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Notícia publicada no jornal de Macau “A Verdade” de 18 de Agosto de 1928 e reproduzida no Boletim Geral das Colónias (1)
NOTA: A “Royal Air Force“ (RAF) estava instalada em Kai Tak desde 1927 e tinha os hidroaviões bombardeiros  da geração doss “Fairey IIIF ” (aparelhos de dois lugares motorizados com motores “Napier Lion”), utilizados pela RAF de 1926 a 1934.  A “RAF KAI TAK”  além das missões militares actuava também no combate à pirataria nos mares da China. Foi transferida em 1938, para “Sek Kong Airfield” nos Novos Territórios onde esteve até  1999, ano da entrega de Hong Kong à RPChina. Durante a ocupação japonesa de 1941 a 1945 o aeroporto de Kai Tak foi a base dos aviões japoneses “A6M Zero”.
https://en.wikipedia.org/wiki/RAF_Kai_Tak
http://www.rafweb.org

http://asasdeferro.blogspot.pt/2015/09/fairey-iii.html

Anteriores referências ao Centro de Aviação Naval da Taipa e à Aviação Naval  em Macau:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/06/23/centro-de-aviacao-naval-de-macau-taipa-1928/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviacao-naval/
(1) «BGC», n.º 40 , Outubro de 1928.

Extraído do BGC XV – 170/171, 1939.

Sobre este Governador ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/

Referências anteriores a estes dois hóteis em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-bela-vista-boa-vista/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-riviera/

bgc-vii-81-mar1932-novos-melhoramentos-ibgc-vii-81-mar1932-novos-melhoramentos-iiRetirado do B. G. C., 1932.

ANÚNCIO de 1922 - HOTEL NEW MACAO

Anúncio (em português e inglês) do Hotel «New Macao”, em 1922, após “recente renovado e modernizado, com quartos duplos amplos e confortáveis; cozinha excelente e habilmente dirigida; mesas separadas; banhos quentes, frios e de chuva; luz eléctrica profusa; botequins público e privado; e casa de bilhar” e “acomodações de primeira classe para famílais e turistas”
Preços módicos – entre 5 e 8 mexicanas (1)  por dia

1909 Hotel New MacaoFoto de c. 1909, os edifícios dos Correios de Macau (à esquerda) e  do »New Macao Hotel» (à direita), cujas fachadas davam para a Avenida da Praia Grande, em frente ao mar.

Anteriores referências a este Hotel “New Macao Hotel» (inaugurado em 1903) que foi anteriormente “Hotel Hing Kee” (inaugurado em 1880) e depois seria o “Hotel Riviera” em 1928:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-new-macao/
(1) Em 1854, foi determinado que a pataca mexicana passasse a ter curso legal em Macau sendo recebida a par do peso duro ou pataca espanhol, mas em 1929 (Decreto-Lei 17 154) determinou-se  que era ilegal a circulação de qualquer moeda estrangeira  (o Banco Nacional Ultramarino foi inaugurado em Macau em 1902). Sabemos no entanto, que, embora ilegal, continuava a circular outras moedas.
Em 1938 circulava a pataca portuguesa, a nota inglesa de Hong Kong, as notas e a prata chinesa (mais valiosa e melhor aceite)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4, 1997

No dia 24 de Fevereiro de 1969 , “ficou encerrado o famoso Hotel Riviera, o coração da cidade. Viria a ser demolido em Fevereiro de 1971. (1) Era um dos hotéis mais antigos e nele se hospedaram figuras ilustres da Administração de Macau, além de forasteiros.” (2)
O Hotel Riviera abriu em 17 de Janeiro de 1928, no lugar do anterior “New Macao Hotel» (anterior «Hing Kee») situado na Avenida Almeida Ribeiro, cruzamento da Praia Grande, em frente ao Banco Nacional Ultramarino. A fachada principal com a entrada para o antigo «New Macao Hotel” era na Rua da Praia Grande. Mas as obras de remodelação em 1921, a fachada principal (com a entrada principal) passou a ser na Avenida Almeida Ribeiro, permanecendo aí depois aquando da adaptação para o novo Hotel.
Lembro-me bem dessa entrada pois tinha (não sei se seria ainda  o  único em Macau, naquela altura, década de 60) uma porta giratória e um porteiro que para além de outras funções, estava lá para impedir os miúdos de brincarem “com a porta”.

Hotel Riviera 1936HOTEL RIVIERA 1936

Esta foto de 1936 ainda se vê as arcadas inferiores da Rua da Praia Grande abertas, consideradas via pública; em 1948 foram fechadas, embora com polémica, o Leal Senado questionou sobre a legalidade desse espaço como domínio público.
Quem entrava no Hotel Riviera pela portas principal não deixava de se surpreender. Dali partia um pequeno corredor que dava directamente para a sala de espera, elegantemente iluminada e mobilada ao melhor estilo italiano. De um lado do corredor ficava a sala de jantar onde eram servidas as três refeições diárias e das quais o jantar era  mais cara : duas patacas por pessoa. A sala de espera dava ainda para o lounge, aberto até à meia-noite, onde se tomava chá e comiam pastéis de dez avos. E, no fundo do corredor, o indispensável bar que, quase desde o início, manteve a reputação de ser um dos mais bem fornecidos de Macau.
Imagine-se o pasmo dos visitantes a quem era dada a oportunidade de admirar a escadaria, que conduzia ao piso superior, coberta, à semelhança dos corredores , de grossos tapetes «tão bons como os dos melhores hotéis»
Os quartos em número de vinte e dois, permitiam apenas a ocupação de quarenta e quatro pessoas. Uma ocupação  que, no entalho, poderia conhecer outros números caso os hóspedes concordasse, com os editoriais, sempre práticos e expeditos de “A Pátria” : « quando os visitantes não se importarem de dormir três ou quatro no memso quarto, o número (de hóspedes) poderá subir a oitenta»
A maior parte dos quartos dispunha de casa de banho individual, com água quente e fria e todos os pisos tinham telefone, numa clara demonstração de que os directores do hotel que se substituíra ao «New Macao Hotel», não se haviam poupado à despesas. Aliás, a remodelação custou-lhes cento e vinte mil patacas e importou-se tudo o que havia de bom e do melhor – a concepção arquitectónica à Palmer & Turner (de Hong Kong), a decoração, talheres e pratas à Lane Crawford (também de Hong Kong) e a roupa branca e louças à casa Albert Pick, de Chicago. A mobília era, naturalmente, italiana”. (3)
O investidor foi o milionário Lou Lim Ioc (ou Ieoc)  que faleceu antes da sua inauguração, a 15 de Julho de 1927 com 50 anos de idade.
Algumas notícias relacionadas com este Hotel, ao longo dos anos:(4)
12-09-1936 – Publicada no B. O. n.º 37 a constituição da Sociedade «Irmãos Unidos, Lda», dos irmãos Leitão, vocacionada sobretudo para a indústria hoteleira  que envolvia os hotéis «Riviera» e «Majestic», os teatros «Capitol» e «Apollo», a «Vacaria» e «Leitaria Macaense».(5)
“03-11-1942 – O jantar dançante realizado no sábado último no Hotel Riviera, inaugurando a sua orquestra sob a regência do distinto músico sr. Artur Carneiro, foi um grande sucesso. Mais de 150 pessoas assistiram ao jantar e muitos não conseguiram entrada devido à falta de lugares. Informa-nos a gerência do mesmo hotel que todas as tardes haverá chá dançante das 5 às 7.30 horas e jantares dançantes das 9 às 23.30 horas exceptuando sábados, que é das 9 à 1 a.m., com menu especial, sendo o preço do jantar nesse dia de $5.00 e nos outros dia de $2.75. Aos domingos a  mesma orquestra tocará música ligeira durante o almoço, das 12.30 horas às 14.30. Para o jantar de sábado podem ser marcados lugares desde hoje . (A Voz de Macau de 3 de Novembro de 1942).(5)
O Hotel possuía um restaurante bastante amplo no seu rés-do-chão, que a gerente Olga Pacheco da Silva queria transformar em salão de dança, daqueles existentes nos grande hotéis de países do primeiro mundo”. Só que também queria manter a ambiência familiar, pois era o único do género no território. Para tal, a Olga teria que contratar uma boa orquestra de Hong Kong., porque não havia nenhuma disponível em Macau. Foi então apontada a orquestra de Art Carneiro (“Art” de Artur, pianista e maestro), com músicos filipinos, e que na altura tocava no Península Hotel de Kowloon – ainda hoje o mais emblemático e luxuoso de Hong Kong…(…) A escolha desse maestro deveu-se precisamente ao facto de, além de ser um bom profissional, descender de portugueses de Xangai.(7)
Segundo Rigoberto do Rosário Jr, (7) a artista Abbe Lane, esposa de Xavier Cugat, referido em anterior postagem, (8) foi uma atracção estrangeira que fez furor no Riviera em finais de 50” ( não foi em finais de 50, mas no ano de 1953).
(1) “FEVEREIRO de 1971 – Demolição do Hotel Riviera, situado  no cruzamento da Av. Almeida Ribeiro com a  Rua da Praia Grande, em frente do edifício do BNU. Dará lugar a um edifício de 8 andares, também já demolido. E assim se vai descaracterizando o centro histórico de Macau”.(2)
Demolido para construir o prédio, sede do Banco “Nam Tung” que em 1987 foi autorizado a mudar de nome para “Banco da China – Filial Macau” (Bank of China Macau Branch).
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998.
(3) , Luís Andrade de – A História na Bagagem. Instituto Cultural de Macau, 1989, 152 p., ISBN 972-35-0075-2.
(4) Para além das anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-riviera/
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(6) Retirado de  ORTET, Luís – 1942 in ” MacaU, II série, n.º 8, Dez. 92, pp. XXIII”.
(7) ROSÁRIO JR, Rigoberto – Memórias de Um Músico Macaense. MacaU, II série n.º 74, Junho de 98, pp.39-54.
(8) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/29/noticia-de-29-de-novembro-de-1953-xavier-cugat-em-macau/

Esteve em Macau, no mês de Fevereiro, de 1952, o aviso de 1.ª classe “Afonso de Albuquerque”, (1) em viagem de soberania e instrução de um curso de vinte e um guarda-marinhas. O Comandante Galeão Roma, os oficiais e guarda marinhas foram homenageados com várias festas. (2)

MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE IO N. R. P. “Afonso de Albuquerque” no Porto Interior
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE IIUm aspecto do jantar no Palácio da Praia Grande
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE IIIUm aspecto do Baile no Palácio
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE IVO Governador e o comandante Galeão Roma num grupo de membros da comunidade chinesa (à direita do Governador, Hó Yin)
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE VA decoração da mesa da ceia
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE VIO Governador, e esposa e o Comandante Galeão Roma no “Cocktail Party“, oferecido pelo Comandante Militar no Hotel Riviera
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE VIIO Comandante Galeão Roma falando no almoço de despedida a bordo do navio do seu comando
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE VIIIO Governador fazendo o seu brinde a bordo do “Afonso de Albuquerque”

(1) O aviso “Afonso de Albuquerque” foi um navio da Marinha Portuguesa, afundado em combate a Invasão de Goa em Dezembro de 1961 pelos navios da União Indiana (3)
O navio foi o primeiro dos avisos de 1ª classe da classe Bartolomeu Dias, construídos para a Marinha Portuguesa, em Newcastle pela firma Hawthorn, Leslie & Comp. Lançado à água em 28-5-1934 e aumentado ao efectivo dos navios da Armada em 31-1-1935, Saiu para Lisboa em companhia do submersível “Espadarte” tendo os dois novos navios entrado no Tejo pela primeira vez em 7-3-1935, sendo escoltados desde Cascais por 22 navios que, em festivo ambiente, os aguardavam.
Como aviso colonial a sua função principal era a defesa da soberania de Portugal no seu Império Ultramarino. Nessa função, o navio estava sobretudo, vocacionado para apoiar desembarques anfíbios e a acção de tropas em terra.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o Afonso de Albuquerque foi equiparado a uma fragata, recebendo o número “F470”. O navio passou a maioria da sua carreira em serviço nos oceanos Índico e no Pacífico.
AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE (1935)Em 1945, cumpriu uma comissão de dois anos no Extremo-Oriente, durante a qual apoiou a reocupação de Timor após a capitulação japonesa. Em 29-11-1951, largou para uma viagem à Índia, Extremo-Oriente e Moçambique. Em 1952 fez uma comissão idêntica à anterior. Em 1954 saiu para uma comissão na Índia tendo sido incorporado nas Forças Navais do Estado da Índia. Após cerca de 2 anos e meio de permanência nas águas do Estado da Índia, regressou a Lisboa em 1958, entrando em reparações que decorreram até Março de 1960.
Em 18-3-1960 iniciou uma viagem de circum-navegação de Ocidente para Oriente, integrada nas Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, na qual embarcaram os 48 cadetes do curso “D. Lourenço de Almeida” da Escola Naval. O navio chegou a Mormugão em 16-7-1960, tendo rendido o N.R.P. “Bartolomeu Dias” que se encontrava em comissão e que regressou a Lisboa depois de embarcar os cadetes em viagem. (4)
Posteriormente houve outro navio com o mesmo nome:
AFONSO DE  ALBUQUERQUE   A 526 ex. Dalrimple, ex. Luce Bay
“Transformado a partir de uma fragata da classe Bay, este navio foi adquirido por subscrição Nacional a fim de substituir o aviso com o mesmo nome perdido na Índia. Havia sido construído por William Pikergill & Sons na Inglaterra. Tinha servido na Royal Navy  entre 1949 e 1966. Foi abatido ao efectivo da Armada em 1983, sendo mais tarde afundado em exercícios ao largo da costa.
https://pt.wikipedia.org/wiki/NRP_Afonso_de_Albuquerque
http://www.forumdefesa.com/forum/index.php?topic=2621.0
(2) Fotos retirados de MOSAICO, 1952.
(3) PORTARIA 19262  de 7 de Julho de 1962 – MINISTÉRIO DA MARINHA
Manda abater ao efectivo dos navios da Armada o aviso de 1.ª classe Afonso de Albuquerque e as lanchas de fiscalização Vega e Sirius”.
(4) Sobre esta viagem de circum-navegação, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/29/a-viagem-de-circum-navegacao-do-curso-d-lourenco-de-almeida-passagem-por-macau/
AVISO AFONSO DE ALBUQUERQUE - desenho - 1935

Características do Aviso Afonso de Albuquerque (1935)
Deslocamento máximo_____________________ 2473 ton.
Deslocamento standard_____________________1811 ton.
DIMENSÕES:
Comprimento de fora a fora_______________103,2 metros
Boca ___________________________________13,3 metros
Calado máximo ____________________________3,7 metros
Velocidade máxima     _________________________    21 nós
Velocidade de cruzeiro  _______________________       10 nós
Autonomia à velocidade de cruzeiro __________     12.000 milhas
ARMAMENTO:  4 peças “Vickers-Armstrong” de 120 mm ; 2 peças de 76.2 mm; 4 peças de 40 mm; 8 de 20 mm;  4 morteiros lança bombas “Thornycroft” ; 2 calhas lança-bombas de profundidade e  40 minas.
PROPULSÃO:  2 turbinas a vapor de 8 000 h.p. – 2 veios = 21 nós.
AUTONOMIA:   8 000 milhas a 10 nós.
SENSORES:   1 radar de navegação ; ASDIC
GUARNIÇÃO: 215 homens (13 oficiais, 21 sargentos e 181 praças)
http://www.guerracolonial.org/specific/guerra_colonial/uploaded/graficos/naviosfichas/navios.swf
http://www.navypedia.org/ships/portugal/pr_es_alfonso_de_albuquerque.htm
Anteriores referências ao Afonso de Albuquerque
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviso-afonso-de-albuquerque/