Archives for posts with tag: Jardim/Praça da Vitória

Continuação da publicação dos postais constantes da Colecção intitulada “澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”, emitida em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1)
A importância deste local em termos de jardim, propriamente dito, é reduzido. Apresenta uma forma rectangular, sendo apenas uma pálida lembrança da praça circular, com 57 metros de raio, inaugurada em 1871, e da qual era uma peça importante a fonte que hoje se encontra no jardim da Flora. Serve de ligação entre a Avenida Sidónio Pais e a estrada da Vitória, tenho uma área de apenas 0,19 hectares. (2)
Antigo local conhecido como “Campo de Arrependidos”,  foi aí travada parte dos combates contra os invasores holandeses, no dia 24 de Junho de 1622. O monumento foi colocado no centro do jardim, em 1864 (autoria do escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro) “no mesmo lugar onde uma pequena cruz de pedra comemorava a acção gloriosa dos portugueses” (3)
(1) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/
(2) ESTÁCIO, António J. E.; SARAIVA, António M. P. – Jardins e Parques de Macau. Instituto Português do Oriente, 1993, p. 36.
(3) Ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-da-vitoria/

No dia 26 de Março de 1871, foi inaugurada a Praça da Victoria (hoje, Jardim da Vitória) com o Monumento da Victória,” junto da Flora Macaense, na estrada que por S. Lázaro conduz à porta do Cerco (hoje situado entre a Avenida Sidónio Pais e a Estrada da Vitória)”  (1) pelo Governador, Conselheiro Vice-Almirante graduado, António Sérgio de Sousa. (2)

O monumento comemora a vitória alcançada pelos macaenses contra o ataque dos holandeses, em 24 de Junho de 1622, no Campo de Victória, sendo anteriormente conhecido como Campo dos Arrependidos (3) , pois era ali que noutros tempos, os condenados iam expiar no patíbulo, os seus crimes.

A pedra fundamental para o monumento que Carlos José Caldeira, por incumbência do Leal Senado, encomendara a Manuel Maria Bordalo Pinheiro, (4) pai do tenente coronel de artilharia Feliciano Henrique Bordalo Proste Pinheiro, que prestou notáveis serviços na Direcção das Obras Públicas de Macau, quando da reconstrução dos edifícios e reparações dos estragos causados pelo desastroso tufão de 1874, foi solenemente lançada em 23 de Junho de 1870. (1)

Concluído o monumento foi o mesmo expedido para Macau, pelo governo da Metrópole, livre de frete, no vapor Saida, que em Junho de 1870, transportou um contingente militar para esta cidade.” (1)

Monumento da Vitória Sem data P. TX LEAL SENADO

Foto do livro: «O Leal Senado», do Padre Manuel Teixeira , sem data (década de 60)

O Monumento da Vitória é composto por um soco octogonal sobre o qual se assenta um fuste canelado, tendo nele aplicado as duas cartelas, no estilo do século XVII, e encimado por dois escudos, um com as armas de Portugal e outro com as da Cidade, ornados de carvalho e loiro. É rematado, no topo, pela coroa real portuguesa. (1)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 358 p., ISBN: 978-99937-45-38-9.
(2) Sobre o Governador António Sérgio de Sousa (1809-1878), governador de Macau de 1868 a 1872 ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/02/noticia-2-de-julho-de-1871/
(3) Beatriz Basto da Silva refere outra explicação para o nome:  “
“A zona chamava-se, por ter sido o recuo dos holandeses, o «Campo dos Arrependidos»”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9).
(4) Manuel Maria Bordalo Pinheiro é também autor do busto em bronze de Camões, que se encontra colocado na Gruta de Camões, em Macau.