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 25 de Março de 1347 – data de nascimento de Santa Catarina de Siena (1)

Muitos conhecem o padroeiro de Macau: S. João Baptista, mas poucos sabem que Macau tem quatro padroeiros: S. João Baptista, a N. Sra. da Conceição, S. Francisco Xavier e Santa Catarina de Sena. (2)

Sta Catarina de Sena

Foi em 1646 que a Cidade de Macau escolheu Sta. Catarina de Sena para sua Padroeira.  Nada menos de 47 dos mais honrados e ilustres cidadãos  desta terra, entre os quais os Mordomos de Sta. Catarina, dirigiram nesse ano, ao Senado um requerimento, pouco dias antes da sua festa que ocorre no dia 22 de Abril, pedindo que ela fosse declarada Padroeira pelas seguintes razões:
«Agora  que insta a solenidade a festa gloriosíssima Santa Virgem…como era este povo falto de tudo humano nas extremas calamidades e misérias que padece , esperam eles suplicantes em Deus Nosso Senhor ser socorridos da sua Misericórdia, por intercessão desta gloriosíssima Santa, como também esperam no mesmo Senhor  que por meio dela se consiga a paz civil deste povo, de que a gloriosa Santa é poarticular advogada e Padroeira, pois ela tratou da Igreja católica, quando ardia em cismas de anti-papas em tempo de Urbano VI, ela a que trabalhou pela paz dos Florentinos, que com o Papa Gregório II estavam desavindos, ela finalmente que compôs a dissensão civil do Povo Senense» (3)
Atendendo a este pedido, o Senado de Macau, na Vereação de 2 de Maio de 1646, declarou que:
«visto o que dita a petição alegava e o estado miserável, em que esta terra estava, (4)  que era coisa mui acertada que se tomasse como de hoje para todo sempre se tomou, por Patrona desta cidade e gloriosa Sta. Catarina de Sena, para que, como tão mimosa de Deus Nosso Senhor, alcance de sua Divina Majestade se apiade desta sua cidade, pondo nela seus Divinos olhos de Misericórdia, dando-nos nela muita paz, união e concórdia»
NOTA : na “Cronologia” da Dra. Beatriz Basto da Silva (5) (7) existem as seguintes referências:
1836 – A capela do Salão Nobre do Leal Senado é dada como de invocação de N.ª S.ª da Conceição, por Ljungstedt. Luís Gonzaga Gomes indica  a anterior invocação a Sta. Catarina de Sena. A Embaixada mártir – 1597 – tomou Sta. Catarina de Sena  como Padroeira dos moradores e embaixadores de Macau ao Japão. Um termo do Senado, com data de 2 de Maio de 1646 apresenta «Termo de como se tomou por Patrona desta cidade a glorioza Virgem Sta. Catarina de Senna»”
“02-06-1940 – Foi inaugurado no edifício do Leal Senado, depois de devidamente restaurado e benzida, a capela dedicada a Santa Catarina de Sena que, noutros tempos, era destinada ao serviço divino, antes de cada sessão. O restauro deve-se ao Engº Valente de Carvalho”

Padre Teixeira na obra citada (3) apresenta foto da capela privativa, encravada no corpo do Salão Nobre do Leal Senado, com a imagem da Imaculada Conceição (Nossa Senhora da Conceição)

(1) Catarina Benincasa  (Siena, 25 de Março de 1347 – Roma, 29 de Abril de 1380), leiga da Ordem Terceira de São Domingos, venerada como Santa Catarina de Siena/Sena na Igreja Católica, canonizada em 1461 pelo Papa Pio II. Doutora da igreja desde 1968 pelo Papa Paulo VI. É Padroeira dos Meios de Comunicação, da Itália (desde 1939) e da Europa. A data do seu nascimento é alvo de controvérsia
(2) “Em 1647, o Senado determinou que todos os oficiais do mesmo Senado se confessassem e comungassem nas festas anuais destes Padroeiros nas igrejas em que elas se celebrassem:  N. Sra. da Conceição em S. Francisco, S. João na Sé, S. Francisco Xavier em S. Paulo e Santa Catarina de Sena em S. Domingos” (3)
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – O Leal Senado. Edição do Leal Senado de Macau, s/ data, 24 p.
(4) “O estado miserável da cidade” refere-se às consequências do domínio filipino pois após a Restauração de Portugal em 1640, Macau que já tinha perdido o comércio do Japão, em 1639, perde também o comércio espanhol das Filipinas. Pede-se também, “paz”  porque a sociedade macaense encontrava-se nesse ano muito dividida com desordens, culminando com o assassinato do Governador, D. Diogo Coutinho Docém em 1647. (6)
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)
(6) 25-06-1646 – Nomeado D. Diogo Coutinho Docém, capitão-geral no governo de Macau”
“1647-1650 – Tendo sido assassinado o anterior governador (caso único), passa a governador D. João Pereira, porque D. Braz Coutinho, nomeado para tal, se recusa
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 198 p (ISBN 972-8091-08-7)
(7) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)

“Durante o século XVIII, os criados eram escravos trazidos da África e de Timor, criaturas geralmente dóceis e cuja lealdade e valentia constituíam a salva-guarda das casas portuguesas na ausência dos donos.
Em algumas casas havia por vezes mais de trinta, entre homens e mulheres, casados entre si.
Geralmente eram bem tratados e alguns houve que, receberam ricos legados.
Os padres eram caridosos para com os escravos negros, chegando êstes a ter expostos à sua veneração, na igreja de S. Francisco (1), imagens de santos negros.
Além destes escravos, havia chineses vendidos aos portugueses, desde a infância. Esta escravidão foi proibida por D. José.” (2)
              MAPA DA CIDADE DE MACAU 1796 POR B. BAKER (3)

(1) Igreja de S. Francisco foi demolida em 1861 (Convento e Igreja, construídos por franciscanos) para ser construída o Quartel de S. Francisco (1864-1866).
(2) COLOMBAN, Eudore – Resumo da História de Macau. Macau, 1927, 149 p.
 (3) De Rise & Fall of the Canton Trade System Gallery: Places
http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html
NOTA: Embora referenciado no site anterior como de B. Baker, este foi o “gravador”. O mapa estava incluído no Atlas do “Authentic Account of an Embassy from the King of Great Britain to the Emperor of China” de George Leonard Staunton.  Este acompanhou a primeira embaixada britânica à China entre 1792-1794, sob o comando do embaixador Earl George Macartney (1737-1806)
http://www.elke-rehder.de/Antiquariat/Staunton-China-Art.htm