costa (1924 – 2016)  高秉常, natural da Ilha do Pico (Açores), veio para Macau na companhia de Monsenhor José Machado Lourenço, com mais três companheiros, em 1938, dando ingresso no Seminário de S. José a 8 de Dezembro desse ano. Foi sempre um aluno modelar, tanto no comportamento como nos estudos, pelo que foi durante anos subprefeito da disciplina dos seminaristas (1949-1953). Terminado o Curso Teológico, foi ordenado sacerdote por D. João de Deus Ramalho, S. J., no dia 6 de Outubro de 1949, celebrando a sua missa nova três dias depois. Foi professor de várias disciplinas, entre as quais Filosofia tanto para alunos internos como externos. Ficou reitor interino do Seminário de Fevereiro a Maio de 1955, na ausência do então reitor Cónego Juvenal Alberto Garcia (gozo de licença graciosa). Em 1957 seguiu para Roma a fim de cursar Direito Canónico na Universidade Gregoriana onde se licenciou em 1959. Regressou a Macau no dia 15 de Outubro de 1960, sendo novamente nomeado prefeito da disciplina e professor do Seminário. Em 1 de Agosto de 1961, foi nomeado reitor interino e, em 30 de Novembro, reitor efectivo daquele estabelecimento. Nomeado governador do Bispado nas ausências, em Roma, de D. Paulo José Tavares, em 1963 e 1965, durante o Concílio Vaticano II. Com a transferência do curso filosófico para o Seminário do espírito Santo de Aberdeen, Hong Kong, foi nomeado professor daquele estabelecimento de ensino, a partir do ano lectivo de 1968-69, onde lecionou Filosofia e Latim e foi prefeito de estudos do Curso Filosófico.
A 14 de Junho de 1973, foi eleito pelo Cabido vigário capitular da Diocese, cargo que exerceu até ser eleito Bispo de Macau. Bispo de Macau entre 1976 e 1988. Foi o último bispo de etnia portuguesa da Diocese de Macau. Eleito Bispo emérito de Macau, em 06-10-1988, regressou à sua terra natal nos Açores.
D. Arquimínio da Costa foi o terceiro Bispo de Macau, natural da Ilha do Pico, os outros dois foram D. João Paulino de Azevedo e Castro e o Cardeal D. José da Costa Nunes. É o quinto bispo natural dos Açores, sendo os outros, o Bispo D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, da Ilha de S. Jorge, e o falecido Bispo D. Paulo José Tavares, da Ilha de S. Miguel.
Extraído de «MBIT» N.º 1-2, 1976.

Foi assinado, no dia 23 de Abril de 1976, entre o Governo de Macau e os representantes da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (S.T.D.M.), um novo contrato para a exploração dos Jogos de Fortuna e Azar, após os trabalhos de estudo iniciados em 5 e Dezembro de 1975 de maneira a salvaguardar os interesses da comunidade.
À  S. T. D. M. foi adjudicada a exploração do Jogo em Macau, no ano de 1962, através de um contrato firmado entre os seus delegados e o Governo do território, tendo sido cessada a última revisão do contrato em causa em 1972, que terminaria em 1977, pelo que a presente revisão, entrou em vigor com a antecipação de uma ano.

Momento da leitura das cláusulas do novo contrato

De acordo com as novas cláusulas, a S.T.D.M. passou a pagar a renda anual de 30 milhões em dólares de Hong Kong sendo que as obrigações anuais passariam a mais de 80 milhões anuais, contra os 9  milhões do contrato que terminava.
Foram também integradas no novo contrato cláusulas referentes aos investimentos que a Concessionária seria obrigada a realizar como participação no desenvolvimento económico de Macau, ficando estipulado que o montante anual seria de 30 milhões de dólares de Hong Kong.
– Aumento do capital social da Companhia de Electricidade de Macau no valor de 100 milhões
– Construção de um complexo de estaleiros navais em associação com as Oficina Navais e a obrigação da S.T.D.M. mandar executar nas Oficinas Navais os trabalhos de conservação e reparação das suas embarcações, mantendo ainda a antiga obrigação contratual de dragar os canais dos portos interior e exterior. No entanto permitia ao Governo contratar outras empresas especializadas para a realização de trabalhos que a S.T. D. M. não pudesse cumprir, correndo as despesas por conta da Concessionária.
– Construção dum terminal marítimo no Porto Exterior, mantendo a obrigação de sanear e urbanizar os aterros do porto Exterior, suportando a S.T.D.M. o encargo de indemnizar e alojar 200 famílias por ano.
– Fomento das indústrias transformadoras excepto têxteis.
– Criação de empresas de utilidade pública.
– Construção de infraestruturas do território.

Um aspecto da assistência à cerimónia da assinatura do novo contrato

Ficou, igualmente, estipulado que tanto o valor da renda como o montante dos investimentos seriam revistos, anualmente, face à evolução dos lucros brutos da empresa.
Para tanto, a Inspecção dos Contratos dos Jogos tinha o cargo de fiscalização das receitas ilíquidas cobradas pela empresa de modo a que o Governo pudesse ter conhecimento do movimento financeiro da exploração.
Para além dos pagamentos da renda e dos investimentos, em moeda de Hong Kong, a S.T.D.M. foi obrigada a contribuir para o equilíbrio cambial da pataca, pondo também à disposição da Companhia de Electricidade de Macau (CEM), a importância necessária, na mesma moeda, para que esta empresa pudesse liquidar os seus compromissos com o exterior.

O Governador, Coronel Garcia Leandro assinando o documento do novo contrato

Quintuplicava o rigor das penalidades, traduzidas em multa, a que a S.T.D.M- se sujeitaria caso não cumprisse as leis e as cláusulas do contrato.

Stanley Ho, Administrador-delegado da S.T.D.M. assinando o documento do novo contrato

No capítulo do Turismo, a empresa concessionária obrigava-se a realizar a propaganda turística de Macau, de acordo com as directrizes do Centro de Informação e Turismo Centro além de impender sobre a mesma a obrigação de realizar, quinzenalmente, espectáculos de variedades, atracções e diversões de bom nível artístico, além de organizar anualmente, exposições, espectáculos e provas desportivas.

Teddy Hip, um dos directores da S.T.D.M., apondo a sua assinatura novo contrato

Nesse ano o capital social da STDM, que era de 3 milhões foi aumentado para uma importância nunca inferior a 80 milhões sendo o depósito da caução para garantia do cumprimento do contrato elevado para 10 milhões
Extraído de «MBIT», XI-1/2, 1976.

No dia 3 de Fevereiro de 1977, realizou-se em Hong Kong ” 17th ANNUAL PATA WORKSHOP” – subordinada ao lema:
“THE CONSUMER – THE ONLY PERSON WHO REALLY MATTERS”
numa realização conjunta de Hong Kong e Macau para a 17.ª Conferência da PATA (Pacific Area Travel Association) onde particip+aram cerca de 1500 delegados.
The PATA theme for 1977 – “The consumer – the only person that matters” – wears well. For if the main object of PATA is to sell tourism, then the consumer is the prime objective and his demands must be met. On an international level, PATA helps in smoothening out distinctions and in promoting areas and regions hitherto unexplored. It gives all members equality of status and in this it has succeeded in promoting international goodwill and cooperation.” (1)

A delegação de Macau, governador José E. Garcia Leandro, director do Centro de Informação e Turismo, Jorge A. H. Rangel e Rufino Ramos.

Fotos extraídos da Capa do “Anuário de Macau – Ano de 1977”, editado pelo Centro de Informação e Turismo, 1977, 506 p.
(1) A PATA (Pacific Area Travel Association) , é uma associação fundada em 1951, que realizou a sua primeira conferência em 1952, no Hawai com 84 delegados ligados ao turismo do Norte de América e área do Pacífico.

“PATA is a not-for profit association that is internationally acclaimed for acting as a catalyst for the responsible development of travel and tourism to, from and within the Asia Pacific region. The Association provides aligned advocacy, insightful research and innovative events to its member organisations, comprising 95 government, state and city tourism bodies, 25 international airlines and airports, 108 hospitality organisations, 72 educational institutions, and hundreds of travel industry companies in Asia Pacific and beyond. Thousands of travel professionals belong to the 36 local PATA chapters worldwide. “ http://www.pata.org/about-pata/

No dia 16 de Dezembro de 1976, o Governador de Macau (José Garcia Leandro) e representantes da concessionária da «Macau (Yat Yuen) Canidrome Co. Ltd.» (澳門逸園賽狗股份有限公司) assinaram no Palácio da Praia Grande, em Macau a escritura da alteração de algumas cláusulas do contrato da exploração de corridas de galgos.
De acordo com as alterações previstas no contrato firmado em 1964 e posteriormente alterado em 1973, a concessão terminava em 31-12-1987. Conforme já estava estabelecido, durante este período da concessão, para além de outras disposições, a sociedade obrigava-se a pagar até ao final do presente contrato a renda anual de um milhão e 500 mil patacas. A partir de 1-1-1978 até 31-12-1987, a renda anual terá um adicional de duzentas e cinquenta mil patacas. A partir de 1-1-1983 até 31-12-1987, a renda anual passaria a ter um adicional de 500 mil patacas.
Ainda de acordo com o documento assinado, a «Macau (Yat Yuen) Canidrome Co. Ltd» obrigava-se a realizar, em cada ano de exploração, o mínimo de 125 sessões e de dez corridas por cada sessão, considerando-se uma sessão equivalente a um dia de corridas.. No contrato anterior a concessionária comprometia-se a realizar anualmente o mínimo de 100 sessões. (1)
NOTA: As corridas de cães iniciaram-se em 1932 mas foram suspensas em 1936. Após várias tentativas para o seu reinício, só após aprovação dos estatutos do denominado “Canídromo Clube de Macau» em 16-03-1963 (Boletim Oficial n.º 11), voltaram as ocorridas de galgos em 28 de Setembro de 1963 (sob o contrato de Agosto de 1961 com a empresa «Kun Pha») ( SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998)
O contrato que está em vigor será o último pois foi decisão do Governo da RAEM acabar com as corridas de galgos em Macau tendo estendido a concessão da licença somente até Julho de 2018.
Ordem Executiva n.º 76/2016, Delega poderes no Secretário para a Economia e Finanças, como outorgante, na escritura pública de prorrogação do prazo até 20 de Julho de 2018 e alteração do contrato de concessão celebrado entre a Região Administrativa Especial de Macau e a Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen), S.A., para a exploração, em regime de exclusivo, das corridas de galgos.
(1) Extraído de «MACAU B. I. T», Vol. XI, 9-10, 1976.
Anteriores referências ao Canídromo
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canidromo/

A criação de um banco com personalidade jurídica própria e com sede em Macau, a partir de 1 de Julho de 1978, é a decisão fundamental do acordo assinado entre o Governo de Macau e o Banco Nacional Ultramarino. O referido Banco que integrará o departamento do B. N. U. de Macau, terá um capital a definir  quando da elaboração dos seus Estatutos, que orçará entre 25 e 50 milhões de patacas. O valor mínimo de 25 milhões de patacas será subscrito, no momento da assinatura da escritura da constituição do novo Banco, pelo B. N. U. com 49% e pelo Governo de Macau com 51% que fica deste modo a deter a maioria do capital social do novo estabelecimento bancário.
O novo banco que surgirá no território, quando cessar em 30-06-1978 a actividade do departamento de B.N.U. de Macau, terá as funções de Banco Emissor, Caixa Central de Reserva de Divisas, Banqueiro do Governo e Banco Comercial.
No referente ao pessoal daquele estabelecimento bancário, o acordo agora assinado prevê que os funcionários do departamento do B. N. U. de Macau possam optar pela continuação no B. N. U. em Lisboa, ou pela sua integração no futuro Banco em Macau. A opção dos referidos funcionários deverá ser feita até três meses antes da criação do Banco local, em Julho do próximo ano (1978), não perdendo os direitos já adquiridos.
Para finalizarem as negociações (cerca de nove meses) para a assinatura do novo acordo encontram-se em Macau, o presidente do Conselho de Gestão do Banco Nacional Ultramarino, dr. Oliveira Pinto, o director Abílio Dengucho do mesmo estabelecimento bancário e o dr. Pires Lourenço, representante do Ministro das Finanças Português, que acompanhou a delegação do B.N.U. para tomar parte nos trabalhos.
Participaram ainda nas reuniões para além do Governo Garcia Leandro, os drs. Iglésias Tomás, Carlos Vargas e Oliveira Carvalho, da Inspecção do Comércio bancário, e o gerente da filial do B. N. U., em Macau, Amílcar Peres.” (1)
(1) Notícia publicada em Abril de 1977 no «Macau B. I. T.»

É criada no dia 29 de Junho de 1977, a «Companhia de Corridas de Cavalos a Trote com Atrelado, S. A. R. L.»/ «Macao Trotting Club» que ficou sediada na Ilha da Taipa num terreno (aterros) de cerca 230 mil metros quadrados.

Aterros e início da construção da pista das Corridas de Cavalos A Trote com Atrelado da Taipa

O contrato de concessão foi assinado em Agosto de 1978, tendo como limite temporal o ano 2000 (1). No entanto, o negócio foi ruinoso devido à falta de potenciais apostadores e teve por isso vida efémera, terminando em 1988. (2)

O Governador Garcia Leandro esclarecendo os presentes dos pontos de vista da Administração sobre a importância do investimento e das vias de acesso ao local das corridas.

O Governador Garcia Leandro, acompanhado pelo Secretário-Adjunto para as Obras Públicas e Comunicações e ainda outros elementos da Administração, esteve na Ilha da Taipa no local onde estão a decorrer os trabalhos do aterro do futuro hipódromo, para corridas de cavalos a trote com atrelado.
Sobre o empreendimento usaram da palavra um técnico da administração local, para abordar os projectos que existem para a zona no tocante a estradas, e, posteriormente, o arquitecto Chan, da Sociedade de Corridas de Cavalos a Trote com Atrelado, que pormenorizou, quais são os projectos da empresa e revelou que, neste momento, já se encontra aterrada cerca metade da área e que em termos de volume de terra (3)

A comitiva percorrendo os vários pontos da área em aterro.

Numa prova da confiança no desenvolvimento das ilhas da Taipa e Coloane, um consórcio com capitais locais e estrangeiros iniciou já os trabalhos de construção de uma pista de corridas de cavalo a trote com atrelado, empreendimento orçado em mais de seiscentos milhões de escudos. O empreendimento que ocupa uma área de 230 mil metros quadrados, deverá estar em funcionamento ainda antes do fim do próximo ano” (4)
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 5, 1998.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/24/anuncio-macau-trotting-club/
(3) Notícia publicada em «MACAU B. I. T.  XII, N.ºs 7 e 8,  1977.
(4) Notícia publicada « MACAU B. I.T. XII  n.ºs 9 e  10, 1977.
Anteriores referências às corridas de cavalo a trote
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/22/anuncio-corridas-de-cavalo-a-trote/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/macau-trotting-club/

Realizou-se no dia 8 de Março de 1977, o jantar da Primavera e de homenagem ao Governador Garcia Leandro e a sua Esposa no Restaurante Lisboa oferecido por Hó Yin representante da Comunidade Chinesa e sua Esposa e para o qual foram convidadas as principais autoridades civis, militares e religiosas, numerosas pessoas das mais diversas categorias sociais, em número de algumas centenas, estando também presentes os pais e sogra do Governador que se encontravam neste território.

Na mesa redonda de honra, posta para 24 convivas, sentaram-se os anfitriões, o casal Ho Yin e os especiais homenageados, o casal Garcia Leandro, com os convidados de maior destaque naquele banquete.

O Sr. Ho Yin no seu discurso focou o problema da electricidade em Macau:
“A nova Central Eléctrica de Coloane poderá entrar já em funcionamento no Verão do corrente ano, prevendo-se, portanto, que o problema de fornecimento de energia eléctrica ficará resolvido. Porém, a Companhia de Electricidade de Macau está sobrecarregada de dívidas, e não será forma salutar ter de pagar, a longo prazo, avultadas somas em juros. Peço sinceramente às autoridades de Macau, a todos os sectores comerciais, bem como a toda a população – já que sabemos que o deficiente fornecimento de energia eléctrica traz grandes prejuízos para o progresso e desenvolvimento deste Território….”
Após as palavras de saudação de Ho Yin, o Governador de Macau, Garcia Leandro, agradeceu a oportunidade que lhe era dada, para significar aos anfitriões o prazer daquele convívio, que servia para estreitar os laços de amizade que unem as duas comunidades que aqui trabalham para melhorar a situação económica de cada cidadão e da própria comunidade.
Ambos os discursos foram traduzidos para as línguas portuguesa e chinesa pelo Chefe da Repartição dos Assuntos Chineses, António Galdino Dias.
O jantar de ementa chinesa que começou às 20.00 horas, terminou cerca das 20.00 horas. (1)
(1) Fotos e reportagem de MACAU B. I. T., 1977.

O XXIV Grande Prémio de Macau realizou-se nos dias 19 e 20 de Novembro em 1977.
Uns dias antes do acontecimento realizou-se a conferência, no Hotel Bela Vista, onde se reuniram os órgãos de comunicação social de Macau e Hong Kong para tomarem conhecimento da tarefa dos organizadores e dos pormenores do certame. Além da deslocação de equipas de reportagem de vária ordem a fazer a cobertura, nesse ano uma das estações de televisão de Hong Kong fez a transmissão directa das principais provas do circuito.

macau-b-i-t-xii-9-10nov-dez1977-xxiv-gpm-iConferência de Imprensa da Comissão Organizadora presidida pelo Presidente do Leal Senado, Rogério Artur dos Santos (1)

Nos dias 17 a 20 de Novembro, verificou-se o desembarque em Macau de 29 393 passageiros provenientes de Hong Kong, contra 29 514 no ano de 1976, o que dá um saldo negativo de 121 passageiros. O grosso dos treinos e provas confinou-se aos três dias do fim da semana que nesse ano ocupou os dias 18, 19 e 20 de Novembro.

macau-b-i-t-xii-9-10nov-dez1977-xxiv-gpm-iiNos intervalos das provas, exibição de acrobacias numa motocicleta

macau-b-i-t-xii-9-10nov-dez1977-xxiv-gpm-iiiProva do Grande Prémio de Motociclismo: o 1.º classificado (n.º 4) e o segundo (n.º 13), num momento da corrida.

1 – Mick Grant (GBR) – Kawasaki 750
2 – Stan Woods (GBR) – Suzuki RG 500
3 – Akira Terui ( Japão) – Yamaha

Peter Chow de Hong Kong que já vencera a mesma prova em 1973 e viria a ganhar no ano seguinte, em 1978, ao volante de um Toyota Celica foi o primeiro nos carros de Turismo (Corrida da Guia)
1 – Peter Chow (Hong Kong)  – Toyota Celica, n.º. 33 – 1h29m00,82s
2 – Ahmed Khan ( Hong Kong)  – Toyota Celica, n.º. 30 – 1h50m04,58s
3 – Junichi Isobe ( Japão) – Toyota Celica, n.º. 32 – 2h02m00,57s

macau-b-i-t-xii-9-10nov-dez1977-xxiv-gpm-ivPartida para o XXIV Grande Prémio de Macau em automobilismo (fórmula “Pacific”)

O vencedor do 24.º Grande Prémio de Macau foi Ricardo Patrese (2) ao volante dum Chevron C. (N.º 1) com o tempo de 1h 40m e 14,48 s. (40 voltas ao circuito).

macau-b-i-t-xii-9-10nov-dez1977-xxiv-gpm-vmacau-b-i-t-xii-9-10nov-dez1977-xxiv-gpm-viO pódio em frente às bancadas (na recta da Avenida da Amizade) no final da prova com os primeiros classificados.

1.º  – Riccardo Patrese (Itália) – Chevron com o tempo de 1h 40m e 14,48 s.
2.º  – Steve Millen (Nova Zelândia) – Chevron C com o tempo de 1h 41m e 48,23 s.
3.º – Andrew Medicke (Austrália) – March C, com o tempo de 1 h 42m e 17,77s.

macau-b-i-t-xii-9-10nov-dez1977-xxiv-gpm-viiNa sessão de entrega dos troféus do XXIV Grande Prémio de Macau pelo Governador, José Garcia Leandro

Pode ver imagens desse ano, 1977, em cantonense, no Youtube
https://www.youtube.com/watch?v=-BZQYSMtEmw
https://www.youtube.com/watch?v=cnLT6b-cqG4
(1) Nesta fotografia, vê-se por trás da mesa, um trabalho artístico de Leonel Barros – quadro de mosaicos com o desenho da Torre de Belém (Lisboa).
(2) Riccardo Patrese, piloto italiano , em 1977, campeão europeu de F3 e vencedor da F2 no Japão, iniciou nesse ano a sua participação na Fórmula Um (até 1993) , e  foi vencedor do Grande Prémio de Macau nos anos 1977 e 1978 com o mesmo carro, Chevron B40-Ford. Voltaria ainda em 1979 com um March Ford mas ficou em 2.º atrás do inglês Geoff Lees
Para os amantes das velocidades, o carro de 1977, n.º 1,  foi restaurado e pode-se vê-lo em
http://riccardopatrese.net/weblog/?p=4208
Fotos e Reportagem in «MACAU B.I.T.», 1977.

Com a presença do Governador, coronel Garcia Leandro e esposa, e de entidades oficiais  foi inaugurada no dia 14 de Novembro de 1977, pelas 17,30 horas, a «Feira Musical – Macau 77», instalada no jardim de S. Francisco, ocupando quase toda a sua área, contando numerosas barracas de petiscos portugueses e chineses bem como os apreciados manjares da cozinha macaense, mostruário de produtos portugueses e locais, jogos diversos, turismo, brinquedos, etc.

MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical IEntrada principal da Feira
MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical IIActo inaugural da Feira ao ar livre, com o corte da fita pela esposa do Governador

Ao longo dos dias 14 a 20 de Novembro, funcionando ao ar livre, estiveram três actividades do campo musical, cada uma de características completamente diferentes.

MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical IIIDanças folclóricas chinesas
MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical IVTuna Macaense
MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical VDanças folclóricas portuguesas

Também se despertou o interesse com a característica ópera chinesa com actuação em todas as noites, a partir das 19,30 horas.
Ascendeu a quase 30 000 o número de pessoas que ali foram divertir-se, provar a comida típica macaense, portuguesa e chinesa, em tendas que funcionaram das 17 às 24 horas.
MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical VIA parte comercial incluía algumas tendas de especialidades – vinhos e artigos portugueses, artigos eléctricos, artigos fotográficos, tapeçaria – e três tendas de informação e exposição, dirigidas por entidades oficiais.
MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical VIIMACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical VIIIAssim, o C. I. T. , Centro de Informação e Turismo teve  em exposição artigos de propaganda e à venda livros e publicações.
MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical IXO Leal Senado dispunha de recordações, emblemas, alfinetes e miniaturas da bandeira e outros artigos.
MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical XA tenda do Fundo de Exportação, a cargo dos Serviços de Economia, apresentava um mostruário de produtos da indústria local e nacional, em reduzida escala, mas bastante para atrair os interessados no assunto, sendo prestada as informações e orientação para mais pormenores a quem inquiria elementos desse sector.
MACAU B.I.T. XII 9-10 1977 Feira Musical XIAs entradas no recinto renderam mais de $ 26 000,00 patacas o que veio a compensar, de algum modo, as despesas avultadas da construção das vedações, das tendas e dos estrados, mas que não pagaram o custo.
Outra receita proveio do aluguer das tendas, com um rendimento de cerca de $ 15 000, 00 patacas
Fotos e informações de “MACAU B. I. T., 1977″

Morreu no «Queen Mary Hospital» em Hong Kong a 17 de Outubro de 1977, Sir Lindsay Tasman Ride. (1) O serviço fúnebre em Hong Kong foi realizado na «Union Church» a que assistiu o Governador de Hong Kong, Sir Murray MacLehose (2) e outras destacadas figuras daquela colónia. O Governador de Macau, fez-se representar pelo seu Secretário, A. Mendes Liz.
Sir Lindsay Ride cemitério protestante INo dia 28, a viúva e filhos trouxeram as cinzas para o Cemitério de Macau, assistindo à cerimónia, além da comitiva de Hong Kong, o Governador Garcia Leandro e Esposa, Hó Yin, Roque Choi e o Padre Manuel  Teixeira, amigo da família.
Conduziu as cerimónias o Rev. Cyril Clark, pastor metodista de Hong Kong, o qual fez também o elogio fúnebre. (3)
Sir Lindsay Ride cemitério protestante IIUsou em seguida da palavra, o Governador de Macau Garcia Leandro para assinalar alguns aspectos da biografia e recordando a ligação de Sir Lindsay a Macau.
Sir Lindsay Ride cemitério protestante IIIFinalmente o Revd.º Gilbert Baker, bispo anglicano de Hong Kong e Macau proferiu umas breves palavras encerrando a cerimónia.
Conhecido como o maior amigo do Cemitério dos Protestantes ao qual chamava “The Cradle of Hong Kong”, Sir Lindsay deixou dois livros manuscritos com este título sobre esse cemitério e que fazem parte duma obra em 7 volumes – The Voices of Macau Stones – do qual ele trabalhou durante longos 30 anos. Com este título, foi publicado em 1999, um livro (4) numa edição conjunta da “Hong Kong University Press”  e Instituto Cultural de Macau.
The Voices of Macao Stones CAPANa contracapa:
The stones, statues and memorials found all over Macao trace the story from the days of the first Portuguese navigators to reach China in the sixteenth century to the events of more recent times….(…)
…Work on this book in 1954, but was diverted for a long period so that restoration and research on the Old Protestant Cemetery could be completed. In an early stage of its development it was finally halted – or so it seemed at the time – by the death of Sir Lindsay Ride in October 1977.
Now published in the year the four-century-old Portuguese adventure in Macao is fanally to conclude, the stories recounted in The Voices of Macao Stones vividly bring to life the individuals, events and circumstances taht have made Macao the unique place it is.”
The Voices of Macao Stones CONTRACAPASir Lindsay Ride(1) Sir Lindsay Tasman Ride (賴廉士; 1898-1977), médico fisiologista nascido em Melbourne (Austrália),  militar (soldado nas forças australianas de 1916 a 1919, ferido duas vezes)  musicólogo (barítono), escritor e historiador. Foi combatente das duas últimas Grande Guerras (1914-1918 e 1939-1945), Comandante dos Voluntários de Hong Kong antes e durante a guerra, prisioneiro dos japoneses) no campo de Sham Shui Po depois da queda de Hong Kong (1941), fugiu para a China tendo organizado e comandado o Serviço Britânico de Informações em Chong King (重庆; mandarim pinyin: Chóngqìng; cantonense jyutping: cung5 hing3 – a província localizada no interior da China). De 1948 a 1962, comandante das “Forças de Defesa de Hong Kong”. Por esses serviços, foi graduado em Brigadeiro-General e agraciado com o título de Sir, em 1962. Professor da Universidade de Hong Kong (nomeado em 1928, professor de fisiologia) durante uns 30 anos e Vice-Chanceler (5.º da Universidade) da mesma Universidade durante quase 20 anos.
http://adb.anu.edu.au/biography/ride-sir-lindsay-tasman-11524
Foto retirado de:  http://www.ormond.unimelb.edu.au/sir-l-t-ride/
NOTA: episódio curioso ocorrido em Macau em 1954:
Quando casou com Lady May (2.ª núpcias, em 1954) ao romper da aurora, tomaram ambos o “ferry” das 8 horas da manhã e vieram passar a lua de mel, no Cemitério Protestante, ela escovando as pedras sepulcrais e ele copiando as inscrições. Entraram nesse dia turistas no Cemitério e vendo-os tão atarefados, tomaram-nos por jardineiros. Uma senhora compadecida, ofereceu-lhes 10 dólares, dizendo:
– Pobre gente! Como eles trabalham !…
– Obrigada, respondeu Lady May; mas é melhor meter esse dinheiro na caixa dos pobres da Capela, que nós não precisamos.
(2) Crawford Murray MacLehose (1917-2000), Barão MacLehose de Beoch,  25.º Governador de Hong Kong, de 1971 a Maio de 1982, o mais longo mandato de um governador em Hong Kong.
(3) Fotos e informações retirados de um artigo não assinado  “Morreu o maior amigo do Cemitério dos Protestantes”, publicado em “MACAU Boletim de Informação e Turismo , 1977.
(4) RIDE, Lindsay; RIDE, May – The Voices of Macao Stones. (Abridged with additional material by Jason, Wordie). Hong Kong University Press / Instituto Cultural de Macau,  1999, 135 p. ISBN 962 209 487 2 (23,5 cm x 20,5 cm).