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Os últimos dois postais com fotos de c. 1926 e c. 1927, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA” – fotografias das primeiras décadas do século XX – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida c. 192
Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida c. 1927 – vers
Portas do Cerco, c. 1926

A mesma fotografia foi publicada em postal por “Graça & Co. – Hong Kong”, (cerca de 1925) legendada em português e inglês.

MACAU – Porta do Cêrco vista do Território Português
Portas do Cerco, c. 1926 – verso

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/

“A rua chique ainda era a Rua Central, para onde se subia depois da missa das onze na Sé, aos domingos, para conhecer as “novidades” expostas nas lojas dos “mouros”. Na “Royal Silk Store” de J. H. Bejonjee, vendia-se seda riscada para camisas a $1,08 a jarda, o mesmo acontecendo com crepe de seda pesado; o crepe da China estampado custava $1,30 a jarda; o crepe de setim pesado $2,00 a jarda. Camisas de seda Fuji para homem custavam $3,50 cada e pijamas de seda Fuji para homem $4,50 cada. Os preços nas lojas vizinhas do “mouro” Elias e do “mouro” Haaji ficavam uma pela outra. E havia quem se lamentasse do custo de vida!

Para benefício da elegância das senhoras de Macau, depois que Miss Dina Rosemberg exibira, com grande sucesso, lindos vestidos no Hotel Riviera, em Dezembro do ano anterior, surge, entre nós, Madame Lebon, uma francesa imponente e refinada, que abre um atelier, salvo erro de informação, na loja “Paradis des Dames”, à Praia Grande. É claro que o melhor da sociedade macaense acorreu ao atelier e começou a vestir-se à moda de Madame Lebon, que ditou cartas, desdenhou as costureiras caseiras do burgo e pontificou com o seu prestígio parisiense, para grande arrelia das algibeiras dos maridos e dos papás. Quando alguém titubeava quanto ao preço, Madame Lebon alçava o queixo e rematava em tom profundamente superior: – “Este vestido não é para toda a gente“.

O Carnaval, caído entre fins de Fevereiro e princípio de Março, era particularmente retumbante. Já não havia a guerra nem a meningite para ensombrar os ânimos. “A Voz de Macau”, ao relatar os festejos dos clubes, os cortejos das “tunas” e os “assaltos” em casas particulares, usava um tom alegre e brejeiro que traduzia a despreocupação da época, passados os pesadelos.

Por isso é que ninguém pareceu ligar às eleições na Alemanha, onde triunfou o partido nazi e subiu ao poder um nome praticamente desconhecido, Adolfo Hitler. A notícia veio publicada em 6 de Março, mas passou-nos indiferente. A imprensa local e de Hong-Kong preocupou-se mais com o famoso julgamento, na colónia vizinha, de Cheong Kwok Yau, um playboy chinês e, parece, filho único de pais milionários, que assassinara outro milionário, George Fung. Fora um crime passional que apaixonara a opinião pública, mesmo a estrangeira, e tanto na defesa como na acusação estavam envolvidas as mais prestigiosas figuras da advocacia inglesa.

O ano de 1933 ficou marcado, no futebol, pela luta renhida de dois grupos rivais, o Argonauta e o Tenebroso, que travaram o seu primeiro desafio em 7 de Fevereiro. Venceu o Argonauta por três bolas a duas num desafio memorável, disputado com alma, genica e intenso espírito desportivo

Mas é no hóquei que Macau marca os seus melhores tentos, adquirindo fama por todo o Extremo Oriente. Entra-se na idade de ouro daquela modalidade desportiva. Praticamente todos os domingos, grupos de Hong-Kong deslocam-se ao campo de Tap Seac. O treino dos nossos rapazes é tão eficiente que Hong-Kong apenas leva daqui derrotas. Toda esta preparação dá como resultado poder-se defrontar no ano seguinte a fortíssima selecção da Malaia. Os nossos “ases” do hóquei tornam-se ídolos da mocidade. Todos os garotos sonham poder exibir um dia as suas habilidades no relvado verde do Tap Seac e receber as mesmas aclamações… (…)”

Extraído de FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-36) in Revista da Cultura, n.º 23 (II Série) Abril/Junho de 1995, pp.151-152. Edição do Instituto Cultural de Macau.

Mais dois postais com fotos de c. 1910 e c. 1925, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do éculo XX – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

POSTAL – Praça e edifício do Leal Senado, c. 1910

NOTA: Segundo o meu amigo Manuel Basílio no artigo “Rua do Gamboa, uma rua em Macau com estranha denominação em chinês” (2), o postal será de princípios do século XX e mostra do lado direito, onde está a bandeira, o “Hotel Ká Pân” (嘉賓大酒店 – Ká Pân Tái Chau Tim).

POSTAL – Praça e edifício do Leal Senado, c. 1910 – verso
POSTAL – Templo da deusa A-Má, c. 1925
POSTAL – Templo da deusa A-Má, c. 1925 – verso

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/07/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/11/15/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-iii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/11/29/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-iv/

(2) Recomendo a leitura deste artigo publicado em: https://cronicasmacaenses.com/2020/02/12/rua-do-gamboa-uma-rua-em-macau-com-estranha-denominacao-em-chines/

Mais dois postais com fotos, mal datadas, de c. 1908, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do século XX – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

POSTAL – Jardim de S. Francisco c. 1908
POSTAL – Jardim de S. Francisco c. 1908 -verso

NOTA: Data errada, a mesma foto, foi publicada em postal pelo editor, M. Sternberg de Hong Kong e datada de “cerca de 1900”.

Recorda-se que o jardim de S. Francisco que fora murado em c. de 1860, constituindo um belíssimo campo de lazer, com três portões e uma porta pequena em frente do Convento de St. Clara, foi no ano de 1899,  sujeito a um projecto de construção de um muro-cais na Praia Grande, defronte do Grémio Militar e do Jardim de S. Francisco , em 27 de Janeiro, e  o aforamento do mesmo jardim em 7 de Setembro. O coreto do jardim onde a Banda Municipal dava concertos aos sábados, domingos e feriados, foi demolido em 1935. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015 pp . 333-334)

LOUREIRO, João – Postais Antigos de Macau, 2.ª edição, 1997, p. 50
POSTAL – Ruínas de S. Paulo, c. 1908.
POSTAL – Ruínas de S. Paulo, c. 1908 – verso

NOTA: Data errada, a mesma foto, foi publicada em postal pelo editor, M. Sternberg de Hong Kong e datada de “cerca de 1900

LOUREIRO, João – Postais Antigos de Macau, 2.ª edição, 1997, p. 82

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/07/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/11/15/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-iii/

Mais dois postais com fotos datadas de c. 1902, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do século XX – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

Postal – Hotel Boa Vista, c. 1902 (2)
Postal – Hotel Boa Vista, c. 1902, verso

NOTA: Data errada, a mesma foto, foi publicada em postal pela “Graça & Co”, de Hong Kong e datada “cerca de 1890

Postal – Rua da Felicidade, c. 1902 (3)

NOTA – outra data errada e mal legendada, não se trata da Rua de Felicidade. Será provavelmente uma rua do Bairro Chinês (Bazar).

“É referida como sendo a Rua da Felicidade, mas é uma outra rua de Macau, que ainda não consegui saber qual seria. Rua da Felicidade é que não é por causa das varandas e de os edifícios terem dois andares.” (informação de R. Beltrão Coelho)

Postal – Rua da Felicidade, c. 1902, verso

Aliás esta foto, está também em postal, de “Graça & Co” de Hong Kong com indicação “Chinese town –Gambling Houses and Chinese Restaurants”, c. 1890.

LOUREIRO, João – Postais Antigos MACAU, 2.ª edição, 1997, p. 101

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/07/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/

(2) Anteriores referências ao Hotel Bela/Boa Vista em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-bela-vista-boa-vista/

(3) Anteriores referências à Rua da Felicidade em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-felicidade/

Há 22 anos, em 1998, neste dia de 13 de Outubro, foi lançado em Macau, um novo livro do escritor e advogado Henrique de Senna Fernandes, intitulado “MONG-HÁ” (1)

Edição do Instituto Cultural de Macau, 14.º livro da sua colecção “Rua Central”, com a direcção gráfica e capa de Victor Hugo Marreiros e imprimido na Tipografia Hung Heng.

Na contra capa: “Mong Há, hoje descaracterizada pelo avanço implacável de cidade, a caminho do norte do Território, é uma vasta área que, grosso-modo, se estende da zona de Flora e de Montanha Russa até o Porto Interior, confinada à esquerda para quem desce, pela Avenida Horta e Costa, o Patane e o bairro do San Kio, cercando, doutro lado, a Colina dos Diabos Pretos, até a Areia Preta e a zona das Portas do Cerco e Ilha Verde. (…)” (2)

O leitor poderá estranhar o título da obra, pois aparentemente não parece relacionado com qualquer das estórias que se seguem, senão uma ténua referência. No entanto, a sua gestação nasceu precisamente na Pousada de Mong-Há, encravada na colina do mesmo nome e conhecia pelos chineses por Hak-Kai-Sán, a Colina dos Diabos Pretos, por a guarnição da fortaleza ser constituída por soldados landins de Moçambique. Aconteceu numa tarde quando, em roda de amigos, se festejava a vinda dum visitante que há muito jáo não se via, com uma mesa repleta do presunto, enchidos de porco – salpicão, chouriço de sangue, morcela e alheiras – queijos e vinho tinto a rodos. Isto,à distância de dois lustros, pelo menos. Tarde memorável aquela, em que, de conversa em conversa, se falou de tudo. Política, bocados de má-língua, alguma literatura e cinema, mulheres, anedotas de padre e de alentejano, recordações e experiências de Macau. Como que uma tertúlia palreira e alegre, emque cada um contribui com a sua verve e o seu comentário. Quando saímos, íamos confortados, mas nostálgicos. Alguém tocou-me no braço e sugeriu:  – Porque não escreve aquilo que nos contou? Publique, ajuntando o que se acha espalhado nos jornais e revistas e os manuscritos que envelhecem no escuro da gaveta”. . (…)

Que título, porém ia dar ao acervo de estórias que escrevera ou juntara? Rabisquei vários e não gostei. De súbito, lembrei-me magicamente do local em que brotara o primeiro impulso da sua feitura. Mong-Há! E MONG-HÁ ficou. ” (1)

“… um conjunto de recordações, experiências pessoais entremeadas de ficção onde a temática Macau está sempre. São histórias onde aparece sempre o Henrique Senna Fernandes, vivências e observações de aspectos da realidade de Macau onde a ficção surge para dar um maior interesse àquilo que eu conto” (3)

(1) FERNANDES, Henrique de Senna – Mong Há. Instituto Cultural de Macau, 1998, 275 p., ISBN-972-35-0269-0

(2) A continuação da descrição feita por Henrique de Senna Fernandes no “Frontispício” deste livro, escrito em “Macau, Abril de 1998, na Páscoa “, poder-se-á ler em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/24/noticia-de-24-de-julho-de-1901-varzeas-de-hong-ha/

(3) Afirmações de Henrique de Senna Fernandes ao jornal ”Tribuna de Macau” em 12 de Outubro de 2018.

Anteriores referências a este escritor em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-de-senna-fernandes/

Os dois primeiros postais com fotos datadas de c. 1902, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do século – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015.(1)

Vista panorâmica da Baía da Praia Grande, de c. 1902
NOTA. Esta mesma foto já tinha sido editada em postal por “Graça &Co” de Hong Kong, com indicação de c. 1890 (LOUREIRO, João – Postais Antigos Macau, 2.ª edição, 1997, p.26)
Postal – Vista panorâmica da Baía da Praia Grande, de c. 1902, verso
Colina da Penha vista do mar, c. 1902
Postal – Colina da Penha vista do mar, c. 1902, verso

NOTA ACTUALIZADA EM 09-11-2020: Numa recente troca de informações a propósito das fotos desta colecção, Rogério Beltrão Coelho, (a quem expresso o meu agradecimento pela ajuda que me prestou) autor e editor de excelentes álbuns, precursores na divulgação das fotos antigas de Macau (2), revela o seguinte: “Esta foto “Vista panorâmica da Baía da Praia Grande”,  foi publicada no «Jornal Único», de 1898, em foto atribuída a Carlos Cabral. Eu próprio tenho afirmado ser assim, mas hoje tenho dúvidas se a fotos seriam mesmo do Carlos Cabral e julgo ter fundamento para duvidar”. Ver anterior postagem sobre o «Jornal Únicohttps://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/

(2) Nomeadamente os que possuo: “Álbum Macau 1844-1974” (1989) – Fundação Oriente; “Macau Retalhos passado-presente-futuro” (1990) – Livros do Oriente; “Álbum Macau, sítios, gentes e vivências” (1990) (com Cecília Jorge) – Livros do Oriente; “Álbum Macau-3, sítios, gentes e vivências” (1993) (com Cecília Jorge) – Livros do Oriente. ; “Álbum Macau, memória da cidade” (texto de Cecília Jorge) – (2005) – Livros do Oriente

Continuação da divulgação do programa da “SEMANA DE CULTURA CHINESA”, realizada de 30 de Setembro a 8 de Outubro de 1985, em Macau (1) com a exibição de 4 filmes chineses da empresa “Southern Film Co.”, um filme por dia, no Teatro D. Pedro V pelas 17.30 horas.

Dia 3 de Outubro – “Intelectuais Quarentões”

Dia 4 de Outubro – “Por Debaixo da Ponte”

Dia 5 de Outubro – “O Sangue é sempre Quente”

Dia 6 de Outubro – “As Memórias da Minha Cidade”

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/30/noticias-de-30-de-setembro-a-8-de-outubro-de-1985-semana-de-cultura-chinesa-i/

Hoje celebra-se o Festival de Outono, uma velha festa tradicional chinesa comemorado no 15.º dia de oitavo mês do ano que segundo historiadores chineses terá quatro mil anos, possivelmente na Dinastia Tang, mas outros afirmam ser de cerca 2000 anos, no Período da Primavera e Outono. Mais conhecida em Macau, entre os macaenses como a Festa do Bolo Lunar/ Bate Pau 月餅 ou das Lanternas. A origem do bolo lunar terá sido na dinastia Tang, mas mais popularizado na dinastia Ming (1)

Para celebrar este dia, recordo uma poesia do Padre Benjamim Videira Pires :

LUA DO «BATE-PAU»

Macau, 30 de Setembro de 1974 Benjamim Videira Pires (2)

(1) Anteriores referências a esta festa em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bolo-lunar-bolo-de-bate-pau-%E6%9C%88%E9%A5%BC/

(2) PIRES, Benjamim Videira – Espelho do Mar. Instituto Cultural de Macau, 1986, 57 p. Anteriores referências ao Padre Videira Pires em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-benjamim-videira-pires/

Programa / Catálogo com 12 folhas (5 folhas – 9 páginas em português, 5 folhas – 9 páginas em chinês e 2 folhas com anúncios em chinês), agrafadas, da “SEMANA DE CULTURA CHINESA”, realizada de 30 de Setembro a 8 de Outubro de 1985, e editada pelo Instituto Cultural, com a colaboração do sector publicitário e cultural da Firma Nam Kwong, Livraria Seng Kwong, Ma Man Kei, Chui Tak Kei e “Southern Film Co.”

CAPA: 25 cm x 24,2 cm

No dia 30 de Setembro foi a inauguração no Teatro Alegria, pelas 20.00 horas, com a apresentação do Grupo de Música e Dança de Cantão que actuaram também nesse teatro, com o mesmo programa, nos dias 1 e 2 de Outubro de 1985.