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Extraído de «Revista Colonial», 1921.

16 -09-1921 – Tendo uma lancha da capitania ocorrido ao pedido de socorro feito por uma sampana chinesa, que estava sendo vítima das exigências de fiscalização, que uma embarcação com soldados chineses armados pretendia exercer, dentro das nossas águas no Porto Interior, um dos soldados chineses apontou dois revólveres ao patrão da lancha, sendo esta obrigada a retirar-se. Ao sinal de alarme dado pela lancha portuguesa acudiu um dos motores da Capitania que avançou em direcção à sampana. Os soldados chineses que se encontravam na embarcação refugiaram-se, então, na fronteira da ilha da Lapa, entrincheirando-se atrás duns rochedos, romperam vivíssimo fogo contra o motor, sendo imediatamente morto o maquinista. O motor respondeu ao fogo com dez tiros de peça disparados por Joaquim Nunes e só se retirou quando este, o patrão e um dos loucanes estavam já varados pelas balas.
Nova provocação aconteceu a 24 de Setembro de 1921 quando uma canhoneira chinesa fundeou no dia anterior nas águas do Porto Interior, retirando-se em seguida, para de novo repetir a sua provocação. Resolveu as autoridades adoptar uma atitude drástica, declarando o estado de sítio com suspensão de garantias pelo prazo de 8 dias, mas, em consequência de certas entidades inglesas terem intervindo, evitou-se um sério rompimento, sendo ordenada, no dia seguinte, a cessação da ordem do estado de sítio (1)
(1)  GOMES, Luís G- – Efemérides da História de Macau, 1954)

A propósito do ataque de piratas à ilha inglesa de Cheong Chau, (1) corre o boato de que na ilha de Tai Vong Cam (em litígio entre Portugal e a China) (2) há piratas açoitados. O governo de Hong Kong pretende organizar uma expedição mista de forças terrestes chineses e de forças navais inglesas e portuguesas para bater os piratas nas ilhas de Vong Cam. Governo de Macau discorda da proposta por entender que a expedição deve ser levada a efeito, em terra e no mar, por forças portuguesas e por forças chinesas se estas quiserem colaborar. Realiza-se, nestas condições, uma exposição combinada entre os Governos de Macau e Cantão, mas nenhum pirata é encontrado.” (3)
Nesse ano de 1912, a pirataria nos mares da China, principalmente nas ilhas do delta, estava bastante intensa, incomodando as populações das ilhas menos povoadas, com notícias várias de assalto de piratas como a uma lorcha nas alturas de Ka Tai, em 03-05-1912; em 1-07-1912, os piratas de Tai Vong Cam  assaltaram o Hospital de Leprosos em D. João e um tancar de Macau, na Ribeira da Prata (A lancha «Macau» foi fazer o policiamento daquele local) e a 14-08-1912, o Capitão dos Portos oficiava ao Comandante da Companhia Indígena da Índia, solicitando que dêsse ordens às praças de serviço na Avenida da  República para prestarem atenção a qualquer sinal feito da Taipa. Idêntico pedido foi feito, a 19 de Agosto ao Quartel da Fortaleza da Barra. Muitos proprietários de embarcações pediram autorização para adquirir pólvora para sua defesa. (3) (4)
Na verdade, posteriormente, no dia 26-08-1912, a ilha inglesa de Cheung Chau era atacada por piratas que cometeram vários assassinatos e roubos, A polícia de Macau descobriu a pista dos criminosos que se haviam refugiado na ilha da Lapa e prenderam alguns suspeitos. (3)
(1) Cheung Chau 長洲, literal: “ilha comprida” a 10 km sudoeste de Hong Kong.
(2) Ilha da Montanha – Tai-Vong-Cam – 大横琴島 – Da Hengqin
(3) GOMES, Luís G. – Ctálogo dos M. M e Arquivos de Macau, Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I (Jan/Jun 1985)
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau ,Volume 4.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-da-montanha-tai-vong-cam-%E5%A4%A7%E6%A8%AA%E7%90%B4%E5%B3%B6-da-hengqin/

Extraído de «BGU» –  XXXIV – 398, Agosto 1958, pp. 198/199

 

A «Gazeta das Colónias, semanário de propaganda e defeza das colónias» publicou no dia 10 de Julho de 1924, (1) na sua primeira página (era habitual em cada número do jornal, publicar um “Monumento Colonial”) uma fotografia intitulada:

«MACAU – A FACHADA DO ANTIGO CONVENTO DE S. PAULO»

Comparando esta foto com uma outra tirada cerca 1875, ainda se vê no lado direito as casas danificadas não pelo violento tufão de 1874, considerado na altura tufão mais violento de que há memória, mas sim pelo fogo que apareceu no dia seguinte, propagado pelo abatimento dos tectos sobre as fornalhas das fábricas de chá e as labaredas sopradas pelo vento. (2)

Ruínas de S. Paulo
1875
Fotografo desconhecido

“… As labaredas sopradas fogosamente pelo vento, que corria sem rumo certo e em desencontradas direcções, ganhavam as casas vizinhas e, dentro em pouco, eram bairros inteiros que ardiam. O clarão, que era enorme, espelhava-se num mar revolto e acendia as nuvens. Era belo e espantoso o espectáculo que os olhos viam, presos de horror e de maldição. Sôbre o fundo vermelho avultavam as paredes tisnadas das casas e as árvores sem copa e sem ramos. A formosa egreja de S. Paulo, edificada pelos jesuítas em louvor da Mãe Deus, numa pequena eminência, logo abaixo da fortaleza do mesmo nome, dominando uma grande parte da cidade, antes de ser tomada pelas chamas, estava deslumbrante, iluminada pelo clarão vivíssimo que a cercava. Parecia que a sua opulenta fachada, de boa fábrica arquitectónica, se afogueava num vermelho translúcido, como que engastada no anel de fogo que a rodeava. Nuvens de fumo e de poeira das derrocadas vizinhas toldavam-na de quando em quando, realçando assim, por contraste, o seu deslumbramento aos olhos de alguns de maior força de ânimo….”
A descrição do tufão e seus efeitos em Macau, baseados nos relatórios oficias de então, relatados pelo Eng. Carlos Alves (ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.)
(1) «GAZETA DAS COLÓNIAS», ANO I, N.º 2, Lisboa, 10 de Julho de 1924.
(2) Foi nos dias 22 e 23 de Setembro de 1874. Causou cerca de 4 000 mortos, (enterrados ou queimados para evitar epidemia), prejuízos da ordem de 1 milhão de patacas, as povoações da Taipa e Coloane quase que desapareceram. Destruiu grande parte do edifício do Leal Senado. A escuna Príncipe Carlos encalhou dentro da Ilha da Lapa; a canhoneira Camões encalhou numa várzea de arroz, a canhoneira Tejo aguentou-se apesar dos encontrões dos barcos desgarrados e foi parar à fortaleza da Barra; as vagas arrasaram a costa desde o forte de S. Francisco até à Barra arrombando das casas da Praia Grande, inundando os andares térreos. Dos estragos do tufão acrescenta-se aos do incêndio. As ruas do bazar só a nado se podia passar e graças às águas da inundação, ajudaram a extinguir os incêndios, tarefa que começou logo que o vento permitiu que as pessoas se aguentassem de pé.
Anteriores referências a este tufão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1953-te-deum-em-cumprimen-to-do-voto-macau-e-o-tremendo-tufao-de-1874/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/

A Praia Grande, a Avenida da República, a Colina da Penha, e a Igreja, em 1985
As Ruínas de S. Paulo, o Porto Interior e a Ilha da Lapa ao longe…em 1985

Extraído do BGC XIV-155, MAIO DE 1938, p. 177

diario-illustrado-22jan1909-cabecalho-do-jornalA propósito de um artigo assinado pelo tenente de engenharia Raul Esteves, num dos jornais diários de Lisboa, “A defeza de Macau” o «Diario Illustrado» (jornal regenerador-liberal, publicado em Lisboa) em 22 de Janeiro de 1909 publicou uma entrevista com esse oficial do exército para esclarecer o seu ponto de vista  sobre a defesa terrestre do território de Macau, as suas fortificações e a defesa naval.

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