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Extraído de «BGU» –  XXXIV – 398, Agosto 1958, pp. 198/199

 

A «Gazeta das Colónias, semanário de propaganda e defeza das colónias» publicou no dia 10 de Julho de 1924, (1) na sua primeira página (era habitual em cada número do jornal, publicar um “Monumento Colonial”) uma fotografia intitulada:

«MACAU – A FACHADA DO ANTIGO CONVENTO DE S. PAULO»

Comparando esta foto com uma outra tirada cerca 1875, ainda se vê no lado direito as casas danificadas não pelo violento tufão de 1874, considerado na altura tufão mais violento de que há memória, mas sim pelo fogo que apareceu no dia seguinte, propagado pelo abatimento dos tectos sobre as fornalhas das fábricas de chá e as labaredas sopradas pelo vento. (2)

Ruínas de S. Paulo
1875
Fotografo desconhecido

“… As labaredas sopradas fogosamente pelo vento, que corria sem rumo certo e em desencontradas direcções, ganhavam as casas vizinhas e, dentro em pouco, eram bairros inteiros que ardiam. O clarão, que era enorme, espelhava-se num mar revolto e acendia as nuvens. Era belo e espantoso o espectáculo que os olhos viam, presos de horror e de maldição. Sôbre o fundo vermelho avultavam as paredes tisnadas das casas e as árvores sem copa e sem ramos. A formosa egreja de S. Paulo, edificada pelos jesuítas em louvor da Mãe Deus, numa pequena eminência, logo abaixo da fortaleza do mesmo nome, dominando uma grande parte da cidade, antes de ser tomada pelas chamas, estava deslumbrante, iluminada pelo clarão vivíssimo que a cercava. Parecia que a sua opulenta fachada, de boa fábrica arquitectónica, se afogueava num vermelho translúcido, como que engastada no anel de fogo que a rodeava. Nuvens de fumo e de poeira das derrocadas vizinhas toldavam-na de quando em quando, realçando assim, por contraste, o seu deslumbramento aos olhos de alguns de maior força de ânimo….”
A descrição do tufão e seus efeitos em Macau, baseados nos relatórios oficias de então, relatados pelo Eng. Carlos Alves (ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.)
(1) «GAZETA DAS COLÓNIAS», ANO I, N.º 2, Lisboa, 10 de Julho de 1924.
(2) Foi nos dias 22 e 23 de Setembro de 1874. Causou cerca de 4 000 mortos, (enterrados ou queimados para evitar epidemia), prejuízos da ordem de 1 milhão de patacas, as povoações da Taipa e Coloane quase que desapareceram. Destruiu grande parte do edifício do Leal Senado. A escuna Príncipe Carlos encalhou dentro da Ilha da Lapa; a canhoneira Camões encalhou numa várzea de arroz, a canhoneira Tejo aguentou-se apesar dos encontrões dos barcos desgarrados e foi parar à fortaleza da Barra; as vagas arrasaram a costa desde o forte de S. Francisco até à Barra arrombando das casas da Praia Grande, inundando os andares térreos. Dos estragos do tufão acrescenta-se aos do incêndio. As ruas do bazar só a nado se podia passar e graças às águas da inundação, ajudaram a extinguir os incêndios, tarefa que começou logo que o vento permitiu que as pessoas se aguentassem de pé.
Anteriores referências a este tufão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1953-te-deum-em-cumprimen-to-do-voto-macau-e-o-tremendo-tufao-de-1874/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/

A Praia Grande, a Avenida da República, a Colina da Penha, e a Igreja, em 1985
As Ruínas de S. Paulo, o Porto Interior e a Ilha da Lapa ao longe…em 1985

Extraído do BGC XIV-155, MAIO DE 1938, p. 177

diario-illustrado-22jan1909-cabecalho-do-jornalA propósito de um artigo assinado pelo tenente de engenharia Raul Esteves, num dos jornais diários de Lisboa, “A defeza de Macau” o «Diario Illustrado» (jornal regenerador-liberal, publicado em Lisboa) em 22 de Janeiro de 1909 publicou uma entrevista com esse oficial do exército para esclarecer o seu ponto de vista  sobre a defesa terrestre do território de Macau, as suas fortificações e a defesa naval.

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A ilha de Tai-Vong-K´âm ou da Montanha foi ocupada no dia 28 de Dezembro de 1937, por uma força de polícia, pelo facto de os japoneses terem invadido o Sul da China. (1)
Junto a um pequeno pagode da Ilha, improvisou a Polícia Portuguesa um «campo de armas» para impedir ali o desembarque dos japoneses, que rondavam a zona pela madrugada desse dia. A ocupação portuguesa firmou-se por esse motivo e a data foi assinalada numa tabuleta onde se lê «28 de Dezembro de 1937 / Praça de Armas / Cap. Gorgulho» (2)

mapa-de-macau-e-territorios-visinhos-1950MAPA – PLANTA DE MACAU E TERRITÓRIOS VISINHOS – 1950

Outra força policial portuguesa ocupará em 20 de Março de 1940, a ilha da Lapa, em consequência da invasão da China pelo Japão (1) mas essa força é retirada a 25 de Abril de 1940 ficando a ilha da Lapa nas mãos dos japoneses.
A tomada da posse da Ilha da Lapa pelos portugueses foi a 18 de Abril de 1596 mas manteve-se sempre a sua posse em litígio com a China. Somente entre 1947-1951, Portugal abandona definitivamente as reclamações de soberania e jurisdição portuguesa da Ilha da Lapa ao assinar (o Governador Albano Rodrigues de Oliveira) dois acordos bilaterais com as autoridades nacionalistas. (2)
NOTAS:06-04-1949 – Foi arvorada na Ilha da Montanha a bandeira nacionalista chinesa (2)
14-08-1949 -Foi ocupada pelos nacionalistas a Ilha de D. João. (2)
Agosto até Dezembro de 1949 – O posto da polícia destacado na Ilha de D. João situada a uns escassos metros a ocidente da Ilha da Taipa, é abandonado” (2)

mapa-de-macau-2016Ilha da Montanha ou Tai-Vong-Cam  (大横琴島 – Da Hengqin ) e a ilha de D. João ou Macarira (小横琴島 – Xiao Hengqin) estão hoje ligadas por um aterro de terra. A ilha, agora única, denomina-se Ilha de Henqin  横琴島.
大横琴島- mandarin pīnyīn:  dà héng qín dao ; cantonense jyutping: daai6 waang4 kam4 dou2
小横琴島 – mandarin pīnyīn:  xiao héng qín  dao ; cantonense jyutping: siu2 waang4 kam4 dou2
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) «A Voz de Macau», 28 de Dezembro de 1937, sob a epígrafe de «Manobras japonezas» in SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 4.º Vol.

Ao Ministério da Marinha
Macau, 8 de Outubro de 1926

Conforme telegrafei a V. Exa.ª em 29 de Setembro, O República foi arrastado na fúria do tufão do dia 27 dêsse mês, indo encalhar sem avaria no lôdo para as bandas da Lapa… (…)
Devo no entanto informar V. Exa.ª de que este tufão foi anormal, surpreendendo os observatórios de Hong Kong e Macau, os quais só poucas horas antes da passagem do meteoro anunciaram a sua aproximação desta região.
O navio continua sem a menor avaria, devendo fazer-se a primeira experiência de o flutuar no próximo dia 12 de Outubro.
Como tive em tempos ocasião de informar V. Ex.ª, foi dragado no pôrto interior de Macau um ancoradouro com uma boa amarração (!) para o cruzador República estacionar com segurança em qualquer circunstância de tempo. Infelizmente tive agora ocasião de verificar que essa amarração não podia merecer confiança alguma, pois logo no princípio do tufão o navio pegou de pôpa, arrastando depois a bóia com os seus quatro ferros até que, bem encalhado no lôdo perto da Ribeira Grande, não pôde garrar para além.
O Republica estaria já a nado se uma das poderosas dragas de sucção da Companhia Holandesa,  tivesse sido empregada no trabalho que está sendo feito com uma simples draga de queixada, que pertence ao Govêrno da Província. Foi porém tão exagerada a quantia pedida pelam Companhia, sem assumir qualquer responsabilidade, que se resolveu só em último caso recorrer ao auxílio da emprêsa que, estando a trabalhar no Pôrto Exterior  há mais de quatro anos, pretendeu especular com a situação do navio, como se fôsse uma Companhia cujas receitas fôssem constituídas  exclusivamente pelo produto dos trabalhos de salvação de navios.
Um outro tufão se anuncia já ao norte de Aparri, caminhando na mesma direcção do anterior, devendo alcançar-nos amanhã à tarde, se não mudar de direcção.

Guilherme Ivens Ferraz
Comodoro
Cruzador República, em Macau (1)

ivens-ferraz-cruzador-republica-na-china-republica-encalhado-1926O cruzador «República» encalhado no Porto Interior de Macau

Sobre este tufão embora não o mencione, o semanário “O Domingo Ilustrado“, no dia 3 de Outubro de 1926 publicava este desenho, na capa, com a seguinte legenda:

o-domingo-ilustrado-n-o-90-3out1926-capaO TUFÃO QUE ANDA PERDIDO NO MUNDO !
Na Metropole, nas ilhas, em Macau, um tufão, que os homens de sciencia classificam como sendo o mesmo, produz estragos formidaveis. Quando tomará pressão normal a enorme massa de ar?

o-domingo-ilustrado-n-o-90-3out1926-legendao-domingo-ilustrado-n-o-90-3out1926(1) FERRAZ, Guilherme Ivens – O Cruzador “República” na China, 1932.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cruzador-republica/
(2) «O Domingo Ilustrado», n.º90, 3 de Outubro de 1926.
Semanário editado regularmente, em Lisboa, entre Janeiro de 1925 e Dezembro de 1927.