Archives for posts with tag: Ilha da Lapa / Wanzai 湾仔

Fotos de Macau (com as respectivas  legendas) publicados na imprensa brasileira em 1933.

“O farol da Guia, o primeiro construído nos mares da China”

NOTA: creio que a esta estrada foi-lhe dada o nome de “Estrada do Engenheiro Trigo”. Começa entre a Calçada do Paiol e a Estrada de Cacilhas, em frente da estrada dos Parses e circunda a Colina da Guia a meia encosta e vem terminar na própria estrada, um pouco acima do ponto de partida. Adriano Augusto Trigo foi director das Obras Públicas de Macau entre 1919 e 1925. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A linda Avenida da Praia Grande”

NOTA: a Rua da Praia Grande foi cimentada em 1924-1925. Nesta rua erguiam-se as mais elegantes mansões do território como as dos condes de Senna Fernandes, de Carlos Pais de Assunção, Luís Aires da Silva, Major Aurélio Xavier, General António Joaquim Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. João Jaques Floriano Alvares, Constâncio José da Silva, Alexandrino Gonzaga de Melo, Maria do Carmo Piter e também algumas famílias chinesas ricas. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A fachada da célebre Igreja de S. Paulo, construída em 1602 com o auxílio dos japoneses católicos, devorada por um incêndio no dia 26 de Janeiro de 1835”

NOTA: A igreja originariamente feita de palha é de 1565; esta igreja foi incendiada e foi construída outra de madeira e coberta a telha, em 1573. Nova igreja foi edificada na colina e no local onde existem as actuais ruínas de S. Paulo em 1579. Esta igreja foi incendiada em 1601 e nesse mesmo ano iniciaram a reconstrução (1602-1603), com motivos decorativos feitos por artistas japoneses. Embora a igreja reconstruída tenha sido reaberta na véspera de Natal de 1603, e que terá custado 30,00 taéis, só ficou concluída em 1640. (TEIXEIRA, Manuel – Japoneses em Macau)

“Vista parcial do Porto”

NOTA: Vista do Porto Interior, com a Ilha da Lapa no fundo à esquerda.

“O Forte do Monte da Guia construída em 1765 que fez frente às forças holandesas que marchavam sobre a cidade, naqueles dias tristes em que os holandeses queriam tirar a Portugal o poderio ultramarino”

NOTA: A foto mostra a fortaleza de S. Paulo do Monte (e não Monte da Guia), originariamente chamada de Nossa Senhora do Monte. A conclusão da Fortaleza de S. Paulo foi em 1626 (e não em 1765), conforme inscrição epigráfica sobre a porta de acesso. Esta fortaleza teve um papel decisivo no repelir o ataque holandês no dia 24 de Junho de 1622.

Extraído de «Revista Colonial», 1921.

16 -09-1921 – Tendo uma lancha da capitania ocorrido ao pedido de socorro feito por uma sampana chinesa, que estava sendo vítima das exigências de fiscalização, que uma embarcação com soldados chineses armados pretendia exercer, dentro das nossas águas no Porto Interior, um dos soldados chineses apontou dois revólveres ao patrão da lancha, sendo esta obrigada a retirar-se. Ao sinal de alarme dado pela lancha portuguesa acudiu um dos motores da Capitania que avançou em direcção à sampana. Os soldados chineses que se encontravam na embarcação refugiaram-se, então, na fronteira da ilha da Lapa, entrincheirando-se atrás duns rochedos, romperam vivíssimo fogo contra o motor, sendo imediatamente morto o maquinista. O motor respondeu ao fogo com dez tiros de peça disparados por Joaquim Nunes e só se retirou quando este, o patrão e um dos loucanes estavam já varados pelas balas.
Nova provocação aconteceu a 24 de Setembro de 1921 quando uma canhoneira chinesa fundeou no dia anterior nas águas do Porto Interior, retirando-se em seguida, para de novo repetir a sua provocação. Resolveu as autoridades adoptar uma atitude drástica, declarando o estado de sítio com suspensão de garantias pelo prazo de 8 dias, mas, em consequência de certas entidades inglesas terem intervindo, evitou-se um sério rompimento, sendo ordenada, no dia seguinte, a cessação da ordem do estado de sítio (1)
(1)  GOMES, Luís G- – Efemérides da História de Macau, 1954)

A propósito do ataque de piratas à ilha inglesa de Cheong Chau, (1) corre o boato de que na ilha de Tai Vong Cam (em litígio entre Portugal e a China) (2) há piratas açoitados. O governo de Hong Kong pretende organizar uma expedição mista de forças terrestes chineses e de forças navais inglesas e portuguesas para bater os piratas nas ilhas de Vong Cam. Governo de Macau discorda da proposta por entender que a expedição deve ser levada a efeito, em terra e no mar, por forças portuguesas e por forças chinesas se estas quiserem colaborar. Realiza-se, nestas condições, uma exposição combinada entre os Governos de Macau e Cantão, mas nenhum pirata é encontrado.” (3)
Nesse ano de 1912, a pirataria nos mares da China, principalmente nas ilhas do delta, estava bastante intensa, incomodando as populações das ilhas menos povoadas, com notícias várias de assalto de piratas como a uma lorcha nas alturas de Ka Tai, em 03-05-1912; em 1-07-1912, os piratas de Tai Vong Cam  assaltaram o Hospital de Leprosos em D. João e um tancar de Macau, na Ribeira da Prata (A lancha «Macau» foi fazer o policiamento daquele local) e a 14-08-1912, o Capitão dos Portos oficiava ao Comandante da Companhia Indígena da Índia, solicitando que dêsse ordens às praças de serviço na Avenida da  República para prestarem atenção a qualquer sinal feito da Taipa. Idêntico pedido foi feito, a 19 de Agosto ao Quartel da Fortaleza da Barra. Muitos proprietários de embarcações pediram autorização para adquirir pólvora para sua defesa. (3) (4)
Na verdade, posteriormente, no dia 26-08-1912, a ilha inglesa de Cheung Chau era atacada por piratas que cometeram vários assassinatos e roubos, A polícia de Macau descobriu a pista dos criminosos que se haviam refugiado na ilha da Lapa e prenderam alguns suspeitos. (3)
(1) Cheung Chau 長洲, literal: “ilha comprida” a 10 km sudoeste de Hong Kong.
(2) Ilha da Montanha – Tai-Vong-Cam – 大横琴島 – Da Hengqin
(3) GOMES, Luís G. – Ctálogo dos M. M e Arquivos de Macau, Boletim do Arquivo Histórico de Macau, Tomo I (Jan/Jun 1985)
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau ,Volume 4.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-da-montanha-tai-vong-cam-%E5%A4%A7%E6%A8%AA%E7%90%B4%E5%B3%B6-da-hengqin/

Extraído de «BGU» –  XXXIV – 398, Agosto 1958, pp. 198/199

 

A «Gazeta das Colónias, semanário de propaganda e defeza das colónias» publicou no dia 10 de Julho de 1924, (1) na sua primeira página (era habitual em cada número do jornal, publicar um “Monumento Colonial”) uma fotografia intitulada:

«MACAU – A FACHADA DO ANTIGO CONVENTO DE S. PAULO»

Comparando esta foto com uma outra tirada cerca 1875, ainda se vê no lado direito as casas danificadas não pelo violento tufão de 1874, considerado na altura tufão mais violento de que há memória, mas sim pelo fogo que apareceu no dia seguinte, propagado pelo abatimento dos tectos sobre as fornalhas das fábricas de chá e as labaredas sopradas pelo vento. (2)

Ruínas de S. Paulo
1875
Fotografo desconhecido

“… As labaredas sopradas fogosamente pelo vento, que corria sem rumo certo e em desencontradas direcções, ganhavam as casas vizinhas e, dentro em pouco, eram bairros inteiros que ardiam. O clarão, que era enorme, espelhava-se num mar revolto e acendia as nuvens. Era belo e espantoso o espectáculo que os olhos viam, presos de horror e de maldição. Sôbre o fundo vermelho avultavam as paredes tisnadas das casas e as árvores sem copa e sem ramos. A formosa egreja de S. Paulo, edificada pelos jesuítas em louvor da Mãe Deus, numa pequena eminência, logo abaixo da fortaleza do mesmo nome, dominando uma grande parte da cidade, antes de ser tomada pelas chamas, estava deslumbrante, iluminada pelo clarão vivíssimo que a cercava. Parecia que a sua opulenta fachada, de boa fábrica arquitectónica, se afogueava num vermelho translúcido, como que engastada no anel de fogo que a rodeava. Nuvens de fumo e de poeira das derrocadas vizinhas toldavam-na de quando em quando, realçando assim, por contraste, o seu deslumbramento aos olhos de alguns de maior força de ânimo….”
A descrição do tufão e seus efeitos em Macau, baseados nos relatórios oficias de então, relatados pelo Eng. Carlos Alves (ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.)
(1) «GAZETA DAS COLÓNIAS», ANO I, N.º 2, Lisboa, 10 de Julho de 1924.
(2) Foi nos dias 22 e 23 de Setembro de 1874. Causou cerca de 4 000 mortos, (enterrados ou queimados para evitar epidemia), prejuízos da ordem de 1 milhão de patacas, as povoações da Taipa e Coloane quase que desapareceram. Destruiu grande parte do edifício do Leal Senado. A escuna Príncipe Carlos encalhou dentro da Ilha da Lapa; a canhoneira Camões encalhou numa várzea de arroz, a canhoneira Tejo aguentou-se apesar dos encontrões dos barcos desgarrados e foi parar à fortaleza da Barra; as vagas arrasaram a costa desde o forte de S. Francisco até à Barra arrombando das casas da Praia Grande, inundando os andares térreos. Dos estragos do tufão acrescenta-se aos do incêndio. As ruas do bazar só a nado se podia passar e graças às águas da inundação, ajudaram a extinguir os incêndios, tarefa que começou logo que o vento permitiu que as pessoas se aguentassem de pé.
Anteriores referências a este tufão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1953-te-deum-em-cumprimen-to-do-voto-macau-e-o-tremendo-tufao-de-1874/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/

A Praia Grande, a Avenida da República, a Colina da Penha, e a Igreja, em 1985
As Ruínas de S. Paulo, o Porto Interior e a Ilha da Lapa ao longe…em 1985

Extraído do BGC XIV-155, MAIO DE 1938, p. 177