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Extraído de «BGPMTS», I-50 de 29 de Setembro de 1855, p.199

14-09-1880 – Esta madrugada, pelas duas horas, uma lancha dos postos fiscais chineses fez fogo contra um sampá com carga de ópio, que ia tripulado por dez chineses e navegava pela costa norte da Ilha de D. João. Os chinas do sampá saltaram em terra abandonando a embarcação que foi tomada pela lancha.
Pelas 4 horas, tenho eu sabido que o ataque tivera logar tao próximo da ilha e no sítio denominado “Vai Cap Siac”, e que alguns soldados da lancha andariam na montanha em perseguição dos tripulantes do sampá, embarquei com dois soldados do destacamento e oito remadores com o fim de ir prender os soldados do mandarim.
Quando dobrava a ponta da ilha, vi fundiadas, a uma distância de 100 metros de terra, duas lanchas dos postos fiscais, as quais levantaram logo ferro e seguiram a toda a força em para Macau-Barra, e a outra a Bugio, levando esta a reboque o sampá roubado. Saltei em Vai Cap Siac a fim de procurar os soldados da alfândega chinesa, mas foi-me dito ali, por alguns tripulantes do sampá, a quem encontrei na montanha, que os soldados já tinha retirado não tendo conseguido lançarem mão de nenhum dos seus camaradas.
Consta-me que ficaram feridos dois dos tripulantes da embarcação do ópio”. (1)

MAPA da COLÓNIA DE MACAU, década de 40 (século XX)

O ofício foi enviado (2) pelo Alferes José Correia de Lemos que foi nomeado a 5 de Maio de 1879, Administrador do Concelho das Ilhas (substituto) e Ajudante do Comandante Militar e passou a efectivo a 25 de Agosto de 1879. Seria substituído em 14 de Janeiro de 1890 pelo Capitão José Maria Esteves.
Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-correia-de-lemos/
(1) TEIXEIRA, P. MANUEL – Taipa e Coloane, 1981.
(2) O Governador a quem se dirige era Joaquim Joze da Graça – 28 de Novembro de 1879 a 22 de Abril de 1883.
Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joaquim-jose-da-graca/

Eudore de Colomban 1927 - Porto Interior e parte leste da Ilha da LapaAos 6 de Outubro de 1644, Passou o Tequessy huma chapa p.ª a terra da sepultura do P. João Rõis conforme o despacho q ja tinhão dado em Cantão o Chayem, e outros Mandarins grandes, e o de Ansão. Esta chapa era p.ª a terra q defronte da Ilha Verde para dentro de parede nova: porem depois se tomou por melhor lugar para os Mandarins o dar e o pe do Monte de Oitem junto a ribeyra dagua.
Aos 26 de Outubro sendo reitor deste Collº (de S. Paulo), o Padre Gaspar de Amaral se tomou posse a 1.ª vez levantando quatro entenas com letras que dizião esta terra deo o Chayem em nome do Rey da China p.ª sepultura aos Padres de S. Paulo.
Passados alguns dias se acharão tiradas as entenas. E aos 18 de Abril de 1645 se tomou posse em forma arvorando huma cruz no monte que fica ao Leste da Ribeyra, e se tratou de cortar pedra, em virtude da chapa do Tequessi. A cidade repugnou e os Pes. sobrestiverão athe vir o Pe. Francisco Sambiasi (1) q trouxe de Kankim ordê do Rey para poder dar algumas terras devolutas e incultas; e assim em nome do sobretido rey deu terra de Oitê  (Oitem) (2) p.ª sepultura do Pe. João Rois (3), q tinha feito grande serviço ao Rey da China, como também ao Pe. Manuel Pereyra (4) a Ilha que chamão dos Bugios, e a António de Mesquita (5) huma terra q está defronte da Cidade. Tambem Oitem se nos tinha dado em virtude de outro despacho do Tutão de Cantão o anno de 1644 em agracem.to de huma peça de artelharia q cõ licença do Capitão geral tinha levado da parte do P. Reitor desta Collº o mesmo P. Sambiasi ao Tutão para se defender dos levantados. Esta fazenda se largou em 1728…” (6)
Luís G. Gomes e Beatriz Basto da Silva (7) apontam duas datas para este mesmo acontecimento.
“Em 18 de Abril de 1596, foi formalmente tomada posse na Ilha da Lapa, em Oitem, dum terreno que o Imperador da China concedeu para nele se construírem as sepulturas dos padres de S. Paulo (daí também o nome de ilha dos Padres)” e
“Em 6 de Outubro de 1644, as autoridades chinesas concederam um pedaço de terreno em frente da Ilha Verde para nele ser sepultado o padre João Rodrigues, mais tarde,  em vez desse terreno deram outro em Oitem na Ilha da Lapa.”
António Feliciano Marques Pereira em «As Alfândegas Chinezas de Macau» aponta  também o ano de 1645,  para a perpétua confirmação da posse  dada pelo imperador Shunzhi (terceiro imperador da dinastia Qing e o primeiro imperador Qing a governar toda a China),  a título de renumeração dos serviços que prestara em Pequim o padre João Rodrigues. (6)

Ta-Ssi Yang-Kuo MAPA Macau e ilhas próximas 1889MAPA- MACAU E ILHAS PRÓXIMAS
Ta-Ssi-Yang Kuo, Vol I-II, 1889-1900

(1) Francisco Sambiasi (Francesco Sambiasi -Bi Fangji 畢方濟) nascido em Cosenza, Calabria, em 1582; chegou a Macau em 1610 e faleceu em Cantão em Janeiro de 1649.
Even as late 1645, one year after the death of the last Ming emperor, the Jesuit Father Francisco Sambiasi arrived at Macao from Nanjing with further requests for Portuguese military aid in exchnage for new Ming concessions. The Portuguese iniciatives to send military aid and auxiliaries to assist Ming forces were clearly an attempt to stalilise any further deterioration in Portuguese relations with the Ming. Wittingly or unwittingly, the Portuguese were embroiled in the internal politics in the dynastic transition between the Ming and the Qing.”
ZHANG Yongjin  – Curious and exotic encounters: Europeans as supplicants in the Chinese Imperium, 1513-1793 p. 64pp. in SUZUKi, Shogo;; QUIRK, Joel – International Orders in the Early Modern World: Before the Rise of the West. Routledge, 2014, 214 p.
Anterior referência a este jesuíta em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/12/noticia-de-12-de-dezembro-de-1643-envio-de-artilheiro-para-cantao/
(2) Oitem ou Oiteng fica na Ilha da Lapa, em frente das Ilhas do Bugio (Ma-lao-chau)
(3) João Rodrigues nascido em Sernancelhe, diocese de Lamego em 1561; missionou no Japão de 1580 a 1610, ano em que foi expulso devido ao incêndio e afundamento do navio português Madre de Deus em Nagasaki e voltou para Macau (onde tinha sido ordenado sacerdote);  em 1630 acompanhou a expedição militar portuguesa a Pequim; faleceu em Macau a 1 de Agosto de 1633. Escreveu o primeiro dicionário de japonês-português e a primeira gramática da língua japonesa. É conhecido no Japão por João Rodrigues Tçuzu (o Intérprete).
(4) Manuel Pereira nascido no Lugar da Cruz, Portugal, em 1637; chegou a Macau em 1667 e faleceu em Xangai a 18 de Maio de 1681.
(5) António de Mesquita Pimentel foi governador/capitão-geral de Macau (1685-1688). Mais informações em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/07/05/noticia-de-5-de-julho-de-1685-novo-governador-de-macau/
(6) TEIXEIRA, Padre Manuel –Taipa e Coloane, 1981. Também pode ser consultado em
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP27/PP027073.HTM
(7) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954; SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1., 1997.
FOTO do livro COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927.

Na sequência do artigo de José Torres  publicado no semanário ilustrado ” Archivo Pittoresco” de 1864. (1), num número posterior da mesma publicação, fez o mesmo autor, outro comentário a uma outra ilustração de “Macau – Porto Interior”.

ARCHIVO PITTORESCO VII-44 1864 MACAU Porto InteriorMacau – Porto Interior

Ahi fica estampada a vista da parte ocidental da cidade de Macau e o seu ancoradoiro ou porto interior, formado pelas águas de um braço do grande rio de Cantão. É aqui o centro commercial da cidade, como a parte oriental, que estampamos a pag. 345 d´este colume, se pôde chamar o centro official administrativo, mais propriamente cidadão, Estamos a contemplal-o das alturas da Penha. Ao longe, à direita , na altura em que se divisa um confuso arvoredo, é a quinta da Gruta de Camões, propriedade do comendador Lourenço Marques. As montanhas que se elevam ao fundo, à continuação da península em que Macau assenta, são da comarca de Anção ou Hiamxan, da ilha Ngão-men, a maior das que povôam o grande golpho em que desagua o rio Cantão. É ahi, sobre a esquerda, que está situada a povoação chim da Casa Branca. A primeira praia à esquerda (passando a fortaleza e pagode da barra, que ficam áquem do que descobrimos) é a chamada Manduco. Segue-se-lhe  a Praia Pequena, adjacente à qual está a povoação  chim chamada do Bazar, quasi na sua totalidade reconstruída por um plano regular, depois do grande incêndio que, em 1856, lhe devorou umas mil casas grandes e pequenas. Segue-se-lhe a praia do Terrafeiro, que é a última, na baixa ao poente da quinta da Gruta de Camões. A pequena ilha, que a pouca distancia se vê no meio do rio, é a ilha Verde, até 1762 propriedade dos jesuítas, de então até 1828 de particulares, e desde 1828 do collegio de S. José de Macau, hoje seminario diocesano.
ARCHIVO PITTORESCO VII-44 1864 Artigo MACAU Porto InteriorA parte de outra ilha, que apparece à esquerda da estampa, demarcando o ancoradoiro por este lado, é a ilha que antigamente  chamávamos dos Padres, pelas estancias que os das ordens religiosas ahi tiveram, fronteiras à cidade; ilha a que agora chamâmos da Lapa, e os chins Toi-miu-shan, em vulgar Panthera. Na praia que d´ella avistámos, e na sua continuação para barra, tivemos até princípio do seculo XVIII as estancias da Lapa, da Ribeirinha e da Ribeira Grande; e ao sair da barra as da ilha do Bugio e de Oitem.
A historia de cada parte d´este territorio, que nos pertenceu ou pertence, interessando particularmente aos portuguezes, pôde ainda assim ser para todos fonte de grandes e aproveitaveis lições. Reservâmol-a para artigo especial
                                          JOSÉ DE TORRES

NOTA: esta mesma ilustração foi inserida posteriormente no livro de Rocha Martins ” História das Colónias Portuguesas” (no meu “post” de 28-04-2015 ) (2) com a legenda (errada)  “MACAU EM 1897“. Está incorrecta a data de 1897 pois a ilustração data (pelo menos) de 1864.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/23/macau-em-1864-vista-da-praia-grande-do-porto-exterior/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/28/leitura-historia-das-colonias-portugue-sas-de-rocha-martins/