Archives for posts with tag: Ilha da Taipa – 氹仔島

Tomou posse, no dia 3 de Outubro de 1843, do governo d´esta cidade o chefe de divisão da armada José Gregorio Pegado- 彼亞度 (1)
Foi no governo de José Gregório Pegado, (2) que se iniciou a ocupação da ilha da Taipa, depois de uma memorável visita de cortesia ao vice-rei Ki-Yin (3), alto comissário de Cantão que prometeu «fechar os olhos» ao nosso estabelecimento na mencionada ilha. Na Taipa Pequena mandou depois Ferreira do Amaral fazer um pequeno forte (terminado em Setembro de 1847. Em 20 de Agosto de 1851 o Governador Francisco António Gonçalves Cardoso procedeu à ocupação da Taipa Grande. Só mais tarde as duas Taipas (outrora três) se uniram geograficamente. Pegado faleceu em Adem no seu regresso a Portugal de 1846, tendo embarcado em Macau, em 28 de Maio desse ano. (4)
José Gregório Pegado, pela sua distinção e mestria no manejo dos fai-chis, (5) durante um jantar que lhe ofereceu, em Cantão, o delegado e alto-comissário imperial, Ki-Ying, ouviu da boca deste os seguintes elogio e garantia: –V. Exa é um homem tão polido nas maneiras e simpatizo tanto consigo, que nada lhe posso recusar. Recomendarei confidencialmente ao vice-rei dos dois Kuóns que feche os olhos ao estabelecimento dos portugueses na (ilha da) Taipa“.
Depois de ocupar militarmente toda a península de Macau, desde as muralhas à Porta do Cerco, o heroico governador João Maria Ferreira do Amaral executou essa promessa verbal, incumbindo o capitão do porto, Pedro José da Silva Loureiro, em Abril de 1847, de construir a Casa Forte da Taipa. Depois de difíceis negociações com os mandarins limítrofes e com o vice-rei de Cantão, a bandeira portuguesa arvorou-se pela primeira vez nessa ilha ao 9 de Setembro de 1847. Em 1879 foi também ocupada a Taipa Quebrada ou Ilha de Maria Nunes e aí levantado um quartel, no antigo edifício do hospital, hoje Centro de Recuperação Social.
A 23 de Dezembro de 1864, os habitantes de Coloane pediram que uma força militar portuguesa os fosse proteger contra os piratas. Um destacamento de 10 polícias dirigiu-se imediatamente para aquela ilha. A administração dos três novos territórios (note-se que então a Taipa eram duas ilhas) organizou-se em 1878. (6)

MAPA DE 1884 – PLANTA DA PENÍNSULA E PORTO DE MACAU
de A. Ferreira Loureiro
Em baixo, à esquerda, a Ilha da Taipa Quebrada e Ilha da Taipa Grande ou Kaikong

(1) PEREIRA, A. Marques –  Ephemerides Commemorativas da história de Macau e
(2) José Gregório Pegado governador de 3-10-1843 até 13-02-1846, data do embarque para Macau do Conselheiro Capitão de Mar e Guerra João Maria Ferreira do Amaral que tomou posse como Governador a 21 de Abril de 1846.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-gregorio-pegado/
(3) O ex-governador Adrião Acácio da Silveira Pinto (governador de 22-02-1837 até 3-10-1843) foi nomeado em 10-10-1843, pelo Governador José Gregório Pegado (em sessão do Senado de 10 de Outubro), Embaixador de Portugal para tratar com os Plenipotenciários chineses sobre as condições da existência política de Macau. O e governador seguiu no dia 27 de Outubro para Vampu, no brigue de guerra Tejo, do comando do Capitão-Tenente Domingos Fortunato de Vale. Acompanharam-no o Procurador da Cidade, João Damasceno Coelho dos Santos e o intérprete interino, José Marinho Marques. (7) No dia 4 de Novembro a missão diplomática seguiu de Vampu para Cantão, em escaleres, residindo, depois de realizada a conferência, na casa de campo do Mandarim graduado Pau-Teng-Kua e no Consulado da França, onde se realizou as reuniões, durante dez dias, com o segundo delegado chinês. A missão não conseguiu que fosse relevado o foro pago pela colónia nem dispensada a demarcação do limite para fora dos muros do Campo de Stº António,
Ver anterior referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/04/noticia-de-4-de-novembro-de-1843-conferencia-luso-chinesa-em-cantao/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adriao-a-silveira-pinto/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995.
(5) Faichis – “Pauzinhos” para levar a comida à boca.. Termo macaense usado pelos chineses desta região e também pelo portugueses de Macau e Hong Kong (BATALHA, Graciete – Glossário do Dialecto Macaense, 1977
Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/10/os-antigos-cozinheiros-ambulantes-de-macau-1953-i/
(6) PIRES, Benjamim  Videira – Os Governadores e a vida de Macau no Século XIX.
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30007/1510
(7) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-martinho-marques/

Mapa publicado em:
COSTA, J. Carrington da – Geologia da Província de Macau. Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, Vol. III, 1944.

No dia 18 de Julho de 1916, foi assaltada pelos piratas, a lancha «Shun Fat» que efectuava a carreira entre Macau e a Taipa. A canhoneira «Macau» interveio e salvou os passageiros da lancha. (1)
Estava-se num período da I Grande Guerra Mundial, com a declaração de guerra da Alemanha a Portugal em 9 de Março de 1916 (2) e instabilidade política na China devida à queda da Monarquia em 1910. (3) O governador de Macau receava a invasão de Macau. (4) Cerca de 400 alemães viviam em Cantão e com uma propaganda anti estrangeiros cada vez mais acentuada em Guangdong, muitos macaenses e mesmos chineses refugiaram-se nesta província em 1916.
A guarnição da lancha-canhoneira «Macau» foi louvada pelo governador José Carlos da Maia (5) pelo auxílio prestado aos passageiros da lancha.

Portaria n.º 143, louvando a guarnição da lancha canhoneira Macau pelos serviços prestados no salvamento dos passageiros da lancha Shun Fat.
«Boletim Oficial do Governo da Província de Macau» Vol. XVI, n.º 30 de 22 de Julho de 1916.

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(2) “11-03-1916 – Telegrama do Governo da República Portuguesa, dando conta da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, em 9 de Março, pelas seis horas da tarde”. (1)
(3) Instabilidade porque ninguém tina poder para, sozinho, governar a China.
“7-04-1916 – Carta do General Long Chai Kwong ao Governo de Macau, anunciando a sua eleição para Tuc Toc da Província de Cantão, assim como a proclamação da independência da mesma Província.” (1)
“6-06-1916 – Morre Yuan Shi K´ai e com ela a última monarquia da China. Começa a Era dos Senhores da Guerra, época de instabilidade que se prolonga até 1927″ (Chiang Kai Shek) (1)
(4) Em 31 de Março de 1916, em virtude da guerra com a Alemanha, foram convocados as companhias de voluntários para prestarem serviço militar (P.P.n-º 51 – ). Em Junho de 1916 o governador nomeou uma Comissão de Censura postal e telegráfica, antevendo o agravamento da situação.” (1)…………(BBS
(5) O capitão-tenente José Carlos da Maia tomou posse do cargo em 10-06-1914 e foi exonerado em 19-06-1917 (embora desde 5-09-1916 o governador interino fosse Manuel Ferreira da Rocha) com a nomeação de um Conselho Governativo (Juiz de Direito da Comarca, Dr. Américo Guilherme Botelho de Souza, oficial mais graduado, coronel José David Freire Garcia e o secretário-geral do governo, Manuel Ferreira da Rocha). A nomeação do próximo governador só foi a 2 de Agosto de 1918 – nomeação e posse de Artur Tamagnini de Souza Barbosa. (1)

A propósito do temporal / ciclone que se abateu sobre Macau no dia 12 de Julho de 1883, (1) mais três relatórios datados de 14 de Julho de 1883, publicados no «Boletim da Província de Macau e Timor», no suplemento n.º 28 (Vol. XXIX), de 19-07-1883, respectivamente do Administrador (substituto) do Concelho de Macau, F. C. Lobo, do Director das Obras Públicas, Constantino José de Brito, (2)  do administrador do Concelho da Taipa e Colovane, tenente José Correa de Lemos, (3) bem como uma tabela de “Observações meteorológicas feitas no porto interior a bordo da canhoneira Tâmega” durante o cyclone” assinada pelo comandante A. J. Pinto Basto. (4)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/07/12/noticia-de-12-de-julho-de-1883-temporal-ciclone-sobre-macau-i/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/constantino-jose-de-brito/
(3)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-correia-de-lemos/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/06/leitura-cruzador-s-gabriel-viagem-de-circumna-vegacao/

Data atribuída à chegada de Peter Mundy a Macau, o dia 5 de Julho de 1637 (1) (2) (3). No entanto, a frota onde vinha Peter Mundy) do capitão John Weddell e Nathaniel Mountney, comandantes da esquadra de quatro navios e duas pinaças enviada a Cantão em 1637 pela Courteen Association (com licença régia concedida em 1635 pelo rei inglês Carlos I) (4), chegou à Ilha da Montanha no dia 27 de Junho de 1637 e já no dia 28 de Junho, o próprio Peter Mundy com John Mountney e Thomas Robinson foram enviados à terra numa lancha com as cartas do rei e do Almirante dirigidas ao capitão General de Macau, Domingos da Câmara de Noronha para obter autorização para ancorar na Ilha da Taipa.
A tripulação dos navios estrangeiros estavam proibidos de ir à terra nem eram permitidas visitas a bordo – interditos todos os contactos dos estrangeiros com os locais – com excepção dos convites oficiais por parte as entidades de Macau (e nessa qualidade Peter Mundy pode visitar e descrever no seu diário (5) as impressões de Macau, bem como desenhos) ou a visita à frota inglesa do Procurador de Macau (no dia 28 de Junho de 1637) e do mandarim chinês no dia 1 de Julho.
Peter Mundy terá visitado ao Igreja e Convento de S. Paulo no dia 07-07-1637 (6)
Mais um pequeno extracto do diário (7) correspondente ao dia 8 de Outubro aquando da visita à cidade a convite do governador e do Conselho da Cidade a 4 individualidades, o comandante Weddell, o pastor, Cristopher Parr (comissário do Dragon) e Peter Mundy tendo este descrito o jantar “numa bela casa ricamente mobilada com baixela de prata, biombos, cadeiras, alcovas, tapeçarias …(…)
O nosso jantar foi servido em baixela, sendo a meu ver muito bom e saboroso; mas a maneira de servir era muito diferente da nossa, pois a cada pessoa era servida uma porção igual de cada espécie de carne, trazida em duas salvas de prata, sendo repetidas algumas vezes, pois antes de acabar um prato, já estava outro pronto para ser servido. O mesmo sucedia com as bebidas: cada um tinha uma taça de prata numa bandeja; apenas esvaziada, era de novo cheia com excelente e bom vizinho português pelos serventes que ali estavam prontos para esse fim. Havia também variada e boa música de canto, harpa e guitarra… (…)
… Neste lugar há muitos homens ricos, trajando à maneira de Portugal. As suas mulheres, como as de Goa, vestem-se com saraças e condês, (8) este sobre a cabeça e as outras do meio do corpo até aos pés, e andam calçadas de chinelas chatas, É este o trajo ordinário das mulheres de Macau. Só as de melhor categoria são transportadas em cadeiras à mão, como as cadeirinhas em Londres, todas totalmente cobertas algumas das quais são muito caras e ricas, trazidas do Japão. Mas quando saem sem elas, a patroa dificilmente se distingue da criada ou escrava pela aparência exterior, todas inteiramente cobertas, mas as suas saraças ou (?chailes) são de melhor qualidade. “(3)
No Volume III, Part. II do mesmo livro, logo no início, o autor descreve a partida de Macau: Dezembro de 1637/ Janeiro de 1638
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 1, 1997.
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau através dos séculos, 1977).
(4) Terá sido a primeira embaixada britânica de comércio à China. Em 13 de Julho de 1635, após autorização aos ingleses de comerciar nos portos portugueses, dava entrada em Macau, o primeiro barco inglês. (2)
(5) Peter Mundy (1600-1667?) natural da Cornualha, mercador, viajante, é considerado um dos mais famosos viajantes ingleses pelas suas muitas viagens pela Europa e Àsia.
Sir Richard Carnac Temple (1850-1931) e Miss Lavinia Mary Anstey editaram (adaptação e comentários) com o patrocínio da Hakduyt Society, em 1907, os diários de Peter Mundy com o título “The Travels of Peter Mundy in Europe and Asia (1608-1667)”  em 5 volumes.
As referências a Macau encontram-se principalmente no Vol. III, Part. 1:
Imagens extraídas de:
https://archive.org/stream/travelsofpetermu31mund#page/n7/mode/2up
(6) A data provável da conclusão da fachada de pedra da Igreja da Madre de Deus (SD. Paulo é de 1637.
(7) Ver anteriores referências a Peter Mundy em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/peter-mundy/
(8) O Condê era uma espécie de véu que cobria a cabeça e o tronco e a saraça um vestido de linho fino, que se segurava ao condê e ia da cintura aos pés. Quando o condê caía, apareciam as imodestas O bispo D. Alexandre Pedrosa Guimarães condenou este trajo em 1779, pois dizia ele, quando o condê «cai, se descompõem indecorosamente nos lugares mais modestos» (3)
No Volume III, Part. II do mesmo livro, logo no início, o autor descreve a partida de Macau: Dezembro de 1637/ Janeiro de 1638.
Imagens extraídas de:
https://archive.org/stream/travelsofpetermu32mund#page/n7/mode/2up

 Notícias de Macau do dia 5 de Maio de 1950, publicado na imprensa portuguesa (BGC), em Julho desse ano, acerca da «Semana da Marinha» iniciada a 1 de Maio com uma missa de sufrágio pelos antigos mareantes, na Ermida de Nossa Senhora da Penha.

Os avisos «Pedro Nunes» e «João de Lisboa» iluminados em arco
Macau à noite,  vista da colina da Penha
Desfile dos marinheiros

A tribuna de honra durante o desafio entre as selecções do Exército e Marinha, vendo-se o governador da Colónia
O tenente Dr. Ruben Lavoura proferindo a alocução junto da memória às vítimas da explosão da fragata «D. Maria II»

Informação da Colónia de Macau no «Boletim Geral das Colónias»:(1)
Na Ilha da Taipa, pitoresca e graciosa vilazinha fronteira a Macau, foram inaugurados festivamente dois importantes melhoramentos: uma nova ponte-cais e uma estrada.

A ponte-cais em cimento armado construída na Ilha da Taipa junto à Fortaleza, no dia da sua inauguração,25 de Fevereiro de 1950 (custo – $77.306, 47)

O local em que a ponte está construída tinha sido escolhido de forma a oferecer abrigo aos ventos dominantes e a atingir profundidade capaz de permitir a atracação, em qualquer maré, às lanchas de maior calado que demandam a ilha. Na ponte poderão atracar quatro lanchas simultaneamente. O custo da ponte-cais foi de $ 79.000,00 (434 mil escudos)”

A estrada Comandante Albano de Oliveira, que ligava a ponte-cais à Vila da Taipa, no dia da sua inauguração, 25 de Fevereiro de 1950 (2)

(1) «BGC» XXVI-299, Maio de 1950.

(2) Segundo “Obras e Melhoramentos Efectuados em Macau no Último Trimestre”, a nova estrada tinha o comprimento de 1420 metros.