Archives for posts with tag: Ilha da Taipa – 氹仔島

Mais dois postais (n.º 9 e n.º 10) da colecção de 10 postais intitulada “Ten Scenic Spots of Macau”, uma colecção especial emitida na ocasião da transferência de Macau, em 1999. (1)
Postal n.º 9 –“Four Face Buddist Statue”
In front of the Macau Jockey Club square there is a four-face buddist statue which came from Thailand and attracted many people to pray
A estátua do Buda de Quatro Faces veio da Tailândia para Macau em 1984 sendo colocada na Taipa frente ao Jockey Clube. O Buda de Quatro Faces no centro do santuário, como o nome indica, é uma estátua do santo com quatros faces nas quatro direcções cardeais e com as mãos a empunhar vários objectos budistas, nomeadamente, rosários, concha, um jarro para água, uma placa com os sutras (escrituras sagradas) e a roda do Dharma que alude à omnipotência do Buda. Diz-se que o Buda de Quatro Faces é uma divindade originária da Índia e que é venerado no sudeste asiático, sendo especialmente popular na Tailândia, pois o Buda é conhecido por auspiciar riqueza, boa sorte e honra aos que o veneram. Quando as pessoas de Hong Kong e Macau viajam até à Tailândia, nunca se esquecem de prestar homenagem ao Buda de Quatro Faces local. As quatro faces da divindade regem a carreira profissional, a vida amorosa, a prosperidade e honra e a paz e segurança. Consoante a finalidade da oração, os crentes seguem determinada sequência de veneração das quatro faces.
https://m.cityguide.gov.mo/p/sightseeing/Detail/

Verso do postal n.º 9

Postal n.º 10 – “Casino Lisboa”
Gambling and the anual Grand Prox Motor Racing gave the name “Oriental Monte Carlo” to Macau. Casinos attract many H. K. people to come to Macau. The Macau government get great income tax from glambling annually.“ (2)

Verso do postal n.º 10

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/01/23/postais-ten-scenic-spots-of-macau-i/
(2) Ver anteriores referências do Casino Lisboa em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casino-lisboa/

Notícia de 14 de Fevereiro de 1844 publicada no jornal “Friend of China
Capt Kelly of the Isabella Robertson was landing at Macau, ¼ mile from the Bar Fort, with three treasure boxes containing $7,440, when passing pirates threw fireworks into his boat. The pirates boarded in the confusion and Kelly and his Lascars jumped overboard. The pirates then took to the oars and escaped in the Isabella Robertson’s own boat with the money. Kelly had anchored Isabella Robertson in Taipa roads. The voyage to Macau from the roads by small boat is too long to go unarmed.”
Fico na dúvida se o nome do navio era «Isabella Robertson» (1) ou Isabella Robertson (2) seria uma passageira de 23 ou 24 anos, missionária protestante a caminho de Cantão. Um dos periódicos da mesma altura refere “boat of the Isabella Robertson

“The New World”, Volume 8.June 1, 1844

Outro periódico “The Singapore Free Press and Mercantile Advertiser,(1835-1869) 29 February 1844”, relatava o seguinte
Macao. a oaring act of piracy, was perpetrated in Macao harbour, on the morning ot the stb Instant Captain Kelly, of the Isabella Robertson, was landing hi boat, with three boxes ot treasure, containing $ 7,440. When within quarter of a eUkws he was attacked by pirates. …”
(1) Existiu um navio registado como “Isabella Robertson” construído em 1818, em Coringa (Índia?) e vendido na América do Sul em 1820
A Collection of Papers Relative to Ship Building in India”. Compilação de John Phipps “of the Master Attendant’s Office”, Calcutta., 1840.
https://books.google.pt/books?id=SpleAAAAcAAJ&pg=PA174&lpg=PA174&dq=Isabella+Robertson+
(2) Isabella Robertson (1820 ou 1821 – desconhece-se a data da morte) casada com o missionário protestante, Dyer Ball (1796 – 1866 em Cantão).
Dyer Ball foi missionário da «American Home Missionary Society» desde 1833, ordenou-se em 1831. Destacado para a China passou primeiro por Singapura onde estuda chinês. Em 1841 devido à doença da 1.ª mulher, parte para Macau e em 1845 para Hong Kong, onde a mulher falece. Muda-se para Cantão em 1845 e casa com Isabella Robertson, missionária escocesa, em 26 de Fevereiro de 1846. (3)
O único filho do casal, Rev. Dyer Ball and Isabella Robertson, James Dyer Ball – 波乃耶 (Cantão 1847 – Londres 1919) (4) nasceu em Cantão, era sinólogo, autor de vários livros sobre a cultura, língua e os dialectos chineses (autor dum sistema de romanização do cantonense). Trabalhou como professor e intérprete nos tribunais em Hong Kong durante 35 anos (reformou-se em 1909) e é o autor do livro “Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth”, publicado em 1905, de onde tenho retirado, por várias vezes, descrições feito pelo autor da história e dos sítios de Macau. (4)
http://en.wikipedia.org/wiki/James_Dyer_Ball
(3) Ver biografia mais pormenorizada do missionário Dyer Ball, em
http://www.newenglandballproject.com/g3/p3628.htm
(4) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/j-dyer-ball/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/02/18/leitura-macao-the-holy-city-the-gem-of-the-orient-earth/
BALL, J. Dyer – Macao: The Holy City; The Gem of Orient Earth. Printed by The China Baptist Publication Society, Canton, 1905, 83 p.
O livro está digitalizado pelo “Internet Archive“, em 2007 e poderá consultá-lo em:
http://archive.org/details/macaoholycitygem00ballrich

A 8 de Dezembro de 1989, o Governador Carlos Melancia provocou uma verdadeira explosão no território ao carregar no botão que fez deflagrar duas toneladas de explosivos para desmontar o morro da Ponta da Cabrita, assinalando assim o início formal das obras do aeroporto internacional de Macau (1)
O acontecimento foi presenciado por muitos curiosos (eu assisti da Estrada de Cacilhas, a perda de parte de uma “paisagem” diária da minha infância e adolescência)
A inauguração do aeroporto oficial (2) foi a 8 de Dezembro de 1995 (seis anos depois deste acontecimento) embora os voos tenham iniciado a 9 de Novembro de 1995.
Pormenor de um Mapa de 1934 onde se assinala a localização da Ponta Cabrita na ilha da Taipa Grande
Actualmente , embora inexistente a Ponta da Cabrita, permanece na Toponímia da Ilha da Taipa nas proximidades do Aeroporto,  a Estrada da Ponta da Cabrita – 雞頸馬路
Um trecho da estrada para a Ponta da Cabrita de autor não identificado, (data:?) do espólio do  IICT/Cartografia; Centro de Documentação e Informação.(3)
(1) Extraído do “Baú de recordações” do JTM.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aeroporto-internacional-de-macau/
(3) https://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5114

Tomou posse, no dia 3 de Outubro de 1843, do governo d´esta cidade o chefe de divisão da armada José Gregorio Pegado- 彼亞度 (1)
Foi no governo de José Gregório Pegado, (2) que se iniciou a ocupação da ilha da Taipa, depois de uma memorável visita de cortesia ao vice-rei Ki-Yin (3), alto comissário de Cantão que prometeu «fechar os olhos» ao nosso estabelecimento na mencionada ilha. Na Taipa Pequena mandou depois Ferreira do Amaral fazer um pequeno forte (terminado em Setembro de 1847. Em 20 de Agosto de 1851 o Governador Francisco António Gonçalves Cardoso procedeu à ocupação da Taipa Grande. Só mais tarde as duas Taipas (outrora três) se uniram geograficamente. Pegado faleceu em Adem no seu regresso a Portugal de 1846, tendo embarcado em Macau, em 28 de Maio desse ano. (4)
José Gregório Pegado, pela sua distinção e mestria no manejo dos fai-chis, (5) durante um jantar que lhe ofereceu, em Cantão, o delegado e alto-comissário imperial, Ki-Ying, ouviu da boca deste os seguintes elogio e garantia: –V. Exa é um homem tão polido nas maneiras e simpatizo tanto consigo, que nada lhe posso recusar. Recomendarei confidencialmente ao vice-rei dos dois Kuóns que feche os olhos ao estabelecimento dos portugueses na (ilha da) Taipa“.
Depois de ocupar militarmente toda a península de Macau, desde as muralhas à Porta do Cerco, o heroico governador João Maria Ferreira do Amaral executou essa promessa verbal, incumbindo o capitão do porto, Pedro José da Silva Loureiro, em Abril de 1847, de construir a Casa Forte da Taipa. Depois de difíceis negociações com os mandarins limítrofes e com o vice-rei de Cantão, a bandeira portuguesa arvorou-se pela primeira vez nessa ilha ao 9 de Setembro de 1847. Em 1879 foi também ocupada a Taipa Quebrada ou Ilha de Maria Nunes e aí levantado um quartel, no antigo edifício do hospital, hoje Centro de Recuperação Social.
A 23 de Dezembro de 1864, os habitantes de Coloane pediram que uma força militar portuguesa os fosse proteger contra os piratas. Um destacamento de 10 polícias dirigiu-se imediatamente para aquela ilha. A administração dos três novos territórios (note-se que então a Taipa eram duas ilhas) organizou-se em 1878. (6)

MAPA DE 1884 – PLANTA DA PENÍNSULA E PORTO DE MACAU
de A. Ferreira Loureiro
Em baixo, à esquerda, a Ilha da Taipa Quebrada e Ilha da Taipa Grande ou Kaikong

(1) PEREIRA, A. Marques –  Ephemerides Commemorativas da história de Macau e
(2) José Gregório Pegado governador de 3-10-1843 até 13-02-1846, data do embarque para Macau do Conselheiro Capitão de Mar e Guerra João Maria Ferreira do Amaral que tomou posse como Governador a 21 de Abril de 1846.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-gregorio-pegado/
(3) O ex-governador Adrião Acácio da Silveira Pinto (governador de 22-02-1837 até 3-10-1843) foi nomeado em 10-10-1843, pelo Governador José Gregório Pegado (em sessão do Senado de 10 de Outubro), Embaixador de Portugal para tratar com os Plenipotenciários chineses sobre as condições da existência política de Macau. O e governador seguiu no dia 27 de Outubro para Vampu, no brigue de guerra Tejo, do comando do Capitão-Tenente Domingos Fortunato de Vale. Acompanharam-no o Procurador da Cidade, João Damasceno Coelho dos Santos e o intérprete interino, José Marinho Marques. (7) No dia 4 de Novembro a missão diplomática seguiu de Vampu para Cantão, em escaleres, residindo, depois de realizada a conferência, na casa de campo do Mandarim graduado Pau-Teng-Kua e no Consulado da França, onde se realizou as reuniões, durante dez dias, com o segundo delegado chinês. A missão não conseguiu que fosse relevado o foro pago pela colónia nem dispensada a demarcação do limite para fora dos muros do Campo de Stº António,
Ver anterior referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/04/noticia-de-4-de-novembro-de-1843-conferencia-luso-chinesa-em-cantao/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adriao-a-silveira-pinto/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995.
(5) Faichis – “Pauzinhos” para levar a comida à boca.. Termo macaense usado pelos chineses desta região e também pelo portugueses de Macau e Hong Kong (BATALHA, Graciete – Glossário do Dialecto Macaense, 1977
Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/10/os-antigos-cozinheiros-ambulantes-de-macau-1953-i/
(6) PIRES, Benjamim  Videira – Os Governadores e a vida de Macau no Século XIX.
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30007/1510
(7) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-martinho-marques/

Mapa publicado em:
COSTA, J. Carrington da – Geologia da Província de Macau. Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, Vol. III, 1944.

No dia 18 de Julho de 1916, foi assaltada pelos piratas, a lancha «Shun Fat» que efectuava a carreira entre Macau e a Taipa. A canhoneira «Macau» interveio e salvou os passageiros da lancha. (1)
Estava-se num período da I Grande Guerra Mundial, com a declaração de guerra da Alemanha a Portugal em 9 de Março de 1916 (2) e instabilidade política na China devida à queda da Monarquia em 1910. (3) O governador de Macau receava a invasão de Macau. (4) Cerca de 400 alemães viviam em Cantão e com uma propaganda anti estrangeiros cada vez mais acentuada em Guangdong, muitos macaenses e mesmos chineses refugiaram-se nesta província em 1916.
A guarnição da lancha-canhoneira «Macau» foi louvada pelo governador José Carlos da Maia (5) pelo auxílio prestado aos passageiros da lancha.

Portaria n.º 143, louvando a guarnição da lancha canhoneira Macau pelos serviços prestados no salvamento dos passageiros da lancha Shun Fat.
«Boletim Oficial do Governo da Província de Macau» Vol. XVI, n.º 30 de 22 de Julho de 1916.

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) “11-03-1916 – Telegrama do Governo da República Portuguesa, dando conta da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, em 9 de Março, pelas seis horas da tarde”. (1)
(3) Instabilidade porque ninguém tina poder para, sozinho, governar a China.
“7-04-1916 – Carta do General Long Chai Kwong ao Governo de Macau, anunciando a sua eleição para Tuc Toc da Província de Cantão, assim como a proclamação da independência da mesma Província.” (1)
“6-06-1916 – Morre Yuan Shi K´ai e com ela a última monarquia da China. Começa a Era dos Senhores da Guerra, época de instabilidade que se prolonga até 1927″ (Chiang Kai Shek) (1)
(4) Em 31 de Março de 1916, em virtude da guerra com a Alemanha, foram convocados as companhias de voluntários para prestarem serviço militar (P.P.n-º 51 – ). Em Junho de 1916 o governador nomeou uma Comissão de Censura postal e telegráfica, antevendo o agravamento da situação.” (1)…………(BBS
(5) O capitão-tenente José Carlos da Maia tomou posse do cargo em 10-06-1914 e foi exonerado em 19-06-1917 (embora desde 5-09-1916 o governador interino fosse Manuel Ferreira da Rocha) com a nomeação de um Conselho Governativo (Juiz de Direito da Comarca, Dr. Américo Guilherme Botelho de Souza, oficial mais graduado, coronel José David Freire Garcia e o secretário-geral do governo, Manuel Ferreira da Rocha). A nomeação do próximo governador só foi a 2 de Agosto de 1918 – nomeação e posse de Artur Tamagnini de Souza Barbosa. (1)

A propósito do temporal / ciclone que se abateu sobre Macau no dia 12 de Julho de 1883, (1) mais três relatórios datados de 14 de Julho de 1883, publicados no «Boletim da Província de Macau e Timor», no suplemento n.º 28 (Vol. XXIX), de 19-07-1883, respectivamente do Administrador (substituto) do Concelho de Macau, F. C. Lobo, do Director das Obras Públicas, Constantino José de Brito, (2)  do administrador do Concelho da Taipa e Colovane, tenente José Correa de Lemos, (3) bem como uma tabela de “Observações meteorológicas feitas no porto interior a bordo da canhoneira Tâmega” durante o cyclone” assinada pelo comandante A. J. Pinto Basto. (4)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/07/12/noticia-de-12-de-julho-de-1883-temporal-ciclone-sobre-macau-i/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/constantino-jose-de-brito/
(3)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-correia-de-lemos/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/06/leitura-cruzador-s-gabriel-viagem-de-circumna-vegacao/