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Outro postal da colecção de oito postais (seis da Ilha da Taipa e dois da Ilha de Coloane), da década de 90 (século XX), com edição da Câmara Municipal das Ilhas. Indicações em português, chinês e inglês. Fotografia de Fong Kam Kuan (1)

“Altar e estátua de Buda no Templo de Pou Tai Un, Taipa
氹仔菩提園大佛像 (2)
Altar and statue of Buda in Pou Tai Un – Taipa

Esta estátua dedicada ao Buda Saquiamuni é de bronze com a altura de 5,4 metros e um peso de 6.5 toneladas. Fica no último andar do edifício principal do Mosteiro/Templo Pou Tai Un(3) chamado de Palácio Budista (Tai Hong Pou Tin)
1)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/08/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-i/
(2) 氹仔菩提園大佛像  – mandarim pīnyīn: dàng zǎi pú dī yuán dà fó xiàng; cantonense jyutping: tam5 zai2 pou4 tai4 jyun4 daai6 fat6 zoeng6.
(3) O Mosteiro Pou Tai situa-se entre a antiga Estrada Lou Lim Ieok (hoje, Avenida Lou Lim Ieoc 5 – 5B) e a Rua do Minho. Fica junto ao antigo sopé oriental do morro da Taipa Pequena, e tinha uma vista panorâmica sobre a zona central da vila. Era o maior e mais rico de todos os templos das Ilhas e um dos principais santuários budistas de Macau.
Nele encontra-se vários santuários dedicados às divindades budistas e da religião popular chinesa, aposentos dos bonzos, pavilhões onde se colocam as cinzas dos defuntos, salas para tabuletas dos espíritos, um jardim e um restaurante (não sei se ainda se mantém em funcionamento).

Foto de “Roteiro das Ilhas – Ilha da Taipa”, 1996 (3)

O templo chamava-se originalmente mansão (ou jardim) Pou Tai e foi construído pela família Lo em 1927.Um dos seus membros chamava-se Lo Pou San, e era então um dos pintores mais famosos da província de Guangdong, da Escola de Pintura de Lignan, morando na mansão com a sua mãe. O espaço total da mansão foi registado oficialmente em 1933 com uma área tão espaçosa que incluía ainda uma parte da terra onde ficava a Fábrica de Panchões “Him Son” e a terra onde ficava o edifício contíguo da “Wa Seng”. Depois da morte de Lo Pou San, seu filho Lo Vai Chong mudou de residência para Hong Kong e vendeu os terrenos da mansão Pou Tai, que foram comprados por cinco entidades. No dia 16 de Julho de 1964, uma destas entidades, Mestre-Monge Sik Chi Un, comprou a parte principal da mansão, que incluía um pequeno templo que se chamava Palácio Lok Chou, e a maior parte do jardim com a área de 3330 m₂.

Foto de “Roteiro das Ilhas – Ilhada Taipa”, 1996 (3)

O mestre Sik Chi Un introduziu o ramo do budismo Cheng Tou (Terra Limpa/Pura) em Macau. Nasceu na província de Zhejiang na China. Tornou-se monge no templo Chiu Heng na cidade de Hangzhou em 1928, e começou a difundir a doutrina budista, pregando no distrito de Zhongshan na província de Guangdong durante alguns anos. No período da guerra entre o Japão e a China, mudou-se para Macau e estabeleceu o ramo Budista Chi Sam. No mosteiro Pou Tai encontram-se actualmente deuses do Budismo e do taoísmo.
Extraído de: Roteiro das Ilhas – Ilha da Taipa. Câmara Municipal das Ilhas, 1996

Comunicação apresentada por Domingos Tang (1) no « I Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo» (2.ª Secção – dedicado ao Oriente) (2) realizado em 1937, em Lisboa. Posteriormente a comunicação foi publicada, em separata, em 1938 (3)


Foto de 27 de Janeiro de 1981
(1) D. Domingos Tang Yi-Ming, S.J. (1908 -1995)
Arcebispo de Cantão desde Maio de 1981 e antes seu Administrador Apostólico desde 1950. Esteve 22 anos preso em Cantão (sem receber alguma comunicação exterior) pelo regime comunista chinês, por fidelidade ao Papa. Estudou no Seminário de S. José em Macau, saiu em 1930 para Espanha a fim de fazer seu Noviciado na província Portuguesa da Companhia de Jesus, admitido em 1 de Setembro de 1930. Em 1932 o Governo Republicano de Espanha dissolvia a Companhia de Jesus e os noviços portugueses voltaram para Portugal continuando seus estudos em Entre-os-Rios e depois Braga. Regressou a Macau onde ensinou Latim no Seminário e Ciências Físicas no Colégio de S. José. Foi para Shanghai em 1939. Ordenado sacerdote a 31 de Maio de 1941, em Shanghai. Últimos votos a 5 de Maio de 1944. Em Shanghai realizou trabalho pastoral e professor de inglês na Universidade “La Aurora” até regressar a Macau em Fevereiro de 1946. Seguiu para Shekki como  vigário para o distrito de Chung Shan (1946-1950 foi Director da Escola de Po Ling). Em Novembro de 1950 nomeado pelo Papa Pio XII, Administrador Apostólico de Cantão. Libertado em 9 de Junho de 1980.
Nomeado Arcebispo de Cantão mas como como estava proibido de voltar à China, aguardou em Hong Kong até ao seu falecimento (27 de Junho de 1995). Antes esteve nos Estados Unidos onde pedira residência. Publicou um livro de memórias «Os Insondáveis Caminhos de Deus».(HERNANDEZ, Ângel Santos – Jesuitas y obispados, Volume 2; disponível na net). Como a arcebispo de Cantão ordenou em 1982 a ordenação sacerdotal do padre Luís Sequeira, na Catedral da Sé de  Macau.
(2) Embora na capa apresente “I Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo (2.ª Secção)”a apresentação da conferência foi feita na 3.ª sessão – dedicado ao Oriente.
(3) Na capa, apresenta o orador Domingos Tang como congressista chinês  mas a apresentação do trabalho foi em português
TANG,  Domingos – Macau, Ponto de Irradiação do Lusismo no Extremo-Oriente. Lisboa, 1938, 15 p. , 24,5 cm x 17 cm
Esta mesma comunicação foi publicada no Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau. – Ano XXXV, n.º 404 (Novembro de 1937), p. 281-288.
NOTA: No dia 23 de Setembro de 1937, o jornal «A Voz de Macau» noticiava a “Exposição Histórica da Ocupação” que foi inaugurada concomitante com o “I Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo”. 

1.

Nos campos de Guandong
o tempo passa devagar
voo de insecto à procura
das costas de um búfalo
para poisar

Tirei os sapatos, e banhei os pés
no riacho que corria
junto à aldeia

Não podia trazer o pó suave
nos pés ocidentais,
pertencia aos campos
da terra do meu amigo.

2.

Apanhei líchias
na aldeia do Pombo Branco,
Ng Yok Fai faz-me
companhia

Estou certo que ambos
tivemos os mesmos sabores
a dourarem-nos as bocas.

3.

A casa tem janelas altas,
e frisos rebuscados,
dizem-me que pertence
a um emigrante.

A janela, uns olhos rasgados
olham-me atentamente
e viajam.

4.

Concubina do imperador
é a tradução à letra
do nome da minha amiga

Como trocou os patos da aldeia
pelas secretárias de Macau
agora chama-se Cíntia
que costuma escrever à inglesa

5.

O cheiro das galinhas
que viajam
no autocarro
era igual ao das galinhas
da quinta da minha avó.

Recordei então a infância
e senti-me feliz.

António Augusto Menano
Macau, 1990/1991

MENANO, António Augusto – Poemas da Roxa Aurora. Minerva Coimbra, 2009, 70 p. ISBN 978-972-798-247-9
Sobre este autor, ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-menano/

A paixão pelo cinema desde miúdo levou-me a ver, quando era possível e o dinheiro chegava, todo o tipo de cinematografia. E da minha avó herdei o gosto pelos “filmes de Hong Kong” predominantemente cantonense das décadas de 50 e 60 que passavam principalmente nos teatros que frequentava, “Oriental” e  “Cheng Peng” (menos o “Alegria”).
E sem dúvida um dos ídolos deste cinema é (era) o actor LAM KA SING
Lembrei-me dele ao ter encontrado este recorte no meu dicionário escolar.
林家聲   Lam Ka-Sing  (aliás Lam Kar-Sing, Lam Ga-Sing)
Actor/cantor de ópera chinesa (cantonense, em Macau conhecido como “Auto China“)), Lam Ka-Sing nasceu em Hong Kong, em 1933 (nome de nascimento Lam Man Shun) e faleceu em Hong Kong a 5 de Agosto de 2015. Com a família foi para Guangzhou (Cantão) durante a ocupação japonesa de Hong Kong, na II Guerra Mundial. Aí estudou ópera cantonense (canto e representação). (1) Após a Guerra, regressou a Hong Kong continuando a aperfeiçoar-se. Iniciou a carreira de actor em cinema no filme “Prostituting to Raise the Orphan”, em 1947. Fez cerca de 301 (o último em 1967). Actuou em numerosas peças teatrais (formou a sua própria companhia de ópera cantonense – a última «tournée» em Hong Kong e Estados Unidos foi em 1993, tenho fixado a sua residência em Canadá após esta data). Regressou a Hong Kong em 2009. Em 2010 foi agraciado como Doutor Honorário pela «Hong Kong Academy for Performing Arts» e em 2012 recebeu a «Silver Bauhinia Star» (2)
Alguns actores/actrizes deste tipo de ópera chinesa, de Hong Kong, eram muito populares em Macau por isso actuavam neste território, em espectáculos no Teatro Cheng Peng ou (muitas vezes) em palcos improvisados e montados para as festas por exemplo (por mim presenciados) nas comemorações anuais do Templo de Deus da Terra (na Horta da Mitra – Cheok Chai In) (3) ou em espectáculos para angariação de fundos para associações ou auxílios aos pobres. (4)
O exemplo é esta fotografia tirada no Teatro Cheng Peng e publicada no Boletim Geral do Ultramar, em 1956, onde a «estrela» Hung Sin Nói (5) e o «galã» Iam Kim Fai (6) (actriz que fazia quase sempre o papel masculino, aliás muito vulgar na ópera cantonense) estavam em Macau, numa das suas digressões que as companhias de ópera chinesa (algumas exclusivamente de actrizes)  faziam à China, e outros países com comunidades cantonenses.
(1) Ópera Cantonense (粵劇) é uma da óperas chinesas originária do Sudeste da China, na província de Guangdong , muito popular nesta província e em Guangxi nas comunidades chinesas de Hong Kong (onde tem uma escola superior desta arte), Macau e no sudeste asiático. É uma arte tradicional chinesa bastante complexa envolvendo música, canto, artes marciais, acrobacia e representação. Existe dois géneros principais da ópera cantonense: a MOU (武, “artes marciais”) focando os aspectos da guerra, com personagens guerreiras (generais e soldados), e envolvendo cenas/acções da guerra com armamento e armaduras; a MAN (文, mais clássica), envolvendo a cultura chinesa – poesia, literatura.
粵劇 – mandarim pīnyīn: yuè jù; cantonense jyutping: jyut6 kek6
(2) http://www.scmp.com/news/hong-kong/education-community/article/1846733/cantonese-opera-master-lam-ka-sing-dies-hong-kong
A Filmografia deste actor de 1947 a 1967  (301 filmes) em:
http://hkmdb.com/db/people/view.mhtml?id=1332&display_set=eng
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/27/noticia-de-27-de-fevereiro-de-2017-tou-tei-o-deus-da-familia/
(4) Há descrições de palcos improvisados para a ópera chinesa por exemplo um que se “montou” nos terrenos das corridas de cavalos (actual, canídromo) entre 1935-1942 e que colapsou ao fim de 5 dias. O Teatro chinês “Cheng Peng” (7) durante a guerra no Pacífico tinha frequentemente ópera chinesa com os artistas de Hong Kong e Guangdong fugidos da ocupação japonesa. Consta-se que os melhores cantores eram bem pagos (para aquele período) e a mais conhecida Tam Lan Hing –譚蘭卿 (8) que chegou a Macau em 1942 (e diziam as más línguas de Macau que “engordou” no período da guerra) ganhava “um tael de ouro por um dia de actuação
https://en.wikipedia.org/wiki/Yam_Kim-fai
Hung Sin Nui em 1956 no filme “The Peach-Blossoms Are Still in Bloom”
(5) Hung Sin Nui 紅線女 (1924-2013) aliás Hong Sin-loi, Hong Xian-nu – uma das  grandes estrelas da ópera cantonense e actriz de cinema na China e Hong Kong (106 filmes)
Filmografia e biografia em
http://www.hkmdb.com/db/people/view.mhtml?id=1365&display_set=eng

(6) Yam Kim Fai 任劍輝 – Ren Jianhui (1913-1989) actriz /cantora da chamada nova ópera cantonense. Filmes desde 1937 a 1968 num total de 300 filmes onde na maioria actuou em papéis masculinos.
Filmografia e biografia  em:
http://www.hkmdb.com/db/people/view.mhtml?id=499&display_set=eng
(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2011/12/28/cinemas-de-macau-i/

(8) 譚蘭卿  Tam Lan Hing   aliás Tam Shui-Fan (1908 – 1981)
Filmografia (1935-1969 – 187 filmes) e biografia em:
http://hkmdb.com/db/people/view.mhtml?id=133&display_set=eng

Extraído de BGC XXII AGOSTO DE 1946, n.º 254/255, pp. 169-170

Artigo de Luís Gonzaga Gomes publicado no jornal “A Voz” e republicado no BGU, Fevereiro de 1953.

Uma nota oficial, distribuída à imprensa constava o seguinte:
No dia 19 de Dezembro de 1954, vindo de Cantão, chegou o capitão Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo Comandante da Polícia de Segurança Pública desta província, que se encontrava ausente na China desde 22 de Março de 1952“.
Embora a notícia oficial local não mencionasse mais pormenores, o relatório sobre a sua situação no Comando Militar de Macau, mencionava-o como desertor.
Na tarde do dia 22 de Março de 1952, o capitão de infantaria Álvaro Marques de Andrade Salgado, antigo comandante da Polícia de Segurança Pública (comandante do corpo da PSP entre 27 de Junho de 1946 e 1 de Janeiro de 1948) (1) e que nessa ocasião exercia o cargo de chefe de serviços de informações do comando da guarnição militar, foi capturado pela Armada do Exército Popular de Libertação (EPL) quando velejava entre a península de Macau e a ilha da Taipa. Aparentemente a “pequena embarcação … descaiu, aproximando-se da ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin), (2) sendo detido pelos chineses” (3),
Só seria libertado a 19 de Dezembro de 1954. Esteve em cativeiro em Cantão, 31 meses.
O período em causa (1952-1954) decorreu o conflito entre Macau e a China, o chamado “Incidentes das Portas do Cerco” (que se vinham “avolumando desde há meses e se intensificaram no mês de Maio com confrontos ligeiros nos dias 1,12 16, 19, 21, 28 de Maio e no dia 2 de Junho entre as sentinelas chinesas e os militares portugueses – guarnição da portas do Cerco com praças moçambicanas) e terminando no dia 23 de Agosto de 1954, com o pedido formal de desculpas ao general Li Zuopeng, chefe de Estado-Maior do distrito militar de Guangdong, por Pedro José Lobo, na qualidade de representante da administração portuguesa de Macau. (3) (4)

(1) Referência anterior
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/07/%EF%BB%BFnoticia-de-7-de-julho-de-1951-arraial-no-tenis-militar-e-naval/
(2) Ilha de D. João (Sio-Vong-Cam/ Xiaohengqin) – actualmente a Ilha de D. João e a Ilha de Montanha (Tai-Vông-Kâm / Dahengqin ) estão ligadas por aterros formando a Ilha de Hengqin /横琴
(3) FERNANDES, Moisés Silva – Os Incidentes das Portas do Cerco de 1952: o conflito entre os compromissos internacionais e os condicionalismos locais – Working Papers do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, 2005
Disponível para leitura em:
href=”http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf”>http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2005/wp2005_2.pdf
Imagem retirada de
http://www.fsm.gov.mo/psp/por/psp_org_9.html
(4) A comissão da negociação foi presidida por Pedro José Lobo e integrava Ho Yin (He Xian) (um dos principais dirigentes da comunidade comercial chinesa do território) que foi o intermediário na libertação do capitão Salgado.