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Extraído do BGC XIV-155, MAIO DE 1938, p. 177

diario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-cabecalhoNa sequência da notícia publicada no «Diario Illustrado» no dia 22 de Janeiro de 1909 (1), outra notícia foi publicada no mesmo jornal, no dia seguinte (23 de Janeiro de 1909), abordando a questão das dependências do território de Macau – o problema do domínio territorial – com informações de um alto funcionário (?) que preferiu não ser identificado.
diario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-idiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-iidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-iiidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-ivdiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-vdiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-vidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-viidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-viii(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/22/noticia-de-22-de-janeiro-de-1909-a-defeza-de-macau/

A ilha de Tai-Vong-K´âm ou da Montanha foi ocupada no dia 28 de Dezembro de 1937, por uma força de polícia, pelo facto de os japoneses terem invadido o Sul da China. (1)
Junto a um pequeno pagode da Ilha, improvisou a Polícia Portuguesa um «campo de armas» para impedir ali o desembarque dos japoneses, que rondavam a zona pela madrugada desse dia. A ocupação portuguesa firmou-se por esse motivo e a data foi assinalada numa tabuleta onde se lê «28 de Dezembro de 1937 / Praça de Armas / Cap. Gorgulho» (2)

mapa-de-macau-e-territorios-visinhos-1950MAPA – PLANTA DE MACAU E TERRITÓRIOS VISINHOS – 1950

Outra força policial portuguesa ocupará em 20 de Março de 1940, a ilha da Lapa, em consequência da invasão da China pelo Japão (1) mas essa força é retirada a 25 de Abril de 1940 ficando a ilha da Lapa nas mãos dos japoneses.
A tomada da posse da Ilha da Lapa pelos portugueses foi a 18 de Abril de 1596 mas manteve-se sempre a sua posse em litígio com a China. Somente entre 1947-1951, Portugal abandona definitivamente as reclamações de soberania e jurisdição portuguesa da Ilha da Lapa ao assinar (o Governador Albano Rodrigues de Oliveira) dois acordos bilaterais com as autoridades nacionalistas. (2)
NOTAS:06-04-1949 – Foi arvorada na Ilha da Montanha a bandeira nacionalista chinesa (2)
14-08-1949 -Foi ocupada pelos nacionalistas a Ilha de D. João. (2)
Agosto até Dezembro de 1949 – O posto da polícia destacado na Ilha de D. João situada a uns escassos metros a ocidente da Ilha da Taipa, é abandonado” (2)

mapa-de-macau-2016Ilha da Montanha ou Tai-Vong-Cam  (大横琴島 – Da Hengqin ) e a ilha de D. João ou Macarira (小横琴島 – Xiao Hengqin) estão hoje ligadas por um aterro de terra. A ilha, agora única, denomina-se Ilha de Henqin  横琴島.
大横琴島- mandarin pīnyīn:  dà héng qín dao ; cantonense jyutping: daai6 waang4 kam4 dou2
小横琴島 – mandarin pīnyīn:  xiao héng qín  dao ; cantonense jyutping: siu2 waang4 kam4 dou2
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) «A Voz de Macau», 28 de Dezembro de 1937, sob a epígrafe de «Manobras japonezas» in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 4.º Vol.

O Dicionário Corográfico de Portugal Contemporâneo (abrangendo o continente, ilhas adjacentes e colónias) da autoria de António Sampaio de Andrade, publicado no ano de 1944 foi “um trabalho que foi submetido a douta apreciação do Ministério do Interior, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e do Patriarcado
dicionario-corografico-1944-capaCom referência a Macau tem nas páginas 73 e 74. Sete entradas de «Macau» (uma referente a Moçambique):
1 – Macau (Colónia Portuguesa) – Colónia na costa da China Meridional (província de Cantão ou Cuang-Tung)
2 – Diocese de sufragânea da Metrópole Eclesiástica de Goa-e-Damão. Sede: Macau. Abrange o Território da Colónia.
3 – Península na costa S. da China (parte meridional da ilha Hião-Chão ou Chung-Shan)
4 – Concelho da colónia de Macau: 9 freguesias, com 144.240 habitantes. Superfície: 5,247 Kmsq.
5 – Santa Nome de Deus de Macau – cidade, episcopal, com «pôrto livre», sede de concelho.
6 – Ilha de Macau na Colónia de Moçambique, junto da costa oriental e da foz do rio Save, e a S. S. E., e a cêrca de 90 Kms da Baía de Sofala
7 – Ilha de Macau ou ilha de Hião-Chão – ilha na costa meridional da China e a N. da Colónia e Macau, à qual pertence a extremidade S.
dicionario-corografico-1944-macauTaipa com 3 entradas na página 125
1 – Ilha da Colónia de Macau (Arquid. De Goa e Damão) entre a península de Macau e a Ilha de Coloane e a N. N. E. da Ilha tai-Vong-Cam. Compreende a vila da Taipa e as povoações de Semg-Sa e Tcheok-Ka-Tchin coma sup. Total de 4,431 Kmsq. Pop: 7,882 hab.
2 – Vila da Ilha da Taipa e sede de concelho das «Ilhas de Taipa e Coloane» de Macau
3 – Canal do mar da China e entre a Ilha Macarira (D. João) e a Ilha de Taipa
dicionario-corografico-1944-macau-p-74Coloane (ou Colovane) na página 42 – ilha de Macau; a S. da Ilha da Taipa e a E. da Ilha da Montanha (Tai-Vong-Cam). Compreende a vila de Coloane e as aldeias de Hac-Sá, Ka Ho, Seak-Pai e Lui-Tchi-Van com a  sup. Total de 5,832 Kmsq. Pop: 5.053.
Os dados oficiais apresentados neste Dicionário, relativos a Macau, foram retirados da Agência Geral das Colónias.
ANDRADE, António Sampaio de – Dicionário Corográfico de Portugal Contemporâneo. Livraria Figueirinhas, 1944, 218 p.

Neste dia de 12 de Janeiro de 1938 aconteceu um estranho episódio entre o “hidroavião Osprey 71” pertencente ao aviso «Bartolomeu Dias», estacionado em Macau, com aviões japoneses.
Este episódio (creio que pouco conhecido) encontra-se bem relatado (recomendo a leitura) com o título «”Ataque” português a aviões japoneses», no blogue “Aterrem em Portugal de Carlos Guerreiro, de 14 de Fevereiro de 2013, donde retirei as informações que se seguem: (1).
O hidroavião Osprey 71, quando sobrevoava as águas de Macau num teste ao rádio do hidravião, foi “abordado” por seis hidroaviões japoneses, em dois grupos de três, que terão disparado uma rajada de metralhadora.
Este episódio foi presenciado e depois relatado pelo tenente Manuel Antunes Cardoso Barata que se encontrava a bordo do aviso «Bartolomeu Dias».
Inexplicavelmente, após o hidroavião português ter amarrado, quer o piloto, 2º tenente Rodrigo Henriques Silveirinha quer o co-piloto, o 2º tenente Cardoso Dias, disseram não terem apercebido da presença dos aviões japoneses e ainda menos da rajada de metralhadoras.
Dias depois do incidente o comandante Francisco Luiz Rebello era chamado pelo governador do território, Artur Tamagnini Barbosa, para dar satisfações sobre um telegrama que chegara do Ministério das Colónias e onde se dava nota de que o Ministro Japonês em Lisboa tinha apresentado “um protesto contra o facto de o nosso avião ter cometido um acto de hostilidade contra uma esquadrilha de aviões japoneses“.
(1) http://aterrememportugal.blogspot.pt/2013/02/ataque-portugues-avioes-japoneses.html

NOTAS DE OUTRAS NOTÍCIAS RELACIONAS COM A GUERRA SINO-JAPONESA:
1937 – 1945 – 2.º Guerra Sino-Japonesa. Nos primeiros anos desta Guerra, a Cruz Vermelha americana e a Associação Geral Chinesa de Hong Kong, além de auxílio pecuniário, mandaram para Macau géneros (arroz, aveia, trigo, leite condensado) com que a Diocese de Macau acudia a mendigos não só de Macau como do distrito de Chong-Sán (só em Seak-Kei, capital deste distrito, eram sustentados diariamente 17 mil famintos. Fomes e epidemias criam situações de maior miséria. Afluxo desmedido de refugiados a Macau. Mas Macau é, na sua pequenez física e de recursos, terra de Missão e Misericórdia históricas, o oásis desses refugiados, a que somariam outros, empurrados pela presença japonesa em Hong Kong (II GG). A Comissão de Socorro para Chong-Sán, já em 1942, era composta pelos PP. Joaquim Monteiro, Mário Acquistapace, SDB, e Martinho Schneidtberg (TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau Durante a Guerra in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4)
26-01-1938 – As forças japonesas resolveram retirar-se da Ilha da Montanha (Tái-Uóng-Kám) entregando-a às autoridades chinesas. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).
1-10-1938 – Ocupação de Cantão pelos japoneses
20-03-1940 – Em consequência da invasão da China pelo Japão foi ocupada a parte da Lapa por nós reivindicada por uma força da nossa polícia. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau).
20-03-1940 – A vertente oriental da Ilha da Lapa é ocupada por uma força portuguesa de 60 polícias em consequência da entrada de tropa japoneses na Lapa. Em litígio com a China e sendo Portugal (e Macau) neutrais, ninguém melhor do eu os portugueses para assegurar frente aos japoneses a posse da ilha. Os habitantes chineses vieram refugiar-se, por isso, na zona defendida pela polícia portuguesa (Cfr periódico A Voz de Macau, de 22 de Março de 1940 e o diário de Hong Kong – South China Morning Post, da mesma data in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.

Janeiro de 1668 – Foi apanhado numa armadilha em Oitem (povoação da Ilha de Lapa) um tigre real, que no dia seguinte foi transportado por cafres (escravos africanos) para o Colégio dos Jesuítas em Macau. Admitia-se a existência de mais destes animais tão temíveis, pelo que as armadilhas em Oitem continuaram preparadas. As propriedades da Companhia de Jesus na Lapa foram abandonadas em 1762. Além destes e até esta data, os outros únicos habitantes foram frades de St.º Agostinho e de S. Domingos, com sede religiosa em Macau. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,1.º Vol.).

Embora com posse administrativa das Ilhas da Lapa, Bugios, D. João e Montanha, a posse efectiva da soberania jurisdicional por Portugal nunca foram concretizadas e por elas, estiveram sempre em litígio com a China. A vertente oriental da Ilha da Lapa foi ocupada por uma força portuguesa de 60 polícias a 20 de Março de 1940, devido à invasão da ilha pelas tropas japoneses, tropa essa que se retirou, a 25 de Abril do mesmo ano.
Em 1947, o Governador, Albano Rodrigues de Oliveira tenta uma reconciliação com as autoridades nacionalistas, durante a guerra civil chinesa, com a assinatura de dois acordos bilaterais, abandonando definitivamente a reclamação da soberania e jurisdição portuguesa dessas ilhas.

Às 19.00 horas do dia 20 de Novembro de 1873, o 1.º Tenente da Armada, Vicente Silveira Maciel (1), comandante da escuna Príncipe Carlos, acompanhado do guarda-marinha Caminha e do Capitão de Infantaria Caetano Gomes da Silva, que jantara a bordo com os oficiais, quando seguiam numa baleeira (remadas por cinco robustos marujos) para terra, um fai-hái, (2) abalroou, premeditadamente, contra a baleeira.
Apesar das manobras do 1.º Tenente Maciel, que guinou, imediatamente para bombordo, a embarcação chinesa bordejou acto contínuo, para estibordo, continuando a dirigir-se de encontro à baleira. O fái-hái vinha com tal velocidade que não foi possível esquivar-se ao brusco choque. A baleeira apanhada de chofre, ao pé da voga, meteu, imediatamente toda a borda de bombordo debaixo da água e ficando atravessada na proa do barco chinês.
Lançaram-se, então, os marujos da baleeira bem como o guarda marinha ao mar e agarrando-se com desespero aos remos do fái-hái, que continuava a deslizar à voga arrancada com rumo para a Ilha da Lapa, conseguiram não sem grande dificuldade, saltar dentro dela.
Tendo conseguido trepar até ao fai-oi, os oficiais e dois ou três marinheiros que iam na baleeira travaram rijo combate com os chineses, caindo o Tenente Maciel no mar, onde foi salvo por um marinheiro, agarrando-se ambos a um bambu. Salvaram-se também o guarda- marinha Caminha e um marinheiro. O Capitão Silva e outros marinheiros foram considerados como desaparecidos. (3)
NOTA: No ano de 1873, governava Macau o Capitão Januário Correia de Almeida, Conde de S. Januário e a Estação Naval de Macau era comandada pelo 1.º Tenente Fernando Augusto da Costa Cabral
(1) A escuna Príncipe Carlos, comandada pelo 1.º tenente Vicente Silveira Maciel, já em Novembro de 1871, tinha dirigido uma expedição de nulo resultado, contra os piratas da Ilha da Montanha.
(2) 快 蟹 mandarim pinyin: kuài xiè; cantonense jyutping: faai3 haai5)
Fái-hái (caranguejo veloz), tipo de embarcação rasa, utilizada, principalmente, no contrabando do ópio importado pelos ingleses e que fazia a ligação da Ilha Lintin para Cantão.
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 357 p., ISBN: 978-99937-45-38-9

ACTUALIZAÇÃO em 16 de Outubro de 2016:
O guarda marinha Caminha que com o 1.º Tenente da Armada, Vicente Silveira Maciel e o marinheiro se salvaram neste episódio, viria a ser capitão de mar-e-guerra, governador de Benguela (1883-1886) e mais tarde Vice-Almirante. Caetano Rodrigues Caminha (4) prestou serviço em Macau na escuna “Príncipe D. Carlos” que se afundou devido a um forte tufão em 1874 (5) e fez parte da tripulação da corveta “Duque de Palmela” (6)
(4) Caetano Rodrigues Caminha (1850-1930) Correspondente nacional, 1893 Capitão-de-fragata, comandante da Escola da Marinha. Sócio do Instituto de Coimbra (1852-1978)
https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/21258/3/Lista%20de%20s%C3%B3cios_2015.pdf

caetano-rodrigues-caminha-1893Capitão de fragata 1893 (7)
caetano-rodrigues-caminha-1901Capitão de mar e guerra (1901 ?) (7)
caetano-rodrigues-caminha-1911Vice-Almirante (1911) (7)
caetano-rodrigues-caminha-dr-8jan1911Diário da República n.º 8-11 de Janeiro de 1911 p. 114 (8)

(5) “Príncipe D. Carlos” (1866-1874) — Escuna de vapor construída em Inglaterra e que foi adquirida pelo governo de Macau em 1866. Armou com quatro bocas de fogo.
Em 1874, em Macau, perdeu-se por encalhe, devido a um tufão.
(6) A corveta “Duque de Palmela”, que em 1873 partiu de Hong-Kong para ir a Saigão receber o governador de Macau, Visconde de Januário, e a sua comitiva, para serem conduzidos a Banguecoque na corveta portuguesa. No trajecto, o comandante do navio ficou tão perturbado com os perigos da navegação na baía de Banguecoque que, ao passar uma zona bastante perigosa de bancos de areia, e ao ver a embarcação soçobrar, pediu para ser substituído pelo Caetano de Rodrigues Caminha e atirou-se ao mar! Este episódio é descrito por um jornal brasileiro da época, da província do Maranhão.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Caetano_Rodrigues_Caminha
(7) http://www.flickriver.com/photos/cgoulao/21904590309/
(8) file:///C:/Users/ASUS/Downloads/portaria_de_diario_da_republica_8_11_serie_i_de_quarta_feira_11_de_janeiro_de_1911.pdf

“Macau” descrito no capítulo XXI do livro da “Colecção Escolar LELLO” de 1936, destinado aos alunos da 3.ª e 4 .ª classe. (1)

Geografia Primária Mapa Mundo
Situação e área – Macau fica situada na Ásia Oriental, na China, e compõe-se de uma pequena península, no delta do rio Siquião ou rio de Cantão (2), e das ilhas da Taipa e Coloane, ao sul desta península, ao todo cêrca de 10 qm2. É esta, portanto, a nossa mais pequena colónia.
Portugal exerce ainda soberania sôbre as ilhas da Lapa, de D. João e da Montanha, a cuja posse definitiva a China se tem oposto.

Geografia Primária Mapa Macau 1936Mapa de Macau, 1936

O solo – Tanto a península como as ilhas são montanhosas, registando-se a maior elevação no Monte da Guia (106m.), a nordeste da cidade.
A rêde hidrográfica está limitada aos braços do rio Siquião que separam a península de Macau das ilhas da Lapa, D. João e Taipa.

Geografia Primária Comparação temperaturasClima – O Clima de Macau é temperado-húmido; apesar disso, o europeu suporta-o com muita facilidade, aclimatando-se perfeitamente.

Geografia Primária Comparação populaçãoPopulação – A população, constituída principalmente por chineses, por mestiço e portugueses, é de cêrca de 100 mil habitantes. Macau é, por isso, muitíssimo povoado em relação à sua superfície, mas pouco em relação a Portugal.
O único centro importante da população é a cidade de MACAU, no sudoeste da península, cidade com aspecto europeu e oriental, tendo sido, noutros tempos, o centro dum grande comércio no Oriente.
Macau e as ilhas próximas, administrativamente, formam uma província administrativa , com um governador próprio, que tem por séde a cidade de Macau.

Geografia Primária Principais Riquezas

Produções e valor – Pelas pequenas dimensões da colónia, as suas produções agrícolas são muito poucas, o que não acontece porém nas produções de natureza animal, pois que a pesca constitue um dos seus grandes rendimentos. O valor da província de Macau vem, porém, do seu comércio, visto que a sua situação é própria para o comércio de trânsito dos produtos da China, através dos inúmeros canais que ligam os rios de Cantão e de Oeste. Os habitantes de Macau trabalham também o chá, o ópio, as sêdas, os algodões e os charões, etc.
A colónia de Macau é o verdadeiro tipo de colónia feitoria ou de comercio.
Quando as obras do pôrto estiverem concluidas, o caminho de ferro de Cantão e delimitados definitivamente os nossos territórios, a prosperidade e o futuro da nossa colónia estarão completamente garantidos.

Geografia Primária CAPA (1) , Mário de Vasconcelos e – Geografia  Primária, III e IV Classes. Edição autorizada oficialmente para o ano  1937-1938, Livraria Lello & Irmão – Editores, 1936, 127 p.
(2) Macau fica aproximadamente a meio do delta formado pelos rios Si-Kiang ou do Oeste e  Chu-Kiang ou rio das Pérolas ou de Cantão

Informa a «Lusitânia»: (1)

A bordo do paquete «Colonial», da Companhia Colonial de Navegação, chegou à Colónia mais um contingente  de tropas que foi festivamente saudado pela população de Macau, enchendo de justificado orgulho os portugueses aqui residentes e de admiração os chineses que vivem na cidade. Uns e outros viram desfilar as tropas portuguesas com satisfação e como uma garantia de que será mantida a paz e a ordem neste pedaço de terra portuguesa.

BGC 1949 Tropas Expedicionárias IAo longo da Avenida Marginal (2) formaram as tropas expedicionárias de Angola, para marchar para os seus quarteis

 As tropas chegadas a bordo daquele paquete desfilaram na Avenida Marginal depois de desembarque, a que assistiram os srs. comandante Albano de Oliveira e coronel Cotta de Morais, respectivamente governador geral e comandante militar de Macau.

 BGC 1949 Tropas Expedicionárias II“A Avenida Almeida Ribeiro ficou coberta de água, circulando sómente os «Brennes» do exército para patrulhar a cidade”

            No mesmo dia, à tarde, os Srs. capitão-tenente José Mendes da Rocha Zagalo, capitão de bandeira das tropas expedicionárias, e capitão Júlio Moniz da Maia, comandante do «Colonial», estiveram no palácio do Governo a apresentar cumprimentos ao Sr. comandante Albano de Oliveira (3)

(1) Notícia referente à chegada a Macau, no dia 9 de Abril de 1949, do Corpo Expedicionário, para proteger o território da situação que se vivia na China (guerra civil que terminaria em 1 de Outubro de 1949 com a fundação da República Popular da China na sequência da vitória de Mao Zedong). Foi nesse ano que as Ilhas da Montanha e de D. João foram ocupadas pelos nacionalistas chineses.
O Corpo era constituído por Unidades vindas da Metrópole, de Angola e da Guiné. Nesse dia chegaram:
– Companhia de Engenharia.
– Bataria Independente de Artilharia Anti-aérea de 7,5 cm
– Companhia Indígena de Caçadores da Guiné e
– 1.ª Bataria de Artilharia Ligeira Destacada de Angola  (na foto acima)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(2) Avenida Marginal do Porto Interior – Rua das Lorchas
(3) Boletim Geral das Colónias, 1949

NOTA POSTERIOR:

Na sequência  dos comentários sobre esta tema, junto as informações fornecidas pelo Sr. Armando Cação. pelas quais estou imensamente grato:
A companhia de engenhos era uma unidade de Infantaria com material pesado. Desembarcou em Abril e só em Agosto chegam aí 2 companhias anti-carro expª, as quais foram mobilizadas pelo Batalhão de Engenhos (daqui). O comandante dessa C de engenhos era o Cap. Alvaro Salgado, que andava a velejar e foi preso pelas autoridades chinesas e levado para Cantão, onde lhe sacaram informações.  
A Companhia de Engenharia fez obras de construção relacionadas com a defesa, com o bem estar  das  unidades, montou barracas metálicas em Mong-Há, no Ramal de Mouros e na Flora, etc, etc,  construiu o quartel das Subsistências, que existiu no fim da Pedro Coutinho do lado do templo de Kun Iam. E fez mais um sem número de outras obras. Além de ter também as transmissões, que, na altura, eram da Engª. Um dos seus comandantes foi o Tenente e Capitão Mesquita Borges, que esteve muito ligado a Macau,  quer como militar, tendo sido Comandante Militar, quer como engenheiro civil, destacando o cargo de diretor  do gabinete da ponte Macau-Taipa (da primeira).”

Macau City of Commerce ...Capa inteira

Livro (1) publicado em 1987 pela UEA (University of East Asia) Press Ltd , sendo editor, R. D. Cremer (2), imprimido em Hong Kong (em inglês).

Macau City of Commerce ...Capa

Tem um prefácio do então Reitor da Universidade da Àsia Oriental, Professor Paul T. K. Lin:
“…The course of Macau´s future cannot be charted without understanding her past. Dr. Cremer has done us a service in compiling these highly informative studies of Macau by well-know scholars embracing various aspects of the past and present  as seen from different points of view….”

Macau City of Commerce ...Contra capaForam vários os colaboradores para os diversos capítulos subordinados a 3 temas: “Origem e História” , Cultura e Língua” e ” Comércio e Constituição”

ORIGINS AND EARLY HISTORY OF MACAU B. V. PIRES
FROM PORTUGAL TO JAPAN: MACAU’S PLACE IN THE HISTORY OF WORLD   TRADE R. D. CREMER
THE CHURCH IN MACAU M. TEIXEIRA
MACAU THROUGH THE EYES OF NINETEENTH CENTURY PAINTERS C. GUILLÉ-NUÑEZ
DEVELOPMENT OF MACAU’S CITY LANDSCAPE C. DUNCAN
TRACES OF CHINESE AND PORTUGUESE ARCHITETURE C. MARREIROS
CHINESE DIALETS IN MACAU W. L. WOOM
CENTRE OF CHINESE AND PORTUGUESE CULTURES J. M .R LUME
INTERFACES OF CHINESE AND PORTUGUESE R. A. ZEPP
MACAU’S MODERN ECONOMY R. FEITOR
GAMBLING IN MACAU A. PINHO
MACAU’S ECONOMIC ROLE IN THE WEST RIVER J. T. KAMM
THE CONSTITUTION AND LEGAL SYSTEM R. AFONSO AND F. G. PEREIRA

Apresenta um mapa da Província de Zhongshan em que já nesse ano (1987), a  “Ilha da Lapa” ( 湾仔Wanzai) se encontra unida ao continente, bem como a junção da “Ilha de D. João (小横琴Xiao Hengqin) com a “Ilha da Montanha ou Tai-Vong-Cam (大橫琴Da Hengqin ).

Macau City of Commerce ...Mapa Zhongshan

A revista Macau n.º 42 de 1991, publicou o texto do capítulo 6 do livro (“Traces of Chinese and Portuguese Architecture”) do arquitecto Carlos Marreiros, uma versão reduzida e com tradução livre para português  com o título: ” Sinais de arquitectura portuguesa e chinesa” (3).

Macau City of Commerce ...Praia Grande c 1900Praia Grande c. 1900

Macau City of Commerce ...Rua da Praia Grande c 1940Rua da Praia Grande c. 1940

 Nada nas figuras (Praia Grande c. 1900; Rua de Praia Grande c. 1940), excepto alguns caracteres chineses, riquexós  e juncos, indica que as fotografias foram tiradas no Extremo Oriente. Inspiradas em contrução do século XIX, as fachadas dos edifícios são Ocidentais, procurando referenciar alguns modelos ecléticos neo-clássicos, mas tipologicamente, as suas plantas têm uma organização espacial especificamente chinesa.” (Carlos Marreiros) (3)

(1) CREMER, R. D. (editor) – MACAU City of Commerce and Culture. UEA Press Ltd., Hong Kong, 1.ª edição, 1987, 202 p. , 24 cm x 16 cm, ISBN 962-308-002-6
NOTA 1: Exemplar que ainda traz marcada o preço, 135.00 dólares de HK . Comprado no ano de 1988, em Hong Kong (salvo erro no “TIMES BOOK STORE”)
NOTA 2 : Creio que presentemente já tem 7 edições  publicadas entre 1987 e 1991
O editor publicou em 1991 (API Press Ltd. – Hong Kong) o mesmo livro (revisto e aumentado):
            “Macau: city of commerce and culture, continuity and change
(2) Rolf Dieter Cremer foi professor associado de Economia e Director do Centro de Estudos Económicos da China na Universidade de Ásia Oriental (futura Universidade de Macau)
(3) MARREIROS, Carlos – Sinais de arquitectura portuguesa e chinesa in MACAU – Gabinete de Comunicação Social, n.º 42, 1991, pp.30-35