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Foi a 15 de Junho de 1920, a aprovação dos Estatutos da Associação Científica, Literária e Artística denominada «Instituto de Macau», criada para promover o estudo da sinologia e da acção e influência portuguesas no Oriente. Os Estatutos foram publicados no B.O., n.º 25 de 19 de Junho desse ano (pp. 468-469)

Extraído de «BOGPM», n.º 25 de 19 de Junho de 1920, p. 468

“ O Instituto durou pouco, mas chegou a dar frutos: – a criação do Museu Comercial e Etnográfico Luís de Camoês, a organização da Biblioteca Pública e a publicação de um boletim que deu origem aos Arquivos de Macau. O Governo de Macau deu alento ao entusiasmo dos mentores de tais ideias, Drs. Humberto Severino de Avelar e Telo de Azevedo Gomes, então ambos professores do Liceu (Cfr. Renascimento; Macau, Vol. II, pp. 480-482) ” (1)

Os fundadores do Instituto de Macau a homenagear o poeta, na Gruta de Camões, no ano de 1920. (2)

Da esquerda para a direita: Eng. Eugénio Dias de Amorim, Dr. Camilo Pessanha, D. José da Costa Nunes, Comandante Correia da Silva (Paço d´Arcos), Dr. Humberto S. de Avelar, Vice-almirante Hugo de Lacerda Castelo Branco, Dr. José António F. de Morais Palha, Padre Régis Gervais, José Vicente Jorge, Dr. Manuel da Silva Mendes, Dr. Telo de Azevedo Gomes e Alferes Francisco Peixoto Chedas.

Extraído de «ANUÁRIO DE MACAU DE 1921», p. 99

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 131

(2) Anterior postagem em 24-04-2014 https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/04/24/macau-e-a-gruta-de-camoes-xxi-instituto-macau-1920/

Três grandes nomes da medicina que exerceram a sua profissão em Macau. Estes anúncios foram publicados no Anuário de Macau, 1921.

José Caetano Soares (Almendra, freguesia de Trancoso 1887- Lisboa 1963) – Estudou medicina na extinta Escola Politécnica no Porto e depois, em 1912, concluiu o curso na Escola Médico-Cirúrgica em Lisboa. Estagiou no Hospital de S. José (Lisboa) onde adquiriu a prática de cirurgião. Iniciou a sua vida de médico, ingressando no quadro de saúde de Moçambique como tenente- médico e em 1913 (Portaria de 5-4-1913) foi mandado servir no quadro de Macau até 1915 (com uma comissão de serviço em Timor). Após regresso de Timor em 1916, rescindiu o seu contrato como médico militar, sendo exonerado em 25-07-1916. Passou a exercer clínica particular e a ser o primeiro facultativo do «Partido Médico Municipal», recém-criado pelo Leal Senado (posse a 1-11-1916). Na mesma altura nomeado Director do Hospital de S. Rafael, da Santa Casa de Misericórdia. Começou também nessa ocasião a fazer clínica em Hong Kong aonde se deslocava semanalmente. Em 30-11-1918 casou-se com Maria Luísa da Silveira Lorena Santos. Os seus filhos (dois rapazes e uma menina) nasceram todos em Macau. Manteve-se em Macau até 22 de Julho de 1937 (22 anos de actividade clínica) tendo regressado a Portugal, fixando residência em Lisboa. Deixou escrito um livro notável de investigação histórica “Macau e a Assistência – Panorama médico-social”, de 544 páginas, que foi publicado em 1950, pela Agência Geral das Colónias. Pelos seus serviços no território, o Leal Senado, deu o seu nome à Rua da Cadeia, que hoje se chama «Rua Dr. Soares» (1) (2)

NOTA: anteriores referências neste blogue em: em:https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-caetano-soares/

José António Flipe de Morais Palha (Mormugão, Índia Portuguesa 1872 – Macau 1935). Licenciou-se em medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa e frequentou o Instituto de Oftalmologia dessa cidade. Serviu como graduado em guarda-marinha desde 5-08-1893 a 2-08-1894. Foi promovido a alferes a 22- 07-1898. Chegou a Macau a 3.03-1900, como facultativo de 3.ª classe do quadro de saúde de Macau e com guia da Canhoneira «Zaire». (em 1-07-1900 passaria ao serviço dos corpos da guarnição). Comissão em Timor de 30-01-1902 a 7-12-1908; 24-01-1908 -? ; 31.03-1913 a 16-03-1914 (já como capitão médico). Em 2-09-1918 promovido a major-médico e a 10-09-1920 a tenente-coronel médico. Em 1917 nomeado chefe interino dos Serviços de Saúde e depois efectivo neste cargo. Casou, em 1922, com Adélia Gonçalves Rodrigues. Deixou uma filha adoptiva. Entre outras actividades oficiais, foi professor do liceu (em 1900- de língua alemã; em 1912 a 1918, professor do 6. º grupo). Reformado em 15-05-1926. Faleceu em Macau a 2 de Novembro de 1935. (2)

NOTA: anteriores referências neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-a-f-de-moraes-palha/

António do Nascimento Leitão (Aveiro 1879- 1958)

Curso de Medicina na escola Médico-Cirúrgica do Porto com 18 valores; curso de Medicina Tropical com 12 valores; curso de Medicina Sanitária com 17 valores; curso especial de Medicina Operatória na Faculdade de Medicina da Universidade de Paris e e curso de Radiologia Médica no Hospital de Saint Antoine, de Paris. Subdelegado de saúde em Lisboa. Facultativo de 3.ª classe do quadro de saúde de Macau e Timor por Decreto de 4-04-1907 (B.M.U. n.º 8). Chegou em Macau e 8 de Julho de 1907. Destacado para Timor em 1913, esteve ali algum tempo, regressando a Macau em 1917, após especializar-se em radiologia). Em Macau destacou-se como médico-cirurgião e radiologista (capitão – médico, depois promovido a major-médico e a seguir tenente-coronel médico), como médico sanitário, nomeado director do Laboratório de Radiologia em 1922, Director do Laboratório Bacteriológico do Hospital Militar (1919) e subchefe interino dos Serviços de Saúde (nomeado em 13 de Agosto de 1926). Regressou a Portugal em 1951. (2)

“Homem de cem ofícios” como lhe chamou o Padre Teixeira (“Foi um dos bons médicos que conhecemos”).

NOTA: sobre este médico recomendo leitura de António Aresta em «JTM», 4 de Agosto de 2016: https://jtm.com.mo/opiniao/antonio-nascimento-leitao/ Anteriores referências neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-do-nascimento-leitao/

(1) Rua Dr. Soares começa na Rua dos Cules, entre a Calçada do Tronco Velho e o Beco da Cadeia, e termina na Avenida Almeida Ribeiro, ao lado do edifício dos Paços do Concelho.

(2) Breves notas biográficas, retiradas de TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volume 2(III-IV), 1998. 566 p., ISBN 972-97934-2-5.

Livro do Dr. J. António Filippe de Moraes Palha, (1) de 1929, “De Portugal a Macau Através da Historia”  (2) que segundo o autor é:
Ensaio de uma narração historica por factos concatenados e raciocinados na sucessão dos tempos e nas suas relações com os factos gerais, mais particularmente os que se referem à China

CAPA: 20,5 cm x 13,5 cm
LOMBADA (gasta): 1.5 cm

As primeiras páginas com o título “A Propósito” datado de 3 de Janeiro de 1930, refere o autor:
Não é um trabalho histórico, no sentido rigoroso da palavra, o que apresentamos aqui; apenas uma compilação de factos históricos correntes, sobre alguns dos quais se vem discreteando aqui e ali, nas cavaqueiras amenas, e, por vezes, em apaixonadas discussões, que se sucedem interminavelmente desde quando esses factos como tais surgiram. Outros há que, por sua natureza, são tão claros, evidentes e incontroversos que em si encerram um poder mágico de convicção imediata; não se prestam sequer a que possam ser alterados ou adulterados na sua essência e quando o fossem, apenas de tudo, provocariam pelo menos o silêncio de quem presenciasse a um tal propósito, para não contrariar por cortesia a quem a isso se dispusesse….
Índice dos temas:
Fundação de Portugal, continental e colonial – pp. 3 –32
Macau através dos tempos – pp. 33-111
A guerra de opio – pp- 111-120
A China e o ópio – pp. 120-123
A China abatida no seu secular prestígio que vem opondo – pp. 123-166
O Clima de Macau – pp. 166 – 172
Sanidade em Macau – pp 172 – 212
Situação económica de Macau – pp. 212-223
O documento – em fac-simile – apresentado pelo autor (pp.187-188) – um ofício do Cartório da Santa Casa de 20 de Janeiro de 1902 (assinado: Albino António Pedruco) de reconhecimento e manifestação do alto apreço que a meza da Santa Casa lhi tributa. Foi aprovada por unanimidade esta moção”.
Este documento foi apresentado face à insinuação e acusação infamante que então lhe foi assacada aproveitando-se da circunstância de o autor se encontrar em Timor em cumprimento da sua missão, e somente tendo conhecimento posterior quando estava em Portugal. Então promoveu à sua conta o apuramento da verdade (já que não encontrou o devido apoio oficial) tendo: “ levou o sumisso o autor ou os autores da acusação, como sucede sempre em casos tais com os da sua laia que só nas trevas se acoitam”
(1) PALHA, J. António Filippe de Moraes – De Portugal a Macau Através da Historia, 1929, Impresso naTyp: – Mercantil de N.T.Fernandes e Filhos. 223 p., 20,5 cm x 13,5 cm x 1.5 cm
NOTA: Este meu exemplar tem algumas folhas mal paginadas: pp. 151-154 “metidas” entre pp.146 -147 e depois da p.150 segue a p.159 em diante.
Ver a biografia do Dr. J. António Filippe de Moraes Palha em anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-a-f-de-moraes-palha/

Esboço Critico da Civilização Chineza” pelo Dr. J. António Filippe de Moraes Palha (1) publicado em Macau, em 1912 com 120 páginas em que 54 páginas são preenchidas pelo PREFÁCIO do “Exmo. Sr. Dr. CAMILLO PESSANHA”. Tem uma pequena introdução de 5 páginas, datado de “Macau, maio de 1912” e assinado por “Moraes Palha” e 64 páginas descritas pelo autor como folheto.

Encadernação com lombada e no frontispício uma bonita impressão de um junco e um pagode com lombada

Dessa “Introdução”, retiro:
O pequeno folheto, que venho submeter à apreciação do publico, não é senão um produto de circumstancias fortuitas. Não revela da minha parte nem o prurido de avolumar a literatura portugueza, nem a vaidade de contribuir com um trabalho original para o estudo da complexa civilização chineza. … (…)
Foi a primorosa conferencia do sr. Dr. Camillo Pessanha sobre “A Arte chineza” que me orientou o espirito, no mare magnum dos assumptos sobre coisas chinesas.
Era evidente, que, emquanto o formoso genio do poeta descobria na arte d´este povo as mais maravilhosas manifestações do bello, e desvendava nos symbolos, conceitos e máximas chinesas as mais sublimes concepções philosophicas, a mim, obreiro, embora modesto e obscuro, do positivismo, competia-me naturalmente a tarefa de patentear a realidade, na sua nudez singela e austera, pura ou impura, formosa ou hedionda, perfumada ou fétida…. (…)

Capa do livro, com algum uso, com manchas, marcas de fitas na lombada e reparação de partes superiores.

As folhas soltas, com a entrada de anno de 1911, fechava-se o cyclo das conferencias em Macau.
As folhas solta do manuscripto, não tendo já razão de existência, ficariam jazendo no derradeiro somno do esquecimento, se não fôra a amavel interferencia do Dr. C. Pessanha, que, com as suas encantadoras palestras, mais uma vez me incutia o gosto por assumptos chinezes.
Não se limitou a isto a valiosa intervenção do meu bom amigo. Accedendo ao meu tibio pedido, prontificou-se a apadrinhar o trabalho com o seu magistral prefacio, que, comquanto não exprima da sua parte para comigo mais do que mera deferência pessoal, generosa e captivante, de certo, a mim enche-me de profunda satisfação e intimo orgulho por ter conseguido assim arrancar á sua obstinada nacção uma das maiores glorias das letras nacionais… (…)

2.ª folha com assinatura de posse (não identificada), Macau, 1922.

José António Filipe de Morais Palha (1872 – faleceu em Macau em 1935), licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa, como alferes (desde 22-07-1898) chegou a Macau a 3-03-1900, sendo nomeado facultativo de 3.ª classe do quadro de saúde da província
Esteve em comissão de serviço em Timor (1902-1905; 1908; 1913-1914). Promovido a capitão-médico em 1915.
Foi professor de língua alemã do Liceu (1900-1901); professor interino do 6.º grupo do liceu (1912- 1914; 1918) professor do 7.º grupo 1917. Promovido a major-médico em 1918 e a tenente coronel em 1920 e coronel-médico em 1924. Chefe dos Serviços de Saúde de Macau, em 1922.
1922- Vogal do Conselho Consultivo 1923; 1926. Encarregado do Governo (na ausência do governador Maia Magalhães) em 1926. Reformou-se a 31-05-1926.
Dados recolhidos de TEIXEIRA, Padre Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998. Foto retirado de “Fundadores do Instituto (Macau)” em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/04/24/macau-e-a-gruta-de-camoes-xxi-instituto-macau-1920/
(1) PALLA, J. António Filippe de Moraes Palha – Esboço Crítico da Civilização Chinesa. Macau, Typ: Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos, 1912, 120 p. 20 cm x 13 cm

Na sequência da publicação da fotografia do 1.º reservatório de águas de Macau (1) encontrei outras duas fotos, também do ano de 1927, referentes a outros reservatórios que existiram em Macau.
O coronel engenheiro Adriano Augusto Trigo, em 1919, quando foi nomeado Director dos Serviços de Obras Públicas, comprometeu-se resolver o problema da falta crónica do abastecimento de água potável, aproveitando  somente os recursos hidrográficos de Macau. Traçou um plano  que abarcava duas áreas. Uma referente a águas fluviais, com os projectos (todos concluídos em 1925) de construção de um reservatório na Colina de Guia  e outro na Flora, para aproveitamento das águas da Colina da Guia (2) e implementação de sete fontenários na cidade, para a sua distribuição.  Para as águas subterrâneas recomendou pesquisas no vale de Mong Há. (3)
Em 2 de Abril de 1923, foi aberto um concurso para «Distribuição de água potável explorada na Colina da Guia » com arrematação em hasta pública nesta data. (4)
ANUÁRIO de 1927 - Reservatório da FloraMas o primeiro reservatório (1) foi logo abandonado devido ao seu pequeno tamanho e capacidade armazenamento de água  para um regular abastecimento ao público.
ANUÁRIO de 1927 - Reservatório da Colina da GuiaAssim foi logo construído um segundo reservatório na Colina da Guia mais acima, a meio da encosta onde hoje (desde 1997)  é um “anfiteatro”/campos de jogos de actividades de lazer, entre a “Estrada das 33 curvas” projectada em 1924 pelo mesmo engenheiro António Augusto Trigo, em baixo e o circuito de manutenção, em cima.

Reservatório da Colina da Guia 2015ASPECTO ACTUAL DO TOPO DO ANTIGO RESERVATÓRIO (ABRIL DE 2015)

Um novo reservatório surgiria após a constituição, no dia 13 de Julho de 1935, por escritura pública, da Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau, Limitada (SAAM), uma empresa inglesa, também conhecida por “The Macao Water Supply Company, Limited.” Assinou contrato do exclusivo do abastecimento de água à cidade, com o Leal Senado, dois dias depois, por um prazo de 60 anos. De acordo com o contrato, o gerente geral da sociedade era Frederick Johnson Gellion, também gerente da “The Macao Electric Lighting Company, Limited.” (MELCO)
A sociedade com um novo plano para o abastecimento de água potável a Macau captando a água no estuário junto à Ilha Verde. decidiu construir o novo reservatório principal num terreno baldio conquistado ao mar, situado no Porto Exterior.  A construção de uma estação de tratamento na Ilha Verde, de uma estação elevatória e do referido reservatório no Porto Exterior, ficaram concluídos em 1936. (5)

O Reservatório do Porto Exterior 2015O RESERVATÓRIO DO PORTO EXTERIOR (ABRIL DE 2015)

“… Logo de começo ainda antes de elaborar o anteprojecto de Obras do Porto Exterior, foi, planeado por esta Direcção uma captação vulgar de aguas pluviais, na Colina Este da Guia, que na parte considerada podia produzir cêrca de 20.000 m3 por ano para o porto e bem assim o aproveitamento da Fonte da Solidão que tem sido praticamente desaproveitada, ficando a agua com bastante carga para ser distribuída em elevação e podendo a obra ser feita a expensas do Conselho de Administração das Obras dos Portos; mas com a resolução atraz dita, cabia esse trabalho á Direcção de Obras Publicas e esta intendeu por melhor estender ali o sistema que estava empregando na face Oeste da Guia, isto é de provocar maior infiltração por meio de canais horizontais permeáveis, e quanto ás aguas da Fonte de Solidão decidiu canalisal-as para a cidade pelo tunel que foi aberto; tendo então sido prometido que o volume de 20.000 m3 seria fornecido pelo grande manancial que fôra descoberto em camada profunda do subsólo na baixa de Monghá; mas vê-se agora que as esperanças neste manancial não eram tão bem fundadas pelo menos quanto ao processo de captação propriamente dito e o abastecimento de agua ao terreno do porto ficou assim de alguma forma prejudicado.”
LACERDA, Hugo Carvalho de – Obras dos Portos de Macau, Memórias e Principais Documentos desde 1924, 1925.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/12/02/postal-de-1927-o-primeiro-reservatorio-de-macau-e-o-paiol-da-solidao/
(2) “03-06-1922Importante acta de uma sessão do Conselho Técnico das Obras Públicas, a 5.ª, de 11 de Maio p.p. é publicada no B.O. n.º 22 desta data. Intervêm duas figuras que deixaram obra em Macau. O director das Obras Públicas (Eng Adriano  Trigo) e o Chefe dos Serviços de Saúde, Dr. Morais Palha. Intervêm também o Director das Obras dos Portos (Eng. Hugo de Lacerda Castelo Branco), o vogal deste Conselho Técnico (Eng. Duarte Abecassis) ao serviço da Direcção das Obras dos Portos. Fala-se de sondagens geológicas, de obras na Praza Luís de Camões, da descoberta de abundantes águas no sopé da Guia, etc ” (4)
(3) A ribeira de Patane (em chinês a zona é conhecida por “Soi Hang Mei” – 水坑尾) era um braço de rio que se bifurcava e chegava perto da Aldeia de Mong Há. A água era, naturalmente salobra, mas ali ia desaguar uma verdadeira ribeira de boa água, com nascente no Monte da Guia, ribeira que, depois, ficou reduzida ao antigo charco que veio a dar a Fonte da Inveja, próximo do Jardim da Flora (AMARO, Ana Maria – Das Cabanas de Palha às Torres de Betão, 1998, p.72)
水坑尾mandarim pinyin: shuǐ kēng wěi; cantonense jyutping:  seoi2 haang1 mei5
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(5) CRUZ, Patrícia – A longa luta de Macau pela água potável , em:
http://www.revistamacau.com/2015/06/29/a-longa-luta-de-macau-pela-agua-potavel/

Camilo Pessanha INSTITUTO 1920 Gruta de CamõesOs fundadores do Instituto de Macau (Da esquerda para a direita: Eng. Eugénio Dias de Amorim, Camilo Pessanha, D. José da Costa Nunes, Com. Correia da Silva (Paço d´Arcos), Humberto S. de Avelar,, Alm. Hugo de Lacerda Castelo Branco, Dr. José António F. de Morais Palha, Padre Régis Gervais, José Vicente Jorge, Dr. Manuel da Silva Mendes, Dr. Telo de Azevedo Gomes e Ten. Francisco Peixoto Chedas) a homenagem ao poeta, na Gruta de Camões, no ano de 1920. (1)
Foi a 15 de Junho de 1920 que foi aprovado os estatutos da Associação Científica, Literária e Artística denominada «Instituto de Macau», criada para promover o estudo da sinologia e da acção e influência portuguesas no Oriente. (2)
Foi nesse ano que o único livro de poemas de Camilo Pessanha «Clepsydra» foi publicado em Lisboa, sem a sua participação (estava em Macau) com edição de Ana de Castro Osório, 1920, 1a edição. (3)
Foi também em 17 de Agosto desse ano que Camilo de Almeida Pessanha foi nomeado para 1.º substituto do Juiz de Direito, da comarca de Macau. (2)
(1) Postal da Colecção «CAMILO PESSANHA no 70º aniversário da publicação do “CLEPSIDRA”». Edição do Instituto Português do Oriente, Macau, 1990.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7).
(3) Há edição fac-símile publicada pela Ecopy em 2009. Graças à iniciativa  de Ana Castro Osório, que publicou o livro a partir de autógrafos e recortes de jornais, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições foram publicadas em 1945, 1954 e 1969.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Camilo_Pessanha

Neste dia, Camilo Pessanha proferiu no Grémio Militar (actualmente, Clube Militar) uma conferência sobre «Literatura Chinesa» (1)

Esta conferência intitulada «Sôbre a Literatura Chinesa» (2) foi posteriormente publicada no livro “China (Estudos e traduções)”, Capítulo VII (pp. 1103 a 112). (3)

CHINA de Camilo Pessanha 1944

“Exemplificando, desenhou o conferente, no quadro preto, três desses caracteres, traduzindo ideias abstractas em cuja composição entra o elemento ideográficoi, ou radical, , significando cavalo. O primeiro – – significa dirigir, governar, regrar, moderar; o segundo – ts´ân – significa espontâneo, maleável, fluente (v. g., o estilo de um escritor); o terceiro – p´eng – significa companheiros, parceiros, camaradas. Mostrou como essas ideias, quando transmitidas ao espírito por esses caracteres (de outros muito dispõe a escrita chinesa para representá-klos, em diversíssimas modalidades), surgem ali concretizadas em imagens – melhor, em grupos plásticos – de que um ou mais cavalos são a principal componente: – um auriga segura na mão as longas rédeas de uma fila de cavalos fogosos, cujo ímpeto selvagem e dispersivo coordena sem esforço, para fazer voar, ao longo da pista, o seu veículo ligeiro; o estilista, senhor da língua em que escreve, e que, a seu talante, a faz curvetear, como o bom cavaleiro ao cavalo fino; finalmente, os dois camaradas, arrastando pela vida fora um destino comum, como duas azêmolas atreladas à mesma carroça.”

O livro reúne algumas obras de Camilo Pessanha que tinham sido anteriormente publicadas em jornais e revistas, nomeadamente:
I –«Introdução a um estudo sôbre a civilização chinesa»,  que serviu de prefácio a um livro do médico, José António Filipe de Morais Palha, “Esbôço Crítico da Civilização Chinesa”, publicado em Macau,  em Maio de 1912.
II – «Macau e a Gruta de Camões», publicado no semanário “A Pátria”, em 7 de Junho de 1924.
III -« Literatura Chinesa (Prefácio à tradução das Elegias)». Publicada no jornal “O Progresso”, em Macau, de 13 de Setembro de 1914.
IV –  «Oito Elegias Chinesas (tradução e notas)», publicadas, pela primeira vez, no semanário “O Progresso”, de Macau, de 13  e 20 de Setembro e 4 e 18 de Outubro de 1914  e depois republicadas (com notas explicativas e eruditas)  no n.º 1 da revista “Descobrimentos” (1931 – Director: João de Castro Osório).
V – «Vozes de Outono (tradução do chinês – Dinastia Tang)», publicada ne revista “Atlântida” (ano III, n.º 27, de 15 de Janeiro de 1918.
VI – Legenda Budista (tradução do chinês).
VIII – «Sôbre Estética Chines ( Conferência) », publicada no jornal “A Verdade” de 2 de Junho de 1910.

Este livro traz ainda no Capítulo IX – «Catálogo da colecção de arte chinesa de Camilo Pessanha, hoje no Museu de «Machado de Castro», de Coimbra.» Este catálogo da autoria do próprio Camilo Pessanha,  “ficará aqui indicando ao estudioso onde e como, tendo por guia a mesma superior sensibilidade que como escritor a descreveu e criticou, pode conhecer e sentir a velha civilização chinesa (da Nota explicativa). (3)

NOTA: tenho outra edição da “China  – Estudos e Traduções”, com prefácio de Daniel Pires, que foi publicada, em 1993 (2.ª edição), (Colecção Mnésis – Clássicos da Literatura Portuguesa) pela Vega , 126 p. (ISBN 972-699-387-3).

CHINA de Camilo Pessanha 1993 I

Neste livro que, o leitor ora tem nas mãos, China – Estudos e Traduções , todo esse devotamento a um país estranho se exprime, surpreendendo-nos de página para página. Embora sob outros ritmos, outros tons e outros brilhos, o certo é que os deparamos com o exímio autor de Clepsidra – e nos sentimos trambém irmanados, através do rigor de Pessanha de dizer só o que é, com outros mundos que existem para além da nossa casa, da nossa rua, do número da nossa porta ...” (na contracapa).

CHINA de Camilo Pessanha 1993 II

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7).
(2) Publicada no semanário “O Progresso”, de 21 de Março de 1915.
(3) PESSANHA, Camilo – China (Estudos e traduções). Agência Geral das Colónias, Lisboa, 1944, 31 p.

Boletim da Agência Geral das Colónias (Ano 5.º, Novembro de 1929, n.º 53),  dedicado a Macau, pp. 3 a 175.

Boletim AGC n.º 53 1929 CAPA

SUMÁRIO:
1. O Govêrno de Macau, por Artur Tamagnini Barbosa, Governador de Macau (1)
2. Padroado Português no Extremo Oriente, por J. da Costa Nunes. (2)
3. Vésperas do Ano Novo Chinês, por D. Maria Ana Acciaioli Tamagini. (3)
4. A aclamação del Rei D. João IV em Macau, (subsídios históricos e biográficos) por Frazão de Vasconcelos (4)
5. Aspectos e problemas de Macau, por João dos Santos Monteiro (5)
6. Climatologia de Macau, por Morais Palha (6)
7. À maneira de conto, por Félix Horta (7)
8. Uma página para a História de Macau, por Jaime do Inso (8)
9. Traços impressionistas de Macau, por Bella Sidney Woolf (9)
10. Alguns dados estatísticos sôbre a colónia portuguesa de Xangai (referidos a 31 de Março de 1918), por Francisco de Paula Brito Júnior (10)
11. A Gruta de Camões, por Humberto de Avêlar (11)
12. Alguns dados estatísticos sôbre a colónia de Macau (lista dos governadores de Macau e datas de posse, inquérito sôbre a população de Macau e suas dependências)
13. Lugares selectos da Biblioteca Colonial Portuguesa (o comércio de Macau de 1863 e o princípio de associação como base dom progresso)) – editorial do semanário macaense TA-SSY-YANG-KUO, n.º 18, de 4 de Fevereiro de 1864.
Boletim AGC n.º 53 1929 Índice

(1) 2.º mandato como Governador de Macau (1926 -1930). Sobre este Governador ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/
(2) D. José da Costa Nunes foi bispo de Macau de 1920 a 1940.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-jose-da-costa-nunes/
(3) Maria Ana Acciaioli Tamagnini, escritora e poetisa, casada com o governador de Macau, Artur Tamagnini Barbosa. Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/maria-anna-tamagnini/
(4) José Frazão de Vasconcelos, (1889-1970), arqueólogo, historiador, autor de vários livros e artigos relacionados com Macau. Nesse ano, secretário da Secção de Diplomática da Associação dos Arqueólogos Portugueses, correspondente do Instituto de Coimbra, da Arcádia de Roma.
(5) João dos Santos Monteiro, advogado, Sub-Director Geral das Colónias do Oriente, nessa data.
(6) J. António Filipe de Moraes Palha, coronel médico, cirurgião pela Escola de Lisboa, “facultativo” de 1.ª classe do ultramar, chefe dos Serviços de Saúde de Macau. Autor do “Esboço Crítico sobre a Civilização Chinesa”, publicado em 1912, com prefácio de Camilo Pessanha.
(7) Félix Horta, advogado, delegado da colónia de Macau à Exposição de Sevilha, cônsul de Portugal em Cantão.
(8) Sobre Jaime do Inso ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jaime-do-inso/
(9) Bella Sidney Woolf (1877-1960), escritora inglesa, secretária do Governo de Hong Kong e esposa de W. T. Southorn que foi secretário colonial do Governo de Hong Kong. Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bella-sidney-woolf/
(10) Francisco de Paula Brito Júnior, cônsul geral de Portugal em Xangai.
(11) Humberto Severino de Avêlar, advogado, professor do Liceu de Macau do 1.º grupo (Português e Latim), reitor do Liceu Central (após exoneração de Camilo de Almeida Pessanha, em 4 de Setembro de 1925), fundador do Instituto de Macau.