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Extraído de «BGU» , XXXVI – 420-421, 1960.

“A inscrição do Relicário Grande de S. Francisco Xavier, em prata, que está fechado à chave e selado exposto na Igreja de S. José (Seminário de S. José), consta o seguinte:

Aqui está depositada a reliquia do
Glorioso S. Francisco Xavier Apostolo do Oriente
Este relicário foi mandado fazer em Londres por
António Pereira
Seus filhos e noras
E oferecido a
Sé Cathedral de Macau
Em 1.º de Septembro do anno de
1865

Sala «Sacrarium» da Capela de S. Francisco na Igreja de S. José

A relíquia de S. Francisco Xavier que consiste em um grande pedaço de osso do braço do Santo Apóstolo do Oriente e que viera de Goa para a igreja de S. Paulo de Macau, onde se conservou posteriormente à expulsão dos Padres Jesuítas, foi salva do incêndio que destruiu o complexo de S. Paulo a 26 de Janeiro de 1835.
A Relíquia do Braço de S. Francisco estava exposta em S. Paulo durante a batalha contra os Holandeses (24-06-1622).
A 3 de Fevereiro de 1835, foram entregues por António Teixeira Machado Bastos, por parte do Procurador do Leal Senado aos Padres Lourenço Taveira de Lemos e Rafael A de Sousa (nomeados pelo Vigário Capitular para este efeito), três baús de ossos que foram tirados, a maior parte, da parede da capela de S. Francisco Xavier, onde o Bispo D.. Francisco de N. Sra. Da Luz (1) havia depositado e mais alguns bocados de ossos que estavam no Santuário. Entre os objectos entregues estava “o caixilho de prata queimado com a cana do braço do Gloriosos S. Francisco Xavier que se tirou do sítio chamado santuário, de cima da parede, onde estava guardada esta Relíquia…”

Pormenor do braço de S. Francisco Xavier, Macau, Igreja de S. José

Em 19 de Fevereiro de 1835, foi transportado para a Sé Catedral onde se acha inventariada com nota à margem de ter sido, por ordem do Bispo D. António Joaquim Medeiros, (2) e entregue aos Padres do Seminário de S. José para a guardarem.
Essa (e outras relíquias que então estavam no Seminário) foram confirmadas (“comprovativo da autenticidade”) pelo mesmo Bispo.de Macau D. António Joaquim de Medeiros (1884-1897).(3)
Em 1974, a relíquia de São Francisco Xavier juntamente com as ossadas de mártires portugueses e japoneses mortos em Nagasáqui, durante as perseguições no ano de 1597, e as ossadas dos mártires vietnamitas do séc. XVIII, foram transferidas para a Capela/Igreja de S. Francisco Xavier, em Coloane. (4) Posteriormente, o relicário de prata como o osso do braço de S. Francisco Xavier, foi transferido para a Igreja de S. José.(5)
(1) Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim, O. F. M – bispo de Macau de 1804 a
1928.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-francisco-de-n-s-da-luz-chacim/
(2) António Joaquim de Medeiros – bispo de Macau de 1884 a 1897.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-antonio-joaquim-de-medeiros/
(3) Informações extraídas de TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau e a Sua Diocese, Tomo II, 1940, p. 485 – 486).
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-francisco-xavier/
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-jose/

Outro postal da colecção (1) de seis da Ilha da Taipa e dois da Ilha de Coloane, da década de 90 (século XX), com edição da Câmara Municipal das Ilhas. Indicações em português, chinês e inglês. Fotografia de Fong Kam Kuan.
Este é referente também à ilha de Coloane, nomeadamente ao antigo jardim, hoje Largo Eduardo Marques, onde está um monumento, (2) com uma lápide decorado com balas de canhão e correntes de ferro, evocativo dos combates contra os piratas nos dias 12 e 13 de Julho de 1910, e atrás, erigido mais tarde, a Igreja de S. Francisco Xavier (3)

Igreja de S. Francisco Xavier e obelisco comemorativo, Coloane
路環聖方濟各教堂反紀念碑– (4)
St. Francis Xavier´s Church and a memorial obelisk – Coloane.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/26/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-iv-avenida-da-praia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/17/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-iii-mosteiro-de-pou-tai/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/10/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-ii-biblioteca-do-carmo/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/08/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-i/
(2) Ver anteriores referências:
nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-de-13-de-julho-coloane/

O largo Eduardo Marques em 1940.

(3) A Igreja de São Francisco Xavier (estilo barroco) foi construída e sagrada pelo então bispo de Macau D. José da Costa Nunes em 1928, para evangelizar e servir a pequena comunidade católica em Coloane.
Ela é a igreja matriz da Missão de São Francisco Xavier, que engloba toda a ilha de Coloane. A igreja foi ampliada em 1962 e depois restaurada em 2013, por parte do Instituto Cultural.
Estavam na igreja os ossos dos ”mártires do Japão e Vietnam” (5) que foram depois transferidos (alguns) para o Museu de Arte Sacra (nas Ruínas de S. Paulo), em 1996, e outros após escolha “devolvidos” ao Japão (6) e o relicário de prata que é um osso do braço de S. Francisco Xavier, que foi transferido para a Igreja de S. José.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-francisco-xavier
(4) 路環聖方濟各教堂反紀念碑 mandarim pīnyīn: lù huán shèng fāng jì gè jiāo táng fǎn jì  niàn bēi; cantonense jyutping: lou6 waan4 sing3 fong1 zai2 gok3 gaau1 tong4 faan1 gei2 nim6 bei1
(5) Estavam anteriormente na Igreja de S. Paulo, depois no Seminário de S. José e em 1978 transferidas para esta Igreja.
(6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/martires-japoneses/

https://en.wikipedia.org/wiki/Coloane#/media/File:Macau_coloane_village_1.jpg

Fotografias de Cheong Chi  Seng, da série “Janelas”, editadas em Postais, pela Câmara Municipal das Ilhas, na década de 90 (século XX), com as seguintes legendas:

POSTAIS DE CHEONG CHI SENG Igreja de S. Francsico Xavier“Janela da Igreja de S. Francisco Xavier, Coloane”
POSTAIS DE CHEONG CHI SENG Escola da Polícia“Arte bem portuguesa na Escola de Polícia, Taipa”

No dia 13 de Julho de 1950, realizou-se na Ilha de Coloane, a cerimónia comemorativa dos combates de 12 e 13 de Julho de 1910, nessa ilha contra os piratas. A cerimónia foi presidida pelo Comandante Militar, Coronel Cota de Morais,  vendo-se na foto de José Neves Catela, (1) a alocução do Alferes Assis, um dos combatentes ainda vivos nessa data.

13JUL1950 Coloane MOSAICO I-1 1950Também no ano seguinte, 1951, os sobreviventes da histórica acção militar juntaram-se no dia 13 de Julho para recordar essa data.

13JUL1951 Coloane I MOSAICO II-12 1951Os sobreviventes da acção militar, (1951) alinhados em frente do obelisco comemorativo
13JUL1951 Coloane II MOSAICO II-12 1951Dois dos sobreviventes (1951) durante o almoço numas das barracas da praia de Cheok

Obelisco Coloane 1910 TEIXEIRA, M Macau e as IlhasObelisco em Coloane comemorando as operações contra os piratas.
Símbolo da Cruz e Espada homenageados na Igreja e no Monumento Militar.
(data ? – autor não identificado).

“Para comemorar estas operações contra os piratas, levantou-se no jardim em frente da igreja de S. Francisco Xavier, um tosco monumento com estes dizeres:

COMBATES
DE
COLOANE
12 e 13 de Julho
1910

Esta inscrição está muito defeituosa, pois os combates de 12 e 13 de Julho pouco adiantaram e as operações só terminaram a 29 desse mês.
O último sobrevivente foi o alferes Costa Roque que faleceu em 25 de Janeiro de 1965.” (TEIXEIRA, Pe. Manuel – Os Militares em Macau, 1975)
Anteriores referências (e fotos) destes combates em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-de-coloane/
(1) Sobre este fotógrafo ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-neves-catela/

MBI III-71 1956 Monumento ColoaneMonumento erigido em Coloane à memória dos que tomaram parte nos combates contra os piratas, vendo-se ao fundo a capela de S. Francisco Xavier, orago daquela ilha

MBI III-70 1956 Monumento da VitóriaMonumento comemorativo da vitória sobre os holandeses, em 24 de Junho de 1622 

COLOANE Mapa Turístico 1991COLOANE (路環), MAPA TURÍSTICO 旅遊地圖, (1)

A capa do folheto de 19 cm por 11 cm, editado pela Câmara Municipal das Ilhas, sem indicação de data (provavelmente de 1991).

COLOANE Mapa Turístico 1991 versoA contra-capa, com um mapa “miniatura” da ilha.

 No interior, desdobrável, um mapa da ilha com 45 cm x 35,5 cm de dimensões e pequenas fotografias dos locais a visitar.

COLOANE Mapa Turístico 1991Planta da ilhaEncontram-se sinalizados, os seis templos chineses, as Igrejas de S. Francisco Xavier e de Nossa Senhora das Dores (Ká Hó), as praias de Cheoc Van  e Hac Sá  e as respectivas piscinas e o Parque de Seac Pai Van.
Não sinalizados, mas já aparecem no mapa, os aterros de Seak Pai Van (junto ao reservatório) e de Tai Van e os aterros onde estão construídos as instalações da Central Térmica da Companhia de Electricidade de Macau (CEM).

COLOANE Mapa Turístico 1991 Resenha históricaE no verso do desdobrável, em português e chinês, um resumo histórico e indicações dos lugares turísticos. Do resumo, retiro:
Longe vão os tempos em que a ligação entre Macau e as suas ilhas se fazia de barco, travessia que tinha os seus encantos, constituindo as duas etapas do percurso (de Macau à Taipa e daí a Coloane) por si só, um excelente e repousante passeio nas águas tranquilas do rio das Pérolas. Hoje é possível, saindo de Macau, fazer-se um percurso de automóvel nas duas ilhas; em 1968 foi inaugurado o istmo que passou a fazer a ligação da Taipa com Coloane; em 1974 inaugurou-se a primeira ponte entre Macau e a Taipa e, mais recentemente em 1994, abriu ao tráfego uma nova ponte que liga a península à ilha da Taipa.”
A 23 de Dezembro de 1864, O Governador de Macau, José Rodrigues Coelho de Amaral, escrevia ao Comandante Militar da Taipa nos seguintes termos:
Tendo sido solicitado os habitantes de Coloane uma força militar para sua protecção e sendo de reconhecida necessidade este pedido, marchou hoje um destacamento de dez praças da polícia para aquela povoação, tendo ordem de se apresentar primeiro a V. Ex.ª, debaixo de cuja inspeção ficam”.
Foi assim que, em 1864, os portugueses ocuparam a ilha de Coloane.

(1) 路環mandarim pinyin: lù huàn; cantonense jyuping:  lou6 waan4.
旅遊地mandarim pinyin: lu yóu di tú; cantonense jyuping:  leoi5 jau4 dei6 tou4

A igreja principal é a Sám-Pá (São Paulo), que fica a nordeste  de Macau, encostada a uma montanha e tendo de altura vários tch`ân (2,64 metros). Na parte lateral do edifício, abrem-se portas feitas com estreitas e compridas pedras esculpidas e incrustadas com ouro azulado, que brilham fulgurantes. A parte superior parece-se com um docel voltado. Os lados são rendilhados, encontrando-se espalhados neles admiráveis jaspes. Aquela que dizem ser a Mãe do Céu chama-se Maria. A sua figura é de uma jovem abraçando uma criancinha que se chama Jesus Senhor do Céu. O fato não é cosido e cobre todo o corpo que, desde a cabeça, é revestido duma simples pintura e dum véu esmaltado. Em se olhando para ela, dir-se-ia que foi moldada. Ao lado, encontram-se trinta figuras. A sua mão esquerda segura a esfera armilar. Os quatros dedos da direita fazem lembrar o gesto de quem discursa. Os cabelo e as sobrancelhas são hirtos como se estivesse zangada. As orelhas são caracterizadas por pesados lóbulos; o nariz alto; os olhos  como se estivessem a contemplar qualquer cousa distante; a boca, com a atitude de quem quer falar.
Na parte superior do templo há uma casa onde guardam os instrumentos musicais. Tem uma torre de marcação de tempo com um enorme sino. Génios voadores (anjos), instalados nos cantos da torre vão de encontro ao sino, sendo movidos por um maquinismo, e, conforme a hora, fazem soá-lo” (1)

As ruínas da Igreja de S. Paulo, 1870 (2)

Recorda-se que o incêndio da Igreja construída em 1602, contígua ao Colégio jesuíta de S. Paulo ocorreu a 26 de Janeiro de 1835. A igreja era feita de taipa e madeira estava ricamente decorada e mobilada, de acordo com os relatos de viajantes da época. 
Padre Manuel Teixeira na sua obra: “A Educação em Macau” (3) descreve:
Tinham soado as 18 h. quando o fogo começou de atear-se no Colégio de S. Paulo e no primeiro quarto depois das 20 h., aquela  grandiosa fábrica -igreja e colégio – não era mais que u montão de cinzas. Ficou apenas de pé a imponente fachada e os paredões laterais.
O ministro protestante George Smith informa ” Durante os primeiros anos da minha residência em Cantão, foi infelizmente tudo destruído pelo fogo, excepto a fachada, descrita pelos visitantes da Índia como a mais imponente e bela de todas as igrejas do Oriente, sem exceptuar as de Goa, capital da Índia Portuguesa. A fachada (4) ainda está de pé mui pouco danificada. A catedral (aliás Igreja) erguia-se num alto à sombra das paredes da fortaleza do Monte e levavam a ela 130 degraus de granito duma largura de 20 a 80 pés, e estes estão como antes.”
A igreja media 160 palmos de comprimento e 84 de largura, e as paredes 50 palmos de altura, sendo construída sobre o modelo de S. Paulo  de Goa.
Existe uma inscrição da pedra da esquina ocidental da fachada mostra que a igreja era dedicada a Madre de Deus.
Veneravam-se na igreja de S. Paulo as seguintes relíquias:
 – O úmero do braço de S. F. Xavier, que hoje está na igreja de S. Francisco Xavier em Coloane,
 – Um crucifixo de prata com relíquias de S. lenho, da túnica do Senhor e da lança,
 – Uma cruz de cristal com o santo lenho e a assinatura de S. Inácio,
 – O relicário e cálix de S. F. Xavier.
Todas, excepto o primeiro, arderam no incêndio.
Havia ainda 15 caixões de relíquias dos que deram a vida pela fé no Japão, China e Cochinchina, incluindo André, proto-mártir da Cochinchina; estas conservaram-se em 18 caixas na Sé Catedral, sendo a 5-10-1974, transferidos para a igreja de S. Francisco Xavier em Coloane (5)”

Ruínas de S. Paulo, 1955 (?) (6)

Sobe-se hoje à imponente Fachada por uma escadaria de 8,10 m, com um total de 68 degraus. A Fachada mede 18,30 m de altura; acrescentando 1.74 da cruz com a sua base, que encima o tímpano, temos um total de 20, 40 m; de largura mede 19.30m” (3)
 (1) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Editada pela Repartição Central dos Serviços Económicos- Secção de Publicidade e Turismo, Macau. Imprensa Nacional, 1950, 252 p.
NOTA :  Mais informações do livro OU-MUN KEI-LEOK, ver anterior post:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/09/leitura-ou-mun-kei-leok-monografia-de-macau/
(2) Foto de John Thomson (1837-1921), retirada de Wellcome Collection:
http://catalogue.wellcome.ac.uk/search/a?SEARCH=thomson%2C+j+john&searchscope=5&submit.x=29&submit.y=12
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, 1982, 422 p + |10|
(4) A fachada de pedra trabalhada foi construída entre 1620-27 por cristãos japoneses expulsos do Japão e artistas locais sob a orientação do jesuíta italiano Carlo Spinola.
(5) Posteriormente algumas dessas relíquias (ossos dos mártires do Japão e Vietname) foram transferidas para o Japão e o restante, foram transferidos para o Museu de Arte Sacra e Cripta-capela construída no espaço outrora  ocupado pela capela-mor da igreja e localizada actualmente no recinto interior da ruínas de S. Paulo, aberto ao público em 1997. Esses ossos encontram-se em relicários abertos  nas paredes laterais.
(6) Foto retirado do livro “”Macau, terra de lendas“; ver anterior post:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/17/leitura-macau-terra-de-lendas/