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O Hospício para Lázaros, em Ka Hó, depois de muita resistência e de alterações várias (1) quanto à escolha do local, quer em Macau (D. Maria, Porta do Cerco) quer na Taipa e depois em Coloane, foi entregue pronto no dia 20 de Janeiro de 1885, com guarda e zona circundante delimitada. O apetrechamento só ficaria completo em Maio desse ano. (2)
mapa-de-ka-hoPor portaria Provincial n.º 327 de 13 de Setembro de 1929 foi nomeada uma comissão, a qual cumpriu o seu mandato, fazendo construir no Hospício Ka Hó, cinco pavilhões e uma capela, com dependências anexas para constituírem a residência das Religiosas que venham ali a instalar. Em Ká Hó, com a preparação do terreno, construções dos cinco pavilhões, capela, poço, tanque e valsa de protecção, canalização de água potável e de esgoto e conservação de todas as obras despendeu-se a bela soma de $ 21.478, 19. A capela foi inaugurada e benzida por D. José da Costa Nunes no dia 21 de Outubro de 1934.

pe-teixeira-macau-e-a-sua-diocesse-i-pavilhoes-das-lazaras-de-ka-hoPAVILHÕES DOS LÁZAROS EM KA-HÓ, 1940

A Leprosaria fica na Baía de Ka Hó, construída num promontório na ponta leste de Coloane, perto da chamada aldeia ou povoação de Ká Hó (é um pequeno vale entre montanhas e era o mais cultivado antigamente). Tem uma bela igreja contemporânea dedicada a N.ª Sr.ª das Dores, ostentando um grande crucifixo de bronze sobre a porta norte.
coloane-igreja-de-nossa-senhora-das-dores-ka-ho(1) Os leprosos que durante três séculos estiveram no Hospital S. Rafael, em 1878 são transferidos para a Ilha de D. João na altura sob a administração portuguesa, em Pac Sá Lan. Em 25-11-1896 é extinto o Hospício de S. Lázaro junto à Igreja de S. Lázaro.
“1878 – Os leprosos, recebidos na primeira instituição congénere no Extremo-Oriente – O Hospital de S. Rafael – durante três séculos, são transferidos neste ano para a Ilha de D. João (para homens) sob a administração portuguesa”. (2)
17-03-1894 – O Administrador das Ilhas, Capitão João de Sousa Canavarro, oficia à Secretaria do Governo fazendo uma breve mas expressiva panorâmica da situação dos leprosos. É estudada a construção de novas barracas para o alojamento dos Lázaros em Pac-Sá-Lan e Ká-Hó.” (2)
Mas os constantes assaltos dos piratas (maus tratos e roubos) ao longo da década de 10 a 30 (século XX), (3) (4) à gafaria de Pac Sa Lan instalada na Ilha de D. João, foram transferidos aos poucos para a Gafaria de Ká Hó que com o tempo foi-se ampliando. Em 1933, o director da leprosaria Fernando Dias Costa (5) informava estarem construídos oito pavilhões para o tratamento da lepra. As instalações da leprosaria de Pac Sá Lan foram destruídas pelos militares comunistas em 1953. (6)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(3) 19-06-1912 – Pedido dos leprosos instalados no Hospício de D. João para serem dali retirados a fim de não estarem sujeitos aos constantes assaltos de piratas.(GOMES, Luís G. – Catálogo do M.M., n.º 254)
(4) “24-01-1927 – Queixa apresentada pelos asilados da gafaria de Pac-Sa-Lan, na Ilha de D. João, contra os maus tratos e roubos de que eram vítimas às mãos dos piratas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).

(5) Fernando Castanha Dias Costa, foi Director dos Serviços da Fazenda e Contabilidade de Macau de 1932 a 1936, ano em que  há um processo de inquérito aos actos praticados pelo Director dos Serviços de Fazenda e Contabilidade de Macau. Por inerência do cargo era também Director das Leprosarias existentes na altura na colónia de Macau (Ilha de Coloane e Ilha de D. João). («Portugal Colonial», Ano I, n.º 24 – Fevereiro de 1933 p. 18.)

(6) “1953 – Destruídas pelos comunistas a leprosaria de Pak-Sa-Lan. Aventou-se a hipótese dos doentes terem sido transferidos para outra ilha, perto de Hong Kong. Mas não se conseguiu confirmar tal notícia, sendo provável que os últimos leprosos tivessem perecido, porque já em 1949 tinham sido ameaçados de morte por Ng Seng, comandante da guarnição chinesa de Man Lei Wai, se não pagassem $500 em notas portuguesas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).

O Conde Dom Luís de Meneses, Vice-Rei da Índia, (1) perante a falta de moradores na cidade, providenciou, proibindo o convento de receber mulheres para religiosas e ordenando às mesmas que casassem com os portugueses que se achavam na cidade.(2)(3)
Outra notícia de 26 de Dezembro de 1718 : “O Senado regozija-se ao fazer o balanço do ano: «… com os rendimentos se ve esta Cidadde dezempenhada das maiores dividas, como são a da Caza da Misericordia em maioria de dez mil taeis, e a do rei de Siam em três, e a de hum Armenio, o Cabbido, e alguns Moradores
Manuel Favacho (4) faleceu, deixando dote de casamento para 20 órfãs. Deixou ainda 400 pardaus para se  celebrar na Igreja da Madre de Deus a novena e festa do Espírito Santo; e legou  aos jesuítas a administração da viagem à Cochinchina durante alguns anos. É provável que a doação às meninas órfãs levasse o Senado a fundar o Recolhimento da Santa Casa, de que nos fala Frei José de Jesus Maria. De facto, a 26-12-1718, o Senado determinou que se destinasse meio por cento para a sustentação das «meninas órfãs, filhas de Portugueses, que com o beneplacito  do Procurador, e mais Irmãos da santa casa, se fara nela um recolhimento  com mais uma Senhora  grave para Mestra das ditas Órfãs e duas servideiras, dando a cada uma três pardaus para seu subsídio , do dito por cento, e o que restar ficasse em um cofre depositado na mesma Casa da Misericordia para dote das órfãs.»
As vocações religiosas femininas eram numerosas; em 1678 , o V.R.D. Rodrigo da Costa (1686-1690) ordenara ao Senado que  proibisse, sob pena de 500 pardaus, que qualquer rapariga ingressasse no  Mosteiro de St.ª Clara.
A 7 de Maio de 1718, o Conde de Ericeira D. Luís de Meneses V. R. da Índia (1717-1720), dá as seguintes providências sobre as freiras de St.ª Clara: «Porque sou informado que uma das causas da decadencia da Cidade de Macau é a falta de moradores portugueses, e que esta procede da quantidade de mulheres que, tendo dotes com que poder  casar, se meteram a maior parte freiras; e , para evitar este prejuizo, ordeno e mando que, estando completo o numero de Religiosos do Convento daquela Cidade, se não recebam mais mulheres para religiosas, e se casem com os dotes que tiverem com os portugueses que se acharem na dita Cidade, para assim  se remediar a falta que esta experimenta de moradores e se frequente o comercio e se aumente a terra; e o Governador da Cidade de Macau  e o Senado da Camara dela darão inviolavel desta minha ordem».
É claro que esta ordem ficou letra morta; e o número máximo de freiras, que era de 33, foi elevado para 40 pelo bispo D. João do Casal em 17 de Janeiro de 1713.(3)
Luís Carlos Meneses 5.º Conde Ericeira(1) Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses, 5º conde da Ericeira, 1º marquês do Louriçal, (1689 — Goa, 1742), homem com grandes conhecimentos literários e artísticos e um bom estratega militar, foi vice-rei e capitão-general da índia portuguesa entre 1717 e 1720 e entre 1740 e 1742. Considerado como um dos bons governantes do Oriente na primeira metade do Setecentos.
(2) GOMES, Luís Gonzaga. Efemérides da História de Macau, Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.
(4) Manuel Favacho foi vereador, grande mercador (proprietário de barcos de mercadorias) de Macau, no século XVIII.
25-10-1713 – O Senado precisava de mais de 6 000 taíes para as despesas dum ano, mas nada possuía, antes devia dinheiro. Os religiosos e o clero declararam que só podiam emprestar pouco mais de 1 000 taíes; ora o povo não podia dar as restantes 5 000. Resolveu que a vereação do ano seguinte pagasse primeiro as dívidas: 300 e tantos taéis a Manuel Favacho, 700 e tantos à Ouvidoria; 1 000 a Misericórdia. Para isso, aumentava-se um e meio por cento dos direitos.
1713 -Manuel Favacho deixa à Santa Casa 2 000 pardaus; um quarto para viúvas e órfãos; um quarto para missas por sua alma; e o resto para desempenhar a prata da Santa Casa e da Igreja de S. Lázaro. Deixa mais 1000 pardaus para dote anual de casamento duma órfã , filha de portugueses e ou de irmão de St.ª Casa.
(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol.2, 1997)

4JUL54 Chegada do Bispo I MACAU BI II-23 15-07-54

“O Revmo. Bispo, acompanhado do seu secretário, desembarcando na Ponte cais n.º 16”

Cerca das 18.40 horas do dia 4 de Julho de 1951, o barco “Tai Loy” atracava na ponte cais trazendo o novo bispo de Macau, D. Policarpo da Costa Vaz e o seu secretário particular Revdo. Pe. José Ferreira de Almeida. Teve uma recepção entusiasta, desde o Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, elementos militares chefiados pelo Capitão-tenente Freitas Ribeiro, elementos eclesiásticos com o Revdo. Chantre Morais Sarmento, a banda salesiana, os internados das instituições de caridade assim como vários conhecidos capitalistas além numerosos dos católicos portugueses, chineses e estrangeiros de todas as categorias sociais.

4JUL54 Chegada do Bispo II MACAU BI II-23 15-07-54“O cortejo da Igreja de S. Lázaro para a Sé Catedral”  

 Depois de se demorar cerca de meia hora na ponte, retribuindo os cumprimentos, dirigiu-se, na companhia do seu secretário, para a Igreja de S. Lázaro onde foi recebido à entrada pelo Padre Roque Lui e membros de Organismos Católicos Chineses. No interior do templo, a «Capela de Santa Cecília» do Seminário S. José entoou «Ecce Sacerdos Magnus». Depois de paramentado com as vestes pontificais, solenemente desfilou a procissão em que tomou parte grande massa do povo. Sob o pálio caminhava o novo e venerando Prelado com o bastão episcopal. Este costume é uma velha tradição de Macau entre quando se recebia um novo bispo.

4JUL54 Chegada do Bispo III MACAU BI II-23 15-07-54“O Governador da Província e elementos militares assistiram ao Solene «Te Deum»”

A procissão deslocou-se para a Sé Catedral, executando a banda dos Salesianos várias marchas enquanto caminhava atrás do pálio.4JUL54 Chegada do Bispo IV MACAU BI II-23 15-07-54

2O novo Bispo ora, pela primeira vez, na Sé Catedral”

Na Sé Catedral, o acto foi assinalado com todas as cerimónias litúrgicas próprias da ocasião. Seguidamente cantou-se o «Te Deum», tendo tomado parte o coro do Seminário sob a regência do Revdo. P.e Guilherme Schmid.  No final da cerimónia, o Bispo proferiu do alto do púlpito uma alocução de religiosidade e patriotismo.

4JUL54 Chegada do Bispo V MACAU BI II-23 15-07-54 “A Sé Catedral encheu-se de fiéis”

Informações e fotos de “MACAU Bol. Inf., 1954
 

“25-09-1828 – Os Chineses de Mong-há foram proibidos, por edital do mandarim da Casa Branca, de atirar pedras às casas vizinhas e ao Forte de Sto António e de cometer distúrbios para exigirem a abertura das Portas do Campo, antes do tempo determinado, as quais há mais de dois séculos, eram abertas às 5.00 horas da manhã e fechadas às 20.00 horas, conservando-se as chaves em poder do Governo.” (1) 
«tendo vós já cometido hum semelhante atentado; os cabeças das ruas, terão todo o cuidado de prender os infractores desta minha ordem, e remeter ao Mandarim. Cso-Tam, para os castigar: os cabeças das ruas, q. forem cúmplices neste crime, serão tbm rigorosamente castigados; e os soldados, q. estiverem de vigia às Portas, não poderão motivar desordem, q. deverão então ser castigados » (Arquivo da Procuratura)» (2)
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau.
(2) TEIXEIRA,, Pe. Manuel – Toponímia de Macau,  Volume I.
O objectivo das muralhas da cidade, que quase circundavam a primitiva cidade, tinham como função principal proporcionar forças defensivas com capacidade de resistir a um assalto directo da infantaria inimiga. Também protegiam a cidade durante a noite, oferecendo segurança contra os piratas e bandos de assaltantes que infestavam os arredores de Macau.
Estas muralhas estavam fornecidas de duas portas.
A do lado Nascente, perto da actual Igreja de Sto. António, chamava.se porta de Sto. António ou Sto. Antão, enquanto que a de Sudeste, perto da Igreja de S. Lázaro, era conhecida por porta do Campo. Estas portas estavam fechadas à noite, abrindo-se e fechando-se às mesmas horas. Na porta de Sto. António existia um posto alfandegário.”
GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau. Concepção e História.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima I

Em 1954, o povo católico de Macau celebrou a habitual festa de Nossa Senhora de Fátima, comemorando nesse ano o jubileu de prata da introdução na cidade de Macau do culto a Nossa Senhora de Fátima e as celebrações do Ano Mariano (1)
Durante 9 dias que precederam o dia 13, foi grande a afluência dos fiéis à Igreja de S. Domingos.
Desde o dia 12, último dia da novena, ficou o Santíssimo exposto até ao dia seguinte às 19.00 horas estando as adorações nocturnas bem como as diurnas foram feitas por agremiações católicas.
Com o amplo templo totalmente cheio, rezaram-se missas no dia da Festa, desde as 4 horas da manhã. Às 8.30 horas foi celebrada missa de oferecimento com Comunhão e às 10.00, Missa de Pontifical.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima IIO Rev.mo Bispo D. João de Deus Ramalho celebrando o Pontifical, com a assistência de todo o clero

À tarde, depois de recitadas renovação da Consagração da Diocese de Macau ao Imaculado Coração de Maria e dada a Bênção do Santíssimo aos fiéis e aos doentes, este último assinalado com a recitação das jaculatórias proferidas do púlpito pelo Rev. Padre Benjamin Pires Videira S. J., lenta e impressionante começou a desfilar a procissão de peregrinação que tinha por término a Ermida da Penha.
À saída da Igreja, A Virgem foi saudada por um vibrante toque de clarins, e ao mesmo tempo duma das janelas do templo, foram soltas três pombas brancas.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima IIISaída da Igreja de S. Domingos

À saída da Igreja, A Virgem foi saudada por um vibrante toque de clarins, e ao mesmo tempo duma das janelas do templo, foram soltas três pombas brancas.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima IVA branca Imagem da Senhora de Fátima sai de S. Domingos
aos ombros das Congregadas de Nossa Senhora de Fátima

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima VNo Largo de S. Domingos começou a organizar-se a imponente Procissão que se dirigiu à Colina da Penha

A grandiosa peregrinação uma das maiores dos últimos anos, levou cerca duas horas a percorrer o itinerário marcado.
Chegada à Ermida da Penha, a Senhora entrou na Ermida acompanhada pelos fiéis que encheram, num curto espaço de tempo a pequena mas graciosa ermida.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima VINa Ermida da Penha

Pregou em português, o Revdo Cónego Juvenal Alberto Garcia, reitor do Seminário de S. José enquanto que o Revdo Padre Roque Lui, pároco da Igreja de S. Lázaro, pregou em chinês junto da Gruta de Nossa Senhora de Lurdes.
Em seguida foi entoado o solene Te-Deum por Sua Ex.ª Revma o Sr. D. João de Deus Ramalho, que deu a bênção aios fiéis, e da balaustrada da Penha à cidade inteira tendo um turno de clarins do nosso exército assinalado este acto.

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima VII

A Benção do Santíssimo

Ano III 13MAI1954 Jubileu N.S. Fátima VIIIO adeus final à Virgem
(vendo-se entre a assistência, o Governador da Província)

Informação e fotos (má qualidade devido à impressão em papel) de “Macau, Boletim Informativo”, 1954.
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 5. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1998, 320 p. (ISBN 972-8091-64-8)