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Continuação da leitura do livro “CHRONICA PLANETARIA (Viagem à Volta do Mundo) ” de José Augusto Correa, publicado em 1904 (1), referido em anteriores postagens (2)

“Uma das primeiras curiosidades de Macau que, naturalmente, o forasteiro procura vêr, é a afamada Gruta de Camões. A collina que a encerra é um pedaço do Bussaco transplantado ao extremo-oriente, assim como a avenida da Praia Grande é, em miniatura, a Promenade des Anglais, em Nice. Visitei a Gruta em um Domingo (22 de Junho). Ao aproximar-me do portão que, ao canto de uma pequena praça, dá entrada ao famoso recinto, ouvi canticos religiosos. Á direita de onde eles partiam vi uma fachada de egreja com uma porta aberta e entrei. Era um templo protestante, e na ocasião um padre inglez discursava. Retrocedendo tranpuz o portão e achei-me em face de um bello prédio azul que serve de repartição de obras públicas. (3) Na frente há um jardim. Contornando este, transpondo outro portão e descendo uma escada, penetra-se na pequena eden que inspirou o grande vate.

Segue-se no bosque um arruado amenisado por massiços de cannas e copado arvoredo, até que um caminho á esquerda, subindo o suave outeiro, nos leva ao local onde uma grande pedra, pousada sobre outras duas, cobre o busto, em bronze, do sublime épico, assente em um pedestal de granito. Sobre as quatro faces de base, estão gravadas outras tantas estancias dos Lusíadas e ao lado esquerdo, quatro grande pedras graníticas, encostadas as rochedo conteem sonetos dedicados ao cantor immortal. Este logar é impropriamente chamado gruta, visto que lhe falta a concavidade interior.

BUSTO DE CAMÕES NA GRUTA . 1957

É de crer que Camões se inspirasse alguns passos mais acima, no vértice da collina que domina o esplendoroso panorama do porto, da cidade, das ilhas circunvizinhas e de liquida imensidade. N´este alto está uma guarita de pedra e cal, onde de abrigou La Perouse, (4) ao acertar os instrumentos nauticos com que navegou para a imortalidade.”

(1) CORREA, José Augusto – Cronica Planetaria (Viagem à volta do mundo), 2.ª edição. Editora: Empreza da História de Portugal, Lisboa, 2.ª edição, 1904, 514 p. Illustrada com 240 photogravuras; 15,5 cm x 21 cm.

(2)https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/07/04/leitura-chronica-planetaria-de-jose-augusto-correa-i/

(3) Esta casa (Casa Garden) construída em 1770, era originalmente a residência de um rico comerciante português, conselheiro Manuel Pereira. Posteriormente, foi alugado para a Companhia das Índias Orientais.

Em 1885, o seu genro Lourenço Marques, que herdou a propriedade, vendeu-a ao Governo. Em 1887, instalou-se aí a Direcção das Obras Ppblicas, e depois em 1931, a Imprensa Nacional de Macau. Tornou-se parte integrante do Património Mundial da UNESCO Centro Histórico de Macau em 2005. Hoje em dia, é a sede da Fundação Oriente.

(4) Em 3 de Janeiro de 1787, fundearam, no ancoradouro da Taipa, os vasos de guerra franceses «Astrolabe» e «Boussole», e os seus oficiais, sob a direcção do Conde Jean François de Lapérouse. (1714-1788), que por ordem de Luís XVI fazia uma viagem de exploração científica à volta do mundo  Estiveram instalados no recinto da Gruta de Camões, onde efectuaram várias observações astronómicas. (SILVA, Beatriz Basto de – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997)

Ver anteriores referências à Gruta de Camões, em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/15/macau-e-a-gruta-de-camoes-iv/

Do livro da Professora Dra. Ana Maria Amaro,Jogos, Brinquedos e outras Diversões Populares de Macau” (1), de 1972, a propósito dos teatros de sombras, nomeadamente os “sombras das mãos – Sau Ieng Chi 手影子” (2) –  retiro este pequeno texto (p. 62)
“Hoje, em Macau as figuras mais frequentes, que as próprias crianças fazem com as mãos, projectando-as na parede, com acessórios simples, são as mais popularmente conhecidas e divulgadas, também no hemisfério ocidental.
Desde o vulgar gato, em que o indicador e o dedo mínimo duma das mãos, dobrados, formam as orelhas, o antebraço, o corpo e, o dedo mínimo da outra mão, a cauda, à pomba e à águia em voo, batendo as asas, até às figuras mitológicas, a que se aliam, aos dedos, hastilhas de bambu, e às vezes, pedaços de papel dobrados ou recortados, são conhecidas numerosíssimas figuras.
Mães e criadas organizavam sessões de sombras, às vezes acompanhadas de citações, adivinhas ou onomatopeias, e as crianças tinham de as interpretar, o que causava a maior excitação e entusiasmo, por comparticipar, assim, na brincadeira. Era um curioso processo educativo que, hoje a televisão veio substituir.
Lembram-se, ainda hoje, filhos da terra e antigos residentes, dos espectáculos de auto do pau. Estes espectáculos já não eram realizados na casa do auto, actual Teatro Cheng Peng, onde se representavam as óperas chinesas, mas nas ruas, em tendas armadas em estilo de pagode, onde alguns mestres faziam actuar figuras de pau e bambu, que possuíam, apenas, cabeças e braços móveis, e, por vezes, roupagens ricamente bordadas. Estes autos de pau, eram sobretudo, representados no terreiro defronte do templo de Kuan Tai (關帝) da chamada Associação das Três Ruas, vizinho do Mercado de S. Domingos. Desapareceram nos princípios deste século.
Os teatros de sombras, há muito que não existem em Macau, tendo-se perdido, na maioria dos macaenses, a sua própria recordação. Só alguns dos residentes mais antigos se lembram de teatrinhos deste género, montados em tendas ambulantes, que se exibiam, principalmente em noites calmosas, ao longo da Praia Grande.
Ao que consta, eram habituais os teatros de sombras na meia laranja, que restava dum antigo fortim existente defronte da actual Firma F. Rodrigues & C.º, diante do que foi, dantes, a casa do 1.º conde de Senna Fernandes, na Praia Grande.”
(1) AMARO, Ana Maria – Jogos, Brinquedos e outras Diversões Populares de Macau. Imprensa Nacional, 1972.
No verso da contracapa, refere 1976:
“Este livro acabou de se imprimir aos seis dias do mês de Agosto de Mil Novecentos e Setenta e Seis nas Oficinas Gráficas da Imprensa Nacional de Macau”
(2) 手影子mandarim pīnyīn: shǒu yǐng zǐ; cantonense jyutping: sau2 jeng2 zi2

Nesta data, 2 de Novembro de 1835, o procurador da Cidade Francisco António Pereira da Silveira oficiou ao mandarim da Casa Branca dizendo que pela frequente ida e vinda de soldados para a Fortaleza da Barra, se tornava necessário construir uma estrada de 10 côvagos de largura desde o Pagode até à Fortaleza.

postal-templo-de-a-maPOSTAL: Templo de A-Ma – Porta da Entrada –
A-Ma Temple – Entrance Gate
媽閣廟入口大門
Direcção dos Serviços de Turismo de Macau
LITO: Imprensa Nacional de Macau

Mas como esse lugar estava repleto de barracas, «que os chincheus diariamente fazem, formando-se becos, ficando por isso intransitável», pedia ao mandarim que mandasse desmanchar as barracas dos chineses existentes entre o templo e a fortaleza da Barra, permitindo assim aos obreiros chineses que construíssem a estrada. (1) (2)
A 1 de Dezembro de 1940, foi aberta a Estrada da Barra. (3)
mapa-da-barra(1 GOMES, L. G. –Efemérides da História de Macau, 1954
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.
Embora nesta obra, esteja referido «Estrada da Barra», aberta a 1 de Dezembro de 1940, esta designação não consta no cadastro de Macau. Com a «Barra» está associado a Rua da Barra, a Travessa da Barra, o Beco da Barra, o Pátio da Barra, a Calçada da Barra, o Largo do Pagode da Barra, e a Rampa da Barra.
A Rampa da Barra que começa no início da Calçada da Barra/ fim da Rua da Barra “sobe” em direcção á encosta da Colina da Barra mas conforme mapa actualizado não tem saída. (?).  Esta última via é a única que não consta nos Anuários de Macau até 1940. Assim também a designação da ligação actual do Largo do Pagode da Barra (媽閣廟前地) para a Fortaleza da Barra/ Pousada de Santiago que se faz através da Rua de S. Tiago da Barra (3) que em chinês 媽閣上街 se denomina «Rua acima da Barra». Possivelmente será esta a Estrada mencionada.
(3) “A Fortaleza de S. Tiago da Barra que era do tamanho de uma pequena aldeia, embora muito mais pequena em área, no presente, sofreu muitas alterações tanto na sua traça como no tamanho. O aparecimento da Rua de S. Tiago provocou a maior parte das suas mutilações e, como resultado, muitos dos seus elementos principais e históricos desapareceram.
GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau. Concepção e História. I.C.M., 1985
Ver anteriores referências a esta Fortaleza, hoje Pousada em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fortaleza-de-s-tiago-ou-da-barra/
 
Rua S. Tiago da Barra – 媽閣上街mandarim pīnyīn: mā gé shàng jiē; cantonense jyutping: maa1 gok3 soeng3 gaai1 (rua acima da Barra)
Largo Do Pagode Da Barra – 媽閣廟前地mandarim pīnyīn: mā gé qián shàng dì,  cantonense jyutping: maa1 gok3 miu6 cin4 dei6 (terreiro à frente do templo de Á Má/Barra)
Rua da Barra – 媽閣街mandarim pīnyīn: mā gé jiē; cantonense jyutping: maa1 gok3 gaai1 (rua da Barra)
Calçada da Barra – 媽閣斜巷mandarim pīnyīn: mā gé xié hàng; cantonense jyutping: maa1 gok3 ce3 hong6 (via inclinada da Barra).

MEU ALBUM Rochedo TAI UT Barra 3AGO2005Os dois caracteres vermelhos “Tái Ut” – 太乙 (1) num dos rochedos do Templo da Barra.
Foto pessoal – 3 de Agosto de 2005

A lenda associada aos dois grandes caracteres vermelhos – Tái Ut – que se encontram numa rocha do Templo da Barra e que remonta ao tempo do estabelecimento dos portugueses em Macau, é -nos contada por Luís Gonzaga Gomes(2).
“Nesse tempo, lorchas carregadas de mercadorias e provenientes de todos os portos da China fundeavam no porto interior, junto ao templo de T’in Hau, a Soberana do Céu, protectora das gentes do mar, de quem eram extremamente devotos.
Curioso, porém, é que apesar desse fervor religioso, dir-se-ia que os navegantes se encontravam em desfavor da sua patrona, pois todos os anos, nas proximidades do dia 23 da 3ª lua, dia consagrado à festividade da T’in Háu, não deixava de se dar um estranho naufrágio, em frente do seu templo. Tal facto, atribuíam à ausência de T’in Háu, (3) que nessa ocasião visitava a sua terra natal, Tin-Pou, em Fuquiem.(4)
Houve um ano, porém, que aportaram todas as embarcações excepto uma, a de Mâk Kâm Tái, que, por andar atarefado, não conseguira chegar a tempo para as festividades de T’in Háu. Porém, para os lados das Nove Ilhas, formou-se uma nuvem negra que, absorvendo as águas do mar e formando uma coluna de água, envolveu a embarcação de Mâk Kâm Tái, desfez-la em mil pedaços que se esfrangalharam de encontro à superfície do mar. Apesar do desastre ter ocorrido em frente do templo, onde se encontravam centenas de embarcações, estas nada sofreram e ninguém se apercebeu da tragédia. Apenas dois tripulantes se salvaram, testemunhas de tão terrível tragédia. Como tal calamidade ocorria periodicamente e todos os anos, por essa data, destroços de naufrágios apareciam em frente ao templo, cresceu o culto dos marítimos à deusa.”

POSTAl 1986 Temploda Barra DSTPOSTAL – “Temple of the goddess A-Ma (the name of Macau derived from)” – 1986
Copyright Dept. of Tourism (D.S.T.) MACAU – 86-12
Impresso na Gráfica de Macau Lda.

……..Ora vivia nesse tempo um geomante aureolado de grande fama, pois estava mais que comprovada a infalibilidade das suas pronunciações. Não havia cidade, povoação ou aldeia na província de Kuóng-Tông (5) onde o nome desse  têi-lei-sing-sâng (geomante) não fosse referido com o maior respeito.
Chamava-se Lái-Pôu-I e aconteceu ter vindo nessa  época a Macau. Um dia resolveu ir visitar o Templo da Barra.  Achou o sítio encantador e quedou-se meditando, durante algum tempo, em frente dos admiráveis conceitos inscritos na áspera superfície de vários rochedos. Quando chegou diante duma enorme fraga, para comprazer os que o acompanhavam, pôs a estudar o local com a sua ló-p´ún (a bússola dos geomantes) junto de uma enorme rocha. Depois de apalpar o lóng mak (o pulso do dragão), segundo as regras da ciência de que era senhor. Ao cabo de algum tempo, voltou-se para os circunstantes e disse-lhes suspirando:
– Não há dúvida. É exactamente aqui neste sítio onde a virulência do ar nocivo é mais acentuada.
Contaram-lhe dos naufrágios, que todos os anos ocorriam mesmo em frente do templo. Disse, então, Lái Pou I, que era preciso contrapor, quanto antes, a influência do ar nocivo, pois «a corrente da Ribeira Grande, na fronteira ilha da Lapa, entra na porção do rio que fica em frente ao templo, escavando, no seu ímpeto, o leito, de forma a moldá-lo numa larga e profunda bacia semelhante a uma rede de pesca. Por sua vez, a Ribeira Grande age como um pescador, que ao lançar a sua rede colhe, todos os anos, uma embarcação». Foram estas as palavras do famoso geomante. Os marítimos, por sua vez, trataram de angariar uma larga soma para pagar a Lái Pou I por forma a que este acabasse de vez com tal nefasta influência.
Templo da Barra Rochedo TAI UT

Lái Pou I traçou na rocha os dois grandes caracteres vermelhos – Tái Ut – que significam causa primordial, a frase tauista que impede qualquer tipo de desgraça. Depois, debaixo da rocha, enterrou uma espada com o gume voltado para a Ribeira Grande, para cortar as cordas da nefasta rede. «Desta forma, o pescador, criado pela fértil imaginação do geomante, ficou inibido de puxar a sua malfazeja rede e, por tal facto, daí em diante, nunca mais se registou a ocorrência de naufrágios misteriosos em frente do templo da Barra».”

POSTAL FAmoso Rochedo Templo da Barra Sem dataPOSTAL  – Templo de A-Ma – Famoso Rochedo/A view of the A-Ma Temple – Famous Rock/媽閣廟 名巖 (6)   – S/ data,  provável da década de 90
Direcção dos Serviços de Turismo de Macau
Lito:  Imprensa Nacional de Macau

(1) 太乙- mandarim pinyin: tài yǐ;  cantonense jyutping: taai3 jyut3.
(2) GOMES, Luís Gonzaga – A Rocha de “Tái Ut” do Templo da Barra, in Macau Factos e Lendas, ICM, 1994.
(3) 天后mandarim pinyin: tiān hòu; cantonense jyutping: tin1 hau6. Deusa do mar/imperatriz do céu, também conhecida por Mazu –  媽祖; Local de nascimento  Meizhou (湄州) em  Putian (莆田縣), Província de Fujian.
(4) 福建 -Fujian, Fukien, Fuquiém ou Hokkien.
(5) 廣東 – Guangdong, Kuangtung ou província de Cantão.
(6) 名巖  – mandarim pinyin: ming yán; cantonense jyutping: meng 4 ngaam4.

DicionárioChinês-Português 1962 CAPACapa dura sem as letras (amarelo-ouro) visíveis, gastos pelo uso.

Dicionário Chinês-Português 中葡字典, edição do Governo da Província de Macau, composto, impresso e litografado no ano de 1962 na Imprensa Nacional de Macau.
DicionárioChinês-Português 1962 LOMBADAA impressão deste dicionário iniciou-se a 16 de Fevereiro, estando presente o Governador, tenente-coronel do C. E. M., Jaime Silvério Marques.
Acabou de se imprimir este dicionário chinês-português na oficina litográfica da Imprensa Nacional de Macau, aos sete de Julho do ano de mil novecentos e sessenta e quatro.
Dimensões: 19,3 cm x 13 cm x 5cm (lombada), com 921 páginas.
A lombada também sem as letras bem visíveis.
DicionárioChinês-Português 1962 1.ª PáginaO livro é dedicado, como “homenagem do Governo de Macau, ao Dr. Sun Yat Sen (1866-1925). O Dr. Sun Yat Sen viveu em Macau, onde exerceu clínica médica. A sua residência, hoje museu, constitui um monumento da Cidade.
DicionárioChinês-Português 1962 Sun Yat Sen“O dicionário baseia-se, quanto à pronúncia cantonense, nos dicionários A CHINESE-ENGLISH DICTIONARY IN THE CANTONESE DIALECT, do Dr. Esrnest John Eitel, LE DICTIONAIRE CHINOIS-FRANÇAIS, do Pe. Louis Aubazac, e no Novo Dicionário Chinês, com pronúncia mandarina e cantonense, de Wong Chông T´óng, da Casa Editora K´wan Yick e, quando aos significados dos mesmos caracteres, servimo-nos, além dos citados, dos dicionários de Hóng-Hei, Ch´i-Yun, Ch´i-Hói e outros.” (2)
DicionárioChinês-Português 1962 InstruçõesComo exemplo duma apresentação dum caracter pronunciado em cantonense segundo este dicionário como «FÔK» , vemos todas as variantes deste “tom” nas páginas 192-195 (entre parênteses apresento a pronunciação em pinyina vermelho e em cantonense jyutpinga azul) (3)

DicionárioChinês-Português 1962 Pgs 192-193

fôk – Tira de pano. Letra designativa de mapa, parede, pintura, etc. (; fuk1)
fôk  – Felicidade. Auspicioso. (; fuk1)
fôk – Ventre, abdómen. (; fuk1)
fôk – Morcego. (; fuk1)
fôk – Réptil venenoso. (; fuk1)
fôk – Dobrado. Duplicado. (; fuk1)
fôk – Tornar a. Tombar. Derrotar. Responder.(; fuk1)
fôk – Raios de uma roda. (; fuk1)
fôk – Prostar-se. Esconder-se. Humildemente. (; fuk6)
fôk – Mais uma vez. Novamente. Repetir. Restaurar. (; fuk6)
fôk – – Vestuário, Submeter-se. Luto. Dose. Tomar medicamento. (; fuk6)
fôk – Raiz da China (botânica). (; fuk6)
fôk –Pano para embrulhar roupa. (; fuk6)

(1) 葡字典mandarim pinyin: zhōng pú zì   dian; cantonense jyutping: zung1 pou4  zi6 din2.
(2)  A Comissão encarregue da feitura deste dicionário era constituída por A. H. de Mello, Padre António André Ngan e Padre Luís Hó.
Recorda-se que o Padre (depois, em 1976, Monsenhor) António André Ngan Im-Ieoc (1907-1982) foi governador do bispado (1966) e vigário-geral (1966-1974), sendo o primeiro chinês a ocupar estes cargos. É autor de vários livros bilingues nomeadamente do mais antigo manual de estudo de português nas escola chinesas.
NGAN, António André – Método de português: para uso das escolas chinesas. Imprensa Nacional, edição de 1977.
Outro livro de grande interesse:
NGAN, António André, Monsenhor – Concordância sino-portuguesa de provérbios e frases idiomáticas. Macau : Associação de Educação de Adultos de Macau, 1998. – 274 p.; 24 cm. – Edição bilingue.
(3) Actualmente como acontece com a uniformização da romanização do chinês (mandarim) com o sistema pinyin, também para o cantonense se adopta o sistema jyutping, sistema que apresento no meu blogue. No entanto mantenho a minha consulta neste dicionário para tirar dúvidas, pois adopta uma pronúncia do cantonense que eu aprendi.

Macau B.O. I- 1954, n.º 12 Imprensa OficialO «moderno» edifício da Imprensa Nacional, em 1954

 No dia 28 de Janeiro de 1954, o Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, inaugurou o novo edifício da Imprensa Nacional (1) “um edifício moderno, amplo, com magníficas instalações à altura das necessidades presentes e futuras”. (2)

Macau B.O. I- 1954, n.º 12 Inauguração corte fitaO acto do corte da fita simbólica

Após o corte da fita simbólica, a esposa do Governador descerrou uma lápide comemorativa.
Na sessão inaugural realizada no Gabinete de trabalho do administrador da Imprensa, discursaram o Chefe da Repartição Central dos Serviços de Administração Civil, Intendente José Peile da Costa Pereira, o Administrador da Imprensa Nacional, Jaime Robarts  (3) e o Governador.

 Macau B.O. I- 1954, n.º 12 IDiscurso Governador«… Dentro de vasto campo de realizações registadas em todas as terras portuguesas, Macau marca a sua posição enriquecendo pouco a pouco o seu património» – afirmou o Governador

O Intendente de Distrito, José Peile de Costa Pereira,  no seu discurso, lamentou que estando orçamentada uma verba para a instalação da oficina litográfica, o que permitiria a Imprensa Nacional passar a imprimir os selos de assistência e as etiquetas usadas pelos Serviços Económicos nas mercadorias sujeitas ao imposto de consumo, por circunstâncias várias, essa instalação não foi adquirida o que representaria uma economia para o Território, já que eram feitas em Hong Kong.

Macau B.O. I- 1954, n.º 12 Visita instalaçõesAs entidades oficias observam a nova máquina de fundição tipográfica

Imprensa OficialNOTA: outras informações da Imprensa Nacional e fotos da inauguração do edifício, podem ser observadas em
http://bo.io.gov.mo/galeria/pt/histio/fotoarquivo.asp

(1) Na Rua dos Prazeres, nessa data 28-01-1954, rebaptizada de Rua da Imprensa Nacional, s/n.
A Imprensa Nacional foi criada por Decreto de 19 de Julho de 1901 (2) (outras fontes apontam outra data) (4) (5). Ao longo dos anos até esta inauguração, ocupou em primeiro, um edifício na Calçada do Bom Jesus (até aí as publicações oficiais eram impressas em tipografia particular) (5). Depois esteve sucessivamente em outros seis: Rua do Hospital (hoje, Pedro Nolasco), na Rua do Gamboa, na Rua Central, na Rua da Praia Grande, na Rua de Inácio Baptista e na «Casa Garden» (1930-1953; com a saída da Imprensa Nacional, aproveitamento das instalações para instalação do Museu Etnográfico Luís de Camões). A iniciativa da construção de um edifício próprio foi do anterior Governador, Albano Rodrigues de Oliveira. Custou ao Estado, $ 403.901, 49 patacas.
(2) Fotos e reportagem de ”Macau Boletim Informativo”, 1954
(3) Jaime Robarts foi Administrador da Imprensa Nacional de Macau de 1947 a 1973.
(4) “16 de Novembro de 1900:  É criada a Imprensa Nacional de Macau, autorizada por S. Ex.ª o Ministro da Marinha e Ultramar (Ofício n.º 106, de 27-12-1899, telegrama ministerial de 12-11-1900), e nomeado «provisoriamente director-compositor da Imprensa Nacional o maquinista naval José Maria Lopes, adido à capitania do porto» (Portaria Provincial n.º 151, de 16-11-1900).”
http://bo.io.gov.mo/galeria/pt/histio/fundacao.asp
(5) “16-11-1900José Maria Horta e Costa publica a criação da Imprensa Nacional de Macau que estará pronta a funcionar a partir de 1-01-1901, cessando nesse dia o «contrato celebrado com Jorge Carlos Fernandes para a impressão do Boletim Oficial da Província de Macau
01-01-1901 – Fundação da Imprensa Nacional de Macau.
04-01-1901 – O Boletim do Governo passou a ser impresso na Imprensa Nacional de Macau” .(Luís G. Gomes aponta a data de 05-01-1901)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.

Tipografia N. T. Fernandes IA Tipografia Mercantil N. T. Fernandes e Filhos conforme indica este anúncio, publicado em 1922, foi fundada em 1855 (1). Foi seu fundador Nicolau Tolentino Fernandes (1823-1893) e sucedeu-lhe no cargo, seu filho Jorge Carlos Fernandes.
A importância desta Tipografia para além de todo o tipo de “trabalho tipográfico em todos os géneros” (e muitas outras impressões, conforme se anuncia) foi a empresa encarregada de imprimir o Boletim do Governo, a partir de 8 de Janeiro 1879 (8 de Janeiro) assim como outros impressos oficiais (2), até 1 de Janeiro de 1901 (data da cessação do contrato com Jorge Carlos Fernandes (3)

Tipografia N. T. Fernandes IIEste anúncio da mesma data (1922), já apresenta o filho do fundador, Jorge Carlos Fernandes como “gerente e comproprietário” e indica como local da empresa: Rua Central n.º 26 e 28.
Há uma nota, na “Cronologia da História de Macau” da Dra. Beatriz Basto da Silva (4) salientando que, em 21 de Janeiro de 1889, a Tipografia Mercantil tinha mudado as suas instalações para a casa N.º 1 da Rua de S. Lourenço e N.º 5 da Rua dos Prazeres.

(1) Beatriz Basto da Silva (4) aponta para 1868 o inicio da Tipografia. 1868 – Começa em Macau, com um pequeno prelo a Tipografia Mercantil…”
(2) O contrato é elaborado a 26-02-1890 entre o Estado e Nicolau Tolentino Fernandes (4)
(3) “16-11-1900 – José Maria Horta e Costa publica a criação da Imprensa Nacional de Macau que estará pronta a funcionar a partir de 1 de Janeiro de 1901, cessando nesse dia o «contrato celebrado com Jorge Carlos Fernandes para a impressão do Boletim Oficial da Província de Macau» “
01-01-1901 – Fundação da Imprensa Nacional de Macau, ficando os serviços instalados num edifício da Calçada do Bom Jesus. Até aí as publicações oficiais eram impressas em tipogafia particular…”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)