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Grande fábrica de panchões ao Norte de Macau

No Anuário de Macau de 1927, estão referenciadas 8 fábricas de panchões (cuja exploração anual era superior a um milhão de patacas), somente uma no norte de Macau (na foto) na Rua Norte de Mong Há – Firma Tong Cheong .

Nova fábrica de tijolos nos terrenos conquistados ao Norte da Ilha Verde

No Anuário de Macau de 1927, estão referenciadas 4 fábricas de tijolos, duas localizadas na Ilha Verde: a firma “The Green Island Cement Works” (gerente T. Arnott) (1) e a referida nesta foto, a ”Macau Brick Work Ltd” (gerente Im Chung Fook) no Norte da Ilha Verde.
(1) A sua produção principal era o cimento que exportava em grandes quantidades para Hong Kong e várias outras partes. Ver referências anteriores:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fabrica-de-cimento-ilha-verde/  
Fotos extraídas de “Anuário de Macau – ano de 1927

Mais duas fotografias publicadas no Anuário de Macau de 1922 (1) (infelizmente sem grande nitidez) com o ´titulo de “MACAU ARTÍSTICO”

Vista parcial da cidade: à esquerda a Praia Grande, à direita a ilha Verde e parte do pôrto interior; no fundo a ilha da Lapa
Rada de Macau:à direita vê-se a Praia Grande; ao centro o Chunambeiro e a colina da Penha, à esquerda a ilha da Lapa e entrada do pôrto interior

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/07/09/macau-em-1922-fotografias/

Neste dia, 27 de Julho de 1862 (ver também anterior postagem de 27-07-2012) (1) perderam-se 40.000 vidas em Cantão, Hong Kong, e Macau, devido a um horrível tufão.
Retirei este extracto – descrição do temporal e os estragos – do «Boletim do Governo de Macau», VIII- n.º 35 de 2 de Agosto de 1862.

21-07-1831Correspondência entre o Mandarim de Heong-San e o Procurador de Macau, sobre a posse («há mais de 200 anos») e obras da Ilha Verde. Os portugueses só teêm resistência autorizada dentro das muralhas. A Ilha Verde está fora delas, no mar, à distância de alguns lis; por isso não é portuguesa …..”
(GOMES, L.G.-Efemérides da História de Macau, 1954)
PEREIRA, A. Marques – Ephemerides Commemorativas da História de Macau e das Relações da China com os povos christãos. Edição de José da Silva, 1868 pp. 65- 66

Duas fotografias publicadas no Anuário de Macau de 1922 (as mesmas fotos estão reproduzidas em outras publicações dessa época com maior nitidez) com os títulos de “MACAU ARTÍSTICO” e “MACAU RENASCENTE”

MACAU ARTÍSTICO
Vista parcial da cidade; à direita vê-se o porto exterior da Rada de Macau; à esquerda o porto interior
MACAU RENASCENTE
Vista parcial da cidade: à esquerda o Bairro de Patane; à direita a Ilha Verde e a antiga estrada de comunicação entre a cidade e aquela ilha. Ao norte e sul da estrada vêem-se os aterros feitos nessa época pela Direcção das Obras dos Portos com o produto das dragagens e as docas em construção e o varadouro do Patane. Ao fundo avista-se a ilha da Lapa-

Fotografia da capa – Ferreira de Castro na Porta do Cerco

Livro de 1998, com o título “Macau e a China”, (1) uma edição especial bilingue (em português e em chinês) da Câmara Municipal das Ilhas (por ocasião das comemorações do Dia das Ilhas) contendo parte do relato de viagem que o escritor Ferreira da Castro (2) efectuou entre 1939 e 1944 com a sua mulher, Elena Muriel, nomeadamente a passagem por Macau e China, publicada no Capítulo “China” do seu livro de viagem “ Volta ao Mundo” (nas pp 467 – 522. (3)
Com um pequeno prefácio (p. 5) de Joaquim Ribeiro Madeira de Carvalho (então Presidente da Câmara Municipal das Ilhas) e introdução/nota bibliográfica de Ricardo António Alves intitulada «Ferreira de Castro na “Cidade de Lilipute”».
A propósito de uma foto do escritor na Gruta de Camões (p. 13), escreve Ferreira de Castro: (pp. 36-37)
“Atravessamos os bairros novos e subimos a outra colina, a de Camões. No seu glauco sopé fecha-se um vetusto cemitério protestante, com as suas marmóreas sepulturas em forma de caixas quadrilongas. Nestas velhas tumbas encontram-se alguns dos primeiros europeus que morreram no Extremo-Oriente, sobretudo alguns magnates ingleses da famigerada Companhia das Índias, senhores que foram de milhentas traficâncias e de fabulosas riquezas, agora em repouso e olvido entre as bravas ervas que crescem em derredor de seus mausoléus. Poetas, missionários, nautas britânicos e esbeltas loiras de Albion dormem também, sob o sol da Ásia, na vizinhança dos feros homens que só o oiro adoravam. Uma indiscrição, um lagarto sobre as letras já a desvanecerem-se e o silêncio que vai dum extremo a outro do cemitério, como presença inexorável.
Mais acima da necrópole, topa-se um pequeno museu e, depois, entramos nas verdes sendas da colina de Camões. É um admirável parque, cheio de amáveis recantos, de árvores seculares, de flores, de chineses que meditam sobre os bancos, de pares que buscam as sombras e de crianças que brincam nas clareiras. Situado junto ao porto interior, o outeiro oferece belas perspectivas sobre os juncos ancorados, a Ilha Verde, no flanco da península, e as distantes montanhas de Chung-Shan. A única coisa feia é , justamente, a gruta onde o épico teria escrito parte dos “Lusíadas”. Dois penedos verticais, sobre eles um penedo horizontal, eis o sítio que se julga eleito por Camões para nele trabalhar. Sugestivo seria, sem dúvida, o lugar no tempo em que o poeta desempenhou, talvez, em Macau, o burocrático ofício de “Provedor dos defuntos e ausentes”..Mas, hoje, com um pobre busto de Camões entre as rochas e várias lápides portugueses e chinas em derredor, o que houve, aqui, de rude, de beleza selvagem, transformou-se numa espécie de fruste necrópole. “

Macau – A Gruta de Camões onde o poeta teria escrito parte de «Os Lusiadas»
Legenda e foto da p. 482 do livro “A Volta ao Mundo” (3)

(1) CASTRO, Ferreira de – Macau e a China. Câmara Municipal das Ilhas. Direcção da edição: António Aresta e Celina Veiga de Oliveira, 1998,115 p. ISBN972-8279-23-X (Versão Portuguesa)

Capa + contracapa

(2) Na contra-capa do livro: “No Romance português há um antes e um depois de Ferreira de Castro (1898-1974). Este escritor autodidacta, de origens camponesas humildes, nascido no litoral centro de Portugal, emigrado aos doze anos incompletos, em plena Amazónia (1911-1914) e, depois como afixador de cartazes, marinheiro e, por fim, jornalista em Belém (1914-1919), capital do estado brasileiro do Pará, em cuja biblioteca leu avidamente Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós, Balzac e Zola, Nietzsche e Gorki; o literato que após o regresso ao seu país continuou no jornalismo, apenas como meio de sustento que lhe possibilitasse escrever os seus primeiros livros; o jovem Ferreira de Castro, aos trinta anos, com o livro Emigrantes (1928), mudou o rumo da ficção narrativa portuguesa, passando a ser uma das figuras de proa – ou a figura de proa – entre os finais dos anos vinte e a primeira metade da década de cinquenta” (Ricardo António Alves)
(3) CASTRO, Ferreira de – A Volta ao Mundo. Emprêsa Nacional de Publicidade, 1944, 678 p.
Anteriores referências a este escritor em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/05/leitura-a-volta-ao-mundo-ferreira-de-castro/

Mais postais antigos de Macau que circulam (alguns encontram-se á venda) nos sítios electrónicos.

POSTAL – The Guia Fort  Lighthouse, Macao
Sold by Graça & Co Hong Kong, China, 1899
POSTAL – Facade of the ancient Jesuit Church, Macao
Sold by Graça & Co., Hong Kong, China, 1899 
POSTAL – Macao – Panorama (1)
Sold by Sternberg, China ( ? 1890 1890)

(1) Este mesmo postal já anteriormente publicado (colorido). Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/03/23/postais-macau-em-bilhetes-postais-antigos-ii/

Postal emitido pela Companhia “Green Island Cement C.º Ltd” de Hong Kong com fotografias das instalações de Hong Kong e da sua fábrica em Macau. (1) (2)
Anúncio de 1912, da mesma companhia, em Hong Kong, onde se encontrava a direcção da empresa, com a lista dos seus funcionários superiores (em baixo)
Extraído de «The Directory & Chronicle of China , Japan… », 1912»
(1) Entre 1882 e 1883, o comerciante chinês Yu Ruiyun fundou a Fábrica de Cimento da Ilha Verde. Por volta de 1886 terá sido vendida a uma empresa americana «Russell & Company» (3) que a revendeu a uma firma inglesa sediada em Hong Kong em 1891.
A Fábrica de Cimento prosperou até carecer de matéria-prima (pedra que deveria vir de Cantão) nos anos 30. Conservando o nome da Fábrica de Cimento da Ilha Verde, mudou-se para Kowloon, Hong Kong, e ainda hoje existe. (SILVA; Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
(2) “In 1898 or 1899, the  “Green Island Cement Company Limited” moved to a location on the harbour front at  Hok Yuen, an area in East Kowloon near Hung Hom where  a larger and more fully equipped factory was built. (The Macau “factories”  appear to have continued.)”
http://industrialhistoryhk.org/green-island-cement-company/
(3) “07-05-1886 – Celebrou-se um contrato entre o Seminário de S. José e Creasy Evens (solicitador judicial, representante da firma) que estabeleceu na Ilha Verde a «Green Island Cement Company, Limited», (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
“1886 – Começou a funcionar, na Ilha Verde, a fábrica de cimento, a cargo de comerciantes ingleses que alugaram o local ao seminário de S. José. Tinha adjacente a produção de tijolos e de cal; além de servir Macau também exportava. Decaiu só quando, cerca de meio século mais tarde, deixou de receber matéria prima de Cantão. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995)
08-02-1926 – Rescisão do contrato de arrendamento do terreno a sul da Ilha Verde com a área de 13.335 m2 feito a favor “The Green Island Cement Co Ltda”  (F.A.C. – Processo 15162 a 15175)
http://www.macaudata.com/upload_files/book/1065/p-163.html
1936 – Faliu a Companhia de Cimento que, por contrato celebrado pelo sr. Creasy Evans, com o Seminário de S. José, se estabelecer na Ilha Verde (SILVA; Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
NOTA: 1917 – A Rua do Hospital depois Rua de Pedro Nolasco da Silva, pavimentada nesta data pelas Obras Públicas, foi a primeira a utilizar, na sua pavimentação, cimento vindo da fábrica da Ilha Verde.  que começara a operar, por mão de ingleses, em 1886.

POSTAL –  Fábrica de cimento na Ilha Verde
Editor: M. Sternberg, c. 1900

Ainda a propósito da «Exposição Industrial e Feira de Macau», inaugurada em 7 de Novembro de 1926 (1), recupero duas fotos e informações do panfleto turístico: “A Visitors´Handbook to Romantic Macao” de 1928. (2)

A lagoa que ficava sensivelmente á frente onde hoje está a entrada do Templo Kum Iam na Avenida Coronel Mesquita e  atrás vê-se a Ilha Verde.

Commerce and Enterprice
 “ … Few commercial establishments in Macao can claim great age and this is surprising in a view of the length of time during the Portugueses have possessed Macao. All the old firms have passed out of existence. Notable exceptions are the firm  of Messrs. N. T. Fernandes & Sons, printers and publishers, founded in 1855, and kept open ever since, and A. A. de Mello, established 1840, shipping merchants and commission agents.
Fresh commercial opportunities arise almost daily and new concerns are added to the list of merchants and traders from time to time  and there are fortunes still to be made in this distant outpost of Portugal´s far-flung colonial empire. … (…)”


O pavilhão de exposição da MELCO na Feira Industrial de 1926

Industries and trade
“… The electric industry has probably more than any other contributed to the well-being of the colony by supplying what was essential for the development of Macao. The Macao Electric Company was established in 1910 and since that day the progresso of Macao has been rapid.
Of Industry and Trade at Macao there is much for us to note. It was as a trading centre that Macao was founded; as such it shall always continue to exist. At a time when the activities of the nation were exclusively maritime the Portuguese devoted themselves wholly to the conduct of merchandise in Lusitanian vessels, and reaped their meet reward… (…)
… Macao is greater fishing port than any on the China cost, and preserved fish from Macao follows the Chinese the world over. Its cement factory led to the establishment of na importante company at Hong Kong. From Macao the Portuguese in the old days sent Orange and tea plants to Portugal and Brazil, the former now established in California and Spain has given rise to a thriving industry. Macao fire-crackers have attained a reputation that in world-wide; and at Macao in Chinese received their first  lessons in many foreign industries and customs. In many other ways too has Macao contributed to European prestige in China and to the development of commerce and industry in this part of the world….(…).
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/exposicao-industrial-e-feira-de-macau/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/24/leitura-folheto-turistico-de-1928-a-visitors-handbook-to-romantic-macao/

Artigo publicado em Agosto de 1886, na revista ilustrada “As Colónias Portuguesas (1)

(1) «As Colónias Portuguesas», IV-6, Agosto de 1886.