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Continuação da postagem anterior (1) sobre um suplemento de 80 páginas dedicado ao Império Colonial Português e às comemorações nas Províncias Ultramarinas dos Centenários da Fundação e da Restauração de Portugal, nomeadamente à parte referente a Macau. (2)

MACAU – Parte sul da península macaísta, p. 63.
Macau, sentinela lusitana às portas da China, p. 64
Portugal Ultramarino 1940- MACAU – Edifício do Liceu , p. 54
Portugal Ultramarino 1940 – MACAU-Condução de hortaliças para o mercado , p. 57

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/05/22/leitura-o-seculo-numero-comemorativo-dos-centenarios-i/

(2) Disponível em: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RaridadesBibliograficas/OSeculo_Imperio/OSeculo_Imperio_item1/index.html

Boletim Oficial da Colónia de Macau,, suplemento n.º 32 de 14 de Agosto de 1931, p. 710

No dia 14 de Agostode 1931 realizaram-se os funerais dos seis portugueses vítimas da explosão do Paiol da Flora. (1)

O cortejo fúnebre a caminho do cemitério (saído do Hospital Geral do Governo – denominado em 1937, Hospital Conde de S. Januário), passando pela Estrada dos Parses, à frente do Cemitério dos Parses.

Os serviços públicos fecharam e os espectáculos foram suspensos sendo o dia considerado de luto. A bandeira portuguesa conservou-se a meia haste em todas as fortalezas, estabelecimentos militares e públicos, das 9 e 30 às 13 horas. Os estabelecimentos particulares, o comércio e a indústria conservaram também, a meia haste, a bandeira chinesa.
A Liga Portuguesa de Hong Kong abriu uma subscrição a favor das vítimas da explosão, o mesmo acontecendo em Macau e Xangai. Os escuteiros de Macau promoveram uma récita no Teatro Victoria cuja receita reverteu também para apoio aos sinistrados” (2)
No dia 17 de Agosto, realizou-se a cerimónia fúnebre das 15 vítimas chinesas, saindo do Hospital Kiang Wu e foi acompanhada (transmissão oral) por mais de dez mil pessoas (?)

Boletim Oficial da Colónia de Macau, n.º 33 de 15 de Agosto de 1931

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/08/13noticia-de-13-de-agosto-de-1931-explosao-do-paiol-da-flora-e-o-episodio-do-estampido/
(2) (BELTÃO COELHO, Rogério – O Paiol da Flora Explodiu em Madrugada. MacaU, II série, n.º 28, Agosto 94, pp.63-68.

Realizou-se em Macau, no Hospital Conde de S. Januário de 6 a 11 de Setembro de 1981, o “SYMPOSIUM ON TRANSCULTURAL PSYCHIATRY”, uma extensão asiática do “The VIII World Congress of Social Psychiatry”, com o alto patrocínio do Governador de Macau.
A Comissão Organizadora era constituída por médicos de Lisboa (A. G. Ferreira, H. Rodrigues da Silva, J. M. Machado Nunes e J. M. Caldas de Almeida) e uma Comissão Local formada por José da Paz Santos, Deolinda Martins e Jorge Alberto Hagedorn Rangel.
A Sessão de Abertura realizou-se no Domingo, dia 6 de Setembro, no Leal Senado às 18 horas.
As Sessões Plenárias, workshops, comunicações livres e Sessão de Encerramento realizaram-se no Hospital Conde de S. Januário.
As línguas oficiais do Simpósio foram o Português e o Inglês, com tradução simultânea na sala principal.

CAPA (21 cm x 15 cm) + CONTRACAPA

Um dos workshops «O MACAENSE E A SUA IDENTIDADE; A sua cultura subjectiva» realizou-se no Museu Luís de Camões , em três sessões, nos dias 8, 10 e 11., tendo como presidente da mesa Nuno Afonso Ribeiro. Intervieram, Charles R Boxer (GB), Carlos Estorninho (P), J. M. Machado Nunes (P), António Conceição Jr (P) , Maria Cecília Magalhães (P) e Silva Rego (P).
Os participantes e acompanhantes ficaram instalados nos Hotéis Lisboa, Sintra e Metrópole.
O jantar de encerramento foi no dia 11 pelas 20.00 a convite do Governador de Macau.
Foram oferecidas aos Congressistas pelo Secretário-Adjunto do Governo de Macau para o Turismo, Ensino e Cultura uma medalha do simpósio na forma de uma «sapeca», moeda chinesa que durante muito tempo circulou em Macau. O seu valor fiduciário é de 1/10 do avo e tem a particularidade de ter um orifício central de forma quadrada.
Os Correios de Macau emitiram um envelope e 6 selos comemorativos deste simpósio, com os seguintes valores: 15 avos, 40 avos, 50 avos, 60 avos, 1 pataca e 2,20 patacas. A autoria do desenho é de António Conceição Jr.

O tema proposto – Simpósio de Psiquiatria Transcultural – foi abordado pelo Artista segundo a perspectiva religiosa, marcante como símbolo de duas culturas. Tendo escolhido um formato vertical, aproveitou a escultura de uma divindade budista em «papier machée», que foi tratada em conotação com o fundo. Assim, à imagem serena do Arhat associa-se a sombra de uma cruz que se projecta sobre a parte central da escultura e que se completa pelo fundo.” (retirado do Programa)
No primeiro dia de emissão, 6 de Setembro, foi também oposto em toda a correspondência um carimbo comemorativo, tenho para isso funcionado um posto de correios no “hall” de entrada do Hospital Conde de S. Januário.
O Programa Social além das visitas aos locais de interesse turístico (incluindo o Museu «Luís de Camões») e às Instituições Assistenciais de Macau, os acompanhantes dos participantes tiveram um almoço “Iam Chá” oferecido pela esposa do Director dos Serviços de Saúde (dia 8), um passeio à região de Zhonshan (oferta do Banco do Oriente) (dia 9) e assistência às corridas de cavalos no Hipódromo da Ilha da Taipa (dia 10).
Durante os dias do simpósio, esteve uma exposição de artesanato de Macau no Hospital Conde de S. Januário, e outra, exposição colectiva de arte gráfica portuguesa contemporânea (organizada pela Galeria 111 de Lisboa), no «Museu Luís de Camões» onde estavam representados Bartolomeu Cid, René Bertholo, Carlos Botelho, Manuel Cargaleiro, Lourdes Castro, Costa Pinheiro, David de Almeida, Eduardo Luís, Victor Fortes, José de Guimarães, Maluda, Jorge Martins, Menez, Nadir Afonso, Eduardo Nery, Nikias, Palolo, Pomar e Vieira da Silva.

Capa 31 cm x 22 cm x 0,5 cm) dos Serviços de Saúde de Macau emitido no ano da comemoração dos 120 anos do Hospital S. Januário; nesse ano de 1994, já denominado Centro Hospitalar Conde de S. Januário.
O primitivo Hospital Militar Sam Januário foi inaugurado em 6 de Janeiro de 1874 e foi demolido em Novembro de 1952, para em três fases ser substituído por outro – Hospital Conde de S. Januário e depois Hospital Central Conde de S. Januário.
Ver anteriores referências do Hospital S. Januário em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-hospitalar-conde-s-januario/

Uma lembrança do 130.º Aniversário do Centro Hospitalar Conde de São Januário (1874-2004)
Um “pisa-papeis” em forma de cubo (4,8 cm x 4,8 cm x4,8 cm) de vidro.
Do Boletim Oficial de 10 de Janeiro de 1874:
«Teve logar no dia 6 do corrente, como estava anunciado, a inauguração solemne do hospital militar de S. Januário segundo o programma que foi publicado n´esta folha. Sua Ex.ª o Governador da província de Macau e Timor, Visconde de S. Januário às 2 horas precisas deu entrada no edifício do hospital, dirigindo-se à sala destinada à inauguração.
A sala achava-se decorada com trophéos artisticamente dispostos, no centro do trophéo principal achava-se o retrato de S. Ex.ª. Na balaustrada que circunda o perímetro onde se acha edificado o hospital e no mesmo edifício tremulavam nas suas hastes, numerosas bandeiras, distinguindo-se nos dois torreos extremos as que são privativas dos hospitaes… (…).
O primitivo Hospital Militar inaugurado a 6-01-1874 começou a ser demolido em Novembro de 1952, para em três fases ser substituído por outro – Hospital Conde de S. Januário.
O primeiro centenário do Hospital de S. Januário foi comemorado no dia 6 de Janeiro de 1974, com uma exposição no salão nobre do Leal Senado intitulada «O Hospital e a Saúde Pública» seguida de uma sessão solene presidida pelo Nobre de Carvalho.
Ver anteriores referências do Centro Hospitalar:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-hospitalar-conde-s-januario/

Artigo publicado na “Voz De Macau”, de 1936 e republicado no “Boletim Geral das Colónias”, Ano XII, Novembro de 1936, n.º 137,   pp.127-129.

Extraído de BGU, XL, 471/472, 1964.
NOTA: AlexanderMessing-Miezejewski, foi posteriormente, Director da Divisão de Drogas e  Narcóticos e depois, “chief of the representation and liaison unit of the Office for Inter-Agency Affairs and Co-Ordination of the UN”, entre 1969 -1977.
Da leitura do livro “ O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau“ (1) do Major Sigismundo Revés, comandante da Polícia de Segurança Pública de Macau e do médico neuropsiquiatra dos Serviços de Saúde e Higiene que trabalhou em Macau de 1957 a 1966, Dr. Alberto Cotta Guerra, recolho as seguintes informações.

A assistência aos toxicómanos em Macau foi oficialmente iniciada em Dezembro de 1946 após publicação da Portaria n.º 4075, deste mês e ano do Encarregado do Governo Samuel da Conceição Vieira.
Até essa data, os doentes eram tratados nos hospitais da cidade – em maior número no Hospital do Governo – sempre que voluntariamente procuravam os serviços médicos ou que, em regime prisional, a iniciativa da assistência dispensada partia das autoridades.
Com a regulamentação estabelecida pela citada portaria, visando já um programa de saneamento social, foram criados dois Centros de Tratamento para Toxicómanos: um no Hospital Conde S. Januário (Hospital do Governo) e outro na Cadeia Pública.

A entrada para o Centro de Recuperação Social.

No primeiro eram assistidos os voluntários e no segundo os doentes cumprindo penas por delitos vários.
Neste regime – entre Janeiro de 1947 e Dezembro de 1960, foram tratados em Macau 6075 toxicómanos, sendo 2326 no Hospital do Governo e 3749 na Cadeia Pública.
A Portaria n.º 4075 foi revogada pela Portaria n.º 6594 de 19 de Novembro de 1960, por S. Ex.ª o Governador de Macau, tenente- coronel do C. E.M. Jaime Silvério Marques, que , por despacho de 17 de Janeiro de 1961, criou uma Comissão destinada a estudar e propor todos os meios de acção necessários à luta  contra o uso ilícito de estupefacientes, tratamento de doentes e sua recuperação social.
Esta Comissão mais tarde deu lugar à criação dum organismo, que foi designado por Centro de Combate à Toxicomania, pelo Despacho n.º 19/61, de 28 de Agosto de 1961, publicado no Boletim Oficial de Macau, n.º 36, de 9 de Setembro de 1961.
Neste despacho faz referência (n.º 2, alínea c, n.º 2: Orientar a acção do Centro de Recuperação Social no combate à toxicomania) ao Centro de Recuperação Social, que substitui o Abrigo de Mendigos e Vadios (2) existente na ilha da Taipa, que fora criado pela Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954.

O edifício onde estava instalado o Centro de Recuperação, na Ilha da Taipa.

(1) REVÉS, Major Sigismundo; GUERRA, Dr. Alberto Cotta – O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1962, 45 p., 22.5 cm x 16 cm.
(2) A criação de um centro de apoio e abrigo de vadios e mendigos, a título experimental, na Ilha da Taipa foi em 08 de Setembro de 1951 (Boletim Oficial n.º36, Portaria n.º 4:998)
A Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954, cria o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos.
Este este mesmo «Abrigo de Mendigos e Vadios» passa a ser, em 20 de Maio de 1961, o «Centro de Recuperação Social» (1) sob a responsabilidade do Corpo de Policia de Segurança Pública de Macau (Boletim Oficial n.º 20).
Ver anteriores referências ao Centro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/

Mais um “slide” digitalizado da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR” comprado na década de 60 (século XX), se não me engano , na Foto PRINCESA (1).
macau-color-slides-ix-touradaEste “slide” mostra uma das «faenas»da 1.ª Tourada realizada em Macau, em Agosto de 1966, organizada pelo empresário Alfredo Ovelha e o toureiro Manuel dos Santos e patrocinada pela STDM.
Durante nove dias do mês de Agosto desse ano, (2) a praça de touros, construída em bambu nos aterros do Porto Exterior (sensivelmente à frente do Quartel de S. Francisco onde actualmente está o comando da PSP); Hospital Conde de S. Januário na parte superior esquerda da foto e ao fundo a Fortaleza da Guia) encheu-se com lotação esgotada para ver tourear pela primeira vez. Manuel dos Santos como cabeça de cartaz.
Na corrida inaugural actuaram o cavaleiro David Pinheiro Telles e os «diestros» Manuel dos Santos e Ricardo Chibanga (o primeiro toureador africano que terminava a faena ajoelhado e de costas perante o touro). O grupo de bandarilheiros era constituído por Bacatum, António Augusto, Carlos Mabango e José Tinoca. Nos forcados, destacavam-se Carlos Besugo, José Hipólito e Carlos Anacleto.
José dos Santos Ferreira compôs as seguintes quadras acerca deste evento:

Macau já olá torada,
Co quele tanto Manólo;
Nhu-nhúm olá, ri cacada,
Nhónha susto, fichá ôlo.

Boi dôdo, preto-carvám,
Tamanhám di elefánte,
Impiná su dôs cornám,
Pa chuchú quim têm na diánti

Toréro-cáfri, cholido,
Olá tôro, capí mám;
Tôro fica burecido,
Toréro perdê calçam.

Quelóra tôro zinguá,
Nôs tudo gritá «Olé!»
China-china más gostá
Sã gritá «Hou-ié, hou-ié!» (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/decada-de-60-seculo-xx/
(2) 1, 5, 6, 10, 12, 13, 17, 19 e 20 de Agosto de 1966.
(3) Versos de José dos Santos Ferreira da poesia “Nôsso Macau de Agora”, in Qui-Nova Chencho, 1973.

Duas notícias do dia 8 de Novembro referentes ao Colégio de Santa Rosa de Lima:
A primeira, do dia 8 de Novembro de 1846, data em foi reorganizado o Colégio de Santa Rosa de Lima para educação de meninas (1)
A segunda, do dia 8 de Novembro de 1876, por Decreto, o governo da Metrópole com os rendimentos do recolhimento de S. Rosa e do Mosteiro de S. Clara constitui uma doação para o Colégio de S. Rosa de Lima, que tinha o valor aproximado de cem mil patacas, incluindo todos os edifícios, propriedades, foros e capitais, que foram destinados à sustentação do colégio (2)
No ano anterior (1875), o Convento de Santa Clara (onde funcionava desde 1857 o Recolhimento de Santa Rosa) fundiu-se com o Recolhimento de Santa Rosa, com o nome de Colégio de Santa Rosa de Lima.

colegio-de-s-rosa-de-lima-1907-man-fookColégio de Santa Rosa de Lima em 1907
Atribuída ao fotógrafo Man Fook

Entre estas duas datas, alguns apontamentos mais importantes:
21-12-1848 – As Filhas de Caridade de S. Vicente de Paula, que se estabeleceram em Macau devido aos esforços do Bispo D. Jerónimo José da Mata, assumiram a direcção do Recolhimento de Santa Rosa de Lima, destinado à educação de meninas. O recolhimento funciona a partir de 1849 até 1857 no extinto Convento de Santo Agostinho, sob a direcção do Prelado da Diocese. (1)
02-10-1856 – Foi ordenado por decreto que o recolhimento para a educação das pessoas do sexo feminino, denominado de Santa Rosa de Lima e estabelecido no edifício do extinto convento de Santo Agostinho fosse anexado ao Mosteiro de Santa Clara. (1)
22-01-1857 – Provisão do Bispo D. Jerónimo José da Mata reorganizando o Recolhimento de Santa Rosa de Lima para a educação de meninas pobres anexando-o ao Mosteiro de Santa Clara de acordo com o Decreto anterior. (1)
06-07-1857 – Tendo sido transferido para o Convento de Sta Clara a escola de meninas que funcionava no convento de S. Agostinho, foi este transformado em Hospital Militar até 1872, ano em que foi construído o Hospital Conde de S. Januário. O convento foi depois comprado por Artur Basto que o transformou em sua residência. Com a morte foi adquirido pela Companhia de Jesus e, sob o nome de Residência de Nossa Senhora de Fátima serve de casa de repouso aos jesuítas. (1)
30-1-1875 – A Portaria Provincial n.º 19 desta data determina a incorporação na Fazenda, segundo a lei dos bens móveis e imóveis do Convento de Sta Clara, por ter falecido a última religiosa. (3)
Os Estatutos do Colégio foram publicados em Fevereiro de 1875 e em 4-03-1875 foi nomeada regente do colégio D. Theresa da Annunciação Danemberg, senhora de esmerada educação e muitas virtudes e para professoras sras. D. Lydia Francisca da Santa Cruz e D. Leonidia Maria da Conceição. Estas três senhoras residiam há muitos anos no convento e viram-se sem amparo com a morte da última freira. (2)

colegio-de-s-rosa-de-lima-directoria-1934O Colégio de Santa Rosa de Lima, em 1934

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
(3)  Por Portaria Provincial n.º 19 de 30 de Janeiro de 1875, o governador José Maia Lobo d´Ávila determinou o seguinte:
Tendo falecido a ultima religiosa do convento de Santa Clara, (4) e devendo pelas leis em vigor serem incorporadas na fazenda todos os bens pertencentes ao mesmo convento, e sendo necessário proceder a um inventário geral dos mesmos bens: hei por conveniente nomear para este efeito uma comissão composta do secretário da Junta de Fazenda João Correa Paes d´Assompção, do delegado interino do Procurador da Coroa e Fazenda, o advogado Albino António Pacheco e o P. Capelão Vicente Victor Rodrigues Esta Comissão em 15 de Março de 1875 tomou posse de todos os bens móveis e de raiz, e da administração do mesmo extinto convento num valor total de $ 77.983,25.”
(4) Em 1834, pelo decreto de Joaquim António de Aguiar, foram extintos os conventos em Portugal . Esta lei teve a sua repercussão no ano seguinte em Macau, em 1835, mas o governo local continuou a respeitar a existência das Claristas, mantendo-as no seu convento de Sta. Clara até à morte da última religiosa que faleceu a 18 de Fevereiro de 1875.

Não podia deixar passar também uma notícia deste dia, 1 de Setembro de 1887, relacionada a um edifício histórico -VILA BRANCA – que não sei se vai fazer parte do plano de destruição para futura construção de um novo edifício que irá servir de Bloco Hospitalar destinado às doenças infecto-contagiosas do Centro Hospitalar Conde de S. Januário. De certeza serão demolidos (ou já estarão ?) os edifícios que foram o  Pavilhão de Isolamento e a Farmácia do Hospital de S. Januário – e assim se vão perdendo os lugares de outrora com passado histórico.
01-09-1887 – Pedido feito pelo Chefe de Saúde desta Colónia, Dr. José Gomes da Silva, de aforamento de um terreno junto ao planalto do Hospital de S. Januário para construção duma casa de habitação (1)

ÁLBUM 2005 - Antiga farmácia do Hospital S. JanuárioFoto de 2005 – edifício da antiga farmácia do Hospital S. Januário (traseiras)

VILA BRANCA situa-se na  vertente Sul da Colina de S. Januário onde estão (ou estavam) edificados os pavilhões de isolamento e a farmácia do Hospital de S. Januário, entre o hospital e a Estrada Nova.
A  Vila Branca era a residência do Dr. José Gomes da Silva, que deu à sua casa o nome de sua esposa.
Gomes da Silva nasceu no Porto  em  1853  sendo filho de Joaquim Gomes da Silva e de Ana Rosa Gomes da Silva. Casou com Branca Chaves nascida em Bordeaux, França, em 1851, sendo filha de João José Lopes e de Casimira Esperança Douguel Branca. Formou-se na Escola Médica do Porto.
O Dr Gomes da Silva faleceu na Vila Branca, no posto de coronel-médico, a 1 de Novembro de 1905, (2) com 52 anos de idade, 22 dos quais passados  em Macau, sendo chefe do Serviço de Saúde desde 1884; foi ele também o 1.º reitor do Liceu de Macau, inaugurado no extinto convento de S. Agostinho a 28 de Setembro de 1894. Sua esposa, Branca Chaves Gomes da Silva, faleceu na Vila Branca a 9 de Dezembro de 1895, com 44 anos de idade, deixando 11 filhos.
O Dr. Gomes da Silva foi também, botânico, músico, jornalista e professor além do liceu, no Seminário
A  vila Branca foi comprada pelo Governo em 1917, por ocasião da epidemia da varíola para isolamento dos variolosos; em 1919, foi lá instalado o serviço de parturientes e puérperas.” (3)
NOTA: Foi dada o nome de «Rua de Gomes da Silva», à rua que começa na Rua da Erva, entre os prédios n.º 29 e 31, e termina na Rua de João de Araújo, entre os prédios n.ºs 22 e 24.

UN de Macau no ano XIV da Revolução -1940 Pavilhão do IsolamentoFoto de 1940 – edifício do Pavilhão de Isolamento (frente e parede lateral direita) do Hospital S. Januário

O edifício do antigo pavilhão de isolamento e o edifício da  farmácia do Hospital de S. Januário, entre o hospital e a Estrada Nova foram restaurados para servir de residência de médicos. Posteriormente à frente do antigo Pavilhão de Isolamento construíram o chamado “Edifício Residencial dos Médicos” dentro do projecto do então novo Centro Hospitalar da década de 80 (século XX).  Na data desta fotografia (1998) estava a residir no primeiro andar, o médico pediatra Dr. Jorge Humberto e família; no rés-do-chão (trás) o médico dermatologista e Director dos Serviços de Saúde, Dr. Larguito Claro e família e no rés-do-chão esquerdo (à direita na foto) estava a sede da Associação dos Médicos de Clínica Geral de Macau (A. M. C. G.M.)

Vila Branca - 1998Foto de  1998 – edifício do antigo pavilhão de isolamento (frente e parede lateral esquerda) do Hospital S. Januário

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(2) Na sessão de 11 de Novembro de 1905 do Conselho Escolar do Liceu, o reitor Dr. Manuel da Silva Mendes «pediu que se exarasse na acta um voto de sentimento pelo fallecimento do sr. dr. José Gomes da Silva, que foi reitor e professor deste lyceu durante o estabelecimento delle nesta colónia, pedindo mais que se desse conhecimento do sentir de todo o conselho à família do finado»
(3) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997 .