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MACAU B.I.T. VIII-3-4, 1972 - 25 ANOS ROTARY CLUB - Foto dos rotários” Com brilhante solenidade, o Clube Rotário de Macau celebrou, no dia 22 de Junho de 1972 , as bodas de prata da sua fundação, oferecendo aos seus sócios e a muitos convidados uma luzida recepção , no restaurante «Portas do Sol», do Hotel Lisboa, distinguindo-se a presença do Senhor Governador da Província e de sua Esposa.
Os rotários de Hong Kong estiveram bem representados sendo de notar a presença de Robert Choa, Governador do Distrito Rotário 345.

MACAU B.I.T. VIII-3-4, 1972 - 25 ANOS ROTARY CLUB - entrada do GovernadorEntrada do Sr. Governador e Esposa no salão do restaurante «Portas do Sol»

O Dr. Henrique de Barros Pereira, presidente do Clube Rotário de Macau, deu as boas-vindas aos numerosos convidados, evocando a figura de Artur Woo, rotário já falecido, que teve acção preponderante na fundação do Clube Rotário de Macau.
Durante o jantar proferiu uma interessante palestra alusiva efeméride que se celebrava, o Dr. Henrique de Sena Fernandes, a que se seguiu no uso da palavra o sr. Robert Choa.

MACAU B.I.T. VIII-3-4, 1972 - 25 ANOS ROTARY CLUB - momento do brinde…No momento em que eram proferidos os brindes

Finalmente o sr. Governador manifestou a satisfação que ele e sua esposa sentiam em tomar parte no convívio que lhes proporcionava a celebração do 25.º aniversário da fundação do Clube.
A recepção terminou coma entrega de dois cheques, feita pelo Dr. Barros Pereira, um ao Centro de Recuperação Social da taipa, na pessoa do major Velasco, comandante da P.S.P. e noutro ao Padre Lancelote Rodrigues que representava a Madre Mary, de Coloane.”

MACAU B.I.T. VIII-3-4, 1972 - 25 ANOS ROTARY CLUB - rotários e convidadosRotários e convidados na recepção comemorativa das Bodas de Prata do Clube Rotário de Macau.

Transcrevemos uma pequena parte do  artigo escrito por Luís Gonzaga Gomes:
“…na argêntea efeméride que este ano se comemora, não podemos deixar de evocar os que sem esmorecimentos, escoaram as paredes mestras do clube, nas suas horas mais periclitantes, e se, com saudade, lembramos, hoje, o nome do Companheiro Hermann Machado Monteiro que muito se empenhou para a fundação e expansão do Rotary Club de Macau, não podemos também esquecer, o do falecido companheiro Henrique Nolasco da Silva que, dentro da maior compreensão dos quatro princípios do Rotary, foi sempre de uma assiduidade exemplar, até quanto lhe permitiram a sua abalada saúde e avançada idade, e do também já falecido Companheiro  Fernando de Lara Reis que legou a sua residência ao Rotary Club de Macau, para nele se estabelecer a primeira clínica anti-cancerosa desta província…(…)
…Fundado por 36 entusiastas, o Rotary Club de Macau viu desaparecer do número dos vivos muitos dos Companheiros fundadores; outros, quis o destino que abandonassem esta terra em obediência aos imperativos das suas profissões, indo exercer as suas actividades a outras terras e outros afastaram-se, por reconhecerem faltar-lhes a vocação rotária.”
Retirado de  «MACAU B. I. T.»,  1972.

Um anúncio publicado em Portugal (1), em 1957, referente à empresa “H. Nolasco & C.ª, Lda“, ainda hoje na Avenida Almeida Ribeiro n.º20.
Fazia publicidade ao seu representante em Lisboa

“João Nolasco, Lda” (2)
Praça do Município 19 – 4º
de S. Francisco 2-A

ANÚNCIO - Henrique Nolasco Lda - João Nolasco Lda(1) GOMES, F. Matos (dir. literária) – 30 Anos de Estado Novo 1926 – 1956.  Lisboa, 1957, 639 p. + 17  páginas de anúncios + 33 p. de saudações das entidades governativas do continente e do ultramar. 28 cm x 20 cm.
Ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/19/leitura-30-anos-de-estado-novo/
(2) João Frederico Nolasco da Silva,(23-09-1871/20-08-1951),  filho de Pedro Nolasco da Silva e de D Edith Maria Angier,e  irmão de Henrique Maria Nolasco da Silva (09-02-1884/17-11-1969), fundador e proprietário da firma. «H. Nolasco & C.ª Lda»(3)
João Frederico alistou-se no Exército onde serviu 7 anos, em Lisboa, Macau e Timor. Passou à actividade civil e foi 1.º oficial da Secretaria Geral do Governo de Macau. Em 1903 trabalhou em Shanghai onde organizou e comandou a Companhia Portuguesa «Coronel Mesquita»  (4) e condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz. Depois trabalhou em Lisboa, Angola, Canárias, S. Tomé e Funchal. Fixou residência definitiva em Lisboa onde fundou a firma «João Nolasco Ldª»
FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses,  Volume II, 1996. p. 781
(3) Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-nolasco-da-silva/
(4) Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/companhia-portuguesa-coronel-mesquita/

A  popular e famosa farmácia “POPULAR”, fundada em 8 de Dezembro de 1895, num anúncio de 1938.
AnÚNCIO Famarmácia Popular 1938e noutro, de 1956
AnÚNCIO Famarmácia Popular 1956O Director Clínico no ano de 1956 era Francisco Xavier da Cruz Hagatong Jr, licenciado em Farmácia.
A «Pharmacia Popular» abriu em Macau a 8 de Dezembro de 1895 ( Beatriz B. da Silva aponta a data de 5-12-1895). Era representante do Laboratório «Sanitas» de Portugal e da Perfumaria «L. T. Piver & Ca. » de Paris (1) (2) (3)
Embora fundada em 1895, a instalação e o início do funcionamento da «Pharmacia Popular» no prédio n.º 16 do Largo do Senado (antiga Farmácia e Drogaria Franco e Companhia) foi a 22 de Maio de 1916. (4)

Farmácia Popular 1900http://www.hngroup.com.mo/en/healthcare/popular

A “Farmácia Popular” foi fundada por Henrique Maria Nolasco da Silva, (1884-1969), filho de Pedro Nolasco da Silva  e de Edith Maria Angier. Farmacêutico pela Escola Médica de Goa (1906), advogado de provisão na comarca de Goa e comerciante em Macau (fundou também a «firma H. Nolasco») .  Mais referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/henrique-nolasco-da-silva/ 
LOGOTIPO Farmácia PopularActualmente a Farmácia Popular pertence a uma empresa  “Grupo Popular of the HN Group Limited” que na área de «Cuidados de Saúde» gere várias farmácias (além de centros médicos, centros de beleza) em Macau com  esse nome.
http://www.hngroup.com.mo/en/healthcare/popular
(1) “5-XII-1895 – Abre, em Macau a «Pharmacia Popular», a mais antiga e ainda hoje de pé. Anteriormente havia as boticas dos conventos e as drogarias tradicionais chinesas, também estas últimas sobrevivendo, num caso ou outro, nos dias de hoje”.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Volume 3, 1995.
(2) Outra informação: o laboratório Sanitas só foi fundado em 1911.
“O laboratório Medicinália iniciou a sua actividade em 1968 dando continuidade ao laboratório Sanitas (fundado em 1911). Ambos os laboratórios têm um papel de relevo no panorama nacional e nos territórios de expressão portuguesa dedicando-se à produção e comercialização de produtos e equipamentos farmacêuticos e hospitalares.”
http://www.museudaciencia.org/index.php?module=content&option=collections&action=newobjects&id=77
Farmácia Popular Ferfume Pompeia 1922(3) L.T. Piver é uma perfumaria francesa que existe desde 1774 e é considerada ser uma das primeiras perfumarias francesas (desde a corte de Luís XVI)
Um exemplar do perfume “Pompeia” da L. T. Piver, de 1922.
HUSFLOEN, Kyle; DOLNICK, Penny – Antique Trader Perfume Bottles Price Guide
https://books.google.pt/books?id=X3SS1kxQhwC&pg=PA237&lpg=PA237&dq=L.+T.+Piver
(4) Arquivo Histórico de Macau – F. A. C. P. n.º 369 -S-N
Citado em SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Volume 4, 1997.

Em anterior “post” de 07/11/2013, referi a esta Exposição  (1), que foi inaugurada a 7 de Novembro de 1926, num terreno entre as Avenidas Coronel Mesquita, Horta e Costa e Ferreira d´Almeida.
Volto a esta notícia com mais elementos.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 MAPAMapa da localização da Exposição Industrial e Feira de Macau

 De 7 de Novembro a 12 de Dezembro de 1926, Macau assiste à “Exposição Industrial e Feira de Macau”, ideia do Dr. Rodrigo Rodrigues, (2) já de 1923, mas que por vicissitudes várias só permitiram a sua concretização nessa data.
Estava nessa altura como Governador interino o Almirante Hugo de Lacerda. (3) Em 26 de Junho de 1926 foi nomeada a comissão especificamente encarregada da organização da Exposição industrial (4).

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 C.O.Foto dos Membros da Comissão Organizadora.
No medalhão desta foto, o Almirante Hugo de Lacerda (Ver actualização no final)

Para a atribuição dos prémios (5) e diplomas constitui-se um júri que integrou: almirante Hugo de Lacerda (Governador interino), o eng. João Carlos Alves (Presidente da Comissão da Exposição e Director das Obras dos Portos), Manuel Monteiro Lopes (gerente do B. N.U.), o capitão de fragata Gregório Fernandes, o Pe. Manuel Pita, o dr. Manuel da Silva Mendes e o Dr. Telo de Azevedo Gomes.
A comissão organizadora iniciou os trabalhos com uma intensa actividade de propaganda de Macau e da Feira, tendo sido distribuídos 10 000 prospectos fora de Macau e 15 000 em Macau.
Em Setembro desse mesmo ano, um forte tufão destruiu parte das construções até aí realizadas.
Os artigos que foram apresentados nesta Exposição Industrial, eram da maior diversidade conforme os expositores constante do quadro seguinte.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 TABELA COMERCIANTES

Além da feira, muitas outras actividades foram realizadas nesse período: jogos desportivos, gincanas de automóveis, batuques e danças guerreiras das tropas africanas e de Timor, serenata pelos estudantes do Liceu, etc.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 RODA ELECTRICAFotografia do lago natural (iluminado de noite)
onde se “vê” a «roda eléctrica – Ferry-Weel»

Com uma estimativa da despesa entre 30 000 e 50 000 patacas, a Comissão organizadora teve a contribuição de 15 000 patacas (o Governo contribuiu directamente com 3 000 e o restante 12 000 saiu da verba das Obras dos Portos- verba de Propaganda que estava a seu cargo).
A receita total atingiu a importância de 26 612, 66 patacas e a despesa feita foi de 25 865,96 patacas, havendo um saldo positivo de 746,70 patacas que a Comissão da Exposição resolveu destinar ao “Museu Etnográfico Luís de Camões” (criada logo depois de exposição para albergar muito do material desta organização.(6)

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IPavilhão de Portugal-Oriente Ltda.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IIPavilhão da China «Merchants Tobacco Co. Ltd.»

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IIIPavilhão da «The Goat & Copasses»

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IVPavilhão da Livraria Portugália

(1) Ver “Notícia de 7 de Novembro de 1926 – Exposição Industrial e Feira de Macau em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/exposicao-industrial-e-feira-de-macau/ 
(2) Rodrigo José Rodrigues, capitão-médico, governador de Macau de 5 de Janeiro de 1923 a 16 de Julho de 1924.
(3) Em 22-07-1926, foi exonerado o Governador Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães e nomeado, em seu lugar, Artur Tamagnini de Sousa Barbosa. Nessa data, nomeação, a título interino, do Almirante Hugo de Lacerda Castelo Branco, para o cargo, até chegar o proprietário. (GOMES, L.G. – Efemérides da História de Macau). A exoneração do governador terá sido em consequência da mudança política em Portugal com a Revolução Militar de 28-05-1926 e posterior ditadura do Marechal Gomes da Costa.
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.
(5) “«Choi Heng», a principal firma de Macau a trabalhar em cobre obteve o diploma de ouro na Exposição Industrial e Feira de Macau. Os seus artigos vão principalmente para a América.” (4)
(6) O Museu Comercial e Etnográfico «Luís de Camões» foi criado em 1926 (Portaria n.º 221 de 5 de Novembro de 1926), pelo Governador interino, Almirante Hugo de Lacerda. Ver referência a este Museu em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/12/noticia-de-12-de-dezembro-de-1936-museu-luis-de-camoes/

Informações e fotografias recolhidas de ALVES, João Carlos; PIRES, João Barbosa – Macau e a sua Primeira Exposição Industrial e Feira. Com uma breve notícia do Porto. Macau, 1927. Tip. Mercantil da N. T. Fernandes e Filhos, 39 pp., 23 cm.

ACTUALIZAÇÃO em 24-12-2015: a COMISSÃO Promotora da Exposição Industrial e Feira de Macau era constituída por:
Presidente Honorário – Exa. o Governador, Almirante Hugo Carvalho de Lacerda Castel Branco
Presidente –
Engenheiro João Carlos Alves – Director das Obras dos Portos (Interino)
Vogais –
Manuel Monteiro Lopes – Gerente da Agência do Banco Nacional Ultramarino
Comendador Lou-Lim-Ioc
João Gregório Fernandes – Capitão de Fragata (reformado)
Major Victor de Lacerda – Chefe da 2.ª Secção das Obras dos Portos
José Maria Lopes – Capitão-Tenente
Henrique Nolasco da Silva – Advogado
Frederic G. Gellion – Gerente de “Macao Electric Lighting Co. Ltd.”
Fong-Choc-Lam – Capitalista
José Vicente Jorge – Chefe da Repartição do Expediente Sínico (aposentado)
António Maria da  Silva – Sub-Chefe da Repartição do Expediente Sínico (interino)
Artur António Tristão Borges – Escrivão da Capitania dos Portos
P.e Manuel José Pitta – Missionário do Padroado do Oriente
Hu-Cheong – Capitalista
Cap. Afonso da Veiga Cardoso – Administrador do Concelho
Ten. Gaudêncio da Conceição – Comandante do Corpo de Salvação Pública
Secretário –
João Barbosa Pires – Chefe de Propaganda das Obras dos Portos

e a composição do COMISSARIADO da Exposição Industrial e Feira de Macau, era:
Presidente – Rev. P.e Manuel José Pitta
Vogais –
Henrique Nolasco da Silva – Advogado e proprietário
Artur A. Tristão Borges – Escrivão da Capitania dos Portos
Major Victor de Lacerda – Chefe da 2.ª Secção das Obras dos Portos
Afonso de Veiga Cardoso – Administrador do Concelho e Comissário de Polícia
Gaudêncio da Conceição – Comandante do Corpo de Salvação Pública da Polícia  de Segurança
Secretário – João Barbosa Pires – Chefe da Propaganda das Obras dos Portos

Realizou-se na Pousada de Macau um jantar de confraternização entre ao antigos e actuais alunos do Liceu Nacional Infante D. Henrique, o qual serviu também para homenagear os jogadores de futebol daquele estabelecimento de ensino que tomaram parte no 1.º Campeonato Escolar de Macau.

Jantar antigos alunos Liceu 14JUN1956Presidiu e usou da palavra o Sr Henrique Nolasco da Silva na sua qualidade de aluno mais antigo.

Informação e foto de MACAU Boletim Informativo, 1956.

Integrada nas comemorações do 40.º aniversário da Revolução Nacional, foi neste dia, realizada pelo Governador, coronel António Adriano Faria Lopes dos Santos, a inauguração do novo estabelecimento da Escola Comercial «Pedro Nolasco», situado na Avenida Infante D. Henrique,  uma velha aspiração da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, entidade que teve a seu cargo este estabelecimento, mantendo-o em funcionamento mais de um século, sem encargos nenhuns para os estudantes que o frequentavam.

Inauguração Escola Comercial 28MAI1966 IO Governador da Província no momento em que cortava a fita simbólica da inauguração do novo edifício da Escola Comercial «Pedro Nolasco».

O novo espaço é um edifício airoso, arejado, espaçoso a contrastar com o acanhamento do velho edifício (1) que não tinha espaço suficiente para comportar os 480 alunos que o frequentavam.

Inauguração Escola Comercial 28MAI1966 IIEntrada do novo edifício, no dia da inauguração 

Inauguração Escola Comercial 28MAI1966 IIIO Dr. Henrique Nolasco da Silva, Presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, pronunciando o seu discurso no dia da inauguração. Na foto, à esquerda, o director da Escola Comercial nesse ano lectivo, o Dr. Henrique de Sena Fernandes

Inauguração Escola Comercial 28MAI1966 IVUma formação de alunas, no dia da inauguração

Informação e fotos de “Macau Comemorações do 40.º Aniversário da Revolução Nacional”. Centro de Informação e Turismo, 1967, 292 p.

NOTA: a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses cedeu o edifício da Escola Comercial «Pedro Nolasco», actualmente extinta, para a instalação da Escola Portuguesa de Macau (EPM) em 1998.
(1) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/08/noticia-de-8-de-janeiro-de-1954-festa-escolar-escola-comercial-pedro-nolasco/

No dia 8 de Janeiro de 1954, a Escola Comercial «Pedro N olasco», mantida pela Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (A.P.I.M.), comemorou o 76.ª aniversário da sua fundação (1), com uma festa escolar que constou de um pequeno acto de variedades, de distribuição de prendas aos alunos e de chá, aos alunos e numerosos convidados.

Escola Comercial 1927A Escola Comercial em 1927

 Os convidados (entre estes, o Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro e família) foram recebidos à porta da Escola, pelo Inspector da Instrução Pública, Sr. Intendente José Peile da Costa Pereira, pelo Presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, Sr. Henrique Nolasco da Silva, pela Directora da Escola, Sr.ª D.ª Beatriz Nolasco da Silva , pelo Corpo Docente e pelos outros membros da Comissão Directora da A. P. I. M.

Escola Comercial 1954 IÀ entrada da Escola uma aluna entrega à Exma. Senhora D. Laurinda, um lindo ramo de flores naturais

Numa das salas de aula, onde foi improvisado um pequeno palco, deu-se início ao pequeno espectáculo de variedades. Em nome dos seus colegas, o aluno Fernando Cabral proferiu «Duas Palavras».

Escola Comercial 1954 IIEm seguida, as alunas Maria Luísa Vaz e Rita Borges e os alunos Francisco Valadas e Augusto Moreira representaram com muita graça a peça em um acto «Pátria»

Os alunos José dos Santos e Luís Néry interpretaram «Um Suicídio», tendo os alunos António Rodrigues e Nuno dos Santos desempenhando o diálogo «Uma carta de recomendação». O grupo «Escopeno» tocou dois números de música e acompanhou Carlos Nantes  em «Terra Amada» e Frank Barnes em «Lady of Spain»

Foram distribuídas valiosas prendas adquiridas com a contribuição da Comissão Central da Assistência Pública, o Rotary Clube de Macau, a Delegação de Macau da Cruz Vermelha Portuguesa e a esposa do governador, Dra. Laurinda Marques Esparteiro.

Escola Comercial 1954 III Todos os alunos receberam valiosas prendas, sobretudo peças de vestuário e de calçado.

 A seguir à distribuição de prendas, foi servido um delicado chá a todos os presentes.
Usou da palavra, nesta altura, o Presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses que proferiu o discurso de agradecimento.

Escola Comercial 1954 IV

Saliento deste discurso o seguinte:
“ ... Não devo, porém, deixar de me referir ao meu irmão, Dr. Luís Nolasco, que sucedeu na Presidência desta Associação ao meu pai de saudosa memória, a exerceu durante muitos anos estas funções com a máxima dedicação e competência, enfrentando por vezes situações críticas e difíceis que ele conseguiu resolver a bem dos interesses da Associação e da Escola.
Portanto, seguindo no trilho traçado pelo meu pai de saudosa memória e pelo meu irmão Luís, que por motivo de saúde não pôde continuar à testa da Associação, e pelo meu antecessor, meu amigo, Sr. Francisco Hagatong, eu procurarei servi-la com o maior interesse e grande  dedicação...

Texto e as quatro últimas fotos retirados de «Macau, Boletim Informativo», 1954

(1)    1878 – Criada a Escola Comercial, tentando-se conciliá-la com o Seminário a quemm a A.P.I.M. acordou conceder desde 1872 um apoio monetário. (SILVA, Beatriz Basto – Cronologia da História de Macau, 3.º Volume)

FIAT Firma F. RodriguesAnúncio de 1922 do “FIAT Touring car 505“.

Anunciava ainda a venda de  outros modelos da “FIAT” nomeadamente:
MODELO 501 – «Spyder»
MODELO 501 – Limousine «Torpedo» – 10 a 15 cavalos, 4 cilindros
MODELO 505 – Torpedo de Luxo, e Landaulette de Luxe –  15 a 20 cavalos, 4 cilindros
MODELO 501 – Torpedo de Luxo,  Landaulette de Luxe, Berline e Sport – 20 a 30 cavalos, 6 cilindros.

A empresa, “Únicos Agentes no Sul da China” era a F. Rodrigues.(1)

A firma também vendia Motores Marítimos da marca “FIAT” de
MODELO 53 A – 25 cavalos, 4 cilindros e
MODELO 51 A – 10 a 12 cavalos, 4 cilindros.

NOTA: Em 1922, os automóveis “particulares” a circularem em Macau, seriam poucos pois um dos primeiros a surgir em Macau foi em 1911 do Henrique Nolasco da Silva (2) e em 1916 havia, 15 condutores profissionais de automóveis e 7 condutores «amadores». (2) O primeiro Regulamento da Circulação de Automóveis e Motocicletas é aprovado, por acórdão do Conselho de Província em 21-10-1915 (Boletim Oficial n.º 46, de 13 de Novembro). (2)
(1) Sobre Fernando Rodrigues ver anterior “post”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/12/noticia-de-12-de-maio-de-1921-2/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)

Para complementar  a notícia de ontem (1), reli o opúsculo histórico do Padre Teixeira (2) “O TEATRO D. PEDRO V“, publicado em 1971, pelo Clube de Macau (3) com subsídio do Governo da Província.

O Teatro D. Pedro V capa

Refere o autor, na introdução “Breves Palavras”:
“… Durante este século, foi o Teatro D. Pedro V que o Clube de Macau apresentou ao público não só os talentos locais mas os grandes artistas de renome internacional. Pode dizer-se que até à Guerra do Pacífico, a vida artística macaense se concentrou no Teatro D. Pedro V, devido aos bons ofícios das Direcções do Clube de Macau
O Teatro D. Pedro V fachada 1971

A Fachada do Teatro em 1971, degradada revelando as suas instalações, precárias condições de funcionamento

 O teatro, após obras que custaram 4 000 patacas (empréstimo pedido pela Direcção da Sociedade) (4) foi inteiramente restaurado e reabriu a 30 de Setembro de 1873.
O Jornal Gazeta de Macau e Timor (5) deu extensa notícia da festa de abertura:
” Abriu esta noite os seus salões o THEATRO DE D. PEDRO V – restaurado, elegante e perfeitamente armado, obras estas que deve à actual e incansável direcção que dotou o teatro com uns estatutos razoáveis, necessários e convenientes, trabalho este em que havia naufragado mais de uma direcção, havendo desgostos, discussões acaloradas e improdutivas.”

Ao longo do seu historial, o teatro passou por muitas vicissitudes: falência com penhora em 1879 (6); desavenças dos sócios;  cisão do Club União que organizava as festas no teatro;  fundação de uma nova Associação  denominada «Proprietários do Teatro D. Pedro V» que comprou o teatro, e o arrendou por um período de 10 anos à sociedade Club União, mediante ao pagamento de 15 % dos rendimentos brutos do clube e do Teatro; apogeu da sua utilização para espectáculos, récitas, óperas, concertos, conferências, etc; degradação do edifício ao logos de anos e outras tragédias ….. que relatarei em posteriores postagens.

O Teatro D. Pedro V lista dos proprietários IO Teatro D. Pedro V lista dos proprietários II(1) “NOTÍCIA  DE 7 DE MARÇO DE 1857 – TEATRO D. PEDRO V”
         https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/
(2) TEIXEIRA, P.e Manuel – O Teatro D. Pedro V. Clube de Macau, I Centenário, 1971, 50 + !2! p. 26,5 cm x 19 cm
(3) Nesse ano (1971), a Direcção do Clube de Macau era composta por:

 Presidente: Fernando José Rodrigues
Secretário: Dr. João Bosco da Silva
Tesoureiro: Estanislau Alberto Carlos
Vogais: Hugo José Sales da Silva e António V. N. Barros Amorim.

 (4) A Direcção era composta por António Alexandrino de Melo, barão do Cercal, João Eduardo Scarnichia, José Maria Teixeira Guimarães, Carlos Vicente da Rocha e Joaquim das Neves e Sousa que tinham elaborado novos estatutos da Sociedade «Theatro de D. Pedro V», os quais foram aprovados a 3 de Fevereiro de 1873 (data citada por Padre Teixeira e Luís Gonzaga Gomes, mas Beatriz Basto da Silva refere na sua Cronologia, a data de 10-02-1873.
(5) Gazeta de Macau e Timor, 2.º Ano, nº 2, de 30-09-1873
(6) “29-03-1879 – O Boletim Oficial publica o anúncio da arrematação do edifício do « Theatro D. Pedro V», penhorado em execução movida pelo Leal Senado contra a sociedade proprietária. O Teatro é vendido em leilão judicial por 1.400 reis (mais 672 reis pelos trastes), segundo o Boletim Oficial de 10 de Julho de 1880. Entretanto é fundado o Clube União e são os seus sócios (agremiados publicamente por escritura celebrada em 25 de Setembro de 1879) – que adquirem o teatro, com o nome de « Associação dos Proprietários do Theatro D. Pedro V»; nos Estatutos do Clube União, aponta-se para um único fim: o clube deve manter o teatro, ao serviço da população portuguesa de Macau “
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)

Em 16 de Janeiro de 1924, Henrique Nolasco da Silva, farmacêutico e proprietário da «Pharmácia Popular», solicitou uma licença para importação de Londres, de vários medicamentos (1)

Em 1929, no “Jornal de Macau” de 18 de Julho de 1929, apareciam estes dois anúncios promovendo os medicamentos “XAROPE PEITORAL GERARD” e “GLICOQUINOL” (recortes do jornal).

Farmácia Popular Xarope 1929

Farmácia Popular Xarope II 1929NOTA: Há uma notícia de 22 de Maio de 1916 sobre a Instalação e funcionamento da «Pharmacia Popular» no prédio n.º 16 do Largo do Senado (antiga Farmácia e Drogaria Franco e Companhia (1)

Henrique Maria Nolasco da Silva (1884 -1969), 8.º filho de Pedro Nolasco da Silva (2). farmacêutico pela Escola Médica de Goa (1906), advogado de provisão na comarca de Goa e comerciante em Macau. foi o fundador da «Farmácia Popular» e da firma «H. Nolasco». Foi membro do Conselho de Macau do Governo de Macau, presidente do Leal Senado e da Associação Promotora da Instrução dos macaenses. (3)

NOTA DE CURIOSIDADE:
1914 – Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndio o seu automóvel, um dos primeiros que existiram em Macau a fim de acorrer com mais presteza aos sinistros,. O pessoal de incêndios, na maioria militares, estava aquartelado em S. Francisco.” (1)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7).
(2) Ver anterior post:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/06/personalidade-pedro-nolasco-da-silva/
(3) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses II Volume. Fundação Oriente. acau, 1996, 1100 p., ISBN- 972-9440-61-1