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Devido ao tufão ocorrido a 12 de Julho (1) concentraram-se embarcações na Ribeira da Prata, porto e terriola na Ilha da Montanha. A pirataria no dia 20 de Julho de 1883, aproveitou para ir a bordo e roubar o que pôde. Por acção do Administrador das Ilhas, os objectos roubados foram recuperados e os malfeitores daquela povoação, que sempre ali se refugiaram da justiça chinesa, foram multados. O sistema de sobrevivência destes piratas, quando não atacavam embarcações, consistia em atormentar as pedreiras, as ostreiras, e os pescadores, mesmo em terra; toda esta gente preferia pagar-lhes para viver em paz, alimentando estes exploradores, impunes e numerosos, até aparecerem as forças portuguesas a limpar o mar e a costa (SILVA, Beatriz Basto de – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
Estava prevista para o dia 12 de Julho, no coreto do Jardim de S. Francisco, a actuação da Banda da música da guarnição (adida à guarda policial de Macau) com um programa variado, anunciado no Boletim de 7 de Julho de 1883.
Embora não haja nenhuma informação disponível, de certeza que houve cancelamento dessa actuação tando mais que segundo as observações meteorológicas feitas pela canhoneira Tâmega a partir da 15.15 horas, os aguaceiros tornaram-se fortes anunciando a aproximação do tufão.

Boletim da Província de Macau e Timor, vol. XXIX,n.º 27 de 7 de Julho de 1883.

(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/07/12/noticia-de-12-de-julho-de-1883-temporal-ciclone-sobre-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/07/14/noticia-de-14-de-julho-de-1883-ainda-sobre-o-temporal-ciclone-sobre-macau-ii/

A propósito do ataque de piratas à ilha inglesa de Cheong Chau, (1) corre o boato de que na ilha de Tai Vong Cam (em litígio entre Portugal e a China) (2) há piratas açoitados. O governo de Hong Kong pretende organizar uma expedição mista de forças terrestes chineses e de forças navais inglesas e portuguesas para bater os piratas nas ilhas de Vong Cam. Governo de Macau discorda da proposta por entender que a expedição deve ser levada a efeito, em terra e no mar, por forças portuguesas e por forças chinesas se estas quiserem colaborar. Realiza-se, nestas condições, uma exposição combinada entre os Governos de Macau e Cantão, mas nenhum pirata é encontrado.” (3)
Nesse ano de 1912, a pirataria nos mares da China, principalmente nas ilhas do delta, estava bastante intensa, incomodando as populações das ilhas menos povoadas, com notícias várias de assalto de piratas como a uma lorcha nas alturas de Ka Tai, em 03-05-1912; em 1-07-1912, os piratas de Tai Vong Cam  assaltaram o Hospital de Leprosos em D. João e um tancar de Macau, na Ribeira da Prata (A lancha «Macau» foi fazer o policiamento daquele local) e a 14-08-1912, o Capitão dos Portos oficiava ao Comandante da Companhia Indígena da Índia, solicitando que dêsse ordens às praças de serviço na Avenida da  República para prestarem atenção a qualquer sinal feito da Taipa. Idêntico pedido foi feito, a 19 de Agosto ao Quartel da Fortaleza da Barra. Muitos proprietários de embarcações pediram autorização para adquirir pólvora para sua defesa. (3) (4)
Na verdade, posteriormente, no dia 26-08-1912, a ilha inglesa de Cheung Chau era atacada por piratas que cometeram vários assassinatos e roubos, A polícia de Macau descobriu a pista dos criminosos que se haviam refugiado na ilha da Lapa e prenderam alguns suspeitos. (3)
(1) Cheung Chau 長洲, literal: “ilha comprida” a 10 km sudoeste de Hong Kong.
(2) Ilha da Montanha – Tai-Vong-Cam – 大横琴島 – Da Hengqin
(3) GOMES, Luís G. – Ctálogo dos M. M e Arquivos de Macau, Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I (Jan/Jun 1985)
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau ,Volume 4.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-da-montanha-tai-vong-cam-%E5%A4%A7%E6%A8%AA%E7%90%B4%E5%B3%B6-da-hengqin/

Extraído de «BGU» –  XXXIV – 398, Agosto 1958, pp. 198/199

 

Extraído do BGC XIV-155, MAIO DE 1938, p. 177

diario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-cabecalhoNa sequência da notícia publicada no «Diario Illustrado» no dia 22 de Janeiro de 1909 (1), outra notícia foi publicada no mesmo jornal, no dia seguinte (23 de Janeiro de 1909), abordando a questão das dependências do território de Macau – o problema do domínio territorial – com informações de um alto funcionário (?) que preferiu não ser identificado.
diario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-idiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-iidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-iiidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-ivdiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-vdiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-vidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-viidiario-illustrado-23jan1909-macau-a-questao-do-dominio-viii(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/22/noticia-de-22-de-janeiro-de-1909-a-defeza-de-macau/

A ilha de Tai-Vong-K´âm ou da Montanha foi ocupada no dia 28 de Dezembro de 1937, por uma força de polícia, pelo facto de os japoneses terem invadido o Sul da China. (1)
Junto a um pequeno pagode da Ilha, improvisou a Polícia Portuguesa um «campo de armas» para impedir ali o desembarque dos japoneses, que rondavam a zona pela madrugada desse dia. A ocupação portuguesa firmou-se por esse motivo e a data foi assinalada numa tabuleta onde se lê «28 de Dezembro de 1937 / Praça de Armas / Cap. Gorgulho» (2)

mapa-de-macau-e-territorios-visinhos-1950MAPA – PLANTA DE MACAU E TERRITÓRIOS VISINHOS – 1950

Outra força policial portuguesa ocupará em 20 de Março de 1940, a ilha da Lapa, em consequência da invasão da China pelo Japão (1) mas essa força é retirada a 25 de Abril de 1940 ficando a ilha da Lapa nas mãos dos japoneses.
A tomada da posse da Ilha da Lapa pelos portugueses foi a 18 de Abril de 1596 mas manteve-se sempre a sua posse em litígio com a China. Somente entre 1947-1951, Portugal abandona definitivamente as reclamações de soberania e jurisdição portuguesa da Ilha da Lapa ao assinar (o Governador Albano Rodrigues de Oliveira) dois acordos bilaterais com as autoridades nacionalistas. (2)
NOTAS:06-04-1949 – Foi arvorada na Ilha da Montanha a bandeira nacionalista chinesa (2)
14-08-1949 -Foi ocupada pelos nacionalistas a Ilha de D. João. (2)
Agosto até Dezembro de 1949 – O posto da polícia destacado na Ilha de D. João situada a uns escassos metros a ocidente da Ilha da Taipa, é abandonado” (2)

mapa-de-macau-2016Ilha da Montanha ou Tai-Vong-Cam  (大横琴島 – Da Hengqin ) e a ilha de D. João ou Macarira (小横琴島 – Xiao Hengqin) estão hoje ligadas por um aterro de terra. A ilha, agora única, denomina-se Ilha de Henqin  横琴島.
大横琴島- mandarin pīnyīn:  dà héng qín dao ; cantonense jyutping: daai6 waang4 kam4 dou2
小横琴島 – mandarin pīnyīn:  xiao héng qín  dao ; cantonense jyutping: siu2 waang4 kam4 dou2
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) «A Voz de Macau», 28 de Dezembro de 1937, sob a epígrafe de «Manobras japonezas» in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 4.º Vol.

O Dicionário Corográfico de Portugal Contemporâneo (abrangendo o continente, ilhas adjacentes e colónias) da autoria de António Sampaio de Andrade, publicado no ano de 1944 foi “um trabalho que foi submetido a douta apreciação do Ministério do Interior, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e do Patriarcado
dicionario-corografico-1944-capaCom referência a Macau tem nas páginas 73 e 74. Sete entradas de «Macau» (uma referente a Moçambique):
1 – Macau (Colónia Portuguesa) – Colónia na costa da China Meridional (província de Cantão ou Cuang-Tung)
2 – Diocese de sufragânea da Metrópole Eclesiástica de Goa-e-Damão. Sede: Macau. Abrange o Território da Colónia.
3 – Península na costa S. da China (parte meridional da ilha Hião-Chão ou Chung-Shan)
4 – Concelho da colónia de Macau: 9 freguesias, com 144.240 habitantes. Superfície: 5,247 Kmsq.
5 – Santa Nome de Deus de Macau – cidade, episcopal, com «pôrto livre», sede de concelho.
6 – Ilha de Macau na Colónia de Moçambique, junto da costa oriental e da foz do rio Save, e a S. S. E., e a cêrca de 90 Kms da Baía de Sofala
7 – Ilha de Macau ou ilha de Hião-Chão – ilha na costa meridional da China e a N. da Colónia e Macau, à qual pertence a extremidade S.
dicionario-corografico-1944-macauTaipa com 3 entradas na página 125
1 – Ilha da Colónia de Macau (Arquid. De Goa e Damão) entre a península de Macau e a Ilha de Coloane e a N. N. E. da Ilha tai-Vong-Cam. Compreende a vila da Taipa e as povoações de Semg-Sa e Tcheok-Ka-Tchin coma sup. Total de 4,431 Kmsq. Pop: 7,882 hab.
2 – Vila da Ilha da Taipa e sede de concelho das «Ilhas de Taipa e Coloane» de Macau
3 – Canal do mar da China e entre a Ilha Macarira (D. João) e a Ilha de Taipa
dicionario-corografico-1944-macau-p-74Coloane (ou Colovane) na página 42 – ilha de Macau; a S. da Ilha da Taipa e a E. da Ilha da Montanha (Tai-Vong-Cam). Compreende a vila de Coloane e as aldeias de Hac-Sá, Ka Ho, Seak-Pai e Lui-Tchi-Van com a  sup. Total de 5,832 Kmsq. Pop: 5.053.
Os dados oficiais apresentados neste Dicionário, relativos a Macau, foram retirados da Agência Geral das Colónias.
ANDRADE, António Sampaio de – Dicionário Corográfico de Portugal Contemporâneo. Livraria Figueirinhas, 1944, 218 p.