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Artigo do jornal «Daily Sun» de Cantão, de 24 de Maio de 1931, (1) traduzido e publicado no «Boletim Geral das Colónias», n.º 74/75 de 1931.

Extraído de «BGC», ano VII, 1931 Agosto/Setembro n.º 74-75, pp. 313/314

(1) Joaquim Anselmo de Mata de Oliveira (1874-1948) governou por pouco tempo Macau, de 30 de Março de 1931 a 15 de Outubro de 1931. Tinha estado anteriormente em Macau como 1. º Tenente, comandante da lancha – canhoneira «Macau» no episódio contra os piratas em Coloane em 1910. Partiu para Lisboa, em serviço, a 15 de Outubro, no cruzador «Adamastor» que saiu da Ponte Nova do Porto Exterior. Só em 21 de Junho de 1932, Macau teria novo governador: Tenente Coronel de Artilharia, António José Bernardes de Miranda, exonerado a 4 de Janeiro de 1936.

Artur Tamagnini Barbosa, nasceu em Lisboa em 31-08-1881 e veio para Macau ainda bebé chegando no transporte África a 22-01-1882. Regressou a Portugal com a família aos 19 anos de idade, em 1900. Foi Governador de Macau por três vezes: de 1-07-1918 a 12-04-1919; 19-06-1926 a 19-11-1930 sendo exonerado a 2-1-1931; e novamente nomeado em 25-11-1936 para novo mandato que se iniciou a 11-04-1937 até sua morte, em Macau.

Outras referências a estes Governadores: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joaquim-a-mata-e-oliveira/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-jose-bernardes-de-miranda/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/

Extraído de «BGC», IX – 94, Abril 1933,
Joaquim Anselmo de Mata de Oliveira governou Macau de 30 de Março de 1931 a 15 de Outubro de  1931.
Foi comandante, como 1.º tenente, da Lancha –canhoneira «Macau» no episódio contra os piratas em Coloane em 1910
Outras referências a este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joaquim-a-mata-e-oliveira/

A lancha-canhoneira «Macau» que foi lançada à água em Kowloon (Hong Kong), (1) no dia 7 de Julho de 1909 após montadas as peças fabricadas em Glasgow (Inglaterra) pela casa Yarrow, foi vendida ao Japão a 12 de Março de 1943, por necessidades económicas (2) que a guerra ditou (3)
(1) Lancha-canhoneira de aço de 135 toneladas métricas, estava montava com duas peças H. (de 57 mm) e três metralhadoras (de 6,5 mm) Os hélices trabalhavam em túnel. Desempenhou várias comissões nos mares da China, (4) até ser tomada pelo Japão em 1945. (segundo ESPARTEIRO, Marques, p. 91 de
http://3decks.pbworks.com/f/Catalogo+dos+navios+brigantinos+(1640-1910)+-+Esparteiro.pdf
Segundo Ricardo Matias, num comentário à minha postagem de 27-09-2016:
A canhoneira Macau e duas dragas do porto de Macau, foram entregues às autoridades militares japonesas que ocupavam a China por troca com 10.000 sacos de arroz, foi uma troca desigual e forçada pela ameaça de invasão. O navio passou a chamar-se Maiko e com o final da Guerra caiu em mãos chinesas em Cantão, rebaptisado Wu Feng, passou em 1949 para a China Comunista e perdeu-se o rasto. A troca foi realizada em 15 Agosto 1943, mas o navio continuou na lista da Armada até 1945, uma maneira de mostrar aos americanos que não ajudávamos os japoneses “
Sobre esta lancha, aconselho ainda a leitura de:
http://naviosenavegadores.blogspot.pt/2008/09/marinha-de-guerra-portuguesa-o-nrp.html
(2) Já em 1926, devido à crise financeira, houve cortes significativos nos Serviços de Marinha com consequências na lancha canhoneira «Macau».
26-01-1926 – Por leitura do Relatório dos Serviços de Marinha, apresentado nesta data, se conhece o estado de dificuldades económicas que Macau passa. Em resultado da crise financeira são abatidos na lotação das canhoneiras «Macau» e «Pátria», os chegadores, impedidos e criados de câmara, cozinheiros e padeiros, todos eles indígenas de Moçambique” (3)
A lancha canhoneira «Macau» esteve em perigo de se afundar no tufão de 17-09-1926.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(4) Um das intervenções mais significativa da lancha canhoneira «Macau» (5) foi a 14 de Julho de 1910, contra os piratas que numa das suas frequentes acções de pirataria, raptaram uma dúzia de crianças duma escola entre Cantão e Macau e refugiaram-se com elas na ilha de Coloane pedindo às famílias resgates na ordem das 35 mil patacas, o que, naquele tempo, era uma fortuna. A preparação do ataque por parte da canhoneira, foi no dia 14 de Julho, tendo sido bombardeados toda a frente marítima da povoação de Coloane com Hotchiss semi-automáticas.(6)
Uma curiosidade resultante dos acontecimentos que se deram até esta data: além do pequeno monumento que se vê no jardim da vila, em memória da expulsão dos piratas e libertação da população, os chineses, agradecidos, ofereceram bandeiras comemorativas às diferentes forças que cooperaram na luta. Sabemos por documentos da época que a bandeira de seda vermelha oferecida ao Comandante da lancha- canhoneira «Macau» (o então Primeiro – Tenente Joaquim Mata Oliveira (7) – depois entregue à Sociedade de Geografia de Lisboa – tinha a seguinte bordadura em letras chinesas «Tributo de homenagem aos senhores Comandante, oficiais e praças da lancha-canhoneira «Macau» da grande nação portuguesa. À vossa protecção devemos o sossego que disfrutamos. Pequena homenagem prestada como todo o respeito por Leong-Cheong-Tak e seu filho Pak-Lok , oriundos da povoação da família Leong no distrito de San. Hui da dinastia Tá-Tsing»” (3)
(5) Outras referências à canhoneira «Macau» em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-macau/
(6) Ver anteriores relatos em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/09/historia-de-piratas-i-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/21/historia-de-piratas-ii-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/07/historia-de-piratas-iii-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/14/historia-de-piratas-iv-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/07/leitura-os-piratas-em-coloane-em-1910/
(7) 1.º Tenente Joaquim Anselmo de Mata e Oliveira (1874-1948) veria a ser governador de Macau embora por pouco tempo, Março a Outubro de 1931. Partiu para Lisboa, em serviço, a 15 de Outubro, no cruzador «Adamastor» que sai da Ponte Nova do Porto Exterior. Só em 21 de Junho  de 1932, Macau teria novo governador: Tenente Coronel de Artilharia, António José Bernardes de Miranda. (3)

Continuação de HISTÓRIA DE PIRATAS (I) e (II), o “jornalista”  prossegue a sua narrativa  sobre a façanha dos soldados portugueses contra os piratas em Coloane (1910).
“Primeiro houve um pequeno tiroteio entre um destacamento de soldados portuguezes e os quatrocentos piratas instalados na ilha. Doze homens batiam-se contra a legião, sendo obrigados a retirar debaixo de fogo. Mas já a «Macau» (1)  subia pelo rio com reforços; as canhoneiras chinezas da fiscalização chegavam para verem operar os portuguezes contra esse bando entrencheirado na Coloane negra, eriçada de rochas, surgindo como uma fortaleza no meio das aguas azues. (2) Zombavam na ilha ante a pequenez do barco, buscavam alcançal-o a tiro, quando uma primeira granada estoirou no meo d´elles. Detraz dos parapeitos faziam fogo mas as granadas sucediam-se e os piratas debandavam. Os chinezes desesperados diziam que elles matariam os reféns, que torceriam os pescoços aos pequenos estudantes na grande colera da sua primeira fuga. Cahira a noite; uma linda noite oriental recamada de estrellas, cheia de perfumes, das hervas seccas.
                       
LEGENDA DAS FOTOS: 1 – A cosinha do bivaque
                                                 2 –  Uma das canhoneiras chinezas
                                                  3 – Os cinco primeiros piratas presos
 
A companhia de polícia, em passadas cautelosas, desembarcou em Coloane, de longe, os piratas espionavam. Não se trocava um tiro. Ao romper da manhã chegaram as tropas e de repente os piratas entrincheirados nas casas abriram uma terrivel fuzilaria. Já havia dois portuguezes perigosamente feridos. A resistência accentuava-se. O tempo em que se prendera , quasi sem esforço, na ilha de Taipa o pirata raptor de donzellas ia longe. A artilharia falaria. Ordenava-se os rebeldes que se rendessem: à gente pacífica que recolhesse à fortaleza. Ninguém obedeceu. A população estava dominada por quatrocentos piratas. Então a Macau começou a bombardear a villa. Lá em cima aos urros soltando pragas e disparando a mais terrível fuzilaria, os homens resistiam sempre áquelle barco pequeno que a deixail-os em paz obrigaria a família dos raptados a pagar a quantia exigida. A  artilharia  ralhava sempre; as balas succediam-se; as granadas explodiam nas casas e, dentro em pouco, o fogo do inimigo afrouxava mas Coloane era uma ruína. Chegára entretanto a canhoneira Patria. (3) Os piratas tinham enterrado os seus mortos, carregado com os seus feridos e fugido durante a noite. Era necessário ainda correr a ilha; expulsar os bandidos das suas tocas como feras dos fojos, (4) bater Coloane em todas as direcções, montear os piratas e arrancar-lhes as presas…
LEGENDA DAS FOTOS: 1 – Depois do bombardeamento de Coloane: os escombros
                                                 2 –  Um dos rapazes, que esteve\ em poder dos piratas, em tratamento dos ferimentos no hospital de Macau
                                                3 e 4 – No hospital de Macau: algumas das creanças salvas dos piratas.

Artigo e fotos não assinados das páginas 333 e 334, Illustração Portugueza (edição semanal do jornal O SÉCULO) , n.º 238, Lisboa, 12 de Setembro de 1910, pp. 329-334.

NOTA: “Em 1910, existia, em Coloane, apenas um forte, com uma diminuta guarnição composta de um sargento metropolitano e quinze soldados, dos quais cinco estavam isoladamente destacados em Ká-Hó, uma aldeiazita afastada cerca de oito quilómetros. Não é de admirar que num a ilha de tão grande extensão e profundamente acidentada – a área de Coloane é de três vezes maior que a de Macau – fosse possível medrar, sem ser molestado, tão grande número de piratas, tanto mais que ela era considerada quase deserta, sendo absolutamente impossível à exígua guarnição, além do serviço de vigilância do forte, exercer qualquer outra actividade…(…) …. A população chinesa num total de cerca de 2 000 almas .. (…)… A  deligência militar do comando do Tenente Albino Ribas da Silva, foi reforçada com 45 praças de Infantaria do comando do Tenente Aguiar, mas face ao mortificante fogo cruzado, entendeu-se ser mais prudente efectuar-se uma retirada, recolhendo as duas pequenas forças à Taipa, até à chegada de reforços.. “ (5)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/09/historia-de-piratas-i-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/21/historia-de-piratas-ii-ilhas-de-piratas/
(1)  Lancha-canhoneira «Macau» sob o comando do 1.º Tenente Joaquim Anselmo de Mata e Oliveira (que veria a ser governador de Macau embora por pouco tempo, Março a Outubro de 1931), e composta por artilheiros com uma peça japonesa de montanha. A preparação do ataque foi no dia 14 de Julho, tendo sido bombardeados toda a frente marítima da povoação, com Hotchiss semi-automáticas.(5)
(2) De certeza que seria uma visão poética do narrador já que as águas envolventes a Macau, são da cor lamacenta.
(3) Canhoneira «Pátria», sob o comando do capitão-tenente Salazar Mosozo.
(4) Fojo – armadilha usada para capturar lobos nos tempos antigos.
(5) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 358 p.,  ISBN 978-99937-45-38-9