Archives for posts with tag: Ho Yin – He Xian – 何賢 (1908-1983)

No dia 12 de Maio de 1973, foi assinada a escritura da compra e venda do jardim de Lou Lim Ioc, também conhecido por jardim de Lu Cau, o único jardim de estilo chinês em Macau. Por Iniciativa do governador José Manuel Nobre de Carvalho, foi adquirido pelo governo, com todas as benfeitorias existentes pela quantia de 2, 7 milhões de patacas, (1) ao seu mais recente proprietário, «Sociedade de Fomento Predial Sei Iek Lda.», cujo gerente geral era o Ho Yin. Depois de muitos anos de abandono, a obra de renovação foi grande, englobando ajardinamento, construções, arruamentos, etc. Recuperado foi entregue ao Leal Senado para gestão e abriu ao público no dia 28 de Dezembro de 1974.
(1) Após a assinatura da escritura foi feito o pagamento de $ 1 000 000,00, o restante foi feito no prazo de 18 meses a contar da data da celebração do contrato. Para o pagamento da primeira prestação foi utilizada importância de $ 1 000 000,00, referida no parágrafo segundo da 16.ª cláusula do contrato com a S. T. D. M. e destinada a obras de fomento. Dado que a despesa total excedia a importância fixada na regra 23.ª do artigo 15.º do E. P. A. da província foi necessário obter a autorização ministerial. (Macau B.I.T., 1973)
Foto histórica à entrada do palacete do jardim Lou Lim Ioc de algumas individualidades portuguesas e o proprietário do jardim, com o general Gomes da Costa  (2)
(2) O General  Gomes da Costa chegou a Macau no dia 8 de Outubro de 1922, para inspeccionar os serviços militares de Macau. Ver esta notícia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-gomes-da-costa/
Anteriores referências  do jardim em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-lou-lim-ioc/

A ponte das Nove Curvas no jardim Lou Lim Ioc em 1973

No dia 28 de Dezembro de 1974, (1) abriu as portas como Jardim Público, o único jardim de estilo chinês que pertenceu em tempos a Lou Lim Ioc e que o Governo adquiriu em 12 de Maio de 1973 (assinatura da compra e venda) (2) ao seu mais recente proprietário, «Sociedade de Fomento Predial Sei Iek Lda.», cujo gerente geral era o Ho Yin. Recuperado foi entregue ao Leal Senado para gestão deste este espaço de grande beleza e serenidade. (3)

O jardim de Lou Lim Ioc em 2017

A abastada família de artistas e letrados de apelido Lou/Lu, de Chiun Lin (distrito de San Wui/ Xinhui/Sunwui), na província de Cantão (Guangdong), cujo chefe de família era Lu Cheok Chin, também conhecido por Lou Kau, ou Lu Cao, um letrado de fino gosto artístico, veio para Macau, em 1870, fixando-se no Largo da Sé. (4) Adquiriu para recreio e “casa de campo” um terreno nas húmidas e pantanosas várzeas do Tap Seac. Contratou em Cantão os serviços de dois artistas, Lau Kat Lok e Lei Tat Chun para construírem um jardim chinês, ao estilo do século XIV, em Sou Chou (Suzhou)

O jardim de Lou Lim Ioc em 2017

O «Jardim das Delícias» ou «Yu Yun» ficou conhecido por «Jardim de Lou Kao» ou de «Lou Lim Ioc». O nome de Lou Lim Ioc (5) deriva do seu filho mais velho, que herdou parte da propriedade e o gosto do pai em receber com fausto as grandes figuras da cidade. O outro irmão, vivendo entre académicos, já que herdara do pai o pendor intelectual e literário, desinteressou-se da metade que lhe cabia na propriedade. (3)

Jardim do Lu-cau (vista interior onde se vê os viveiros, área hoje urbanizada) – “Ilustração Portugueza”, 1908.

Cercado de altos muros, tem hoje, a sua entrada pela Estrada Adolfo Loureiro, ocupando uma área de 1, 23 hectares (inicialmente registada com uma área de mais de 20 000 m2) mas reduzida por sucessíveis desanexações (por exemplo, a área ocupada actualmente pelas escolas Pui Cheng e Leng Nam). Dispondo das duas portas típicas dos jardins chineses, a “porta da lua” e a “porta da jarra”, encerra um grande lago de margens irregulares, bordejado por uma cortina de bambus e de salgueiros. Sobre o lago o célebre Pavilhão da Relva Primaveril que fica perto da montanha artificial, da qual de desprende uma cascata, e da famosa Ponte das Nove Curvas. (6)
Dentro do jardim havia um coreto inaugurado em 1928, onde, no início, o dono do jardim realizava espectáculos de ópera chinesa, de que era grande apreciador. Este coreto encontrava-se em lugar diferente do actual, visto que a porta dava para a Av. Conselheiro Ferreira de Almeida, e foi um dos edifícios destruídos pela explosão no Paiol da Flora em 13 de Agosto de 1931. (7)
Anteriores referências a este jardim em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-lou-lim-ieoc/

A ponte das Nove Curvas no jardim Lou Lim Ioc em 2017

(1) Esta data vem referenciada na obra da Dra. Beatriz Basto da Silva (3). No entanto em muitos artigos e livros, vem referido como data de  abertura do jardim ao público o dia 28 de Setembro de 1974 – como por exemplo em «Jardins e Parques de Macau », p. 20. (6)
(2) Iniciativa do governador José Manuel Nobre de Carvalho. Foi adquirido com todas as benfeitorias existentes pela quantia de 2, 7 milhões de patacas. Após a assinatura da escritura foi feito o pagamento de $ 1 000 000,00, o restante foi feito no prazo de 18 meses a contar da data da celebração do contrato. Para o pagamento da primeira prestação foi utilizada importância de $ 1 000 000,00, referida no parágrafo segundo da 16.ª cláusula do contrato com a S. T. D. M. e destinada a obras de fomento. Dado que a despesa total excedia a importância fixada na regra 23.ª do artigo 15.º do E. P. A. da província foi necessário obter a autorização ministerial. (Macau B.I.T., 1973)
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3 (1995) e Volume III (3.ª edição reformulada, 2015).
(4) Lou Cheok Chin ou Lu Cheok Chi ou Lu Cao (1837 – 1906) foi naturalizado português por Carta Régia de 11-05-1886.Teve 29 filhos das suas 10 mulheres. O mais velho e mais célebre foi Lou Lim Ioc.
(5) Lou Lim Ioc (1877 -1927), milionário, letrado, diplomata entre a China e Portugal, membro do Conselho Legislativo de Macau, foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo a 13 de Abril de 1925. Faleceu no dia 15 de Julho de 1927 e o funeral realizou-se com grande pompa e aparato no dia 31 de Julho de 1927. (7)
(6) ESTÁCIO, António Júlio Emerenciano; SARAIVA, António Manuel de Paula – Jardins e Parques de Macau. IPO, 1993
(7) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
NOTA: Conta-me o meu amigo Fernando Guerra, então alferes em comissão de serviço em Macau e aquartelado na Ilha Verde, onde estavam 90 militares – soldados europeus e macaenses (após a fase de recruta ; vigorava o serviço militar obrigatório) que em 1973 (após a compra pelo Governo do jardim), por ordem superior, foram os militares “encarregados” de limpar a área do jardim que estava em bastante estado de degradação e abandono. Mas entre os chineses e macaenses constava-se que a área (bem como a família) estava amaldiçoada e por isso havia “fantasmas” a circular por lá, pelo que os soldados macaenses recusaram participar na tarefa. Foram os soldados europeus a executar o trabalho.

NOTAS: 1 -O governador de Macau nesse ano era Albano Rodrigues de Oliveira.
2 – “o jornalista Rosa Duque, campeão local nesta modalidade” é Raul da Rosa Duque, já referenciado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/raul-da-rosa-duque/
Extraído de «BGC » XXVI, n.º 295 Janeiro de 1950.

No dia 25 de Novembro de 1954, comemorando no 49.º dia de luto, pela morte do seu pai, o  Sr. Hó Yin, distribuiu à porta da sua residência 120.000 cates de arroz a 30.000 pobres e $ 21.000,00 pelas diversas instituições  de caridade, portuguesas e chinesas, tendo também destinado $23.000,00 a vários estabelecimentos beneficentes de Hong Kong. As importâncias acima mencionadas foram provenientes do produto de “oferendas fúnebres” que recebeu dos seus amigos, das duas cidades, quando do falecimento do pai.

Ho Yin – He Xian – 何賢 (1908-1983)
Foto de 1950

A 27 de Junho de 1952 foi feito Oficial da Ordem Militar de Cristo, a 3 de Agosto de 1971 foi feito Comendador da Ordem de Benemerência e a 9 de Junho de 1990 foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ho-yin/

Informações da Imprensa estrangeira «France Presse» e «Reuter» acerca dos acontecimentos na China (guerra civil) e seu reflexo em Macau que o «Boletim Geral das Colónias» publicou em duas notícias semelhantes em Dezembro de 1949 (1) e em Janeiro de 1950 (2)

Foi a 9 de Novembro de 1949 que o general Wang Zhu, máximo responsável militar na área, declarou taxativamente que «a posição da vizinha Macau será absolutamente respeitada» Garantias nesse sentido foram secretamente transmitidas às autoridades portuguesas dois dias depois. (PEREIRA, Bernardo Futscher – Crepúsculo do Colonialismo. A Diplomacia do Estado Novo (1949-1961), 2017)

NOTA: A República Popular da China, na sequência da vitória de Mao Zedong (Mao Tse Tung – 1893 – 1976- 毛澤東) sobre o Kuomitang de Chiang Kai-Shek (Jiang Jieshi – 蔣介石1887-1975) que se retira para a Ilha Formosa (Taiwan) foi fundada a 1 de Outubro de 1949. Zhou Enlai (Chu En Lai – 周恩来 – 1898-1976), Primeiro Ministro entre 1949 e 1976, também Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1949 e 1958, publicou um comunicado expressando a intenção de abrir relações diplomáticas entre o seu Governo e os Governos de todas as nações, com base na igualdade e no mútuo respeito (excepto com Taipei).

Zhou Enlai – 周恩来 em 1946
https://pt.wikipedia.org/wiki/Zhou_Enlai

Zhou Enlai  enviou um ofício ao ministro de Portugal na China a exprimir a vontade do novo regime chinês. Mas António Salazar rejeitou tal opção.
Sobre Macau, Zhou Enlai reconheceu ser inútil tomar Macau pela força, como exigiam na altura alguns radicais maoístas e os soviéticos, pois seria pernicioso para os interesses da China. Em 1952 aquando do conflito militar às Portas do Cerco, José Estaline (Josef Stalin – líder da União Soviética) ao querer inteirar-se sobre Macau, Zhou Enlai respondeu-lhe “Macau continua, como anteriormente, nas mãos de Portugal”.
Apesar de oficialmente não haver relações diplomáticas entre Portugal e a RPC,  em Macau, a diplomacia paralela ia funcionando com os intermediários:  O Lon (director clínico do Hospital Kiang Wu; 1.º secretário da cédula do Partido Comunista em Macau transferido para Cantão em 1951 , o seu irmão O Cheng Peng (Ke Zhengping) que em Agosto de 1949 funda a Sociedade Comercial Nam Kwong (no fundo o governo sombra da RPC em Macau até 1999); e Ho Yin, o líder da comunidade chinesa até à sua morte em 1983.  (dados recolhidos de SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997 e FERNANDES, Moisés Silva – Macau nas Relações Sino-Portuguesas, 1949-1979. Administração XII-46, 1999.
(1) «BGC» XXV  – 294, Dezembro de 1949.
(2)  «BGC» XXVI – 295 , Janeiro de 1950.

A fim de participarem num festival de beneficência que se realizou na Piscina Municipal visitaram Macau, no dia 19 de Junho de 1954, as dez finalistas do concurso «Miss Hong Kong 1954» O organizador do festival, Sr. Hó Yin ofereceu às visitantes um jantar à chinesa. (1)

Na foto, sentado no meio entre as seis beldades, o Sr. Hó Yin. A segunda, sentada, a contar da esquerda – Miss Virgínia June Lee, (2) foi eleita «Miss Hong Kong», nesse ano.

(1) M. B. l. I-22 ,1954.
(2) Virgínia June Lee ou Virginia Lee Wai-Chun, ficou depois classificada em terceiro lugar entre 33 candidatas, no concurso «Miss Universo 1954», realizado no dia 24 de Julho em Long Beach, Califórnia (Estados Unidos). Miriam Stevenson, dos EUA, foi a vencedora.(3)

Virginia June Lee, Martha Rocha, M Iriam Stevenson, Regina Ernst e Ragnhild Olausson http://www.fernandomachado.blog.br/novo/?p=156045

https://pt.wikipedia.org/wiki/Miss_Universo_1954

(3) Ver anterior postagem “Folheto de Cinema 22 de Julho de 1955 Eleição de “Miss” Universo para 1955» em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/22/noticia-de-22-de-julho-de-1955-folheto-de-cinema-teatro-capitol-xxiii/

Um anúncio do Restaurante europeu e chinês, Bar e Salão de Dança “Piscina Municipal” na imprensa local de 1952
O complexo “Piscina Municipal” “… foi construída na antiga Alameda Vasco da Gama, a qual confina pelo lado da entrada principal com a Avenida Vasco da Gama e por detrás das bancadas com a Estrada da Vitória. Um conjunto de edificações modernas são destinadas à tribuna e bancada para espectadores, vestiários, chuveiros e instalações sanitárias as quais ocupam duas frentes. Na entrada principal há dois amplos salões destinados a restaurante e bar, e do lado esquerdo da bancada a casa das máquinas e a piscina para crianças com areal anexo. No centro fica a piscina grande que tem 50 metros de comprimento por 25 de largura, com pranchas e torres para saltos.” (BARROTE, David (coordenação) – A Visita do Ministro de Ultramar a Macau em Junho de 1952. Edição da Repartição Central dos Serviços Económicos, Secção de Propaganda, 1952,328 p.) . O edifício onde estava situado o restaurante/bar e o salão de dança foi demolido para se fazer o Hotel Estoril.

Anteriores referências ao complexo “Piscina Municipal” em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/piscina-municipal/

Como em anos anteriores, Macau festejou com brilho e acentuado espírito patriótico, o “Dia de Portugal”, no dia 10 de Junho de 1955.
O programa cumpriu-se à excepção da cerimónia pública promovida pelo Conselho de Instrução no Jardim de Camões que, por motivo do mau tempo, teve de ser adiada para o domingo seguinte, dia 12 de Junho, pelas 12 horas (1)

PARADA MILITAR: desfile das forças militares diante da tribuna, em frente do Palácio do Governo
NO JARDIM DA GRUTA DE CAMÕES: homenagem das autoridades na Gruta de Camões
FESTIVAL DESPORTIVO: festival das forças de segurança no Campo Desportivo 28 de Maio, vendo-se as evoluções em bicicleta dos guardas da secção móvel da Polícia de Segurança Pública.
RECEPÇÃO NO PALÁCIO DO GOVERNO: o Sr. Ho In, presidente da Associação Comercial de Macau apresentando cumprimentos ao Sr. Governador e esposa, no Palácio do Governo.

(1) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/12/noticia-de-12-de-junho-de-1955-macau-e-a-gruta-de-camoes-xl-no-jardim-da-gruta-de-camoes/
Extraído do BGUXXXI- 361-362, Julho-Agosto de 1955.

Uma nota oficial, distribuída à imprensa constava o seguinte:
No dia 19 de Dezembro de 1954, vindo de Cantão, chegou o capitão Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo Comandante da Polícia de Segurança Pública desta província, que se encontrava ausente na China desde 22 de Março de 1952“.
Embora a notícia oficial local não mencionasse mais pormenores, o relatório sobre a sua situação no Comando Militar de Macau, mencionava-o como desertor.
Na tarde do dia 22 de Março de 1952, o capitão de infantaria Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo comandante da Polícia de Segurança Pública (comandante do corpo da PSP entre 27 de Junho de 1946 e 1 de Janeiro de 1948) (1) e que nessa ocasião exercia o cargo de chefe de serviços de informações do comando da guarnição militar, foi capturado pela Armada do Exército Popular de Libertação (EPL) quando velejava entre a península de Macau e a ilha da Taipa. Aparentemente a “pequena embarcação … descaiu, aproximando-se da ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin), (2) sendo detido pelos chineses” (3),
Só seria libertado a 19 de Dezembro de 1954. Esteve em cativeiro em Cantão, 31 meses.
O período em causa (1952-1954) decorreu o conflito entre Macau e a China, o chamado “Incidentes das Portas do Cerco” (que se vinham “avolumando desde há meses e se intensificaram no mês de Maio com confrontos ligeiros nos dias 1,12 16, 19, 21, 28 de Maio e no dia 2 de Junho entre as sentinelas chinesas e os militares portugueses – guarnição da portas do Cerco com praças moçambicanas) e terminando no dia 23 de Agosto de 1954, com o pedido formal de desculpas ao general Li Zuopeng, chefe de Estado-Maior do distrito militar de Guangdong, por Pedro José Lobo, na qualidade de representante da administração portuguesa de Macau. (3) (4)

(1) Referência anterior
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/07/%EF%BB%BFnoticia-de-7-de-julho-de-1951-arraial-no-tenis-militar-e-naval/
(2) Ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin) – actualmente a Ilha de D. João e a Ilha de Montanha (Tai-Vông-Kâm / Dahengqin ) estão ligadas por aterros formando a Ilha de Hengqin /横琴
(3) FERNANDES, Moisés Silva – Os Incidentes das Portas do Cerco de 1952: o conflito entre os compromissos internacionais e os condicionalismos locais – Working Papers do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, 2005
Disponível para leitura em:
href=”http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf”>http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf
Imagem retirada de
http://www.fsm.gov.mo/psp/por/psp_org_9.html
(4) A comissão da negociação foi presidida por Pedro José Lobo e integrava Ho Yin (He Xian) (um dos principais dirigentes da comunidade comercial chinesa do território) que foi o intermediário na libertação do capitão Salgado.

Realizou-se no dia 8 de Março de 1977, o jantar da Primavera e de homenagem ao Governador Garcia Leandro e a sua Esposa no Restaurante Lisboa oferecido por Hó Yin representante da Comunidade Chinesa e sua Esposa e para o qual foram convidadas as principais autoridades civis, militares e religiosas, numerosas pessoas das mais diversas categorias sociais, em número de algumas centenas, estando também presentes os pais e sogra do Governador que se encontravam neste território.

Na mesa redonda de honra, posta para 24 convivas, sentaram-se os anfitriões, o casal Ho Yin e os especiais homenageados, o casal Garcia Leandro, com os convidados de maior destaque naquele banquete.

O Sr. Ho Yin no seu discurso focou o problema da electricidade em Macau:
“A nova Central Eléctrica de Coloane poderá entrar já em funcionamento no Verão do corrente ano, prevendo-se, portanto, que o problema de fornecimento de energia eléctrica ficará resolvido. Porém, a Companhia de Electricidade de Macau está sobrecarregada de dívidas, e não será forma salutar ter de pagar, a longo prazo, avultadas somas em juros. Peço sinceramente às autoridades de Macau, a todos os sectores comerciais, bem como a toda a população – já que sabemos que o deficiente fornecimento de energia eléctrica traz grandes prejuízos para o progresso e desenvolvimento deste Território….”
Após as palavras de saudação de Ho Yin, o Governador de Macau, Garcia Leandro, agradeceu a oportunidade que lhe era dada, para significar aos anfitriões o prazer daquele convívio, que servia para estreitar os laços de amizade que unem as duas comunidades que aqui trabalham para melhorar a situação económica de cada cidadão e da própria comunidade.
Ambos os discursos foram traduzidos para as línguas portuguesa e chinesa pelo Chefe da Repartição dos Assuntos Chineses, António Galdino Dias.
O jantar de ementa chinesa que começou às 20.00 horas, terminou cerca das 20.00 horas. (1)
(1) Fotos e reportagem de MACAU B. I. T., 1977.

No dia 1 de Novembro de 1955 deveria ter dado início às Comemorações do IV Centenário de Macau 1555 -1955, programadas para serem realizadas durante o mês de Novembro de 1955.
Sobre este cancelamento, comenta o investigador Moisés Silva Fernandes (1):
“Graças a pressões públicas e particularidades exercidas por círculos nacionalistas macaenses, a administração portuguesa de Macau, foi persuadida a comemorar o 4.º centenário de Macau, em Novembro de 1955. A China não reagiu bem às comemorações e fez saber a nível particular e em público o seu desagrado. Zhou En Lai interviu pessoalmente na matéria e a administração portuguesa viu-se na necessidade (2) de cancelar as comemorações para evitar a deterioração da situação política”
programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-capaO programa estabelecido pela Comissão (submetido em 2 de Março de 1955, mas sujeito a alterações) (3) iniciava essas Comemorações no dia 1 de Novembro de 1955 (Terça-feira), às 6.00 horas, com alvorada e hasteamento da bandeira nacional nas fortalezas, navios de guerra e edifícios públicos e terminava no dia 30 de Novembro (Quarta-feira), as 21.00 horas com a sessão solene do encerramento das Comemorações, falando o Governador da Província, o Presidente da Comissão das Comemorações e o Representante da Comunidade Chinesa.

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A maioria das cerimónias programadas foi cancelada e mesmo a pequena cerimónia marcada para o dia 20 de Novembro em que se assinalava os quatro séculos da presença portuguesa em Macau e que constava de uma Procissão da Sé Catedral para as Ruínas e S. Paulo não se realizou.
Estava também prevista para o dia 1 de Novembro, o lançamento de 4 selos postais comemorativos do 4.º centenário. (4)
Estava também prevista a publicação de uma edição popular da História de Macau. (5)

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O Grande Prémio de Macau que estava integrado no programa, realizou-se no dia 5 de Novembro, com provas de automobilismo (prova para principiantes, prova para senhoras) às 10.00 horas e às 15.00 horas e no domingo, dia 6 com a realização do II Grande Prémio de Macau (6) pelas 12.00 horas. O circuito nesse ano foi alargado em diversos pontos e asfaltado nos troços que eram ainda de areia. Atraiu cerca de 30 mil espectadores. Entre os 12 concorrentes (de Singapura, Hong Kong e Macau) alinhados na grelha da partida, foi vencedor Robert Ritchie, ao volante de um «Austin-Healey», completando as 60 voltas do circuito em 3h, 55m e 55,7 s. Nessa noite pelas 20.00 horas realizou-se o Jantar e distribuição de Prémios das Provas de Automobilismo, no Clube de Macau.
programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-comissaoA Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, nomeada por Portaria de 8 de Janeiro de 1955 era composta pelas seguintes individualidades:
Presidente – Dr. Pedro José Lobo, chefe dos Serviços Económicos
Secretário – Luís Gonzaga Gomes, professor e sinólogo
Vogais – António Magalhães Coutinho, presidente do Leal Senado da Câmara e chefe dos Serviços dos C.T.T.
Engenheiro José dos Santos Baptista, chefe da Repartição Técnica das Obras Públicas
Intendente do distrito José Peile da Costa Pereira, chefe dos Serviços de Administração Civil
Capitão de artilharia João Vítor Teixeira Bragança
Padre Manuel Pinto Basaloco
Ho Yin, presidente da Associação Comercial de Macau
José Maria Braga, publicista e historiador
Primeiro-tenente da Administração Naval Manuel António Lourenço Pereira

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-posse-iO Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro proferindo o discurso no acto da posse da Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau

A posse da Comissão realizou-se no dia 14 de Janeiro numa cerimónia pública na Sala Verde do Palácio do Governo na Praia Grande e a que presidiu o Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro. A este acto, assistiram o Prelado da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, o Meritíssimo Juiz de Direito da Comarca, Dr. Alberto Rafael Marques Mano, o Comandante Militar, Coronel Rui Pereira da Cunha, membros do Conselho do Governo e do Corpo Diplomático, chefes de serviço e outros funcionários superiores, elementos da Comunidade Chinesa, representantes da Imprensa e numerosas pessoas. (7)

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-posse-iiO Sr. Pedro José Lobo, Presidente da Comissão, pronunciando o seu discurso.

(1) FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas, 1945-1995: Cronologia e Documentos. Fundação Oriente, Lisboa, 2000, 849 p. + |Documentos LIX|
(2) Zhou Enlai – 周恩來 (Chu En Lai) (1898- 1976) vice-presidente do partido Comunista Chinês de 1956 a 1966, primeiro-ministro de 1949 até à sua morte e de 1949 a 1958 também ministro dos Negócios Estrangeiros.
(3) Programa das Comemorações do IV Centenário de Macau 1555-1955. Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, Macau-Ásia, 1955, 9 p., 26,5 cm x 19,5cm.
(4) Macau Boletim Informativo, Ano III, 1955.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/02/selos-postais-comemorativos-da-fundacao-de-macau-1955/
(5) “8-01-1955 – Comemorações do IV Centenário do estabelecimento português em Macau (B. O. n.º 2) Entre os eventos e acções previstos conta-se com a publicação de uma edição popular da História de Macau… A Comissão nomeada dá uma ideia das «eminentes» personalidades de então (B. O. n.º 25, de 18 de Junho)” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).
(6) Ver anteriores referências a este Grande Prémio em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/05/noticia-de-5-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/06/noticia-de-6-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/
(7) Macau Boletim Informativo, Ano II, 1955.